Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 22 de janeiro de 2022

S. Vicente - diácono e mártir – Padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa

"Disse Jesus: Hoje a salvação entrou nesta casa, porque este também é um filho de Abraão" Lc 19,9

Neste dia 22, celebramos a festa de um santo muito antigo: São Vicente, Mártir, Diácono da Igreja de Zaragoza (Espanha). Ele foi celebrado pelos maiores génios da antiguidade, como Santo Agostinho, São Leão Magno, Santo Ambrósio e São Prudêncio.

Qual a causa de tanta celebridade? A resposta é simples: naquele tempo, queriam acabar com os cristãos, e a resposta corajosa de São Vicente tornou-se histórica. Disse ele: "Não cremos nos vossos deuses. Só existe Cristo e o Pai, que são o único Deus. E nós somos servos e testemunhas dessa verdade."

A reação dos carrascos foi terrível! Depois de torturá-lo barbaramente, amarraram-no sobre uma grelha incandescente. Isto deu-se por volta do ano de 304.

O poeta cristão, Prudêncio, termina os seus versos a respeito de São Vicente, dizendo: "Levanta-te, ínclito mártir, e une-te como companheiro nosso, aos coros celestiais!".

Convém lembrar que há momentos na vida, em que é preciso decidir-se: ou por Cristo, ou contra Ele. Mesmo que isso chegue a custar-nos o maior sofrimento, podemos sempre dar a vida plena, na certeza de caminhar assim para a santidade, ou seja, para a realização plena do que somos como pessoa em Deus.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Uau! Uau!

Enquanto, nas nossas cidades, o barulho das vozes humanas está a ser substituído pela presença de cães e gatos, a Igreja considera que isto é um sinal de alerta de que algo está a correr muito mal nas sociedades ocidentais: neste mês de Janeiro, o Papa Francisco atacou directamente o tema, que lhe parece importante.


Poucos meios de informação referiram as palavras do Papa, mas alguns publicaram as reacções dos lobbies animalistas à sua análise. Os animalistas protestaram porque não entendem que a Igreja dê mais valor a uma criança do que a outro bicho: todos os bichos têm os mesmos direitos! Nalgumas redes sociais, por exemplo no Twitter, durante alguns dias os protestos contra o Papa ultrapassaram o número de mensagens relacionadas com a Covid ou os grandes temas da política.


Médicos psiquiatras que acompanham crianças contam-me que lhes começaram a chegar ao consultório numerosos rapazes e raparigas, pré-adolescentes, com problemas graves de identidade, porque não sabem se são rapazes ou raparigas.


Ao mesmo tempo, a grande maioria da população de muitos países do mundo ocidental ignora o que seja a família. Há trinta anos, era só nos países escandinavos que, quando a generalidade das crianças nascia, os pais já não viviam em conjunto. Hoje em dia, essa estatística verifica-se generalizadamente, também em Portugal. Isto é, a maioria dos rapazes e raparigas ignora o que sejam as responsabilidades familiares e não tem a maturidade necessária para ter filhos. Em muitos casos, a consciência desta impreparação leva as pessoas a evitar casar-se e a evitar ter filhos, mas às vezes são surpreendidas pela realidade e não sabem o que fazer com uma criança que surge.


Percebe-se que as experiências educativas em curso no mundo ocidental estão a deixar marcas profundas. Ao banalizar o sexo, o corpo e as relações humanas, ao eliminar o sentido de responsabilidade e a capacidade de compromisso, este tipo de educação está a destruir as novas gerações e, diz o Papa, afecta as raízes da sociedade: «Em vez de filhos, as pessoas querem cães e gatos. E a pátria sofre».



Fala-se de «Inverno demográfico», de desequilíbrios económicos que inviabilizam a médio prazo o sistema de segurança social. Isso é grave, no entanto, não é o que mais preocupa o Papa. «A paternidade é a plenitude da vida de uma pessoa» e, diz ele, «vivemos numa época de orfandade, numa civilização órfã». Há demasiado «egoísmo»: «quantos casais só querem um filho!... É uma tragédia!» — sublinha o Papa.


Por um lado, as sociedades tornaram-se demasiado complicadas, o trabalho e os meios de subsistência criam uma enorme insegurança. Por outro lado, a pressão social exige tantos requisitos materiais para uma vida normal, que os pais dificilmente conseguem garantir aos filhos esse tipo de vida considerada normal. É evidente que caímos numa ratoeira que gera infelicidade. Por isso a Igreja tem alertado as sociedades da abundância para que, se não forem capazes de se desprender de tanta carga supérflua, afundam-se numa imensa frustração e perdem o melhor da vida.


— «Se não podeis ter filhos, pensai em adoptar uma criança. É um risco, sim: ter um filho é sempre um risco, seja um filho natural, ou adoptado. Mas é mais perigoso não ter filhos». Um homem ou uma mulher que voluntariamente «não desenvolvem o sentido da paternidade e da maternidade carecem de qualquer coisa principal».


