Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 29 de agosto de 2021

Amar a Cristo...

Senhor Jesus, João cujo martírio hoje recordamos, o novo Elias e Teu percursor, deixou-nos um legado de humildade que nos inspira a tudo Te oferecer, mas nem sempre somos coerentes e somos capazes de nos apagar totalmente para melhor Te servir e ao próximo.

Cristo Redentor, ajuda-nos, Te rogamos, a sermos simples servidores Teus diminuindo-nos para que assim Tu possas brilhar e inspirar na Tua plenitude Divina!

Louvor e glória a Vós Jesus Cristo Senhor e Rei do Universo!

JPR

João não pode ter morrido em vão

Prenderam-no e decapitaram-no por confrontar Herodes sobre o adultério que cometia ao viver com a mulher do seu irmão Filipe (cfr. Mt 14, 3-5; Mc 6, 17; Lc 3, 19-20). Em nome da “misericórdia” passar uma esponja e aceitar como válidos perante Deus e a Igreja segundos casamentos de divorciados não só é desrespeitar a palavra do Senhor e o Magistério da Igreja em relação à indissolubilidade do casamento (cfr. Mt 5, 31-31.19, 7-9; Mc 10, 1-12; Lc 16, 18; Gaudium et Spes, 48) como ignorar as palavras do Senhor sobre João Batista (Mt 11, 7-15; Lc 24-30; Jo 5, 35), ou seja, se tal sucedesse a morte de João teria sido inglória e os Sagrados Evangelhos transformados em “jornais velhos” para deitar fora.

Defendamos a Igreja unidos ao Romano Pontífice pedindo ao Divino Espírito Santo que ilumine todos os que o aconselham sobre a família e o ambiente.

JPR

"o maior entre os nascidos de mulher"

1. No dia de hoje, 29 de Agosto, a tradição cristã recorda o martírio de São João Batista, "o maior entre os nascidos de mulher", segundo o elogio do próprio Messias (cf. Lc 7, 28). Ele prestou a Deus o testemunho supremo do sangue, imolando a sua existência pela verdade e a justiça; com efeito, foi decapitado por ordem de Herodes, a quem tinha ousado dizer que não era lícito casar com a mulher do seu irmão (cf. Mc 6, 17-29).

2. Recordando o sacrifício de João Batista, na Carta Encíclica Veritatis splendor (cf. n. 91) observei que o martírio constitui "um sinal preclaro da santidade da Igreja" (n. 93). Efetivamente, ele "representa o ápice do testemunho a favor da verdade moral" (Ibidem). Se são relativamente poucas as pessoas chamadas ao sacrifício supremo, há porém "um testemunho coerente que todos os cristãos devem estar prontos a dar em cada dia, mesmo à custa de sofrimentos e de graves sacrifícios" (Ibidem). É verdadeiramente necessário um compromisso, por vezes heróico, para não ceder, até mesmo na vida quotidiana, às dificuldades que levam ao compromisso, e para viver o Evangelho "sine glossa".

3. O exemplo heróico de João Batista faz pensar nos mártires da fé que, ao longo dos séculos, seguiram corajosamente as suas pegadas. De modo especial, voltam-me à mente os numerosos cristãos que, no século passado, foram vítimas do ódio religioso em diversas nações da Europa. Mesmo hoje, nalgumas partes do mundo, os fiéis continuam a ser submetidos a duras provações, em virtude da sua adesão a Cristo e à sua Igreja.

Que estes nossos irmãos e irmãs sintam a plena solidariedade de toda a comunidade eclesial! Confiemo-los à Virgem Santa, Rainha dos mártires, que agora invocamos em conjunto.

(São João Paulo II – Angelus do dia 29 de agosto de 2004)

João Batista morre por Cristo

Lansperge, o Cartuxo (1489-1539), religioso e teólogo 

Sermão sobre a Degolação de São João Batista. Opera omnia, t. 2, pp. 514 ss.

João não viveu para si próprio nem morreu para si próprio. A quantos homens carregados de pecados a sua vida dura e austera não terá levado à conversão? A quantos homens a sua morte não merecida não terá encorajado a suportar as provas? E a nós, donde nos vem hoje a ocasião para darmos fielmente graças a Deus, senão da lembrança de São João Baptista, assassinado pela justiça, ou seja por Cristo? [...]

Sim, João Batista sacrificou de todo o coração a sua vida terrena por amor de Cristo; preferiu menosprezar as ordens do tirano que as de Deus. Este exemplo ensina-nos que nada nos deve ser mais querido que a vontade de Deus. Agradar aos homens não serve de grande coisa; em geral, até prejudica grandemente. [...] Por esta razão, com todos os amigos de Deus, morramos para os nossos pecados e as nossas preocupações, pisemos o nosso amor próprio desviado e deixemos crescer em nós o amor fervoroso a Cristo.

Martírio de S. João Batista

A festa do martírio de São João Batista remonta ao século V, na França; e ao século VI, em Roma. Está ligada à dedicação da igreja construída em Sebaste, na Samaria, no suposto túmulo do Precursor de Jesus. O próprio Jesus apresenta-nos João Batista:

Ao partirem eles, começou Jesus a falar a respeito de João às multidões: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais do que um profeta. É dele que está escrito: " eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista, e, no entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele ..." (Mat 11:2-11).

