Obrigado, Perdão Ajuda-me

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As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 11 de abril de 2020

Vigília Pascal: símbolos e significado

Na noite, em que Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vigília e oração. Na verdade, a Vigília pascal foi sempre considerada a mãe de todas a vigílias e o coração do Ano litúrgico. A sensibilidade popular poderia pensar que a grande noite fosse a noite de Natal, mas a teologia e a liturgia da Igreja adverte que é a noite da Páscoa, «na qual a Igreja espera em vigília a Ressurreição de Cristo e a celebra nos sacramentos» (Normas gerais sobre o Ano litúrgico, 20). No texto do Precónio pascal, chamado o hino “Exsultet” e que se canta nesta celebração, diz-se que esta noite é «bendita», porque é a «única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro! Esta é a noite, da qual está escrito: a noite brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz». Por isso, desde o início a Igreja celebrou a Páscoa anual, solenidade das solenidades, com um vigília nocturna.

A celebração da Vigília pascal articula-se em quatro partes:
1) a liturgia da luz ou “lucernário”;
2) a liturgia da Palavra;
3) a liturgia baptismal;
4) a liturgia eucarística.

1) A liturgia da luz consiste na bênção do fogo, na preparação do círio e na proclamação do precónio pascal. O lume novo e o círio pascal simbolizam a luz da Páscoa, que é Cristo, luz do mundo. O texto do precónio evidencia-o quando afirma que «a luz de Cristo (...) dissipa as trevas de todo o mundo» e convida a «celebrar o esplendor admirável desta luz (...) na noite ditosa, em que o céu se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!».

2) A liturgia da Palavra propõe sete leituras do Antigo Testamento, que recordam as maravilhas de Deus na história da salvação e duas do Novo Testamento, ou seja, o anúncio da Ressurreição segundo os três Evangelhos sinópticos, e a leitura apostólica sobre o Baptismo cristão como sacramento da Páscoa de Cristo. Assim, a Igreja, «começando por Moisés e seguindo pelos Profetas» (Lc 24,27), interpreta o mistério pascal de Cristo. Toda a escuta da Palavra é feita à luz do acontecimento-Cristo, simbolizado no círio colocado no candelabro junto ao Ambão ou perto do Altar.

3) A liturgia baptismal é parte integrante da celebração. Quando não há Baptismo, faz-se a bênção da fonte baptismal e a renovação das promessas do Baptismo. Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a bênção da água, a aspersão de toda a assembleia com a água benta e a oração universal. A Igreja antiga baptizava os catecúmenos nesta noite e hoje permanece a liturgia baptismal, mesmo sem a celebração do Baptismo.

4) A liturgia eucarística é o momento culminante da Vigília, qual sacramento pleno da Páscoa, isto é, a memória do sacrifício da Cruz, a presença de Cristo Ressuscitado, o ápice da Iniciação cristã e o antegozo da Páscoa eterna.

Estes quatro momentos celebrativos têm como fio condutor a unidade do plano de salvação de Deus em favor dos homens, que se realiza plenamente na Páscoa de Cristo por nós. Por consequência, a Ressurreição de Cristo é o fundamento da fé e da esperança da Igreja.
Gostaria de destacar dois elementos expressivos desta solene vigília: a luz e a água.

A Vigília na noite santa abre com a liturgia da luz, evocando a ressurreição de Cristo e a peregrinação de Israel guiado pela coluna de fogo. A liturgia salienta a potência da luz, como o símbolo de Cristo Ressuscitado, no círio pascal e nas velas que se acendem do mesmo, na iluminação progressiva das luzes da igreja, ao acender das velas do altar e com as velas acesas na mão para a renovação das promessas baptismais. O símbolo mais iluminador é o círio, que deve ser de cera, novo cada ano e relativamente grande, para poder evocar que Cristo é a luz dos povos. Ao acender o círio pascal do lume novo, o sacerdote diz: «A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito» e depois apresenta o círio como «lumen Christi=a luz de Cristo». Quando alguém nasce, costuma-se dizer que «veio à luz» ou que «a mãe deu à luz». Podemos, por isso dizer que a Igreja veio à luz na Páscoa de Cristo. De facto, toda a vida da Igreja encontra a sua fonte no mistério da Páscoa de Cristo.