Em parte, esta crise humana —tragédia, como o Papa a classificou— está a ser promovida pela «teoria de género», que algumas vezes Francisco considerou uma forma violenta de ditadura. Este delírio ideológico, que está a ser ensinado nas escolas de alguns países, está a perturbar de tal maneira as novas gerações que muitas crianças se sentem inseguras sobre se são rapazes ou raparigas, não distinguem entre uma pessoa e um bicho, chegam à adolescência sem capacidade de assumir responsavelmente um compromisso familiar.


Não seria bom mudar radicalmente o nosso sistema educativo?

José Maria C.S. André

Santa Inês - virgem e mártir †304

Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo" Lc 14,27

A Igreja venera hoje uma santa muito conhecida e amada: Santa Inês.

Ela é, sem dúvida, a mais famosa de todas as virgens e mártires dos primeiros tempos do cristianismo. Viveu por volta de 304-306. Sua lembrança e seu culto nunca foram interrompidos.

Na idade de treze anos, recebeu uma proposta de casamento por parte do filho do prefeito de Roma, apaixonado pela sua beleza. Inês pertencia à nobreza romana. Mas era, acima de tudo, cristã. E queria dar a Cristo todos os seus dons, juntamente com a vida.

Conta a história que, por vingança, ela foi condenada à fogueira. E o povo acrescenta que o fogo não tocou nem mesmo os seus longos e belos cabelos. Decidiram então os algozes decepar-lhe a cabeça. Só então ela morreu. Ou melhor, não morreu, mas passou definitivamente para a verdadeira Vida, com Cristo, no Reino do Pai.

O Papa São Dâmaso escreveu sobre Santa Inês, exaltando-lhe as virtudes e propondo-a como modelo para as jovens cristãs de todos tempos.

O Evangelho, bem o sabemos, leva os jovens a fazerem a sua grande opção. Tudo receberam de Deus! Tudo a Deus podem dar!

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

São Sebastião †288


Nasceu em Narbonne no século terceiro; os pais eram oriundos de Milão, em Itália. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e de seus irmãos!


Ao entrar para o serviço no império como soldado, tinha muita saúde física, mental e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do império. Sebastião ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas a Santíssima Trindade.

Esse mistério levava-o a consolar os cristãos que eram presos, de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito.

São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolos dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse desejo: tornar-se mártir. Mas um apóstata denunciou-o para o império e lá estava ele, diante de um imperador muito triste, porque era uma traição ao império. Mas ele deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o império era este serviço. Denunciou o paganismo e a injustiça.

São Sebastião, defensor da verdade no amor apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas setas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensar que estava morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, conhecia-o, aproximou-se dele e percebeu que ele estava ainda vivo por graça e tratou-o cuidando-lhe das feridas. Após a sua recuperação e depois de um tempo, apresentou-se novamente ao imperador, pois queria o seu bem. Evangelizou, testemunhou, mas, desta vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Santo Antão

Este insigne pai do monaquismo nasceu no Egipto cerca do ano 250. Depois da morte de seus pais, distribuiu os seus haveres pelos pobres e retirou-se para o deserto, onde começou a sua vida de penitente. Teve numerosos discípulos e trabalhou em defesa da Igreja, animando os confessores na perseguição de Diocleciano e apoiando S. Atanásio na luta contra os arianos. Morreu no ano 356.

(Fonte: site Secretariado Nacional de Liturgia)
Foto: óleo de Jerónimo Bosch ca. 1500 - A tentação de Santo Antão

domingo, 16 de janeiro de 2022

Chegar a Maria

Detalhe 'Pietà'
«Por certo que para a imitação do “sim” de Maria existe, mais uma vez, um espectro largo, pois Maria vem ao nosso encontro em muitas situações diferentes: como a mulher corajosa na fuga para o Egipto, como dona de casa activa mas apagada, como a contemplativa que no silêncio, como a Escritura sublinha por duas vezes, passa e repassa no seu coração todos os acontecimentos relativos ao Filho (Lc 2, 19.51), como intercessora pelos pobres que já não têm vinho, como a que acompanha a acção do Filho no seu ministério com oração atenta e dolorosa, como a que, no auge da dor, é transformada na Igreja primordial (aqui se afirma na visão da mulher que grita com as dores do parto do Apocalipse), como aquela que, desaparecendo, se interna na oração e na acção da Igreja. Por todo o lado há portas de entrada, cada indivíduo e cada grupo na Igreja pode escolher a sua: todas conduzem ao mesmo centro.»

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar, título da responsabilidade do editor do blogue)

sábado, 15 de janeiro de 2022

Que raio de amor é esse que não põe a vida em primeiro lugar

Estarei certamente com um ataque de estupidez e segundo alguns embora gordinho e anafado serei quadrado, pois não consigo compreender a hipocrisia daqueles que se dizem a favor do aborto até um determinado tempo de gestação, sem esclarecer qual é o critério, porque nenhum será, um feto com 10 semanas é tanto vida como um com vinte e quatro ou mais. A vida mede-se da sua criação até à morte, antecipar esta por ação humana é homicídio ainda que legalizado, aliás, o mesmo se passa com a pena de morte nalguns países. Defender o com argumentos lamechas que as mães não têm condições económicas ou outras para levar avante uma gravidez, é cínico e pouco coerente, quanto mais não seja porque existem inúmeras instituições que acolheriam o bebé e facilmente, e aqui também há muita hipocrisia de quem adota, porque sendo recém-nascidos é mais fácil haver quem o faça.