O martírio de João Batista liga-se à denúncia profética das injustiças cometidas pelos poderosos, inclusive o luxo da corte, cujo desfecho fatal é a morte do inocente e a opressão dos marginalizados.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sábado, 28 de agosto de 2021

Amar a Cristo...

Querido Jesus, obrigado pelo Teu filho e Teu santo de nome Agostinho que hoje festejamos, pela sua belíssima conversão, pelo extraordinário relato da sua vida que nos deixou na sua obra maior Confissões, pelos diferentes textos cheios de amor a Ti e de firmeza de fé.

Faz de nós bons Agostinhos e bons conversos, não deixes que o nosso passado se sobreponha ao amor que Te temos e ajuda-nos a evitar o pecado.

Na Tua infinita misericórdia auxilia-nos a sermos nada, para assim sermos tudo em Ti.

JPR

Santo Agostinho um dos Santos da minha devoção

Conjuntamente com S. Paulo, Santa Catarina de Sena, São Tomás Moro e São Josemaría Escrivá, recorro em oração frequentemente a Santo Agostinho pedindo-lhe que interceda para que tenha humildade de aumentar o meu amor ao Senhor e consequentemente ser sempre teocêntrico.

Salvaguardadas as devidas diferencias, que começam na minha pouca formação e ignorância, Santo Agostinho teve dois Anjos da Guarda na terra, sua mãe, Santa Mónica, e Santo Ambrósio, Bispo de Milão, pessoalmente não pude, a partir dos dezassete anos de idade, usufruir da intercessão terrena da minha mãe, mas João Paulo II, que me cativou logo na cerimónia da sua coroação quando se levantou para abraçar o seu amigo e mentor o Cardeal Stefan Wyszynski (1901/1981) e posteriormente na dignidade e amor à Igreja como viveu a sua enfermidade, foi o Anjo que me ajudou a abrasar o coração, embora o meu regresso à Igreja se tenha verificado cerca de dezoito meses após a sua partida para a Casa do Pai.

Insistindo, sobretudo por respeito, admiração e veneração, que longe de mim comparar-me a esse grande Doutor da Igreja que foi Santo Agostinho, também à sua semelhança andei totalmente perdido, sendo que no caso dele se pode intuir do seu legado escrito, que sempre procurou a Deus, nem sempre pelas melhores vias, mas a sua alma tinha fome e sede do Senhor, enquanto eu cheio de soberba e fingida sabedoria, que mais não era do que pura e total ignorância, sentia-me “rei” de mim mesmo e do mundo. Que figuras tristíssimas fazem os que assim procedem!

É, penso dentro da minha pouca formação, a sua mais conhecida obra, refiro-me a “Confissões”, que em boa hora perguntei a um Sacerdote amigo se já me encontraria preparado para ler, compreender e absorver, tendo a resposta sido positiva, bem-haja Pe. ASL, porque me fez muito bem à alma e me ajudou e ajuda na minha luta diária para tentar ser digno das promessas de Cristo e consequentemente pela minha santificação. Tanto caminho que ainda me falta meu Deus!

Bem-haja Santo Agostinho, e que por tua intercessão eu possa um dia, se for essa a vontade do Senhor, entrar no Seu Reino para conjuntamente contigo, os Anjos e todos os Santos O poder servir e glorificar.

JPR em Agosto de 2010

“Tarde Te amei!” - Santo Agostinho

"Et ecce intus eras et ego foris et ibi te quaerebam, et in ista formosa quae fecisti deformis irruebam..."

1. Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova… Tarde Te amei! Trinta anos estive longe de Deus. Mas, durante esse tempo, algo se movia dentro do meu coração… Eu era inquieto, alguém que buscava a felicidade, buscava algo que não achava… Mas Tu Te compadeceste de mim e tudo mudou, porque Tu me deixaste conhecer-Te. Entrei no meu íntimo sob a Tua Guia e consegui, porque Tu Te fizeste meu auxílio.
2. Tu estavas dentro de mim e eu fora… “Os homens saem para fazer passeios, a fim de admirar o alto dos montes, o ruído incessante dos mares, o belo e ininterrupto curso dos rios, os majestosos movimentos dos astros. E, no entanto, passam ao largo de si mesmos. Não se arriscam na aventura de um passeio interior”. Durante os anos de minha juventude, pus meu coração em coisas exteriores que só faziam me afastar cada vez mais d’Aquele a Quem meu coração, sem saber, desejava… Eis que estavas dentro e eu fora! Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Estavas comigo e não eu Contigo…
3. Mas Tu me chamaste, clamaste por mim e Teu grito rompeu a minha surdez… “Fizeste-me entrar em mim mesmo… Para não olhar para dentro de mim, eu tinha me escondido. Mas Tu me arrancaste do meu esconderijo e me puseste diante de mim mesmo, a fim de que eu enxergasse o indigno que era, o quão deformado, manchado e sujo eu estava”. Em meio à luta, recorri a meu grande amigo Alípio e lhe disse: “Os ignorantes nos arrebatam o céu e nós, com toda a nossa ciência, nos debatemos em nossa carne”. Assim me encontrava, chorando desconsolado, enquanto perguntava a mim mesmo quando deixaria de dizer “Amanhã, amanhã”… Foi então que escutei uma voz que vinha da casa vizinha… Uma voz que dizia: “Pega e lê. Pega e lê!”.
4. Brilhaste, resplandeceste sobre mim e afugentaste a minha cegueira. Então corri à Bíblia, abri-a e li o primeiro capítulo sobre o qual caiu o meu olhar. Pertencia à carta de São Paulo aos Romanos e dizia assim: “Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13,13s). Aquelas Palavras ressoaram dentro de mim. Pareciam escritas por uma pessoa que me conhecia, que sabia da minha vida.
5. Exalaste Teu Perfume e respirei. Agora suspiro por Ti, anseio por Ti! Deus… de Quem separar-se é morrer, de Quem aproximar-se é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus… de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus… a Quem esquecer é perecer, a Quem buscar é renascer, a Quem conhecer é possuir. Foi assim que descobri a Deus e me dei conta de que, no fundo, era a Ele, mesmo sem saber, a Quem buscava ardentemente o meu coração.
6. Provei-Te, e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me, e agora ardo por Tua Paz. “Deus começa a habitar em ti quando tu começas a amá-Lo”. Vi dentro de mim a Luz Imutável, Forte e Brilhante! Quem conhece a Verdade conhece esta Luz. Ó Eterna Verdade! Verdadeira Caridade! Tu és o meu Deus! Por Ti suspiro dia e noite desde que Te conheci. E mostraste-me então Quem eras. E irradiaste sobre mim a Tua Força dando-me o Teu Amor!
7. E agora, Senhor, só amo a Ti! Só sigo a Ti! Só busco a Ti! Só ardo por Ti!…
8. Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!
Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29

Catequeses de Bento XVI sobre Santo Agostinho de Hipona

Santo Agostinho, Bispo de Hipona, Doutor da Igreja

Nasceu em Tagaste, no ano de 354. Africano da Tunísia, era filho de pai pagão e de mãe cristã. Espírito irrequieto e sedento de verdade, enveredou por várias correntes filosóficas e seitas, até chegar ao cristianismo. Andou também pelos meandros da vida amorosa, e por muito tempo viveu em companhia de uma mulher e ambos tiveram um filho. Esta mulher anónima, que Santo Agostinho amava e por ela era amado, e da qual nem sequer nos legou o nome, retornou à África e certamente não foi menor em sua oblação.

Agostinho converteu-se por volta do ano 387 e recebeu o batismo em Milão. Quem o batizou foi o célebre Bispo Santo Ambrósio que, juntamente com Santa Mónica, trabalhou pela sua conversão. Retornando à sua terra, levou vida ascética. Eleito Bispo de Hipona, por trinta e quatro anos esteve à frente de seu povo, ensinando-o e combatendo as heresias. Além de "Confissões", escreveu muitas outras obras. Constitui-se, assim, num dos mais profundos pensadores do mundo antigo. É por muitos considerado o pai do existencialismo cristão. Morreu em Hippo Regius, no dia 28 de Agosto de 430.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Amar a Cristo...

Senhor Jesus Filho de Deus Pai, hoje a Tua Igreja evoca uma grande esposa e mãe, Mónica, que tanto contribuiu para a conversão de Patrício, seu marido, e do filho que viria a ser um grande doutor da Igreja, Agostinho.

Amado Jesus, hoje rogamos-Te que por intercessão de Maria Santíssima, a mais excelsa de todas as Mães, faças de nós, homens e mulheres, mães e esposos como Santa Mónica, para que cheios do Teu Espírito, com humildade e perseverança possamos contribuir para a conversão daqueles que dela necessitam.

Jesus Cristo ouvi-nos, Jesus Cristo atendei-nos!

JPR

São Josemaría acerca da Festa de Santa Mónica

Festa de Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho. Numa ocasião, a uma mãe preocupada porque um dos filhos andava afastado de Deus disse-lhe: “Lembra-te de Santa Mónica: mais longe do que tinha ido Santo Agostinho…?; ela, rezando – e algumas vezes com lágrimas –, trouxe-o a Deus. E depois foi aquele grande bispo aquele grande doutor da Igreja. De modo que o teu filho pode voltar, voltará!: e, ainda por cima, fará muito bem às almas”.

