Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Evangelho do dia 31 de janeiro de 2019

Dizia-lhes mais: «Porventura traz-se a lâmpada para se pôr debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta sobre o candelabro? Porque não há coisa alguma escondida que não venha a ser manifesta, nem que seja feita para estar oculta, mas para vir a público. Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça». Dizia-lhes mais: «Atendei ao que ouvis. Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará. Porque ao que tem, dar-se-lhe-á ainda mais e ao que não tem, ainda o que tem lhe será tirado».

Mc 4, 21-25

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Viagem Apostólica ao Panamá

Locutor: A Viagem Apostólica ao Panamá, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, foi um momento de festa e sinal de esperança. A presença alegre de jovens vindos do mundo inteiro entrelaçou-se com encontros das diversas realidades panamenhas: as Autoridades, os Bispos, jovens encarcerados, e a visita a uma casa-família. De modo particular, os jovens cristãos, formando uma sinfonia de rostos e línguas, demonstraram ser um verdadeiro fermento e sinal profético para um mundo que se revela cada vez mais incapaz de aceitar e acolher as diferenças. As palavras de Nossa Senhora ao Anjo - “Eis aqui a Serva do Senhor, faça-me em mim segundo a tua palavra” – animaram os jovens a assumir, como Maria, que na sua pequenez tornou-se a grande influenciadora do mundo, a sua missão de serem discípulos missionários de Jesus. Por fim, o testemunho de São Oscar Romero inspirou os Bispos da América Central a renovar seu compromisso de “sentir com a Igreja”, através da proximidade com os jovens, pobres, sacerdotes e ao povo santo de Deus.

* * *
Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese, in particolare il gruppo del Colegio São José di Coimbra. Cari amici, il mondo ha bisogno di una Chiesa giovane, gioiosa e accogliente: rinnoviamo il nostro impegno affinché le nostre comunità diventino luoghi dove si fa esperienza dell’amore di Dio che non esclude nessuno. E la prossima Giornata sarà in portoghese! Il Signore benedica tutti!

* * *
Locutor: Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente o grupo do Colégio São José de Coimbra. Queridos amigos, o mundo precisa de uma Igreja jovem, alegre e acolhedora: renovemos o nosso compromisso para que as nossas comunidades se convertam em lugares onde se faz a experiência do amor de Deus, que não exclui a ninguém. E a próxima Jornada será em português! Que o Senhor vos abençoe a todos!

ABRIR O CORAÇÃO AO AMOR

Mansamente,
cheio de amor,
Ele bate à porta da nossa vida.

Meigamente,
com a voz repassada de ternura,
Ele pergunta se pode entrar.

Franqueamos-lhe a porta,
abrimos-lhe a nossa vida,
entregamos-lhe o nosso coração.

Olhos nos olhos,
diz-nos com um sorriso humilde,
quase tímido:
Amo-te,
por isso dei a minha vida por ti!

Já nada interessa,
(embora tudo interesse),
já não há mundo,
(embora nós o vivamos),
já não há mais ninguém,
(embora a todos queiramos ter),
porque Ele,
com o seu amor,
nos ensina a viver.

Na Cruz,
com Jesus,
encontramos a Luz,
que nos faz sonhar ...
a realidade
de a todos podermos amar.

Joaquim Mexia Alves

Marinha Grande, 30 de Janeiro de 2016
http://queeaverdade.blogspot.pt/2016/01/abrir-o-coracao-ao-amor.html

Evangelho do dia 30 de janeiro de 2019

Começou de novo a ensinar à beira-mar; e juntou-se à Sua volta tão grande multidão que teve de subir para uma barca e sentar-Se dentro dela, no mar, enquanto toda a multidão estava em terra na margem. E ensinava-lhes muitas coisas por meio de parábolas. Dizia-lhes segundo o Seu modo de ensinar: «Ouvi: Eis que o semeador saiu a semear. E ao semear, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, e vieram as aves do céu e comeram-na. Outra parte caiu entre pedregulhos, onde tinha pouca terra, e logo nasceu, por não ter profundidade a terra; mas, quando saiu o sol, foi queimada pelo calor e, como não tinha raíz, secou. Outra parte caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e sufocaram-na e não deu fruto. Outra caiu em terra boa; e deu fruto que vingou e cresceu, e um grão deu trinta, outro sessenta e outro cem». E acrescentava: «Quem tem ouvidos para ouvir, oiça». Quando Se encontrou só, os doze, que estavam com Ele, interrogaram-n'O sobre a parábola. Disse-lhes: «A vós é concedido conhecer o mistério do reino de Deus; porém, aos que são de fora, tudo se lhes propõe em parábolas, para que, olhando não vejam, e ouvindo não entendam; não aconteça que se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados». E acrescentou: «Não entendeis esta parábola? Então como entendereis todas as outras? O que o semeador semeia é a palavra. Uns encontram-se ao longo do caminho onde ela é semeada; mas logo que a ouvem vem Satanás tirar a palavra semeada neles. Outros recebem a semente em terreno pedregoso; ouvem a palavra, logo a recebem com alegria, mas não têm raízes em si mesmos, são inconstantes; depois, levantando-se a tribulação ou a perseguição por causa da palavra, sucumbem imediatamente. Outros recebem a semente entre espinhos; ouvem a palavra, mas os cuidados mundanos, a sedução das riquezas e as outras paixões, entrando, afogam a palavra, e ela fica infrutuosa. Aqueles que recebem a semente em terra boa, são os que ouvem a palavra, recebem-na, e dão fruto, um a trinta, outro a sessenta, e outro a cem por um».