Mas voltemos à eliminação da vida, porque não é só o aborto, há também a eutanásia e por este andar com tantos facilitismos e relativização daqui a uns anos estaremos a eliminar os idosos porque são onerosos de manter e os que agora aplaudem o aborto e dizem cruzes canhoto que tal nunca venha a acontecer, serão cúmplices porque abriram as portas.

Hitler e Estaline, que chegou em determinada fase da ex-URSS a proibir o aborto por razões demográficas, daqui a uns anos serão uns “santinhos” pois os milhões que mataram serão “peanuts” comparados com os nascituros ou os idosos eliminados.

Que raio de amor é esse que não põe a vida em primeiro lugar, ouçamos o que Jesus Cristo nos deixou entre tantos exemplos de amor culminando no maior que foi a Sua morte para nos redimir: “«Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã e do endro e do cominho, e descuidais as coisas mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! São estas coisas que era preciso praticar, sem omitir as outras. Condutores cegos, que filtrais um mosquito e engolis um camelo! «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que limpais o que está por fora do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de imundície! Fariseu cego, purifica primeiro o que está dentro do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo. «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que sois semelhantes aos sepulcros branqueados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de podridão! Assim também vós por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade” (Mt 23, 23-28)

Obrigado e hoje deu-me com muita paz e AMOR para aqui!

JPR

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Santo Hilário, bispo, Doutor da Igreja, †367

Nasceu no paganismo, mas desde cedo procurou as luzes da verdade nas várias filosofias, em particular no neoplatonismo que, mais tarde, muito influenciou o seu pensamento. A procura de um sentido para a vida do homem levou-o à leitura da Bíblia, onde achou a resposta que o levou a que se convertesse ao cristianismo. Nobre proprietário de terras, quando se converteu já era casado e pai de uma menina: Abra, por ele muito querida. Não muito tempo depois do seu baptismo foi proclamado bispo de sua cidade natal. Antes de ir para o exílio teve seis anos de intensos estudos e pregação. Obteve uma grande cultura teológica em defesa da ortodoxia. Humano nas vitórias e ainda mais humano e compreensivo em aceitar os bispo que, arrependidos, voltavam ao catolicismo.

Foi chamado "Atanásio do Ocidente" por se assemelhar ao bispo de Alexandria. São Atanásio. São contemporâneos. Hilário nasceu no começo do século IV em Poitiers, onde morreu em 367. Tanto Hilário como Atanásio tiveram o mesmo adversário: o arianismo (heresia que negava o dogma da Santíssima Trindade). Combateram-no com as polémicas teológicas, discursos e escritos. Também Hilário, por ordem do imperador Constâncio (356), foi exilado para a Frígia.

O contacto com o Oriente foi providencial para o bispo de Poitiers: durante os cinco anos que lá permaneceu aprendeu grego, descobriu Orígenes e a grande produção teológica dos padres orientais, recolheu farta documentação no original para escrever o livro que lhe deu o título de Doutor da Igreja (por Pio IX ): "A Trindade ou a Fé" (contra os arianos). Era o trabalho mais profundo e completo, até então, sobre o dogma principal da fé cristã. No exílio não ficou ocioso. Escreveu o opúsculo Contra Macénico, onde acusa o imperador de se ingerir nas disputas teológicas e nos negócios internos da disciplina eclesiástica. Voltando a Poitiers, o destemido bispo retomou sua obra pastoral agora ajudado pelo futuro São Martinho, bispo de Tours.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 9 de janeiro de 2022

São Josemaria Escrivá nasceu nesta data em 1902

Josemaría nasce em Barbastro, em 1902, no final de um dia de Inverno, por volta das dez da noite:
“Deus Nosso Senhor quis que eu nascesse num lar cristão, como costumam ser os lares do meu país, de pais exemplares que praticavam e viviam a sua fé, dando-me desde pequeno uma liberdade muito grande, mas sabendo ao mesmo tempo, vigiar-me com atenção. Procuravam dar-me uma formação cristã”.

Festa do Batismo do Senhor

A liturgia desta festa tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Ele fez-se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude.

A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.

No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/“Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-se pessoa, identificou-se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.
  
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Mais um Papa santo

No Domingo 4 de Setembro de 2022, vai ser beatificado na praça de S. Pedro, em Roma, o Papa João Paulo I.

Albino Luciani, eleito Papa depois da morte de Paulo VI, escolheu o nome de João Paulo I por devoção aos seus dois antecessores, os Papas do Concílio Vaticano II, João XXIII e Paulo VI. Nenhum Papa tinha jamais escolhido um nome composto, pelo que foi simultaneamente uma ruptura com a tradição e um sinal muito forte de continuidade.

