Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Francisco e Bento XVI publicam um livro em parceria

Os autores são Papa Francisco e Bento XVI, o título é «Não façam mal a nenhum destes pequeninos. A voz de Pedro contra a pedofilia». A editora italiana Cantagalli anunciou traduções em espanhol, alemão, inglês, albanês e saiu esta semana a tradução portuguesa, editada pela Lucerna.

Embora a incidência da pedofilia varie muito entre países e dioceses, é um problema grave na Igreja porque atenta contra princípios fundamentais. O número de casos entre o clero é escasso em comparação com a média da sociedade, no entanto, o crime de quem deveria dar um testemunho cristão é mais grave e a situação é ainda mais triste quando alguém se infiltrou no seminário com intenção de satisfazer estas tendências. Só um tremendo desprezo por Deus pôde fazer com que, nalgumas dioceses, estes comportamentos fossem tolerados. Mais do que uma fraqueza ocasional, a penetração da pedofilia denota um abandono colectivo de Deus, com uma inversão radical da mensagem cristã. Nalgum local particularmente degenerado, chegou-se a verificar no seminário uma certa concentração rapazes atraídos pelo vício, em vez de chamados por uma vocação à santidade.

Uma das análises mais profundas desta total subversão do sacerdócio, que substitui Deus pelo pecado, é o contributo que Bento XVI publicou no número de Abril da revista alemã Klerusblatt, escrito quando o Papa Francisco chamou a Roma os presidentes de todas as conferências episcopais do mundo, em Fevereiro de 2019, para reflectirem sobre a crise da fé e da Igreja patente nos abusos chocantes cometidos contra menores de idade. Bento XVI começa o artigo dizendo que contactou o Santo Padre antes de o publicar, mas vários jornais descreveram-no como um gesto de oposição, certamente porque não leram essa explicação inicial. Mas também porque não leram até ao fim: «No final das minhas reflexões, quero agradecer ao Papa Francisco tudo aquilo que faz para nos mostrar continuamente a luz de Deus que, também hoje, não empalideceu. Obrigado, Santo Padre!». Como era óbvio, Francisco não se sentiu atacado e o primeiro capítulo do livro que acaba de publicar em parceria com Bento XVI é o referido artigo.

É surpreendente que os meios de comunicação se ocupem de ataques inexistentes e de notícias irrelevantes, como o elevador que se avariou quando Francisco se dirigia para uma audiência, enquanto ignoram o primeiro livro escrito em parceria por um Papa em exercício (Francisco) e pelo anterior (Bento XVI). Não foi só a generalidade da imprensa portuguesa que silenciou o livro, também a de língua inglesa, francesa, alemã, espanhola... Nem se deram ao trabalho de discordar, ignoraram simplesmente. Pelo contrário, o livro é interessante e a introdução, escrita por Federico Lombardi, S.J., porta-voz de Bento XVI e depois de Francisco, valoriza-o ainda mais.

Há poucos dias, já depois de lançada a versão italiana do livro, Bento XVI observava que a palavra Deus não aparece uma única vez na generalidade das críticas que lhe fizeram. «O facto de (...) ignorar o ponto central da minha argumentação, tal como a generalidade das reacções de que tive conhecimento, torna patente a gravidade de uma situação em que a palavra Deus parece muitas vezes posta de lado pela teologia». (Resposta de Bento XVI intitulada «68 und der Missbrauch: Antwort auf Birgit Aschmann» – 68 e os abusos: resposta a Birgit Aschmann, publicado no número de Setembro de 2019 da Herder Korrespondenz).

As relações estatísticas apontam para um padrão que pode sugerir uma pré-disposição de quem comete abusos – por exemplo, os abusadores são homens e as vítimas são sobretudo rapazes –, mas o livro não aborda este tema. O ponto em que ambos os autores insistem é em não admitir no seminário quem não observa a doutrina da Igreja neste ponto. Por exemplo, o terceiro capítulo do livro, que é o discurso conclusivo do Papa Francisco aos Presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, reunidos em Roma para tratar da pedofilia, é claro: É preciso seleccionar os candidatos ao sacerdócio «visando principalmente excluir as personalidades problemáticas, (...) oferecendo um caminho de formação equilibrado para os candidatos idóneos, tendente à santidade e englobando a virtude da castidade. Na Encíclica “Sacerdotalis cælibatus” n.º 64, São Paulo VI escreveu: “Uma vida tão inteira e amavelmente dedicada, no interior e no exterior, como a do sacerdote celibatário, exclui, de facto, candidatos com insuficiente equilíbrio psicofísico e moral. Não se deve pretender que a graça supra o que falta à natureza”».
José Maria C.S André