A água na liturgia é, igualmente, um símbolo muito significativo. «A água é rica de mistério» (R. Guardini). Ela é simples, pura, limpa e desinteressada. Símbolo perfeito da vida, que Deus preparou, ao longos dos tempos, para manifestar melhor o sentido do Baptismo. A oração da bênção da água faz memória da acção salvífica de Deus na história através da água. Com efeito, a água é benzida, para que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, «no sacramento do Baptismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo». Na tradição eclesial, a fonte baptismal é comparada ao seio materno e a Igreja à mãe que dá à luz.

O simbolismo fundamental da celebração litúrgica da Vigília é o de ser uma “noite clara”, ou melhor «a noite que brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz». Esta noite inaugura o “Hodie=Hoje” da liturgia, como se tratasse de um único dia de festa sem ocaso (o dia da celebração festiva da Igreja que se prolonga pela oitava pascal e pelos cinquenta dias do Tempo pascal), no qual se diz «eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos» (Sl 118).

D. José Cordeiro Bispo de Bragança-Miranda

(Fonte: site Radio Vaticano)

O perigo é a rotina

"Nonne cor nostrum ardens erat in nobis, dum loqueretur in via?". – Não é verdade que sentíamos abrasar-se-nos o coração, quando nos falava caminho? Se és apóstolo, estas palavras dos discípulos de Emaús deviam sair espontaneamente dos lábios dos teus companheiros de profissão, depois de te encontrarem a ti no caminho da vida. (S. Josemaría Escrivá - Caminho, 917)

Agrada-me falar de caminhoporque somos caminhantes, dirigimo-nos para a casa do Céu, para a nossa Pátria. Mas reparemos que um caminho, mesmo que um ou outro trecho apresente dificuldades especiais, mesmo que alguma vez nos obrigue a passar a vau um rio ou a atravessar um pequeno bosque quase impenetrável, habitualmente é simples, sem surpresas. O perigo é a rotina: supor que nisto, no que temos de fazer em cada instante, não está Deus, porque é tão simples, tão vulgar!

Iam os dois discípulos para Emaús. O seu caminhar era normal, como o de tantas outras pessoas que transitavam por aquelas paragens. E aí, com naturalidade, aparece-lhes Jesus e vai com eles, com uma conversa que diminui a fadiga. Imagino a cena: já bem adiantada a tarde. Sopra uma brisa suave. De um lado e de outro, campos semeados de trigo já crescido e as velhas oliveiras com os ramos prateados pela luz indecisa...

Jesus, no caminho! Senhor, que grande és Tu sempre! Mas comoves-me quando te rebaixas para nos acompanhares, para nos procurares na nossa lida diária. Senhor, concede-nos a ingenuidade de espírito, o olhar limpo, a mente clara, que permitem entender-Te, quando vens sem nenhum sinal externo da Tua glória.

Termina o trajecto ao chegar à aldeia e aqueles dois que – sem o saberem – tinham sido feridos no fundo do coração pela palavra e pelo amor do Deus feito homem, têm pena de que Ele se vá embora. Porque Jesus despede-se como quem vai para mais longe.Nosso Senhor nunca se impõe. Quer que O chamemos livremente, desde que entrevimos a pureza do Amor que nos meteu na alma. (S. Josemaría Escrivá - Amigos de Deus, 313–314)

O Evangelho de Domingo de Páscoa dia 12 de abril de 2019

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então, e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo a quem Jesus amava, e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram». Partiu, pois, Pedro com o outro discípulo e foram ao sepulcro. Corriam ambos juntos, mas o outro discípulo corria mais do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Tendo-se inclinado, viu os lençóis no chão, mas não entrou. Chegou depois Simão Pedro, que o seguia, entrou no sepulcro e viu os lençóis postos no chão, e o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus, que não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Entrou também, então, o outro discípulo que tinha chegado primeiro ao sepulcro. Viu e acreditou. Com efeito, ainda não entendiam a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos. 

