Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Homilia Missa com jovens Myanmar na Catedral de Saint Mary

Quando já se aproxima do fim a minha visita à vossa linda terra, uno-me convosco para agradecer a Deus pelas muitas graças que recebemos nestes dias. Contemplando-vos a vós, jovens do Myanmar, e a todos aqueles que nos acompanham fora desta catedral, quero partilhar uma frase da primeira Leitura de hoje que ressoa dentro de mim. Tirada do profeta Isaías, é retomada por São Paulo na sua carta à jovem comunidade cristã de Roma. Escutemos uma vez mais estas palavras: «Que bem-vindos são os pés dos que anunciam as boas-novas!» (Rm 10, 15; cf. Is 52, 7)

Queridos jovens do Myanmar, veio-me a vontade de aplicar a vós estas palavras depois de ter ouvido as vossas vozes hoje enquanto cantáveis. Sim, bem-vindos são os vossos pés, e é bom e encorajador ver-vos, porque nos anunciais «uma boa-nova», a boa-nova da vossa juventude, da vossa fé e do vosso entusiasmo. Claro, vós sois uma boa-nova, porque sois sinais concretos da fé da Igreja em Jesus Cristo, que nos traz uma alegria e uma esperança que jamais terão fim.

Alguns se interrogam como é possível falar de boas-novas quando tantos sofrem ao nosso redor. Onde estão as boas-novas, quando tanta injustiça, pobreza e miséria estende a sua sombra sobre nós e o nosso mundo? Contudo gostaria que deste lugar partisse uma mensagem muito clara. Gostaria que as pessoas soubessem que vós, homens e mulheres jovens do Myanmar, não tendes medo de acreditar na boa-nova da misericórdia de Deus, porque essa boa-nova tem um nome e um rosto: Jesus Cristo. Como mensageiros desta boa-nova, estais prontos a anunciar uma palavra de esperança à Igreja, ao vosso país, ao mundo inteiro. Estais prontos a anunciar a boa-nova aos irmãos e irmãs que sofrem e precisam das vossas orações e da vossa solidariedade, mas também da vossa paixão pelos direitos humanos, pela justiça e pelo crescimento daquilo que Jesus dá: amor e paz.

Mas gostaria também de vos propor um desafio. Ouvistes com atenção a primeira Leitura? Nela, São Paulo repete três vezes a palavra «sem». É uma palavra pequena, mas que nos faz pensar sobre o nosso lugar no projeto de Deus. De facto, Paulo formula três perguntas que eu gostaria de colocar, pessoalmente, a cada um de vós. A primeira: «Como hão de acreditar sem terem ouvido falar d’Ele?» A segunda: «Como hão de ouvir falar, sem um mensageiro que O anuncie?» A terceira: «Como há de um mensageiro anunciar, sem ser enviado?» (cf. Rm 10, 14-15).

Gostaria que todos vós pensásseis profundamente nestas três questões. Mas não tenhais medo! Como pai (talvez fosse melhor dizer avô!) benévolo, não quero deixar-vos sozinhos perante tais perguntas. Permiti oferecer-vos alguns pensamentos que vos possam guiar no caminho da fé e ajudar-vos a discernir aquilo que o Senhor está a pedir-vos.

A primeira pergunta de São Paulo é: «Como hão de acreditar sem terem ouvido falar d’Ele?». O nosso mundo está cheio de tantos ruídos e distrações que podem sufocar a voz de Deus. Para que outros sejam chamados a ouvir falar d’Ele e a crer n’Ele, precisam de O encontrar em pessoas que sejam autênticas, pessoas que sabem como ouvir. Certamente é o que vós quereis ser. Mas só o Senhor pode ajudar-vos a ser genuínos. Por isso falai com Ele na oração. Aprendei a ouvir a sua voz, falando serenamente com Ele no íntimo do vosso coração.

Mas falai também com os Santos, com os nossos amigos no Céu que vos podem inspirar. Como Santo André, que hoje festejamos. Era um simples pescador e tornou-se um grande mártir, uma testemunha do amor de Jesus. Mas, antes de se tornar um mártir, cometeu os seus erros e precisou de ser paciente, aprendendo gradualmente como ser um verdadeiro discípulo de Cristo. Também vós não tenhais medo de aprender com os vossos erros! Possam os Santos guiar-vos até Jesus, ensinando-vos a colocar as vossas vidas nas mãos d’Ele. Sabeis que Jesus é cheio de misericórdia. Então partilhai com Ele tudo o que tendes no coração: os medos e as preocupações, os sonhos e as esperanças. Cultivai a vida interior, como faríeis com um jardim ou um campo. Isso requer tempo, requer paciência. Mas como um agricultor sabe esperar o crescimento da seara, assim também a vós, se tiverdes paciência, o Senhor concederá a graça de produzir muito fruto, um fruto que depois podereis partilhar com os outros.

A segunda pergunta de Paulo é: «Como hão de ouvir falar, sem um mensageiro que O anuncie?». Eis aqui uma grande tarefa, confiada especialmente aos jovens: ser «discípulos missionários», mensageiros da boa-nova de Jesus, sobretudo para os vossos coetâneos e amigos. Não tenhais medo de gerar confusão, de colocar perguntas que façam as pessoas a pensar! Nem tenhais medo, se às vezes notardes que sois poucos e dispersos por aqui e por ali. O Evangelho cresce sempre a partir de pequenas raízes. Por isso, fazei-vos ouvir! Gostaria de vos pedir para gritar, mas não com a voz; gostaria que gritásseis com a vida, com o coração, de modo a ser sinais de esperança para quem está desanimado, uma mão estendida para quem está doente, um sorriso acolhedor para quem é estrangeiro, um apoio carinhoso para quem está sozinho.

A última pergunta de Paulo é: «Como há de um mensageiro anunciar, sem ser enviado?». No final da Missa, seremos todos enviados a partilhar com os outros os dons que recebemos. Isto poderia ser um pouco desanimador, já que nem sempre sabemos aonde nos pode enviar Jesus. Mas Ele nunca nos envia, sem ao mesmo tempo caminhar ao nosso lado e sempre um pouco à nossa frente, para nos introduzir em novas e magníficas partes do seu Reino.

No Evangelho de hoje, como é que o Senhor envia André e seu irmão Simão Pedro? Dizendo-lhes: «Segui-Me» (Mt 4, 19). Eis aqui o que significa o envio: não atirar-se para a frente com as próprias forças, mas seguir Cristo! O Senhor convidará alguns de vós a segui-Lo como sacerdotes, tornando-se assim «pescadores de homens». Outros, chamá-los-á para se tornarem pessoas consagradas. E outros ainda, chamá-los-á à vida matrimonial, para serem pais e mães amorosos. Seja qual for a vossa vocação, exorto-vos: sede corajosos, sede generosos e, sobretudo, sede alegres!

