Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 12 de maio de 2020

O Segredo de Fátima

À medida que o tempo passa, acredito mais no Segredo de Fátima. 

Nesse Segredo que desassossega, que nos arranca de casa, dos livros, da cidade e nos lança, anualmente, para a imensidão das estradas. Eu acredito num «não sei quê» que esse Segredo derrama em nós: uma porção de confiança, de abandono e de aventura. Uma vontade de tornar a vida mais que tudo verdadeira. De tornar generosos os projetos e fecundos os laços que nos ligam aos outros. De tornar absoluta a nossa sempre frágil Esperança.

À medida que o tempo passa, vou conhecendo pessoas cujo tesouro interior foi descoberto, ampliado nos caminhos de Fátima. Pessoas que contam histórias simples, misturadas com sorrisos e lágrimas. Histórias de um Encontro tão parecido ao que teve uma rapariga da Judeia, de nome Maria.

Que têm os peregrinos de Fátima? Têm o vento por asas e a lonjura por canto.
Têm a conversão por caminho e a prece ardente por mapa. São filhos de uma promessa que se cumpre dentro da vida.

Gosto dessa frase de Vitorino Nemésio que diz: “em Fátima, a Humanidade 
inteira passou a valer mais”. Gosto, porque nos caminhos longos, imprevistos e profundos de uma peregrinação isso nos é ensinado como uma evidência humilde e apaixonante.
José Tolentino Mendonça

Porque é que nós, homens, nos entristecemos?

"Bem-aventurada, porque acreditaste!", diz Isabel à nossa Mãe. A união com Deus, a vida sobrenatural, vai sempre unida à prática atraente das virtudes humanas: porque "leva" Cristo, Maria leva a alegria ao lar de sua prima. (Sulco, 566)

Não deis o mínimo crédito aos que apresentam a virtude da humildade como um amesquinhamento humano ou como uma condenação perpétua à tristeza. Sentir-se barro, recomposto com gatos, é fonte contínua de alegria; significa reconhecer-se pouca coisa diante de Deus: criança, filho. E haverá maior alegria do que a daquele que, sabendo-se pobre e débil, se sabe também filho de Deus? Porque é que nós, homens, nos entristecemos? Porque a vida na terra, não se passa como nós, pessoalmente, esperávamos e porque surgem obstáculos que impedem ou dificultam a satisfação do que pretendemos.

Nada disto acontece quando a alma vive essa realidade sobrenatural da sua filiação divina. Se Deus é por nós, quem será contra nós. Que estejam tristes os que se empenham em não se reconhecerem filhos de Deus, tenho eu repetido sempre. (Amigos de Deus, 108)

São Josemaría Escrivá

Santo Rosário - Quarto Mistério Doloroso



Jesus Toma a Sua Cruz

Sobre os Teus ombros doridos, repousa agora a Cruz que, desde sem­pre, Te estava reservada.
Enfraquecido como estás, uma noite inteira sem dormir, o sofrimento atroz do Getsémani, as vergastadas, os encontrões, deixaram-Te quase sem forças.
O Teu Espirito está como que aturdido pelos insultos, as palavras soe­zes, o ódio e a raiva que vês nos homens que Te rodeiam e que toda a noite Te atormentaram.
Para os judeus, príncipes dos sacerdotes e os outros do Sinédrio, és um inimigo e há que exacerbar ao máximo a multidão dos simples, analfa­betos, pouco mais que brutos, para que peçam mais e mais sofrimentos, mais e mais troça e escárnio. Só descansarão quando te virem morto, pregado na Cruz. Há o secreto medo que os Teus discípulos que se con­tam por milhares, acorram em Teu auxílio, se sublevem e subvertam facilmente toda uma turba de pobres homens e mulheres ávidos de um chefe, de um líder contra os odiados opressores romanos.
Para estes últimos, não passas de um divertimento. Algo que sai da ro­tina. Julgam que não têm qualquer responsabilidade; não lavou as mãos do assunto, o seu chefe, Pôncio Pilatos?

E onde estou eu, Senhor? No grupo turbulento, inconsciente e sem von­tade própria os que gritam: Crucifica-O! Daqueles que se aglomeram, ávidos de verem como é que vais aguentar o pesado madeiro?
Ou estou no meio daqueles que se limitam a cumprir ordens, sem querer saber, como nem porquê, se são justas ou injustas, e assim Te flagelei e agora Te arrasto para receberes a Cruz?
Acrescento, talvez, alguma coisa da minha lavra: uso o azorrague com mais força, fui eu quem se lembrou da coroa de espinhos, dei-Te algu­mas bofetadas por minha conta?
Ou sou, ainda, dos que, de longe, disfarçadamente, olham tudo, apavo­rados que descubram qualquer ligação conTigo, olhando em volta, pers­crutando se alguém se lembra de me Ter visto no meio dos quatro mil que alimentas-Te milagrosamente com uns pouco de peixes e pães?
Esta angústia de não saber onde estou, faz-me encolher na minha pró­pria insignificância cobarde e pusilânime. Quantas vezes me deixei ir com os outros, sem querer saber para onde ia, onde levava aquele ca­minho?
Quantas vezes inventei eu próprio algumas modificações nesses cami­nhos ínvios tornando-os mais tortuosos?
Quantas vezes não fugi e não me escondi, fiquei calado e atentei passar despercebido com medo de cair em “ridículo”, de “chocar” os outros, ou muito simplesmente de me afirmar como Teu filho e não consentir ofensa ao meu Pai na minha presença?