Embora o pontificado de João Paulo I tenha durado apenas um mês, deixou uma marca tão profunda na Igreja que o seu sucessor, Karol Wojtyla, não hesitou em repetir o nome: João Paulo II. A devoção a João Paulo I, em vez de se apagar com o tempo, foi crescendo desde o ano da sua morte. Por exemplo, em 1990, todos os 226 bispos da Conferência Episcopal Brasileira assinaram um pedido para que se iniciasse a sua causa de canonização.

As causas de canonização dos Papas são particularmente trabalhosas porque é preciso examinar tudo o que escreveram e ouvir uma selecção grande dos que o conheceram de perto. No caso de João Paulo I, ouviram-se 167 testemunhos, vários deles com material suficiente para publicar um livro inteiro, e depois mais outros 21 testemunhos, um dos quais de Bento XVI. O resumo da causa de João Paulo I consta de 5 volumes com um total de mais de 3600 páginas. A documentação reunida foi estudada por várias equipas de peritos e finalmente por uma comissão de cardeais, que entregou as conclusões ao Papa Francisco. Em 2017, Francisco publicou o decreto acerca das virtudes heróicas de João Paulo I.

Quando se dá este passo, depois do processo exaustivo referido, espera-se que Deus confirme a conclusão com um milagre. Esse milagre, atribuído à intercessão de João Paulo I, ocorreu em Buenos Aires quando o Cardeal Jorge Bergoglio ainda era o Arcebispo da diocese. Uma menina de 11 anos estava no hospital, com um quadro clínico terrível (uma forma extrema de epilepsia, com danos irrecuperáveis no cérebro, entubada, com broncopneumonia, etc., etc.). O prognóstico provável era a morte a curto prazo, talvez adiada durante algum tempo, se se conseguisse manter a paciente em estado vegetativo. A situação crítica durava há meses, mas em 22 de Julho de 2011 precipitou-se de tal maneira que a família foi avisada do desenlace iminente. No momento em que se esperava o desfecho fatal, o Pe. José, da paróquia vizinha do hospital, propôs à mãe que, por intercessão de João Paulo I, pedissem a Deus a cura da rapariga. O resultado desta oração intensa foi uma sucessão de surpresas: no dia seguinte já estava muito melhor, nas semanas seguintes recuperou completamente a saúde, incluindo a cura total da epilepsia. Passaram-se 10 anos e a rapariga concluiu os estudos secundários e frequenta neste momento a universidade. Na altura, o processo passou pelo Cardeal Bergoglio e, depois de verificado por juntas médicas e equipas de outros especialistas, chegou à mesa do Papa Francisco, que assinou o respectivo decreto.


João Paulo I teve uma origem muito humilde. Passou a infância com a mãe e os 3 irmãos, enquanto o pai vivia no estrangeiro, de contratos ocasionais de construção civil. O pequeno Albino Luciani pôde fazer os estudos porque a paróquia os pagou. O curioso é que um percurso deste tipo não é caso único entre os Papas deste último século. A maioria dos Papas vieram de famílias pobres e, várias delas, à beira da miséria. É um dado estatístico que poderia talvez ajudar alguns a compreenderem melhor o funcionamento da Igreja católica.


João Paulo I é o quinto Papa do século XX a ser declarado beato ou santo e decorrem ainda os processos de canonização de outros. Por ordem cronológica: Pio X, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II.





Se, com Papas tão santos, alguns têm dificuldade em estimar o Papa e aceitar a sua autoridade, qual seria a situação da Igreja nos nossos dias se Deus tivesse permitido Papas menos bons neste último século?


José Maria C.S. André

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Não se trata somente de ir à Missa

Não se entende um católico sem a Missa aos Domingos.


O problema é que, nos dias de hoje, parece que alguns daqueles que vão à Missa não sabem explicar porque vão nem o sentido mais profundo que possui essa “reunião semanal”.


E, ao não saber explicar a si próprios porque vão à Missa, diante da primeira dificuldade deixam de ir, ou assistem pela televisão, enganando-se com a desculpa de que “é a mesma coisa” e, além disso, muito mais “prático”.


Entender e dar a conhecer o valor infinito da Missa, Sacrifício Eucarístico, é tarefa de todos nós, de um modo especial depois deste contexto de “ausência de Missas presenciais” devido à pandemia.


A Missa não é algo bom que “nós” fazemos. O Santo Sacrifício da Missa não é o nosso santo sacrifício de ir à Missa. O sacrifício é de Cristo. Nós vamos lá, em primeiríssimo lugar, por gratidão, porque Ele morreu e ressuscitou por nós para nos salvar. E nos disse claramente: “Fazei isto em memória de Mim”.


Somos cristãos porque Deus nos salvou em Jesus Cristo. E em cada Missa actualiza-se esse mistério de salvação: paixão, morte e ressurreição de Jesus. Isto é o que nos diz claramente a nossa fé católica.


Recomendo a leitura pausada dos pontos 271 a 294 do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.


Se não meditarmos com calma na grandeza da Eucaristia, acabamos por ir à Missa como se entrássemos num museu de arte moderna, sem nenhuma chave de interpretação. Podemos parecer, como diz o povo, um boi a olhar para um palácio: vê algo, mas não entende nada.