Aqui, nesta linda catedral dedicada à Imaculada Conceição, encorajo-vos a olhar para Maria. Quando disse sim à mensagem do anjo, Ela era jovem como vós. Mas teve a coragem de confiar na boa-nova que ouvira e de a traduzir numa vida de fiel dedicação à sua vocação, de total doação de Si mesma e de completo abandono à solicitude amorosa de Deus. Como Maria, possais ser todos dóceis mas corajosos em levar Jesus e o seu amor aos outros!

Queridos jovens, com grande afeto, confio todos vós e vossas famílias à sua intercessão materna. E peço, por favor, que vos lembreis de rezar por mim. Myanmar pyi ko Payarthakin Kaung gi pei pa sei [Deus abençoe o Myanmar]!

Nota 'Spe Deus': quão bonito é ver-se os fiéis de mãos-postas e sem telemóveis.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1964

Com mineiros de Oviedo, durante um encontro em Pamplona. A sua pregação constante era a de que “Cristo interessa-se por esse trabalho que devemos realizar – uma vez e mil vezes – no escritório, na fábrica, na oficina, na escola, no campo, no exercício da profissão manual ou intelectual”.

Stº André

«Deixaram tudo e seguiram-no»

Pedro e o seu irmão, André, cuja festa se comemora hoje. 
Deixaram tudo!...diz Mateus.
Ambos hão-de entregar também as suas vidas na Cruz.
Ambos se consideraram indignos ser crucificados como o Rabi por Quem tinham abandonado tudo, naquele dia, nas margens do mar da Galileia: 
Pedro quer ser crucificado de cabeça para baixo; André escolhe uma cruz em X.
Ambos quiseram deixar bem claro quem era o Mestre e quem eram os discípulos.

E eu? 
O que é que eu tenho deixado, ao longo da minha vida, pelo meu Mestre? 
Umas poucas coisitas de pouca monta e, mesmo assim, sempre relutante, a contra-gosto.

Fico-me para aqui, agarrado às minhas redes, encostado ao meu barco e não avanço mar dentro à pesca com é meu dever. 

Ah! Porque o tempo não está favorável; talvez amanhã; porque estou cansado; porque chove; está frio; faz muito calor; não me apetece; ainda ontem fui e não apanhei nada!

Tantas razões sem razão nenhuma!

Vá! 

Nunc coepi! 

Agora...agora começo. 

Com o que tenho, com as minhas misérias e pouca coisa, com os meus enormes defeitos e pequenas virtudes mas de ouvidos bem atentos à voz de quem chama: 

Tu...! António! Vem e segue-me!

2002.01.01 

António Mexia Alves

O Evangelho do dia 30 de novembro de 2017

Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. «Segui-Me, disse-lhes, e Eu vos farei pescadores de homens». E eles, imediatamente, deixando as redes O seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca juntamente com seu pai Zebedeu, consertando as suas redes. E chamou-os. Eles, deixando imediatamente a barca e o pai, seguiram-n'O.

Mt 4, 18-22

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Homilia na Santa Missa no Kyaikkasan Ground (Yangon)

Amados irmãos e irmãs!

Há muito tempo que anelava por este momento da minha vinda ao país. Muitos de vós viestes de longe e de áreas montanhosas remotas, e não poucos mesmo a pé. Eu vim como peregrino para vos ouvir e aprender de vós, e para vos oferecer algumas palavras de esperança e consolação.
A primeira leitura de hoje, do livro de Daniel, ajuda-nos a ver como era limitada a sabedoria do rei Baltasar e dos seus videntes. Sabiam como louvar «os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra» (Dn 5, 4), mas não possuíam a sabedoria para louvar a Deus em cujas mãos está a nossa vida e a nossa respiração. Ao contrário, Daniel tinha a sabedoria do Senhor e era capaz de interpretar os seus grandes mistérios.

O intérprete definitivo dos mistérios de Deus é Jesus. Ele é a sabedoria de Deus em pessoa (cf. 1 Cor 1, 24). Jesus não nos ensinou a sua sabedoria com longos discursos ou por meio de grandes demonstrações de poder político ou terreno, mas com a oferta da sua vida na cruz. Às vezes, podemos cair na armadilha de confiar na nossa própria sabedoria, mas a verdade é que facilmente perdemos o sentido da direção. Então é necessário lembrar-nos de que dispomos, à nossa frente, duma bússola segura: o Senhor crucificado. Na cruz, encontramos a sabedoria, que pode guiar a nossa vida com a luz que provém de Deus.

E da cruz vem também a cura. Lá, Jesus ofereceu as suas feridas ao Pai por nós: mediante as suas feridas, somos curados (cf. 1 Pd2, 4). Que nunca nos falte a sabedoria de encontrar, nas feridas de Cristo, a fonte de toda a cura! Sei que muitos no Myanmar carregam as feridas da violência, quer visíveis quer invisíveis. A tentação é responder a estas lesões com uma sabedoria mundana que, como a do rei na primeira leitura, está profundamente deturpada. Pensamos que a cura possa vir do rancor e da vingança. Mas o caminho da vingança não é o caminho de Jesus.

O caminho de Jesus é radicalmente diferente. Quando o ódio e a rejeição O conduziram à paixão e à morte, Ele respondeu com o perdão e a compaixão. No Evangelho de hoje, o Senhor diz-nos que, à sua semelhança, podemos também deparar-nos com a rejeição e tantos obstáculos, mas nessa ocasião dar-nos-á uma sabedoria a que ninguém pode resistir (cf. Lc 21, 15). Aqui Ele fala do Espírito Santo, por Quem o amor de Deus foi derramado nos nossos corações (cf. Rm 5, 5). Com o dom do Espírito, Jesus torna cada um de nós capaz de ser sinal da sua sabedoria, que triunfa sobre a sabedoria deste mundo, e da sua misericórdia, que dá alívio mesmo às feridas mais dolorosas.
Na véspera da sua paixão, Jesus deu-Se aos Apóstolos sob as espécies do pão e do vinho. No dom da Eucaristia, com os olhos da fé, não só reconhecemos o dom do seu corpo e sangue, mas aprendemos também a encontrar repouso nas suas feridas, sendo nelas purificados de todos os nossos pecados e extravios. Buscando refúgio nas feridas de Cristo, possais vós, queridos irmãos e irmãs, experimentar o bálsamo salutar da misericórdia do Pai e encontrar a força de o levar aos outros, ungindo cada uma das suas feridas e dolorosas lembranças. Deste modo, sereis testemunhas fiéis da reconciliação e da paz que Deus quer que reine em cada coração humano e em todas as comunidades.

