Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 30 de setembro de 2018

Bom Domingo do Senhor!

Façamos como o Senhor nos ensina no Evangelho de hoje (Mc 9,38-43.45.47-48) e não critiquemos aqueles que embora não sendo católicos e apenas cristãos O proclamam com palavras justas e praticam a caridade em seu nome.

Senhor Jesus transforma-nos em protagonistas do propósito da unidade de todos os cristãos, começando desde logo da de todos os católicos separados por antagonismos de quem parece não haver lido o Teu Evangelho.

«Seja quem for que vos der a beber um copo de água por serdes de...»

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (África do Norte) e Doutor da Igreja
3º Sermão sobre o Salmo 36

Dá os bens deste mundo e receberás os bens eternos. Dá a terra e receberás o céu. Mas a quem os dar? [...] Escuta o que a Escritura te diz sobre como emprestar ao próprio Senhor: «Quem dá ao pobre empresta ao Senhor» (Pr 19,17). Deus não precisa de ti, seguramente: mas outro precisará. O que deres a um, outro o receberá. Porque o pobre nada tem para te dar; bem o queria, mas nada encontra para dar; nele há apenas essa vigilante vontade de rezar por ti. Mas quando um pobre reza por ti, é como se dissesse a Deus: «Senhor, recebi um empréstimo, sê a minha caução». E então, se o pobre com quem lidas está insolvente, tem um bom fiador, pois Deus diz-te: «Dá em segurança, sou Eu quem responde por ele [...], sou Eu quem dará, sou Eu quem recebe, é a Mim que dás.»

Acreditas que Deus te diz: «Sou Eu quem recebe, é a Mim que dás?» Sim, seguramente, pois Cristo é Deus, e nisto não pode haver dúvida. Porque Ele disse: «Tive fome e destes-Me de comer». E como lhe perguntamos: «Senhor, quando foi que te vimos com fome?», Ele quer mostrar que é de facto o fiador dos pobres, que responde por todos os seus membros [...]. Ele declara-nos: «Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 35ss).

sábado, 29 de setembro de 2018

O Evangelho de Domingo dia 30 de setembro de 2018

João disse-lhe: «Mestre, vimos um homem, que não anda connosco, expulsar os demónios em Teu nome e nós lho proibimos porque não nos segue». Jesus, porém, respondeu: «Não lho proibais, porque não há ninguém que faça um milagre em Meu nome e que possa logo dizer mal de Mim. Porque quem não é contra nós, está connosco. «Quem vos der um copo de água, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. «Quem escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó que um asno faz girar, e que o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de pecado, corta-a; melhor te é entrar na vida eterna mutilado, do que, tendo as duas mãos, ir para a Geena, para o fogo inextinguível. Se o teu pé é para ti ocasião de pecado, corta-o; melhor te é entrar na vida eterna coxo, do que, tendo os dois pés, ser lançado na Geena. Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, lança-o fora; melhor te é entrar no reino de Deus sem um olho do que, tendo dois, ser lançado na Geena, “onde o seu verme não morre e o seu fogo não se apaga”.

Mc 9, 38-43.45.47-48

Evangelho do dia 29 de setembro de 2018

Jesus viu Natanael, que vinha ter com Ele, e disse dele: «Eis um verdadeiro israelita em quem não há fingimento». Natanael disse-lhe: «Donde me conheces?». Jesus respondeu-lhe: «Antes que Filipe te chamasse, Eu te vi, quando estavas debaixo da figueira». Natanael respondeu: «Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel». Jesus respondeu-lhe: «Porque te disse que te vi debaixo da figueira, acreditas?; verás coisas maiores que esta». E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do Homem».

Jo 1, 47-51

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Evangelho do dia 28 de setembro de 2018

Aconteceu que, estando a orar só, se encontravam com Ele os Seus discípulos. Jesus interrogou-os: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Responderam e disseram: «Uns dizem que és João Batista, outros que Elias, outros que ressuscitou um dos antigos profetas». Ele disse-lhes: «E vós quem dizeis que sou Eu?». Pedro, respondendo, disse: «O Cristo de Deus». Mas Ele, em tom severo, mandou que não o dissessem a ninguém, acrescentando: «É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que seja morto e ressuscite ao terceiro dia.

Lc 9, 18-22

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Evangelho do dia 27 de setembro de 2018

O tetrarca Herodes ouviu falar de tudo o que se passava, e não sabia que pensar, porque uns diziam: «É João que ressuscitou dos mortos»; outros: «É Elias que apareceu»; outros: «É um dos antigos profetas que ressuscitou». Herodes disse: «Eu mandei degolar João. Quem é, pois, Este de quem ouço tais coisas?». E buscava ocasião de O ver.

Lc 9, 7-9

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Viagem ao países bálticos (audiência)

Locutor: A Viagem Apostólica aos países bálticos, por ocasião do centenário da independência da Lituânia, Letônia e Estônia, teve por finalidade anunciar novamente nessas terras a alegria do Evangelho e a revolução da misericórdia. Salvo a Lituânia, onde há uma maioria católica, os outros dois países bálticos contam com uma grande presença luterana e ortodoxa, mas também são muitos o que abandonaram a prática religiosa, em parte fruto dos anos em que estiveram oprimidos pelo jugo do nazismo e do comunismo soviético. Por isso, o desafio era reforçar a comunhão entre os cristãos, numa perspectiva ecumênica, de tal modo que o Evangelho pudesse se confirmar como força libertadora no tempo de opressão, luz que ilumina o caminho no tempo da liberdade, e sal que preserva a vida da corrupção do egoísmo e da mediocridade. Igualmente importante era a promoção do diálogo entre as gerações, de tal modo que o contato com as raízes daqueles que vieram antes - os idosos, muitos deles marcados pela experiência da perseguição e do martírio – continue a fecundar o presente e o futuro dos mais jovens. Por fim, sob o olhar materno de Maria, Mãe da Misericórdia, esses povos puderam renovar o seu “sim” a Cristo, única fonte de esperança.


Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese, in particolare i fedeli di Niterói e di Olinda e Recife. Uniti nella preghiera per il prossimo Sinodo dei Vescovi su giovani, fede e discernimento vocazionale, auguro che il vostro pellegrinaggio a Roma rafforzi, nell’amore divino, i vincoli di ciascuno con la propria famiglia, con la comunità ecclesiale e con la società. La Madonna vi accompagni e vi protegga.


Locutor: Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis de Niterói e de Olinda e Recife. Unidos na oração pelo próximo Sínodo dos Bispos sobre os jovens, a fé e o discernimento vocacional, faço votos de que a vossa peregrinação a Roma fortaleça, no amor divino, os vínculos de cada um com a sua família, com a comunidade eclesial e com a sociedade. Que Nossa Senhora vos acompanhe e proteja!

Evangelho do dia 26 de setembro de 2018

Convocados os doze Apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios, e para curar as doenças. Enviou-os a pregar o reino de Deus e a curar os doentes. Disse-lhes: «Não leveis nada para o caminho, nem bastão, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, nem leveis duas túnicas. Em qualquer casa em que entrardes, ficai lá, e não saiais dela até à vossa partida, e se alguém não vos receber, ao sair dessa cidade, sacudi até o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles». Tendo eles partido, andavam de aldeia em aldeia pregando a boa nova, e fazendo curas por toda a parte.

Lc 9, 1-6

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Santa Missa na Praça de Liberdade em Talinin - Estónia

Ao escutar, na primeira leitura, a chegada ao Monte Sinai do povo judeu, já livre da escravidão do Egito (cf. Ex 19, 1), é impossível não pensar em vós como povo; é impossível não pensar na nação inteira da Estónia e todos os países bálticos. Como não vos recordar naquela «revolução cantada» ou naquela corrente de dois milhões de pessoas daqui até Vilna? Vós conheceis as lutas pela liberdade, podeis identificar-vos com aquele povo. Por conseguinte, far-nos-á bem escutar aquilo que Deus diz a Moisés, para compreendermos o que nos diz a nós como povo.

O povo, que chega ao Sinai, é um povo que já viu o amor do seu Deus manifestar-se em milagres e prodígios; é um povo que decide estabelecer um pacto de amor, porque Deus já o amou primeiro e manifestou-lhe este amor. Não é obrigado, Deus quere-lo livre. Quando dizemos que somos cristãos, quando abraçamos um estilo de vida, fazemo-lo sem pressões, sem que isso seja uma troca na qual nós fazemos algo se Deus nos fizer qualquer coisa. Mas sobretudo sabemos que a proposta de Deus não nos tira nada; pelo contrário, leva à plenitude, potencializa todas as aspirações do homem. Alguns consideram-se livres, quando vivem sem Deus ou separados d’Ele. Não se dão conta de que, assim, percorrem esta vida como órfãos, sem um lar para onde voltar. «Deixam de ser peregrinos para se transformarem em errantes, que giram indefinidamente ao redor de si mesmos, sem chegar a lado nenhum» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 170).

Cabe a nós, como ao povo que saiu do Egito, ouvir e buscar. Às vezes, alguns pensam que hoje a força dum povo se mede por outros parâmetros. Há quem fale com um tom mais alto e, quando fala, parece mais seguro, sem cedências nem hesitações; há quem junte, aos gritos, ameaças de armas, envio de tropas, estratégias... Esta é a pessoa que parece mais «firme». Mas isto não é «buscar» a vontade de Deus, mas um acumular para se impor com base no ter. Esta atitude esconde em si uma rejeição da ética e, com ela, de Deus; porque a ética coloca-nos em relação com Deus que espera de nós uma resposta livre e comprometida com os outros e com o nosso meio ambiente; uma resposta que está fora das categorias do mercado (cf. ibid., 57). Vós não conquistastes a vossa liberdade para acabar escravos do consumo, do individualismo ou da sede de poder e domínio.

Deus conhece as nossas necessidades, as mesmas que muitas vezes escondemos por detrás do desejo de possuir; e também as nossas inseguranças, superadas por meio do poder. A sede que habita em todo o coração humano, Jesus encoraja-nos – no Evangelho que escutamos – a superá-la no encontro com Ele. É Ele que nos pode saciar, cumular-nos com a plenitude própria da fecundidade da sua água, da sua pureza, da sua força arrebatadora. A fé é também dar-se conta de que Ele está vivo e nos ama; que não nos abandona e, por isso, é capaz de intervir misteriosamente na nossa história; tira o bem do mal com o seu poder e a sua infinita criatividade (cf. ibid., 278).

No deserto, o povo de Israel cairá na tentação de buscar outros deuses, adorar o bezerro de ouro, confiar nas suas próprias forças. Mas Deus não cessa de o atrair sempre de novo; e eles lembrar-se-ão do que escutaram e viram na montanha. Como aquele povo, também nós sabemos que somos um povo eleito, sacerdotal e santo (cf. Ex 19, 6; 1 Ped 2, 9). É o Espírito que nos recorda todas estas coisas (cf. Jo 14, 26).

Eleitos não significa exclusivos nem sectários; somos a pequena porção de fermento que deve levedar toda a massa, que não se esconde nem se separa, que não se considera melhor nem mais pura. A águia põe a seguro os seus filhotes, leva-os para lugares escarpados enquanto não conseguem sobreviver sozinhos, mas depois deve forçá-los a sair daquele lugar tranquilo. Sacode a sua ninhada, deixa os pequeninos suspensos no vazio para testarem as suas asas; mas permanece debaixo deles para os proteger, impedindo que se magoem. De igual modo procede Deus com o seu povo eleito, quere-lo «em saída», ousado no seu voo e sempre protegido apenas por Ele. Temos de vencer o medo e deixar os espaços blindados, porque hoje a maioria dos estonianos não se reconhece como crentes.