Amor à Igreja e ao Papa

Cada dia hás-de crescer em lealdade à Igreja, ao Papa, à Santa Sé... Com um amor cada vez mais teológico! (Sulco, 353)

Para mim, depois da Santíssima Trindade e de nossa Mãe a Virgem, vem logo o Papa, na hierarquia do amor. Não posso esquecer que foi S.S. Pio XII quem aprovou o Opus Dei, quando este caminho de espiritualidade parecia a alguns uma heresia; mas também não esqueço que as primeiras palavras de carinho e afeto que recebi em Roma, em 1946, disse-mas o então Mons. Montini. Tenho também muito presente o encanto afável e paternal de João XXIII, de todas as vezes que tive ocasião de o visitar. Uma vez disse-lhe: «Todos, católicos ou não, têm encontrado na nossa Obra um lugar acolhedor: não tive de aprender o ecumenismo com Vossa Santidade ...». E o Santo Padre João sorriu emocionado. Que quer que lhe diga? Todos os Romanos Pontífices têm tido compreensão e carinho para com o Opus Dei.
Temas atuais do cristianismo, 46

A nossa Santa Mãe a Igreja, em magnífica extensão de amor, vai espalhando a semente do Evangelho por todo o mundo. De Roma à periferia. Ao colaborares nessa expansão, pelo orbe inteiro, leva a periferia ao Papa, para que a terra toda seja um só rebanho e um só Pastor: um só apostolado!
Forja, 638

Oferece a oração, a expiação e a ação por esta finalidade: «ut sint unum!», para que todos os cristãos tenham uma mesma vontade, um mesmo coração, um mesmo espírito: para que «omnes cum Petro ad Iesum per Mariam!», todos, bem unidos ao Papa, vamos a Jesus, por Maria.
Forja, 647

Maria, na verdade, edifica continuamente a Igreja, reúne-a, mantém-na coesa. É difícil ter autêntica devoção à Virgem sem nos sentirmos mais vinculados aos outros membros do Corpo Místico e também mais unidos à sua cabeça visível, o Papa. Por isso me agrada repetir: Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam! "todos, com Pedro, a Jesus, por Maria!" E assim, ao reconhecer-nos como parte da Igreja e convidados a sentir-nos irmãos na Fé, descobrimos mais profundamente a fraternidade que nos une à Humanidade inteira, porque a Igreja foi enviada por Cristo a todos os homens e a todos os povos.
Cristo que passa, 139

São Josemaria Escrivá

Santa Mónica – as lágrimas e o sonho (não deixe ler este lindo excerto de Santo Agostinho filho de Santa Mónica)

E do alto lançaste a mão e desta profunda escuridão arrancaste a minha alma, chorando por mim minha mãe, Tua fiel, diante de Ti, mais do que choram as mães nas exéquias do corpo. Ela via a minha morte na fé e no espírito que recebera de Ti, e Tu ouviste-a, Senhor, ouviste-a e não desprezaste as suas lágrimas, quando irrigavam profusamente a terra debaixo dos seus olhos em todo o lugar da sua oração: ouviste-a. Pois donde veio aquele sonho com que a consolaste, para que acedesse a viver comigo e a ter comigo a mesma mesa em casa? O que começara por não querer, repudiando e detestando as blasfémias do meu erro. Viu, com efeito, de pé, numa espécie de régua de madeira, um jovem que vinha em direcção a ela, resplandecente, alegre e sorrindo-lhe, estando ela acabrunhada e consumida pela tristeza e das suas lágrimas diárias, para informar, como é costume, não para saber, e como ela respondesse que chorava a minha perdição, ele ordenou e advertiu, para que ficasse tranquila, que reparasse e visse onde ela estava estava também eu. Quando ela reparou, viu-me a seu lado de pé na mesma régua. Porquê isto, senão porque os Teus ouvidos estavam junto do seu coração, ó Tu, bom e omnipotente, que cuidas de cada um de nós como se cuidasses de um só, e de todos como de cada um?

(Confissões – Livro III – XI, 19 - Santo Agostinho)

Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho

Santa Mónica nasceu em Tagaste, África, por volta do ano 331. Foi mãe do célebre doutor da Igreja, Santo Agostinho. Jovem, ainda, ela casou com Patrício e teve filhos, um dos quais foi Agostinho de Hipona, convertido ao cristianismo, graças às suas orações e lágrimas. Foi uma mulher de intensa oração e de virtudes comprovadas. No seu livro, "Confissões", Santo Agostinho fala de sua mãe com grande estima e veneração:

Superou infidelidades conjugais, sem jamais hostilizar, demonstrar ressentimento contra o marido, por isso. Esperava que tua misericórdia descesse sobre ele, para que tivesse fé em Ti e se tornasse casto. Embora de coração afetuoso, ele encolerizava-se facilmente. Minha mãe havia aprendido a não o contrariar com atos ou palavras, quando o via irado. Depois que ele se refazia e acalmava, ela procurava o momento oportuno para mostrar-lhe como se tinha irritado sem refletir ... Sempre que havia discórdia entre pessoas, ela procurava, quando possível, mostrar-se conciliadora, a ponto de nada referir de uma à outra, senão o que podia levá-las a se reconciliarem ... Educara os filhos, gerando-os de novo tantas vezes quantas os visse afastarem-se de Ti. Enfim, ainda antes de adormecer para sempre no Senhor, quando já vivíamos em comunidades, depois de ter recebido a graça do batismo (...), ela cuidou de todos, como se nos tivesse gerado a todos, servindo a todos nós, como se fosse filha de cada um (Confissões, Ed. Paulinas, p. 234).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

S. Luís (IX), rei de França, †1270

Quadro de El Greco
Eleito rei desde os doze anos de idade, Luís, nascido em 1214, era filho da virtuosa Branca de Castela, regente de França durante sua menor idade. Recebeu forte educação cristã.