E, atenção: não se trata simplesmente de ir à Missa, mas de se deixar transformar por esse mistério insondável de Amor de Deus por cada um de nós.


E não esquecer que existe uma estreita relação entre a Vida Eterna, já presente pela graça dentro de nós, e a participação frutuosa na Missa Dominical, “penhor da futura glória” (Compêndio 294).

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Véspera do Natal Ortodoxo

Cristãos de rito Bizantino, que seguem o calendário juliano, preparam a celebração da Natividade

A Natividade é celebrada pelos cristãos ortodoxos na Europa Central e de Leste e um pouco por todo o mundo a 7 de Janeiro, por causa da diferença do Calendário Gregoriano – 13 dias depois dos outros cristãos. No leste, a Natividade é precedida de 40 dias de jejum, que começam a 15 de Novembro. Este é um tempo de reflexão, contenção pessoal e cura pelo Sacramento da Reconciliação.

A Festa Ortodoxa da Natividade tem início na Véspera de Natal (6 de Janeiro) e termina com a Festa da Epifania.

Normalmente, na Véspera de Natal, os cristãos ortodoxos jejuam até tarde, ao anoitecer, até que a primeira estrela apareça. Quando a estrela é avistada, as pessoas preparam a mesa para a ceia de Natal. A ceia da Véspera de Natal, ou “Sviata Vecheria” (Santa Ceia), junta a família para partilhar alimentos próprios e dá início à festa com vários costumes e tradições, que remontam à antiguidade. Os rituais da Véspera de Natal são dedicados a Deus, para protecção e bem-estar da família e em memória dos antepassados.

A mesa é coberta com duas toalhas, uma para os antepassados da família, a outra para os elementos vivos. Nos tempos pagãos, os antepassados eram considerados espíritos benévolos, que, sendo devidamente respeitados, traziam boa sorte aos elementos da família.

Debaixo da mesa, bem como debaixo das toalhas, é espalhada alguma palha para lembrar que Cristo nasceu num estábulo. A mesa tem sempre um lugar a mais para os membros da família já falecidos, cujas almas, de acordo com a crença, vêm na Véspera de Natal tomar parte na refeição.

Há doze pratos (iguarias) na mesa, porque, de acordo com a tradição cristã, cada prato é dedicado a cada um dos Apóstolos de Cristo. Na antiga crença pagã, os pratos correspondiam às doze luas-cheias do ano. Os pratos não têm carne, por causa do período de jejum pedido pela Igreja até ao dia de Natal. Porém, para os pagãos, a abstinência de carne era a forma de oferecerem sacrifícios a Deus sem derramamento de sangue.

Enquanto muitos costumes ortodoxos da Véspera de Natal se revestem de uma natureza solene, o costume de cantar é alegre e divertido. Os cânticos de Natal tem a sua origem na antiguidade, tal como muitos outros costumes praticados nesta quadra.

Há dois grupos principais de cânticos na Ucrânia: os “koliadky”, cujo nome deriva provavelmente do latim “calendae”, significando primeiro dia do mês, que são cantados na Véspera e no Dia de Natal; o segundo grupo, “shchedrivky”, que é uma derivação do significado “generosidade”, é cantado durante a festa da Epifania.

No Dia de Natal as pessoas participam na Divina Liturgia, no fim da qual, muitos se deslocam em procissão para mares, rios e lagos. Todos se juntam, na neve, para as cerimónias exteriores da bênção da água. Muitas vezes os rios estão congelados e as pessoas fazem buracos no gelo para a bênção. Então, em casa, há uma grande festa - todos se juntam para comer, beber e divertir-se.

Tal como há diferenças, há também semelhanças entre a Celebração do Natal no Leste e no Ocidente. O Natal no Leste tem um grande significado familiar e social, tal como o tem no Ocidente. Junta as pessoas de todas as gerações para celebrarem o nascimento de Jesus Cristo.

Não importa em que cultura ou sociedade estamos – entendemos o nascimento de Cristo tal como S. João Crisóstomo escreveu: “Desde aquela altura, toda a alegria e júbilo! Eu também quero alegrar-me! Eu também quero participar do coro e da dança para celebrar a festa! Mas eu faço a minha parte: não tocando harpa nem flauta, nem erguendo a chama, mas erguendo nos meus braços o berço de Cristo. Aqui está toda a minha esperança! Aqui está toda a minha vida! Aqui está toda a minha salvação! Isto é a minha flauta e a minha harpa!”

Também eu, tendo recebido pelo Seu poder o dom da fala, eu também, com os anjos e os pastores, canto “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”!

Arquimandrita Philip Jagnisz
Vigário Geral de Portugal e Galiza
Patriarcado Ecuménico de Constantinopla

Tradução: Secretariado Diocesano das Migrações do Porto

Nota: Calendário juliano

É um calendário solar criado em 45 a.C. pelo imperador romano Júlio César para trazer os meses romanos ao seu lugar habitual em relação às estações do ano, confusão gerada pela adopção de um calendário de inspiração lunissolar. César impõe 12 meses com duração predeterminada e a adopção de um ano bissexto a cada 4 anos.

