Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
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domingo, 28 de agosto de 2022
sexta-feira, 26 de agosto de 2022
Na amizade de Cristo
«Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada, absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só esta grande amizade nos abre plenamente as portas da vida. Só nela se revelam verdadeiramente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta».
(Bento XVI - Homilia da Missa Inaugural do Pontificado – 24/IV/2005)
Infelizmente, sucede que muitos entre nós num ato de arrogância extrema, que até admito, jamais lhes tenha ocorrido que o praticam, se sentem tão seguros de si próprios, que Jesus Cristo para eles é um “mito” que colocam ao mesmo nível de um Che Guevara e de um qualquer herói desportivo e quem lhes fala d'Ele são considerados uns “anormais fundamentalistas”.
Aqui permito-me recordar a perseverança de S. Paulo e dizer que jamais falar de Cristo, da Santíssima Trindade, da Virgem Maria, da Santa Madre Igreja, sejam quais forem os obstáculos, será um ato inócuo, muitas vezes, se calhar a maior parte delas, quando nos dirigimos aos “progressistas” renitentes em nos escutar, os resultados são aparentemente frustrantes, mas não nos esqueçamos, que se assim for, sê-lo-ão por vontade de Deus Nosso Senhor, cujos caminhos na nossa humilde condição terrena não temos capacidade de entender, mas, e aqui vem a parte mais gratificante, Ele ficará honrado e glorificado, além da semente ter sido lançada, ainda que a não venhamos a ver frutificar de imediato.
Saibamos pois, imitar S. Paulo e todos os Santos que jamais desistiram de anunciar o Senhor e proclamar a Sua Santíssima Mãe.
JPR
domingo, 21 de agosto de 2022
Catequese de Bento XVI sobre São Pio X
De facto foram numerosas as iniciativas de Pio X: a reorganização da Cúria Romana, o inicio dos trabalhos para a redacção do Código de Direito Canónico, a revisão dos estudos e o “iter” de formação dos futuros padres, com a fundação de vários seminários regionais. Teve muito a peito a formação doutrinal do Povo de Deus e desde os anos em que era pároco tinha redigido um catecismo e durante o seu episcopado na diocese italiana de Mântua tinha trabalhado para que se chegasse a um catecismo único, senão universal, pelo menos italiano.
Como pastor autentico compreendera que a situação da época, também devido ao fenómeno da emigração, tornava necessário um catecismo ao qual cada fiel pudesse referir-se, independentemente do lugar e das circunstancias da vida.
Como pontífice preparou um texto de doutrina cristã para a diocese de Roma, que se difundiu depois na Itália e no mundo. Este Catecismo, chamado de Pio X, foi para muitos um guia seguro para aprender as verdades da fé pela linguagem simples, clara e precisa e pela eficácia de exposição.
Notável atenção dedicou também à reforma da Liturgia, em particular da Musica Sacra para levar os fiéis a uma vida de oração mais profunda e a uma participação nos Sacramentos mais plena.
Ele afirma que o espírito cristão autentico tem a sua primeira e indispensável fonte na participação activa nos sacrossantos mistérios e na oração publica e solene da Igreja. Por isso recomendou o abeirar-se frequentemente dos Sacramentos favorecendo a frequência diária na Sagrada Comunhão, bem preparados, e antecipando oportunamente a Primeira Comunhão das crianças, por volta dos sete anos, quando a criança começa a raciocinar.
Fiel à tarefa de confirmar os irmãos na fé, São Pio X, perante algumas tendências que se manifestaram em âmbito teológico em finais do século XIX e inicio do século XX interveio com decisão, condenando o “Modernismo”, para defender os fiéis de concepções erróneas e promover um aprofundamento cientifico da Revelação em consonância com a Tradição da Igreja. Em 1909 fundou o Instituto Bíblico Pontifício. Os últimos meses da sua vida foram funestados pelo deflagrar da guerra.
O apelo aos católicos do mundo inteiro, lançado a 2 de Agosto de 1914 para exprimir a dor da hora presente, era o grito sofredor do pai que vê os filhos alinhados uns contra os outros. Morreu dali a pouco a 20 de Agosto e a sua fama de santidade começou a difundir-se imediatamente junto do povo cristão.
Mas o que é que São Pio X nos deixa hoje?
São Pio X ensina-nos que na base da nossa acção apostólica, nos vários campos onde actuamos, deve estar sempre uma intima união pessoal com Cristo, que deve ser cultivada, e deve crescer dia após dia: este é o núcleo do seu ensinamento e do seu empenho pastoral. Somente se estivermos enamorados do Senhor, seremos capazes de levar os homens a Deus e abri-los ao Seu amor misericordioso e assim abrir o mundo á misericórdia de Deus.
(Bento XVI na Audiência em Castelgandolfo de 18.08.2010)
sábado, 20 de agosto de 2022
São Bernardo de Claraval, doutor mariano
“Este místico, desejoso de viver imerso no vale luminoso da contemplação, foi levado pelos acontecimentos a viajar através da Europa, para servir a Igreja, nas necessidades do seu tempo e defender a fé cristã.
Foi classificado como doutor mariano, não por ter escrito muitíssimo sobre Nossa Senhora, mas porque soube captar o seu papel essencial na Igreja, apresentando-a como modelo perfeito da vida monástica e de qualquer outra forma de vida cristã”.
(Bento XVI – Audiência de 20.08.2008)
quarta-feira, 17 de agosto de 2022
A barca que parece afundar-se
«Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está
para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso
campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da
vossa Igreja horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós
mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os
nossos grandes gestos.»
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
A última etapa da peregrinação terrena da Mãe de Deus…
… convida-nos a olhar para o modo como Ela percorreu o seu caminho rumo à meta da eternidade gloriosa.
