Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Frei Tomás: o "boi mudo" ou "grande boi siciliano"

Para evitar atrair a estima pública e os louvores que recebera em Nápoles por seu saber Tomás, fechou-se num mutismo mal interpretado pelos seus condiscípulos. Ao que se acresce, "um grande corpo, lento e pesado, e uma placidez um pouco bovina servem-lhe de espesso envoltório para uma alma benigna e generosa, mas retraída; ele é tímido para além da humildade, e distraído para além da  contemplação" (G.K.Chesterton, Saint Thomas d'Aquin, versão francesa de Maximilien Vox, Librairie Plon, Paris, p. 20). Isso tudo leva a que o chamem de "boi mudo" ou "grande boi siciliano".

Sucedeu um dia que um condiscípulo, tomando a concentração de Tomás como sinal de que não entendera o que dissera o mestre, começou caridosamente a lhe explicar a matéria. Mas em determinado momento embaralha-se todo e não consegue ir adiante. Calmamente o "boi mudo" começou então a desenvolver a tese obscura, com muito mais clareza do que o fizera o próprio mestre. Os papéis então inverteram-se, e o condiscípulo suplicou a Tomás que sempre o ajudasse em suas dúvidas. Daí para frente não foi mais possível esconder aquele talento superior e fabulosa memória.

(Fonte: ‘Lepanto’ AQUI)

União entre o Rei santo e o Doutor santo

Detalhe do fresco “Triunfo de São Tomás de Aquino sobre os hereges, de Filippino Lippi 
A fama de São Tomás tornou-se universal, e todos queriam ouvi-lo. São Luís IX — o Rei Cruzado — consultava-o sobre todos os assuntos importantes. Certo dia convidou-o para sua mesa, o frade estava muito silencioso. De repente, dando um murro na mesa, Tomás exclamou: "Encontrei um argumento concludente contra os maniqueus". O rei, temendo que Tomás pudesse esquecer-se do argumento, chamou depressa o secretário para anotá-lo. "Edificante quadro medieval, bem demonstrativo da perfeita unidade que liga, nesse período nobilíssimo da História, os Reis e os Sábios, nos mesmos ideais da conquista da verdade e do serviço de Deus!" (João Ameal, op. cit., p. 115)

São Tomás de Aquino e a Paixão do Senhor

São Tomás de Aquino (1225-1274) é provavelmente o maior teólogo de toda a história da Igreja. Chamado pelo Magistério o «doutor comum» por sobressair às disputas de escola ou de tendência, escreveu numerosas obras entre as quais o seu Comentário ao Credo.

«Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para remédio contra o pecado e para exemplo daquilo que devemos fazer.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio para todos os males em que incorremos por causa dos nossos pecados.

Mas não é menor a utilidade que tem como exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar toda a nossa vida. Quem quiser viver em perfeição, basta que despreze o que Cristo desprezou na Cruz e deseje o que Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude está ausente da Cruz.

Se queres um exemplo de caridade: Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos seus amigos. Assim fez Cristo na Cruz. E se Ele deu a vida por nós, não devemos considerar penoso qualquer mal que tenhamos de sofrer por Ele.

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na Cruz o mais excelente. Reconhece-se uma grande paciência em duas circunstâncias: quando alguém suporta com serenidade grandes sofrimentos, ou quando pode evitar os sofrimentos e não os evita. Ora Cristo suportou na Cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque sofrendo não ameaçava; e como ovelha levada ao matadouro, não abriu a boca. É grande portanto a paciência de Cristo na Cruz: corramos com paciência à prova que nos é proposta, pondo os olhos em Jesus, autor e consumador da fé, que em lugar da alegria que Lhe era proposta suportou a Cruz, desprezando-lhe a ignomínia.

Se queres um exemplo de humildade, olha para o crucifixo: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.»

(Collatio 6 super Credo in Deum - SÃO TOMÁS DE AQUINO – texto recolhido do Boletim Mensal de Março de 2013 da Paróquia de Nossa Senhora da Porta do Céu)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

São Timóteo e São Tito, bispos e companheiros de São Paulo, séc. I

São Timóteo

Sobre São Timóteo, São Paulo diz: "Lembro-me de ti, noite e dia, em minhas orações. Conserva a lembrança da fé sincera que há em ti; fé que habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe, Eunice". E o Apóstolo dá ainda, a São Timóteo o excelente conselho de empenhar-se inteiramente na sua missão de velar sobre sua pessoa, bem como sobre o seu ensino. E termina, dizendo: "Perseverando nessas duas missões, salvar-te-ás e aos que te escutam". Nas duas epístolas que São Paulo escreveu a Timóteo, os sacerdotes de todos os tempos puderam encontrar conforto e incentivo para sua missão e sua vida.

São Tito

São Tito, exímio colaborador de São Paulo, recebeu uma carta preciosa, em que se lê: "Exorta os jovens a serem equilibrados em tudo, mostrando-te como modelo de boa conduta, correcção e ensino, dignidade, palavra sã e irrepreensível". São Tito foi o chefe da comunidade cristã de Creta, onde deve ter sofrido muitos dissabores, apesar de sua grande habilidade.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O desacordo pontual entre Paulo e Pedro

«Quando vi que eles não estavam a agir conforme a verdade do Evangelho, disse a Pedro, na frente de todos: «Tu és judeu, mas vives como os pagãos e não como os judeus. Como podes, então, obrigar os pagãos a viverem como judeus?» Jesus Cristo é o centro da vida — Nós somos judeus de nascimento, e não pagãos pecadores. Sabemos, entretanto, que o homem não se torna justo pelas obras da Lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Nós também acreditamos em Jesus Cristo, a fim de nos tornarmos justos pela fé em Cristo e não pela observância da Lei, pois com a observância da Lei ninguém se tornará justo.

