Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 3 de maio de 2020

Amar a Cristo...

Senhor Jesus doaste-nos a Tua Mãe puríssima no Calvário através do discípulo predileto e nós adoptámo-La como Rainha e nossa Mãe de imediato no nosso coração, sem Ela não teríamos como porto de abrigo o seu maternal regaço.

Doaste-nos ainda o dom especialíssimo da maternidade naquelas que nos criaram e que hoje homenageamos e às quais tanto amor e sacrifícios devemos.

Senhor hoje pedimos-Te também que concedas às mulheres e homens jovens do meu país um verdadeiro sentido de maternidade e paternidade, apesar das dificuldades económicas que em muitos casos servem de pretexto, pois se analisados em detalhe não são mais do que uma falta de capacidade de abnegação em prol da família.

Jesus Cristo Filho de Deus, agradecemos-Te humildemente as Mães que nos ofereceste, a Virgem Maria e a nossa Mãe terrena.

JPR

Maria, mestra de caridade

Na hora do desprezo da Cruz, a Virgem lá está, perto do seu Filho, decidida a partilhar a sua mesma sorte. Percamos o medo de nos comportarmos como cristãos responsáveis quando isso não é cómodo no ambiente em que nos movemos. Ela nos ajudará. (Sulco, 977)

Como contrasta a esperança de Nossa Senhora com a nossa impaciência! Com frequência exigimos que Deus nos pague imediatamente o pouco bem que fizemos. Mal aflora a primeira dificuldade, queixamo-nos. Muitas vezes somos incapazes de aguentar o esforço, de manter a esperança, porque nos falta fé: bem-aventurada és tu, porque acreditaste que se cumpririam as coisas que te foram ditas da parte do Senhor.

Mestra de caridade! Recordai aquele episódio da apresentação de Jesus no templo. O velho Simeão assegurou a Maria, sua Mãe: este Menino está destinado para ruína e para ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; o que será para ti mesma uma espada que trespassará a tua alma, a fim de que sejam descobertos os pensamentos ocultos nos corações de muitos. A imensa caridade de Maria pela Humanidade faz com que se cumpra também n'Ela a afirmação de Cristo: ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.  (Amigos de Deus, 286–287)

São Josemaría Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Reconheçamos que também nós somos ovelhas a precisar de seguir o Senhor, n’Ele estaremos protegidos conforme no-lo diz no Evangelho de hoje (Jo 10, 1-10).

Louvado seja Deus Nosso Senhor que nos assegura a Sua divina bondade!

Santo Rosário - Primeiro Mistério Glorioso

Ressurreição de Jesus

Não sabemos, os Evangelhos não dizem nada sobre o assunto, mas não custa crer que a primeira pessoa a ver o Senhor Ressuscitado foi a Sua Santíssima Mãe.

Qual o filho que não tem como primeira preocupação “sossegar” a sua mãe quando a amargura, pena e saudade da sua ausência requerem a sua presença imediata?

Com maior razão, Jesus, O teu amado Filho, teria urgência em estar contigo para que O visses glorioso e triunfante da morte.

As cenas do Calvário ficaram gravadas no teu coração amantíssimo e a derradeira visão de Jesus morto nos teus braços, mutilado e destroçado como um verme, não se apaga nem consegues revivê-la cada minuto que passou desde Sexta-Feira ao fim da tarde.

Junto de ti os Apóstolos, as mulheres que O acompanharam cuidando que nada faltasse, os teus familiares, tentam em vão consolar-te, impedir-te de chorar.

Estás, Senhora minha, tranquila e esta tranquilidade nada tem que ver com conformismo ou aceitação inevitável mas sim com uma confiança sem limites nem condicionantes.

Sabes muito bem Quem É o Teu Jesus, o mesmo que deste à luz numa gruta de Belém há trinta e poucos anos atrás. Durante todo esse tempo seguramente que na vossa intimidade de Mãe e Filho se foram esclarecendo muitas coisas e Ele não deixaria de te revelar tudo quanto se iria passar.
Talvez te tivesse poupado os detalhes mais inopinados: a traição de um que tinha como amigo, as negações de outro que tinha instituído como chefe, o abandono de quase todos os íntimos dos últimos anos.
E outros ainda, escabrosos, terríveis, dolorosos: a farsa do julgamento, a flagelação, a coroa de espinhos, a cruz, os insultos, troças e vitupérios.

Mas, agora, que tudo acabara e o teu Filho jazia finalmente em paz num sepulcro emprestado, esperas e confias… confias e esperas.

Daqui a minha convicção que Jesus Ressuscitado terá ido ter contigo e, carinhosamente, sossegar-te definitivamente.

Força de vontade

Adquirir bons hábitos possui uma enorme importância na formação da personalidade de cada um de nós. Além da natureza biológica que recebemos dos nossos pais, a educação e a formação dão-nos como que uma “segunda natureza”.

