Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 11 de maio de 2020

“Servir, meus filhos, é o que é próprio de nós.”

No meio do júbilo da festa, em Caná, só Maria nota a falta de vinho... Até aos mais pequenos pormenores de serviço chega a alma quando vive, como Ela, apaixonadamente atenta ao próximo, por Deus. (Sulco, 631)

Servir, servir, filhos meus, é o que é próprio de nós. Sermos criados de todos, para que nos nossos dias o povo fiel aumente em mérito e número.

Olhai para Maria. Nunca criatura alguma se entregou com mais humildade aos desígnios de Deus. A humildade da ancilla Domini, da escrava do Senhor, é a razão que nos leva a invocá-la como causa nostrae laetitiae, causa da nossa alegria. Eva, depois de pecar por querer, na sua loucura, igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava triste. Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e enche-se de alegria. Que este seu júbilo de boa Mãe se nos pegue a todos nós; que saiamos nisto a Ela – a Santa Maria – e assim nos pareceremos mais com Cristo. (Amigos de Deus, 108–109)

São Josemaria Escrivá

MISTÉRIOS DO EVANGELHO Primeiro Mistério

Seguir Jesus

Mas… sigo Jesus como? Parece que a resposta está latente no meu coração. Sigo-O cada vez que me lembro d'Ele, o que acontece amiúde durante o dia. Exagero? Não! Mas penso - e desejo ardentemente - que seja permanente, visceral, com todo o empenho e entrega de todo o meu coração. Sei muito bem que tal só é possível com amor. Mas Tu, meu Deus, não sabes que Te amo? Então... aumenta o meu AMOR POR TI que eu, não consigo, mas Tu podes TUDO![1]

Segue-me!

Estava ali, sentado naquela cadeira de café. Não é meu hábito mas, naquela tarde, estava um pouco cansado de uma caminhada pelas ruas da cidade e apeteceu-me descansar um pouco. Ouvi distintamente alguém que dizia: - Tu segue-me! Que estranho! Uma frase que eu conheço perfeitamente e sobre a qual medito bastante: Refiro-me ao “chamamento típico” de Jesus Cristo que os Evangelistas referem por várias vezes. Fez-me confusão, confesso. Estarei a ouvir “coisas”? Estou tontinho? Olhei em volta e as sete ou oito pessoas que estavam por ali sentadas continuavam a conversar normalmente. Enfim… gente comum, uns três ou quatro homens, duas senhoras e três jovens “agarrados” aos telemóveis. Pois… não podia ser… Mas, de facto, tornei a ouvir talvez com um acento de insistência: - Tu segue-me! Bom… desta vez a coisa pareceu-me séria e tive de fazer um esforço para não me levantar imediatamente persignando-me. Mas, sou teimoso, muito teimoso, e nada dado nem a “visões” nem a “audições” estranhas como vindas “do Além”. Por isso resolvi “entrar no jogo” e perguntei em silêncio: - Senhor… estás a falar comigo? E ouvi: - Claro que estou a falar contigo. Vem e segue-me! Fiquei estarrecido! O Senhor estava a falar comigo, sentado a uma mesa de café, numa rua qualquer da cidade onde vivo. O esforço agora, para me comportar sem dar nas vistas, era tentar reter a torrente lágrimas que sentia impetuosa a vir-me aos olhos. Deixei de ouvir os ruídos das conversas à minha volta, do bulício normal de uma rua de cidade, dos automóveis, nada. Como se uma espécie de “bolha” invisível me tivesse encerrado isolando-me do mundo exterior. Pensei: ‘O que faço agora?’ Ali perto há uma Igreja aberta ao público. Quase como um “zombie” levantei-me e fui até lá. O Templo estava deserto pelo que me senti muito à vontade e comecei num monólogo íntimo, mas aceso e confiante: ‘Pronto, Senhor, não sabia onde ir, ou antes, onde querias que fosse para seguir-Te, por isso, vim aqui. Desculpa a minha ousadia e a minha pouca fé mas, se há mais alguma coisa…’ E não acabei porque Ele, - tive então a certeza absoluta que era Ele – disse-me: - ‘Fizeste exactamente o que Eu queria.  Sabes: estou aqui neste Sacrário e há mais de quatro horas e não aparece ninguém para Me fazer um pouco de companhia, ou, sequer, para Me cumprimentar! Que bom! Agora estás aqui e podemos passar uns bons momentos juntos.’ Para mim já não havia quaisquer “barreiras” ou impedimentos de falsa vergonha e por isso comecei a falar como se de repente tivesse aberto as portas do meu coração, da minha alma, e deixasse vir cá para fora quanto guardava cioso da minha Fé e do meu Amor. Sentia-me tão contente e feliz por ter merecido – sem merecimento – o convite do Senhor que nem sei quanto tempo ali estive, nem o que Lhe disse ou contei. Nunca me interrompeu e eu fui falando, falando ininterruptamente até que uma senhora com alguma idade entrou na Igreja. Nessa altura disse-me: - Pronto! Gostei do nosso convívio, podes ir-te embora. - Ah! E obrigado por Me teres seguido! O convite de Jesus Cristo a segui-Lo é muito simples e pragmático.