Descansa agora a Cruz no Teu ombro dorido, Senhor que Tu és homem, embora perfeito, sentes em todo o eu corpo esse peso enorme desse lenho duro que há-de receber o teu Corpo martirizado.
E conheces, um a um, todos os pecados de todos os homens que cons­tituem o peso dessa Cruz. Os meus também.
E eu queixo-me da minha cruz. Que é pesada, que é incómoda, que, até por vezes, me tira o sono!

Perdoa-me, Senhor, a minha insensibilidade perante a Tua Cruz. Não olhes para mim, Senhor, com o Teu olhar magoado e triste. Deixa-me respirar um pouco, tomar alento, ganhar coragem para então, postado a Teu lado, volveres para mim o Teu olhar misericordioso e, silenciosa­mente, dizeres-me: Estás perdoado; não tornes a pôr mais peso nesta tão pesada Cruz. E eu, senhor, com o coração cheio de alegria pela Tua bondade, prometo solenemente tudo fazer, com a Tua ajuda, para não tornar mais pesada a Tua Santa Cruz.

Maio - Dia 12

Véspera de 13 de Maio. Já muitos peregrinos estarão neste momento naquele lugar bendito pela tua presença viva há 102 anos atrás, Se­nhora.

Quiseste vir a Portugal, a Fátima, entregar a três simples crianças, uma mensagem urgente, importantíssima: oração e penitência, em desa­gravo do Sagrado Coração de Jesus tão ofendido pelos homens.
Ah! Senhora, que maravilha operaste nesta terra e neste homem que agora pensa nestas coisas todas.

As recordações da minha infância, os actos de Fé extraordinários, sim­ples uns, grandiosos outros, mas todos tão esmagadoramente convin­centes, que pasmo como pode alguém duvidar da excelência das vir­tudes que Fátima emana.

E eu, como tenho vivido a mensagem que tão amorosamente entregas-te aos Pastorinhos?

O Terço diário tenho-o rezado, mas, de que forma, Senhora...
Quantas distrações, devaneios, alheamentos.
Em lugar de meditar nos mistérios do Rosário, que retratam momentos importantíssimos da tua vida na terra, fico a pensar em não sei quê, divagando sem nexo e sem rumo.
Perdoa-me minha querida Mãe do Céu, a falta de educação que mani­festo com tais atitudes.
Sabes bem que sou um fraco e que não consigo fazer bem feito, como deve ser, uma coisa tão importante como falar contigo, rezar o Terço do Rosário.
Avé Maria cheia de graça. Sim, Avé Maria acima de tudo e todos, logo, logo abaixo de Jesus, tu, Maria, és a primeiríssima pessoa a quem re­corro.

Sei bem quanto vale a tua intercessão junto do Teu Santíssimo Filho e, por isso: Recordare Virgo Mater Dei dum steteris in conspectu Do­mini et loquaris pro me bona.

Não te esqueças, Senhora.

Tenta, como só tu sabes, compor as coisas junto do Senhor, e diz-Lhe que, vendo bem, eu não passo de um pobre tonto que não faz as coisas melhor porque é mole e fraco.
Mas que tento, tento e hei-de tentar sempre.
Com a tua preciosa ajuda, claro, porque sem ela bem posso eu tentar que não conseguirei absolutamente nada.
Penitência e oração, oração e penitência.
As duas coisas têm forçosamente de estar juntas, de se completar.
E eu penitencio-me pouco, quase nada.
Os pequenos sacrifícios ou mortificações que faço, que são, compara­dos com os gostos que desfruto, os, prazeres, os comodismos, para não falar já, nos excessos, mormente na comida e bebida que, por vezes, como um animal esfomeado ou sôfrego, cometo.

Ajuda-me Senhora minha, neste dia 12 de Maio, a preparar a minha alma e o meu espírito para atarefa diária que me espera: 

Combater a distração e o alheamento, lutar pela concentração na ora­ção e a disposição permanente para a mortificação nas coisas peque­nas de cada dia.

ama, 1998

http://amexiaalves-nunccoepi.blogspot.pt/2016/05/maio-dia-12.html

A bondade estampada no rosto

É hábito dizer-se “quem vê caras não vê corações”, mas como se não bastasse todo um exemplo de vida, em Álvaro del Portillo na sua face vemos bondade e paz.

São inúmeros os testemunhos que o confirmam, mas aquele que pessoalmente mais me toca, foi ter servido toda a sua vida e não ser servido, eis porque me refiro a ele sem o título episcopal, não que não tenha sido um bom bispo, mas acima de tudo foi um bom cristão, filho e servo de Deus e do próximo.

A sua fidelidade ao companheiro de muitos anos, São Josemaría Escrivá, e à Obra por este erguida é motivo de realce, mas não é a sua condição de fiel e Prelado do Opus Dei que o transformam automaticamente em alguém digno de louvor, mas o facto de ser espelho de virtudes heróicas e santas em total submissão a Deus e à Igreja.

O Papa Francisco assinou o decreto da sua beatificação que ocorreu em Madrid no dia 27 de setembro de 2014, infelizmente estes relevantes atos no seio da Igreja frequentemente passam-nos ao lado, como nos tem sucedido com outras beatificações de veneráveis cristãos cujo percurso de vida desconhecemos, eis porque decidi relembrar neste curto texto na esperança de alguma forma despertar quem nunca dele havia ouvido falar para o extraordinário homem de Deus que foi Álvaro del Portillo.

Termino pedindo que por sua intercessão o Senhor nos abençoe a todos em especial à Sua Igreja que ele tão bem serviu,

JPR