Jo 20, 1-9

'Penso nos crucifixos da pandemia' - Papa Francisco em telefonema em direto à RAI

UMA SEMANA DE CAMINHO - Sábado Santo

O silêncio toma conta da terra!
A Vida está no leito da morte!

Mas ao longe, no tempo, já se ouve o ribombar do trovão, que se torna cada vez mais forte e irá eclodir em toda a terra, em toda a humanidade, com toda a sua força, tomando conta de tudo e de todos, proclamando que a morte foi vencida e que a Vida é Vida para sempre!

Aqueles que acreditam, confiam e esperam, sabem bem que não há leito de morte que possa conter a Vida, e por isso, aguardam serenamente o grito da alegria, que vindo de dentro da terra inundará todo o Universo, e transformará o homem velho, criando o homem novo.

Esta é uma espera de mudança, aquela que nos vai transformando por dentro, para nos dar uma vida nova, a vida onde pulsa o amor.

Hoje sou assim, uma espécie de túmulo na rocha do meu coração, (tapado tantas vezes por uma pedra intransponível), onde o Corpo de Jesus repousa, coração que o Corpo de Jesus visita, para que ternamente, pacientemente, o vá modificando, vá amaciando a rocha, para por fim arredar a pedra da entrada e deixar-me ouvir a minha voz dizendo: Sou Teu, Senhor! Quero ser apenas Teu, Senhor, para sempre!

De mansinho acalmo-me, deixo que Ele faça o que tem a fazer, em mim e em todos, na certeza inabalável que esta madrugada Ele será a Vida, que me/nos dará a Vida Nova.

A “brecha no tempo mortal” que Ele vai abrir, nunca mais se fechará, e essa é a nossa Fé, a nossa Esperança!

Glória e louvor a Ti, Senhor, pelos séculos sem fim!

Sábado Santo
Marinha Grande, 15 de Abril de 2017

Joaquim Mexia Alves

ESTADO DE EMERGÊNCIA CRISTÃ

Uma proposta diária de oração pessoal e familiar.

24º Dia. Sábado Santo, 11 de Abril de 2020.

Meditação da Palavra de Deus (Mt 28, 1-10)

A Jesus, por Maria!

O Sábado Santo é um dia alitúrgico, na medida em que, como na sexta-feira santa, não se celebra a Missa mas, ao contrário de ontem, também não está prevista qualquer outra celebração. Em silêncio e oração, a Igreja vive o luto da morte do seu Senhor, na esperança da sua prometida ressurreição.

Mas é tal a ânsia que a humanidade tem pela graça da vida, que a Igreja antecipa a celebração litúrgica da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo para a véspera do domingo de Páscoa. Esta celebração noturna, que recebe o nome de Vigília Pascal, é a mais importante e significativa celebração de toda a liturgia da Igreja.
Na intensa sobriedade que caracteriza a liturgia católica, a escuridão inicial, em que estão mergulhados os templos em que esta vigília se celebra, dá depois lugar a uma explosão de luz, que é a própria luz de Cristo! E, ao brilho dessa luz, voltam a ressoar os Aleluias que, desde o início, já longínquo, da Quaresma, se tinham deixado de ouvir. Ouvem-se então campainhas de júbilo, soam os coros, recitam-se hossanas e é como se toda a humanidade e, com ela, toda a criação, gritasse a alegria da ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor!

Que bom dia para permanecer junto de Maria, secando as suas lágrimas de dor e saudade, na certeza inabalável da ressurreição de Jesus. Agora, por graça que nos foi concedida do alto da Cruz, ela já não é apenas a Mãe de Deus, a Mãe do Nosso Senhor: em João, a todos nos foi dada como Mãe para que, do mesmo modo como esteve ao lado de Jesus, nos momentos do seu nascimento e morte, também nos acompanhe em toda a nossa vida e, depois, nos leve com Ela, para o Céu!