O Espírito Santo configura-nos com Cristo

A Missa é comprida, dizes, e eu acrescento: porque o teu amor é curto. (Caminho, 529)

A Santa Missa situa-nos deste modo perante os mistérios primordiais da fé, porque se trata da própria doação da Trindade à Igreja. Compreende-se assim que a Missa seja o Centro e a raiz da vida espiritual do cristão. É o fim de todos os sacramentos. Na Santa Missa, a vida da graça encaminha-se para a sua plenitude, que foi depositada em nós pelo Baptismo, e que cresce, fortalecida pela Confirmação. Quando participamos na Eucaristia, escreve S. Cirilo de Jerusalém, experimentamos a espiritualização deificante do Espírito Santo, que além de nos configurar com Cristo, como sucede no Baptismo, nos cristifica integralmente, associando-nos à plenitude de Cristo Jesus.

A efusão do Espírito Santo, na medida em que nos cristifica, leva-nos a reconhecer como filhos de Deus. O Paráclito, que é caridade, ensina-nos a fundir com essa virtude toda a vida. Por isso, feitos uma só coisa com Cristo, consummati in unum, podemos ser entre os homens o que Santo Agostinho afirma da Eucaristia: sinal de unidade, vínculo de Amor(Cristo que passa, 87)

São Josemaría Escrivá

Uma sociedade incapaz de assumir e partilhar o sofrimento é cruel e desumana

«A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. (…) Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido, mesmo interiormente, é uma sociedade cruel e desumana».

(Bento XVI durante visita uma Casa de acolhimento para crianças e jovens deficientes a 20.08.2011)

O Evangelho é festa, é alegria, é liberdade

“Alguém entre vós pode me perguntar: ‘Os cristãos não têm lei?’ Sim! Jesus disse: “Eu não venho mudar a lei, mas levá-la à sua plenitude”. A plenitude da lei são, por exemplo, as Bem-aventuranças, a lei do amor, do amor total como o que Ele, Jesus, nos amou. Quando Jesus repreende os doutores da lei, o faz porque não protegeram o povo com a lei, mas o escravizou com tantas leis pequenas, pequenas coisas”.
(...)
“Coisas que tinham que fazer sem a liberdade trazida por Ele com a nova lei, a lei que Ele estabeleceu com o seu sangue”. “Esta é a novidade do Evangelho, que é festa, é alegria, é liberdade”, disse. ”Isto é o que Jesus quer nos dizer: ‘Sim às novidades, aos vinhos novos, aos odres novos. Não tenham medo de mudar as coisas segundo a lei do Evangelho’”:
“Paulo distingue bem: filhos da lei e filhos da fé. A vinhos novos, novos odres; e por isso, a Igreja nos pede, a todos nós, algumas mudanças. Pede-nos que deixemos de lado as estruturas decrépitas: são inúteis! E usemos os odres novos, os do Evangelho. Não se pode entender a mentalidade destes doutores da lei, destes teólogos fariseus: não se pode entender a sua mentalidade com o espírito do Evangelho, são coisas diferentes. O estilo do Evangelho leva à plenitude da lei, sim, mas de um modo novo: é o vinho novo em odres novos”.
(...)
“O Evangelho é novidade! O Evangelho é festa, e só se pode vivê-lo plenamente em um coração alegre e renovado! Que o Senhor nos dê a graça de observar esta lei, disse o Papa, no mandamento do amor, nos mandamentos que provêm das Bem-aventuranças”. “Que o Senhor nos dê a graça de ‘não permanecermos prisioneiros’, mas também a graça ‘da alegria e da liberdade que nos traz a novidade do Evangelho’”.

Papa Francisco - excertos homilia Casa de Santa Marta 05.09.2014

Evangelho do dia 6 de setembro de 2019

Eles disseram-Lhe: «Os discípulos de João e os dos fariseus jejuam muitas vezes e fazem orações, e os Teus comem e bebem». Jesus respondeu-lhes: «Porventura podeis fazer jejuar os amigos do esposo, enquanto o esposo está com eles? Mas virão dias em que lhes será tirado o esposo; então, nesses dias, jejuarão». Também lhes disse esta comparação: «Ninguém deita um retalho de pano novo em vestido velho; doutro modo o novo rompe o velho e o retalho do novo não condiz com o velho. Também ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutro modo o vinho novo fará rebentar os odres, e derramar-se-á o vinho, e perder-se-ão os odres. Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos. Ninguém depois de ter bebido vinho velho quer do novo, porque diz: O velho é melhor!».

Lc 5, 33-39