Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Tenho sede... numa viagem de comboio

A primeira quinzena de Setembro está carregada de recordações da Madre Teresa de Calcutá. Foi numa viagem de comboio, à noite, no dia 10 de Setembro de 1946, de Calcutá para Darjeeling, na Índia, que Jesus a chamou a fundar as Missionárias da Caridade. Faleceu a 5 de Setembro de 1997 e portanto a Igreja celebra anualmente a sua festa neste aniversário. No entanto, como foi canonizada pelo Papa Francisco a 4 de Setembro de 2016, o dia 4 junta-se ao dia 5 e a festa dura dois dias. Como nasceu a 26 de Agosto, preparamo-nos com antecedência para a sua festa e prolongamo-la até 10 de Setembro.


Muitos associam a Madre Teresa à miséria da Índia, mas a verdade é que as Missionárias da Caridade, ou Irmãs da Madre Teresa, como muita gente lhes chama, têm muito trabalho em Lisboa, em Nova York, em Roma, em Moscovo... onde as sociedades desenvolvidas abandonam os seus moribundos, os seus filhos não desejados. Claro que há uma enorme diferença estética. A morte de um miserável nas vielas da Índia é menos bela que a eutanásia ou o aborto num país rico, um cadáver à porta de casa incomoda mais que um idoso abandonado num lugar onde ninguém o ouve. Mas talvez o desprezo pela dignidade humana não seja diferente.


Naquele comboio, aos solavancos, em 1946, Nosso Senhor gravou a fogo na alma da Madre Teresa umas palavras que disse na Cruz, «I thrist» (tenho sede), e fê-la compreender que não pedia uma bebida —aliás, um soldado interpretou assim estas palavras e Jesus agradeceu mas declinou a oferta: Jesus tinha ânsias de amor, de gente que amasse.


Esta sede é uma das mensagens mais fortes do cristianismo. Deus veio à Terra para nos dizer que ser homem ou mulher é um dom grandioso, que vale a pena viver, a ponto de que Ele próprio deu a vida por nós, porque nos aprecia sem limites, divinamente. Haverá forma mais eloquente de falar da dignidade humana?


Nas capelas das Missionárias da Caridade costuma estar escrito «I thrist», como um lema cheio de ressonâncias humanas e divinas. Nunca apreciaremos bastante que Deus aplique a Si esta urgência tão vital e tão humana de quem sente falta de água.


A vida das Missionárias da Caridade pretende ser uma resposta, talvez inesperada para muita gente, a esta sede de Deus. João Paulo II, que conheceu muito bem a Madre Teresa e a estimava muito, disse que a parte mais importante da resposta dela e das Irmãs à sede de Deus era a oração:


— «A sua missão começava todos os dias, antes do amanhecer, diante da Eucaristia. No silêncio da contemplação, a Madre Teresa de Calcutá sentia ressoar o grito de Jesus na Cruz: “I thrist”, tenho sede. Este grito, recolhido na profundidade do seu coração, impulsionava-a a ir pelas ruas de Calcutá e de todos os subúrbios do mundo, em busca de Jesus no pobre, no abandonado e no moribundo». João Paulo II tocou no ponto importante: «em busca de Jesus».


Um colaborador da comunidade de Lisboa descreve-as como «“contemplativas no coração do mundo”, “levam Jesus ao mundo e o mundo a Jesus”, amam “até que doa”, estão disponíveis e levantam-se de noite para ver os seus doentes, para, como uma Mãe, dar a mão e fazer companhia a um doente mais grave; têm bom humor —esse admirável atributo dos Santos—, são alegres, pacíficas, compreensivas, simples, afectuosas, resolvem as dificuldades com bom senso e sentido prático».


A Irmã Frances, superiora da comunidade de Lisboa, especifica a técnica: «Nalguns sítios onde o trabalho é particularmente desafiante, duas Irmãs ficam em casa em adoração ao Santíssimo Sacramento, a interceder pelas outras duas Irmãs que saem».


Para as Irmãs da Madre Teresa, Deus não é o obstáculo à felicidade humana, Deus é Quem mais anseia que cada homem e mulher seja plenamente feliz. E consideram também que o caminho para encher este nosso mundo de amor começa diante da Eucaristia, olhando com devoção para Deus ali presente.


Olho para uma pequena relíquia da Madre Teresa que as Irmãs me ofereceram e penso que levo na carteira uma preciosidade. Ela própria se definia: «De sangue, sou albanesa. De cidadania, indiana. No referente à fé, sou freira católica. Pela minha vocação, pertenço ao mundo. No que se refere ao meu coração, pertenço totalmente ao Coração de Jesus». Não é pouca coisa. Peço a Nosso Senhor que nunca perca a carteira.