Mc 4, 1-20

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Evangelho do dia 29 de janeiro de 2019

Nisto chegaram Sua mãe e Seus irmãos, os quais, ficando fora, O mandaram chamar. Estava muita gente sentada à volta d'Ele. Disseram-Lhe: «Eis que Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e procuram-Te». Ele respondeu-lhes: «Quem é Minha mãe e quem são Meus irmãos?». E, olhando para os que estavam sentados à volta d'Ele, disse: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque quem fizer a vontade de Deus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe».

Mc 3, 31-35

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Evangelho do dia 28 de janeiro de 2019

Os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: «Está possesso de Belzebu, e é pelo poder do príncipe dos demónios que expulsa os demónios». Jesus, tendo-os chamado, dizia-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino está dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode subsistir. Se, pois, Satanás se levanta contra si mesmo, o seu reino está dividido e não poderá subsistir, antes está para acabar. Ninguém pode entrar na casa dum homem forte, para roubar os seus bens, se primeiro não o amarrar. Então saqueará a sua casa. Na verdade vos digo que serão perdoados aos filhos dos homens todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem; porém, o que blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão; mas será réu de pecado eterno». Jesus falou assim por terem dito: «Está possesso dum espírito imundo».

Mc 3, 22-30

domingo, 27 de janeiro de 2019

JMJ 2022 - Lisboa


SANTA MISSA COM A SAGRAÇÃO DO ALTAR DA CATEDRAL-BASÍLICA DE SANTA MARIA LA ANTIGUA COM SACERDOTES, CONSAGRADOS E MOVIMENTOS LEIGOS

Quero, antes de mais nada, congratular-me com o Senhor Arcebispo, que pela primeira vez, passados quase sete anos, pôde encontrar a sua esposa, esta Igreja, provisoriamente viúva durante todo este tempo. E congratular-me com a viúva, que hoje, ao encontrar o seu esposo, deixa de ser viúva. Depois quero agradecer a quantos tornaram isto possível: às autoridades e a todo o povo de Deus. Agradecer-lhes tudo o que fizeram para que o Senhor Arcebispo pudesse encontrar-se com o seu povo, não numa casa emprestada, mas na sua casa. Obrigado!

Devido às limitações de tempo, previa-se no programa que essa cerimónia tivesse dois significados: a sagração do altar e o encontro com sacerdotes, religiosas, religiosos e leigos consagrados. Por isso, aquilo que vou dizer obedece a esta linha, pensando nos sacerdotes, nas religiosas, nos religiosos e nos leigos consagrados, especialmente em quantos trabalham nesta Igreja particular.

«Jesus, cansado da caminhada, sentou-Se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: “Dá-Me de beber” » (Jo 4, 6-7).

O Evangelho que ouvimos não hesita em apresentar-nos Jesus cansado de caminhar. Ao meio-dia, quando o sol se faz sentir em toda a sua força e potência, encontramo-Lo junto do poço. Precisava de aplacar e saciar a sede, refrescar seus passos, recuperar as forças para poder continuar a sua missão.

Os discípulos experimentaram em si próprios o que significava a dedicação e disponibilidade do Senhor para levar a Boa-Nova aos pobres, curar os corações feridos, proclamar a libertação aos cativos e dar a liberdade aos prisioneiros, consolar quem estava de luto, proclamar o ano de graça para todos (cf. Is 61, 1-3). Todas elas são situações que nos tolhem a vida, nos tolhem a energia; e os discípulos abundaram ao presentear-nos com tantos momentos importantes na vida do Mestre, onde também a nossa humanidade pode encontrar uma palavra de Vida.