«Segue-Me!»

Posso imaginar o tom, a inflexão das Suas palavras: Não são “imperiosas” nem “formais”. São simples e concretas e não admitem interpretações. O tom é normal e corrente. É, de facto um convite mas, parece uma ordem. Dirige-se sempre a alguém especialmente e não é nem multitudinário nem abrangente. Realmente as pessoas - multidões, lê-se nos Evangelhos - acompanham Jesus mas tal não quer dizer que O sigam. Seguir alguém é acompanhar – permanentemente – essa pessoa, escutando o que diz, vendo o que faz e como faz, no fim e ao cabo ter essa pessoa como guia e mestre. Não consta nos Evangelhos que alguém não tenha aceitado o convite a não ser, mas, neste caso, o jovem que desejava ser perfeito e, Jesus, ofereceu-lhe a solução e foi esta que o jovem não quis aceitar. (Cfr. Mc 10, 17-22) O Senhor escolhe quem muito bem entende e fá-lo – sempre – com a esperança que a pessoa que convida aceite e, com segui-Lo, deseje imitá-Lo e alcance a Salvação Eterna. Talvez que o caso mais paradigmático que consta nos Evangelhos (A escolha é minha) seja o convite endereçado a Mateus. (Cfr. Mt 9, 9) Jesus passa pelo seu lugar de trabalho: sentado no telónio de cobrador de impostos. Olha-o nos olhos e diz as “famosas palavras”:
«Segue-me
A resposta foi pronta e imediata: Mateus levantou-se e seguiu Jesus. A decisão de Mateus de seguir Jesus sugere-me algumas “lições”.
Uma primeira “lição”: Não pode adiar-se para um momento qualquer num futuro sempre incerto, ou é – como disse – pronta e imediata ou corre-se o risco de nunca acontecer.
Uma segunda “lição”: Não põe condições ou levanta obstáculos, impedimentos. (Mateus, por exemplo, poderia demorar um pouco para terminar o que estava a fazer.)
Uma terceira “lição”: A exigência do desprendimento pessoal seja o que for: importante ou de escasso valor, necessário ou não, com a confiada certeza que o Senhor providenciará o que se mostrar útil.
(Foi este desprendimento que faltou ao “Jovem Rico”) (Cfr. Mc 10, 17-22)
Uma quarta “lição”: As “consequências” de seguir Jesus são inimagináveis!
Por exemplo, Mateus tornou-se um dos Doze Apóstolos e foi autor de um dos Evangelhos.

(AMA, 2019)


Nota:
Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já actuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.




[1] AMA, reflexões, 2019


Santo Rosário - Quarto Mistério Gozoso

Apresentação de Jesus no Templo

Com a humildade simples de sempre, foste, Senhora, cumprir a Lei: Passados os dias estabelecidos depois do nascimento, a jovem Mãe tem de purificar-se no Templo. Pelo filho deve oferecer um casal de pombas ou rolas brancas e ser circuncidado.

E tu, Senhora, foste purificar-te ao Templo!

Tu, sem mancha de pecado, sem qualquer defeito que pudesse macular a brancura do teu coração e a limpidez da tua alma, não hesitaste um segundo em cumprir o que estava escrito que os filhos da Casa de Israel fizessem!

Quantas vezes eu não pensei que estava dispensado de rezar mais, de me humilhar, de me declarar disponível para o Senhor; quantas vezes não pensei comigo mesmo que sou melhor que estes, porque eu faço, eu penso, eu desejo muito mais e melhor!

Tudo porque o meu coração tem uma carapaça que turva a sua limpidez. A minha alma cheia de equimoses de pecados antigos e recentes; feridas e lanhos de defeitos que não consigo rebater nem ultrapassar.
Não consigo porque não dedico a essa luta um esforço humilde, continuado e perseverante que me leve a estar sempre pronto para a luta contra a minha falta de carácter.