Eu sei que a Igreja no Myanmar já está a fazer muito para levar o bálsamo salutar da misericórdia de Deus aos outros, especialmente aos mais necessitados. Há sinais claros de que, mesmo com meios muito limitados, numerosas comunidades proclamam o Evangelho a outras minorias tribais, sem nunca forçar ou constringir, mas sempre convidando e acolhendo. No meio de tanta pobreza e inúmeras dificuldades, muitos de vós prestam assistência prática e solidariedade aos pobres e aos doentes. Através das canseiras diárias dos seus bispos, sacerdotes, religiosos e catequistas, e particularmente mediante o louvável trabalho do Catholic Karuna Myanmar e da generosa assistência prestada pelas Pontifícias Obras Missionárias, a Igreja neste país está a ajudar um grande número de homens, mulheres e crianças, sem distinções de religião ou de origem étnica. Posso testemunhar que aqui a Igreja está viva, que Cristo está vivo e está aqui convosco e com os vossos irmãos e irmãs das outras Comunidades cristãs. Encorajo-vos a continuar a partilhar com os outros a inestimável sabedoria que recebestes, o amor de Deus que brota do Coração de Jesus.

Jesus quer dar esta sabedoria em abundância. Ele premiará certamente os vossos esforços por espalhar sementes de cura e reconciliação nas vossas famílias, comunidades e na sociedade alargada desta nação. Porventura não nos disse Ele que a sua sabedoria é irresistível (cf. Lc 21, 15)? A sua mensagem de perdão e misericórdia obedece a uma lógica que nem todos quererão compreender, e que encontrará obstáculos. Contudo o seu amor, revelado na cruz, é definitivamente imparável. É como um GPS espiritual que nos guia infalivelmente rumo à vida íntima de Deus e ao coração do nosso próximo.

A Santíssima Virgem Maria seguiu o seu Filho mesmo na escura subida ao monte Calvário e acompanha-nos em todos os passos da nossa viagem terrena. Que Ela nos obtenha sempre a graça de ser mensageiros da verdadeira sabedoriaprofundamente misericordiosos para com os necessitados, com a alegria que brota de repousar nas feridas de Jesus, que nos amou até ao fim.

Deus vos abençoe a todos! Deus abençoe a Igreja no Myanmar! Abençoe esta terra com a sua paz! Deus abençoe o Myanmar!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

“Eu só devo falar de Deus”, escreve.

O Evangelho do dia 29 de novembro de 2017

Mas antes de tudo isto, lançar-vos-ão as mãos e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões e vos levarão à presença dos reis e dos governadores por causa do Meu nome. Isto vos será ocasião de dardes testemunho. Gravai, pois, nos vossos corações o não premeditar como vos haveis de defender, porque Eu vos darei uma linguagem e uma sabedoria à qual não poderão resistir, nem contradizer, todos os vossos inimigos. Sereis entregues por vossos pais, irmãos, parentes e amigos, e farão morrer muitos de vós; e sereis odiados de todos por causa do Meu nome; mas não se perderá um só cabelo da vossa cabeça. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.

Lc 21, 12-19

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Evangelho do dia 28 de novembro de 2017

Dizendo alguns, a respeito do templo, que estava ornado de belas pedras e de ricas ofertas, Jesus disse: «De tudo isto que vedes, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada». Então interrogaram-n'O: «Mestre, quando acontecerão estas coisas, e que sinal haverá de que estão para acontecer?». Ele respondeu: «Vede, não vos deixeis enganar; porque muitos virão em Meu nome, dizendo: Sou eu, está próximo o tempo. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e de tumultos, não vos assusteis; estas coisas devem suceder primeiro, mas não será logo o fim». Depois disse-lhes: «Levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. Haverá grandes terramotos por várias partes, pestes e fomes; aparecerão coisas espantosas e extraordinários sinais no céu.

Lc 21, 5-11

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1924

Morre o seu pai, José Escrivá. “Vi-o sofrer com alegria, sem alardear o seu sofrimento. E vi uma valentia que foi uma escola para mim, porque depois senti tantas vezes que me faltava a terra debaixo dos pés e que o céu me caía em cima, como se fosse ficar esmagado entre duas placas de ferro. Com essas lições e a graça do Senhor, talvez eu tenha perdido em alguma ocasião a serenidade, mas poucas vezes [...]. O meu pai morreu esgotado. Tinha um sorriso nos lábios e uma simpatia especial”.

O Evangelho do dia 27 de novembro de 2017

Levantando Jesus os olhos, viu vários ricos que lançavam as suas oferendas na caixa das esmolas. Viu também uma viúva pobrezinha, que lançava duas pequenas moedas, e disse: «Na verdade vos digo que esta pobre viúva lançou mais que todos os outros. Porque todos esses fizeram a Deus oferta do que lhes sobrava; ela, porém, deu da sua própria indigência tudo o que tinha para viver».

Lc 21, 1-4

domingo, 26 de novembro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1967

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação”. Quando escutamos com atenção este brado de S. Paulo, sentimo-nos comovidos e bate em nós com mais força o nosso coração. Hoje, mais uma vez o repito a mim mesmo e também o recordo a vós e à Humanidade inteira: esta é a vontade de Deus, que sejamos santos. Para pacificar as almas com uma paz autêntica, para transformar a Terra, para procurar no mundo e através das coisas do mundo a Deus Nosso Senhor, é indispensável a santidade pessoal”. É assim que começa a homilia que prega neste dia.

Bom Domingo do Senhor!

Sejamos as boas ovelhas do Senhor como Ele nos fala no Evangelho de hoje (Mt 25, 31-46) que nunca hesitemos em alimentar, saciar, acolher, vestir, visitar e apoiar os mais carenciados, pois, por muitas que sejam as nossas dificuldades, haverá sempre algo que possamos oferecer, nem que seja um simples sorriso ou uma palavra de conforto.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor que nos ensinou com o seu amor a amar o próximo!