Foi muito dedicado à renovação da justiça e da economia do seu país. Construiu hospitais, asilos, escolas e favoreceu a universidade de Sorbonne, o que deu à França o primado da cultura europeia. Empreendeu uma cruzada para a libertação dos lugares santos, fez diversas conquistas, venceu muitas batalhas, até que foi tomado como prisioneiro dos egípcios. Pago o resgate, continuou suas atividades até que foi atingido pela peste, morrendo às portas de Tunis, a 25 de agosto de 1270.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Na amizade de Cristo

«Quem deixa entrar Cristo não perde nada, nada, absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só esta grande amizade nos abre plenamente as portas da vida. Só nela se revelam verdadeiramente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta».

(Bento XVI - Homilia da Missa Inaugural do Pontificado – 24/IV/2005)

Infelizmente, sucede que muitos entre nós num ato de arrogância extrema, que até admito, jamais lhes tenha ocorrido que o praticam, se sentem tão seguros de si próprios, que Jesus Cristo para eles é um “mito” que colocam ao mesmo nível de um Che Guevara e de um qualquer herói desportivo e quem lhes fala d'Ele são considerados uns “anormais fundamentalistas”.

Aqui permito-me recordar a perseverança de S. Paulo e dizer que jamais falar de Cristo, da Santíssima Trindade, da Virgem Maria, da Santa Madre Igreja, sejam quais forem os obstáculos, será um ato inócuo, muitas vezes, se calhar a maior parte delas, quando nos dirigimos aos “progressistas” renitentes em nos escutar, os resultados são aparentemente frustrantes, mas não nos esqueçamos, que se assim for, sê-lo-ão por vontade de Deus Nosso Senhor, cujos caminhos na nossa humilde condição terrena não temos capacidade de entender, mas, e aqui vem a parte mais gratificante, Ele ficará honrado e glorificado, além da semente ter sido lançada, ainda que a não venhamos a ver frutificar de imediato.

Saibamos pois, imitar S. Paulo e todos os Santos que jamais desistiram de anunciar o Senhor e proclamar a Sua Santíssima Mãe.

JPR

São Bartolomeu, Apóstolo

São Bartolomeu - filho de Tholmai - é um dos doze apóstolos.

Muitos o identificam com Natanael, mencionado em João 1,45: Jesus viu Natanael vindo até ele, e disse a seu respeito: "Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fraude". Natanael exclamou: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel". Jesus respondeu-lhe: "Crês só porque te disse: 'Eu vi-te sob a figueira'? Verás coisas maiores do que essas".

Além de João, Mateus, Marcos, Lucas, os Atos referem-se a ele como um dos Doze. Uma antiga tradição arménia afirma que o apóstolo Bartolomeu, que era da Galileia, foi para a Índia.

Pregou àquele povo a verdade do Senhor Jesus segundo o Evangelho de São Mateus. Depois de, naquela região, ter convertido muitos a Cristo, sustentando não poucas fadigas e superando muitas dificuldades, passou para a Arménia Maior, onde levou a fé cristã ao rei Polímio, a sua esposa e a mais de doze cidades. Essas conversões, no entanto, provocaram uma enorme inveja nos sacerdotes locais, que, por meio do irmão do rei Polímio, conseguiram obter ordem para tirar a pele de Bartolomeu e depois decapitá-lo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Receber o Senhor

«Sempre que O recebemos, anunciamos a morte do Senhor. Se nós anunciamos a morte do Senhor, anunciamos a remissão dos pecados. Se, de cada vez que o seu sangue é derramado, é derramado para remissão dos pecados, eu devo recebê-lo sempre, para que sempre Ele perdoe os meus pecados. Eu que peco sempre, devo ter sempre um remédio»

Santo AmbrósioDe Sacramentis, 4. 28: CSEL 73, 57-58 (PL 16, 446)

Santa Rosa de Lima, padroeira da América Latina

Isabel Flores y de Oliva era o nome de baptismo de Santa Rosa de Lima que nasceu em 1586 em Lima, Peru. Os seus pais eram espanhóis, que se haviam mudado para a rica colónia do Peru. O nome Rosa foi-lhe dado carinhosamente por uma empregada índia, Mariana, pois a mulher, maravilhada pela extraordinária beleza da menina, exclamou admirada: Você é bonita como uma rosa!

Levada à miséria com a sua família, ganhou a vida com duro trabalho da lavoura e costura, até alta noite. Aos vinte anos, ingressou na Ordem Terceira de São Francisco, pediu e obteve licença de fazer os votos religiosos em sua própria casa, como terceira dominicana. Construiu para si uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais. A cama era um saco de estopa, levando uma vida de austeridade, de mortificação, de abandono à vontade de Deus. Vivia em contínuo contacto com Deus, alcançando um alto grau de vida contemplativa e de experiência mística. Soube compreender em profundidade o mistério da paixão, morte de Jesus, completando na sua própria carne o que faltava à redenção de Cristo. Era muito caridosa e em especial com os índios e com os negros.