Toda a tua vida, Senhora minha, é uma lição de humildade simples e serena. Não fazes nada de extraordinário, não dás nas vistas, não sobressais no meio das outras mulheres e, no entanto, cumpres com alegria e simplicidade todas as prescrições da Lei como se tuas obrigações fossem. E nisto está o teu segredo, Maria: Cumprir o que Deus manda, sem discutir, sem argumentar, a tempo e horas, quando e como deve ser feito.

Esta singela disponibilidade cumpridora dos deveres é sem dúvida, a característica mais extraordinária da Mãe do meu Senhor e minha Mãe.
Não a vemos nunca em êxtase em frente das multidões, sentada numa cadeira especial, ou nos primeiros lugares das assembleias. Não. Uma mulher simples, em que as coisas, os actos e as palavras não são estudados ou arquitectados de acordo e com conveniências ou objectivos.
Apenas uma serena certeza: Obedecer com prontidão e total disponibilidade.
E, no entanto, esta mulher é a Mãe de Deus!
Que lugar mais alto, que maior honra, que pergaminho, que nome ilustre pode comparar-se: A Mãe de Deus!

Ah Senhora minha, conseguiste com a tua serena calma, impor ao mundo um nome doce e vigoroso ao mesmo tempo que se nos coloca na boca com amoroso deleite, ou com esperançada angústia?

Nos nossos lábios um último grito, um último apelo, dos aflitos, dos que sofrem, dos que, em último recurso, para ti apelam. Dos que, acabrunhados pela dor buscam lenitivo. Dos que, esmagados pela alegria te agradecem. Dos que, como eu, doidos de amor apenas pronunciam o teu nome lentamente, deixando-o ecoar por todo o seu ser até ao mais profundo do seu coração.

Obedecer. Obedecer prontamente, sem hesitações ou desvios. Não dai a pouco, ou mais logo quando houver mais tempo, mais sossego, melhor luz… todas as mil desculpas que invento para adiar o que tem de ser feito já.

Obedecer!
É isto, Senhora, que procuro. É isto, Senhora, que quero: Obedecer.

Para isso, bem o sei, preciso expurgar de mim todos os invólucros que me cingem, as preocupações com coisas pequenas, as cobardias constantes, as faltas de atenção, as interrupções, os devaneios. Para isto é preciso estar pronto.
Só tu, Senhora minha, podes ajudar-me a conseguir este estado de alma. Só tu podes ajudar-me a eliminar tudo aquilo que tenho a mais e que tanto é, que não me deixa ver o essencial, o que realmente vale a pena. A ti recorro, Mãe Santíssima, para que me conduzas pela mão ao Templo da Purificação, onde eu, com os olhos finalmente libertos de escamas e o coração nu, de fora do peito, veja com toda a clareza a Vontade de Deus meu Senhor.
Tenho a certeza que serei também purificado e o fogo interior que se me acende no peito, incendiará todo o meu ser, purificando-me assim de todas as minhas faltas.

Adaptar a doutrina?

«Se a Igreja moderasse as suas exigências doutrinais, creio que teria muitíssimas mais adesões. Para a Igreja sobreviver é vital que saiba adaptar a sua doutrina aos novos tempos».

Já ouviram este tipo de argumentos?

É bom saber que eles, longe de serem originais, repetem-se há mais ou menos dois mil anos.

Há pessoas que garantem que teriam fé se vissem ressuscitar um morto. Ou se, porventura, a Igreja moderasse as suas exigências em relação a alguns pontos da sua doutrina (que, já agora, convém recordar que não é sua, mas sim de Jesus Cristo).

Mas o mais provável é que, mesmo que hipoteticamente se cumprissem as condições que enunciam, a sua falta de fé encontrasse outros requisitos em que apoiar-se.

E aqueles que não acreditam devido ao seu incoerente comportamento moral, não passariam a acreditar mesmo que um morto ressuscitasse diante deles. Rapidamente, encontrariam uma “sábia” explicação para o fenómeno que os deixasse continuar a viver como sempre.

Convém recordar a atitude que tiveram os príncipes dos sacerdotes quando viram Jesus ressuscitar Lázaro. Em vez de acreditarem no que viam os seus olhos, decidiram matar também Lázaro porque, por causa dele, muitos acreditavam em Jesus (cf. Jo 12, 10-11).