"Christus vincit" de Jules van Nuffel e interpretado na Capela Sistina pelo 'Regensburger Domspatzen'

«Depois virá o fim, quando [Cristo] entregar o reino a Deus Pai» (1Cor 15,24)

São João XXIII (1881-1963), papa
Oração em honra do Rei eucarístico (Boletim quotidiano do Ufficio Stampa Vaticana, 24/01/1959)


Jesus, Rei dos homens e dos séculos, acolhe as homenagens de adoração e de louvor que nós, teus irmãos de adopção, Te dirigimos humildemente. Tu és «o pão de Deus que dá a vida ao mundo» (Jo 6,33), simultaneamente sumo-sacerdote e vítima. Imolaste-Te na cruz pela redenção do género humano e hoje, pela mão dos teus sacerdotes, ofereces-Te todos os dias nos altares a fim de instaurares em todos os corações o teu «Reino de santidade e de vida, de justiça e de graça, de amor e de paz» (Prefácio da festa).

Que o teu reino venha a nós, ó Rei da glória! (Sl 23) Do alto do teu «trono da graça» (Heb 4,16), reina no coração das crianças, para que elas conservem sem pecado o lírio imaculado da inocência; reina no coração dos jovens, para que cresçam sãos e puros, dóceis para com aqueles que Te representam no seio da família, da escola e da Igreja. Reina nos lares, para que pais e filhos vivam em harmonia no cumprimento da tua santíssima Lei. Reina na nossa pátria, para que todos os cidadãos, na ordem e na compreensão entre as classes sociais, se sintam filhos do mesmo Pai celeste, chamados a colaborar para o bem temporal de todos, felizes por pertenceram ao único corpo místico de que o teu sacramento é simultaneamente símbolo e fonte inesgotável!

Reina por fim, ó «Rei dos reis e Senhor dos senhores» (Ap 19,16; Dt 10,17), em todas as nações da terra e ilumina os responsáveis de todas elas para que, inspirando-se no teu exemplo, alimentem «desígnios de prosperidade e não de calamidade» (Jer 29,11). Faz com que todos os povos, Jesus eucarístico, Te sirvam em plena liberdade, conscientes de que «servir a Deus é reinar».

sábado, 25 de novembro de 2017

O Evangelho de Domingo dia 26 de novembro de 2017

«Quando, pois, vier o Filho do Homem na Sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Se sentará sobre o trono de Sua majestade. Todas as nações serão congregadas diante d'Ele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. «Dirá então o Rei aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era peregrino, e Me recolhestes; nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; estava na prisão, e fostes ver-Me”. Então, os justos Lhe responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto, e Te demos de comer; com sede, e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino, e Te recolhemos; nu, e Te vestimos? Ou quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-Te?”. O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequenos, a Mim o fizestes”. Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demónio e para os seus anjos; porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; era peregrino, e não Me recolhestes; estava nu, e não Me vestistes; enfermo e na prisão, e não Me visitastes”. Então, eles também responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não Te assistimos?”. E lhes responderá: “Em verdade vos digo: Todas as vezes que o não fizestes a um destes mais pequenos, foi a Mim que não o fizestes”. E esses irão para o suplício eterno; e os justos para a vida eterna».

Mt 25, 31-46

O dia mundial dos pobres, uma hipocrisia?!

Com o valor, certamente astronómico, da hipotética venda da Pietà, milhões de pobres, que vivem agora na miséria, poderiam ser significativamente ajudados.

Não é preciso ser muito perspicaz para adivinhar o comentário que, certamente, muitos não católicos terão feito a propósito da instituição, pelo Papa Francisco, do Dia Mundial dos Pobres: mais do que criar uma efeméride deste género, que pouco ou nada vai beneficiar os mais indigentes, melhor seria que o Vaticano abrisse mão dos seus fabulosos tesouros e, com o valor da venda desses bens, ajudasse efectivamente os pobres. Caso contrário, o Dia Mundial dos Pobres, que teve a sua primeira edição no passado 19 de Novembro, arrisca-se a ser uma rematada hipocrisia.

A alegada duplicidade da Igreja em relação à questão social, recorda a falsa lenda da cínica dama que, ricamente vestida e ostentando luxuosas jóias, assim teria respondido a um mendigo, à saída de um baile de caridade: – Como é que o senhor se atreve a pedir-me esmola, quando estive a noite toda a dançar por sua causa?!

A imensa riqueza da Igreja católica, nomeadamente a do Vaticano, é um tópico recorrentemente referido pelos anticlericais. Em abono da verdade, não se pode deixar de reconhecer que a Basílica de São Pedro, o palácio apostólico, a Capela Sixtina, a biblioteca e os Museus Vaticanos encerram obras de arte de incalculável valor. É certo que esses tesouros não são directamente rentáveis – é provável que as receitas decorrentes da sua exposição ao público não sirvam sequer para cobrir os gastos inerentes à sua conservação – mas não se pode negar que, a venda de algumas dessas obras de arte, seria suficiente para matar a fome a muita gente.

Pense-se, por exemplo, na ‘Pietà’ de Miguel ngelo: não sendo essa famosa imagem de Nossa Senhora da Piedade essencial à missão da Igreja, porque não se promove a sua venda, em leilão mundial? Os 450 milhões de dólares por que foi recentemente arrematado o quadro ‘Salvator Mundi’, de Leonardo da Vinci, poderiam ser facilmente ultrapassados pela ‘Pietà’. Com o valor certamente astronómico dessa extraordinária receita, milhões de pobres, que vivem agora na maior miséria, poderiam ver significativamente melhorada a sua vida.

É verdade. Como verdade é também que esta mesma crítica se poderia fazer a outras entidades, a começar pelo Estado português. É significativo que, mesmo nos tempos da mais severa austeridade nacional, ninguém tenha sugerido que o Museu Nacional de Arte Antiga vendesse algumas das suas obras mais valiosas – como, por exemplo, o tríptico de Nuno Gonçalves – mesmo sabendo que uma tal alienação iria permitir ao Estado auferir uma receita não despicienda. Mais ainda, foi precisamente em 2015 e 2016 que, paradoxalmente, se lançou uma campanha nacional para a adquisição, por 750 mil euros, de ‘A adoração dos Magos’, de Domingos António Sequeira. Felizmente conseguiu-se, por subscrição pública, resgatar essa obra e devolvê-la ao património nacional. Curiosamente, não consta que alguém tenha considerado hipócrita aquela campanha…

Também até agora não se ouviu, que se saiba, nenhuma voz reclamando a venda desse quadro, ou de outro qualquer tesouro nacional, em proveito das vítimas dos incêndios. Ninguém considerou hipócritas a presidência da república, o parlamento ou o governo, pelo facto de não terem disponibilizado os bens dos museus nacionais para esse efeito. Os partidos políticos e as centrais sindicais, sempre tão preocupados com os pobres, também não avançaram com nenhuma proposta nesse sentido, sem que ninguém os tivesse acusado de farisaísmo. Pelos vistos, a hipocrisia é uma virtude exclusiva dos católicos e da respectiva Igreja…