No ano da mudança, para fazer a concordância entre o ano civil e o ano solar, ele inclui no calendário mais dois meses de 33 e 34 dias, respectivamente, entre Novembro e Dezembro, além do 13º mês, o “mercedonius”, de 23 dias. O ano fica com 445 dias distribuídos em 15 meses e é chamado “o ano da confusão.”

Esse calendário, que tem um desfasamento de 13 dias em relação ao nosso, começa a ser substituído pelo calendário gregoriano a partir do século XVI - a Rússia e a Grécia só fazem a mudança no século XX.

(Fonte: site Agência Ecclesia em 2009)

Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?

A humildade é outro bom caminho para chegar à paz interior. – Foi Ele que o disse: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração... e encontrareis paz para as vossas almas". (Caminho, 607)

Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Também eu, instado por esta pergunta, contemplo agora Jesus, deitado numa manjedoura, num lugar que só é próprio para os animais. Onde está, Senhor, a tua realeza: o diadema, a espada, o ceptro? Pertencem-lhe e não os quer; reina envolto em panos. É um rei inerme, que se nos apresenta indefeso; é uma criança. Como não havemos de recordar aquelas palavras do Apóstolo: aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo.

Nosso Senhor encarnou para nos manifestar a vontade do Pai. E começa a instruir-nos estando ainda no berço. Jesus Cristo procura-nos – com uma vocação, que é vocação para a santidade –, a fim de consumarmos com Ele a Redenção. Considerai o seu primeiro ensinamento: temos de co-redimir à custa de triunfar, não sobre o próximo, mas sobre nós mesmos. Tal como Cristo, precisamos de nos aniquilar, de sentir-nos servidores dos outros para os conduzir a Deus.

Onde está o nosso Rei? Não será que Jesus quer reinar, antes de mais, no coração, no teu coração? Por isso se fez menino: quem é capaz de ter o coração fechado para uma criança? Onde está o nosso Rei? Onde está o Cristo que o Espírito Santo procura formar na nossa alma? Cristo não pode estar na soberba, que nos separa de Deus, nem na falta de caridade, que nos isola dos homens. Aí não podemos encontrar Cristo, mas apenas a solidão.

No dia da Epifania, prostrados aos pés de Jesus Menino, diante de um Rei que não ostenta sinais externos de realeza, podeis dizer-lhe: Senhor, expulsa a soberba da minha vida, subjuga o meu amor-próprio, esta minha vontade de afirmação pessoal e de imposição da minha vontade aos outros. Faz com que o fundamento da minha personalidade seja a identificação contigo. (Cristo que passa, 31)

São Josemaría Escrivá

Jesus sol que orienta a existência da humanidade inteira

"Jesus é o sol que apareceu no horizonte da humanidade para iluminar a existência pessoal de cada um de nós", afirmou o Pontífice durante o Angelus de 6 de Janeiro de 2012, Solenidade da Epifania do Senhor.

Prezados irmãos e irmãs

Hoje, solenidade da Epifania do Senhor, ordenei na Basílica de São Pedro dois novos Bispos, e assim perdoai-me o atraso. Esta solenidade da Epifania é uma festa muito antiga, que tem a sua origem no Oriente cristão e põe em evidência o mistério da manifestação de Jesus Cristo a todos os povos, representados pelos Magos que vieram adorar o Rei dos judeus, recém-nascido em Belém, como narra o Evangelho de São Mateus (cf. 2, 1-12). Aquela "luz nova" que se acendeu na noite de Natal (cf. Prefácio de Natal I), hoje começa a resplandecer no mundo, como sugere a imagem da estrela, um sinal celeste que chamou a atenção dos Magos e que os orientou na sua viagem rumo à Judeia.

Todo o período do Natal e da Epifania é caracterizado pelo tema da luz, ligado também ao facto de que, no hemisfério norte, depois do solstício de Inverno, o dia recomeça a aumentar em relação à noite. Mas, para além da sua posição geográfica, para todos os povos vale a palavra de Cristo: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue, não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8, 12). Jesus é o sol que apareceu no horizonte da humanidade para iluminar a existência pessoal de cada um de nós e para nos orientar todos juntos rumo à meta da nossa peregrinação, rumo à terra da liberdade e da paz, onde viveremos para sempre em plena comunhão com Deus e entre nós.

O anúncio deste mistério de salvação foi confiado por Cristo à sua Igreja. "Ele - escreve são Paulo - foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas, no Espírito: os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho" (Ef 3, 5-6). O convite que o profeta Isaías dirigia à cidade santa de Jerusalém pode ser aplicado à Igreja: "Levanta-te e resplandece, porque está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti! Olha, as trevas cobrem a terra, e a escuridão os povos, mas sobre ti amanhecerá o Senhor. A sua glória vai aparecer sobre ti!" (Is 60, 1-2). É assim, como diz o Profeta: o mundo, com todos os seus recursos, não é capaz de dar à humanidade a luz para orientar o seu caminho. Vemos isto também nos nossos dias: a civilização ocidental parece ter perdido a orientação, navega à vista. Mas a Igreja, graças à Palavra de Deus, vê através destas trevas. Não possui soluções técnicas, mas mantém o olhar dirigido para a meta, e oferece a luz do Evangelho a todos os homens de boa vontade, de qualquer nação e cultura.