(…)
Então, em Maria que subiu aos céus nós contemplamos Aquela que, por um privilégio singular, com a alma e com o corpo, se tornou partícipe da vitória definitiva de Cristo sobre a morte. "Terminando o curso da sua vida terrena — diz o Concílio Vaticano II — foi levada à glória celeste em corpo e alma, e exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo, para que se parecesse mais com o seu Filho, Senhor dos Senhores" (cf. Ap 19, 16) e vencedor do pecado e da morte" (Lumen gentium, 59). Na Virgem da Assunção ao céu contemplamos a coroação da sua fé, daquele caminho de fé que Ela indica à Igreja e a cada um de nós: Aquela que em cada momento acolheu a Palavra de Deus, subiu ao céu, ou seja, Ela mesma foi acolhida pelo Filho naquela "morada", que nos preparou com a sua morte e ressurreição (cf. Jo 14, 2-3).
(…)
Com São Bernardo, místico cantor da Virgem Santa, assim a invocamos: "Suplicamos-te, ó bendita, pela graça que Tu encontraste, por aquelas prerrogativas que Tu mereceste, pela Misericórdia que Tu deste à luz, faz com que Aquele que por ti se dignou tornar-se partícipe da nossa miséria e enfermidade, graças à sua intercessão, nos torne partícipes das suas graças, da sua bem-aventurança e da sua glória eterna, Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que está acima de todas as coisas, Deus bendito nos séculos dos séculos. Amém" (Sermo 2 de Adventu, 5: pl 183, 43).
Com São Bernardo, místico cantor da Virgem Santa, assim a invocamos: "Suplicamos-te, ó bendita, pela graça que Tu encontraste, por aquelas prerrogativas que Tu mereceste, pela Misericórdia que Tu deste à luz, faz com que Aquele que por ti se dignou tornar-se partícipe da nossa miséria e enfermidade, graças à sua intercessão, nos torne partícipes das suas graças, da sua bem-aventurança e da sua glória eterna, Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que está acima de todas as coisas, Deus bendito nos séculos dos séculos. Amém" (Sermo 2 de Adventu, 5: pl 183, 43).
(Bento XVI – Excerto homilia da Santa Missa na Solenidade de Nossa Senhora da Assunção na Paróquia de São Tomás de Vilanova, Castelgandolfo - Sábado, 15 de Agosto de 2009)
domingo, 14 de agosto de 2022
Preparemo-nos para a Solenidade de amanhã
Todos os anos, no meio do Verão, se comemora a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais antiga festa mariana. É uma ocasião para nos elevarmos com Maria às alturas do espírito, onde se respira o ar puro da vida sobrenatural e se contempla a beleza mais autêntica, a da santidade. O clima da celebração hodierna está inteiramente impregnado de alegria pascal. "Hoje assim canta a antífona do Magnificat Maria subiu ao Céu: alegrai-vos, com Cristo Ela reina para sempre. Aleluia!". Este anúncio fala-nos de um acontecimento totalmente único e extraordinário, mas que está destinado a encher de esperança e de felicidade o coração de cada ser humano. Com efeito, Maria é a primícia da humanidade nova, a criatura em que o mistério de Cristo encarnação, morte, ressurreição e ascensão ao Céu já teve o seu pleno efeito, resgatando-a da morte e levando-a de corpo e alma ao reino da vida imortal. Por isso a Virgem Maria, como recorda o Concílio Vaticano II, constitui para nós um sinal de esperança segura e de consolação (cf. Lumen gentium, 68). A festa hodierna impele-nos a elevar o olhar ao céu. Não se trata de um céu feito de ideias abstractas, nem sequer de um céu imaginário criado pela arte, mas do céu da realidade autêntica, que é o próprio Deus: Deus é o céu. E Ele é a nossa meta, a meta e a morada eterna, de onde vimos e para a qual tendemos.
São Germano, Bispo de Constantinopla no século VIII, num discurso pronunciado na festa da Assunção, dirigindo-se à celeste Mãe de Deus, assim se expressava: "Tu és Aquela que, por meio da tua carne imaculada, uniste a Cristo o povo cristão... Como toda a pessoa sequiosa corre à fonte, assim também toda a alma corre a Ti, manancial de amor, e como todo o homem aspira a viver, a ver a luz que não conhece ocaso, assim também cada cristão aspira a entrar na luz da Santíssima Trindade, onde Tu já entraste". Estes são os sentimentos que nos animam no dia de hoje, enquanto contemplamos Maria na glória de Deus. Quando Ela adormeceu para este mundo, despertando no céu, na realidade simplesmente seguiu pela última vez o Filho Jesus na sua viagem mais longa e decisiva, na sua passagem "deste mundo para o Pai" (Jo 13, 1).
Como Ele, juntamente com Ele, partiu deste mundo voltando "para a casa do Pai" (cf. Jo 14, 2). E tudo isto não está distante de nós, como talvez pudesse parecer num primeiro momento, porque todos nós somos filhos do Pai, de Deus, todos nós somos irmãos de Jesus e todos nós somos também filhos de Maria, nossa Mãe. E todos nós estamos orientados para a felicidade. A felicidade para a qual todos nós tendemos é Deus, e assim todos nós estamos a caminho daquela felicidade, que chamamos Céu, que na realidade é Deus. E Maria nos ajude, nos encoraje a fazer com que cada momento da nossa existência seja um passo neste êxodo, neste caminho rumo a Deus. Assim, nos ajude a tornar presente também a realidade do céu, a grandeza de Deus, na vida do nosso mundo. No fundo não é este o dinamismo pascal do homem, de cada homem que deseja tornar-se celeste, totalmente feliz, em virtude da Ressurreição de Cristo? E não é porventura este o início e a antecipação de um movimento que diz respeito a cada ser humano e ao cosmos inteiro? Aquela de quem Deus tinha tomado a sua carne, e cujo coração fora trespassado por uma espada no Calvário, encontrava-se associada por primeiro e de modo singular ao mistério desta transformação, para a qual todos nós tendemos, muitas vezes também nós trespassados pela espada do sofrimento neste mundo.
A nova Eva seguiu o novo Adão no sofrimento, na Paixão e deste modo também na alegria definitiva. Cristo é a primícia, mas a sua carne ressuscitada é inseparável da carne da sua Mãe terrena, Maria, e nela toda a humanidade está envolvida na Assunção a Deus, e com Ela toda a criação, cujos gemidos e sofrimentos são como diz São Paulo as dores do parto da nova humanidade. Nascem assim os novos céus e a nova terra, onde já não haverá pranto, nem lamentações, porque não haverá mais morte (cf. Ap 21, 1-4).
