Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Três santas, El Patas & Co.

Há poucos dias (29 de Maio), a Igreja beatificou três enfermeiras espanholas mártires, Olga Pérez (23 anos), María Pilar Gullón (25 anos) e Octavia Iglesias (41 anos).


As três, solteiras, trabalhavam num pequeno hospital em Somiedo, nas Astúrias, e participavam activamente na vida da igreja: eram catequísticas, visitavam os pobres, etc. No dia 27 de Outubro de 1936, quando o exército vermelho invadiu Somiedo, as três enfermeiras não quiseram abandonar os doentes do hospital. Os milicianos vermelhos irromperam no edifício, fuzilaram os doentes e levaram o médico, o restante pessoal e as três enfermeiras algemados ao comandante, conhecido como o «El Patas». Os populares que viram o cortejo contam que foram 8 quilómetros muito duros para os prisioneiros. O capelão do hospital e o médico foram logo assassinados e os seus cadáveres expostos em público, mas o «El Patas» propôs-se libertar as três enfermeiras se deixassem de ser católicas e se juntassem ao partido. As raparigas recusaram a proposta e o «El Patas» deu ordem aos milicianos para abusarem delas à vontade.


Os soldados violaram-nas e torturaram-nas toda a noite. A gritaria foi tanta que o «El Patas» pôs carroças de bois a circular nas ruas à volta da casa para fazerem barulho. Apesar da violência, as raparigas mantiveram-se leais a Deus. Rezavam elas e gritavam, e gritavam também os soldados fora de si, enquanto os bois mugiam lá fora e as carroças chiavam pelas ruas desertas. Numa das carroças a ranger jazia o cadáver do capelão do hospital, que durante o dia tinha sido exibido a toda a povoação juntamente com o cadáver do médico e, chegada a noite, fora deixado em cima da carroça, talvez por esquecimento.


No dia seguinte, ao meio-dia, exaustos uns e outros, levaram as três enfermeiras despidas para um descampado para serem fuziladas atadas a dois homens. As mulheres milicianas que trataram do assunto despacharam primeiro os homens e depois as três enfermeiras, que morreram louvando a Deus e perdoando as assassinas.


Depois do fuzilamento, os milicianos profanaram os cadáveres, arrastaram-nos pelo chão e deixaram-nos a apodrecer ao ar livre até à noite. Já escuro, obrigaram alguns aldeões a cavar um buraco e a colocá-las lá, já vestidas com a sua farda de enfermeiras.


Estas circunstâncias conhecem-se porque, no final da guerra civil, o «El Patas» contou o que tinha acontecido e alguns habitantes da povoação também prestaram testemunho. Entre as muitas pessoas mortas pelas «milícias republicanas» naqueles dias, a população guardou especial memória destas três raparigas de modo que, acabada a guerra civil, convenceram o bispo a levar os corpos delas para a catedral, em Astorga.


Hoje, em tempos mais pacíficos, é difícil conceber tanto ódio desvairado, mas de acordo com os princípios marxistas a vida humana não vale nada e o ambiente daquele tempo, exacerbado pela crueldade da guerra civil, fez da loucura um padrão habitual. Sem nenhum intuito de reavivar ódios velhos ou de pedir vingança, o Papa Francisco considerou que nos fazia bem a todos recordar estas três enfermeiras, que amaram a Deus com tal generosidade e deram a vida por Ele. Por isso mandou que fossem beatificadas no passado dia 29 de Maio de 2021.


Embora já tenham decorrido 85 anos desde o martírio e as actuais correntes de inspiração marxista estejam mais apostadas em promover o aborto e a eutanásia do que em combater os cristãos, ainda há sectores que não conseguem olhar com serenidade para estes exemplos de virtude. Em Espanha e em Itália, só os meios de comunicação católicos transmitiram a cerimónia de beatificação ou deram a notícia. No resto do mundo, as agências noticiosas mais importantes omitiram o assunto. Tanto quanto sei, em Portugal ninguém se apercebeu da decisão do Papa ou transmitiu a cerimónia da beatificação.


A perseguição religiosa antes e durante a guerra civil espanhola deu origem a numerosos mártires, dos quais já foram beatificados e canonizados vários milhares. São exemplos edificantes de gente comum, muitas vezes crianças e mulheres, que postas perante uma situação extrema puseram Deus em primeiro lugar. É pena que estas histórias não sejam mais conhecidas. E o catálogo é abundante, porque já foram beatificadas e canonizadas milhares de mártires deste período de perseguição religiosa em Espanha.


Cada uma destas histórias é motivo para nos perguntarmos como teríamos reagido e como actuamos hoje no dia-a-dia. Guardamos rancor? Rezamos pelos outros, por mais desvairados que sejam? Olhamos para eles com simpatia? Somos leais e justos?

José Maria C.S. André

Na Festa do Sagrado Coração de Jesus – homilia de São Josemaría Escrivá a 17 de Junho 1966

Tesouros inesgotáveis 
Deus Pai dignou-Se conceder-nos, no Coração do Filho, infinitos dilectionis thesauros, tesouros inesgotáveis de amor, de misericórdia, de ternura. Se quisermos descobrir com evidência que Deus nos ama - que não só escuta as nossas orações, mas até Se nos antecipa - basta-nos seguir o mesmo raciocínio de S. Paulo: “Aquele que nem ao seu próprio Filho perdoou, mas O entregou à morte por nós, corno não nos dará, com Ele, todas as coisas?”. Cristo que passa, 162 

As palavras não são necessárias 
Cristo na Cruz, com o Coração trespassado de Amor pelos homens, é uma resposta eloquente - as palavras não são necessárias - à pergunta sobre o valor das coisas e das pessoas. Pois valem tanto os homens, a sua vida, a sua felicidade, que o próprio Filho de Deus Se entrega para os remir, para os purificar, para os elevar! Quem não amará o seu coração tão ferido? - perguntava uma alma contemplativa. E continuava a perguntar: Quem não dará amor por amor? Quem não abraçará um Coração tão puro?  Nós, que somos de carne, pagaremos amor com amor, abraçaremos o Ferido que encontrámos, Aquele a quem os ímpios atravessaram as mãos e os pés, o lado e o Coração. Peçamos-lhe que Se digne prender o nosso coração com o vínculo do seu amor, feri-lo com uma lança, pois é ainda duro e impenitente. 

