Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 28 de fevereiro de 2018

Ao subir Jesus para Jerusalém, tomou à parte os doze discípulos, e disse-lhes pelo caminho: «Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas, e O condenarão à morte, e O entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado, e ao terceiro dia ressuscitará». Então, aproximou-se d'Ele a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos, prostrando-se, para Lhe fazer um pedido. Ele disse-lhe: «Que queres?». Ela respondeu: «Ordena que estes meus dois filhos se sentem no Teu reino, um à Tua direita e outro à Tua esquerda». Jesus disse: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber?». Eles responderam-Lhe: «Podemos». Disse-lhes: «Efectivamente haveis de beber o Meu cálice, mas, quanto a sentar-se à Minha direita ou à Minha esquerda, não pertence a Mim concedê-lo; será para aqueles para quem está reservado por Meu Pai». Os outros dez, ouvindo isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus chamou-os e disse-lhes: «Vós sabeis que os príncipes das nações as subjugam e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós, mas todo aquele que quiser ser entre vós o maior, seja vosso servo, e quem quiser ser entre vós o primeiro, seja vosso escravo. Assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para resgate de todos».

Mt 20, 17-28

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 27 de fevereiro de 2018

Então, Jesus falou às multidões e aos Seus discípulos, dizendo: «Sobre a cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus. Observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem, mas não imiteis as suas ações, porque dizem e não fazem. Atam cargas pesadas e impossíveis de levar, e as põem sobre os ombros dos outros homens, mas nem com um dedo as querem mover. Fazem todas as suas obras para serem vistos pelos homens. Trazem mais largas as filatérias, e mais compridas as franjas dos seus mantos. Gostam de ter os primeiros lugares nos banquetes, e as primeiras cadeiras nas sinagogas , das saudações na praça, e de serem chamados rabi pelos homens. Mas vós não vos façais chamar rabis, porque um só é o vosso Mestre, e vós sois todos irmãos. A ninguém chameis pai sobre a terra, porque um só é o vosso Pai, O que está nos céus. Nem façais que vos chamem mestres, porque um só é o vosso Mestre, Cristo. Quem entre vós for o maior, seja vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. 

Mt 23, 1-12

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Mons. José Avelino Bettencourt

O Evangelho do dia 26 de fevereiro de 2018

Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados; dai e dar-se-vos-á. Uma medida boa, cheia, recalcada e a transbordar vos será lançada nas dobras do vosso vestido. Porque, com a mesma medida com que medirdes para os outros, será medido para vós».

Lc 6, 36-38

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Bom Domingo do Senhor!

Roguemos ao Senhor que nos faça gozar do esplendor do Seu Reino tal como nos narra o Evangelho de hoje (Mc 9, 2-10) e que fez ver a Pedro, João e Tiago. Permite-nos, Senhor, que um dia venhamos a montar a nossa tenda junto de Ti, de Elias e Moisés!

Jesus Cristo ouvi-nos e atendei-nos!

Cristo manifesta-Se como Senhor da Antiga e da Nova Aliança

São João Damasceno (c. 675-749), monge, teólogo, doutor da Igreja
Homilia sobre a Transfiguração; PG 96, 545

Hoje é o abismo da luz inacessível. Hoje, no monte Tabor, a efusão infinita do relâmpago divino resplandece diante dos apóstolos. Hoje, Jesus Cristo manifesta-Se como Senhor da Antiga e da Nova Aliança [...]. Hoje, no monte Tabor, Moisés, o legislador de Deus, o chefe da Antiga Aliança, assiste como um servo a seu mestre, Cristo, sendo ele o donatário da Lei. E reconhece o seu desígnio, a que outrora tinha sido iniciado por prefigurações; é o que significa, quanto a mim, ver Deus «por detrás» (Ex 33,23). Agora ele vê claramente a glória da divindade, abrigado «na cavidade do rochedo» (Ex 33,22), mas «esse rochedo era Cristo» (1Cor 10,4), como Paulo expressamente ensinou: o Deus encarnado, Verbo e Senhor [...].

Hoje, o chefe da Nova Aliança, que tinha proclamado Cristo como Filho de Deus ao dizer «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo» (Mt16,16), vê o chefe da Antiga Aliança, que está junto do donatário de uma e de outra, e que lhe diz: «Está aqui Aquele que é. Aqui está Aquele de quem eu disse que suscitaria um Profeta como eu (Ex 3,14; Dt 18,15; Act 3,22) – como eu enquanto homem e enquanto chefe do povo novo, mas superior a mim e a toda a criatura, Ele que nos dá, a mim e a ti, as duas Alianças, a Antiga e a Nova» [...]

Vinde então, obedeçamos ao profeta David! Cantemos a nosso Rei, cantemos a nosso Rei, cantemos! «Ele é o Rei de toda a terra» (Sl 46,7-8). Cantemos com sabedoria : cantemos com alegria [...]. Cantemos também ao Espírito «que tudo penetra, até às profundidades de Deus»  (1 Co 2,10), ao vermos, nesta luz do Pai que é o Espírito que tudo ilumina, a luz inacessível, o Filho de Deus. Manifesta-se hoje o que olhos de carne não podem ver: um corpo terrestre resplandecente de esplendor divino, um corpo mortal transbordante da glória da divindade. [...] As coisas humanas tornam-se as de Deus, e as coisas divinas, as do homem.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

O Evangelho de Domingo dia 25 de fevereiro de 2018

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e conduziu-os sós, à parte, a um monte alto, e transfigurou-Se diante deles. As Suas vestes tornaram-se resplandecentes, de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra os poderia tornar tão brancos. Depois apareceu-lhes Elias com Moisés, que estavam a falar com Jesus. Pedro tomando a palavra disse a Jesus: «Rabi, que bom é nós estarmos aqui; façamos três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que dizia, pois estavam atónitos de medo. E formou-se uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem saíu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho muito amado, ouvi-O». Olhando logo à volta de si, não viram mais ninguém com eles senão Jesus. Ao descerem do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, senão depois de o Filho do Homem ter ressuscitado dos mortos. Observaram esta ordem, mas perguntavam-se o que queria dizer “quando tiver ressuscitado dos mortos”.