No começo, a educação baseia-se muito em repetir sempre os mesmos actos que aprendemos dos nossos pais e educadores e que nos permitem “construir” o nosso modo de ser.

Depois, na juventude, tornamo-nos como que pais e mães de nós próprios e, através do exercício da nossa liberdade, tomamos diferentes caminhos formativos que nos parecem mais oportunos.

Apesar de todos os condicionamentos exteriores, que possuem uma influência inegável, não nos podemos esquecer de que a liberdade nos oferece uma dupla possibilidade: seguir uma conduta digna e “lógica” de acordo com a nossa natureza ou seguir uma conduta indigna e, por isso mesmo, patológica (não saudável, não de acordo com a natureza).

Por isso, adquirir bons hábitos desde a juventude, que nos permitam construir harmonicamente a nossa personalidade humana, possui uma importância difícil de exagerar.

Toda a repetição pressupõe, em maior ou menor grau, força de vontade. Mas parece que, hoje em dia, falar de força de vontade não é politicamente correcto numa sociedade que pôs acima de tudo a deusa “Liberdade”.

Convém recordar que exaltar a liberdade dos jovens sem lhes falar do necessário cultivo da força de vontade sempre gerou na História grandes aberrações e sofrimentos.

Porque sem o cultivo da força de vontade, a personalidade do jovem fica completamente à mercê duma lei que escraviza e faz muitos estragos: a Lei do Gosto. Isto já o dizia um senhor chamado Aristóteles.

Uma pessoa que se propõe como algo importante na sua vida levantar-se todos os dias pontualmente e, depois, não consegue fazê-lo, está a “contradizer-se livremente”. Não lhe falta liberdade: falta-lhe força de vontade.

Estou convencido de que a maioria dos nobres ideais juvenis não fracassam por falta de liberdade, meios ou até entusiasmo. Fracassam, pura e simplesmente, por falta de força de vontade.
Pe. Rodrigo Lynce de Faria

O braço de ferro

Numa homilia de Abril, o Papa falou de lutar com Deus até O conseguir vencer. Não é pouco atrevimento, desafiar Deus para um braço de ferro, mas jogando limpo é possível ganhar. Evidentemente, é escusado tentar enganar Nosso Senhor.

Como o tempo da Páscoa é de alegria, a primeira leitura da Missa de terça-feira passada só contou a parte boa da história. Barnabé, um cipriota de linhagem sacerdotal, antes de levar o Evangelho por todo o mundo, começou por vender o campo e depositar o dinheiro aos pés dos Apóstolos (Actos 4, 37). A página seguinte não se leu, porque é pouco Pascal: O casal Ananias e Safira vendeu uma propriedade, guardou algum dinheiro e pôs o resto aos pés dos Apóstolos. Pedro interveio imediatamente: «Ananias, como é que Satanás se apossou do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do campo? Não é verdade que, conservando-o sem vender, era teu e, mesmo depois de vendido, o dinheiro era teu? Por que motivo puseste em teu coração fazer tal coisa? Não mentiste aos homens mas a Deus». Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu fulminado e morreu. Passadas três horas, chegou Safira, Pedro repete a censura e Safira cai morta no chão à frente de todos.

Audiência geral 09.01.2019
Enfim, batota não dá. Mas uma certa veemência funciona, como exemplificou o Papa na homilia. Um dia, o povo de Israel portou-se tão mal que Nosso Senhor disse a Moisés: «Agora, deixa-me; a minha cólera vai inflamar-se contra eles e destruí-los». Moisés, que sentia a responsabilidade do povo, começa o braço de ferro: «Porquê, Senhor, a vossa cólera se inflamará contra o vosso povo, que fizestes sair do Egipto com tão grande poder e com mão tão poderosa? Não convém que se possa dizer no Egipto: “Foi com má intenção que Ele os fez sair, foi para os matar nas montanhas e suprimi-los da face da Terra!”». Moisés, explicou o Papa, tenta persuadir Deus, com mansidão, mas também com firmeza: «Recordai-Vos de Abraão, de Isaac e de Israel, vossos servos, aos quais juraste por Vós mesmo: “tornarei a vossa descendência tão numerosa como as estrelas do céu e concederei à vossa posteridade esta terra de que falei”».

Moisés vence em toda a linha. Ainda na sua ira, o Senhor promete a Moisés: «Farei de ti uma grande nação». Mas o Papa descreve a reacção de Moisés: «Não, ou com o povo ou nada. Se fizerdes morrer este povo, matais-me também a mim». Deus não resistiu mais.

O Papa recordou outros exemplos tirados da Bíblia: o de Abrão, quando o Senhor lhe diz que destruirá Sodoma. Abrão tinha lá um sobrinho e queria salvá-lo. Começa outro braço de ferro. Abraão a regatear, como uma dona de casa no mercado: «Mas, Senhor, espera um pouco, se houver lá 40 justos... se houver 40 justos, não destruirei». Infelizmente, não havia. «Desculpai-me Senhor, e se houver 30 justos?». «Não destruirei». «E se houver 20, se...». Afinal, só a família do sobrinho era justa e, negociando na oração, Abrão consegue salvá-lo.