Nós procuramos tornar-nos justos em Cristo; mas também somos pecadores como os outros.

Então, será que Cristo estaria ao serviço do pecado? Claro que não!»  (Gal 2, 14-17)

Deveremos evitá-lo por amor a Jesus Cristo e à Sua Igreja, mas não cometemos nenhuma heresia ou blasfemamos se com profundo respeito e presença de Deus manifestarmos o nosso desacordo por algo dito pelo Papa se à semelhança de S. Paulo entendermos que se justifica tal ato de absoluta exceção.

JPR

São Josemaría Escrivá sobre a Festa da Conversão de São Paulo

A Igreja comemora a festa da Conversão de São Paulo.

Referindo-se ao Apóstolo dos gentios, São Josemaria escreve em Amigos de Deus: "De onde tirava S. Paulo esta força? Omnia possum in eo qui me confortat! Tudo posso, porque só Deus me dá esta fé, esta esperança, esta caridade. Custa-me muito acreditar na eficácia sobrenatural de um apostolado que não esteja apoiado, solidamente centrado, numa vida de contínua intimidade com o Senhor. E isto no meio do trabalho, dentro de casa ou no meio da rua, com todos os problemas mais ou menos importantes que surgem todos o dias. Em qualquer sítio onde se esteja, mas com o coração em Deus. E então as nossas palavras e as nossas ações - até as nossas misérias! - exalarão o bonus odor Christi, o bom odor de Cristo, que os outros forçosamente hão-de sentir: aí está um verdadeiro cristão".

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

S. Francisco de Sales – Bispo e Doutor da Igreja – 1567-1622

"Nenhum dos Doutores da Igreja, mais do que São Francisco de Sales preparou as deliberações e decisões do Concílio Vaticano II com uma visão tão perspicaz e progressista. Oferece-nos a sua contribuição pelo exemplo da sua vida, pela riqueza da sua verdadeira e sólida doutrina, pelo facto que abriu e reforçou as veredas da perfeição cristã para todos os estados e condições de vida. Propomos que essas três coisas sejam imitadas, acolhidas e seguidas."

(Paulo VI – 1967)

Formado em Direito e, com todos os requisitos para ser um ótimo advogado, Francisco contrariou os pais ao entrar para o sacerdócio; porém acertou na vocação, porque assim passou a advogar espiritualmente pelo povo de Deus.

Depois de sua ordenação sacerdotal, foi, após algum tempo, ordenado bispo, cuja missão era lidar com os católicos convertidos ao Calvinismo.

Este grande servo de Deus usou de folhetos e de todos os meios possíveis, para, naquela época, consciencializar o povo sobre a doutrina cristã, promovendo encontros, diálogos, palestras e, acima de tudo, por meio do testemunho de vida. 

Indo a Genebra, acabou nas mãos dos calvinistas, porém conseguiu ser um pastor sábio e prudente entre eles.

domingo, 23 de janeiro de 2022

Há cinco anos nesta o Papa nomeou Mons. Fernando Ocáriz prelado do Opus Dei

No final da tarde de hoje (2017), o Papa Francisco nomeou Mons. Fernando Ocáriz prelado do Opus Dei. O Santo Padre confirmou, no mesmo dia, a eleição realizada pelo terceiro congresso eletivo da Prelatura.
Com esta nomeação, Mons. Fernando Ocáriz, que até agora era o vigário auxiliar do Opus Dei, torna-se o terceiro sucessor de S. Josemaria à frente da prelatura, depois do falecimento de D. Javier Echevarria, a 12 de dezembro do ano passado.
Mons. Fernando Ocáriz nasceu em Paris a 27 de Outubro de 1944, filho de uma família espanhola exilada em França pela Guerra Civil (1936-1939). É o mais novo de oito irmãos.
O SANTO PADRE CONFIRMOU A ESCOLHA FEITA PELO TERCEIRO CONGRESSO ELETIVO DA PRELATURA NO PRÓPRIO DIA.
É licenciado em Ciências Físicas pela Universidade de Barcelona (1966) e em teologia pela Pontifícia Universidade Lateranense (1969). Obteve o doutoramento em Teologia em 1971 pela Universidade de Navarra. Nesse mesmo ano foi ordenado sacerdote. Nos seus primeiros anos como presbítero dedicou-se especialmente à pastoral juvenil e universitária.
É consultor da Congregação para a Doutrina da Fé (desde 1986) e de outros dois organismos da cúria romana: Congregação para o Clero (desde 2003) e o Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização (desde 2011). Em 1989 ingressou na Academia Pontifícia de Teologia. Na década de oitenta foi um dos professores que iniciou a Universidade Pontifícia da Santa Cruz (Roma), onde era professor (agora emérito) de Teologia Fundamental.