Mc 9, 2-10

O Evangelho do dia 24 de fevereiro de 2018

«Ouvistes que foi dito: “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai que está nos céus, o qual faz nascer o sol sobre maus e bons, e manda a chuva sobre justos e injustos. Porque, se amais somente os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos também o mesmo? E se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem também assim os próprios gentios? Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito.

Mt 5, 43-48

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 23 de fevereiro de 2018

Porque Eu vos digo que, se a vossa justiça não superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. «Ouvistes que foi dito aos antigos: “Não matarás”, e quem matar será submetido ao juízo do tribunal. Porém, Eu digo-vos que todo aquele que se irar contra o seu irmão, será submetido ao juízo do tribunal. E quem chamar cretino a seu irmão será condenado pelo sinédrio. E quem lhe chamar louco será condenado ao fogo da Geena. Portanto, se estás para fazer a tua oferta diante do altar, e te lembrares ali que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem fazer a tua oferta. Concilia-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele no caminho, para que não suceda que esse adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao guarda, e sejas metido na prisão. Em verdade te digo: Não sairás de lá antes de ter pago o último centavo.

Mt 5, 20-26

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

«Não temas Maria, pois achaste graça diante de Deus» Lc 1, 30

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A XXXIII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

Queridos jovens!

A Jornada Mundial da Juventude de 2018 constitui um passo mais na preparação da jornada internacional, que se realizará no Panamá em janeiro de 2019. Esta nova etapa da nossa peregrinação tem lugar no ano em que está convocada a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: Os jovens, a fé e o discernimento vocacional. É uma feliz coincidência. A atenção, a oração e a reflexão da Igreja concentrar-se-ão sobre vós, jovens, no desejo de perceber e, sobretudo, «acolher» o dom precioso que vós sois para Deus, para a Igreja e para o mundo.

Como já sabeis, para nos acompanhar ao longo deste itinerário, escolhemos o exemplo e a intercessão de Maria, a jovem de Nazaré, que Deus escolheu como Mãe do seu Filho. Ela caminha connosco rumo ao Sínodo e à JMJ do Panamá. No ano passado, guiaram-nos as palavras do seu cântico de louvor – «O Todo-poderoso fez em Mim maravilhas» (Lc 1, 49) –, ensinando-nos a conservar na memória o passado; este ano, procuramos escutar, juntamente com Ela, a voz de Deus que infunde coragem e dá a graça necessária para responder à sua chamada: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus» (Lc 1, 30). São as palavras que o mensageiro de Deus, o arcanjo Gabriel, dirigiu a Maria, jovem simples duma pequena povoação da Galileia.

1. Não temas!
Compreensivelmente, a inesperada aparição do anjo e a sua saudação misteriosa («Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo»: Lc 1, 28) provocaram uma forte turbação em Maria, surpreendida por esta primeira revelação da sua identidade e da sua vocação, que Lhe eram ainda desconhecidas. Maria, como outras personagens da Sagrada Escritura, treme perante o mistério da chamada de Deus, que, dum momento para o outro, a confronta com a imensidão do desígnio divino e Lhe faz sentir toda a sua pequenez de humilde criatura. O anjo, lendo no fundo do coração d’Ela, diz-Lhe: «Não temas»! Deus lê também no nosso íntimo. Conhece bem os desafios que devemos enfrentar na vida, sobretudo quando nos deparamos com as opções fundamentais de que depende o que seremos e faremos neste mundo. É a «perplexidade» que sentimos face às decisões sobre o nosso futuro, o nosso estado de vida, a nossa vocação. Em tais momentos, ficamos turbados e somos assaltados por tantos medos.

E vós, jovens, quais são os medos que tendes? Que é que vos preocupa mais profundamente? Um medo «de fundo», que existe em muitos de vós, é o de não ser amados, bem-queridos, de não ser aceites por aquilo que sois. Hoje, há muitos jovens que, na tentativa de se adequar a padrões frequentemente artificiais e inatingíveis, têm a sensação de dever ser diferentes daquilo que são na realidade. Fazem contínuos «foto-retoques» das imagens próprias, escondendo-se por trás de máscaras e identidades falsas, até chegarem quase a tornar-se eles mesmos um «fake», um falso. Muitos têm a obsessão de receber o maior número possível de apreciações «gosto». E daqui, desta sensação de desajustamento, surgem muitos medos e incertezas. Outros temem não conseguir encontrar uma segurança afetiva e ficar sozinhos. Em muitos, à vista da precariedade do trabalho, entra o medo de não conseguirem encontrar uma conveniente afirmação profissional, de não verem realizados os seus sonhos. Trata-se de medos atualmente muito presentes em inúmeros jovens, tanto crentes como não-crentes. E mesmo aqueles que acolheram o dom da fé e procuram seriamente a sua vocação, por certo não estão isentos de medos. Alguns pensam: talvez Deus me peça ou virá a pedir demais; talvez, ao percorrer a estrada que Ele me aponta, não seja verdadeiramente feliz, ou não esteja à altura do que me pede. Outros interrogam-se: Se seguir o caminho que Deus me indica, quem me garante que conseguirei percorrê-lo até ao fim? Desanimarei? Perderei o entusiasmo? Serei capaz de perseverar a vida inteira?