Por incrível que pareça, o que muitos queriam que a Igreja fizesse com os seus bens, já aconteceu no nosso país. Com efeito, com o liberalismo, todos os conventos masculinos foram extintos, bem como os femininos, embora estes só depois da morte da última religiosa. Alguns dos conventos expropriados e os seus recheios foram integrados no património nacional, mas a maior parte desses bens imóveis e móveis foram vendidos em hasta pública e depois vorazmente delapidados. Edifícios, imagens de arte sacra e bibliotecas de enorme valor artístico e cultural, que as ordens religiosas tinham, durante séculos, criado e conservado, a bem da nação, perderam-se para sempre. Henrique Leitão e Luana Giurgevich publicaram, recentemente, numa obra de referência (‘Clavis bibliothecarum’, 2016), os catálogos e inventários das instituições religiosas em Portugal, até 1834. Mais de quatrocentas bibliotecas desapareceram com essa catástrofe cultural, só comparável ao terramoto de 1755 e à tragédia que foi, para o ensino nacional e a cultura científica portuguesa, a expulsão dos jesuítas, em 1759.

Que aconteceu ao quadro ‘Salvator Mundi’, recentemente comprado em leilão, por um desconhecido multimilionário? Pura e simplesmente desapareceu, para o público em geral, que já o não pode contemplar: infelizmente, pôde mais o poder económico de um só do que o legítimo interesse cultural de todos. O mesmo aconteceria à ‘Pietà’, ou aos outros tesouros artísticos do Vaticano, se tivessem o mesmo destino. Esses bens são, de facto, da humanidade; a Igreja católica apenas os conserva e garante que estejam à disposição de todos, sobretudo dos mais pobres. Qualquer sem-abrigo pode agora entrar na Basílica de São Pedro e contemplar, gratuitamente e durante o tempo que quiser, esta magnífica escultura de Miguel Ângelo, que lhe estaria interdita se fosse propriedade privada, como é agora o ‘Salvator Mundi’. Se essa imagem mariana fosse também eventualmente leiloada, seriam todos os pobres os principais prejudicados, mesmo que o dinheiro da sua venda revertesse a favor de alguns deles. É porque a ‘Pietà’ é da Igreja que é de todos nós, também dos não-crentes e, sobretudo, dos pobres.

Jesus Cristo, sendo rico, fez-se pobre, para que todos fossemos ricos na sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9). A sua Igreja, sendo pobre e para os pobres, como recordou o Papa Francisco, fez-se rica, para que todos os pobres possam ser ricos com a sua riqueza.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador

(seleção de imagem 'Spe Deus')

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Escreve: “Não te perturbes se, ao considerar as maravilhas do mundo sobrenatural, sentes a outra voz – íntima, insinuante – do “homem velho”. É “o corpo de morte” a clamar pelos seus foros perdidos... Basta-te a graça: sê fiel e vencerás”

Hino de louvor a Jesus Cristo

Ó glória eterna do Céu,
Esperança dos mortais,
Filho único de Deus
E da Virgem sem pecado:

Estendei a vossa mão
Aos que anseiam por erguer-se.
Toda a alma se levante
E dê graças ao Senhor.

Resplandeça a madrugada,
Livre do poder das trevas,
E o fulgor da santidade
Ilumine a nossa vida;

E liberte os corações
Da escuridão do mundo;
E conserve o nosso peito
Em pureza permanente.

Vivamos para o Senhor,
Caminhando à luz da fé,
Animados na esperança,
Unidos na caridade.

Dêmos glória a Deus Eterno
E a seu Filho, em união
Com o Espírito Paráclito
Pelos séculos dos séculos.

A unidade dos Doze, unidade da Igreja

Hoje tomamos em consideração dois dos doze Apóstolos: Simão o Cananeu e Judas Tadeu (que não se deve confundir com Judas Iscariotes). Consideramo-los juntos, não só porque nas listas dos Doze são sempre mencionados um ao lado do outro (cf. Mt 10, 4;Mc 3, 18; Lc 6, 15; Act 1, 13), mas também porque as notícias que a eles se referem não são muitas, excepto o facto de o cânone neo-testamentário conservar uma carta atribuída a Judas Tadeu.

Simão recebe um epíteto que varia nas quatro listas: Mateus qualifica-o como «cananeu», Lucas define-o como «zelote». Na realidade, as duas qualificações equivalem-se, porque significam a mesma coisa; de facto, na língua hebraica, o verbo qanà' significa «ser zeloso», «ser dedicado» [...]. Portanto, é possível que este Simão, se não pertencia exactamente ao movimento nacionalista dos Zelotes, tivesse pelo menos como característica um fervoroso zelo pela identidade judaica, por conseguinte, por Deus, pelo seu povo e pela Lei divina. Sendo assim, Simão coloca-se nos antípodas de Mateus que, ao contrário, sendo publicano, provinha de uma actividade considerada totalmente impura.

Sinal evidente de que Jesus chama os Seus discípulos e colaboradores das camadas sociais e religiosas mais diversas, sem exclusão alguma. Ele interessa-Se pelas pessoas, não pelas categorias ou pelas actividades sociais! E o mais belo é que no grupo dos Seus seguidores, todos, mesmo que diversos, coexistiam, superando as imagináveis dificuldades; de facto, o motivo de coesão era o próprio Jesus, no qual todos se reencontravam unidos. Isto constitui claramente uma lição para nós, com frequência propensos a realçar as diferenças e talvez as contraposições, esquecendo que em Jesus Cristo nos é dada a força para superarmos os nossos conflitos. Tenhamos também presente que o grupo dos Doze é a prefiguração da Igreja, na qual devem ter espaço todos os carismas, povos e raças, todas as qualidades humanas, que encontram a sua composição e a sua unidade na comunhão com Jesus.

Bento XVI Audiência geral de 11/10/2006

O Evangelho do dia 25 de novembro de 2017

Aproximaram-se depois alguns saduceus, que negam a ressurreição, e fizeram-Lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: “Se morrer o irmão de algum homem, tendo mulher, e não deixar filhos, case-se com ela o seu irmão, para dar descendência ao irmão”. Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou, e morreu sem filhos. Casou também o segundo com a viúva, e morreu sem filhos. Casou depois com ela o terceiro. E assim sucessivamente todos os sete; e morreram sem deixar filhos. Morreu enfim também a mulher. Na ressurreição, de qual deles será ela mulher, pois que o foi de todos os sete?». Jesus disse-lhes: «Os filhos deste mundo casam e são dados em casamento, mas os que forem julgados dignos do mundo futuro e da ressurreição dos mortos, não desposarão mulheres, nem as mulheres homens, porque não poderão jamais morrer; porquanto são semelhantes aos anjos e são filhos de Deus, visto serem filhos da ressurreição. Que os mortos hajam de ressuscitar, o mostrou também Moisés no episódio da sarça, quando chamou ao Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob. Ora Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos são vivos». Alguns dos escribas disseram-Lhe: «Mestre, falaste bem». Dali em diante, não se atreveram mais a interrogá-l'O.