O que é preciso para entendê-lo 
São pensamentos, afectos e palavras que as almas enamoradas desde sempre dedicaram a Jesus. Mas, para entender essa linguagem, para saber na verdade o que é o coração humano e o Coração de Cristo e o amor de Deus, são precisas a Fé e a humildade. Foi com Fé e humildade que Santo Agostinho escreveu para nós estas palavras universalmente famosas: “criastes-nos, Senhor, para Vós, e o nosso coração está inquieto enquanto em Vós não repousa”. Cristo que passa, 165 

Que nos dê um coração bom 
Na festa de hoje, havemos de pedir ao Senhor que nos dê um coração bom, capaz de se compadecer das penas das criaturas, capaz de compreender que, para remediar os tormentos que acompanham e tanto angustiam as almas neste mundo, o verdadeiro bálsamo é o amor, a caridade; todas as outras consolações só servem para nos distrair por um momento e deixar depois amargura e desespero. 

O resumo de toda a lei 
Se queremos ajudar os outros, temos de os amar - deixai-me insistir - com um amor que seja compreensão e entrega, afecto e humildade voluntária. Assim compreenderemos por que quis o Senhor resumir toda a Lei nesse duplo mandamento, que é afinal um mandamento só: o amor de Deus e o amor do próximo, com todo o coração. Cristo que passa, 167 Viver no Coração de Jesus, unir-nos a Ele estreitamente é, portanto, convertermo-nos em morada de Deus. Aquele que Me ama será amado pelo meu Pai, anunciou o Senhor. E Cristo e o Pai, no Espírito Santo, vêm à alma e fazem nela a sua morada. 

A nossa maneira de ser transforma-se 
Quando compreendemos - ainda que seja só um poucochinho - estas verdades fundamentais, a nossa maneira de ser transforma-se. Passamos a ter fome de Deus e fazemos nossas as palavras do Salmo: Meu Deus, eu Te procuro solícito; sedenta de Ti está a minha alma; a minha carne deseja-Te, como terra árida, sem água. E Jesus, que suscitou as nossas ansiedades, vem ao nosso encontro e diz-nos: se alguém tem sede, venha a Mim e beba.  

Descanso e fortaleza 
E oferece-nos o seu Coração, para encontrarmos nele o nosso repouso e a nossa fortaleza. Se aceitarmos o seu chamamento, veremos como as suas palavras são verdadeiras, e aumentará a nossa fome e a nossa sede, até desejarmos que Deus estabeleça no nosso coração o lugar do seu repouso e não afaste de nós o seu calor e a sua luz. Cristo que passa, 170 

Ler o texto completo: O Coração de Cristo, Paz dos cristãos, Homilia pronunciada no dia 17 de Junho de 1966, Festa do Sagrado Coração de Jesus.

Sagrado Coração de Jesus

No teu infinito amor o Teu Sagrado Coração estremece constantemente pelos homens Teus irmãos.

Coração doce e compassivo;
Coração que ama sem peso nem medida;
Coração que é refúgio seguro nas tormentas e dificuldades da vida;
Coração aberto pela lança soldado e que nunca mais deixou de emanar o sangue que vivifica a água que sacia.

Coração amoroso de Jesus dai-me um coração igual ao Vosso.

(ama, reflexões, 03.06.2016)

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma tradição muito antiga.

Em casa dos meus Pais, como era costume em famílias cristãs, um quadro votivo ao Sagrado Coração ocupava lugar proeminente, normalmente na sala de família.

Sempre adornado com uma pequena jarra com flores frescas substituídas todas as semanas era para todos os da casa uma referência de suma importância como que a lembrar que aquela casa era Sua pertença e estava sob a Sua protecção.

Ainda hoje lá está e sempre que por ali passo não deixo de dizer-lhe – como a minha querida Mãe me ensinou em criança – Sagrado Coração de Jesus fazei que o meu coração seja igual ao Vosso.

São costumes antigos!

Pois são, mas deveriam ser de sempre!

(ama, comentário sobre Lc 15, 3-7, 2016.04.02)

S. Barnabé, Apóstolo, séc. I

São Barnabé era natural da ilha de Chipre. Como o Apóstolo São Paulo, foi discípulo de Gamaliel: "José, a quem os apóstolos haviam dado o cognome de Barnabé, que quer dizer 'filho da consolação', era um levita originário de Chipre. Sendo proprietário de um campo, vendeu-o e trouxe o dinheiro, depositando-o aos pés dos apóstolos" (At 4,36-37). Foi São Barnabé quem convenceu a comunidade de Jerusalém a receber o temível perseguidor dos cristãos, Paulo de Tarso, como discípulo, levando-o como colaborador seu à Antioquia. 

Barnabé e Paulo foram escolhidos pelos profetas e doutores de Antioquia para anunciar o Evangelho aos gentios ainda não convertidos à fé cristã. Paulo, Barnabé e João Marcos, seu primo, partiram, então, para Chipre, Perge, Antioquia da Pisídia e cidades da Licaônia. Barnabé participou do Concílio de Jerusalém. Desentendeu-se com Paulo e dele se separou, tomando rumo diferente.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)