Entre as suas publicações teológicas, destacam-se livros sobre cristologia, como The mystery of Jesus Christ: a Christology and Soteriology textbook; Hijos de Dios en Cristo. Introducción a una teología de la participación sobrenatural. Outros volumes tratam de temos de índole teológica e filosófica, como Amar com obras: a Deus e aos Homens; Natureza, Graça e Glória, com prefácio do Cardeal RatzingerEm 2013 publicou-se um livre entrevista de Rafael Serrano sob o título Sobre Deus, a Igreja e o mundo. Entre as suas obras há dois estudos de filosofia: Marxismo: teoria e prática de uma revolução; Voltaire: tratado sobre a tolerância. É ainda autor co-autor de numerosas monografias e autor de vários artigos teológicos e filosóficos.
Desde 1994 é vigário geral do Opus Dei e em 2014 foi nomeado vigário auxiliar da prelatura. Durante os últimos 22 anos acompanhou o anterior Prelado, D. Javier Echevarria, nas suas visitas pastorais a mais de 70 países. Nos anos 60, sendo estudante de teologia, conviveu em Roma com S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei. Desde jovem é aficionado do ténis, desporto que continua a praticar.
Nos próximo dias, o novo prelado proporá aos congressistas os nomes dos seus vigários, assim como os dos demais membros dos conselhos que o assistirão durante os próximos 8 anos.
(Fonte: site do Opus Dei AQUI)

FESTA LITÚRGICA DO CASAMENTO DE MARIA E SÃO JOSÉ

Em 23 de janeiro de 1961, durante o pontificado de João XXIII, a Santa Sé estabeleceu a festa do casamento da Virgem Maria e de São José. É uma oportunidade para todos os casais renovarem seus votos de matrimônio e também para relembrar a importância do casamento cristão, único em seu gênero.
Se pensarmos na situação da sociedade no advento do cristianismo, a posição da Igreja foi nada menos do que inovadora, emancipada e contracorrente do que dizia respeito ao casamento. A Igreja sustentava que este sacramento devia ser uma escolha livre e, portanto, poderia ocorrer única e exclusivamente com o consentimento de ambos os cônjuges. A liberdade de escolha das mulheres de hoje parece óbvia, mas no passado, especialmente antes do cristianismo, a mulher era considerada inferior ao homem e tratada como escrava e objeto de prazer.
Francesco Agnoli, numa interessante publicação de 2010, Inquérito sobre o cristianismo, examina a história dos cristãos e da Igreja destacando o seu contributo para o desenvolvimento da civilização ocidental. No terceiro capítulo, intitulado Cristianismo e mulheres, Agnoli mostra minuciosamente, através de uma análise um tanto única, que graças à Igreja Católica a mulher está agora livre de muitas restrições e imposições, tais como, precisamente, a de não poder escolher livremente com quem se casar ou não. Na Antiguidade, era o pai quem decidia quem iria desposar sua filha, o que ainda acontece em países não católicos, como, por exemplo, a Índia.
A Igreja, de acordo com os ensinamentos de Cristo, promoveu com ousadia e firmeza uma imagem da mulher diferente do pensamento corrente, segundo a qual o homem e a mulher são diferentes porque são parte um do outro, dois seres vivos com os mesmos direitos. Neste sentido, o historiador Jacques Le Goff nos lembra que, no quarto concílio de Latrão (1215), a Igreja formalizou definitivamente o casamento, declarando que ele “não pode ser realizado sem que haja o acordo pleno dos dois adultos envolvidos”. Uma posição de vanguarda para a época. O casamento se torna assim impossível sem o consentimento mútuo, e, para que ele aconteça, a Igreja faz todo o possível, como estabelecer os chamados “proclames”, a presença de “testemunhas”, o “processo matrimonial” usado pelas autoridades eclesiásticas para verificar ou não a autenticidade do pedido de casamento dos noivos, e, finalmente, o consenso final. Tudo isto continua em uso ainda hoje.
Pode-se, portanto, compreender a importância e a singularidade do matrimônio cristão, não só do ponto de vista religioso, mas também da perspectiva histórica e social. Assim, a celebração do casamento da Virgem Maria e de São José assume um valor fundamental para os cristãos. O caráter virginal atesta a perfeita comunhão de mentes entre os dois esposos santos, apesar da ausência do ato sexual. Com isso, compreende-se que o casamento cristão não é reduzido ao ato físico entre homem e mulher, embora ele seja um dever e um momento belíssimo de comunhão entre o casal, mas que a verdadeira união acontece somente através de Jesus Cristo. Somente com Cristo é possível acolher plenamente o outro, doar-se livremente e, portanto, amar-se.
“Nenhum casal é chamado ao matrimônio exclusivamente para a sua satisfação. Todo casal é um dom para a Igreja e para o mundo, a fim de serem os cônjuges um ícone vivo de Cristo, que ama a sua esposa, a Igreja, e se sacrifica por ela, até o lenho da cruz”.
Na Igreja de São Carlos Borromeo, em Londres, está exposto um ícone moderno de rara beleza e particularmente interessante, chamado Notre Dame Alliance, que abrange toda a teologia, o significado e o pensamento da Igreja Católica sobre o mistério esponsal. O ícone mostra dois cônjuges abraçados pela Virgem Maria, com as mãos apoiadas delicadamente sobre seus ombros para simbolizar a Igreja que acolhe em seu próprio seio a noiva e o noivo, tal como uma mãe, acompanhando-os sem forçá-los. No meio, entre os dois, está Cristo, “sempre presente no coração da sua Igreja”, segurando a mão dos dois cônjuges como quem acalma seus medos e ansiedades e os fortalece.
No casamento, o casal faz um pacto com Deus para a vida toda, em que a Igreja atua como um intermediário, uma testemunha e uma avalista, que acompanha e dá apoio, como mãe, para a noiva e o noivo em sua nova situação, oferecendo-lhes como presentes a Eucaristia e a Palavra de Deus, sem a qual não se pode viver a vida cristã e menos ainda o casamento. Germano Pattaro, sacerdote veneziano, dizia que “Deus visita o casal no seu matrimônio, não quer faltar a este evento, faz parte da comunhão de amor estabelecida pelo Senhor com todos os cristãos a partir do momento do batismo”.
Em essência, este sacramento se baseia, para os cristãos, “na sua própria rocha, que é Jesus Cristo”. Se Jesus Cristo está presente como rocha da salvação, então a morte não prevalecerá.
Eis que por isto a festa de casamento da Virgem Maria e de São José, cônjuges e família por excelência, imagem perfeita de Deus, da Santíssima Trindade e da comunhão de amor infinito, convida todos a seguirem o seu exemplo: serem imagem do rosto de Cristo através da vida esponsal.
(Fonte: Comunidade Católica SAGRADA FAMÍLIA 

