Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 31 de maio de 2021

São Josemaría Escrivá sobre a Festa da Visitação de Nossa Senhora

Visitação da Santíssima Virgem. Assim comenta este mistério do Rosário: “Caminhamos apressadamente em direcção às montanhas, até uma aldeia da tribo de Judá (Luc., I, 39). Chegamos. – É a casa onde vai nascer João Baptista. – Isabel aclama, agradecida, a Mãe do Redentor: Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! – A que devo eu tamanho bem, que venha visitar-me a Mãe do meu Senhor? (Luc., I, 42 e 43). O Baptista, ainda por nascer, estremece… (Luc., I, 41). A humildade de Maria derrama-se no Magnificat… - E tu e eu, que somos – que éramos – uns soberbos, prometemos ser humildes”.

Visitação de Nossa Senhora

A Igreja celebra a festa da Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel, em Ain-Karin, na Judeia. Isabel estava grávida de São João Batista, o precursor de Jesus. É o encontro de duas mulheres que celebram jubilosas a vinda de Jesus Salvador: o Reino de Deus, a Boa Nova, as promessas de Deus já estão cumpridas e continuam a cumprir-se no meio dos homens de boa vontade. No seu Evangelho, São Lucas afirma: naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: "Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre!" (Lucas 1,39ss.). É o milagre da vida que brota com força e poder e vence o mundo. É a força e o poder da Palavra de Deus que faz a Virgem conceber e permite que aquela que era estéril dê à luz (Lucas 1,30ss.). É por isso que Maria, trazendo Jesus em seu seio, irrompe neste sublime canto de alegria e júbilo que é o "Magnificat" (Lucas 1,46-55).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 30 de maio de 2021

Amar a Cristo...

Senhor Jesus, obrigado pela perseverança que nos tens ensinado ao longo da vida, muitas vezes procurávamos tornear as dificuldades seguindo caminhos menos apropriados ou simplesmente desistíamos, hoje graças à nossa confiança em Ti sabemos procuramos ser pacientes para alcançarmos aquilo que nos é pedido por Ti e pelos outros.

O santo da nossa devoção dava como feliz imagem o burrico que a puxar a nora nunca desistia, querido Jesus, faz de nós burricos perseverantes e formigas trabalhadoras sempre cheios de confiança e humildade.

Amado Jesus, que a Tua Luz nos guie sempre em direcção a Ti, ao Pai e ao Espírito Santo.

JPR

Na tua alma em graça habita a Santíssima Trindade

A Trindade Santíssima coroou a nossa Mãe. - Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, pedir-nos-á contas de toda a palavra ociosa. Mais um motivo para que digamos a Santa Maria que nos ensine a falar sempre na presença do Senhor. Sulco, 926

A Trindade Santíssima concede-te a sua graça, e espera que a aproveites responsavelmente: em face de tanto benefício, não se pode andar com atitudes cómodas, lentas, preguiçosas..., porque, além disso, as almas te esperam.  Sulco, 957

Deus está contigo. Na tua alma em graça habita a Santíssima Trindade.
- Por isso, tu, apesar das tuas misérias, podes e deves estar em contínuo diálogo com o Senhor. Forja, 261

Aprende a louvar o Pai e o Filho e o Espírito Santo. Aprende a ter uma especial devoção pela Santíssima Trindade: creio em Deus Pai, creio em Deus Filho, creio em Deus Espírito Santo; espero em Deus Pai, espero em Deus Filho, espero em Deus Espírito Santo; amo a Deus Pai, amo a Deus Filho, amo a Deus Espírito Santo. Creio, espero e amo a Trindade Santíssima.
- Faz-nos falta esta devoção como um exercício sobrenatural da alma, que se traduz em atos do coração, ainda que nem sempre se verta em palavras. Forja, 296

São Josemaria Escrivá

Santa Joana d'Arc, virgem, mártir, († Rouen, França, 1431)

A donzela suscitada por Deus para libertar a França dos ingleses, depois de vencer as resistências dos que não queriam reconhecer a sua missão, conseguiu obter vitórias espantosas sobre os invasores e obteve a coroação do rei Carlos VII em Reims. Sua obra parecia terminada, mas Deus ainda queria dela um sacrifício supremo. Traída e entregue aos ingleses, foi julgada iniquamente e queimada como feiticeira. Mais tarde a Igreja a reabilitou e reconheceu a heroicidade de suas virtudes. Foi beatificada em 1909, pelo Papa São Pio X, e canonizada por Bento XV em 1920.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O mistério da Santíssima Trindade visto por um simples crente

Adoração da Santíssima Trindade de Albrecht Dürer
Conheço algumas pessoas que têm dificuldade em contextualizar o Mistério da Santíssima Trindade, incluindo alguns Sacerdotes, todos eles profundamente crentes, mas que não conseguem verbalizar a sua Fé a este respeito.

Dito isto, peço-vos antecipadamente desculpa pelo meu aventureirismo, sobretudo considerando a minha formação extremamente elementar e sem quaisquer estudos em teologia, ao propor-me compartilhar convosco a minha visão sobre a Santíssima Trindade.

É-nos fácil entender que o Pai na Sua infinita bondade e para nossa salvação e melhor compreensão nos tenha enviado o Seu Filho, que na essência é Ele próprio feito homem, e que ao assumir a condição de humana, além da Divina que Lhe é inerente, nos permite na nossa simplicidade terrena ter uma forma de O “visualizar”.

Recebê-Lo, poder beijá-Lo no Presépio, colocá-Lo na palma da mão ou dar-Lhe colo, poder abraçá-Lo na Cruz, beijá-Lo, enfim, assumi-Lo como nosso Pai, Irmão, Mestre, Redentor, Salvador e Amor da nossa vida, dá-nos uma alegria humana imediata pois sentimo-Lo na Sagrada Eucaristia e vemo-Lo nos Evangelhos e na representação em imagem ou ícone.