Sair como sacerdotes: somo-lo pelo Batismo. Sair para promover a relação com Deus, facilitá-la, favorecer um encontro amoroso com Aquele que não cessa de bradar: «Vinde a Mim» (Mt 11,28). Precisamos de crescer num olhar de proximidade para contemplar, comover-nos e deter-nos à vista do outro, sempre que for necessário. Esta é a «arte do acompanhamento», que se realiza com o ritmo salutar da «proximidade», com um olhar respeitoso e cheio de compaixão que é capaz de curar, desatar nós e fazer crescer na vida cristã (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 169).

E dar testemunho de ser um povo santo. Podemos cair na tentação de pensar que a santidade seja apenas para alguns. Mas «não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra» (Exort. ap. Gaudete et exsultate, 14). Entretanto, como a água no deserto não era um bem privado, mas comunitário, como o maná não podia ser armazenado porque se estragava, assim a santidade vivida expande-se, comunica-se, fecunda tudo o que lhe está próximo. Hoje, escolhamos ser santos, sarando as margens e as periferias da nossa sociedade, onde o nosso irmão jaz e sofre a sua exclusão. Não deixemos, para aquele que vier depois de mim, a iniciativa de o socorrer, nem que seja uma questão a ser resolvida pelas instituições; mas nós próprios detenhamos o nosso olhar naquele irmão e estendamos-lhe a mão para o levantar, porque nele está a imagem de Deus, é um irmão redimido por Jesus Cristo. Isto significa ser cristão e a santidade vivida dia a dia (cf. ibid., 98).

Na vossa história, deixais transparecer o orgulho de ser estonianos; cantai-lo dizendo: «Sou estoniano, permanecerei estoniano, estoniano é uma realidade bela, somos estonianos». Como é bom sentir-se parte dum povo! Como é bom ser independentes e livres! Subamos à montanha sagrada (a de Moisés, a de Jesus) e peçamos ao Senhor – como reza o lema desta visita – que desperte os nossos corações e nos conceda o dom do Espírito para discernirmos, em cada momento da história, o modo como ser livres, como abraçar o bem e sentir-se eleitos, como deixar que Deus faça crescer, aqui na Estónia e no mundo inteiro, a sua nação santa, o seu povo sacerdotal.

Evangelho do dia 25 de setembro de 2018

Foram ter com Ele Sua mãe e Seus irmãos, e não podiam aproximar-se d'Ele por causa da multidão. Foram dizer-Lhe: «Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e querem ver-Te». Ele respondeu-lhes: «Minha mãe e Meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática».

Lc 8, 19-21

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Homilia Missa Santuário da Mãe de Deus em Aglona - Letónia

Poderíamos justamente dizer que hoje se repete aqui o que São Lucas narra no início do livro dos Atos dos Apóstolos: estamos intimamente unidos, dedicando-nos à oração e na companhia de Maria, nossa Mãe (cf. 1, 14). Hoje fazemos nosso o lema desta visita: «Mostrai-Vos Mãe!», manifestai-nos o lugar onde continuais a cantar o Magnificat, os lugares onde Se encontra o vosso Filho crucificado para, aos seus pés, podermos encontrar a vossa presença firme.

O Evangelho de João refere apenas dois momentos em que a vida de Jesus cruza a de sua Mãe: as bodas de Caná (cf. 2, 1-12) e o texto que acabamos de ler, ou seja, Maria aos pés da cruz (cf. 19, 25-27). Parece que o evangelista tenha interesse em mostrar-nos a Mãe de Jesus nestas situações de vida aparentemente opostas: a alegria de um matrimónio e o sofrimento pela morte dum filho. Enquanto penetramos no mistério da Palavra, Ela mostra-nos qual é a Boa Nova que, hoje, o Senhor quer partilhar connosco.

A primeira coisa que o evangelista ressalta é que Maria está firmemente «de pé» junto de seu Filho. Não se trata dum modo descontraído de estar, nem evasivo e, menos ainda, pusilânime. Está, com firmeza, «cravada» aos pés da cruz, expressando com a posição do seu corpo que nada e ninguém poderia movê-La daquele lugar. É assim que Maria Se mostra em primeiro lugar: junto daqueles que sofrem, daqueles de quem todo o mundo foge, nomeadamente os que são julgados, condenados por todos, deportados. Não se trata apenas de oprimidos ou explorados, mas estão diretamente «fora do sistema», à margem da sociedade (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 53). Juntamente com eles, está também a Mãe, cravada nesta cruz da incompreensão e do sofrimento.

Maria mostra-nos também o modo como estar junto destas realidades; não é dar um passeio ou fazer uma breve visita, nem se trata sequer de «turismo solidário». É necessário que aqueles que padecem uma realidade dolorosa nos sintam a seu lado e da sua parte, de maneira firme, estável; todos os descartados da sociedade podem experimentar esta Mãe delicadamente próxima, porque, naqueles que sofrem, permanecem as chagas abertas do seu Filho Jesus. Ela aprendeu-o ao pé da cruz. Também nós somos chamados a «tocar» o sofrimento dos outros. Saiamos ao encontro do nosso povo para o consolar e fazer-lhe companhia; não tenhamos medo de experimentar a força da ternura e de nos envolvermos vendo a nossa vida complicada pelos outros (cf. ibid., 270). E, como Maria, permaneçamos firmes e de pé: com o coração voltado para Deus e corajosos, levantando os que caíram, erguendo o humilhado, ajudando a pôr fim a toda e qualquer situação de opressão que os faz viver como crucificados.