Intenções para os mistérios gozosos do Santo Rosário de Nossa Senhora:

1º - A anunciação do Anjo a Nossa Senhora. Como deveriam consolar a Nossa Senhora as palavras ditas pelo Anjo na Anunciação: “o seu reino não terá fim”! Saibamos, nós também, consolar todos os que sofrem, no seu corpo ou alma.
2º - A visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel. Já grávida, Maria vai socorrer sua prima Isabel, nas vésperas do nascimento de João Baptista. Que Nossa Senhora nos ensine a esquecermo-nos de nós próprios, para podermos servir o nosso próximo.
3º - O nascimento de Jesus em Belém. Outra vez o desconsolo e a solidão de Belém, mas agora sem o apoio de José. Rezemos por todos os viúvos, para que Maria preencha a sua solidão.
4º - A apresentação de Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora. Tinham-se cumprido as palavras proféticas de Simeão, de que Jesus seria “sinal de contradição”. Porque acreditou, não desesperou. Que Maria anime todos os que sofrem contradição.
5º - O Menino Jesus perdido e achado no templo. Aqueles três dias de sofrimento foram, depois, recompensados pela alegria do reencontro. Rezemos para que Nossa Senhora a todos conceda a graça da alegria e do bom humor.

Para ler, meditar e partilhar! Obrigado e até amanhã, se Deus quiser!

Com amizade,
P. Gonçalo Portocarrero de Almada

A ‘selfie’ de JC

Impressão em 3D a partir do Santo Sudário
A fé na ressurreição de Jesus Cristo, longe de ser uma suposição gratuita, está fundada numa certeza científica, que faz credível a explicação sobrenatural.

Há quem pense que as ‘selfies’ são uma invenção moderna, mas não é verdade. Que me desculpem os iconoclastas, mas esta ideia de reproduzir a própria imagem é muito mais antiga do que se pensa, pois vem, pelo menos, dos tempos de Jesus Cristo. Dele foi, de facto, a primeira ‘selfie’ de que há memória: o sudário de Turim.

A ressurreição de Cristo é um princípio fundamental da fé cristã (1 Cor 15, 17-19), mas não a mortalha que, segundo a tradição, envolveu o corpo morto de Cristo, durante aproximadamente 36 horas. Mas muitas são as razões científicas que atestam que o homem do sudário não pode ser outro que não Jesus de Nazaré.

É certo que, em 1988, alguns peritos propuseram uma datação entre os anos 1260 e 1390, mas hoje essa hipótese está cientificamente desacreditada, não só porque a amostra utilizada nesse estudo não era credível, mas também porque cientificamente não ficou provada essa conclusão.

Com efeito, os estudos merceológicos e palinológicos do calvinista suíço Max Frei, professor da Universidade de Zurique e criminologista de renome internacional, permitiram concluir que a síndone, tecido de linho fabricado ao modo indiano, é originária da Palestina, onde foi tecida há aproximadamente dois mil anos. Supõe-se que esteve em Edessa e em Constantinopla, de onde se crê que algum cruzado a possa ter levado para Lirey, em França, onde aparece em 1353. Mais tarde, em 1578, já era venerada em Turim, onde ainda hoje permanece, sendo então propriedade da Casa Real italiana que, na pessoa do seu último rei, Humberto II, a doou, por disposição testamentária, ao Papa, que na altura era São João Paulo II.

Não restam dúvidas de que o sudário envolveu o corpo de alguém que foi, há dois mil anos, crucificado, depois de flagelado e coroado com espinhos. É até possível saber que esse homem foi chicoteado – há registo de 370 feridas, como resultado de pelo menos 600 golpes – por azorragues que correspondem exactamente aos que então utilizavam os soldados romanos. Também são visíveis as marcas deixadas pelas chagas das mãos e dos pés, bem como a do lado, que foi infligida no corpo morto de Jesus para garantir, com certeza absoluta, o seu óbito.