Como é grandioso o mistério de amor que hoje se repropõe à nossa contemplação! Cristo venceu a morte com a omnipotência do seu amor. Só o amor é omnipotente. Este amor impeliu Cristo a morrer por nós e assim a vencer a morte. Sim, unicamente o amor faz entrar no reino da vida! E Maria entrou após o Filho, associada à sua glória, depois que foi associada à sua paixão. Entrou com um ímpeto irrefreável, conservando depois de si mesma o caminho aberto para todos nós. É por isso que no dia de hoje a invocamos. "Porta do céu", "Rainha dos anjos" e "Refúgio dos pecadores". Sem dúvida, não são os raciocínios que nos fazem compreender estas realidades tão sublimes, mas sim a fé simples, pura, e o silêncio da oração que nos põe em contacto com o Mistério que nos ultrapassa infinitamente. A oração ajuda-nos a falar com Deus e a sentir como o Senhor fala ao nosso coração.
Peçamos a Maria que nos conceda hoje o dom da sua fé, a fé que nos faça viver já nesta dimensão entre o finito e o infinito, a fé que transforma também o sentimento do tempo e do transcorrer da nossa existência, aquela fé na qual sentimos intimamente que a nossa vida não se encontra encerrada no passado, mas orientada para o futuro, para Deus, aonde Cristo e, depois dele, Maria nos precederam.
Contemplando Nossa Senhora da Assunção no céu compreendemos melhor que a nossa vida de todos os dias, não obstante seja marcada por provações e dificuldades, corre como um rio rumo ao oceano divino, para a plenitude da alegria e da paz. Entendemos que o nosso morrer não é o fim, mas o ingresso na vida que não conhece a morte. O nosso crepúsculo no horizonte deste mundo é um ressurgir na aurora do mundo novo, do dia eterno.
"Maria, enquanto nos acompanhas nas dificuldades do nosso viver e morrer diários, conserva-nos constantemente orientados para a verdadeira pátria da bem-aventurança. Ajuda-nos a fazer como Tu fizeste".
Amados irmãos e irmãs, queridos amigos que na manhã de hoje participais nesta celebração, dirijamos em conjunto esta oração a Maria. Diante do triste espectáculo de tanta alegria falsa e, contemporaneamente, de tanta dor angustiada que se difunde pelo mundo, temos que aprender dela a tornar-nos sinais de esperança e de consolação, temos que anunciar com a nossa vida a Ressurreição de Cristo.
"Ajuda-nos Tu, ó Mãe, fúlgida Porta do céu, Mãe da Misericórdia, nascente através da qual brotou a nossa vida e a nossa alegria, Jesus Cristo.
Amém!".
BENTO XVI
Paróquia Pontifícia de S. Tomás de Vilanova, Castelgandolfo Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008
Habitar na Palavra
«[Maria] vive na Palavra de Deus, vive no interior da Palavra toda a sua existência. Quase podemos dizer que ela está impregnada pela Palavra. Assim, é a Palavra que inunda o seu pensamento, toda a sua ação».
(Bento XVI - Discurso por ocasião da conclusão dos Exercícios Espirituais – 11/III/2006)
sexta-feira, 12 de agosto de 2022
Seguir o exemplo do Santo Cura d'Ars
“Os sacerdotes são um grande dom para a Igreja e para o mundo; através do seu ministério, o Senhor continua a salvar os homens, a tornar-se presente e a santificar. Como o Santo Cura d’Ars, sejam generosos na distribuição dos tesouros da graça que Deus colocou em nossas mãos.»
(Bento XVI - Audiência Geral do dia 5 de Maio de 2010)
terça-feira, 9 de agosto de 2022
Os ‘lagers’ nazis
“Os lagers nazis – como todos os campos de extermínio, podem ser considerados símbolos extremos do mal, do inferno que se abre na terra quando o homem esquece Deus e se Lhe substitui, usurpando o seu direito de decidir o que é bem e o que é mal, de dar a vida e a morte.
Infelizmente, este triste fenómeno não está circunscrito aos lagers. Eles são afinal o cume que emerge numa realidade ampla e difusa, muitas vezes de confins imprecisos. Os santos fazem-nos refletir sobre as profundas divergências que existem entre o humanismo ateu e o humanismo cristão”.
(Bento XVI – Angelus 09.08.2009)
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
Seguir o exemplo do Santo Cura d'Ars
“Os sacerdotes são um grande dom para a Igreja e para o mundo; através do seu ministério, o Senhor continua a salvar os homens, a tornar-se presente e a santificar. Como o Santo Cura d’Ars, sejam generosos na distribuição dos tesouros da graça que Deus colocou em nossas mãos.»
(Bento XVI - Audiência Geral do dia 5 de Maio de 2010)
domingo, 31 de julho de 2022
Santo Inácio de Loyola foi sobretudo um homem de Deus
Santo Inácio de Loiola foi antes de tudo um homem de Deus, que colocou no primeiro lugar da sua vida Deus, para sua maior glória e serviço; foi um homem de oração profunda, que tinha o seu centro e o seu ápice na Celebração eucarística quotidiana. Desta forma ele deixou aos seus seguidores uma herança espiritual preciosa que não deve ser perdida nem esquecida. Precisamente porque foi um homem de Deus, Santo Inácio foi servidor fiel da Igreja, na qual viu e venerou a esposa do Senhor e a mãe dos cristãos. E do desejo de servir a Igreja do modo mais útil e eficaz surgiu o voto de especial obediência ao Papa, por ele mesmo qualificado como "o nosso princípio e principal fundamento" (MI, Série III, I, pág. 162). Este carácter eclesial, tão específico da Companhia de Jesus, continue a estar presente nas vossas pessoas e na vossa atividade apostólica, queridos Jesuítas, para que possais ir fielmente ao encontro das atuais necessidades urgentes da Igreja. Entre elas parece-me importante assinalar o compromisso cultural nos campos da teologia e da filosofia, tradicionais âmbitos de presença apostólica da Companhia de Jesus, assim como o diálogo com a cultura moderna, que se por um lado se orgulha pelos maravilhosos progressos no campo científico, permanece fortemente marcada pelo cientismo positivista e materialista. Sem dúvida, o esforço de promover em cordial colaboração com as outras realidades eclesiais, uma cultura inspirada nos valores do Evangelho, exige uma intensa preparação espiritual e cultural. Precisamente por isto, Santo Inácio quis que os jovens jesuítas fossem formados durante longos anos na vida espiritual e nos estudos. É bom que esta tradição seja mantida e fortalecida, considerando também a crescente complexidade e vastidão da cultura moderna. Outra grande preocupação para ele foram a educação cristã e a formação cultural dos jovens: para isso procurou incrementar a instrução dos "colégios", os quais, depois da sua morte, se difundiram na Europa e no mundo. Continuai, queridos Jesuítas, este importante apostolado mantendo inalterado o espírito do vosso Fundador.