José Maria C.S. André

Os trabalhadores da vinha do Senhor

O Reino dos céus é comparado a um pai de família que contrata trabalhadores para cultivar a vinha. Ora, quem, a não ser o nosso Criador, merecerá com justiça ser comparado a tal pai de família, Ele que governa aqueles que criou, e que exerce neste mundo o direito de propriedade sobre os Seus eleitos como um amo o faz com os servos de sua casa? Possui uma vinha, a Igreja universal, que produziu, por assim dizer, tantos sarmentos quanto santos, desde Abel, o justo, até ao último eleito que nascerá no fim do mundo.

Este Pai de família contrata trabalhadores para cultivar a Sua vinha ao nascer do dia, à terceira hora, à sexta, à nona e à décima primeira, dado que não terminou, do princípio do mundo até ao fim, de reunir pregadores para instruir a multidão dos fiéis. O nascer do dia, para o mundo, era de Adão a Noé; a terceira hora, de Noé a Abraão; a sexta, de Abraão a Moisés; a nona, de Moisés até à vinda do Senhor; e a décima primeira, da vinda do Senhor até ao fim do mundo. Os santos apóstolos foram enviados para pregar nesta última hora e, apesar da sua vinda tardia, receberam o salário por completo.

O Senhor não pára, portanto, em tempo algum, de enviar trabalhadores para cultivar a Sua vinha, isto é, para ensinar o Seu povo. Porque, enquanto fazia frutificar os bons costumes do Seu povo através dos patriarcas, dos doutores da Lei e dos profetas, e finalmente dos apóstolos, Ele procurava, por assim dizer, que a Sua vinha fosse cultivada por intermédio dos Seus trabalhadores. Todos aqueles que, a uma fé justa, acrescentaram boas obras, foram os trabalhadores dessa vinha.

São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, nº 19

S. Gregório Magno, Papa, Doutor da Igreja

São Gregório Magno, nasceu em Roma no ano de 540. A família Anícia, à qual pertencia, era uma das principais de Roma. Quando seu pai morreu, Gregório, ainda muito jovem, era prefeito da cidade. O historiador protestante Harnack admira "a sabedoria, a justiça, a mansidão, a força de iniciativa, a tolerância" e Bossuet considera-o o "modelo perfeito de como se governa a Igreja". É considerado um dos mais célebres Papas da história da Igreja, e seu pontificado durou 14 anos (de 3 de Setembro de 590 a 12 de Março de 604), é marcada por coisas incríveis: organiza a defesa de Roma ameaçada por Aginulfo, com quem reata depois relações de boa vizinhança; administra os bens públicos com religiosa equidade, suprindo o descanso dos funcionários imperiais; favorece o progresso dos agricultores eliminando todo o resíduo de escravidão da gleba; animado pelo zelo, promove a missão de Santo Agostinho de Cantuária na Inglaterra e é o primeiro a usar o nome de servo dos servos de Deus.

O epistolário (chegaram a nós 848 cartas) e as homilias ao povo dão-nos farto testemunho de suas múltiplas atividades, deixando a sua marca em toda parte: lembramos por exemplo, o campo litúrgico, com a promoção do canto gregoriano, o direito canónico, a vida ascética monacal, a pastoral e o apostolado leigo. A sua familiaridade com a Sagrada Escritura aparece nas Homilias sobre Ezequiel e sobre o Evangelho, enquanto os Moralia in Job atestam a sua admiração por Santo Agostinho.

Era admirador excepcional figura de São Bento, fundou sete mosteiros, seis na Sicília e um em Roma. Profunda influência exerceu, juntamente com a Vida de São Bento, o seu livro Regra pastoral, válido ainda hoje.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Sabem qual é o nosso problema?

É o facto de estarmos fechados nos nossos quintalinhos, centrados no nosso umbigo e prisioneiros dos nossos interesses e opiniões pessoais.

Quem o diz é o Papa (Emérito): vivemos mergulhados em filosofias, negócios e ocupações que nos preenchem totalmente e nos afastam de Deus. Andamos distraídos, arrogantes e presunçosos.

Aparentemente livres, mas, afinal, prisioneiros do nosso eu e gradualmente insensíveis aos sinais de Deus. Homens e mulheres com coração de pedra em vez de carne… Numa palavra: pagãos!

O Papa (Emérito) é peremptório: falta-nos a humildade e simplicidade de coração. E falta-nos também a coragem para nos submetermos ao que é maior do que nós e deixar que Deus – presente aqui e agora - nos ame.

Que este ano seja para todos a grande oportunidade para responder, a Deus, que sim!

Aura Miguel em 2010

(Fonte: site Rádio Renascença)