Ora, o Pai através de Jesus Cristo, Seu amadíssimo Filho, foi ainda mais bondoso ao anunciar-nos que nos enviaria o Seu Espírito. É certo que O não vemos, mas com profundo sentido de Fé sabemos que está connosco desde o Baptismo, sentimo-Lo permanentemente no nosso coração, nos mais pequenos atos da nossa vida, quando dizemos ao próximo que o amamos ou nos preocupamos com ele, é o Espírito Santo que está a actuar nosso coração e discernimento. Quando beijamos a Virgem Santíssima ou lhe fazemos uma pequena jaculatória, é o Espírito Santo, que amável e bondosamente nos guia, ou seja, não há momento algum da nossa vida em que Ele não esteja presente, mesmo quando pecamos Ele está dentro de nós, nós é que empedernidos e cedendo às tentações das trevas, Lhe fechamos a porta e tapamos os ouvidos. Mas também é Ele, que sempre misericordioso nos ajuda a arrepender e a confessar os nossos pecados, às vezes, se calhar demasiadas vezes, demoramos tempo a ouvi-Lo, mas a Sua bondade e paciência são inesgotáveis.

Reparem na alegria que sentimos, cada vez que no exame de consciência, nos apercebemos de algo que não havíamos descortinado anteriormente, mas que é merecedor do nosso arrependimento, pois é Deus Pai, conjuntamente com Deus Filho e Deus Espírito Santo, que são um só Deus que na forma deste último, actua sobre nós e nos encaminha.

Bem-haja!

JPR

Festa da Santíssima Trindade

A Festa que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Na primeira leitura, Jahwéh revela-se como o Deus da relação, empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. É um Deus que vem ao encontro dos homens, que lhes fala, que lhes indica caminhos seguros de liberdade e de vida, que está permanentemente atento aos problemas dos homens, que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer perspetivas de vida plena e verdadeira.

A segunda leitura, confirma a mensagem da primeira: o Deus em quem acreditamos, não é um Deus distante e inacessível, que se demitiu do seu papel de criador e que assiste com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens; é um Deus que acompanha com paixão a caminhada da humanidade e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.

No Evangelho, Jesus dá a entender que ser seu discípulo é aceitar o convite para se vincular com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os discípulos de Jesus recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida no meio do mundo e são enviados a apresentar, a todos os homens e mulheres, sem exceção, o convite de Deus para integrar a comunidade trinitária.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sábado, 29 de maio de 2021

Eucaristia e sacrifício

A Eucaristia é sacrifício. Ao ouvirmos esta frase, experimentamos resistência no nosso íntimo. Levanta-se a pergunta: Quando falamos de sacrifício, não estaremos formando uma imagem indigna, ou pelo menos ingénua, de Deus? Não acabaremos pensando que nós, os homens, podemos e até devemos dar algo a Deus?

A Eucaristia responde precisamente a essas questões. A primeira coisa que nos diz é que Deus se entrega a nós para que nós possamos, por nossa vez, dar-nos a Ele. No sacrifício de Jesus Cristo, a iniciativa vem de Deus. No começo, foi Ele quem se abaixou primeiro. [...]

Cristo não é uma oferenda que nós, os homens, apresentamos a um Deus irritado; pelo contrário, o facto de Ele estar aqui, de viver, sofrer e amar, já é obra do amor de Deus [...]. É o amor misericordioso de Deus que se abaixa até nós; é o Senhor quem se faz a si mesmo servo por nós. Embora sejamos nós que causamos o conflito, e embora o culpado não seja Deus, mas nós, é Ele quem vem ao nosso encontro e quem, em Cristo, pede a reconciliação [...].

Quanto mais andamos com Ele, mais conscientes nos tornamos de que o Deus que parece atormentar-nos é na verdade o único que nos ama realmente e o único a quem podemos abandonar-nos sem resistência nem medo. [...] Quanto mais penetramos na noite desse mistério incompreendido, mais confiamos nEle, mais o encontramos, mais descobrimos o amor e a liberdade que nos sustentam em todas as outras noites. Deus dá para que nós possamos dar esta é a essência do sacrifício eucarístico, do sacrifício de Jesus Cristo.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Il Dio Vicino’)

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Milagre no meio das trevas

Na audiência de 12 de Maio passado, o Papa contou um milagre que acompanhou de muito perto quando estava em Buenos Aires.


— «Um casal tinha uma filha de 9 anos com uma doença que não se conseguia diagnosticar, até que os médicos foram ter com a mãe e lhe disseram: “Minha senhora, chame o seu marido”. O marido estava no trabalho; eram operários e tinham de trabalhar todos os dias. E informou o pai: “A criança não passa desta noite. É uma infecção, não se pode fazer nada”. Aquele homem talvez não fosse à Missa todos os Domingos, mas tinha uma grande fé. Saiu a chorar, deixou a mulher com a filha no hospital, apanhou o comboio e fez a viagem de 70 quilómetros até à basílica de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. Quando lá chegou a basílica estava fechada, eram quase dez da noite, agarrou-se às grades da basílica e ficou a rezar toda a noite a Nossa Senhora, lutando pela saúde da filha. Isto não é uma fantasia; eu vi-o! Eu vivi isto. Aquele homem ali, a lutar. Por fim, às seis da manhã abriram a igreja e ele entrou para saudar Nossa Senhora: toda a noite “lutou” e depois foi para casa. Quando chegou, procurou a mulher, mas não a encontrou e pensou: “Foi-se embora. Não, Nossa Senhora não me pode fazer isto”. Depois encontrou-a e ela disse-lhe sorridente: “Não sei o que se passou; os médicos dizem que a situação se alterou e agora está curada”. Aquele homem, que lutava com a oração, obteve de Nossa Senhora a graça. Nossa Senhora ouviu-o. E eu vi isto: a oração faz milagres, porque a oração vai directa ao centro da ternura de Deus que nos ama como um pai».