Nos momentos em que se aglomeram no nosso coração dúvidas e medos, torna-se necessário o discernimento. Este permite-nos pôr ordem na confusão dos nossos pensamentos e sentimentos, para agir de maneira justa e prudente. Neste processo, o primeiro passo para superar os medos é identificá-los claramente, para não acabar desperdiçando tempo e energias a braços com fantasmas sem rosto nem consistência. Por isso, convido-vos, todos, a olhar dentro de vós próprios e a «dar um nome» aos vossos medos. Perguntai-vos: Hoje, na situação concreta que estou a viver, o que é que me angustia, o que é que mais temo? O que é que me bloqueia e impede de avançar? Porque é que não tenho a coragem de abraçar as decisões importantes que deveria tomar? Não tenhais medo de olhar, honestamente, para os vossos medos, reconhecê-los pelo que são e enfrentá-los. A Bíblia não nega o sentimento humano do medo, nem os inúmeros motivos que o podem provocar. Abraão teve medo (cf. Gn 12, 10-11), Jacob teve medo (cf. Gn 31, 31; 32, 8), e de igual modo também Moisés (cf. Ex 2, 14; 17, 4), Pedro (cf. Mt 26, 69-75) e os Apóstolos (cf. Mc 4, 38-40; Mt 26, 56). O próprio Jesus, embora a um nível incomparável, sentiu medo e angústia (cf. Mt 26, 37; Lc 22, 44).

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» (Mc 4, 40). Esta advertência de Jesus aos discípulos faz-nos compreender como muitas vezes o obstáculo à fé não é a incredulidade, mas o medo. Neste sentido, o trabalho de discernimento, depois de ter identificado os nossos medos, deve ajudar-nos a superá-los, abrindo-nos à vida e enfrentando serenamente os desafios que ela nos apresenta. De modo particular para nós, cristãos, o medo nunca deve ter a última palavra, mas ser ocasião para realizar um ato de fé em Deus... e também na vida. Isto significa acreditar na bondade fundamental da existência que Deus nos deu, confiar que Ele conduz a um fim bom mesmo através de circunstâncias e vicissitudes muitas vezes misteriosas para nós. Se, em vez disso, alimentarmos os medos, tenderemos a fechar-nos em nós próprios, a barricar-nos para nos defendermos de tudo e de todos, ficando como que paralisados. É preciso reagir! Nunca fechar-se! Na Sagrada Escritura, encontramos 365 vezes a expressão «não temer», nas suas múltiplas variações, como se dissesse que o Senhor nos quer livres do medo todos os dias do ano.

O discernimento torna-se indispensável quando se trata da busca da própria vocação. Pois esta, na maioria das vezes, não aparece logo clara ou completamente evidente, mas vai-se identificando pouco a pouco. O discernimento, que se deve fazer neste caso, não há de ser entendido como um esforço individual de introspeção, cujo objetivo seria conhecer melhor os nossos mecanismos interiores para nos fortalecermos e alcançarmos um certo equilíbrio; porque, então, a pessoa pode tornar-se mais forte, mas permanece em todo o caso fechada no horizonte limitado das suas possibilidades e pontos de vista. Ao contrário, a vocação é uma chamada do Alto e, neste caso, o discernimento consiste sobretudo em abrir-se ao Outro que chama. Portanto, é necessário o silêncio da oração para escutar a voz de Deus que ressoa na consciência. Ele bate à porta dos nossos corações, como fez com Maria, desejoso de estreitar amizade connosco através da oração, falar-nos através da Sagrada Escritura, oferecer-nos a sua misericórdia no sacramento da Reconciliação, tornar-Se um só connosco na Comunhão Eucarística.

Mas é importante também o confronto e o diálogo com os outros, nossos irmãos e irmãs na fé, que têm mais experiência e nos ajudam a ver melhor e a escolher entre as várias opções. O jovem Samuel, quando ouve a voz do Senhor, não a reconhece imediatamente e três vezes foi ter com Eli, o sacerdote idoso, que acaba por lhe sugerir a resposta certa a dar à chamada do Senhor: «Se fores chamado outra vez, responde: “Fala, Senhor; o teu servo escuta”» (1 Sm 3, 9). Nas vossas dúvidas, sabei que podeis contar com a Igreja. Sei que há bons sacerdotes, consagrados e consagrados, fiéis-leigos – muitos deles também jovens –, que vos podem acompanhar como irmãos e irmãs mais velhos na fé; animados pelo Espírito Santo, serão capazes de vos ajudar a decifrar as vossas dúvidas e a ler o desígnio da vossa vocação pessoal. O «outro» é não apenas o guia espiritual, mas também quem nos ajuda a abrir-nos a todas as riquezas infinitas da existência que Deus nos deu. É necessário abrir espaços nas nossas cidades e comunidades para crescer, sonhar, perscrutar novos horizontes! Nunca percais o prazer de gozar do encontro, da amizade, o prazer de sonhar juntos, de caminhar com os outros. Os cristãos autênticos não têm medo de se abrir aos outros, de compartilhar os seus espaços vitais transformando-os em espaços de fraternidade. Não deixeis, queridos jovens, que os fulgores da juventude se apaguem na escuridão duma sala fechada, onde a única janela para olhar o mundo seja a do computador e do smartphone. Abri de par em par as portas da vossa vida! Os vossos espaços e tempos sejam habitados por pessoas concretas, relações profundas, que vos deem a possibilidade de compartilhar experiências autênticas e reais no vosso dia-a-dia.

2. Maria!
«Eu te chamei pelo teu nome» (Is 43, 1). O primeiro motivo para não temer é precisamente o facto de Deus nos chamar pelo nome. O anjo, mensageiro de Deus, chamou Maria pelo nome. Dar nomes é próprio de Deus. Na obra da criação, Ele chama à existência cada criatura com o seu nome. Por trás do nome, há uma identidade, aquilo que é único em cada coisa, em cada pessoa, aquela essência íntima que só Deus conhece profundamente. Depois, esta prerrogativa divina foi partilhada com o homem, a quem Deus concedeu dar um nome aos animais, às aves e até aos próprios filhos (cf. Gn 2, 19-21; 4, 1). Muitas culturas compartilham esta profunda visão bíblica, reconhecendo no nome a revelação do mistério mais profundo duma vida, o significado duma existência.