(Bento XVI no encontro com os participantes de uma Peregrinação organizada pela Companhia de Jesus em 22.06.2006)
terça-feira, 26 de julho de 2022
Dia dos avós - Um tesouro do qual a Igreja não pode privar os netos
No dia 26 de Julho, a Igreja Católica celebra a memória de São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus, motivo pelo qual a Conferência Episcopal Argentina, através da Área de Idosos do Secretariado Nacional, promove o costume de comemorar e homenagear neste dia os avôs e avós.
O organismo episcopal motiva este esforço no magistério do Papa, que vê nos avós um tesouro do qual os netos não podem ser privados, assim como na pastoral que o Conselho Pontifício para a Família vem impulsionando nestes últimos anos.
Este organismo do Vaticano dedicou precisamente o ano de 2008 aos avós, na sua 18ª Assembleia Plenária, com o tema: “Avós: seu testemunho e presença na família”.
O encontro pretendeu sublinhar o papel de coesão, de apoio e sustento aos netos, de mediação nas relações entre cônjuges e nas relações entre pais e filhos, desempenhado pela geração mais idosa dentro do núcleo familiar.
No discurso que Bento XVI dirigiu aos participantes da assembleia, no dia 5 de Abril desse ano, pediu que se promovesse o acolhimento dos avós, definindo-os como “um tesouro que não podemos tirar às novas gerações, sobretudo quando dão testemunho de fé”.
O então Papa recordou que “a Igreja sempre teve em relação aos avós uma atenção particular, reconhecendo-lhes uma grande riqueza sob o perfil humano e social, assim como sob o religioso e espiritual”.
Por isso, pediu que “os avós voltem a ser presença viva na família, na Igreja e na sociedade. No que diz respeito à família, os avós continuem a ser testemunhas de unidade, de valores originais sobre a fidelidade a um único amor que gera a fé e a alegria de viver”.
Por estes motivos, o organismo episcopal argentino sugere que se promova nas dioceses a comemoração do Dia dos Avós, tanto nas famílias como nas paróquias, escolas e instituições; e para este fim, deixou-se à criatividade das comunidades as formas de realizar a celebração.
(Fonte: ‘Zenit’ com adaptação de JPR)
O organismo episcopal motiva este esforço no magistério do Papa, que vê nos avós um tesouro do qual os netos não podem ser privados, assim como na pastoral que o Conselho Pontifício para a Família vem impulsionando nestes últimos anos.
Este organismo do Vaticano dedicou precisamente o ano de 2008 aos avós, na sua 18ª Assembleia Plenária, com o tema: “Avós: seu testemunho e presença na família”.
O encontro pretendeu sublinhar o papel de coesão, de apoio e sustento aos netos, de mediação nas relações entre cônjuges e nas relações entre pais e filhos, desempenhado pela geração mais idosa dentro do núcleo familiar.
No discurso que Bento XVI dirigiu aos participantes da assembleia, no dia 5 de Abril desse ano, pediu que se promovesse o acolhimento dos avós, definindo-os como “um tesouro que não podemos tirar às novas gerações, sobretudo quando dão testemunho de fé”.
O então Papa recordou que “a Igreja sempre teve em relação aos avós uma atenção particular, reconhecendo-lhes uma grande riqueza sob o perfil humano e social, assim como sob o religioso e espiritual”.
Por isso, pediu que “os avós voltem a ser presença viva na família, na Igreja e na sociedade. No que diz respeito à família, os avós continuem a ser testemunhas de unidade, de valores originais sobre a fidelidade a um único amor que gera a fé e a alegria de viver”.
Por estes motivos, o organismo episcopal argentino sugere que se promova nas dioceses a comemoração do Dia dos Avós, tanto nas famílias como nas paróquias, escolas e instituições; e para este fim, deixou-se à criatividade das comunidades as formas de realizar a celebração.
(Fonte: ‘Zenit’ com adaptação de JPR)
segunda-feira, 25 de julho de 2022
S. Tiago Apóstolo, filho de Zebedeu

[…] Comecemos com o Santo de amanhã, o apóstolo São Tiago, irmão de João, que foi o primeiro mártir entre os apóstolos. Era um dos três mais próximos do Senhor e participou tanto na Transfiguração no Monte Tabor com a sua beleza, na qual sobressaía o esplendor da divindade do Senhor como na angústia, na ansiedade do Senhor no Monte das Oliveiras, e assim viu também que o Filho de Deus, para carregar o peso do mundo, experimentou todo o nosso sofrimento e é solidário connosco. Sabeis que as relíquias de São Tiago se veneram no célebre santuário de Compostela, na Galiza, meta de numerosas peregrinações de todas as partes da Europa. A 11 de Julho passado celebrou-se São Bento, outro grande Padroeiro do "velho continente", e como sabeis, meu padroeiro desde quando fui eleito para o ministério de Pedro. Olhando para estes Santos, torna-se espontâneo deter-se a reflectir, precisamente neste momento histórico com todos os seus problemas, sobre a contribuição que o cristianismo deu e continua a oferecer à construção da Europa.