Recordei imediatamente esta história quando recebi hoje de manhã uma mensagem de correio electrónico: «Estou internado no IPO. Recidiva da leucemia que tive há 4 anos atrás. Um verdadeiro choque! Tive de me reorganizar e hoje, internado, procuro luz e sentido a tudo o que está a acontecer comigo. Encontro forças na oração e por isso agradeço também as orações dos familiares e amigos e conto contigo».


Peguei imediatamente no telefone para falar com este meu amigo. Falámos até que os tratamentos nos obrigaram a interromper a conversa. Dizia-me que rezava. Mais que pedir a cura, pedia para aproveitar bem estas circunstâncias por onde Deus o leva. E eu lembrei-me mais uma vez da audiência do Papa porque, depois de contar a história do milagre a que tinha assistido, acrescentou:


— «Quando Deus não nos concede uma graça, dar-nos-á outra que veremos a seu tempo. Mas é sempre preciso lutar na oração para pedir uma graça. Sim, por vezes pedimos uma graça de que precisamos, mas pedimo-la assim, sem querer, sem lutar; não é assim que se pedem coisas sérias. A oração é uma batalha e o Senhor está sempre connosco».


O Papa falou muito de luta nesta audiência. De luta connosco próprios mas também de luta com Deus. Talvez seja a isto que Cristo se referia quando disse que «o Reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele» (Mt 11, 12). S. Paulo nunca teve oportunidade de visitar a cidade de Colossas, na Frígia, mas enviou-lhes Epafras, um seu colaborador, e depois escreveu-lhes uma carta. Nas despedidas, ao enviar a saudação de uns e de outros, dá-lhes notícias de Epafras: «Saúda-vos Epafras, vosso compatriota, que está sempre a lutar por vós na oração, para que vos mantenhais perfeitos e cumprais tudo o que Deus quer. Sou testemunha do muito que trabalha por vós» (Col. 12-13). A palavra original significa «está sempre a lutar» e a tradução latina é fiel a este sentido: «semper certans».


A relação com Deus é tão forte que faz falta a palavra «luta» para dar a medida do que é a oração. Não por ser agressiva, mas pela intensidade de quem conhece a ternura de pai com que Deus nos ama. Ele ouve-nos sempre, disse o Papa nesta audiência:


— «Se num momento de cegueira não conseguirmos vislumbrar a sua presença, consegui-lo-emos no futuro. Também nós um dia poderemos repetir a frase que o patriarca Jacob disse certa vez: “Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!” (Gen 28, 16). No final da nossa vida, olhando para trás, também nós poderemos dizer: “Pensava que estava sozinho; não, não estava: Jesus estava comigo”. Todos poderemos dizer isto».

José Maria C.S. André

Fidelidade e coerência

Sermos fiéis nem sempre é fácil e quem afirmar o contrário necessitará urgentemente de rever a sua “fidelidade”. A hierarquia de valores ajudar-nos-á a sê-lo, e desde logo e em primeiro lugar está Ele, pois foi Jesus Cristo Nosso Senhor quem nos disse sem sofismas para o seguirmos e tudo abandonarmos “Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Quando O pomos em primeiro lugar por incrível que pareça, aqueles que mais amamos na terra saem sempre beneficiados, mesmo quando as nossas limitações não no-lo permitem vislumbrar, mas por isso mesmo deveremos ter uma fé inquebrantável na Sua infinita sabedoria.


O Senhor nos ajude a jamais questionar o nosso amor por Ele e a nossa fé e sigamos o conselho de S. Paulo a Timóteo “… permanece naquilo que aprendeste e acreditaste” (2 Tim 3,14).


JPR


«… toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a duração (…). É fácil ser coerente por um dia ou por alguns dias (…). Só pode chamar-se fidelidade a uma coerência que dura ao longo de toda a vida»


(São João Paulo II - Aos sacerdotes do México em 27/I/1979)

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Autoridade na Igreja

A obediência [...], segundo alguns, já não seria nem ao menos uma virtude cristã, mas uma herança de um passado autoritário, dogmático, a ser, portanto, superado.

Com efeito, se a Igreja é a nossa Igreja, se a Igreja somos apenas nós, se as suas estruturas não são as que Cristo quis, então não se pode mais conceber a existência de uma hierarquia como serviço aos batizados, estabelecida pelo próprio Senhor. Recusa-se o conceito de uma autoridade querida por Deus, de uma autoridade que tem a sua legitimidade em Deus, e não no consenso da maioria dos membros da organização, como acontece nas estruturas políticas.

Mas a Igreja de Cristo não é um partido, não é uma associação nem um clube: a sua estrutura profunda é ineliminável; não é democrática, e sim sacramental, e portanto hierárquica: porque a hierarquia baseada na sucessão apostólica é condição indispensável para obter a força e a realidade dos sacramentos. Aqui, a autoridade não se baseia em votações da maioria; baseia-se na autoridade do próprio Cristo, que quis fazer com que participassem dela homens que fossem os seus representantes até ao seu retorno definitivo. Só se poderá redescobrir a necessidade e a fecundidade católica da Igreja retomando essa visão de obediência à sua legítima hierarquia.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘A fé em crise?’ pag.32)

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mistério que enche a nossa vida de cristãos

"Chegaremos bem preparados ao domingo da Santíssima Trindade, se – entre outros meios - alimentamos a nossa oração pessoal com os textos litúrgicos da Ascensão e do Pentecostes", aconselhava o B. Álvaro del Portillo.