A Igreja, como qualquer pessoa sensata, defende o que considera verdadeiro e não deseja “diluir” essa verdade. Isto não é intolerância. É, simplesmente, defender com coerência as próprias convicções.

Ouvi, recentemente, uma comparação que me pareceu muito oportuna:

«Quando alguém diz com convicção que dois mais dois são quatro e aparece outro que diz que são seis, surge hoje em dia com facilidade um terceiro que, em nome do diálogo e do respeito mútuo, diga que são cinco».

Mas o pior vem depois: surgem pessoas que elogiam efusivamente o terceiro como sendo alguém conciliador e profundamente tolerante.

Que conceito mais intolerante do que significa a tolerância!

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Amar é um verbo

«Estou muito preocupado com o meu casamento. A minha mulher e eu já não sentimos nada um pelo outro. Acho que já não nos amamos. Os sentimentos – antigamente tão maravilhosos – desapareceram misteriosamente. Não sei explicar como chegámos a esta situação. O que sei é que não podemos continuar assim».

Este tipo de argumentação é, infelizmente, lugar-comum nos dias de hoje. Para muitas pessoas este modo de raciocinar é lógico e coerente. Se já não existem “sentimentos”, isso é sinal inequívoco de que o amor acabou. Não há nada a fazer.

No entanto, convém não esquecer que “amar” não é um sentimento, mas um verbo, uma acção – uma decisão da vontade!

Talvez a subtil e omnipresente influência de Hollywood nos leve a considerar os sentimentos como aquilo que de mais genuíno e verdadeiro há no ser humano. Mas isto não é verdade.

A nossa maior capacidade é “amar” – não é “sentir”. Pode-se amar-se muito sem sentir nada. E pode-se sentir muito e não amar verdadeiramente ninguém – excepto nós mesmos de um modo desordenado.

Conselho oportuno: ame a sua mulher decididamente. Não por si nem centrado em si, mas por ela e centrado nela. Porque decidiu fazê-la feliz mesmo que isso exija entrega. E o amor genuíno sempre exige.

Ame-a de verdade. Seja bom para com ela sem esperar nada em troca. Sacrifique-se. Ouça com interesse os problemas dela. Faça um esforço real por compreendê-la e aceitá-la como é. Está disposto a isso ou o seu egocentrismo já não o permite?

Por que razão se reduz o amor aos sentimentos?

Porque torna a vida muito mais “fácil”. Ser levado pelos sentimentos – o genuíno do “amor moderno” – faz desaparecer a responsabilidade. Deixa-se de “sentir” culpa por não amar. A “culpa” passa a ser dos sentimentos, que não é possível controlar.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

PASSOS PARA A PAZ

A pé, milhares de fiéis rumam em direcção a Fátima. Têm um encontro marcado com “a Senhora mais brilhante do que o sol”, que os espera onde, em 1917, apareceu a três pastorinhos. Por essas estradas fora, arrastam alegrias e tristezas, penas próprias e dores alheias, acções de graças e petições, nas contas do terço que desgranam pelos caminhos da nossa terra. E, no bordão, a esperança que não desfalece, mesmo quando o cansaço entorpece o andar.

A fé é caminho.... Desde tempos imemoriais, os cristãos peregrinam em direcção aos Lugares Santos. Neste ano, é a Terra Santa que vem ao encontro dos romeiros da Cova da Iria, na pessoa do Patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal. Não é só Maria mas também a sua terra e as suas gentes que vão estar presentes nas celebrações da primeira aparição mariana. Duas terras de Santa Maria vão, assim, encontrar-se no altar do mundo: a Palestina, que é a pátria terrena da Mãe de Deus, e esta nossa pátria, de que ela é, há já vários séculos, padroeira e rainha.

Foi em 1914, faz agora um século, que começou a primeira Guerra Mundial, a que a Senhora do Rosário quis pôs termo pela oração e sacrifícios dos seus filhos. Neste centenário desse conflito, a presença do Patriarca de Jerusalém na Cova da Iria recorda que o terço, que logrou a “conversão da Rússia”, é o meio mais eficaz para alcançar a paz na Terra Santa.

“Si vis pacem, para bellum”, isto é, se queres a paz, prepara-te para a guerra. A paz na Palestina, a pátria de Jesus, requer o uso diário de uma arma poderosa: o terço de Nossa Senhora. Porque cada conta é uma bala contra a guerra e um passo para a paz.

Gonçalo Portocarrero de Almada
10 maio 2014