Bento XVI – excerto Angelus do dia 24 de Julho de 2005 em Le Combres
sexta-feira, 15 de julho de 2022
Catequese de Bento XVI sobre São Boaventura (excerto)
Como já disse São Boaventura,
entre os vários méritos, teve o de interpretar autêntica e fielmente a figura
de São Francisco de Assis, por ele venerado e estudado com grande amor. Em
particular, na época de São Boaventura uma corrente de Frades Menores, chamados
"espirituais", afirmava que com São Francisco fora inaugurada uma fase
totalmente nova da história, aparecera o "Evangelho eterno" de que
fala o Apocalipse, que substituía o Novo Testamento. Este grupo afirmava que a
Igreja já tinha esgotado o seu papel histórico e seria substituída por uma
comunidade carismática de homens livres guiados interiormente pelo Espírito,
isto é pelos "Franciscanos espirituais". Na base das ideias de tal
grupo havia os escritos de um abade cisterciense, Joaquim de Fiore, falecido em
1202. Nas suas obras, ele afirmava um ritmo trinitário da história. Considerava
o Antigo Testamento como era do Pai, seguido pelo tempo do Filho, o tempo da
Igreja. Haveria que esperar ainda a terceira era, a do Espírito Santo. Assim,
toda a história devia ser interpretada como uma história de progresso: da
severidade do Antigo Testamento à relativa liberdade do tempo do Filho, na
Igreja, até à plena liberdade dos Filhos de Deus, no período do Espírito Santo,
que enfim seria inclusive o período da paz entre os homens, da reconciliação
dos povos e das religiões. Joaquim de Fiore suscitou a esperança de que o
início do novo tempo viria de um novo monaquismo. Assim, é compreensível que um
grupo de Franciscanos julgasse reconhecer em São Francisco de Assis o iniciador
do novo tempo e, na sua Ordem, a comunidade da nova época a comunidade do tempo
do Espírito Santo, que deixava atrás de si a Igreja hierárquica, para começar a
nova Igreja do Espírito, desligada das velhas estruturas.
Portanto, havia o risco de um gravíssimo mal-entendido da mensagem de São
Francisco, da sua fidelidade humilde ao Evangelho e à Igreja, e tal equívoco
incluía uma visão errónea do Cristianismo no seu conjunto.
São Boaventura, que em 1257 se tornou Ministro-Geral da Ordem Franciscana,
encontrou-se diante de uma grave tensão no interior da sua própria Ordem precisamente
por causa de quem defendia a mencionada corrente dos "Franciscanos
espirituais", que se inspirava em Joaquim de Fiore. Exatamente para
responder a este grupo e dar nova unidade à Ordem, São Boaventura estudou com
atenção os escritos autênticos de Joaquim de Fiore e os que lhe eram atribuídos
e, tendo em consideração a necessidade de apresentar corretamente a figura e a
mensagem do seu amado São Francisco, quis expor uma justa visão da teologia da
história. São Boaventura enfrentou o problema na sua última obra, uma
coletânea de conferências aos monges do estúdio parisiense, que ficou
incompleta e chegou até nós através das transcrições dos auditores,
intitulada Hexaëmeron,
isto é uma explicação alegórica dos seis dias da criação. Os Padres da Igreja
consideravam os seis ou sete dias da narração sobre a criação como profecia da
história do mundo, da humanidade. Os sete dias representavam para eles sete
períodos da história, mais tarde interpretados também como sete milénios. Com
Cristo teríamos entrado no último, ou seja no sexto período da história, ao
qual depois se seguiria o grande sábado de Deus. São Boaventura supõe esta
interpretação histórica do relatório dos dias da criação, mas de um modo muito
livre e inovativo. Para ele, dois fenómenos do seu tempo tornam necessária uma
nova interpretação do curso da história.
O
primeiro: a figura de São Francisco, homem totalmente unido a Cristo até à
comunhão dos estigmas, quase um alter Christus, e com São Francisco a nova
comunidade por ele criada, diferente do monaquismo até agora conhecido. Este
fenómeno exigia uma nova interpretação, como novidade de Deus que surgiu nesse
momento.
O
segundo: a posição de Joaquim de Fiore, que anunciava um novo monaquismo e um
período totalmente novo da história, indo além da revelação do Novo Testamento
exigia uma resposta.
Como
Ministro-Geral da Ordem dos Franciscanos, São Boaventura viu logo que com a
conceção espiritualista inspirada por Joaquim de Fiore, a Ordem não era
governável, mas caminhava logicamente rumo à anarquia. Para ele, havia duas
consequências:
A
primeira: a necessária prática de estruturas e de inserção na realidade da
Igreja hierárquica, da Igreja real, tinha necessidade de um fundamento
teológico, também porque os outros, aqueles que seguiam a conceção
espiritualista, mostravam um aparente fundamento teológico.
A
segunda: mesmo tendo em consideração o realismo necessário, não se podia perder
a novidade da figura de São Francisco.
Como
respondeu São Boaventura à exigência prática e teórica? Da sua resposta posso
dar aqui só um resumo muito esquemático e incompleto, em alguns pontos:
1. São
Boaventura rejeita a ideia do ritmo trinitário da história. Deus é um para toda
a história e não se divide em três divindades. Portanto, a história é uma só,
embora seja um caminho e segundo São Boaventura um caminho de progresso.
2.
Jesus Cristo é a última palavra de Deus nele Deus disse tudo, doando-se e
proclamando-se a si mesmo. Mais do que Ele mesmo, Deus não pode dizer, nem
doar. O Espírito Santo é Espírito do Pai e do Filho. O próprio Cristo diz do
Espírito Santo: "...ensinar-vos-á tudo o que vos tenho dito" (Jo 14, 26),
"receberá do que é meu para vo-lo anunciar" (Jo 16, 15).
Portanto, não existe outro Evangelho mais excelso, não há outra Igreja a
esperar. Por isso, até a Ordem de São Francisco deve inserir-se nesta Igreja,
na sua fé, no seu ordenamento hierárquico.
3. Isto não significa que a Igreja é
imóvel, fixa no passado, e que nela não possa haver novidade. "Opera Christi non deficiunt,
sed proficiunt",
as obras de Cristo não regridem, não vêm a faltar, mas progridem, diz o Santo
na Carta De
tribus quaestionibus.