Neste mês, voltaremos a celebrar, cheios de alegria, a solenidade da Santíssima Trindade, mistério central da nossa fé, que ilumina com o seu esplendor e enche a nossa vida de cristãos. Fomos batizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Esta mesma invocação pronuncia o sacerdote, cada vez que nos concede a absolvição sacramental. E na Missa, renovação do Sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai pele Espírito Santo, as três Pessoas divinas atuam conjuntamente: uma efusão de amor pelos homens que suscitava no nosso Fundador [S. Josemaria] gratidão e desejos eficazes de corresponder, com a sua entrega pessoal mais completa, à inefável doação que Deus faz de si mesmo na Sagrada Eucaristia, para cada um de nós. Oxalá (...) se repita e se renove esta reação sobrenatural nas nossas almas, ao meditar estas maravilhosas realidades divinas!

Chegaremos bem preparados ao domingo da Santíssima Trindade, se – entre outros meios - alimentamos a nossa oração pessoal com os textos litúrgicos da Ascensão e do Pentecostes. Pela mão da Santíssima Virgem, nossa Mãe – (...) de quem sempre queremos aprender - contemplamos como Jesus Cristo sobe ao Céu para que a sua Santíssima Humanidade ocupe o lugar de glória que Lhe está reservado à direita de Deus Pai. Nosso Senhor parte mas, de acordo com a sua promessa, envia-nos o Consolador, o Espírito Santo, para que habite connosco eternamente. Dispunhamo-nos junto a Nossa Senhora para a vinda do Paráclito, imitando os Apóstolos e as Santas Mulheres (Cfr. At 1, 14). Assim crescerá em nós a familiaridade com o Pai, e com o Filho e com o Espírito Santo, e se tornará mais sólida a necessidade de tratar e distinguir cada uma das três Pessoas divinas. (B. Álvaro del Portillo, Carta, 1-V-1989)

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Nossa Senhora Auxiliadora

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, tem seu começo em datas muito remotas, nascida no coração de pessoas piedosas que espalharam ao seu redor a devoção mariana. Assim a Mãe de Deus foi sempre conhecida como condutora da felicidade de todo ser humano. E Maria, sempre esteve junto ao povo, sobretudo do povo simples que não sofre as complicações que contornam e desfazem, muitas vezes, a vida humana, mas que é levado pelas emoções e certezas apontadas pela simplicidade do coração.

Em 1476, o Papa Sisto IV deu o nome de “Nossa Senhora do Bom Auxílio” a uma imagem do século XIV-XV, que havia sido colocada em uma Capelinha, onde ele se refugiou, surpreendido durante o caminho, com um perigoso temporal. A imagem tem um aspecto muito sereno, e o símbolo do ‘auxílio’ é representado pela meiguice do Menino segurando o manto da Mãe.

Com o correr dos anos, entre 1612 e 1620, a devoção mariana cresceu, graças aos Barnabitas, em torno de uma pequena tela de autoria de Scipione Pulzone, representando aspectos de doçura, de abandono confiante, de segurança entre o Menino e sua santa Mãe. A imagem ficou conhecida como “Mãe da Divina Providência”. Esta imagem tornou-se como que meta para as peregrinações de muitos devotos e também para muitos Papas e até mesmo para João Paulo II. Devido ao movimento cristão em busca dos favores e bênçãos de Nossa Senhora e de seu Filho, o Papa Gregório XVI, em 1837, deu-lhe o nome de “AUXILIADORA DOS CRISTÃOS”. O Papa Pio IX, há pouco tempo eleito, também se inscreveu no movimento e diante desta bela imagem, ele celebrou a Missa de agradecimento pela sua volta do exílio de Gaeta.     

Mais tarde também foi criada a ‘Pia União de Maria Auxiliadora’, com raízes em um bonito quadro alemão.

E chega o ano de 1815:  Nasce aquele que será o grande admirador, grande filho, grande devoto da Mãe de Deus e propagador da devoção a Maria Auxiliadora, o Santo dos jovens: SÃO JOÃO BOSCO. Neste ano era também celebrado o Congresso de Viena e foi a época em que, com a queda do Império Napoleónico  começa a Reestruturação  Europeia com restabelecimento dos reinos nacionais e das suas monarquias dinásticas 
Em 1817, o Papa Pio VII benzeu uma tela de Santa Maria e conferiu-lhe o título de “MARIA AUXILIUM CHRISTIANORUM”.

Os anos foram se sucedendo e o rei Carlo Alberto, foi a cabeça do movimento em prol da unificação da Itália, e ao mesmo tempo, os atritos entre Igreja e Estado, deram lugar a uma forte sensibilização política, com atitudes suspeitas para com a Igreja. E como não podia deixar de ser, D. Bosco, lutador e defensor insigne da Igreja de Cristo, ficou sendo mira forte do governo e foi até obrigado a fugir de alguns atentados. Sim, tinha de fato inimigos que não viam bem sua postura positiva a favor da Igreja e nem tão pouco a emancipação da classe pobre, defendida tenazmente pelo Santo.
Pio IX, então cabeça da Igreja, manifestou-se logo a favor de uma devoção pessoal para com a Auxiliadora e quando este sofrido Pontífice esteve no exílio, o nosso Santo lhe enviou 35 francos, recolhidos entre seus jovens do oratório. O Papa ficou profundamente comovido com esta atitude e conservou uma grande lembrança deste gesto de afeto de D. Bosco e da generosidade dos rapazes pobres.