Maria é convidada por Jesus a aceitar o discípulo amado como seu filho. O texto refere que estavam juntos, mas Jesus dá-se conta de que isto não é suficiente, porque não se acolheram reciprocamente. De facto, é possível estar junto de muitíssimas pessoas, pode-se até compartilhar a mesma casa, bairro ou trabalho; pode-se compartilhar a fé, contemplar e desfrutar os mesmos mistérios, mas sem acolher, nem praticar uma aceitação amorosa do outro. Quantos esposos poderiam contar a história de estar próximos, mas não juntos! Quantos jovens sentem dolorosamente esta distância dos adultos! Quantos idosos se sentem friamente tratados, mas não carinhosamente cuidados e acolhidos!
É verdade ue, às vezes, a abertura aos outros nos fez muito mal. E também é verdade que, nas nossas realidades políticas, a história do choque entre os povos permanece ainda dolorosamente viva. Maria mostra-Se como mulher aberta ao perdão, que põe de lado ressentimentos e difidências; renuncia a lamentar-se como tudo «poderia ter andado» diversamente, se os amigos de seu Filho, os sacerdotes do seu povo ou os governantes se tivessem comportado de outra maneira; não Se deixa vencer pela frustração nem pela impotência. Maria crê em Jesus e acolhe o discípulo, porque as relações que nos curam e libertam são aquelas que nos abrem ao encontro e à fraternidade com os outros, porque, no outro, descobrem o próprio Deus (cf. ibid., 92). Dom Sloskans que repousa aqui, tendo sido preso e enviado para longe, escrevia a seus pais: «Peço-vos do fundo do meu coração que não deixeis que a vingança ou a irritação abram caminho no vosso coração. Se o permitíssemos, não seríamos cristãos verdadeiros, mas fanáticos». Num período em que parecem voltar mentalidades que nos convidam a desconfiar dos outros, que querem demonstrar-nos com estatísticas que estaremos melhor, teremos mais prosperidade, haveria mais segurança se estivéssemos sozinhos, Maria e os discípulos destas terras convidam-nos a acolher, a apostar de novo no irmão, na fraternidade universal.

Mas, Maria mostra-Se também como a mulher que se deixa acolher, que aceita humildemente fazer parte das coisas do discípulo. Naquele matrimónio que ficara sem vinho, com o perigo de acabar cheio de ritos, mas árido de amor e alegria, foi Ela quem ordenou que fizessem o que Ele lhes dissesse (cf. Jo 2, 5). Agora Ela, como discípula obediente, deixa-Se acolher, transfere-Se, adapta-Se ao ritmo do mais novo. A harmonia custa sempre, quando somos diferentes, quando os anos, as histórias e as circunstâncias nos situam em modos de sentir, pensar e fazer que, à primeira vista, parecem opostos. Quando ouvimos, com fé, a ordem de acolher e ser acolhidos, é possível construir a unidade na diversidade, porque não nos travam nem dividem as diferenças, mas somos capazes de olhar mais além, ver os outros na sua dignidade mais profunda, como filhos de um e mesmo Pai (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 228).

Nesta, como em cada Eucaristia, fazemos memória daquele dia. Aos pés da cruz, Maria lembra-nos a alegria de termos sido reconhecidos como seus filhos, e seu Filho Jesus convida-nos a levá-La para casa, a colocá-La no centro da nossa vida. Ela quer dar-nos a sua coragem para permanecermos firmes de pé; a sua humildade, que Lhe permite adaptar-Se às coordenadas de cada momento da história; e clama neste santuário por que todos nos comprometamos a acolher-nos sem discriminações, e todos, na Letónia, saibam que estamos dispostos a privilegiar os mais pobres, a levantar aqueles que caíram e a acolher os outros à medida que chegam e se apresentam diante de nós.

Evangelho do dia 24 de setembro de 2018

«Ninguém, pois, acendendo uma lâmpada a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama, mas põe-na sobre um candeeiro, para que os que entram vejam a luz. Porque nada há oculto que não acabe por ser manifestado, nem escondido que não deva saber-se e tornar-se público. Vede, pois, como ouvis. Porque àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado».

Lc 8, 16-18

domingo, 23 de setembro de 2018

Homilia Santa Missa Lituânia - Parque Sántakos em Kaunas

São Marcos dedica uma parte inteira do seu Evangelho ao ensinamento dirigido aos discípulos. É como se, a meio do caminho para Jerusalém, Jesus quisesse que os seus renovassem a sua opção, sabendo que este seguimento comportaria momentos de provação e sofrimento. O evangelista narra aquele período da vida de Jesus, lembrando que Ele anunciou, em três ocasiões, a sua paixão; e eles, por três vezes, expressaram a sua perplexidade e resistência, e o Senhor quis deixar-lhes um ensinamento, em cada uma das três ocasiões. Acabamos de ouvir a segunda destas três sequências (cf. Mc 9, 30-37).

A vida cristã sempre atravessa momentos de cruz e, às vezes, parecem intermináveis. As gerações passadas viram gravar a fogo o tempo da ocupação, a angústia daqueles que eram deportados, a incerteza por aqueles que não voltavam, a vergonha da delação, da traição. O livro da Sabedoria fala-nos do justo perseguido, daquele que sofre insultos e tormentos pelo simples facto de ser bom (cf. 2, 20-20). Quantos de vós poderiam contar em primeira pessoa, ou na história de algum parente, esta mesma passagem que foi lida? Quantos de vós viram também vacilar a sua fé, porque Deus não apareceu para vos defender; porque o facto de permanecer fiéis não foi suficiente para que Ele interviesse na vossa história. Kaunas conhece esta realidade; toda a Lituânia o pode testemunhar sentindo arrepios à simples nomeação da Sibéria, ou dos guetos de Vilna e Kaunas, entre outros; e pode corroborar em uníssono com o apóstolo Tiago, na passagem da sua Carta que escutamos: cobiçam, matam, invejam, lutam e fazem guerra (cf. 4, 2).