Esta é também a missão dos Representantes pontifícios junto dos Estados e Organizações internacionais. Precisamente hoje de manhã, como já disse, tive a alegria de conferir a Ordenação episcopal a dois novos Núncios Apostólicos. Confiemos à Virgem Maria o seu serviço e a obra evangelizadora de toda a Igreja.

Bento XVI  na Angelus na Solenidade da Epifania do Senhor

(© L'Osservatore Romano - 7 de Janeiro de 2012)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Maria caminho seguro e curto para chegar a Cristo

A veneração de Maria é o caminho mais seguro e curto para nos levar à intimidade com Cristo. Na meditação da sua vida em todas as suas fases aprendemos o que significa viver para Cristo e com Cristo, no quotidiano, de uma forma concreta que não comporta qualquer exaltação mas que introduz a uma intimidade perfeita. Contemplando a existência de Maria, nós pomo-nos à disposição, mesmo na obscuridade infligida à nossa fé, mas aprendemos como se deve estar a postos quando Jesus subitamente pede algo.

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

domingo, 2 de janeiro de 2022

São Basílio Magno, bispo, Doutor da Igreja, †379

Nasceu em Cesaréia, na Capadócia, no ano 330. Foi o autor dos primeiros escritos sobre o Espírito Santo e pioneiro na vida monástica no Oriente. Escreveu duas Regras que são seguidas até hoje pelos monges da Igreja do Oriente, conhecidos como basilianos.

Em 370 foi nomeado bispo de Cesaréia da Capadócia, num contexto de diversos cismas e ameaças à fé cristã. Mas foi firme e um grande defensor da Igreja e devido a isso tem o nome de Magno. Foi o criador de uma imensa obra a serviço dos pobres, fundando hospitais, asilos, casas de repouso, escolas de artesanato, etc.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

São Gregório Nazianzeno, bispo, Doutor da Igreja, †390

Gregório de Nazianzo foi ao mesmo tempo homem de acção e de contemplação; filósofo e poeta; incerto entre a vida activa e a vida ascética, entre a pregação e a meditação. Desde pequeno, consagrou-se Gregório à castidade, que lhe aparecera em sonhos como uma menina vestida de branco. Já maior, estudou nas mais importantes cidades do Oriente: Cesareia, na Palestina; Alexandria, no Egipto; e Atenas, na Grécia.

Em Atenas, cimentou a sua amizade com Basílio (Santo cuja festa é celebrada neste mesmo dia) e voltando os dois à Capadócia, decidiram retirar-se para a solidão e meditação. Aliás, foi esta vocação para a vida solitária que viria a ser a fiel companheira dos altos e baixos de S. Gregório. Tempos depois, ao regressar a Nazianzo é ordenado sacerdote.

A sua actividade mais célebre encontra-se ligada a Constantinopla, onde bastava entrar numa padaria para ouvir falar do problema da Santíssima Trindade (segundo S. Gregório), ou seja, tratava-se de um tempo de polémicas religiosas em que questões de fé era rebaixadas ao nível do sacrilégio e da blasfémia. Como dizia S. Gregório, quem trata do dogma, deve estar à altura do dogma. E foi assim, estando à altura da sua missão de pregação que, além de sábio, convicente, não o era somente porque conhecia a doutrina cristã, mas também porque a vivia de forma exemplar.

No entanto, por uma série de oposições maldosas, Gregório não chegou a ser Bispo de Constantinopla, como desejava o povo e despedindo-se humildemente, teve que voltar à sua terra natal: Nazianzo. Aí, em silêncio, continuou o seu falar com os homens e com Deus, escrevendo 240 cartas, muito importantes pelo seu conteúdo teológico ou moral e belas pela sua forma literária. Antes de partir para o Paraíso, em 390, compôs centenas de poesias em elegantes versos gregos que lhe mereceram um lugar de destaque na história da poesia, além da gloriosa fama de Santo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sábado, 1 de janeiro de 2022

Amar a Cristo ...

Amado Jesus, desejamos-Te um Bom Ano!

Tu que tudo sabes, sabes bem ao que nos referimos. Desejamos que aquelas tantas ovelhas que andam perdidas Te reconheçam como o seu Pastor e cheias de alegria entrem no Teu redil. É certo, que nos cabe a nós levar-Te às almas que tanto de Ti estão precisadas, pelo que nos permitimos rogar-Te, que nos enchas do Espírito, que procede do Pai e de Ti, e nos faças ter as palavras e as ações certas para chegar ao próximo com a doçura da Tua Palavra.

Ano Novo, Luta Nova, dizia o teu dileto filho Josemaría, e de facto necessitamos de nos revigorar para lutarmos pela nossa santificação e da do nosso próximo.