sábado, 22 de janeiro de 2022

S. Vicente - diácono e mártir – Padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa

"Disse Jesus: Hoje a salvação entrou nesta casa, porque este também é um filho de Abraão" Lc 19,9

Neste dia 22, celebramos a festa de um santo muito antigo: São Vicente, Mártir, Diácono da Igreja de Zaragoza (Espanha). Ele foi celebrado pelos maiores génios da antiguidade, como Santo Agostinho, São Leão Magno, Santo Ambrósio e São Prudêncio.

Qual a causa de tanta celebridade? A resposta é simples: naquele tempo, queriam acabar com os cristãos, e a resposta corajosa de São Vicente tornou-se histórica. Disse ele: "Não cremos nos vossos deuses. Só existe Cristo e o Pai, que são o único Deus. E nós somos servos e testemunhas dessa verdade."

A reação dos carrascos foi terrível! Depois de torturá-lo barbaramente, amarraram-no sobre uma grelha incandescente. Isto deu-se por volta do ano de 304.

O poeta cristão, Prudêncio, termina os seus versos a respeito de São Vicente, dizendo: "Levanta-te, ínclito mártir, e une-te como companheiro nosso, aos coros celestiais!".

Convém lembrar que há momentos na vida, em que é preciso decidir-se: ou por Cristo, ou contra Ele. Mesmo que isso chegue a custar-nos o maior sofrimento, podemos sempre dar a vida plena, na certeza de caminhar assim para a santidade, ou seja, para a realização plena do que somos como pessoa em Deus.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Uau! Uau!

Enquanto, nas nossas cidades, o barulho das vozes humanas está a ser substituído pela presença de cães e gatos, a Igreja considera que isto é um sinal de alerta de que algo está a correr muito mal nas sociedades ocidentais: neste mês de Janeiro, o Papa Francisco atacou directamente o tema, que lhe parece importante.


Poucos meios de informação referiram as palavras do Papa, mas alguns publicaram as reacções dos lobbies animalistas à sua análise. Os animalistas protestaram porque não entendem que a Igreja dê mais valor a uma criança do que a outro bicho: todos os bichos têm os mesmos direitos! Nalgumas redes sociais, por exemplo no Twitter, durante alguns dias os protestos contra o Papa ultrapassaram o número de mensagens relacionadas com a Covid ou os grandes temas da política.


Médicos psiquiatras que acompanham crianças contam-me que lhes começaram a chegar ao consultório numerosos rapazes e raparigas, pré-adolescentes, com problemas graves de identidade, porque não sabem se são rapazes ou raparigas.


Ao mesmo tempo, a grande maioria da população de muitos países do mundo ocidental ignora o que seja a família. Há trinta anos, era só nos países escandinavos que, quando a generalidade das crianças nascia, os pais já não viviam em conjunto. Hoje em dia, essa estatística verifica-se generalizadamente, também em Portugal. Isto é, a maioria dos rapazes e raparigas ignora o que sejam as responsabilidades familiares e não tem a maturidade necessária para ter filhos. Em muitos casos, a consciência desta impreparação leva as pessoas a evitar casar-se e a evitar ter filhos, mas às vezes são surpreendidas pela realidade e não sabem o que fazer com uma criança que surge.


Percebe-se que as experiências educativas em curso no mundo ocidental estão a deixar marcas profundas. Ao banalizar o sexo, o corpo e as relações humanas, ao eliminar o sentido de responsabilidade e a capacidade de compromisso, este tipo de educação está a destruir as novas gerações e, diz o Papa, afecta as raízes da sociedade: «Em vez de filhos, as pessoas querem cães e gatos. E a pátria sofre».



Fala-se de «Inverno demográfico», de desequilíbrios económicos que inviabilizam a médio prazo o sistema de segurança social. Isso é grave, no entanto, não é o que mais preocupa o Papa. «A paternidade é a plenitude da vida de uma pessoa» e, diz ele, «vivemos numa época de orfandade, numa civilização órfã». Há demasiado «egoísmo»: «quantos casais só querem um filho!... É uma tragédia!» — sublinha o Papa.


Por um lado, as sociedades tornaram-se demasiado complicadas, o trabalho e os meios de subsistência criam uma enorme insegurança. Por outro lado, a pressão social exige tantos requisitos materiais para uma vida normal, que os pais dificilmente conseguem garantir aos filhos esse tipo de vida considerada normal. É evidente que caímos numa ratoeira que gera infelicidade. Por isso a Igreja tem alertado as sociedades da abundância para que, se não forem capazes de se desprender de tanta carga supérflua, afundam-se numa imensa frustração e perdem o melhor da vida.