Cansado da caminhada

Para a nossa imaginação, sempre em movimento, é relativamente fácil contemplar e entrar em comunhão com a atividade do Senhor, mas nem sempre sabemos ou podemos contemplar e acompanhar as «fadigas do Senhor», como se estas não se apropriassem a Deus. Mas o Senhor cansou-Se e, nesta fadiga, encontra lugar tanto cansaço dos nossos povos e da nossa família, das nossas comunidades e de todos aqueles que estão cansados e oprimidos (cf. Mt 11, 28).

Múltiplas são as causas e motivos que nos podem provocar a fadiga da caminhada, a nós sacerdotes, consagrados e consagradas, membros dos movimentos laicais: desde as longas horas de trabalho que deixam pouco tempo para comer, descansar, rezar e estar com a família, até às «tóxicas» condições laborais e afetivas que levam ao esgotamento e desgastam o coração; desde a simples dedicação diária até ao peso rotineiro de quem já não sente gosto ou não encontra reconhecimento e apoio para enfrentar as exigências de cada dia; desde as situações complicadas já habituais e previsíveis até aos momentos urgentes de angustiante pressão... Uma gama completa de pesos a suportar.

Seria impossível tentar abraçar todas as situações que quebrantam a vida dos consagrados, mas, em todas elas, sentimos a necessidade urgente de encontrar um poço onde se possa aplacar e saciar a sede e o cansaço do caminho. Todas elas reclamam, como um grito silencioso, um poço donde começar de novo.

Desde há algum tempo para cá, às vezes parece ter-se instalado nas nossas comunidades uma espécie subtil de cansaço, que nada tem a ver com o cansaço do Senhor. Devemos estar atentos a isso! Trata-se duma tentação que poderíamos chamar o cansaço da esperança. Ou seja, o cansaço que surge quando o sol, no pino – como sugere o Evangelho –, dardeja a pique os seus raios, tornando as horas insuportáveis, e fá-lo com tal intensidade que não deixa avançar nem olhar para diante. Como se tudo ficasse confuso. Não me refiro aqui ao «particular aperto do coração» (São João Paulo II, Carta enc. Redemptoris Mater, 17; cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 287) de quem ao fim do dia, apesar de quebrantado pelo trabalho, consegue mostrar um sorriso sereno e agradecido; mas a um outro cansaço que nasce ao olhar o futuro quando a realidade me cai em cima pondo em questão as forças, os recursos e a viabilidade da missão neste mundo, que não cessa de mudar e interpelar.

É um cansaço paralisador. Nasce de olhar para a frente e não saber como reagir face à intensidade e incerteza das mudanças que estamos atravessando como sociedade. Tais mudanças parecem não só pôr em questão as nossas modalidades de expressão e compromisso, os nossos hábitos e atitudes ao enfrentar a realidade, mas frequentemente colocam também em dúvida a própria viabilidade da vida religiosa no mundo atual. E a própria velocidade destas mudanças pode levar a imobilizar opções e opiniões e, aquilo que outrora poderia ser significativo e importante, hoje parece que já não tem lugar.

Irmãs e irmãos, o cansaço da esperança nasce da constatação duma Igreja ferida pelo seu pecado e que, muitas vezes, não soube escutar tantos gritos nos quais se escondia o grito do Mestre: «Meu Deus, porque me abandonaste?» (Mt 27, 46).

Deste modo, podemos habituar-nos a viver com uma esperança cansada perante o futuro incerto e desconhecido, e isto faz com que se instale um pragmatismo cinzento no coração das nossas comunidades. Aparentemente tudo parece continuar dentro da normalidade, mas na realidade a fé deteriora-se, degenera. Comunidades e presbíteros dececionados com uma realidade que não compreendemos ou na qual pensamos já não haver lugar para a nossa proposta. E, assim, podemos conferir «cidadania» a uma das piores heresias possíveis no nosso tempo: pensar que o Senhor e as nossas comunidades não têm mais nada para dizer nem dar a este mundo novo em gestação (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 83). Então aquilo que um dia nasceu para ser sal e luz do mundo, acaba por oferecer a sua versão pior.

Dá-Me de beber

A fadiga da viagem sobrevem e faz-se sentir. Quer queiramos quer não, ela existe e será bom termos a mesma coragem que demonstrou o Mestre ao dizer: «Dá-Me de beber». Como aconteceu à Samaritana e pode suceder a cada um de nós, não queremos aplacar a sede com uma água qualquer, mas com aquela «fonte de água que dá a vida eterna» (Jo 4, 14). Como bem sabia a Samaritana que, desde há anos, carregava cântaros vazios de amores falidos, também nós sabemos que nem qualquer palavra pode ajudar a recuperar as forças e a profecia na missão. Nem qualquer novidade, por mais sedutora que pareça, pode aliviar a sede. Sabemos, como ela bem sabia, que nem mesmo o conhecimento religioso e a justificação de certas opções e tradições passadas ou novidades presentes, nos tornam sempre fecundos e apaixonados «adoradores (…) em espírito e verdade» (Jo 4, 23).