E continuam muitas lutas políticas, desavenças, lutas e rixas entre Igreja e Estado.  Mas a 24 de maio, em Roma, o Papa Pio IX preside uma grandiosa celebração em honra de Maria Auxiliadora, na Igreja de Santa Maria.  E em 1862, houve uma grandiosa organização especificamente para obter da Auxiliadora, a proteção para o Papa diante das perseguições políticas que ferviam cada vez mais, em detrimento para a Igreja de Jesus Cristo.

Nestes momentos particularmente críticos, entre 1860-1862 para a Igreja, vemos que D. Bosco toma uma opção definitiva pela AUXILIADORA, título este que ele decide concentrar a devoção mariana por ele oferecida ao povo. E justamente em 1862, ele tem o “Sonho das Duas Colunas” e no ano seguinte seus primeiros acenos para a construção do célebre e grandioso Santuário de Maria Auxiliadora. E esta devoção à Mãe de Deus, desde então se expandiu imediata e amplamente.             

D. Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com D. Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a "Virgem de D. Bosco".

Escreveu o santo: “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".


(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 23 de maio de 2021

"Ângelus" - Oração do meio dia

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
R. E Ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria…

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim segundo a Vossa Palavra.
Ave Maria…

V. E o Verbo divino encarnou.
R. E habitou no meio de nós.
Ave Maria…

V. Rogai por nós Santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos.
Infundi, Senhor, como Vos pedimos, a Vossa graça nas nossas almas, para que nós, que pela Anunciação do Anjo conhecemos a Encarnação de Cristo, Vosso Filho, pela sua Paixão e Morte na Cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Domingo de Pentecostes

O tema deste Domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.

O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências.

Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.

Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Oração ao Espírito Santo composta por S. Josemaria em abril de 1934

Vem ó Espírito Santo!

Ilumina o meu entendimento, para conhecer os teus preceitos.

Fortalece o meu coração contra as insídias do inimigo

Inflama a minha vontade…
Ouvi a tua voz e não quero endurecer-me e resistir, dizendo: depois…, amanhã.

Nunc coepi! Agora! Não suceda que o amanhã me venha a faltar.

Ó Espírito de verdade e sabedoria, Espírito de entendimento e de conselho, Espírito de alegria e de paz!: quero o que quiseres, quero porque queres, quero como quiseres, quero quando quiseres.

sábado, 22 de maio de 2021

Santa Rita de Cássia, viúva, religiosa, †1457

Suportou durante 18 anos um marido brutal que lhe era infiel e a maltratava, até que conseguiu convertê-lo. Quando este foi assassinado e seus dois filhos juraram vingar-se dos matadores, pediu a Deus que tirasse a vida dos filhos antes que eles cometessem o feio pecado da vingança, e foi atendida. Ingressou depois de viúva num convento agostiniano e ali recebeu na fronte, como privilégio, um dos espinhos da coroa de Nosso Senhor. Sua vida é repleta de milagres e episódios maravilhosos. É a padroeira das mulheres que sofrem com os maridos, e é também chamada "advogada das causas perdidas" e "dos impossíveis".

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 16 de maio de 2021

Ascenção

Prosseguindo com a exposição dos artigos do Credo, aprofundemos no mistério da Ascensão do Senhor. Cremos, com efeito, que Jesus Cristo, depois da Ressurreição, subiu ao Céu onde está sentado à direita do Pai [1]. Esta solenidade que celebraremos neste mês – na quinta-feira, dia 9, ou no domingo, dia 12, nos países onde foi transferida – deve ser para to­dos uma paragem, recordando-nos o fim ditoso a que estamos chamados. Esta verdade recor­da-nos ao mesmo tempo um facto histórico e um acontecimento de salvação. Como facto histórico, a Ascensão «marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde há de voltar, mas que, entretanto, O oculta aos olhos dos homens» [2]. Agora, está presente na Eucaristia de modo sacramental, mas, no seu ser natural, encontra-se apenas no Céu, de onde virá no fim dos tempos, cheio de glória e majestade, para julgar a todos.

O Evangelista que relata com mais pormenor este acontecimento é S. Lucas. No início dos Atos dos Apóstolos, escreve que o Senhor, depois da Sua Paixão, lhes apareceu vivo [aos Apóstolos e aos outros discípulos], e deu-lhes disso numerosas provas, com as Suas aparições, durante quarenta dias, falando-lhes também a respeito do Reino de Deus [3]. Narra ainda que, durante uma das aparições aos Apóstolos, o Senhor lhes abriu o entendimento para que compreendessem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia, e que se anuncie, em Seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas [4].


S. Josemaria considerou muitas vezes estas cenas, nas reuniões familiares que costu­mava ter com numerosas pessoas. Numa ocasião, por exemplo, convidava os que o ouviam a pensar no Senhor depois da Ressurreição, quando falava de muitas coisas, de tudo o que os Seus discípulos Lhe perguntavam. Aqui estamos a imitá-Lo um pouco, porque vós e eu somos discípulos do Senhor e queremos trocar impressões [5]. E noutra altura, acrescen­tava: falava com eles, como falamos nós agora, aqui, assim! Isso é a contemplação: convívio com Deus. E a contemplação e o convívio com Deus levam-nos a cuidar das almas, a ter sede de trazer para Cristo os que se afastaram [6].

[1]. Missal Romano, Símbolo Niceno-Constantinopolitano.
[2]. Catecismo da Igreja Católica, n. 665.
[3]. At 1, 3.
[4]. Lc 24, 46-48.
[5]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 29-X-1972.
[6]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 3-XI-1972.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de maio de 2013)

A Ascenção

Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado. Ao verem-No, adoraram-No, mas houve alguns que duvidaram. Aproximou-Se Jesus e falou-lhes nestes termos: Foi-Me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, doutrinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo o que vos mandei. Sabei que Eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos (Mt 28, 16-20).