Todos os anos, na festa de São Bartolomeu, passava o dia inteiro em oração: "Este é o dia das minhas núpcias eternas", dizia. E foi exactamente assim. Morreu depois de grave enfermidade no dia 24 de Agosto de 1617, com apenas 31 anos de idade.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

domingo, 22 de agosto de 2021

São Josemaría sobre a Festa de Santa Maria Rainha

Celebra-se a festa de Santa Maria Rainha. Sobre a Majestade de Nossa Senhora dirá: “Quem pode ser melhor Mestra de amor a Deus que esta Rainha, que esta Senhora, que esta Mãe, que tem a relação mais íntima com a Trindade: Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo, e que é ao mesmo tempo Mãe nossa? - Recorre pessoalmente à sua intercessão”.

Hino a Nossa Senhora Rainha

A Vós bradamos humildemente,
Rainha excelsa, predestinada
Para escutardes, em cada hora,
    Quem Vos implora.

Porta da vida, Regaço aberto,
Vaso de bênçãos, esperança nossa,
Sois a Resposta, rompendo a treva,
    À culpa de Eva.

Ao vosso manto de realeza
Se acolhe o mundo ferido e trémulo.
Por vossas preces, em luz e graça,
    Deus nos abraça.

Por Vós, louvado seja Deus Pai,
Louvado o Filho com o Paráclito.
Cantai connosco, no mesmo hino,
    Deus uno e trino.

A coroação de Maria Santíssima

És toda formosa e não há mancha em ti. - És horto cerrado, minha irmã, Esposa, horto cerrado, fonte selada. - Veni: coronaberis. - Vem: serás coroada (Cant. IV, 7, 12 e 8).Se tu e eu tivéssemos tido poder, tê-la-íamos feito também Rainha e Senhora de toda a criação.Um grande sinal apareceu no céu uma mulher com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. - O vestido de sol. - A lua a seus pés (Apoc. XII, 1). Maria, Virgem sem mancha, reparou a queda de Eva; e esmagou, com o seu pé imaculado, a cabeça do dragão infernal. Filha de Deus, Mãe de Deus, Esposa de Deus.O Pai, o Filho e o Espírito Santo coroaram-na como Imperatriz que é do Universo.E rendem-lhe preito de vassalagem os Anjos..., e os patriarcas e os profetas e os Apóstolos..., e os mártires e os confessores e as virgens e todos os santos..., e todos os pecadores e tu e eu.

S. Josemaría Escrivá em Santo Rosário, Mistérios Gloriosos 15

Nossa Senhora Rainha

A festa de hoje foi instituída por Pio XII, em 1955. Antecedida pela festa da Assunção de Nossa Senhora, celebramos hoje aquela que é a Mãe de Jesus, Cabeça da Igreja, e nossa Mãe.

Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha: "Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto ... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade ... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade ... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sábado, 21 de agosto de 2021

São Josemaría sobre a Festa de São Pio X

Festa de S. Pio X. Sobre este Santo Pontífice escreve em Cristo que passa: “Peço desculpa de contar de novo uma recordação da minha infância, desta vez relativa a uma imagem que se difundiu muito na minha terra, quando S. Pio X impulsionou a prática da comunhão frequente. Representava Maria a adorar a Hóstia Santa. Hoje, como então e como sempre, Nossa Senhora ensina-nos a falar e a conviver intimamente com Jesus, a reconhecê-Lo e a encontrá-Lo nas diversas circunstâncias do dia e, de um modo especial, nesse instante supremo - o tempo une-se com a eternidade – do Santo Sacrifício da Missa, em que Jesus, com gesto de sacerdote eterno, atrai a si todas as coisas, para as colocar divino afflante Spiritu, por intermédio do sopro do Espírito Santo, na presença de Deus Pai”.

Catequese de Bento XVI sobre São Pio X

São Pio X, deixou um sinal indelével na historia da Igreja e foi caracterizado por um notável esforço de reforma, sintetizada no mote, “instaurare omnia in Christo”, - renovar todas as coisas em Cristo”.

De facto foram numerosas as iniciativas de Pio X: a reorganização da Cúria Romana, o inicio dos trabalhos para a redacção do Código de Direito Canónico, a revisão dos estudos e o “iter” de formação dos futuros padres, com a fundação de vários seminários regionais. Teve muito a peito a formação doutrinal do Povo de Deus e desde os anos em que era pároco tinha redigido um catecismo e durante o seu episcopado na diocese italiana de Mântua tinha trabalhado para que se chegasse a um catecismo único, senão universal, pelo menos italiano.

Como pastor autentico compreendera que a situação da época, também devido ao fenómeno da emigração, tornava necessário um catecismo ao qual cada fiel pudesse referir-se, independentemente do lugar e das circunstancias da vida.