«Dá-Me de beber» é aquilo que pede o Senhor e é o que Ele nos pede para dizer. Ao dizê-lo, abrimos a porta da nossa esperança cansada para voltar, sem medo, ao poço originário do primeiro amor, quando Jesus passou pelo nosso caminho, olhou-nos com misericórdia, escolheu-nos e pediu que O seguíssemos; ao dizê-lo, recuperamos a memória daquele momento em que os seus olhos cruzaram os nossos, o momento em que Ele nos fez sentir que nos amava, que me amava, e não só como indivíduo, mas também como comunidade (cf. Francisco, Homilia na Vigília Pascal, 19/IV/2014). Dizer «dá-me de beber» significa retornar sobre os nossos passos e, na fidelidade criativa, escutar que o Espírito não criou uma obra particular, um plano pastoral ou uma estrutura para ser organizada, mas, através de tantos «santos ao pé da porta» – entre os quais encontramos padres e madres fundadores de Institutos religiosos e seculares, bispos, párocos que souberam colocar bases sólidas nas suas comunidades –, através destes santos ao pé da porta deu vida e respiração a um determinado contexto histórico que parecia sufocar e esmagar toda a esperança e dignidade.
«Dá-me de beber» significa ter a coragem de se deixar purificar, de recuperar a parte mais autêntica dos nossos carismas fundacionais – que não se limitam apenas à vida religiosa, mas a toda a Igreja – e ver as modalidades em que se podem expressar hoje. Trata-se não só de olhar com gratidão o passado, mas também de ir à procura das raízes da sua inspiração e deixar que ressoem novamente com força entre nós (cf. Papa Francisco – Fernando Prado, La fuerza de la vocación, 42).

«Dá-me de beber» significa reconhecer-se necessitado de que o Espírito nos transforme em mulheres e homens memoriosos dum encontro e duma passagem, a passagem salvífica de Deus. E confiantes de que, como fez ontem, assim continuará a fazê-lo amanhã: «ir às raízes ajuda-nos indubitavelmente a viver, sem medo, o presente. Precisamos de viver sem medo, reagindo à vida com a paixão de nos sentirmos comprometidos com a história, imersos nas coisas. Com a paixão dos enamorados» (cf. ibid., 44).

A esperança cansada será curada e gozará daquele «particular aperto do coração» quando não tiver medo de voltar ao lugar do primeiro amor e conseguir encontrar, nas periferias e nos desafios que hoje se nos apresentam, o mesmo cântico, o mesmo olhar que suscitou o cântico e o olhar dos nossos pais. Assim evitaremos o risco de partir de nós mesmos e abandonaremos a autocomiseração cansativa para fixar os olhos com que hoje Cristo continua a procurar-nos, continua a olhar-nos, continua a chamar-nos e a convidar-nos para a missão, como fez naquele primeiro encontro, o encontro do primeiro amor.
* * *
E não me parece sem significado um acontecimento como este: uma Catedral que reabre as portas depois dum longo tempo de restauro. Experimentou o transcorrer dos anos, como testemunha fiel da história deste povo e, com a ajuda e o trabalho de muitos, quis presentear-nos de novo com a sua beleza. Mais do que uma reconstrução formal, que sempre tenta voltar a um original passado, procurou resgatar a beleza dos anos abrindo-se para hospedar toda a novidade que o presente lhe podia oferecer. Uma Catedral espanhola, índia e afro-americana torna-se, assim, Catedral panamense, dos panamenses de ontem, mas também dos de hoje que tornaram possível este acontecimento. Já não pertence só ao passado, mas é beleza do presente.

E hoje de novo é regaço que impele a renovar e nutrir a esperança, a descobrir como a beleza de ontem pode tornar-se base para construir a beleza de amanhã.

Assim age o Senhor. Cansaço da esperança, não; mas aquela fadiga peculiar do coração de quem dia-a-dia leva por diante aquilo que lhe foi confiado no olhar do primeiro amor.

Irmãos, não deixemos que nos roubem a esperança que herdamos, a beleza herdada dos nossos pais! Seja ela a raiz viva, a raiz fecunda que nos ajuda a continuar fazendo bela e profética a história da salvação nestas terras.

Bom Domingo do Senhor!

Imitemos o Senhor lendo como Ele o fez e nos narra o Evangelho de hoje (Lc 1, 1-4.4, 14-21) assiduamente as Sagradas Escrituras para delas colhermos os Seus ensinamentos.

Obrigado amado Jesus pela Tua Palavra e ajuda-nos a viver em consonância com ela.

«Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir»

Santo Ambrósio (c. 340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja
Comentário do Salmo 1, 33

Bebe primeiro do Antigo Testamento, para beberes em seguida do Novo. Se não beberes do primeiro, não poderás dessedentar-te do segundo. Bebe do primeiro para aplacares a sede, do segundo para a saciares completamente. [...] Bebe da taça do Antigo Testamento e da do Novo, porque ele é a vinha (Jo 15,1), é o rochedo que fez jorrar a água (1Co 10,4), Ele é a fonte da vida (Sl 35,10). Bebe Cristo, porque Ele é «um rio [...] [que] alegra a cidade de Deus» (Sl 45,5), Ele é paz (Ef 2,14), e «hão-de correr do Seu coração rios de água viva» (Jo 7,38). Bebe Cristo para te saciares do sangue da tua redenção e do Verbo de Deus. O Antigo Testamento é a Sua palavra, o Novo é-o também. Bebemos a Sagrada Escritura e comemo-la; então o Verbo eterno, a Palavra de Deus, correrá nas veias do espírito e na vida da alma: «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Dt 8,3; Mt 4,4). Dessedenta-te portanto com este Verbo, mas pela ordem que convém: bebe primeiro do Antigo Testamento e depois, sem tardar, do Novo.

Ele mesmo o diz, como a insistir: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles» (Is 9,1 LXX; Mt 4,16). Bebe então, sem mais demora, e uma grande luz te iluminará: não será já a luz quotidiana do dia, do sol ou da lua, mas essa outra luz que repudia a sombra da morte (Lc 1,79).

sábado, 26 de janeiro de 2019

O Evangelho de Domingo dia 27 de janeiro de 2019

Visto que muitos já empreenderam pôr em ordem a narração das coisas que entre nós se verificaram, como no-las referiram os que desde o principio foram testemunhas oculares e vieram a ser ministros da palavra, pareceu-me bem também a mim, depois de ter investigado tudo cuidadosamente desde o princípio, escrever-te por ordem a sua narração, excelentíssimo Teófilo, para que reconheças a firmeza dos ensinamentos que recebeste. Voltou Jesus, sob o impulso do Espírito, para a Galileia, e a Sua fama divulgou-se por toda a região circunvizinha. Ensinava nas suas sinagogas e era aclamado por todos. Foi a Nazaré, onde Se tinha criado, entrou na sinagoga, segundo o Seu costume, em dia de sábado, e levantou-Se para fazer a leitura. Foi-Lhe dado o livro do profeta Isaías. Quando desenrolou o livro, encontrou o lugar onde estava escrito: “O Espírito do Senhor repousou sobre Mim; pelo que Me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres; Me enviou para anunciar a redenção aos cativos, e a recuperação da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a pregar um ano de graça da parte do Senhor”. Tendo enrolado o livro, deu-o ao encarregado, e sentou-Se. Os olhos de todos os que se encontravam na sinagoga estavam fixos n'Ele. Começou a dizer-lhes: «Hoje cumpriu-se este passo da Escritura que acabais de ouvir».