Bom e querido Jesus, ajuda-nos na nossa luta e no nosso dia a dia, hoje, este ano e sempre, porque só Tu és o Bom Pastor!

JPR

Mãe de Deus e nossa Mãe

Que humildade, a de minha Mãe Santa Maria! – Não a vereis entre as palmas de Jerusalém, nem – afora as primícias de Caná – na altura dos grandes milagres. – Mas não foge do desprezo do Gólgota; lá está, "iuxta crucem Iesu" – junto da cruz de Jesus, sua Mãe. (Caminho, 507)

Sempre foi esta a doutrina certa da fé. Contra os que a negaram, o Concílio de Éfeso proclamou que se alguém não confessa que o Emanuel é verdadeiramente Deus e que, por isso, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, visto que gerou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema. (...).

A Trindade Santíssima, ao escolher Maria para Mãe de Cristo, homem como nós, pôs cada um de nós sob o seu manto maternal. É Mãe de Deus e nossa Mãe.

A Maternidade divina de Maria é a raiz de todas as perfeições e privilégios que a adornam. Por esse título, foi concebida imaculada e está cheia de graça, é sempre virgem, subiu ao céu em corpo e alma, foi coroada Rainha de toda a criação, acima dos anjos e dos santos. Mais que Ela, só Deus. A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, do bem infinito que é Deus. Não há perigo de exageros. Nunca aprofundaremos bastante este mistério inefável; nunca poderemos agradecer suficientemente à Nossa Mãe a Familiaridade que nos deu com a Santíssima Trindade.

Éramos pecadores e inimigos de Deus. A Redenção não só nos livra do pecado e reconcilia com o Senhor; mas converte-nos em filhos, entrega-nos uma Mãe, a mesma que gerou o verbo, segundo a Humanidade. Pode haver maior prodigalidade, maior excesso de amor? (Amigos de Deus, 275–276)

São Josemaría Escrivá

Um novo ano: recomeçar

A vida cristã é um constante começar e recomeçar, uma renovação em cada dia.
Cristo que passa, 114

Desde a nossa primeira decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra. Mas não é verdade que restam ainda tantas coisas por fazer? Não é verdade que resta, sobretudo, tanta soberba? É precisa, sem dúvida, uma outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que, diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere, me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua. (…)

A conversão é coisa de um instante; a santificação é tarefa para toda a vida. A semente divina da caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao Senhor. Por isso, é indispensável estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa vida - a luz, o impulso da primeira conversão. E essa é a razão pela qual havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos. Não há outro caminho para nos convertermos de novo.
Cristo que passa, 58


Ao falar diante do presépio sempre procurei ver Cristo Nosso Senhor desta maneira, envolto em paninhos sobre a palha da manjedoura, e, enquanto ainda menino e não diz nada, vê-Lo já como doutor, como mestre. Preciso de considerá-Lo assim, porque tenho de aprender d'Ele. E para aprender d'Ele é necessário conhecer a sua vida: ler o Santo Evangelho, meditar no sentido divino do caminho terreno de Jesus.

Na verdade, temos de reproduzir na nossa, a vida de Cristo, conhecendo Cristo à força de ler a Sagrada Escritura e de a meditar, à força de fazer oração, como agora estamos fazendo diante do presépio. É preciso entender as lições que nos dá Jesus já desde menino, desde recém-nascido, desde que os seus olhos se abriram para esta bendita terra dos homens.

Jesus, crescendo e vivendo como um de nós, revela-nos que a existência humana, a vida corrente e ordinária, tem um sentido divino. Por muito que tenhamos pensado nestas verdades, devemos encher-nos sempre de admiração ao pensar nos trinta anos de obscuridade que constituem a maior parte da passagem de Jesus entre os seus irmãos, os homens. Anos de sombra, mas, para nós, claros como a luz do Sol. Mais: resplendor que ilumina os nossos dias e lhes dá uma autêntica projecção, pois somos cristãos correntes, com uma vida vulgar, igual à de tantos milhões de pessoas nos mais diversos lugares do Mundo.
Cristo que passa, 14

Vocês sabem por experiência pessoal - e têm-me ouvido repetir com frequência, para evitar desânimos - que a vida interior consiste em começar e recomeçar todos os dias; e notam no vosso coração, como eu noto no meu, que precisamos de lutar continuamente. Terão observado no vosso exame - a mim acontece-me o mesmo: desculpem que faça referências a mim próprio, mas enquanto falo convosco vou pensando com Nosso Senhor nas necessidades da minha alma - que sofrem repetidamente pequenos reveses, que às vezes parecem descomunais, porque revelam uma evidente falta de amor, de entrega, de espírito de sacrifício, de delicadeza. Fomentem as ânsias de reparação, com uma contrição sincera, mas não percam a paz.
Amigos de Deus, 13

Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro. Além disso, a Mãe de Deus, que é também nossa Mãe, protege-te com a sua solicitude maternal e dá-te confiança no teu caminhar.
Amigos de Deus, 214

São Josemaria Escrivá