Quando chama pelo nome uma pessoa, Deus revela-lhe ao mesmo tempo a sua vocação, o seu projeto de santidade e de bem pelo qual essa pessoa será um dom para os outros e se tornará única. E mesmo quando o Senhor quer ampliar os horizontes duma vida, decide dar à pessoa chamada um novo nome, como faz com Simão, chamando-o «Pedro». Daqui veio o uso de adotar um nome novo quando se entra numa Ordem Religiosa, para indicar uma nova identidade e uma nova missão. A chamada divina, enquanto pessoal e única, exige a coragem de nos desvincularmos da pressão homogeneizadora dos lugares-comuns, para que a nossa vida seja verdadeiramente um dom original e irrepetível para Deus, para a Igreja e para os outros.

Assim, queridos jovens, ser chamados pelo nome é um sinal da nossa grande dignidade aos olhos de Deus, da sua predileção por nós. E Deus chama cada um de vós pelo nome. Vós sois o «tu» de Deus, preciosos a seus olhos, dignos de estima e amados (cf. Is 43, 4). Acolhei com alegria este diálogo que Deus vos propõe, este apelo que vos dirige, chamando-vos pelo nome.

3. Achaste graça diante de Deus
O motivo principal pelo qual Maria não deve temer é porque achou graça diante de Deus. A palavra «graça» fala-nos de amor gratuito, não devido. Quanto nos encoraja saber que não temos de merecer a proximidade e a ajuda de Deus, apresentando antecipadamente um «currículo excelente», cheio de méritos e sucessos! O anjo diz a Maria que  achou graça diante de Deus; não, que a obterá no futuro. A própria formulação das palavras do anjo faz-nos compreender que a graça divina é ininterrupta, não algo fugaz ou momentâneo, e por isso nunca falhará. E no futuro também haverá sempre a graça de Deus a sustentar-nos, sobretudo nos momentos de prova e escuridão.

A presença contínua da graça divina encoraja-nos a abraçar, com confiança, a nossa vocação, que exige um compromisso de fidelidade que se deve renovar todos os dias. Com efeito, a senda da vocação não está desprovida de cruzes: não só as dúvidas iniciais, mas também as tentações frequentes que se encontram ao longo do caminho. O sentimento de inadequação acompanha o discípulo de Cristo até ao fim, mas ele sabe que é assistido pela graça de Deus.

As palavras do anjo descem sobre os medos humanos, dissolvendo-os com a força da boa nova de que são portadoras: a nossa vida não é pura casualidade nem mera luta pela sobrevivência, mas cada um de nós é uma história amada por Deus. O «ter achado graça» aos olhos d’Ele significa que o Criador entrevê uma beleza única no nosso ser e tem um desígnio magnífico para a nossa existência. Esta consciência, certamente, não resolve todos os problemas nem tira as incertezas da vida, mas tem a força de a transformar em profundidade. O desconhecido, que o amanhã nos reserva, não é uma obscura ameaça a que devemos sobreviver, mas um tempo favorável que nos é dado para viver a unicidade da nossa vocação pessoal e partilhá-la com os nossos irmãos e irmãs na Igreja e no mundo.

4. Coragem no presente
Da certeza de que a graça de Deus está connosco, provém a força para ter coragem no presente: coragem para levar por diante aquilo que Deus nos pede aqui e agora, em cada âmbito da nossa vida; coragem para abraçar a vocação que Deus nos mostra; coragem para viver a nossa fé sem a esconder nem atenuar.

Sim, quando nos abrimos à graça de Deus, o impossível torna-se realidade. «Se Deus está por nós, quem pode estar contra nós?» (Rm 8, 31). A graça de Deus toca o hoje da vossa vida, «agarra-vos» assim como sois, com todos os vossos medos e limites, mas revela também os planos maravilhosos do Senhor! Vós, jovens, precisais de sentir que alguém tem verdadeiramente confiança em vós: sabei que o Papa confia em vós, que a Igreja confia em vós! E vós, confiai na Igreja!

À jovem Maria foi confiada uma tarefa importante, precisamente porque era jovem. Vós, jovens, tendes força, atravessais uma fase da vida em que certamente não faltam as energias. Usai essa força e essas energias para melhorar o mundo, começando pelas realidades mais próximas de vós. Desejo que, na Igreja, vos sejam confiadas responsabilidades importantes, que se tenha a coragem de vos deixar espaço; e vós, preparai-vos para assumir estas responsabilidades.

Convido-vos ainda a contemplar o amor de Maria: um amor solícito, dinâmico, concreto. Um amor cheio de audácia e todo projetado para o dom de Si mesma. Uma Igreja impregnada por estas qualidades marianas será sempre uma Igreja em saída, que ultrapassa os seus limites e confins para fazer transbordar a graça recebida. Se nos deixarmos contagiar pelo exemplo de Maria, viveremos concretamente aquela caridade que nos impele a amar a Deus acima de tudo e de nós mesmos, a amar as pessoas com quem partilhamos a vida diária. E amaremos inclusive quem nos poderia parecer, por si mesmo, pouco amável. É um amor que se torna serviço e dedicação, sobretudo pelos mais fracos e os mais pobres, que transforma os nossos rostos e nos enche de alegria.

Gostaria de concluir com as encantadoras palavras pronunciadas por São Bernardo numa famosa homilia sobre o mistério da Anunciação, palavras que manifestam a expetativa de toda a humanidade pela resposta de Maria: «Ouviste, ó Virgem, que conceberás e darás à luz um filho; ouviste que isso não será por obra de varão, mas por obra do Espírito Santo. O anjo aguarda a resposta; também nós, Senhora, esperamos a tua palavra de misericórdia. A tua breve resposta pode renovar-nos e restituir-nos à vida. Todo o mundo, prostrado a teus pés, espera a tua resposta. Dá depressa, ó Virgem, a tua resposta» (Hom. 4, 8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4 (1966), 53-54).