Lc 1, 1-4. 4, 14-21

AS TRAIÇÕES SENTIMENTAIS

Os falsos bons passam a vida alimentando com ramos odoríferos a caldeira do nosso egoísmo, sem reparar que, querendo deixar-nos felizes com a sua brandura, nos fazem deslizar cada vez mais para o abismo da nossa infelicidade. É um fato que só o amor e a verdade nos realizam, e o egoísmo nos destrói.
Por sua vez, o bondoso sentimental é ele próprio um egoísta. A sua máxima aspiração é “ficar bem”, “ser agradável”, “ser simpático”. E, em troca de granjear o nosso apreço, não hesita em abençoar a mentira e acobertar o mal.
O filho ou um amigo estão à beira de desmanchar o casamento por motivos fúteis? Jamais passará pela mente do “bonachão” estender-lhes a mão com sacrifício, ajudá-los a reagir, passar um mau bocado para tentar que reconsiderem o mau passo que estão prestes a dar e enfrentem o dever. Preferirá observar tudo “sem interferir”, e achará por bem comentar docemente: “Deixa, ele tem o direito de ser feliz”. Uma vez consumada a catástrofe, que pode ter consequências irreversíveis – especialmente para os inocentes, para os filhos –, o nosso homem “bom” limitar-se-á a sacudir a cabeça e a comentar: “Vamos torcer para que dê tudo certo”.
É o mesmo que, enganando miseravelmente a sua consciência, deixará passivamente que a filha se envolva com amizades bem pouco recomendáveis, porque não quer atritos e – além do mais – é muito incômodo carregar a etiqueta de “pai antiquado e tirânico”. Por isso, não será nem tirano – no que fará bem – nem pai – no que fará pessimamente. E quando estourarem as consequências lamentáveis da sua omissão, chorará lágrimas mansas e se consolará dizendo: “A juventude atual é difícil, é diferente da juventude dos meus tempos”. Mas a filha já estará moralmente aniquilada.
Os bons sentimentais e vazios são os protagonistas constantes do que poderíamos chamar a “antiparábola” do bom samaritano.
Na parábola evangélica relatada por São Lucas (Lc 10, 25-37), o bom samaritano encontra estendido na estrada um judeu que acaba de ser assaltado por ladrões e que está ferido e meio morto. Que fazer? O judeu é seu inimigo – pois, como é sabido, judeus e samaritanos se odiavam –, e portanto o problema não parece ser da sua conta. Vencendo, contudo, essas barreiras, decide-se a atendê-lo. E faz tudo para assisti-lo e curá-lo. Primeiro, limpa-lhe as feridas, suavizando-as com óleo e purificando-as com vinho; depois, carrega-o na sua montaria e instala-o numa estalagem, adiantando o dinheiro necessário para que tratem dele. As suas ocupações obrigam-no a afastar-se por umas horas, mas logo volta à hospedaria para certificar-se de que não faltou ao enfermo nenhuma assistência. Cuidou dele em tudo, resume Cristo. Por isso, o bom samaritano fica no Evangelho como a imagem perfeita da bondade movida pelo amor.
Pois bem. Imaginemos – caricaturando a cena – o que teria feito um samaritano “bonachão”. Não é difícil descrever a “antiparábola”. Chega ao pé do ferido e sente-se impressionado. “Coitado!”, exclama, e acrescenta: “Neste mundo acontece cada coisa!” Acocora-se junto dele, dirige-lhe um olhar terno e limita-se a “consolá-lo”: “Dói muito? Vai ver, não há de ser nada”. Nem cogita de intervir no caso: se pegar nele para cuidá-lo, pode “machucá-lo” ou pode “comprometer-se”. Limita-se, por isso, a dar-lhe uma afetuosa palmadinha, a colocar-lhe um pano bem almofadado debaixo da cabeça e a afastar-se comovido com os seus próprios sentimentos, ao mesmo tempo que murmura baixinho: “Acho que assim vai sentir-se melhor”. Naturalmente o ferido, envolto em tanta “bondade”, morrerá poucas horas depois. É possível que o “bondoso” deixe ainda alguma esmolinha para o enterro.
Ironias à parte, qualquer pessoa lúcida é capaz de compreender que isto é o que fazem conosco os bonachões de que estamos falando.

Trecho do livro de Francesc Faus, O homem bom - Reflexões sobre a bondade
(N. Spe Deus: foi integralmente respeitada a ortografia conforme recebido da fonte)

Evangelho do dia 26 de janeiro de 2019

Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois, e mandou-os dois a dois à Sua frente por todas as cidades e lugares onde havia de ir. Disse-lhes: «Grande é na verdade a messe, mas os operários poucos. Rogai, pois, ao dono da messe que mande operários para a Sua messe. Ide; eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado, e não saudeis ninguém pelo caminho. Na casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. Se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; senão, tornará para vós. Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que tiverem, porque o operário é digno da sua recompensa. Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que vos puserem diante; curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: Está próximo de vós o reino de Deus.

Lc 10, 1-9

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Viagens pastorais do Prelado do Opus Dei em janeiro e fevereiro de 2019


Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais do Papa Francisco

« “Somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25):
das comunidades de redes sociais à comunidade humana »

Queridos irmãos e irmãs!

Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos. Com esta Mensagem, gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão.

As metáforas da «rede» e da «comunidade»

Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.
É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos. As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying.[1]

Na complexidade deste cenário, pode ser útil voltar a refletir sobre a metáfora da rede, colocada inicialmente como fundamento da internet para ajudar a descobrir as suas potencialidades positivas. A figura da rede convida-nos a refletir sobre a multiplicidade de percursos e nós que, na falta de um centro, uma estrutura de tipo hierárquico, uma organização de tipo vertical, asseguram a sua consistência. A rede funciona graças à comparticipação de todos os elementos.

Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis. Como rede solidária, a comunidade requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.

No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade. No melhor dos casos, tais comunidades conseguem dar provas de coesão e solidariedade, mas frequentemente permanecem agregados apenas indivíduos que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caraterizados por vínculos frágeis. Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo.

A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar.

Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, económico, e interpela também a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma.

Naturalmente não basta multiplicar as conexões, para ver crescer também a compreensão recíproca. Então, como reencontrar a verdadeira identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns para com os outros inclusive na rede on-line?