Lc 20, 27-40

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Escreve: “Um amigo é um tesouro. – Quanto mais... um Amigo! Onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”

O caminho de São Josemaria Escrivá através dos Pirenéus em Novembro de 1937 (legendado em português)

O Evangelho do dia 24 de novembro de 2017

Tendo entrado no templo, começou a expulsar os vendedores, dizendo-lhes: «Está escrito: “A Minha casa é casa de oração; e vós fizestes dela um covil de ladrões”». Todos os dias ensinava no templo. Mas os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os chefes do povo procuravam perdê-l'O; porém, não sabiam como proceder, porque todo o povo estava suspenso quando O ouvia.

Lc 19, 45-48

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1972

“Cada alma vale todo o sangue de Cristo, e merece que estudemos cada alma, como estuda o que vai lapidar um diamante em bruto, o método que vai utilizar para que brilhe mais e valha mais”, diz perante as centenas de pessoas que o escutam na escola desportiva Brafa, Barcelona.

O Evangelho do dia 23 de novembro de 2017

Quando chegou perto, ao ver a cidade, chorou sobre ela, dizendo: «Se ao menos neste dia que te é dado, tu também conhecesses o que te pode trazer a paz!... Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque virão para ti dias em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão, te apertarão por todos os lados, te deitarão por terra a ti e aos teus filhos que estão dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada».

Lc 19, 41-44

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A Missa é o memorial do Mistério pascal de Cristo (audiência)

Locutor Cada celebração da Eucaristia é um raio daquele Sol sem ocaso que é Jesus Cristo ressuscitado: participar na Missa significa entrar na vitória do Ressuscitado, ser iluminado pela sua luz, ser abrasado pelo seu calor. O Senhor Jesus arrasta-nos consigo na sua Páscoa, na sua passagem da morte para a vida, do tempo para a eternidade. Na Missa, unimo-nos a Ele; mais ainda, Cristo vive em nós e nós vivemos n’Ele, podendo cada qual dizer como São Paulo: «Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim». A participação na Eucaristia faz-nos entrar no mistério pascal de Cristo, permitindo-nos passar com Ele da morte para a vida. A Páscoa de Cristo é a vitória definitiva sobre a morte, porque Ele transformou a sua morte em ato supremo de amor. E, na Eucaristia, Jesus quer comunicar-nos este seu amor pascal, este seu amor vitorioso: se o recebermos com fé, também nós podemos amar verdadeiramente a Deus e ao próximo, podemos amar como Ele nos amou a nós, isto é, dando a vida. Se o amor de Cristo está em mim, posso dar-me plenamente aos outros, com a certeza íntima de que, mesmo se o outro me ferir de morte, não morrerei. Se não estivesse certo disto, deveria defender-me. Os mártires deram a sua vida precisamente porque tinham a certeza da vitória de Cristo sobre a morte. Somente se experimentarmos este poder de Cristo, o poder do seu amor, é que somos verdadeiramente livres para nos dar sem medo aos outros. Deste modo, sempre que celebramos a Eucaristia, torna-se presente e operante em nós a Páscoa. Daí dizermos que a Missa é um memorial da Páscoa: recorda e realiza em nós a Páscoa de Cristo.


Santo Padre
Cari pellegrini di lingua portoghese, cordiali saluti a tutti voi, in particolare al gruppo di Nova Suíça, Belo Horizonte: vi invito a guardare con fiducia il vostro futuro in Dio, portando il fuoco del suo amore nel mondo. È la grazia della Pasqua che fruttifica nell’Eucaristia e che desidero abbondante nelle vostre vite, famiglie e comunità. Volentieri benedico voi e i vostri cari!


Locutor Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações a todos vós, de modo particular ao grupo de Nova Suíça, Belo Horizonte: convido-vos a olhar com confiança o vosso futuro em Deus, levando o fogo do seu amor ao mundo. É a graça da Páscoa que frutifica na Eucaristia e que desejo abundante nas vossas vidas, famílias e comunidades. De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1937

Na noite de 21 para 22 de Novembro de 1937 Nossa Senhora quis dar a São Josemaría um sinal visível de que o acompanhava muito de perto naqueles dias — tão duros — da passagem dos Pirinéus: uma rosa de madeira estofada, que provavelmente tinha pertencido a algum dos altares da igreja junto à qual tinha passado a noite.

Na foto, a rosa de madeira estofada que São Josemaría encontrou na igreja - totalmente destroçada por dentro em Pallerols. Muito provavelmente pertencia ao retábulo de uma imagem da Virgem do Rosário que havia na igreja antes da guerra civil espanhola. Em 1936 atiraram todas as imagens ao campo e queimaram-nas; a rosa devia ser um dos poucos restos que ficaram daquele retábulo.

(Fonte: site de S. Josemaría Escrivá http://www.pt.josemariaescriva.info/)


Vídeo com palavras de D. Joan-Enric Vives em 2012, arcebispo de Urgell em língua basca e legendado em espanhol

O Evangelho do dia 22 de novembro de 2017

Estando eles a ouvir estas coisas, Jesus acrescentou uma parábola, por estar perto de Jerusalém e porque julgavam que o reino de Deus se havia de manifestar em breve. Disse pois: «Um homem nobre foi para um país distante tomar posse de um reino, para depois voltar. Chamando dez dos seus servos, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai com elas até eu voltar. Mas os seus concidadãos aborreciam-no e enviaram atrás dele deputados encarregados de dizer: Não queremos que este reine sobre nós. «Quando ele voltou, depois de ter tomado posse do reino, mandou chamar aqueles servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber quanto tinha lucrado cada um. Veio o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. Ele disse-lhe: Está bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, serás governador de dez cidades. Veio o segundo e disse: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. Respondeu-lhe: Sê tu também governador de cinco cidades. Veio depois o outro e disse: Senhor, eis a tua mina que guardei embrulhada num lenço, porque tive medo de ti, que és um homem austero, que tiras donde não puseste e recolhes o que não semeaste. Disse-lhe o senhor: Servo mau, pela tua mesma boca te julgo. Sabias que eu sou um homem austero, que tiro donde não pus e recolho o que não semeei; então, porque não puseste o meu dinheiro num banco, para que, quando eu viesse, o recebesse com os juros? Depois disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez. Eles responderam-lhe: Senhor, ele já tem dez. Pois eu vos digo que àquele que tiver, se lhe dará; mas àquele que não tem, ainda mesmo o que tem lhe será tirado. Quanto, porém, àqueles meus inimigos, que não quiseram que eu fosse seu rei, trazei-os aqui e degolai-os na minha presença!». Dito isto, ia Jesus adiante, subindo para Jerusalém.