Como pontífice preparou um texto de doutrina cristã para a diocese de Roma, que se difundiu depois na Itália e no mundo. Este Catecismo, chamado de Pio X, foi para muitos um guia seguro para aprender as verdades da fé pela linguagem simples, clara e precisa e pela eficácia de exposição.

Notável atenção dedicou também à reforma da Liturgia, em particular da Musica Sacra para levar os fiéis a uma vida de oração mais profunda e a uma participação nos Sacramentos mais plena.

Ele afirma que o espírito cristão autentico tem a sua primeira e indispensável fonte na participação activa nos sacrossantos mistérios e na oração publica e solene da Igreja. Por isso recomendou o abeirar-se frequentemente dos Sacramentos favorecendo a frequência diária na Sagrada Comunhão, bem preparados, e antecipando oportunamente a Primeira Comunhão das crianças, por volta dos sete anos, quando a criança começa a raciocinar.

Fiel à tarefa de confirmar os irmãos na fé, São Pio X, perante algumas tendências que se manifestaram em âmbito teológico em finais do século XIX e inicio do século XX interveio com decisão, condenando o “Modernismo”, para defender os fiéis de concepções erróneas e promover um aprofundamento cientifico da Revelação em consonância com a Tradição da Igreja. Em 1909 fundou o Instituto Bíblico Pontifício. Os últimos meses da sua vida foram funestados pelo deflagrar da guerra.

O apelo aos católicos do mundo inteiro, lançado a 2 de Agosto de 1914 para exprimir a dor da hora presente, era o grito sofredor do pai que vê os filhos alinhados uns contra os outros. Morreu dali a pouco a 20 de Agosto e a sua fama de santidade começou a difundir-se imediatamente junto do povo cristão.

Mas o que é que São Pio X nos deixa hoje?

São Pio X ensina-nos que na base da nossa acção apostólica, nos vários campos onde actuamos, deve estar sempre uma intima união pessoal com Cristo, que deve ser cultivada, e deve crescer dia após dia: este é o núcleo do seu ensinamento e do seu empenho pastoral. Somente se estivermos enamorados do Senhor, seremos capazes de levar os homens a Deus e abri-los ao Seu amor misericordioso e assim abrir o mundo á misericórdia de Deus.

(Bento XVI na Audiência em Castelgandolfo de 18.08.2010)

São Pio X (1835-1914) - "restaurar as coisas em Cristo"

Seu nome de batismo era José Melquior Sarto, oriundo de família humilde e numerosa, mas de vida no seguimento de Jesus Cristo e da Santa Madre Igreja. Nasceu numa pequena aldeia de Riese, na diocese de Treviso, no norte da Itália, no dia 2 de Junho de 1835.

Desde cedo, José demonstrava ser muito inteligente e, por causa disso, seus pais fizeram grande esforço para que ele estudasse. Todos os dias, durante quatro anos, ainda criança muito jovem caminhava com os pés descalços por quilómetros a fio, tendo no bolso apenas um pedaço de pão para o almoço. E desde criança manifestou sua vontade de ser Padre.

Quando seu pai faleceu, sua mãe, Margarida, uma camponesa corajosa e pia, não permitiu que ele abandonasse o caminho escolhido para auxiliar no sustento da casa.

Ficou no seminário e, aos vinte e três anos, recebeu a Ordenação Sacerdotal com mérito nos estudos.Teve uma rápida ascensão dentro da Igreja. Primeiro, foi vice-vigário em uma pequena aldeia, depois vigário de uma importante paróquia, Cónego da Catedral de Treviso, Bispo da diocese de Mantova, Cardeal de Veneza e, após a morte do grande Papa Leão XIII, foi eleito seu sucessor, com o nome de Pio X, a 4 de Agosto de 1903 com 55 votos em 60.

No Vaticano, José Sarto continuou sua vida no rigor da simplicidade, modéstia e pobreza. A este propósito, quando reparou que às refeições lhe abriam sempre uma garrafa de vinho da qual apenas ingeria um copo, ordenou que lhe passassem a pôr na mesa e servir as garrafas até terem terminado.

Surpreendeu o mundo católico quando adoptou como lema de seu pontificado "restaurar as coisas em Cristo".

Tal meta traduziu-se em vigilante atenção à vida interna da Igreja. Realizou algumas renovações dentro da Igreja, criando bibliotecas eclesiásticas e efectuando reformas nos seminários, tendo reformado também, o breviário.

Pelo grande amor que dispensava à música sagrada, renovou-a.

A sua intensa devoção à Eucaristia permitiu que os fiéis pudessem receber a comunhão diária, autorizando, também, que a primeira comunhão fosse ministrada às crianças a partir dos sete anos de idade.

Instituiu o ensino do Catecismo em todas as paróquias e para todas as idades, como caminho para recuperar a fé, e impôs-se fortemente contra o modernismo.

Outra importante característica de sua personalidade era a bondade suave e radiante que todos notavam e sentiam na sua presença.

Pio X não foi apenas um teólogo. Foi um Pastor dedicado e, sobretudo, extremamente devoto, que sentia satisfação em definir-se como "um simples pároco do campo".
Ficou muito amargurado quando previu a Primeira Guerra Mundial e sentiu a impotência de nada poder fazer para que ela não acontecesse.