«Somos membros uns dos outros»

Pode-se esboçar uma resposta a partir duma terceira metáfora – o corpo e os membros – usada por São Paulo para falar da relação de reciprocidade entre as pessoas, fundada num organismo que as une. «Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25). O facto de sermos membros uns dos outros é a motivação profunda a que recorre o Apóstolo para exortar a despir-se da mentira e dizer a verdade: a obrigação de preservar a verdade nasce da exigência de não negar a mútua relação de comunhão. Com efeito, a verdade revela-se na comunhão; ao contrário, a mentira é recusa egoísta de reconhecer a própria pertença ao corpo; é recusa de se dar aos outros, perdendo assim o único caminho para se reencontrar a si mesmo.

A metáfora do corpo e dos membros leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos, todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo. Isto ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas. Já não tenho necessidade do adversário para me autodefinir, porque o olhar de inclusão, que aprendemos de Cristo, faz-nos descobrir a alteridade de modo novo, ou seja, como parte integrante e condição da relação e da proximidade.

Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as Pessoas divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente, comunicação, porque o amor sempre comunica; antes, comunica-se a si mesmo para encontrar o outro. Para comunicar connosco e Se comunicar a nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 2).

Em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. Como afirma São Basílio, «nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação uns com os outros, ter necessidade uns dos outros».[2]

O panorama atual convida-nos, a todos nós, a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da nossa humanidade. Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe.

É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa do indivíduo. Da fé num Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente pessoal, se me relacionar com os outros. Com efeito, o termo pessoa conota o ser humano como «rosto», voltado para o outro, comprometido com os outros. A nossa vida cresce em humanidade passando do caráter individual ao caráter pessoal; o caminho autêntico de humanização vai do indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece um companheiro de viagem.

Do «like» ao «amen»

A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.

Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho... Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amen»com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.
Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2019.

Franciscus

[1] Para circunscrever o fenómeno, será instituído um Observatório internacional sobre cyberbullying, com sede no Vaticano.
[2] Grandes Regras, III, 1: PG 31, 917. Cf. Bento XVI, Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais (2009).

Evangelho do dia 25 de janeiro de 2019

E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas, pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados».

Mc 16, 15-18

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

PERDOAR É TAMBÉM DESEJAR O BEM PARA OS QUE NOS OFENDEM!

Em mais uma madrugada acordado, veio ao meu coração, ao meu pensamento, esta frase: Perdoar é também desejar o bem para os que nos ofendem!

Fiquei então ali a pensar nesta frase e rezando, pedindo ao Espírito Santo que me desse o discernimento para tal frase, apesar de a mesma sem bem clara e concisa.

Não basta apenas perdoar como um acto da nossa vontade, (iluminada por Deus, claro), mas para que esse perdão seja efectivo, ou melhor, para que ele se torne em paz verdadeira para nós e para os outros, temos que ir mais longe, temos que desejar o bem àqueles que nos ofendem.

Só esse desejo, que acompanha o perdão, leva à mudança de atitude interior e exterior para com aquele que nos ofende.
Mas para que tal mudança aconteça em nós, (e já sabemos como é difícil perdoar, quanto mais desejar o bem ao ofensor), é preciso a conversão, a mudança interior, e para isso acontecer, apenas com o auxílio de Deus, envoltos no Seu amor, podemos conseguir.
Assim precisamos rezar por quem nos ofende, porque será essa oração, pelo amor de Deus, que irá transformando o nosso coração, os nossos pensamentos, e nos levará, para além do perdão, a desejar o bem para quem nos ofende.
E então, quando tal acontece, a paz é imensa, a alegria interior é uma verdade, e nós sentimo-nos incrivelmente bem.

O perdão une, a falta de perdão divide!

Com efeito, o perdão é coisa divina, é amor, e assim sendo une, constrói, dá vida, dá paz, dá alegria.
A falta de perdão é rancor, ressentimento, (que por vezes até leva ao ódio), e portanto destrói, mata, causa tristeza, divide.
E nós sabemos bem de onde vem aquilo que divide, quem é aquele que divide!

Pensamos muitas vezes que tal ofensa, tal ofensor, não seremos capazes de perdoar.
Mas o perdão é um acto da nossa vontade, e como tal tem que partir de nós essa vontade.
Se desejamos perdoar, se temos essa vontade, Deus conhece esse desejo, essa vontade em nós, e se nos colocarmos perante o Seu amor, se Lhe pedirmos ajuda na oração contínua, não só por nós, mas rezando também pelo ofensor, lentamente Ele irá colocando no nosso coração, na nossa vida, a paz e a força necessária, para não só perdoarmos, mas também para acabarmos por desejar o bem para o nosso ofensor.