Assim São Boaventura formula explicitamente a ideia de progresso, e esta é uma
novidade em relação aos Padres da Igreja e a uma grande parte dos seus
contemporâneos. Para
São Boaventura, Cristo não é mais, como era para os Padres da Igreja, o fim,
mas o centro da história; com Cristo, a história não termina, mas começa um
novo período.Outra consequência é a seguinte: até àquele
momento predominava a ideia de que os Padres da Igreja fossem o ápice absoluto
da teologia, e que todas as gerações seguintes só pudessem ser suas
discípulas. Até
São Boaventura reconhece os Padres como mestres para sempre, mas o fenómeno de
São Francisco dá-lhe a certeza de que a riqueza da palavra de Cristo é
inesgotável e que até nas novas gerações podem despontar novas luzes. A unicidade
de Cristo garante também novidade e renovação em todos os períodos da história.
Sem
dúvida, a Ordem franciscana assim sublinha pertence à Igreja de Jesus Cristo, à
Igreja Apostólica, e não pode construir-se num espiritualismo utópico. Mas ao
mesmo tempo é válida a novidade de tal Ordem em relação ao monaquismo clássico,
e São Boaventura como eu disse na catequese precedente defendeu esta novidade
contra os ataques do Clero secular de Paris: os Franciscanos não têm um
mosteiro fixo e podem estar presentes em toda a parte para anunciar o
Evangelho. Precisamente a ruptura com a estabilidade, característica do
monaquismo, a favor de uma nova flexibilidade, restituiu à Igreja o dinamismo
missionário.
Nesta
altura, talvez seja útil dizer que até hoje existem visões segundo as quais
toda a história da Igreja no segundo milénio teria sido um declínio permanente;
alguns vêem o declínio já imediatamente após o Novo Testamento. Na realidade, "Opera Christi non deficiunt,
sed proficiunt",
as obras de Cristo não regridem mas progridem. O que seria a Igreja, sem a nova
espiritualidade dos Cistercienses, dos Franciscanos e Dominicanos, da
espiritualidade de Santa Teresa de Ávila e de São João da Cruz, e assim por
diante? Até hoje é válida esta afirmação: "Opera Christi non deficiunt,
sed proficiunt", progridem. São Boaventura ensina-nos o conjunto
do discernimento necessário, mesmo severo, do realismo sóbrio e da abertura a
novos carismas doados por Cristo no Espírito Santo, à sua Igreja. E
enquanto se repete esta ideia do declínio, há também outra ideia, o
"utopismo espiritualista" que se repete. Com efeito, sabemos que
depois do Concílio Vaticano II alguns estavam convictos de que tudo era novo,
como se houvesse outra Igreja, que a Igreja pré-conciliar tivesse terminado e
teríamos tido outra, totalmente "outra". Um utopismo anárquico! E graças a Deus os timoneiros sábios
da barca de Pedro, Papa Paulo VI e Papa João Paulo II, por um lado defenderam a
novidade do Concílio e por outro, ao mesmo tempo, defenderam a unicidade e a
continuidade da Igreja, que é sempre Igreja de pecadores e sempre lugar de
Graça.
4.
Neste sentido São Boaventura, como Ministro-Geral dos Franciscanos, assumiu uma
linha de governo em que era bem claro que a nova Ordem não podia, como comunidade,
viver à mesma "altura escatológica" de São Francisco, em quem ele vê
antecipado o mundo futuro, mas guiado ao mesmo tempo por um realismo sadio e
pela coragem espiritual tinha que se aproximar o mais possível da máxima
realização do Sermão da Montanha, que para São Francisco foi a regra, mesmo
tendo em consideração os limites do homem, marcado pelo pecado original.
Vemos
assim que para São Boaventura governar não era simplesmente agir, mas era
sobretudo pensar e rezar. Na
base do seu governo encontramos sempre a oração e o pensamento; todas as suas
decisões derivam da reflexão, do pensamento iluminado pela oração. O
seu contacto íntimo com Cristo acompanhou sempre o seu trabalho de
Ministro-Geral e por isso ele compôs uma série de escritos teológico-místicos,
que expressam a alma do seu governo e manifestam a intenção de orientar
interiormente a Ordem, isto é de governar não só mediante mandatos e
estruturas, mas guiando e iluminando as almas, orientando para Cristo.
Destes
seus escritos, que são a alma do seu governo e mostram o caminho a percorrer,
tanto ao indivíduo como à comunidade,gostaria
de mencionar um só, sua obra-prima, o Itinerarium mentis in Deum, que é um "manual" de
contemplação mística. Este livro foi concebido num lugar de
profunda espiritualidade: o monte La Verna, onde São Francisco tinha recebido
os estigmas. Na introdução, o autor explica as circunstâncias que deram origem
a este seu escrito: "Enquanto eu meditava sobre as possibilidades da alma
se elevar a Deus, apresentou-se-me entre outros aquele acontecimento admirável
ocorrido naquele lugar com o bem-aventurado Francisco, ou seja a visão do
Serafim alado em forma de Crucifixo. E meditando sobre isto, dei-me conta
imediatamente de que tal visão me oferecia o êxtase contemplativo do próprio
pai Francisco e ao mesmo tempo o caminho que a ele conduz" (Itinerário da mente em Deus,
Prólogo, 2 em Obras
de São Boaventura. Opúsculos
Teológicos/1, Roma 1993, pág. 499).
Assim,
as seis asas do Serafim tornam-se o símbolo de seis etapas que conduzem
progressivamente o homem ao conhecimento de Deus através da observação do mundo
e das criaturas e através da exploração da própria alma com as suas faculdades,
até à união total com a Trindade por meio de Cristo, à imitação de São
Francisco de Assis. As últimas palavras do Itinerarium de São Boaventura, que
respondem à pergunta sobre o modo como se pode alcançar esta comunhão mística
com Deus, deviam fazer alcançar o fundo do coração: "Se agora desejas
saber como acontece isto (a comunhão mística com Deus), interroga a graça, não
a doutrina; o desejo, não o intelecto; o gemido da oração, não o estudo da
letra; o esposo, não o mestre; Deus, não o homem; as trevas, não a clareza; não
a luz, mas o fogo que tudo inflama e transporta em Deus, com as fortes unções e
os afetos ardentíssimos... Portanto, entremos nas trevas, silenciemos os
anseios, as paixões e os fantasmas; passemos com Cristo Crucificado deste mundo para
o Pai para, depois de o ter visto, dizermos com Filipe: basta-me isto" (Ibid.,
VII, 6).