Queridos jovens, o Senhor, a Igreja, o mundo esperam também a vossa resposta à vocação única que cada um tem nesta vida! À medida que se aproxima a JMJ do Panamá, convido-vos a preparar-vos para este nosso encontro com a alegria e o entusiasmo de quem deseja fazer parte duma grande aventura. A JMJ é para os corajosos! Não para jovens que procuram apenas a comodidade, recuando à vista das dificuldades. Aceitais o desafio?

Vaticano, 11 de fevereiro – VI Domingo do Tempo Comum e Memória de Nossa Senhora de Lurdes – de 2018.

FRANCISCO

O Evangelho do dia 22 de fevereiro de 2018

Tendo chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os Seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus disse-lhes: «E vós quem dizeis que Eu sou?». Respondendo Simão Pedro, disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Respondendo Jesus, disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos céus. E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus».

Mt 16, 13-19

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 21 de fevereiro de 2018

Concorrendo as multidões, começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas. Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem será um sinal para esta geração. A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo contra os homens desta geração, e condená-los-á, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está Quem é mais do que Salomão. Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e condená-la-ão, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas; e aqui está Quem é mais do que Jonas!

Lc 11, 29-32

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Que eu não volte a voar pegado à terra

– Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913)

Vejo-me como um pobre passarinho que, acostumado a voar apenas de árvore em árvore ou, quando muito, até à varanda de um terceiro andar..., um dia, na sua vida, meteu-se em brios para chegar até ao telhado de certa casa modesta, que não era propriamente um arranha-céus...

Mas eis que o nosso pássaro é arrebatado por uma águia – que o julgou erradamente uma cria da sua raça – e, entre as suas garras poderosas, o passarinho sobe, sobe muito alto, por cima das montanhas da terra e dos cumes nevados, por cima das nuvens brancas e azuis e cor-de-rosa, mais acima ainda, até olhar o sol de frente... E então a águia, soltando o passarinho, diz-lhe: anda, voa!...

– Senhor, que eu não volte a voar pegado à terra, que esteja sempre iluminado pelos raios do divino Sol – Cristo – na Eucaristia, que o meu voo não se interrompa até encontrar o descanso do teu Coração! (Forja, 39)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho do dia 20 de fevereiro de 2018

Nas vossas orações não useis muitas palavras como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais. «Vós, pois, orai assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso supersubstancial nos dá hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas.

Mt 6, 7-15

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 19 de fevereiro de 2018

«Quando, pois, vier o Filho do Homem na Sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Se sentará sobre o trono de Sua majestade. Todas as nações serão congregadas diante d'Ele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. «Dirá então o Rei aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era peregrino, e Me recolhestes; nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; estava na prisão, e fostes ver-Me”. Então, os justos Lhe responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto, e Te demos de comer; com sede, e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino, e Te recolhemos; nu, e Te vestimos? Ou quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-Te?”. O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequenos, a Mim o fizestes”. Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demónio e para os seus anjos; porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; era peregrino, e não Me recolhestes; estava nu, e não Me vestistes; enfermo e na prisão, e não Me visitastes”. Então, eles também responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não Te assistimos?”. E lhes responderá: “Em verdade vos digo: Todas as vezes que o não fizestes a um destes mais pequenos, foi a Mim que não o fizestes”. E esses irão para o suplício eterno; e os justos para a vida eterna».

Mt 25, 31-46

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Bom Domingo do Senhor!

Para acreditarmos no Evangelho, como o Senhor nos recomenda na leitura de hoje (Mc 1, 12-15), procuremos ler diariamente breves trechos e ao fazê-lo e repetindo ao longo do tempo estaremos a consolidar a nossa fé e cada vez mais O compreenderemos e amaremos melhor.

Senhor ilumina a nossa mente para nos arrependermos dos nossos pecados e aumentarmos a nossa fé!

«Sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja»

São Leão Magno (?-c. 461), papa, doutor da Igreja 
Sermão 4, sobre o aniversário da sua ordenação, 2 (trad. do Breviário de 22 de Fevereiro)


Nada podia escapar à sabedoria e ao poder de Cristo: os elementos da natureza estavam ao seu serviço, os espíritos obedeciam-Lhe e os anjos serviam-no. […] De entre os homens de todo o mundo, é Pedro o único escolhido para ser posto à frente de todos os povos chamados à fé, para ser posto à frente de todos os apóstolos e de todos os Padres da Igreja; e assim, embora haja no povo de Deus muitos sacerdotes e muitos pastores, Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. […]

A todos os apóstolos pergunta o Senhor o que pensam os homens acerca dele; e a resposta de todos revela de modo unânime as hesitações da humana ignorância. Mas quando procura saber o pensamento dos discípulos, o primeiro na confissão do Senhor é o primeiro na dignidade apostólica. Tendo ele dito: «Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo», Jesus respondeu-lhe: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos céus» (Mt 16,16-17); ou seja, és feliz porque meu Pai te ensinou, e não foste enganado pela opinião da terra, mas instruído pela inspiração do céu; e não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim Aquele de Quem sou o Filho Unigénito.

«E Eu digo-te», acrescentou; ou seja, assim como meu Pai te manifestou a minha divindade, assim Eu te revelo a tua dignidade: «Tu és Pedro», isto é: Eu sou a pedra inquebrantável, Eu sou «a pedra angular» que «de dois povos fez um só» (Ef 2,20.14), Eu sou o fundamento que ninguém pode substituir (1Cor 3,11); todavia, também tu és pedra, porque solidário com a minha força e, desse modo, o poder que Me é próprio por prerrogativa pessoal ser-te-á comunicado pela participação comigo. «E sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja» (Mt 16,18). […] Sobre esta fortaleza construirei um templo eterno, e as alturas da minha Igreja, que hão-de penetrar no céu, erguer-se-ão sobre a firmeza da fé de Pedro.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

«Delírio em las Vedras!»

A abstinência sexual exigida pela lei de Cristo, não pode ser vista como uma mera proibição, mas como afirmação de um amor maior.