Mas, os discípulos não queriam que Jesus lhes falasse de sofrimento e de cruz; não querem saber nada de provações e angústias. E São Marcos lembra que o interesse deles ia para outras coisas: voltavam para casa discutindo sobre qual deles seria o maior. Irmãos, o desejo de poder e glória é o modo mais comum de se comportar daqueles que não conseguem curar a memória da sua história e, talvez por isso mesmo, não aceitam sequer comprometer-se no trabalho do momento presente. E então discute-se sobre quem mais brilhou, quem foi mais puro no passado, quem possui mais direito do que os outros a ter privilégios. E assim negamos a nossa história, «que é gloriosa por ser história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 96). É uma atitude estéril e vã, que se recusa a envolver-se na construção do presente, perdendo o contacto com a dolorosa realidade do nosso povo fiel. Não podemos ser como aqueles «peritos» espirituais que se limitam a julgar de fora e passam o tempo inteiro a falar sobre «o que se deveria fazer» (cf. ibid., 96).

Sabendo Jesus o que pensavam, propõe-lhes um antídoto para estas lutas de poder e a recusa do sacrifício; e, a fim de dar solenidade ao que está para dizer, senta-Se como um Mestre, chama-os e faz um gesto: coloca uma criança no centro; um rapazinho que habitualmente ganhava alguns trocados prontificando-se para recados que ninguém queria fazer. Hoje, nesta manhã de domingo, quem colocará aqui no meio? Quem serão os mais pequenos, os mais pobres entre nós, que devemos acolher cem anos depois da nossa independência? Quem não tem nada para nos retribuir, para tornar gratificantes os nossos esforços e as nossas renúncias? Talvez sejam as minorias étnicas da nossa cidade, ou os desempregados que são forçados a emigrar. Talvez sejam os idosos abandonados ou os jovens que não encontram um sentido na vida, porque perderam as suas raízes. «No meio» significa equidistante, de modo que ninguém pode fingir que não vê, ninguém pode afirmar que «é responsabilidade de outros», porque «eu não vi» ou «estou demasiado longe». Sem protagonismos, sem querer ser aplaudidos ou os primeiros. Lá, na cidade de Vilna, tocou ao rio Vilna oferecer as suas águas e perder o nome relativamente ao Neris; aqui, é o próprio Neris que perde o nome oferecendo as suas águas ao Nemunas. É precisamente disto que se trata: ser uma Igreja «em saída», não ter medo de sair e gastar-se mesmo quando parece que nos dissolvemos, não ter medo de nos perdermos atrás dos mais pequenos, dos esquecidos, daqueles que vivem nas periferias existenciais. Mas sabendo que aquele sair implicará também em determinados casos deter o passo, colocar de lado anseios e urgências para saber olhar nos olhos, escutar e acompanhar quem ficou na beira da estrada. Às vezes, será necessário comportar-se como o pai do filho pródigo, que permanece junto da porta à espera do seu regresso, para lhe abrir logo que chegue (cf. ibid., 46); ou como os discípulos que devem aprender que, ao receber um pequenino, é o próprio Jesus que Se recebe.

Eis porque nos encontramos hoje aqui, ansiosos por receber Jesus: na sua palavra, na Eucaristia, nos pequeninos. Recebê-Lo para que Ele reconcilie a nossa memória e nos acompanhe num presente que continue a apaixonar-nos pelos seus desafios, pelos sinais que nos deixa; para que O sigamos como discípulos, porque nada há de verdadeiramente humano que não tenha ressonância no coração dos discípulos de Cristo e, assim, sentimos como nossas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e dos atribulados (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 1). E porque, como comunidade, nos sentimos verdadeira e intimamente solidários com a humanidade – desta cidade e de toda a Lituânia – e com a sua história (cf. ibid., 1), queremos doar a vida no serviço e na alegria e, assim, fazer saber a todos que Jesus Cristo é a nossa única esperança.

Bom Domingo do Senhor!

Ambicionemos também nós a merecer ser escolhidos pelo Senhor à semelhança do menino como nos narra o Evangelho de hoje (Mc 9, 30-37) e tenhamos sempre a humildade de servir o próximo deixando-nos para últimos.

Senhor Jesus faz de nós, hoje e sempre, pessoas apaixonadas por Ti e pelo próximo!

«Quem receber um destes meninos em Meu nome é a Mim que recebe»

São Leão Magno (? – c. 461), papa e Doutor da Igreja
6º sermão para o Natal

A majestade dos Filho de Deus não desprezou a infância. Mas a criança foi crescendo até à estatura do homem perfeito; seguidamente, quando realizou plenamente o triunfo da Sua paixão e ressurreição, todas as acções de condição humilde que adoptou por amor a nós se tornaram passado. Contudo, a festa do Seu nascimento recorda-nos os primeiros momentos de Jesus, nascido da Virgem Maria. E, quando adoramos o nascimento do nosso Salvador, celebramos a nossa própria origem.

Com efeito, o cristianismo inicia-se quando Cristo vem ao mundo: o aniversário da cabeça é o aniversário do corpo. Certamente que cada um dos que são chamados o é por sua vez, e que os filhos da Igreja aparecem em diferentes épocas. No entanto, dado que todos os fiéis, nascidos da fonte do baptismo, foram crucificados com Cristo na Sua paixão, reanimados na Sua ressurreição, sentados à direita do Pai na Sua ascensão, todos nasceram com Ele no Seu nascimento.