Queridos
amigos, aceitemos o convite que nos é dirigido por São Boaventura, o Doutor
Seráfico, e coloquemo-nos na escola do Mestre divino: ouçamos a sua Palavra de
vida e de verdade, que ressoa no íntimo da nossa alma. Purifiquemos os nossos
pensamentos e as nossas acções, a fim de que Ele possa habitar em nós, e nós
possamos ouvir a sua Voz divina, que nos atrai para a verdadeira felicidade.
(©
L'Osservatore Romano - 13 de Março de 2010)
domingo, 26 de junho de 2022
"Deixemos que Deus faça maravilhas"
Surpreendia-me sempre a interpretação que Josemaría Escrivá dava do nome Opus Dei: uma interpretação que poderíamos chamar biográfica e que nos consente compreender o fundador na sua fisionomia espiritual. Escrivá sabia que devia fundar algo, mas estava sempre consciente de que aquele algo não era obra sua, que ele não tinha inventado nada, que simplesmente o Senhor se servia dele. Por conseguinte, aquela não era a sua obra, mas o Opus Dei. Ele era unicamente um instrumento através do qual Deus teria agido.
Ao considerar este facto vieram-me à mente as palavras do Senhor transcritas no Evangelho de João (5, 17): «O meu Pai age sempre». São palavras pronunciadas por Jesus durante um debate com alguns peritos da religião que não queriam reconhecer que Deus pode trabalhar também no sábado. Eis um debate que ainda está aberto, de certa forma, entre os homens – também cristãos – do nosso tempo. Há quem pense que, depois da criação, Deus se «retirou» e não sente mais interesse pelas nossas coisas quotidianas. Segundo este modelo de pensamento, Deus já não poderia entrar no tecido da nossa vida quotidiana. Mas nas palavras de Jesus temos o desmentido. Um homem aberto à presença de Deus apercebe-se de que Deus faz maravilhas ainda hoje: portanto, devemos deixá-lo entrar e agir. E é assim que surgem as coisas que oferecem um futuro e renovam a humanidade.
Tudo isto nos ajuda a compreender por que é que Josemaría Escrivá não se considerava «fundador» de nada, mas apenas uma pessoa que quis cumprir a vontade de Deus, seguir a sua ação, a obra – precisamente – de Deus. Neste sentido, o teocentrismo de Escrivá de Balaguer, coerente com as palavras de Jesus, significa esta confiança no facto de que Deus não se retirou do mundo, que Deus age ainda agora e nós devemos apenas pôr-nos à sua disposição, estar disponíveis, ser capazes de reagir à sua chamada, o que é para mim uma mensagem de grandíssima importância. É uma mensagem que leva à superação daquela que se pode considerar a grande tentação do nosso tempo: isto é, a pretensão de que depois do big bang Deus se tenha retirado da história. A ação de Deus não «parou» no momento do big bang, mas ainda continua ao longo do tempo, quer no mundo da natureza quer no mundo humano.
Portanto, o fundador da Obra dizia: não fui eu que inventei algo; é o Outro que o faz e eu estou apenas disponível para servir de instrumento. Assim este título, e toda a realidade a que chamamos Opus Dei, estão profundamente relacionados com a vida interior do fundador que, mesmo permanecendo muito discreto neste ponto, nos faz compreender que estava em diálogo permanente, em contacto real com Aquele que nos criou e age por nós e connosco. O livro do Êxodo diz de Moisés (33, 11) que Deus falava com ele «face a face, como um amigo fala com outro amigo». Parece-me que, mesmo se o véu da discrição nos esconde tantos pormenores, contudo daqueles pequenos acenos resulta que se pode aplicar muito bem a Josemaría Escrivá este «falar como um amigo que fala com outro amigo», que abre as portas do mundo para que Deus se possa fazer presente, agir e transformar tudo.
Sob esta luz compreende-se também melhor o que significa santidade e vocação universal à santidade. Conhecendo um pouco a história dos santos, sabendo que nos processos de canonização se procura a virtude «heróica», temos quase inevitavelmente um conceito errado da santidade: «Não é para mim», somos tentados a pensar, «porque eu não me sinto capaz de realizar virtudes heróicas: é um ideal demasiado elevado para mim». Então a santidade torna-se uma coisa reservada a alguns «grandes», dos quais vemos as imagens nos altares, e que são muito diferentes de nós, que somos normais pecadores. Mas este é um conceito errado de santidade, uma percepção errónea que foi corrigida – e isto parece-me o ponto central – precisamente por Josemaría Escrivá.
Virtude heróica não significa que o santo faz uma espécie de «ginástica», de santidade, algo que as pessoas normais não conseguem fazer. Ao contrário, significa que na vida de um homem se revela a presença de Deus, isto é, se revela o que o homem por si só e para si não podia fazer. Talvez se trate, no fundo, apenas de uma questão terminológica, porque o adjectivo «heróico» foi mal interpretado. Virtude heróica propriamente não significa que alguém fez grandes coisas sozinho, mas que na sua vida aparecem realidades que ele não fez, porque foi transparente e disponível para a obra de Deus. Ou, por outras palavras, ser santo não é mais do que falar com Deus como um amigo fala com outro amigo. Eis a santidade.
Ser santo não significa ser superior aos outros; antes, o santo pode ser muito débil, pode ter cometido tantos erros na sua vida. A santidade é este contacto profundo com Deus, fazer-se amigo de Deus: é deixar agir o Outro, o Único que realmente pode fazer com que o mundo seja bom e feliz. Por conseguinte, se São Josemaría Escrivá fala da chamada de todos a ser santos, parece-me que, em última análise, está a haurir desta sua experiência pessoal de não ter feito sozinho coisas incríveis, mas de ter deixado agir Deus. E por isso nasceu uma renovação, uma força de bem no mundo, mesmo que todas as debilidades humanas permaneçam sempre presentes. Deveras todos somos capazes, todos somos chamados a abrir-nos a esta amizade com Deus, a não abandonar as mãos de Deus, a não deixar de voltar sempre de novo ao Senhor, falando com Ele como se fala com um amigo, sabendo bem que o Senhor realmente é o verdadeiro amigo de todos, mesmo de quantos não podem fazer grandes coisas sozinhos.