— «Se não podeis ter filhos, pensai em adoptar uma criança. É um risco, sim: ter um filho é sempre um risco, seja um filho natural, ou adoptado. Mas é mais perigoso não ter filhos». Um homem ou uma mulher que voluntariamente «não desenvolvem o sentido da paternidade e da maternidade carecem de qualquer coisa principal».


Em parte, esta crise humana —tragédia, como o Papa a classificou— está a ser promovida pela «teoria de género», que algumas vezes Francisco considerou uma forma violenta de ditadura. Este delírio ideológico, que está a ser ensinado nas escolas de alguns países, está a perturbar de tal maneira as novas gerações que muitas crianças se sentem inseguras sobre se são rapazes ou raparigas, não distinguem entre uma pessoa e um bicho, chegam à adolescência sem capacidade de assumir responsavelmente um compromisso familiar.


Não seria bom mudar radicalmente o nosso sistema educativo?

José Maria C.S. André

Santa Inês - virgem e mártir †304

Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo" Lc 14,27

A Igreja venera hoje uma santa muito conhecida e amada: Santa Inês.

Ela é, sem dúvida, a mais famosa de todas as virgens e mártires dos primeiros tempos do cristianismo. Viveu por volta de 304-306. Sua lembrança e seu culto nunca foram interrompidos.

Na idade de treze anos, recebeu uma proposta de casamento por parte do filho do prefeito de Roma, apaixonado pela sua beleza. Inês pertencia à nobreza romana. Mas era, acima de tudo, cristã. E queria dar a Cristo todos os seus dons, juntamente com a vida.

Conta a história que, por vingança, ela foi condenada à fogueira. E o povo acrescenta que o fogo não tocou nem mesmo os seus longos e belos cabelos. Decidiram então os algozes decepar-lhe a cabeça. Só então ela morreu. Ou melhor, não morreu, mas passou definitivamente para a verdadeira Vida, com Cristo, no Reino do Pai.

O Papa São Dâmaso escreveu sobre Santa Inês, exaltando-lhe as virtudes e propondo-a como modelo para as jovens cristãs de todos tempos.

O Evangelho, bem o sabemos, leva os jovens a fazerem a sua grande opção. Tudo receberam de Deus! Tudo a Deus podem dar!

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

São Sebastião †288


Nasceu em Narbonne no século terceiro; os pais eram oriundos de Milão, em Itália. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e de seus irmãos!


Ao entrar para o serviço no império como soldado, tinha muita saúde física, mental e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do império. Sebastião ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas a Santíssima Trindade.

Esse mistério levava-o a consolar os cristãos que eram presos, de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito.

São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolos dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse desejo: tornar-se mártir. Mas um apóstata denunciou-o para o império e lá estava ele, diante de um imperador muito triste, porque era uma traição ao império. Mas ele deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o império era este serviço. Denunciou o paganismo e a injustiça.

São Sebastião, defensor da verdade no amor apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas setas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensar que estava morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, conhecia-o, aproximou-se dele e percebeu que ele estava ainda vivo por graça e tratou-o cuidando-lhe das feridas. Após a sua recuperação e depois de um tempo, apresentou-se novamente ao imperador, pois queria o seu bem. Evangelizou, testemunhou, mas, desta vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Santo Antão

Este insigne pai do monaquismo nasceu no Egipto cerca do ano 250. Depois da morte de seus pais, distribuiu os seus haveres pelos pobres e retirou-se para o deserto, onde começou a sua vida de penitente. Teve numerosos discípulos e trabalhou em defesa da Igreja, animando os confessores na perseguição de Diocleciano e apoiando S. Atanásio na luta contra os arianos. Morreu no ano 356.

(Fonte: site Secretariado Nacional de Liturgia)
Foto: óleo de Jerónimo Bosch ca. 1500 - A tentação de Santo Antão

domingo, 16 de janeiro de 2022

Chegar a Maria

Detalhe 'Pietà'
«Por certo que para a imitação do “sim” de Maria existe, mais uma vez, um espectro largo, pois Maria vem ao nosso encontro em muitas situações diferentes: como a mulher corajosa na fuga para o Egipto, como dona de casa activa mas apagada, como a contemplativa que no silêncio, como a Escritura sublinha por duas vezes, passa e repassa no seu coração todos os acontecimentos relativos ao Filho (Lc 2, 19.51), como intercessora pelos pobres que já não têm vinho, como a que acompanha a acção do Filho no seu ministério com oração atenta e dolorosa, como a que, no auge da dor, é transformada na Igreja primordial (aqui se afirma na visão da mulher que grita com as dores do parto do Apocalipse), como aquela que, desaparecendo, se interna na oração e na acção da Igreja. Por todo o lado há portas de entrada, cada indivíduo e cada grupo na Igreja pode escolher a sua: todas conduzem ao mesmo centro.»