Todo o crente que renasce em Cristo após ter abandonado o caminho do pecado original, seja de que parte do mundo for, torna-se um homem novo pelo seu segundo nascimento. Já não pertence à descendência de seu pai pela carne, mas à estirpe do Salvador, porque Este se tornou Filho do homem para que possamos ser filhos de Deus.

sábado, 22 de setembro de 2018

O Evangelho de Domingo dia 23 de setembro de 2018

Tendo partido dali, atravessaram a Galileia; e Jesus não queria que se soubesse. Ia instruindo os Seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens e Lhe darão a morte, mas ressuscitará ao terceiro dia depois da Sua morte». Mas eles não compreendiam estas palavras e temiam interrogá-l'O. Nisto chegaram a Cafarnaum. Quando estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «De que discutíeis pelo caminho?». Eles, porém, calaram-se, porque no caminho tinham discutido entre si qual deles era o maior. Então, sentando-Se, chamou os doze e disse-lhes: «Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos». Em seguida, tomando uma criança, pô-la no meio deles e, depois de a abraçar, disse-lhes: «Todo aquele que receber uma destas crianças em Meu nome, a Mim recebe, e todo aquele que Me receber a Mim, não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

Mc 9, 30-37

Evangelho do dia 22 de setembro de 2018

Tendo-se juntado uma grande multidão de povo e, tendo ido ter com Ele de diversas cidades, disse Jesus esta parábola: «Saiu o semeador a semear a sua semente; ao semeá-la, uma parte caiu ao longo do caminho; foi calcada e as aves do céu comeram-na. Outra parte caiu sobre pedregulho; quando nasceu, secou, porque não tinha humidade. A outra parte caiu entre espinhos; logo os espinhos, que nasceram com ela, a sufocaram. Outra parte caiu em terra boa; depois de nascer, deu fruto centuplicado». Dito isto, exclamou: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça!». Os Seus discípulos perguntaram-Lhe o que significava esta parábola. Ele respondeu-lhes: «A vós é concedido conhecer o mistério do reino de Deus, mas aos outros ele é anunciado por parábolas; para que “vendo não vejam, e ouvindo não entendam”. Eis o sentido da parábola: A semente é a palavra de Deus. Os que estão ao longo do caminho, são aqueles que a ouvem, mas depois vem o demónio e tira a palavra do seu coração para que não se salvem crendo. Os que estão sobre pedregulho, são os que, quando a ouvem, recebem com gosto a palavra, mas não têm raízes; por algum tempo acreditam, mas no tempo da tentação voltam atrás. A que caiu entre espinhos, representa aqueles que ouviram a palavra, porém, indo por diante, ficam sufocados pelos cuidados, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não dão fruto. Enfim, a que caiu em terra boa, representa aqueles que, ouvindo a palavra com o coração recto e bom, a conservam e dão fruto com a sua perseverança.

Lc 8, 4-15

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

«Cu-cu»: surpresa!

´Habitual visita a Nossa Senhora na Basílica de Santa Maria
Maior foto @GregBurkeRome
No final de Setembro (dias 22 a 25 de 2018), o Papa Francisco viaja aos países bálticos, para reforçar a fé daqueles povos duramente provados pela perseguição nazi, seguida de meio-século de perseguição soviética. Logo a seguir (3 a 28 de Outubro), arranca em Roma o sínodo dos bispos, sobre os jovens e a vocação, que inclui no programa (14 de Outubro) a canonização de Paulo VI e do Arcebispo Óscar Romero.

A primeira etapa da viagem aos países bálticos foi igual à de todas as viagens anteriores. Poucas horas antes de apanhar o avião, Francisco deslocou-se à basílica romana de Santa Maria Maior para confiar a Nossa Senhora estes dias apostólicos. A população aguarda-o com grande emoção, mas a vida religiosa e social daquelas nações ainda está pouco consolidada. Esta viagem coincide com os 100 anos da independência destes países, dos quais só uma pequena parte foi vivida em liberdade: «tempos obscuros, de violência e perseguição, em que a chama da liberdade não se extinguiu...» – disse-lhes o Papa numa mensagem-vídeo, pouco antes de partir.

O sínodo dos bispos vai tratar do projecto de Deus para cada ser humano e do momento em que cada um se encontra a sós com Deus e conhece esse sonho divino. Nalguns casos, o aturdimento é tão grande que o próprio não se apercebe de nada. Também há encontros felizes, em que a surpresa maiúscula do primeiro momento se prolonga até ao fim da vida com a alegria de ter sido olhado por Deus. É normal que o próprio se dê conta do erro que Deus comete ao chamá-lo para uma vocação que ultrapassa completamente a capacidade própria. Nessa altura, são possíveis duas atitudes. A mais inteligente é compreender que o facto de Deus ser omnipotente Lhe permite ultrapassar os impossíveis e que, de qualquer maneira, não temos de Lhe dar lições. A outra atitude é saber mais que Deus: «Muito obrigado, meu Deus; eu tenho uma ideia melhor, mas fico agradecido na mesma, por vos terdes lembrado de mim!».

Vocação de Mateus - Caravaggio
Hoje, no dia em que escrevo, a Igreja celebra o Apóstolo S. Mateus, um homem que, antes de ser chamado por Jesus, tinha uma função mais desprezível que a de um funcionário da Emel. Não deveria ter sido escolhido para nada, no entanto, reagiu de forma verdadeiramente inteligente àquele erro de «casting»: aceitou e condecorou-se a si mesmo por essa decisão, dando um grande banquete a todos os seus amigos. O lema papal de Francisco («miserando atque eligendo») é uma alusão à vocação de S. Mateus, uma referência ao Deus que «perdoa e escolhe».

A vocação é sempre uma surpresa. Em primeiro lugar, porque implica um erro de «casting», ou (o que vem a dar ao mesmo) um «amor cego» por parte de Deus. Em segundo lugar, porque o caminho empreendido ultrapassa tudo o que a imaginação alcança e o final é uma fecundidade inesgotável e um prémio sem fim.

A canonização simultânea de Paulo VI e do Arcebispo Óscar Romero apresenta-nos dois modelos de grande fidelidade à Igreja, um particularmente conhecido pela defesa da família e da vida humana e o outro mais conhecido pelo respeito da justiça, sobretudo em relação aos mais vulneráveis. Francisco explicou que a canonização simultânea destes dois santos mostra que as várias dimensões da mensagem cristã são indissociáveis.