Com tudo isto compreendi melhor a fisionomia do Opus Dei, esta ligação surpreendente entre uma absoluta fidelidade à grande tradição da Igreja, à sua fé, com desarmante simplicidade, e a abertura incondicionada a todos os desafios deste mundo, quer no âmbito académico, quer no do trabalho, da economia, etc. Quem tem este vínculo com Deus, quem mantém este diálogo ininterrupto pode ousar responder a estes desafios, e deixa de ter medo; porque quem está nas mãos de Deus cai sempre nas mãos de Deus. É assim que desaparece o medo e nasce, ao contrário, a coragem de responder ao mundo de hoje.
Card. Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Publicado no Suplemento de 'L’Osservatore Romano', 6-X-2002
sexta-feira, 24 de junho de 2022
Bento XVI sobre a Solenidade do Nascimento de São João Batista
Hoje, 24 de Junho (2012), celebramos a solenidade do Nascimento de São João Batista. Com a exceção da Virgem Maria, o Batista é o único santo do qual a liturgia festeja o nascimento, e isto porque ele está estreitamente relacionado com o mistério da Encarnação do Filho de Deus. Com efeito, desde o seio materno João é o precursor de Jesus: a sua conceção prodigiosa é anunciada pelo Anjo a Maria como sinal de que «nada é impossível a Deus» (Lc 1, 37), seis meses antes do grande prodígio que nos dá a salvação, a união de Deus com o homem por obra do Espírito Santo. Os quatro Evangelhos dão grande realce à figura de João Batista, como profeta que conclui o Antigo Testamento e inaugura o Novo, indicando em Jesus de Nazaré o Messias, o Ungido do Senhor. Com efeito, será o próprio Jesus quem falará de João nestes termos: «É aquele do qual está escrito: “Eis que envio o Meu mensageiro diante de Ti, para Te preparar o caminho”. Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista; e, no entanto, o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele» (Mt 11, 10-11).
O pai de João, Zacarias — marido de Isabel, parente de Maria — era sacerdote do culto judaico. Ele não acreditou imediatamente no anúncio de uma paternidade já inesperada, e por isso ficou mudo até ao dia da circuncisão do menino, ao qual ele e a esposa deram o nome indicado por Deus, ou seja, João, que significa «o Senhor concede graças». Animado pelo Espírito Santo, Zacarias falou assim da missão do filho: «E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás adiante do Senhor a preparar os seus caminhos. Para dar a conhecer ao Seu povo a Sua salvação pela remissão dos pecados» (Lc 3, 1-6). Quando um dia veio de Nazaré o próprio Jesus para se fazer batizar, João inicialmente recusou-se, mas depois consentiu, e viu o Espírito Santo pairar sobre Jesus e ouviu a voz do Pai celeste que o proclamava seu Filho (cf. Mt 3, 13-17). Mas a sua missão ainda não estava completada: pouco tempo mais tarde, foi-lhe pedido que precedesse Jesus também na morte violenta: João foi decapitado na prisão do rei Herodes, e assim deu pleno testemunho do Cordeiro de Deus, que ele foi o primeiro a reconhecer e a indicar publicamente.
Queridos amigos, a Virgem Maria ajudou a idosa prima Isabel a levar até ao fim a gravidez de João. Ela ajude todos a seguir Jesus, o Cristo, o Filho de Deus, que o Baptista anunciou com grande humildade e fervor profético.
(Ângelus do dia 24.06.2012)
Solenidade da Natividade de São João Batista
Queridos irmãos e irmãs!
Hoje, 24 de Junho, a liturgia convida-nos a celebrar a solenidade do Nascimento de São João Baptista, cuja vida está toda orientada para Cristo, como a da mãe d'Ele, Maria. João Baptista foi o precursor, a "voz" enviada para anunciar o Verbo encarnado. Por isso, comemorar o seu nascimento significa na realidade celebrar Cristo, cumprimento das promessas de todos os profetas, dos quais o Baptista foi o maior, chamado para "preparar o caminho" diante do Messias (cf. Mt 11, 9-10).
Todos os Evangelhos iniciam a narração da vida pública de Jesus com a narração do seu baptismo no rio Jordão por obra de João. São Lucas situa a entrada em cena do Baptista com uma moldura histórica solene. Também o meu livro Jesus de Nazaré se inspira no baptismo de Jesus no Jordão, acontecimento que teve grande ressonância no seu tempo. De Jerusalém e de todas as partes da Judeia o povo acorria para ouvir João Baptista e fazer-se baptizar por ele no rio, confessando os próprios pecados (cf. Mc 1, 5). A fama do profeta baptizador cresceu a tal ponto que muitos perguntavam se era ele o Messias. Mas ele ressalta o evangelista negou-o decididamente: "Eu não sou o Messias" (Jo 1, 20). Contudo, ele permanece a primeira "testemunha" de Jesus, tendo recebido a indicação do Céu: "Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo" (Jo 1, 33). Isto acontece precisamente quando Jesus, tendo recebido o baptismo, saiu da água: João viu descer sobre Ele o Espírito como uma pomba. Foi então que "conheceu" a plena realidade de Jesus de Nazaré, e começou a dá-lo a "conhecer a Israel" (Jo 1, 31), indicando-o como Filho de Deus e redentor do homem: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1, 29).
De profeta autêntico, João deu testemunho da verdade sem condescendências. Denunciou as transgressões dos mandamentos de Deus, também quando os protagonistas eram os poderosos.
Assim, quando acusou de adultério Herodes e Herodíades, pagou com a vida, selando com o martírio o seu serviço a Cristo, que é a Verdade em pessoa. Invoquemos a sua intercessão, juntamente com a de Maria Santíssima, para que também nos nossos dias a Igreja saiba manter-se sempre fiel a Cristo e testemunhar com coragem a sua verdade e o seu amor a todos.
Bento XVI – durante o Angelus de Domingo dia 24 de Junho de 2007
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