Mas, quando o Espírito Santo vier sobre vós, recebereis uma força e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra.

Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem subtraiu-O a seus olhos (Act 1, 8-9).

Corredimir com Cristo
«Cristo subiu aos céus, mas transmitiu a tudo o que é honestamente humano a possibilidade concreta de ser redimido. (…) Não me cansarei de repetir, portanto, que o mundo é santificável e que a nós, cristãos, nos toca especialmente essa tarefa, purificando-o das ocasiões de pecado com que os homens o tornam feio, e oferecendo-o ao Senhor como Hóstia espiritual, apresentada e dignificada com a graça de Deus e o nosso esforço. Em rigor, não se pode dizer que haja nobres realidades exclusivamente profanas, uma vez que o Verbo se dignou assumir uma natureza humana íntegra e consagrar a Terra com a sua presença e com o trabalho das suas mãos. A grande missão que recebemos, no Baptismo, é a co-redenção. Urge-nos a caridade de Cristo (Cfr. 2 Cor 5, 14) para tomar sobre os nossos ombros uma parte dessa tarefa divina de resgatar as almas. (…)

Uma grande tarefa
Temos uma grande tarefa à nossa frente. Não é possível a atitude de ficarmos passivos porque o Senhor declarou expressamente: negociai até eu vir (Lc 19, 13). Enquanto esperamos o regresso do Senhor que voltará a tomar posse plena do seu Reino não podemos estar de braços cruzados. A extensão do Reino de Deus não é só tarefa oficial dos membros da Igreja que representam Cristo, por d’Ele terem recebido os poderes sagrados. Vos autem estis corpus Christi (1 Cor. 12, 27), vós também sois Corpo de Cristo, ensina-nos o Apóstolo, com o mandato concreto de negociar até ao fim.

Ainda está tanta coisa por fazer. Será que em vinte séculos não se fez nada? Em vinte séculos trabalhou-se muito. Não me parece, nem objectivo nem honrado o afã de alguns em menosprezar a tarefa daqueles que nos precederam. Em vinte séculos realizou-se um grande trabalho, e, com frequência, foi muito bem realizado. Outras vezes houve desacertos, regressões, como também há agora retrocessos, medo, timidez, ao mesmo tempo que não falta valentia, generosidade. Mas a família humana renova-se constantemente; em cada geração é preciso continuar com o empenho de ajudar o homem a descobrir a grandeza da sua vocação de filho de Deus e é necessário inculcar o mandamento do amor ao Criador e ao nosso próximo».

(S. Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 120-121)

No coração de cada pessoa
«Nunca falo de política. Não penso na tarefa dos cristãos na terra como o nascer duma corrente político-religiosa – seria uma loucura -, nem mesmo com o bom propósito de difundir o espírito de Cristo em todas as actividades dos homens. O que é preciso é pôr em Deus o coração de cada um, seja ele quem for. Procuremos falar a todos os cristãos, para que no lugar onde estiverem – em circunstâncias que não dependem apenas da sua posição na Igreja ou na vida civil, mas do resultado das mutáveis situações históricas -, saiba dar testemunho, com o exemplo e com a palavra, da fé que professam.

O cristão vive no mundo com pleno direito, por ser homem. Se aceita que no seu coração habite Cristo, que reine Cristo, em todo o seu trabalho humano encontrar-se-á – bem forte – a eficácia salvadora do Senhor. Não tem qualquer importância que essa ocupação seja, como costuma dizer-se, alta ou baixa, porque um máximo humano pode ser, aos olhos de Deus, uma baixeza, e o que chamamos baixo ou modesto pode ser um máximo cristão de santidade e serviço».

(S. Josemaría Escrivá - Cristo que passa, 183)

sexta-feira, 14 de maio de 2021

17:17 há 40 anos

Quando os relógios mecânicos eram máquinas complexas, que precisavam de um maquinista para acompanhar o seu funcionamento, ao lado do relógio mecânico instalava-se um relógio de sol, para acertar a hora todos os dias. Na torre sul da sé de Lisboa ainda existe um grande relógio mecânico desses, com o seu relógio de sol ao lado. Além do salário do maquinista, indispensável para manter o relógio em funcionamento, o desengonçado mecanismo consumia uma enorme quantidade de azeite, que era a lubrificação disponível na época.


Nalguns casos —por exemplo no palácio da Pena, em Sintra—, havia um pequeno canhão ao lado do relógio de sol, para anunciar as horas ao longe, com um disparo. O pequeno canhão do palácio da Pena ainda lá está, como memória silenciosa daqueles estrondos que faziam esvoaçar os pássaros à hora certa.


Esta forma de marcar as horas aos ritmos da artilharia é coisa do passado, mas há 40 anos, as 17 horas e 17 minutos de 13 de Maio de 1981 ficaram marcadas com exactidão por quatro disparos, que ecoaram uma e outra vez na praça de S. Pedro, levantando revoadas de pássaros. É difícil assinalar o momento de forma mais inesquecível.


A cidade de Roma sufocava sob uma vaga de calor inusual, a ponto de que a audiência do Papa aos peregrinos não pôde ter lugar ao meio-dia, como habitualmente. Teve que se esperar pelo relativo fresco da tarde. Finalmente, João Paulo II saiu pelo portão da guarda, em pé no papamóvel descapotável, cumprimentando a multidão. Como muitos outros, os pais de uma bebé passam-lha para as mãos (esse bebé é hoje a senhora Sara Bartoli, com quarenta anos) e o Papa inclina-se para a receber. Há quem diga que estes movimentos inesperados do Papa, correspondendo ao entusiasmo do povo, desconcertaram Mehmet Ali Ağca. O certo é que este assassino profissional, atirador de elite, calejado no crime, falhou a pontaria de quatro disparos de uma pistola de guerra, uma Browning Hi-Power de 9 mm de calibre. Uma bala deste calibre não dá hipóteses de sobrevivência e quatro balas a curta distância deveriam eliminar qualquer dúvida.


