Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

A família é essencial


É interessante que seja necessário um congresso em Londres para recordar aquilo que todos nós intuímos como verdadeiro: a família possui um efeito humanizador nos seus membros e naqueles que com eles convivem.


Foi no passado mês de outubro de 2019 que a International Federation for Family Development (IFFD) teve o seu XX Congresso Mundial com o título “A família, o rosto do humano”. No total estiveram presentes 1300 pessoas procedentes de 70 países (também estivemos representados) para compartilharem experiências e se formarem naquela que é de longe a empresa mais importante das suas vidas: a sua família.


Neste tempo sofisticado, tecnológico e, muitas vezes, confuso, que em muitas ocasiões exalta, e noutras humilha e procura anular, o que é especificamente humano, vale a pena voltar àquilo que é essencial, para não corrermos o risco de nos perdermos nos caminhos da vida.


E a família é essencial, por muito que atualmente haja pessoas que nos tentem convencer com sofisticadas fórmulas sociológicas e psicológicas de que esta afirmação é um bocado exagerada e com cheiro a mofo.


Como diz o próprio título do congresso, a família é o rosto do humano: é o lugar onde a pessoa humana está chamada a nascer, crescer, amar e morrer. Nada mais nada menos do que as “atividades” mais importantes da nossa curta passagem por este mundo.


Ao contrário da maioria dos animais, nós nascemos biologicamente indigentes. Necessitamos de uma mãe que nos acolha com um amor consciente e esforçado e nos mantenha vivos durante os primeiros anos. Além disso, ao contrário dos animais, não nos bastam o alimento e o refúgio para sobrevivermos.


Necessitamos de algo especificamente humano e profundamente humanizador: o carinho, o contacto, a voz, a carícia. Sem isto, como demonstraram funestas experiências sociológicas, não conseguimos sobreviver.


E conscientes de que somos da nossa mãe graças também ao nosso pai, necessitamos de que este rodeie a nossa mãe desse amor que um dia lhe prometeu e permaneça ao nosso lado como alguém que nos protege e nos ajuda a crescer.

  Pe. Rodrigo Lynce de Faria

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Quando os jornais são notícia


As notícias mais chamativas destes últimos dias foram protagonizadas pelos próprios meios de comunicação, por acção e omissão.


Primeiro, o Tribunal Constitucional polaco reconheceu que o aborto é contrário à Constituição polaca, que defende explicitamente a vida e a dignidade de todos.


A Santa Sé saudou este progresso no reconhecimento pleno dos direitos humanos e o Papa Francisco aproveitou a memória litúrgica de S. João Paulo II e a celebração do centenário do seu nascimento para lembrar que João Paulo II «sempre defendeu um amor privilegiado pelos últimos e pelos indefesos e o cuidado de cada ser humano, desde a concepção até à morte natural. Por intercessão de Maria Santíssima e do Santo Pontífice polaco, peço a Deus que suscite nos corações de todos o respeito pela vida dos nossos irmãos, especialmente dos mais frágeis e indefesos, e que dê força aos que acolhem e cuidam dessa vida, mesmo quando isso exige um amor heróico».




Qual a reacção dos principais meios de comunicação? Classificar os polacos e o Tribunal Constitucional como ultra-conservadores e não referir a posição da Igreja e de outros defensores dos direitos humanos, para dar a entender que os polacos estão isolados.


Nessa mesma altura, o Papa foi entrevistado brevemente para um programa de televisão – uma resposta de menos de 30 segundos, que nem foi divulgada pelos canais habituais da Santa Sé – onde disse que era preciso respeitar as pessoas com tendências homossexuais, que se lhes poderiam aplicar leis comuns mas, de nenhum modo, as leis relativas ao casamento. Desta vez, o assunto mereceu uma cobertura noticiosa avassaladora, embora infelizmente distorcida.


Estimar todas as pessoas, independentemente do seu comportamento, é um princípio básico do cristianismo, que não se confunde com aprovar esse comportamento. O Papa tem sido muito claro acerca disso.