E então ficamos unidos interiormente, já não há divisão em nós, e a paz instala-se, afastando a tristeza, a amargura, que tantas vezes leva ao mal-estar psíquico e físico.

Deus é a união perfeita na Santíssima Trindade, por isso tudo o que vem de Deus é união, é amor.
Por isso só unidos interiormente, só unidos aos outros pelo amor que Deus coloca em nós, estaremos em comunhão com Deus.

Por isso, também, o perdão é “coisa” divina, a que o homem tem acesso, pela graça de Deus!

Marinha Grande, 23 de Janeiro de 2018


Evangelho do dia 24 de janeiro de 2019

Jesus retirou-Se com Seus discípulos para o mar, e segiu-O uma grande multidão do povo da Galileia; também da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, da Transjordânia e das vizinhanças de Tiro e de Sidónia, tendo ouvido as coisas que fazia, foram em grande multidão ter com Ele. Mandou aos Seus discípulos que Lhe aprontassem uma barca para que a multidão não O apertasse. Porque, como curava muitos, todos os que padeciam algum mal lançavam-se sobre Ele para O tocarem. E os espíritos imundos, quando O viam, prostravam-se diante d'Ele e gritavam: «Tu és o Filho de Deus». Mas Ele ordenava-lhes com severidade que não O manifestassem.

Mc 3, 7-12

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Jesus é o caminho, A verdade e a vida.

Porque Ele está connosco,
Enquanto o tempo é tempo,
Ninguém espere, para O encontrar,
O fim dos dias...
Abrindo os olhos,
Busquemos o seu rosto e a sua imagem.
Busquemo-l’O na vida, sempre oculto
No íntimo do mundo, como um fogo.

Porque Ele está connosco
Nesta hora de violência,
Pensemos que Ele vive, fala e sente
Em quem padece.
Alerta, ó almas!
Volvamos para Ele os nossos passos.
Sigamos os seus gestos com que acena
Aos homens, sobre a cruz das grandes dores.

Porque Ele está connosco
Nos dias de fraqueza,
Ninguém espere conservar o alento
Sem O chamar...
De mãos ao alto,
Gritemos para Ele a nossa angústia.
Prostremo-nos, orando, aos pés d’Aquele
Que apaga em nós as manchas do pecado.

Porque Ele está connosco,
Tal como na manhã
De Páscoa, não faltemos ao banquete
Do sangue derramado,
Comamos do seu pão,
Bebamos do seu cálice divino,
Sinal do seu amor até ao fim!

(Breviário)

Ao divino Espírito Santo


Onde está Deus?

Onde está Deus?
Perguntam tantos,
Quando vêem a terra tremer,
As águas a chover,
E os ventos a rugirem,
Contra as casas,
Contra as árvores.
Onde está Deus?
Perguntam tantos
Quando desperta a dor,
Acontece a adversidade,
Os olhos se enchem de água,
E a morte traz a saudade.
Onde está Deus?
Perguntam tantos,
Quando nos batem e ofendem,
Nos pisam e humilham,
Mesmo que façamos o bem,
Mesmo sem olhar a quem.
Onde está Deus?
Perguntam tantos,
Quando predomina a guerra,
Os homens se dão à morte
E parece que sobre a terra,
Já não há sul, já não há norte.
Onde está Deus?
Perguntam tantos,
Quando a criança tem fome,
E aos olhos suplicantes,
Parece que nada responde,
Nem mesmo por um instante.
Onde está Deus?
Perguntam tantos,
Porque têm os olhos fechados,
O coração encarcerado,
Num peito que o aperta,
Os braços sempre cruzados,
Num pensamento encerrado.
Onde está Deus?
Perguntam tantos,
Temendo que Ele os ouvisse!
E Ele sempre presente,
Em todo e cada momento,
Em cada um,
Em toda a gente.
Vai-se dando e entregando,
Assim todo e só amor,
Na tempestade
E na bonança,
No vento forte
E na brisa,
Em cada momento de dor,
Em cada morte,
Dando vida.
Sendo batido e ofendido,
Espezinhado e humilhado,
Mas dando sempre a mão
Fazendo-se sempre alcançado.
Está na guerra,
Pela paz,
E ilumina e conduz,
Cada homem sobre a terra.
Está no coração das crianças,
Em cada olhar suplicante,
A todos abraça e conforta,
Sobretudo ao homem errante.
E para O ver e sentir,
É preciso pouca coisa:
Descruzar os braços e sorrir,
Libertar o pensamento,
Deixar o seu coração voar,
Nas asas do eterno amor,
Acolher cada irmã
Abraçar cada irmão,
E amar, amar, amar….

Monte Real, 21 de Janeiro de 2010


Joaquim Mexia Alves

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