O que aconteceu às 17:17 daquele dia ainda hoje não se percebe. As balas atravessaram o corpo do Papa de lado a lado num trajecto sinuoso, fazendo inflexões misteriosas como se quisessem respeitar os órgãos vitais. Roçaram neles, um por um, mas sem os atingir.


Rasgaram sulcos profundos de que jorrou abundantemente sangue e caíram à volta da vítima ou perto do automóvel. A quinta bala não partiu porque a Browning encravou. Uma pistola profissional com uma falha mecânica?! Segundo os jornais, a pistola custara £10,000 à época (dezenas de milhar de euros a preços de hoje).


Desconcertado, o atirador supostamente infalível, com 23 anos, no auge da sua forma física, teve uma hesitação de segundos e foi agarrado por um elemento das forças de segurança, com a ajuda de vários populares, incluindo uma freira. As reportagens dos vídeos captam os rostos imóveis da multidão, pesados, calados, de olhos fixos no infinito, como se fossem personagens de cenas diferentes, cada um a olhar na sua direcção, como se não houvesse nada para ver no espaço sem fim.


Uma das balas está hoje em Fátima, como jóia da coroa da imagem de Nossa Senhora. A temível Browning está exposta em Wadowice, na Polónia. Ambas testemunham que Deus não desiste de ter a última palavra.


No dia 27 de Dezembro de 1983, às 17h20, João Paulo II entrou na prisão de alta segurança para falar a sós com Ali Ağca. O Papa tinha-lhe perdoado desde o primeiro momento e foi talvez esse o mistério mais difícil de decifrar para Ali Ağca, pelo contraste entre a violência das balas e a delicadeza comovente do Papa. Em 1987, João Paulo II recebeu a mãe de Ali Ağca e em 1997 é o irmão de Ali Ağca que o visita no Vaticano. No ano 2000 João Paulo II intercedeu junto do Governo italiano para que o libertassem e, depois de o prenderem novamente na Turquia, para cumprir uma pena antiga, por homicídios anteriores, Ali Ağca por lá vive pacatamente. Em entrevistas que deu aos jornais, reconhece que aquela conversa íntima de 22 minutos na prisão foi absolutamente especial e não tenciona revelar nada. No seu livro «Memória e Identidade», ao referir esse encontro, o Papa só diz que não pode contar nada.


Depois de sair da prisão na Turquia, Ali Ağca já viajou pela Europa e já esteve novamente na praça de S. Pedro, sozinho, em homenagem ao Papa. Em entrevistas a jornais ocidentais disse que deixou um ramo de flores no local do atentado e que está contente por João Paulo II ter sobrevivido. Eram 17h17 de há 40 anos.

José Maria C.S. André

São Matias, testemunha da Ressurreição, escolhido por Deus

São João Crisóstomo (c.345-407), presbítero em Antioquia, depois bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
3.ª Homilia sobre os Atos dos Apóstolos (trad. do breviário)

«Naqueles dias, levantando-se Pedro no meio dos discípulos» (At 1,15ss.), Pedro, a quem Cristo tinha confiado o rebanho, movido pelo fervor do seu zelo e dado que era o primeiro dentro do grupo, foi o primeiro a tomar a palavra [e] «disse: Irmãos, é necessário escolher de entre [...] os homens que andaram connosco». Reparai como se empenha em que tenham sido testemunhas oculares; embora o Espírito Santo houvesse de vir depois sobre eles, dá a isso grande importância. «De entre os homens que andaram connosco, todo o tempo que o Senhor Jesus passou no meio de nós». Refere-se àqueles que viveram com Jesus e não aos que eram apenas discípulos. De facto, eram muitos os que O seguiam desde o princípio [...] «até ao dia em que nos foi levado para o alto; é necessário, pois, que um deles se torne connosco testemunha da Sua Ressurreição».

Não disse: testemunha de tudo o mais; mas só: «testemunha da Ressurreição». Na verdade, seria mais digno de fé quem pudesse testemunhar: Aquele que vimos comer e beber e que foi crucificado, foi Esse que ressuscitou. Não interessava ser testemunha do tempo anterior nem do seguinte, nem dos milagres, mas simplesmente da Ressurreição. Porque todos os outros factos eram manifestos e públicos; só a Ressurreição se tinha realizado secretamente e só eles a conheciam.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Quinta-feira de Espiga

Hoje é Quinta-feira de Ascensão ou Quinta-feira de Espiga... Acredita-se que este costume, que surge mais no centro e Sul de Portugal, nasceu de um antigo ritual cristão, no entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que pode vir talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e que se mantêm ligadas à tradição dos Maios e das Maias. Esta é também uma festa religiosa que celebra a ascensão de Jesus ao Céu, depois de ter sido crucificado e de ter ressuscitado. Quarenta dias depois da Ressurreição, Jesus apareceu pela última vez aos seus discípulos, em Jerusalém, e levou-os ao Monte das Oliveiras. A Ascensão ocorre cerca de quarenta dias depois da Páscoa, e é sempre a uma quinta-feira.

Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga e outras flores campestres. Com elas, formam um ramo com: espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas. O ramo pode também incluir centeio, cevada, aveia...

Cada elemento simboliza um desejo:

A espiga significa que haja pão isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar;

O ramo de folhas de oliveira, que haja paz, pois a pomba da paz traz no bico um ramo de oliveira e também que nunca falte a luz (divina);

As flores, malmequeres, papoilas, etc., significam que haja alegria, simbolizada pela cor das flores - o malmequer ainda traz ouro e prata, a papoila traz amor e vida e o alecrim saúde e força.