Embora não seja aficionado ao Carnaval, não posso deixar de reconhecer que é um tempo que me é muito proveitoso em termos profissionais. Com efeito, o meu negócio é o pecado – o pecado dos outros, entenda-se! – e não há dúvida de que o Carnaval é época alta para qualquer sacerdote que se preze. Este ano, as expectativas eram ainda melhores, porque o lema do Carnaval de Torres Vedras era muito promissor: ‘Delírio em las Vedras!’

Mas, para minha surpresa, ao folhear o Expresso de 10 de Fevereiro último, o delírio voltou a aparecer, desta feita nas palavras de Frei Bento Domingues: “É um acto da teologia das palavras cruzadas. Um delírio”. Referia-se o ilustre frade dominicano à nota pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa sobre a aplicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, e não, como algum incauto leitor poderia supor, ao Carnaval de Torres.

Se ainda o não disse, digo-o agora: sempre tive uma especial simpatia e gratidão pela Ordem dos Pregadores, por razões familiares e por ter estudado vários anos nos dois colégios dominicanos de Lisboa: o de São José, no Restelo, que ainda existe; e o Clenardo, na Rua do Salitre, que já fechou há uns anos. Aliás, foi no São José, onde fiz a infantil, que aprendi, com quatro ou cinco anos, a dura lição da ‘abstinência da carne’: uma vez mordi uma freira que me contrariou, mas foi tal o castigo que – remédio santo! – nunca mais mordi nenhuma religiosa, nem leiga sequer. Sou também um leitor atento das crónicas de Frei Bento Domingues, que nunca me deixam indiferente.

Mas, voltemos ao delírio. Não ao de Torres Vedras, mas ao do Frei Bento, que acha que não faz sentido pedir a um homem e a uma mulher que vivem juntos, mesmo não sendo verdadeiramente casados, que se abstenham dos actos próprios da vida conjugal. A abstinência seria não só antinatural como até impossível e, como é sabido, ninguém está obrigado ao que não é possível. A argumentação até faria algum sentido se todos os cristãos não estivessem obrigados à abstinência: não só os bispos, padres e religiosos, que até fizeram um voto nesse sentido; mas também os casados, excepto em relação ao seu legítimo cônjuge; e os solteiros, em relação a todas as pessoas, sem excepção.

Se fosse moralmente aceitável a relação extraconjugal, ter-se-ia de concluir que poderia ser lícita a violação da fidelidade matrimonial. Quantas vezes? A samaritana, que até não era má rapariga, já ia no sexto companheiro, o que a não impediu de se converter. Mas não consta que Jesus lhe tenha permitido manter aquela generosa colecção de ‘maridos’, nem o parceiro que então tinha e que, pelos vistos, nem isso era (Jo 4, 7-18). Se assim não fosse, o adultério deixaria de ser pecado, como há muito já não é crime.

Cristo, ao absolver a adúltera apanhada em flagrante, exigiu-lhe que não voltasse a pecar (Jo 8, 11). E, se para os judeus piedosos o adultério só se realizava quando havia união carnal entre duas pessoas não casadas legitimamente entre si, Jesus, que não veio abolir a lei mas dar-lhe pleno cumprimento (Mt 5, 17-18), acrescentou que também se pode cometer este pecado mortal por desejo, e até por mero pensamento, se advertido e consentido: “Ouvistes que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mt 5, 27-28).

Por outro lado, para além da sexual, outras muitas abstinências há, tanto ou mais importantes, a que estão igualmente obrigados os cristãos por razão da sua fé: a abstinência da mentira, do ódio, da soberba, da avareza, do roubo, da corrupção, do luxo, da inveja, da idolatria, da vingança, da exploração, da gula, da murmuração, etc. Mas, em todos estes casos, bem como no da abstinência sexual, quando exigida pela lei de Cristo, a renúncia não é uma mera proibição repressora, ou inibição castradora, mas afirmação de um amor maior. De forma análoga, uma pessoa apaixonada não entende a fidelidade prometida como um sacrifício, mas como uma consequência gozosa, mesmo que custosa, desse mesmo amor.

Frei Bento insiste em que, sobre a vida íntima conjugal, só o casal é que sabe: “É o casal que deve decidir a sua vida íntima. Nenhum padre, nenhum bispo, ninguém se pode intrometer. É ridículo!”. E um frade?! Se calhar pode …

Com certeza que, não só nesta matéria mas também em todas as outras, há que respeitar a liberdade das consciências e são sempre os próprios que devem decidir e arcar com a responsabilidade correspondente. Mas a Igreja, nomeadamente através do seu magistério e dos seus pastores, tem o dever de aconselhar os casais, para que estes possam, no expressivo dizer de São Paulo, “participar da liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (Rm 8, 21). Também o doente deve ter toda a liberdade de seguir, ou não, as indicações médicas, mas certamente que as receberá com agradecimento, porque sabe que são para o seu bem. Ninguém é obrigado a ser católico, mas a todos se pede, sob pena de hipocrisia, coerência com a fé que livremente se quis professar.

Quando Jesus instituiu a lei da indissolubilidade matrimonial, alguns dos seus discípulos, cientes da dificuldade na sua observância, comentaram: “Se é essa a situação do homem perante a mulher, não é conveniente casar-se!” (Mt 19, 10). A verdade é que, alguns anos depois, já havia casais cristãos espalhados por todo o império romano, graças também às perseguições de que resultaram tantos mártires. Numa sociedade divorcista e promíscua como era a romana de então (Rm 1, 24-32), onde se consentia a mancebia e até a pedofilia estava bem vista em termos sociais, a fidelidade dos esposos cristãos chamava poderosamente a atenção, embora muitos a vissem como uma perigosa utopia, promovida por uma seita condenada a desaparecer. Foi o contrário que aconteceu: os usos e costumes dos infiéis foram desaparecendo, ante a beleza e a sublimidade moral dos ideais cristãos. Os pagãos diziam, com admiração, daqueles primeiros discípulos de Cristo: “Vede como se amam!” (Tertuliano, Apologeticum, 39, 7).