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar, título da responsabilidade do editor do blogue)

sábado, 15 de janeiro de 2022

Que raio de amor é esse que não põe a vida em primeiro lugar

Estarei certamente com um ataque de estupidez e segundo alguns embora gordinho e anafado serei quadrado, pois não consigo compreender a hipocrisia daqueles que se dizem a favor do aborto até um determinado tempo de gestação, sem esclarecer qual é o critério, porque nenhum será, um feto com 10 semanas é tanto vida como um com vinte e quatro ou mais. A vida mede-se da sua criação até à morte, antecipar esta por ação humana é homicídio ainda que legalizado, aliás, o mesmo se passa com a pena de morte nalguns países. Defender o com argumentos lamechas que as mães não têm condições económicas ou outras para levar avante uma gravidez, é cínico e pouco coerente, quanto mais não seja porque existem inúmeras instituições que acolheriam o bebé e facilmente, e aqui também há muita hipocrisia de quem adota, porque sendo recém-nascidos é mais fácil haver quem o faça.

Mas voltemos à eliminação da vida, porque não é só o aborto, há também a eutanásia e por este andar com tantos facilitismos e relativização daqui a uns anos estaremos a eliminar os idosos porque são onerosos de manter e os que agora aplaudem o aborto e dizem cruzes canhoto que tal nunca venha a acontecer, serão cúmplices porque abriram as portas.

Hitler e Estaline, que chegou em determinada fase da ex-URSS a proibir o aborto por razões demográficas, daqui a uns anos serão uns “santinhos” pois os milhões que mataram serão “peanuts” comparados com os nascituros ou os idosos eliminados.

Que raio de amor é esse que não põe a vida em primeiro lugar, ouçamos o que Jesus Cristo nos deixou entre tantos exemplos de amor culminando no maior que foi a Sua morte para nos redimir: “«Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que pagais o dízimo da hortelã e do endro e do cominho, e descuidais as coisas mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! São estas coisas que era preciso praticar, sem omitir as outras. Condutores cegos, que filtrais um mosquito e engolis um camelo! «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que limpais o que está por fora do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de imundície! Fariseu cego, purifica primeiro o que está dentro do copo e do prato, para que também o que está fora fique limpo. «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que sois semelhantes aos sepulcros branqueados, que por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de podridão! Assim também vós por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade” (Mt 23, 23-28)

Obrigado e hoje deu-me com muita paz e AMOR para aqui!

JPR

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Santo Hilário, bispo, Doutor da Igreja, †367

Nasceu no paganismo, mas desde cedo procurou as luzes da verdade nas várias filosofias, em particular no neoplatonismo que, mais tarde, muito influenciou o seu pensamento. A procura de um sentido para a vida do homem levou-o à leitura da Bíblia, onde achou a resposta que o levou a que se convertesse ao cristianismo. Nobre proprietário de terras, quando se converteu já era casado e pai de uma menina: Abra, por ele muito querida. Não muito tempo depois do seu baptismo foi proclamado bispo de sua cidade natal. Antes de ir para o exílio teve seis anos de intensos estudos e pregação. Obteve uma grande cultura teológica em defesa da ortodoxia. Humano nas vitórias e ainda mais humano e compreensivo em aceitar os bispo que, arrependidos, voltavam ao catolicismo.

Foi chamado "Atanásio do Ocidente" por se assemelhar ao bispo de Alexandria. São Atanásio. São contemporâneos. Hilário nasceu no começo do século IV em Poitiers, onde morreu em 367. Tanto Hilário como Atanásio tiveram o mesmo adversário: o arianismo (heresia que negava o dogma da Santíssima Trindade). Combateram-no com as polémicas teológicas, discursos e escritos. Também Hilário, por ordem do imperador Constâncio (356), foi exilado para a Frígia.

O contacto com o Oriente foi providencial para o bispo de Poitiers: durante os cinco anos que lá permaneceu aprendeu grego, descobriu Orígenes e a grande produção teológica dos padres orientais, recolheu farta documentação no original para escrever o livro que lhe deu o título de Doutor da Igreja (por Pio IX ): "A Trindade ou a Fé" (contra os arianos). Era o trabalho mais profundo e completo, até então, sobre o dogma principal da fé cristã. No exílio não ficou ocioso. Escreveu o opúsculo Contra Macénico, onde acusa o imperador de se ingerir nas disputas teológicas e nos negócios internos da disciplina eclesiástica. Voltando a Poitiers, o destemido bispo retomou sua obra pastoral agora ajudado pelo futuro São Martinho, bispo de Tours.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 9 de janeiro de 2022

São Josemaria Escrivá nasceu nesta data em 1902

Josemaría nasce em Barbastro, em 1902, no final de um dia de Inverno, por volta das dez da noite:
“Deus Nosso Senhor quis que eu nascesse num lar cristão, como costumam ser os lares do meu país, de pais exemplares que praticavam e viviam a sua fé, dando-me desde pequeno uma liberdade muito grande, mas sabendo ao mesmo tempo, vigiar-me com atenção. Procuravam dar-me uma formação cristã”.

Festa do Batismo do Senhor

A liturgia desta festa tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Ele fez-se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude.

A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.

No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/“Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-se pessoa, identificou-se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.
  
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Mais um Papa santo

No Domingo 4 de Setembro de 2022, vai ser beatificado na praça de S. Pedro, em Roma, o Papa João Paulo I.

Albino Luciani, eleito Papa depois da morte de Paulo VI, escolheu o nome de João Paulo I por devoção aos seus dois antecessores, os Papas do Concílio Vaticano II, João XXIII e Paulo VI. Nenhum Papa tinha jamais escolhido um nome composto, pelo que foi simultaneamente uma ruptura com a tradição e um sinal muito forte de continuidade.