O ramo é guardado ao longo de um ano, até ao Dia de Espiga do ano seguinte, pendurado algures dentro de casa.

(Fonte: Rádio Voz da Planície em http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?go=noticias&id=5851)

Maio - Fátima

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA 13 Maio

Nota Histórica    

No ano 1917, quando o mundo se debatia ainda nas violências e atrocidades da guerra, a Virgem Maria apareceu seis vezes em Fátima a três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco. Por meio deles, a Santa Mãe de Deus recomendou insistentemente aos homens a firmeza da fé e o espírito de oração, penitência e reparação. O culto de Nossa Senhora de Fátima, depois de ter sido aprovado pelo Bispo da diocese e mais tarde confirmado pela Autoridade Apostólica, foi especialmente honrado com a peregrinação do papa Paulo VI ao local das aparições no ano 1967 e João Paulo II nos anos 1982 e 1991.

Maria, Mãe da Igreja e Advogada dos fiéis

Por ocasião das cerimónias religiosas que têm lugar nestes dias em Fátima, Portugal, em honra da Virgem Mãe de Deus, onde acorrem numerosas multidões de fiéis para venerarem o seu coração maternal e compassivo, desejamos mais uma vez chamar a atenção de todos os filhos da Igreja para o inseparável vínculo que existe entre a maternidade espiritual de Maria e os deveres que têm para com Ela os homens resgatados.

Julgamos ser de grande utilidade para as almas dos fiéis considerar duas verdades muito importantes para a renovação da vida cristã.

A primeira verdade é esta: Maria é Mãe da Igreja, não só por ser Mãe de Jesus Cristo e sua íntima colaboradora na nova economia da graça, quando o Filho de Deus n’Ela assumiu a natureza humana para libertar o homem do pecado mediante os mistérios da sua carne, mas também porque brilha à comunidade dos eleitos como admirável modelo de virtude.

Depois de ter participado no sacrifício redentor de seu Filho, e de maneira tão íntima que mereceu ser por Ele proclamada Mãe não somente do discípulo João, mas – seja consentido afirmá-lo – do género humano, por este de algum modo representado, Ela continua agora no Céu a desempenhar a sua função materna de cooperadora no nascimento e desenvolvimento da vida divina em cada alma dos homens remidos.

Mas de que modo coopera Maria no crescimento da vida da graça nos membros do Corpo Místico? Antes de tudo, pela sua oração incessante, inspirada por uma ardentíssima caridade. A Virgem Santa, de facto, gozando embora da contemplação da Santíssima Trindade, não esquece os seus filhos que caminham, como Ela outrora, na peregrinação da fé; pelo contrário, contemplando-os em Deus e conhecendo bem as suas necessidades, em comunhão com Jesus Cristo que está sempre vivo para interceder por nós, deles se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira.

No entanto, a cooperação da Mãe da Igreja no desenvolvimento da vida divina nas almas não consiste apenas na sua intercessão junto do Filho. Ela exerce sobre os homens remidos outra influência importantíssima, a do exemplo, segundo a conhecida máxima: as palavras movem, o exemplo arrasta. Realmente, tal como os ensinamentos dos pais adquirem maior eficácia quando são acompanhados pelo exemplo duma vida conforme as normas da prudência humana e cristã, assim também a suavidade e o encanto das excelsas virtudes da Imaculada Mãe de Deus atraem irresistivelmente as almas para a imitação do divino modelo, Jesus Cristo, de que Ela foi a mais perfeita imagem.

Mas nem a graça do divino Redentor nem a poderosa intercessão de sua e nossa Mãe espiritual poderiam conduzir-nos ao porto da salvação, se a tudo isso não correspondesse a nossa perseverante vontade de honrar Jesus Cristo e a Virgem Mãe de Deus com a fiel imitação das suas sublimes virtudes.

É, pois, dever de todos os cristãos imitar religiosamente os exemplos de bondade que lhes deixou a Mãe do Céu. É esta a segunda verdade sobre a qual nos agrada chamar a vossa atenção. É em Maria que os cristãos podem admirar o exemplo que lhes mostra como realizar, com humildade e magnanimidade, a missão que Deus confiou a cada um neste mundo, em ordem à sua eterna salvação e à do próximo.

Uma mensagem de suma utilidade parece chegar hoje aos fiéis da parte d’Aquela que é a Imaculada, a toda santa, a cooperadora do Filho na restauração da vida sobrenatural das almas. A santa contemplação de Maria incita-os, de facto, à oração confiante, à prática da penitência, ao santo temor de Deus, e recorda-lhes com frequência aquelas palavras com que Jesus Cristo anunciava estar perto o reino dos Céus: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho, bem como a sua severa advertência: Se não vos arrependerdes, perecereis todos de maneira semelhante.

Comemorando-se este ano o vigésimo quinto aniversário da solene consagração da Igreja a Maria Mãe de Deus e ao seu Coração Imaculado, feita pelo Nosso Predecessor Pio XII no dia 31 de Outubro de 1942, por ocasião da Rádio-Mensagem à Nação Portuguesa – consagração que Nós mesmo renovámos no dia 21 de Novembro de 1964 – exortamos todos os filhos da Igreja a renovar pessoalmente a sua própria consagração ao Coração Imaculado da Mãe da Igreja e a viver este nobilíssimo acto de culto com uma vida cada vez mais conforme à vontade divina, em espírito de serviço filial e devota imitação da sua celeste Rainha.

(Da Exortação Apostólica Signum magnum do Papa Paulo VI, Dia 13 de Maio de 1967: AAS 56, 1967, 4-473, 475)