Lc 19, 11-28

terça-feira, 21 de novembro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1965

Paulo VI inaugura o Centro Elis, em Roma, um centro de formação profissional para operários no bairro Tiburtino, dirigido por membros do Opus Dei. Ao terminar, abraça o fundador e visivelmente emocionado diz-lhe: “Tudo aqui é Opus Dei”.

O Evangelho do dia 21 de novembro de 2017

Tendo entrado em Jericó, atravessava a cidade. Eis que um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos publicanos e rico, procurava conhecer de vista Jesus, mas não podia por causa da multidão, porque era pequeno de estatura. Correndo adiante, subiu a um sicómoro para O ver, porque havia de passar por ali. Quando chegou Jesus àquele lugar, levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, porque convém que Eu fique hoje em tua casa». Ele desceu a toda a pressa, e recebeu-O alegremente. Vendo isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa de um homem pecador». Entretanto, Zaqueu, de pé diante do Senhor, disse-Lhe: «Eis, Senhor, que dou aos pobres metade dos meus bens e, naquilo em que tiver defraudado alguém, restituir-lhe-ei o quádruplo». Jesus disse-lhe: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido».

Lc 19, 1-10

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Santuário de Fátima encerra Ano Jubilar do Centenário das Aparições

Cerimónia vai ser presidida por D. António Marto na Basílica da Santíssima Trindade

O Santuário de Fátima, no próximo dia 26 de novembro, em que se assinala a Solenidade de Cristo Rei, promove a jornada de encerramento do Ano Jubilar do Centenário das Aparições. O programa terá inicio às 10h00 com o rosário, na Capelinha das Aparições, seguido de missa, na Basílica da Santíssima Trindade pelas 11h00. No final da missa haverá uma procissão até à Capelinha onde será feita uma consagração a Nossa Senhora. Pelas 17h30, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário acolhe a oração de Vésperas.

As celebrações serão presididas por D. António Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima, mas que estará como delegado Pontifício, por indicação do Papa Francisco.

A Penitenciaria Apostólica decretou que o Ano Jubilar do Centenário das Aparições encerrasse a 26 de novembro, e concedeu a todos os bispos, presbíteros e diáconos, religiosos e religiosas, bem como a todos os fiéis leigos presentes, que participassem nas celebrações como verdadeiros penitentes a Bênção Papal, com a correspondente indulgência plenária nas habituais condições.

Os peregrinos que por outras circunstâncias não pudessem estar presentes mas acompanhassem através dos meios de comunicação social, podiam obter também a indulgência plenária segundo as normas canónicas.

O Papa Francisco concedeu ao Santuário de Fátima um Ano Jubilar, no contexto dos 100 anos das Aparições de Nossa Senhora, com indulgência plenária, entre o dia 27 de novembro de 2016 e 26 de novembro de 2017.

A indulgência plenária do jubileu foi concedida neste período a quem visitasse em oração o Recinto da Cova da Iria, pela veneração de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima ou aos idosos ou doentes que se unirem “espiritualmente às celebrações jubilares”.

A indulgência plenária foi concedida “aos fiéis que visitam em peregrinação o Santuário de Fátima e aí participam devotamente em alguma celebração ou oração em honra da Virgem Maria, rezam a oração do Pai-Nosso, recitam o símbolo da fé (Credo) e invocam Nossa Senhora de Fátima”.

O documento indicava também que poderia receber a indulgência plenária “fiéis piedosos que visitarem com devoção uma imagem de Nossa Senhora de Fátima exposta solenemente à veneração pública em qualquer templo, oratório ou local adequado, nos dias do aniversário das aparições (dia 13 de cada mês, desde maio a outubro de 2017), e aí participarem devotamente em alguma celebração ou oração em honra da Virgem Maria, rezarem a oração do Pai-Nosso, recitarem o símbolo da fé (Credo) e invocarem Nossa Senhora de Fátima”.

As pessoas que impedidas de se deslocarem por motivos “idade, doença ou outra causa grave” puderam também receber a indulgência plenária “frente a uma pequena imagem de Nossa Senhora de Fátima” unindo-se “espiritualmente às celebrações jubilares” nos dias das aparições.

A indulgência é definida no Código de Direito Canónico (cf. cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica (n. 1471) como “a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em determinadas condições pela ação da Igreja”.

O Ano Jubilar do Centenário das Aparições foi solenemente inaugurado a 27 de novembro de 2016, com a passagem pelo Pórtico Jubilar e com a celebração da eucaristia dominical na Basílica da Santíssima Trindade, por ser um ano de especial graça.

“O Ano Jubilar é um ano de compromisso com Deus e com os irmãos, acolhendo os desafios da mensagem de Fátima e o exemplo de vida dos pastorinhos”, disse o reitor do Santuário de Fátima por ocasião da jornada de abertura.

“Ao celebrarmos o grande acontecimento de Fátima, damos graças a Deus por todas as bênçãos que Ele derrama sobre nós em Fátima, através da mensagem transmitida neste lugar e dos seus protagonistas”, disse ainda o Pe. Carlos Cabecinhas.

No passado dia 13 de outubro, o bispo da diocese de Leiria-Fátima encerrou as celebrações do Centenário, numa sessão em que esteve presente o Presidente da Republica e que decorreu na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

“Hoje, estamos aqui a viver um momento histórico e único, para Fátima, para a Igreja, para Portugal e para todos os peregrinos de Fátima, o encerramento solene do Centenário das Aparições”, disse D. António Marto na altura.

O bispo de Leiria-Fátima falou num “itinerário de festa”, para públicos variados, e num momento de ação de graças pelo facto de Fátima “se ter espalhado pelo mundo inteiro deixando um rasto de luz e de esperança”.

Estima-se que participaram em celebrações cerca de 50 milhões de peregrinos e terão passado mais de 70 milhões de pessoas pelo Santuário ao longo dos últimos sete anos.