Possuindo o dom da cura, ainda em vida intercedeu em vários milagres. Consta dos relatos que as pessoas doentes que tinham contacto com ele se curavam. Discorrendo sobre tal facto, ele mesmo explicava como sendo "o poder das chaves de São Pedro". Quando alguém o chamava de "Padre Santo", ele corrigia sorrindo: "Não se diz santo, mas Sarto", numa alusão ao seu sobrenome de família.

Pio X faleceu no dia 20 de Agosto de 1914, aos setenta e nove anos. O povo, de imediato, passou a venerá-lo como um santo.

A 29 de Maio de 1954 ele foi oficialmente canonizado pelo Papa Pio XII

(Diversas fontes com edição e adaptação de JPR)

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Transparência

Quando entrou na Assembleia da República uma proposta de lei que elencava o Opus Dei entre as sociedades secretas, demo-nos conta de que alguns dos nossos compatriotas vivem tão longe da realidade da Igreja católica que acham plausível qualquer coisa, por mais mirabolante que seja. Os deputados foram informados de que o Opus Dei não tem nada de secreto (nem de discreto, como alguns dizem) e ficaram a saber que as actividades do Opus Dei são anunciadas, estão abertas a todos e que não é preciso receber um convite. Também foram informados de que as actividades promovidas pelo Opus Dei são gratuitas. Felizmente, a lei aprovada omitiu qualquer referência ao Opus Dei.


O desejo de transparência é muito louvável, mas este processo não foi um exemplo de transparência.


Em primeiro lugar, as actividades do Opus Dei são abertas e é facílimo verificar isso. Mesmo quem não tem tempo para fazer essa experiência pessoalmente, encontra no «site» opusdei.org milhares de páginas sobre os temas que interessam ao Opus Dei: oração, sacramentos, virtudes cristãs, fidelidade à Igreja e ao Papa... sem qualquer espaço para agendas políticas ou conluios reservados.


Há várias décadas que pertenço ao Opus Dei e nunca participei em qualquer actividade que não fosse de âmbito estritamente religioso e absolutamente transparente. Como é que passa pela cabeça de algum jornalista que o Opus Dei seja uma instituição fechada?! A experiência pessoal de um cidadão comum não é notícia, mas é chocante conhecer directamente uma realidade —bem à vista e acessível— e ler o que alguns meios de comunicação dizem.


Já sei que os jornalistas se sentem obrigados a escrever muitas páginas todos os dias e têm pouco tempo para se informar. E que todos nos enganamos. Mas alguns exageram!


Também me dou conta da tentação de demonstrar equidistância. Como não há um único deputado ou membro do Governo que pertença ao Opus Dei, justifica-se uma maldade sem consequências em nome de uma manobra politicamente útil. Qualquer que seja a intenção, sugerir que o Opus Dei é fechado é o exacto oposto de uma conduta transparente.


Perante o problema das sociedades efectivamente secretas, os deputados excluíram da lei todas as instituições: as de natureza política, religiosa, ideológica, sindical, sexual, etc., de modo que parece que se preocupam com a transparência, mas fizeram uma lei que não incomoda ninguém! Nem um grupo de conspiradores terroristas precisa de se denunciar, desde que faça os atentados com desígnios políticos, religiosos, sexuais, ou outros.


A transparência das relações sociais não se defende com estas leis pretensamente bondosas que não se aplicam a ninguém e correm o risco de se aplicarem a todos, numa caça às bruxas.


Pouco antes, a Assembleia da República votou outra lei (entrada em vigor a 17 de Julho passado) que se propunha transpor apenas uma Directiva europeia. Pouco depois da aprovação, fomos percebendo que a maior parte dos deputados não teve tempo de ler o texto, alguns leram-no mas não o entenderam e todos estavam com pressa. Foi assim que votaram quase por unanimidade a instauração da censura em Portugal. Não se percebe se a intenção dos autores corresponde ao resultado; o que felizmente sabemos é que não houve uma maquinação colectiva: simplesmente ninguém suspeitou que um artigo daquela lei previa a instauração da censura. Quando se deram conta, alguns deputados demarcaram-se do que tinham votado e o Presidente da República, que aparentemente promulgou a lei sem a ler, enviou «a posteriori» o texto para o Tribunal Constitucional, na esperança de que os juízes arranjem uma desculpa para reverter o processo e dar à Assembleia da República a oportunidade de rejeitar liminarmente a introdução da censura em Portugal.


Se os políticos continuam a fazer leis perigosas, que não se aplicam a ninguém, e aprovam por distracção a introdução da censura, temos razão para ficar preocupados.


A Assembleia da República tem um grande caminho a fazer para se tornar mais transparente. Para começar, os deputados deveriam apresentar aos eleitores as grandes leis que querem aprovar e não deveriam impedir o povo de se pronunciar sobre elas. A bem da transparência, os que não propuseram a eutanásia durante a campanha eleitoral não teriam votado a favor, nem teriam impedido que o povo a rejeitasse em referendo.

José Maria C.S. André