O Papa lembrou Ana, a mãe de Samuel que balbuciava em voz baixa a sua oração, insistindo teimosamente, a rezar, a rezar, a rezar. O sacerdote que a via mover os lábios em silêncio pensou que estivesse bêbada. Pelo contrário! Ana vence o braço de ferro e obtém de Deus o que queria. Outra mulher corajosa é a cananeia do Evangelho, que não desarma. Jesus diz-lhe «Não se pode tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cãezinhos». Nem assim desanima: «Também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos». E consegue que Jesus faça o milagre.

O Papa Francisco sintetizou os exemplos dizendo que «é preciso coragem, aquela “parrêsia”, aquele desassombro de falar cara a cara com Deus. (...) Podemos pensar que é um braço de ferro com Deus (...). A verdadeira oração é com coragem, com muita coragem».

«Como sei que o Senhor me ouve? Temos uma segurança: Jesus. Ele é o grande intercessor. Ele subiu ao Céu, está diante do Pai a interceder por nós. Ele intercede continuamente na oração. Antes da Paixão, tinha dito a Pedro: “Pedro, Pedro, rezarei por ti, para que a tua fé não desfaleça”. Eis a intercessão de Jesus, que reza por nós, neste momento. E quando rezo, tentando convencer Deus, ou negociando, ou balbuciando, ou debatendo com Nosso Senhor, é Ele quem recolhe a minha prece e a apresenta ao Pai».
José Maria C.S. André

São Filipe e São Tiago, apóstolos, fundamentos da cidade santa (Ap 21, 14)

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja
Discurso sobre os Salmos, Salmo 86

«O seu fundamento está sobre os montes santos. O Senhor ama as portas de Sião» (Sl 86, 1-2) [...] «Sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, com Cristo por pedra angular» (Ef 2, 19-20). [...] Cristo, pedra angular, e as montanhas, ou seja, os apóstolos e os grandes profetas que são o fundamento de toda a cidade, constituem uma espécie de edifício vivo. E este edifício vivo tem uma voz, que ressoa agora no vosso coração: Deus, hábil artífice, serve-se da minha linguagem para vos incitar a tomardes o vosso lugar nesta construção, como outras tantas pedras talhadas de lados iguais. [...]

Reparai, a forma de uma pedra perfeitamente cúbica é a imagem perfeita do cristão. Por muitas tentações que sofra, o cristão não cai; pode ser violentamente empurrado, revirado, mas não cai. Da mesma maneira, para onde quer que volteis uma pedra cúbica, ela permanece de pé. [...] Sede pois semelhantes a pedras cúbicas, estai preparados para todos os choques; e, seja qual for a força que vos empurre, que ela não vos faça perder o equilíbrio. [...]

Elevar-vos-eis ao vosso lugar neste edifício através de uma vida cristã sincera, pela fé, a esperança e a caridade. A cidade santa é constituída pelos seus próprios cristãos; os homens são, simultaneamente, pedras e cidadãos, porque estas pedras são pedras vivas. «Vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção dum edifício espiritual» (1Ped 2, 5). [...] Por que é que os apóstolos e os profetas são os fundamentos da cidade? Porque a sua autoridade sustenta a nossa fraqueza. [...] Através deles, nós entramos no Reino de Deus; eles são os pregadores da salvação. E quando entramos na cidade através deles, entramos nela por Cristo, porque Ele é a porta (Jo 10, 9).

«Dou-lhes a vida eterna»

São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja 
Homilias sobre o evangelho, nº 14

O Senhor diz: «As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu conheço-as e elas seguem-Me; e dou-lhes a vida eterna.» Delas tinha dito um pouco antes: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; poderá entrar e sair e encontrará pastagem» (Jo 19, 9). Entrará efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pasto abundante no banquete eterno.

As Suas ovelhas, portanto, encontram pastagens, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempre verdejante? O alimento dos eleitos é o rosto de Deus, sempre presente. Ao contemplá-lo sem interrupção, a alma sacia-se eternamente com o alimento da vida.

Procuremos pois, irmãos caríssimos, alcançar estas pastagens, onde poderemos alegrar-nos na companhia dos cidadãos do céu. A alegria festiva dos bem-aventurados nos estimule. Reanimemos o nosso espírito, irmãos; afervore-se a nossa fé nas verdades em que acreditamos; inflame-se a nossa inspiração pelas coisas do céu. Amar assim já é caminhar. Nenhuma contrariedade nos afaste da alegria desta solenidade interior. Se alguém, com efeito, deseja atingir um lugar determinado, não há obstáculo no caminho que o demova do seu intento. Nenhuma prosperidade sedutora nos iluda. Insensato seria o viajante que, contemplando a beleza da paisagem, se esquecesse de continuar a sua viagem até ao fim.