Nesta semana, o «New York Times» publicou duas cartas escritas por Bento XVI em 2017 a um Cardeal conhecido pelas críticas ao Papa Francisco. Embora fossem cartas privadas, tornaram-se do domínio público. Dá pena também que o destinatário não tenha compreendido a mensagem.

Também nesta semana se comemorou no Parlamento italiano o encontro, ocorrido há 50 anos naquele mesmo edifício, entre Chiara Lubich e o político Igino Giordani. O próprio Giordani escreveu num livro de memórias: «Estava convencido de que ia ouvir uma entusiasta sentimental de qualquer utopia de beneficência. Foi completamente diferente. (...) De repente, a minha curiosidade despertava-se e deflagrava um fogo galopante. Quando, ao cabo de meia hora, acabou de falar, eu vivia numa atmosfera encantada, num limbo de luz e de felicidade; e teria gostado que aquela voz continuasse. Era a voz que, sem eu me dar conta, esperava. Era a santidade ao alcance...». Este deslumbramento de Giordani foi o princípio de uma vocação que havia de marcar o movimento dos Focolares... Uma vocação é sempre um deslumbramento e uma surpresa.
José Maria C.S. André

Evangelho do dia 21 de setembro de 2018

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus, que estava sentado na banca das cobranças, e disse-lhe: «Segue-Me». E ele, levantando-se, O seguiu. Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa deste homem, vieram muitos publicanos e pecadores, e se sentaram à mesa com Jesus e com os Seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos Seus discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, ouvindo isto, disse: «Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. Ide, e aprendei o que significa: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Mt 9, 9-13

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Evangelho do dia 20 de setembro de 2018

Um dos fariseus pediu-Lhe que fosse comer com ele. Tendo entrado em casa do fariseu, pôs-Se à mesa. Uma mulher, que era pecadora na cidade, quando soube que Ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um frasco de alabastro cheio de perfume. Colocando-se a Seus pés, por detrás d'Ele, começou a banhar-Lhe os pés com as lágrimas, e enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os, e ungia-os com o perfume. Vendo isto, o fariseu que O tinha convidado, disse consigo: «Se este fosse profeta, com certeza saberia de que espécie é a mulher que O toca: uma pecadora». Jesus então tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele disse: «Mestre, fala». «Um credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários, o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?». Simão respondeu: «Creio que aquele a quem perdoou mais». Jesus disse-lhe: «Julgaste bem». Em seguida, voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; ela com as suas lágrimas banhou os Meus pés, e enxugou-os com os seus cabelos. Não Me deste o ósculo; porém ela, desde que entrou, não cessou de beijar os Meus pés. Não ungiste a Minha cabeça com óleo, porém esta ungiu com perfume os Meus pés. Pelo que te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados porque muito amou. Mas, aquele a quem menos se perdoa, menos ama». Depois disse à mulher: «São-te perdoados os pecados». Os convidados começaram a dizer entre si: «Quem é Este que até perdoa pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou; vai em paz!».

Lc 7, 36-50

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Honra Pai e Mãe

Locutor: Deus manda-nos «honrar pai e mãe», para sermos felizes. Tal deve ser o ambiente são e equilibrado da nossa infância, que condiciona o êxito feliz da vida inteira. Entretanto o quarto mandamento de Deus não fala da bondade dos pais, não requer que o pai e a mãe sejam perfeitos; mas da atitude dos filhos, independentemente dos méritos dos pais e diz uma coisa extraordinária e libertadora: embora nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam serenas, todos os filhos podem ser felizes, porque alcançar uma vida plena e feliz depende do reconhecimento devido a quem nos colocou no mundo. Saber isto pode ajudar tantos jovens que provêm de histórias de abandono e violência e quantos sofreram na sua meninice e adolescência. Muitos santos e muitíssimos cristãos, depois duma infância atribulada, viveram uma vida luminosa, porque, graças a Jesus Cristo, se reconciliaram com a vida. Pensemos, por exemplo, em Santa Josefina Bakita. As nossas feridas começam a ser potencialidades, quando, pela graça, descobrimos que o verdadeiro enigma já não é «porquê?» me sucedeu isto, mas «para quê?», para que finalidade me forjou o Senhor com esta minha história? E aqui tudo se inverte, tudo se torna precioso e construtivo. Então podemos começar a amar os nossos pais com liberdade de filhos adultos, aceitando misericordiosamente os seus limites. Os enigmas da nossa vida esclarecem-se quando se descobre que, desde sempre, Deus nos prepara para uma vida de filhos seus, onde cada ato é uma missão recebida d’Ele. Independentemente da história donde provém, a pessoa recebe do quarto mandamento a orientação que conduz a Cristo. N’Ele se manifesta o Pai verdadeiro que, pelo Batismo, nos faz renascer do Alto.

Santo Padre:
Un benvenuto ai cari pellegrini di lingua portoghese, e in particolare ai fedeli di Brasília, guidati dal Vescovo ausiliare Monsignor Marcony Vinicius, e al gruppo del Colégio Santo Inácio di Fortaleza! Di cuore saluto tutti e affido al buon Dio la vostra vita e quella dei vostri familiari, invocando per tutti le consolazioni e le luci dello Spirito Santo affinché, vinti i pessimismi e le delusioni della vita, possiate attraversare la soglia della speranza che abbiamo in Cristo Signore. Conto sulle vostre preghiere. Grazie!