Embora o pontificado de João Paulo I tenha durado apenas um mês, deixou uma marca tão profunda na Igreja que o seu sucessor, Karol Wojtyla, não hesitou em repetir o nome: João Paulo II. A devoção a João Paulo I, em vez de se apagar com o tempo, foi crescendo desde o ano da sua morte. Por exemplo, em 1990, todos os 226 bispos da Conferência Episcopal Brasileira assinaram um pedido para que se iniciasse a sua causa de canonização.

As causas de canonização dos Papas são particularmente trabalhosas porque é preciso examinar tudo o que escreveram e ouvir uma selecção grande dos que o conheceram de perto. No caso de João Paulo I, ouviram-se 167 testemunhos, vários deles com material suficiente para publicar um livro inteiro, e depois mais outros 21 testemunhos, um dos quais de Bento XVI. O resumo da causa de João Paulo I consta de 5 volumes com um total de mais de 3600 páginas. A documentação reunida foi estudada por várias equipas de peritos e finalmente por uma comissão de cardeais, que entregou as conclusões ao Papa Francisco. Em 2017, Francisco publicou o decreto acerca das virtudes heróicas de João Paulo I.

Quando se dá este passo, depois do processo exaustivo referido, espera-se que Deus confirme a conclusão com um milagre. Esse milagre, atribuído à intercessão de João Paulo I, ocorreu em Buenos Aires quando o Cardeal Jorge Bergoglio ainda era o Arcebispo da diocese. Uma menina de 11 anos estava no hospital, com um quadro clínico terrível (uma forma extrema de epilepsia, com danos irrecuperáveis no cérebro, entubada, com broncopneumonia, etc., etc.). O prognóstico provável era a morte a curto prazo, talvez adiada durante algum tempo, se se conseguisse manter a paciente em estado vegetativo. A situação crítica durava há meses, mas em 22 de Julho de 2011 precipitou-se de tal maneira que a família foi avisada do desenlace iminente. No momento em que se esperava o desfecho fatal, o Pe. José, da paróquia vizinha do hospital, propôs à mãe que, por intercessão de João Paulo I, pedissem a Deus a cura da rapariga. O resultado desta oração intensa foi uma sucessão de surpresas: no dia seguinte já estava muito melhor, nas semanas seguintes recuperou completamente a saúde, incluindo a cura total da epilepsia. Passaram-se 10 anos e a rapariga concluiu os estudos secundários e frequenta neste momento a universidade. Na altura, o processo passou pelo Cardeal Bergoglio e, depois de verificado por juntas médicas e equipas de outros especialistas, chegou à mesa do Papa Francisco, que assinou o respectivo decreto.


João Paulo I teve uma origem muito humilde. Passou a infância com a mãe e os 3 irmãos, enquanto o pai vivia no estrangeiro, de contratos ocasionais de construção civil. O pequeno Albino Luciani pôde fazer os estudos porque a paróquia os pagou. O curioso é que um percurso deste tipo não é caso único entre os Papas deste último século. A maioria dos Papas vieram de famílias pobres e, várias delas, à beira da miséria. É um dado estatístico que poderia talvez ajudar alguns a compreenderem melhor o funcionamento da Igreja católica.


João Paulo I é o quinto Papa do século XX a ser declarado beato ou santo e decorrem ainda os processos de canonização de outros. Por ordem cronológica: Pio X, João XXIII, Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II.





Se, com Papas tão santos, alguns têm dificuldade em estimar o Papa e aceitar a sua autoridade, qual seria a situação da Igreja nos nossos dias se Deus tivesse permitido Papas menos bons neste último século?


José Maria C.S. André

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Não se trata somente de ir à Missa

Não se entende um católico sem a Missa aos Domingos.


O problema é que, nos dias de hoje, parece que alguns daqueles que vão à Missa não sabem explicar porque vão nem o sentido mais profundo que possui essa “reunião semanal”.


E, ao não saber explicar a si próprios porque vão à Missa, diante da primeira dificuldade deixam de ir, ou assistem pela televisão, enganando-se com a desculpa de que “é a mesma coisa” e, além disso, muito mais “prático”.


Entender e dar a conhecer o valor infinito da Missa, Sacrifício Eucarístico, é tarefa de todos nós, de um modo especial depois deste contexto de “ausência de Missas presenciais” devido à pandemia.


A Missa não é algo bom que “nós” fazemos. O Santo Sacrifício da Missa não é o nosso santo sacrifício de ir à Missa. O sacrifício é de Cristo. Nós vamos lá, em primeiríssimo lugar, por gratidão, porque Ele morreu e ressuscitou por nós para nos salvar. E nos disse claramente: “Fazei isto em memória de Mim”.


Somos cristãos porque Deus nos salvou em Jesus Cristo. E em cada Missa actualiza-se esse mistério de salvação: paixão, morte e ressurreição de Jesus. Isto é o que nos diz claramente a nossa fé católica.


Recomendo a leitura pausada dos pontos 271 a 294 do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.


Se não meditarmos com calma na grandeza da Eucaristia, acabamos por ir à Missa como se entrássemos num museu de arte moderna, sem nenhuma chave de interpretação. Podemos parecer, como diz o povo, um boi a olhar para um palácio: vê algo, mas não entende nada.


E, atenção: não se trata simplesmente de ir à Missa, mas de se deixar transformar por esse mistério insondável de Amor de Deus por cada um de nós.


E não esquecer que existe uma estreita relação entre a Vida Eterna, já presente pela graça dentro de nós, e a participação frutuosa na Missa Dominical, “penhor da futura glória” (Compêndio 294).