Também agora, a mensagem cristã é exigente e apenas compreensível e praticável para quem se atreve a viver um amor autêntico. Para os outros, na verdade, só lhes resta mesmo o delírio do Carnaval.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada
(seleção de imagem 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 18 de fevereiro de 2018

Imediatamente o Espírito impeliu Jesus para o deserto. E permaneceu no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos O serviam. Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: «Completou-se o tempo e aproxima-se o reino de Deus; arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

Mc 1, 12-15

O Evangelho do dia 17 de fevereiro de 2018

Depois disto, Jesus saiu, e viu sentado no banco de cobrança um publicano, chamado Levi, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele, deixando tudo, levantou-se e seguiu-O. E Levi ofereceu-Lhe um grande banquete em sua casa, e havia grande número de publicanos e outros, que estavam à mesa com eles. Os fariseus e os seus escribas murmuravam dizendo aos discípulos de Jesus: «Porque comeis e bebeis com os publicanos e os pecadores?». Jesus respondeu-lhes: «Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os doentes. Não vim chamar os justos, mas os pecadores à penitência».

Lc 5, 27-32

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 16 de fevereiro de 2018

Então foram ter com Ele os discípulos de João e disseram-Lhe: «Qual é a razão por que nós e os fariseus jejuamos e os Teus discípulos não jejuam?». Jesus respondeu-lhes: «Porventura podem estar tristes os companheiros do esposo, enquanto o esposo está com eles? Mas virão dias em que lhes será tirado o esposo e então eles jejuarão.

Mt 9, 14-15

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 15 de fevereiro de 2018

Acrescentando: «É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que seja morto e ressuscite ao terceiro dia. Depois, dirigindo-Se a todos disse: «Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias, e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, a perderá; e quem perder a sua vida por causa de Mim, salvá-la-á. Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se se perde a si mesmo ou se faz dano a si?

Lc 9, 22-25

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Homilia Quarta-feira de Cinzas

O tempo de Quaresma é propício para corrigir os acordes dissonantes da nossa vida cristã e acolher a notícia sempre nova, feliz e esperançosa da Páscoa do Senhor. Na sua sabedoria materna, a Igreja propõe-nos prestar especial atenção a tudo o que possa arrefecer e oxidar o nosso coração crente.

Múltiplas são as tentações, a que nos vemos expostos. Cada um de nós conhece as dificuldades que deve enfrentar. E é triste constatar, nas vicissitudes diárias, como se levantam vozes que, aproveitando-se da amargura e da incerteza, nada mais sabem semear senão desconfiança. E, se o fruto da fé é a caridade – como gostava de repetir Santa Teresa de Calcutá –, o fruto da desconfiança é a apatia e a resignação. Desconfiança, apatia e resignação: os demónios que cauterizam e paralisam a alma do povo crente.

A Quaresma é tempo precioso para desmascarar estas e outras tentações e deixar que o nosso coração volte a bater segundo as palpitações do coração de Jesus. Toda esta liturgia está impregnada por este sentir, podendo-se afirmar que o mesmo ecoa em três palavras que nos são oferecidas para «aquecer o coração crente»: para, olha e regressa.

Para um pouco, deixa esta agitação e este correr sem sentido que enche a alma de amargura sentindo que nunca se chega a parte alguma.

Para, deixa esta obrigação de viver de forma acelerada, que dispersa, divide e acaba por destruir o tempo da família, o tempo da amizade, o tempo dos filhos, o tempo dos avós, o tempo da gratuidade... o tempo de Deus.

Para um pouco com essa necessidade de aparecer e ser visto por todos, mostrar-se constantemente «em vitrina», que faz esquecer o valor da intimidade e do recolhimento.

Para um pouco com o olhar altivo, o comentário ligeiro e desdenhoso que nasce de se ter esquecido a ternura, a compaixão e o respeito pelo encontro com os outros, especialmente os vulneráveis, feridos e até imersos no pecado e no erro.
Para um pouco com essa ânsia de querer controlar tudo, saber tudo, devassar tudo, que nasce de se ter esquecido a gratidão pelo dom da vida e tanto bem recebido.

Para um pouco com o ruído ensurdecedor que atrofia e atordoa os nossos ouvidos e nos faz esquecer a força fecunda e criativa do silêncio.

Para um pouco com a atitude de fomentar sentimentos estéreis e infecundos que derivam do fechamento e da auto-comiseração e levam a esquecer de sair ao encontro dos outros para compartilhar as cargas e os sofrimentos.

Para diante do vazio daquilo que é instantâneo, momentâneo e efémero, que nos priva das raízes, dos laços, do valor dos percursos e de nos sentirmos sempre a caminho.

Para, para olhar e contemplar!

Olha os sinais que impedem de se apagar a caridade, que mantêm viva a chama da fé e da esperança. Rostos vivos com a ternura e a bondade de Deus, que age no meio de nós.

Olha o rosto das nossas famílias que continuam a apostar dia após dia, fazendo um grande esforço para avançar na vida e, entre muitas carências e privações, não descuram tentativa alguma para fazer da sua casa uma escola de amor.

Olha os rostos interpeladores das nossas crianças e jovens carregados de futuro e de esperança, carregados de amanhã e de potencialidades que exigem dedicação e salvaguarda. Rebentos vivos do amor e da vida que sempre conseguem abrir caminho por entre os nossos cálculos mesquinhos e egoístas.

Olha os rostos dos nossos idosos, enrugados pelo passar do tempo: rostos portadores da memória viva do nosso povo. Rostos da sabedoria operante de Deus.

Olha os rostos dos nossos doentes e de quantos se ocupam deles; rostos que, na sua vulnerabilidade e no seu serviço, nos lembram que o valor de cada pessoa não pode jamais reduzirse a uma questão de cálculo ou de utilidade.
Olha os rostos arrependidos de muitos que procuram remediar os seus erros e disparates e, a partir das suas misérias e amarguras, lutam por transformar as situações e continuar para diante.