O segundo ponto é que, como o Papa sublinhou, as disposições que se aplicam a pessoas que vivem em comum diferem em vários aspectos do casamento. Não se lhes aplica o «número dois», não são relações indissolúveis e, obviamente, não têm a ver com a homossexualidade.


Em geral, quando várias pessoas partilham as despesas domésticas, não tem sentido exigir que sejam só duas. Porque é que um pai e dois filhos que vivem na mesma casa teriam menos direitos do que se fossem só duas pessoas? Porque é que cinco estudantes que alugam a mesma casa hão-de ter menos direitos do que se fossem só dois? A exigência de serem dois, um homem e uma mulher, aplica-se a quem funda uma família aberta aos filhos, os outros tipos de convivência podem juntar qualquer número de indivíduos.


As responsabilidades que um homem e uma mulher assumem ao constituírem uma família aberta aos filhos prolongam-se indefinidamente no tempo, e por isso a Igreja defende que o casamento é indissolúvel. Pelo contrário, as outras convivências dependem do arbítrio das partes.


Finalmente, o comportamento homossexual nunca pode ser fonte de direitos. Porque é que uma tia e uma sobrinha que partilham a mesma casa passariam a ter mais direitos se, em vez de levarem uma vida normal, fizerem orgias homossexuais?



Muitos órgãos de comunicação social não foram capazes de compreender as breves palavras do Papa, provavelmente porque receberam a informação através de agências noticiosas que simplificaram e distorceram as suas palavras. Em resultado, muitos atribuíram-lhe uma doutrina extravagante e louvaram-no por ceder à ideologia de género. Pelos vistos, ninguém os informou que o Papa classificou a ideologia de género como a grande ditadura dos nossos tempos.


Felizmente, o público está cada vez mais alerta para a manipulação da informação relativa à Igreja. Se, em certos casos, esta desconfiança for o princípio de um maior interesse por conhecer mais directamente a sua doutrina... como diz o povo, há males que vêm por bem.


José Maria C.S. André

domingo, 25 de outubro de 2020

Hora de Inverno (Portugal) às duas da manhã atrase o seu relógio uma hora


Henrique V há 605 anos no dia de São Crispim que hoje se celebra

Se estamos destinados a morrer, somos suficientes para o luto do nosso país. E se vivermos, quanto menos formos, maior a honra. Por amor de Deus, não desejo nem mais um homem! Aquele que não tiver estômago para esta luta pode partir. O seu passaporte será feito e moedas para a viagem colocadas no seu bolso. Nós não morreremos na companhia daquele que receie morrer connosco.
Hoje, é dia de São Crispim. E aquele que sobreviver a este dia e regressar a casa levantar-se-á sempre que este dia for chamado. Ele, que sobreviva a este dia e chegue à velhice, irá anualmente cear com os seus vizinhos e dizer-lhes: amanhã é dia de São Crispim. E arregaçando as mangas, mostrará as cicatrizes e dirá: estas são as minhas feridas de São Crispim.
Os homens velhos esquecem que tudo será esquecido, mas ele lembrar-se-á de tudo o que fez neste dia: os nossos nomes, familiares à sua boca como lemas de uma casa, relembrados por cada taça fresca e brindada.
Esta é a história que um homem bom ensinará ao seu filho.
O dia de São Crispim irá de hoje até ao fim do mundo, mas nós, nele, seremos lembrados. Nós poucos, nós felizmente poucos. Nós irmãos de armas. Porque aquele que derramar o seu sangue comigo será meu irmão, podendo ser tão cruel que este dia apaziguará a sua condição.
Os senhores em Inglaterra, agora a dormir, pensar-se-ão depois amaldiçoados por não estarem aqui. E tomarão a sua coragem como pouca cada vez que ouvirem alguém dizer-lhes: eu estive lá com eles, no dia de São Crispim.
William Shakespeare traduzido por Sebastião Bugalho