A partir do dia 2 de dezembro, começa um novo ciclo agora de três anos, que pretende dar continuidade a esta dinâmica.

Fonte: Newsletter do Santuário de Fátima

São Josemaría Escrivá nesta data em 1937

Encontra-se numa quinta de Vilaró (Barcelona), no dia a seguir a ter iniciado a travessia que os conduziria a Andorra através dos Pirinéus.

O “dono” da quinta, Pere Sala, ficou feliz quando o Padre disse que era sacerdote e que desejava celebrar a missa.

Numa das salas da casa preparam uma mesa, e de uma das mochilas da expedição retiraram o que tinham arranjado com cuidado em Barcelona: as partículas, um copinho de cristal que serviria de cálice, pequenos corporais, purificadores, um crucifixo, a garrafinha de vinho de missa e o caderno em que tinha copiado alguns textos das missas.

O Evangelho do dia 20 de novembro de 2017

Sucedeu que, aproximando-se eles de Jericó, estava sentado à beira da estrada um cego a pedir esmola. Ouvindo a multidão que passava, perguntou que era aquilo. Disseram-lhe que era Jesus Nazareno que passava. Então ele clamou: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!». Os que iam adiante repreendiam-no para que se calasse. Porém, ele, cada vez gritava mais: «Filho de David, tem piedade de mim!». Jesus, parando, mandou que Lho trouxessem. Quando ele chegou, interrogou-o: «Que queres que te faça?». Ele respondeu: «Senhor, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vê; a tua fé te salvou». Imediatamente, recuperou a vista, e foi-O seguindo, glorificando a Deus. Todo o povo, vendo isto, deu louvores a Deus.

Lc 18, 35-43

domingo, 19 de novembro de 2017

Homilia Santa Missa Dia Mundial dos Pobres

Temos a alegria de repartir o pão da Palavra e, em breve, de repartir e receber o Pão eucarístico, alimentos para o caminho da vida. Deles precisamos todos nós, sem excepções, porque todos somos mendigos do essencial, do amor de Deus, que nos dá o sentido da vida e uma vida sem fim. Por isso, também hoje, estendemos a mão para Ele a fim de receber os seus dons.

E, precisamente de dons, nos fala a parábola do Evangelho. Diz-nos que somos destinatários dos talentos de Deus, «cada qual conforme a sua capacidade» (Mt 25, 15). Antes de mais nada, reconheçamos isto: temos talentos, somos «talentosos» aos olhos de Deus. Por isso ninguém pode considerar-se inútil, ninguém pode dizer-se tão pobre que não possua algo para dar aos outros. Somos eleitos e abençoados por Deus, que deseja cumular-nos dos seus dons, mais do que um pai e uma mãe o desejam fazer aos seus filhos. E Deus, aos olhos de Quem nenhum filho pode ser descartado, confia uma missão a cada um.

De facto, como Pai amoroso e exigente que é, responsabiliza-nos. Vemos, na parábola, que a cada servo são dados talentos para os multiplicar. Mas enquanto os dois primeiros realizam a missão, o terceiro servo não faz render os talentos; restitui apenas o que recebera: «Com medo – diz ele –, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence» (25, 25). Como resposta, este servo recebe palavras duras: «mau e preguiçoso» (25, 26). Nele, que desagradou ao Senhor? Diria, numa palavra (talvez caída um pouco em desuso mas muito atual), a omissão. O seu mal foi o de não fazer o bem. Muitas vezes também nos parece não ter feito nada de mal e com isso nos contentamos, presumindo que somos bons e justos. Assim, porém, corremos o risco de nos comportar como o servo mau: também ele não fez nada de mal, não estragou o talento, antes guardou-o bem na terra. Mas, não fazer nada de mal, não basta. Porque Deus não é um controlador à procura de bilhetes não timbrados; é um Pai à procura de filhos, a quem confiar os seus bens e os seus projetos (cf. 25, 14). E é triste, quando o Pai do amor não recebe uma generosa resposta de amor dos filhos, que se limitam a respeitar as regras, a cumprir os mandamentos, como jornaleiros na casa do Pai (cf. Lc 15, 17).

O servo mau, uma vez recebido o talento do Senhor que gosta de partilhar e multiplicar os dons, guardou-o zelosamente, contentou-se com salvaguardá-lo; ora não é fiel a Deus quem se preocupa apenas de conservar, de manter os tesouros do passado, mas, como diz a parábola, aquele que junta novos talentos é que é verdadeiramente «fiel» (25, 21.23), porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor, joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Descuida só uma coisa: o próprio interesse. Esta é a única omissão justa.

E a omissão é também o grande pecado contra os pobres. Aqui assume um nome preciso: indiferença. Esta é dizer: «Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade». É passar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar de canal, logo que um problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal mas sem fazer nada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem.

Como podemos então, concretamente, agradar a Deus? Quando se quer agradar a uma pessoa querida, por exemplo dando-lhe uma prenda, é preciso primeiro conhecer os seus gostos, para evitar que a prenda seja mais do agrado de quem a dá do que da pessoa que a recebe. Quando queremos oferecer algo ao Senhor, os seus gostos encontramo-los no Evangelho. Logo a seguir ao texto que ouvimos hoje, Ele diz: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Estes irmãos mais pequeninos, seus prediletos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre e o abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechados pela dor, as palavras d’Ele: «Isto é o meu corpo» (Mt 26, 26). No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seus amigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar. Deus tem em grande apreço, Ele aprecia o comportamento que ouvimos na primeira Leitura: o da «mulher forte» que «estende os braços ao infeliz, e abre a mão ao indigente» (Prv 31, 10.20). Esta é a verdadeira fortaleza: não punhos cerrados e braços cruzados, mas mãos operosas e estendidas aos pobres, à carne ferida do Senhor.

Lá, nos pobres, manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, Se fez pobre (cf. 2 Cor 8, 9). Por isso neles, na sua fragilidade, há uma «força salvífica». E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso «passaporte para o paraíso». Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais.

E isto far-nos-á bem: abeirar-nos de quem é mais pobre do que nós, tocará a nossa vida. Lembrar-nos-á aquilo que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo. Só isto dura para sempre, tudo o resto passa; por isso, o que investimos em amor permanece, o resto desaparece. Hoje podemos perguntar-nos: «Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?» Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se , e «quem amontoa para si não é rico em relação a Deus» (cf. Lc 12, 21). Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará. O Senhor, que tem compaixão das nossas pobrezas e nos reveste dos seus talentos, nos conceda a sabedoria de procurar o que conta e a coragem de amar, não com palavras, mas com obras.