Olha e contempla o rosto do Amor Crucificado, que continua hoje, a partir da cruz, a ser portador de esperança; mão estendida para aqueles que se sentem crucificados, que experimentam na sua vida o peso dos fracassos, dos desenganos e das desilusões.

Olha e contempla o rosto concreto de Cristo crucificado por amor de todos sem exclusão. De todos? Sim; de todos. Olhar o seu rosto é o convite cheio de esperança deste tempo de Quaresma para vencer os demónios da desconfiança, da apatia e da resignação. Rosto que nos convida a exclamar: o Reino de Deus é possível!

Para, olha e regressa.

Regressa à casa de teu Pai. Regressa sem medo aos braços ansiosos e estendidos de teu Pai, rico em misericórdia (cf. Ef 2, 4), que te espera!

Regressa! Sem medo: este é o tempo oportuno para voltar a casa, a casa do «meu Pai e vosso Pai» (cf. Jo 20, 17). Este é o tempo para se deixar tocar o coração... Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa muito diferente, e bem o sabe o nosso coração. Deus não Se cansa nem Se cansará de estender a mão (cf. Bula Misericordiae Vultus, 19).

Regressa sem medo para experimentar a ternura sanadora e reconciliadora de Deus! Deixa que o Senhor cure as feridas do pecado e cumpra a profecia feita a nossos pais: «Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo: arrancarei do vosso peito o coração da pedra e vos darei um coração de carne» (Ez 36, 26).

Para, olha e regressa!

O Credo e a Oração Universal (audiência)

Locutor: Na Liturgia da Palavra, o Senhor fala a todas e cada uma das pessoas que tomam parte na Missa: chama, consola, faz germinar vida nova e reconciliada em cada um dos participantes, segundo a sua idade, condição e situação de vida. Por isso, depois da homilia, deve haver uns momentos de silêncio, que permitam sedimentar na alma a semente recebida, gerando propósitos de adesão àquilo que o Espírito sugeriu a cada um. Em seguida, temos a resposta comum da assembleia à Palavra escutada; tal resposta toma a forma da profissão de fé da Igreja, expressa no «Credo». Há uma ligação vital entre escuta e fé. Pois a fé não nasce de fantasias da mente humana, mas «surge – como nos diz São Paulo – da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo». Ou seja, a fé alimenta-se com a escuta da Palavra e conduz ao Sacramento. Assim, a recitação do Credo faz com que a assembleia litúrgica volte a meditar e a professar os grandes mistérios da fé, antes da celebração destes na Liturgia Eucarística. A resposta à Palavra de Deus acolhida com fé expressa-se, depois, na Oração dos Fiéis, também chamada Oração Universal, porque abraça as necessidade da Igreja e do mundo. Sob a guia do sacerdote que a introduz e conclui, o povo, exercendo o seu sacerdócio batismal, oferece a Deus preces pela salvação de todos, como quer o Pai do Céu. Preces míopes, autorreferenciais ou ditadas por lógicas mundanas não chegam ao Céu. A Oração dos Fiéis, que conclui a Liturgia da Palavra, exorta-nos a assumir o olhar de Deus que cuida de todos os seus filhos.

Santo Padre:
Di cuore saluto i diversi gruppi di lingua portoghese, venuti dal Brasile e dal Portogallo, con risalto per i numerosi fedeli della parrocchia di «Nossa Senhora do Resgate», i membri dell’Associazione «Família Vida», e gli alunni, i professori, con i rispettivi familiari, del Collegio «São Teotónio». Su di voi e su tutti gli altri pellegrini di lingua portoghese, invoco la protezione della Vergine Maria: Ella vi prenda per mano lungo i prossimi quaranta giorni, aiutandovi a diventare più simili a Gesù risorto. Vi auguro una Quaresima santa e ricca di frutti.

LocutorDe coração saúdo os vários grupos de língua portuguesa, vindos do Brasil e de Portugal, salientando os numerosos fiéis da paróquia de Nossa Senhora do Resgate, os membros da Associação «Família Vida», e os alunos, os professores com os respetivos familiares do Colégio São Teotónio. Sobre vós e demais peregrinos de língua portuguesa, invoco a proteção da Virgem Maria. Que Ela vos tome pela mão durante os próximos quarenta dias, ajudando-vos a ficar mais parecidos com Jesus ressuscitado. Desejo-vos uma santa e frutuosa Quaresma!

Carta do Prelado (14 fevereiro 2018)

O Evangelho do dia 14 de fevereiro de 2018

«Guardai-vos de fazer as boas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles. De contrário não tereis direito à recompensa do vosso Pai que está nos céus. «Quando, pois, dás esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas, quando dás esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo, e teu Pai, que vê o que fazes em segredo, te pagará. «Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, ora a teu Pai; e teu Pai, que vê o que se passa em segredo, te dará a recompensa.  «Quando jejuais, não vos mostreis tristes como os hipócritas que desfiguram o rosto para mostrar aos homens que jejuam. Na verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, a fim de que não pareça aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está presente no oculto, e teu Pai, que vê no oculto, te dará a recompensa.

Mt 6, 1-6.16-18

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O Evangelho do dia 13 de fevereiro de 2018

Ora os discípulos esqueceram-se de levar pães; e não tinham consigo na barca mais do que um. Jesus advertia-os dizendo: «Evitai com cuidado o fermento dos fariseus e o fermento de Herodes». E eles comentavam entre si: «É que não temos pão». Conhecendo isto, Jesus disse-lhes: «Porque estais a discutir que não tendes pão? Ainda não reflectistes nem entendestes? Ainda tendes a vossa inteligência obscurecida? Tendes olhos e não vedes, e tendes ouvidos e não ouvis? Já não vos lembrais? Quando parti os cinco pães para cinco mil homens, quantos cestos cheios de pedaços recolhestes?». Eles responderam: «Doze». «E quando parti sete pães para quatro mil, quantos cestos de pedaços recolhestes?». Responderam: «Sete». E dizia-lhes: «Como é que ainda não entendeis?».

Mc 8, 14-21