Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Entrevista dos pobres ao Papa

Por momentos, tento não pensar no sofrimento dos ucranianos. Além de rezar, não falta fazer alguma coisa? Esforço-me por falar de outros temas.



Foi lançado hoje (sexta-feira, 1 de Abril) o livro «Des pauvres au Pape, du Pape au monde» (Éditions du Seuil), em que o Papa responde a uma centena de perguntas que vários pobres lhe colocaram. A maioria deles mais interessados em conhecer o Papa propriamente que em questões complexas


Qual o seu poema preferido? Que livro?


— «Não sei, eu gosto de muitos livros... Gosto dos clássicos. O meu favorito é a Eneida. Também li muitos autores modernos. Mas os clássicos moldaram-me mais…».


O que come? O que o relaxa mais? O que mais admira nas pessoas?


— «A simplicidade e a transparência. A simplicidade atrai-me, faz-me bem ver pessoas simples e transparentes».


Qual o desporto preferido?


— «Futebol! Mas não jogo. Mesmo quando era novo colocavam-me sempre à baliza, porque jogava mal».


Que faz em momentos de incerteza?


— «A tentação é resolver o assunto rapidamente. Mas eu paro, pelo menos tento parar. Porque às vezes fico ansioso e quero ver-me livre do problema quanto antes. E quando faço isso, corre mal. Por isso, tento parar e dar tempo ao tempo, considerar as coisas, a consultar algumas pessoas, rezar».


Quais são os seus defeitos? Que fotografia tem na mesa do escritório? Que cenas o comoveram especialmente?


— «Muitas. Em alturas diferentes. Uma coisa que eu vi e me comoveu muito foi a fila de mulheres no exterior da prisão, a visitar os filhos ou os maridos. Via-as quando passava no autocarro. Via a sua lealdade. Passavam a vergonha de estar ali à porta e todos saberem que eram a mãe ou a mulher de um preso. Mas não lhes importava. Lealdade. Tocou-me por dentro e ajudou-me tanto... Tanto!».


Ainda conduz automóveis? Com quem se confessa? Porque escolheu o nome de Francisco? Qual o seu maior desejo? O que mudaria no mundo, se só pudesse mudar uma coisa?


— «É engraçado, vem-me à cabeça a palavra “mãe” ou “mãezinha”. Que todos tenham uma mãe! Que todos saibam o que é ter uma mãe. Sofro quando vejo estas crianças ou jovens (…) que não têm mãe. Têm uma mãe, mas não a mãezinha querida. Eu sofro muito por estes órfãos. Poderia dizer o mesmo daqueles que não têm pai, mas falo da mãe, porque me parece que a mãe tem um peso simbólico maior».


Qual o seu santo preferido?


— «Santa Teresinha de Lisieux».


Como reza ao Anjo da Guarda? Qual a importância de Nossa Senhora na sua vida? A sua oração preferida? Porque se veste assim? Em que pensa, ao acabar o dia?...


Entretanto, continuamos a viver com o coração apertado perante o espectáculo de selvajaria do exército russo na Ucrânia. Como os ucranianos continuam a resistir heroicamente, destroem-lhes o país e matam a gente sem que nenhuma autoridade mundial consiga pôr cobro a este horror. Contam-se por milhões os ucranianos que conseguiram fugir para o estrangeiro, há dezenas de milhares de mortos entre os ucranianos, atingidos pelas bombas e pelas balas. E um número muito maior de vítimas da fome, da sede e da doença nas cidades cruelmente cercadas pelas forças russas. Há também baixas pesadas entre os soldados russos.


Este horror tem de parar!


Os países vizinhos da Ucrânia, sobretudo a Polónia, têm sido de uma generosidade extraordinária a acolher os refugiados. A União Europeia fez alguma coisa, como ligar a rede eléctrica ucraniana à da Europa ocidental, para os ucranianos continuarem a ter energia, apesar de tanta destruição. Empresas norte-americanas ofereceram internet a partir de uma rede de satélites, para os ucranianos conseguirem comunicar. De todas as partes, há um sentimento de solidariedade para com estes heróis que lutam pela liberdade.


Infelizmente, a comunidade internacional não tem coragem para impedir esta chacina. Cresce a aflição com que acompanhamos a desgraça da Ucrânia e o sentimento de culpa por não os ajudarmos suficientemente.


José Maria C.S. André