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Véspera do Natal Ortodoxo

Cristãos de rito Bizantino, que seguem o calendário juliano, preparam a celebração da Natividade

A Natividade é celebrada pelos cristãos ortodoxos na Europa Central e de Leste e um pouco por todo o mundo a 7 de Janeiro, por causa da diferença do Calendário Gregoriano – 13 dias depois dos outros cristãos. No leste, a Natividade é precedida de 40 dias de jejum, que começam a 15 de Novembro. Este é um tempo de reflexão, contenção pessoal e cura pelo Sacramento da Reconciliação.

A Festa Ortodoxa da Natividade tem início na Véspera de Natal (6 de Janeiro) e termina com a Festa da Epifania.

Normalmente, na Véspera de Natal, os cristãos ortodoxos jejuam até tarde, ao anoitecer, até que a primeira estrela apareça. Quando a estrela é avistada, as pessoas preparam a mesa para a ceia de Natal. A ceia da Véspera de Natal, ou “Sviata Vecheria” (Santa Ceia), junta a família para partilhar alimentos próprios e dá início à festa com vários costumes e tradições, que remontam à antiguidade. Os rituais da Véspera de Natal são dedicados a Deus, para protecção e bem-estar da família e em memória dos antepassados.

A mesa é coberta com duas toalhas, uma para os antepassados da família, a outra para os elementos vivos. Nos tempos pagãos, os antepassados eram considerados espíritos benévolos, que, sendo devidamente respeitados, traziam boa sorte aos elementos da família.

Debaixo da mesa, bem como debaixo das toalhas, é espalhada alguma palha para lembrar que Cristo nasceu num estábulo. A mesa tem sempre um lugar a mais para os membros da família já falecidos, cujas almas, de acordo com a crença, vêm na Véspera de Natal tomar parte na refeição.

Há doze pratos (iguarias) na mesa, porque, de acordo com a tradição cristã, cada prato é dedicado a cada um dos Apóstolos de Cristo. Na antiga crença pagã, os pratos correspondiam às doze luas-cheias do ano. Os pratos não têm carne, por causa do período de jejum pedido pela Igreja até ao dia de Natal. Porém, para os pagãos, a abstinência de carne era a forma de oferecerem sacrifícios a Deus sem derramamento de sangue.

Enquanto muitos costumes ortodoxos da Véspera de Natal se revestem de uma natureza solene, o costume de cantar é alegre e divertido. Os cânticos de Natal tem a sua origem na antiguidade, tal como muitos outros costumes praticados nesta quadra.

Há dois grupos principais de cânticos na Ucrânia: os “koliadky”, cujo nome deriva provavelmente do latim “calendae”, significando primeiro dia do mês, que são cantados na Véspera e no Dia de Natal; o segundo grupo, “shchedrivky”, que é uma derivação do significado “generosidade”, é cantado durante a festa da Epifania.

No Dia de Natal as pessoas participam na Divina Liturgia, no fim da qual, muitos se deslocam em procissão para mares, rios e lagos. Todos se juntam, na neve, para as cerimónias exteriores da bênção da água. Muitas vezes os rios estão congelados e as pessoas fazem buracos no gelo para a bênção. Então, em casa, há uma grande festa - todos se juntam para comer, beber e divertir-se.

Tal como há diferenças, há também semelhanças entre a Celebração do Natal no Leste e no Ocidente. O Natal no Leste tem um grande significado familiar e social, tal como o tem no Ocidente. Junta as pessoas de todas as gerações para celebrarem o nascimento de Jesus Cristo.

Não importa em que cultura ou sociedade estamos – entendemos o nascimento de Cristo tal como S. João Crisóstomo escreveu: “Desde aquela altura, toda a alegria e júbilo! Eu também quero alegrar-me! Eu também quero participar do coro e da dança para celebrar a festa! Mas eu faço a minha parte: não tocando harpa nem flauta, nem erguendo a chama, mas erguendo nos meus braços o berço de Cristo. Aqui está toda a minha esperança! Aqui está toda a minha vida! Aqui está toda a minha salvação! Isto é a minha flauta e a minha harpa!”

Também eu, tendo recebido pelo Seu poder o dom da fala, eu também, com os anjos e os pastores, canto “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”!

Arquimandrita Philip Jagnisz
Vigário Geral de Portugal e Galiza
Patriarcado Ecuménico de Constantinopla

Tradução: Secretariado Diocesano das Migrações do Porto

Nota: Calendário juliano

É um calendário solar criado em 45 a.C. pelo imperador romano Júlio César para trazer os meses romanos ao seu lugar habitual em relação às estações do ano, confusão gerada pela adopção de um calendário de inspiração lunissolar. César impõe 12 meses com duração predeterminada e a adopção de um ano bissexto a cada 4 anos.

No ano da mudança, para fazer a concordância entre o ano civil e o ano solar, ele inclui no calendário mais dois meses de 33 e 34 dias, respectivamente, entre Novembro e Dezembro, além do 13º mês, o “mercedonius”, de 23 dias. O ano fica com 445 dias distribuídos em 15 meses e é chamado “o ano da confusão.”

Esse calendário, que tem um desfasamento de 13 dias em relação ao nosso, começa a ser substituído pelo calendário gregoriano a partir do século XVI - a Rússia e a Grécia só fazem a mudança no século XX.

(Fonte: site Agência Ecclesia em 2009)