Locutor: Queridos peregrinos de língua portuguesa e em particular os fiéis de Brasília guiados pelo Bispo Auxiliar Dom Marcony Vinicius e o grupo do Colégio Santo Inácio, de Fortaleza, sede bem-vindos! De coração saúdo a todos e confio ao bom Deus a vossa vida e a dos vossos familiares, invocando para todos as consolações e luzes do Espírito Santo, a fim de que, vencidos os pessimismos e as desilusões da vida, possais cruzar o limiar da esperança que temos em Cristo Senhor. Conto com as vossas orações. Obrigado!

Evangelho do dia 19 de setembro de 2018

«A quem, pois, compararei os homens desta geração? A quem são semelhantes? São semelhantes a essas crianças que estão sentadas na praça, e que falam umas para as outras, dizendo: Tocámos flauta e vós não dançastes; entoámos música triste, e não chorastes. Porque veio João Batista, que não come pão nem bebe vinho, e dizeis: está possesso do demónio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: eis um glutão e um bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos».

Lc 7, 31-35

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Evangelho do dia 18 de setembro de 2018

No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo. Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores». Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Lc 7, 11-17

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Evangelho do dia 17 de setembro de 2018

Tendo terminado este discurso ao povo, entrou em Cafarnaum. Ora um centurião tinha doente, quase a morrer, um servo que lhe era muito querido. Tendo ouvido falar de Jesus, enviou-Lhe alguns anciãos dos judeus a pedir-Lhe que viesse curar o seu servo. Eles, tendo ido ter com Jesus, pediam-Lhe instantemente, dizendo: «Ele merece que lhe faças esta graça, porque é amigo da nossa nação e até nos edificou a sinagoga». Jesus foi com eles. Quando estava já perto da casa, o centurião mandou uns amigos a dizer-Lhe: «Senhor, não Te incomodes, porque eu não sou digno de que entres debaixo do meu tecto. Por essa razão nem eu me achei digno de ir ter contigo; mas diz uma só palavra, e o meu servo será curado. Porque também eu, simples subalterno, tenho soldados às minhas ordens, e digo a um: Vai! e ele vai; e a outro: Vem! e ele vem; e ao meu servo: Faz isto! e ele faz». Jesus, ao ouvir isto, ficou admirado e, voltando-Se para a multidão que O seguia, disse: «Em verdade vos digo que não encontrei tanta fé em Israel». Voltando para casa os que tinham sido enviados, encontraram o servo curado.

Lc 7, 1-10

domingo, 16 de setembro de 2018

Bom Domingo do Senhor!

Que nunca nos suceda fazer como Pedro, conforme nos narra o Evangelho de hoje (Mc 8, 27-35) e tenhamos a ousadia e a falta de amor e fé de repreender o Senhor. Que nas nossas orações Lhe saibamos transmitir as nossas angústias e perplexidades com a humildade de quem sabe que Ele só quer o nosso bem, mesmo quando tal não nos é evidente.

Senhor Jesus, Filho de Deus em vós descansamos e nos abandonamos!

«Tome a sua cruz e siga-Me»

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
A expiação mística / Amor à cruz, 24/11/1934

A união com Cristo é a nossa bem-aventurança e o aprofundamento dessa união com Ele traz-nos a felicidade terrena. Portanto, O amor à cruz não está, de forma nenhuma, em contradição com a alegria de sermos filhos de Deus. Ajudar a levar a cruz de Cristo dá uma alegria forte e pura aos que são chamados e são capazes de o fazer. Dessa forma, os verdadeiros filhos de Deus participam na edificação do Seu Reino. Assim, a predilecção pelo caminho da cruz também não significa que nos desagrade ver ultrapassada a sexta-feira Santa e cumprida a obra da Redenção. Só os resgatados, só os filhos da graça podem verdadeiramente carregar a cruz de Cristo. Só através da união com a divina Cabeça é que o sofrimento humano adquire a sua potencialidade redentora.

Sofrer e sentir-se bem-aventurado no sofrimento, permanecer firme de pé, seguir pelos caminhos poeirentos e pedregosos desta terra e estar ao mesmo tempo sentado com Cristo à direita do Pai (cf. Col 3, 1), rir-se e chorar com as crianças deste mundo sem deixar de cantar com os coros angélicos os louvores de Deus, eis a vida do cristão, até que rompa a aurora da eternidade.

sábado, 15 de setembro de 2018

O Evangelho de Domingo dia 16 de setembro de 2018

Saiu Jesus com os Seus discípulos pelas aldeias de Cesareia de Filipe. Pelo caminho, interrogou os discípulos: «Quem dizem os homens que Eu sou?». Eles responderam-Lhe: «Uns dizem que João Baptista, outros que Elias, e outros que algum dos profetas». Então perguntou-lhes: «E vós quem dizeis que Eu sou?». Pedro respondeu: «Tu és o Cristo». Então Jesus ordenou-lhes severamente que não dissessem isto d'Ele a ninguém. E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem padecesse muito, que fosse rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto, e que ressuscitasse depois de três dias. E falava destas coisas claramente. Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-l'O. Mas Jesus, voltando-Se e olhando para os Seus discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: «Retira-te daqui, Satanás, que não aprecias as coisas de Deus, mas sim as dos homens». Depois, chamando a Si o povo com os Seus discípulos, disse-lhes: «Se alguém quer seguir-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perder a vida por amor de Mim e do Evangelho, salvá-la-á.

Mc 8, 27-35

Evangelho do dia 15 de setembro de 2018

Estavam, de pé, junto à cruz de Jesus, Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, vendo Sua mãe e, junto dela, o discípulo que amava, disse a Sua mãe: «Mulher, eis o teu filho». Depois disse ao discípulo: «Eis a tua mãe». E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a na sua casa.

Jo 19, 25-27

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Evangelho do dia 14 de setembro de 2018

Ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu. E como Moisés levantou no deserto a serpente, assim também importa que seja levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que crê n'Ele tenha a vida eterna. «Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu Seu Filho Unigénito, para que todo aquele que crê n'Ele não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.

Jo 3, 13-17