Se os sinais da crucifixão e da flagelação não são suficientes para concluir que o homem do sudário é necessariamente Jesus de Nazaré – muitos outros condenados à pena capital eram também açoitados e crucificados – o mesmo já não se pode dizer da coroa de espinhos, que só a ele foi imposta. Foi precisamente essa a razão da sua condenação, como aliás se fez constar, em várias línguas, na própria cruz: Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus (em latim, INRI). Também por estas razões, a datação que apontava para os séculos XIII e XIV não é verosímil pois, nessa altura, há já muito que ninguém era publicamente flagelado e crucificado, como indubitavelmente aconteceu ao homem do sudário.

Em relação à imagem da síndone, subsistem alguns mistérios, que a ciência ainda não conseguiu decifrar. Nomeadamente o que respeita à impressão da figura humana visível no tecido, ao modo de um negativo fotográfico. É sabido que a imagem do sudário não foi pintada, nem reproduzida segundo nenhuma técnica conhecida. Alguns cientistas da NASA chegaram à surpreendente conclusão de que essa reprodução de um corpo humano é tridimensional, o que também seria impraticável para qualquer falsário de há dois mil anos, ou medieval. Na impossibilidade de identificar a forma de fixação dessa representação corpórea no sudário de Turim, há quem admita que a impressão tenha sido a consequência de uma momentânea explosão de energia. De ter sido assim, aquela mortalha não seria apenas uma relíquia da paixão e morte de Jesus Cristo, mas também uma prova científica da sua ressurreição.

Qualquer que seja o veredicto da ciência sobre este particular, a verdade é que a ressurreição de Cristo, sendo um acontecimento histórico amplamente comprovado por muitas e variadas testemunhas credíveis – numa ocasião única, mais de quinhentas pessoas viram Jesus ressuscitado (1Cor 15,6) – inscreve-se numa dimensão transcendente, a que só pela fé se tem acesso. Mas, mesmo aqueles que então creram, como o incrédulo Tomé (Jo 20, 24-29), acreditaram porque tinham muito sólidas razões para o fazer. A sua fé, longe de ser uma suposição gratuita, estava fundada numa certeza empírica, que faz cientificamente razoável a explicação sobrenatural.

Como escreveu D. Américo do Couto Oliveira, que foi bispo de Lamego e autor de A Santa Síndone de Turim, À luz da ciência moderna, “agnósticos ou ateus, católicos ou não católicos, quase todos estão convencidos de que aquele Homem [do sudário] é Cristo! Ouçamos as palavras do filósofo de Virgínia, então descrente, Prof. Gary R. Habermas: ‘Quando eu era de facto agnóstico e não admitia a ressurreição de Jesus, foram as provas históricas (…) que me fizeram compreender que ele muito provavelmente tinha ressuscitado dos mortos. A minha honestidade intelectual obriga-me a confessar que, se estas provas histórico-científicas se referissem a qualquer outra personalidade histórica, o meu interesse em investigar o caso não teria sido menor. Quero dizer que, se a síndone tivesse sido atribuída a Maomé, em vez de a Jesus, (…) eu teria a coragem de reconhecer a ressurreição de Maomé. Mas acontece que estas provas não se referem a Maomé, nem a mais ninguém senão Jesus’.”

Por ocasião do falecimento do referido criminólogo suíço, o secretário do Centro Internacional de Sindonologia disse: “Max Frei, cristão evangélico, logo no primeiro instante, intuiu acertadamente que aquela Imagem do Homem da Síndone não era só a de um homem que sofreu, nem era a figura de um vencido, mas a de alguém que amou e se deu”. O próprio Cristo tinha proclamado: “é por isto que meu Pai me tem amor: por eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. Ninguém ma tira, mas sou eu que a ofereço livremente, porque tenho poder de a oferecer e poder de a retomar” (Jo 10, 17-18). Jesus de Nazaré foi morto, mas foi ele que quis dar a sua vida pela salvação do mundo!

Feliz Páscoa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a mais sublime expressão, divina e humana, da liberdade do amor!

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador
(seleção de imagem 'Spe Deus')