Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 31 de maio de 2015

A Trindade é absoluta unidade

O tema do desenvolvimento coincide com o da inclusão relacional de todas as pessoas e de todos os povos na única comunidade da família humana, que se constrói na solidariedade tendo por base os valores fundamentais da justiça e da paz. Esta perspectiva encontra um decisivo esclarecimento na relação entre as Pessoas da Trindade na única Substância divina. A Trindade é absoluta unidade, enquanto as três Pessoas divinas são pura relação. A transparência recíproca entre as Pessoas divinas é plena, e a ligação de uma com a outra total, porque constituem uma unidade e unicidade absoluta. Deus quer-nos associar também a esta realidade de comunhão: « para que sejam um como Nós somos um » (Jo 17, 22). A Igreja é sinal e instrumento desta unidade[131]. As próprias relações entre os homens, ao longo da história, só podem ganhar com a referência a este Modelo divino. De modo particular compreende-se, à luz do mistério revelado da Trindade, que a verdadeira abertura não significa dispersão centrífuga, mas profunda compenetração. O mesmo resulta das experiências humanas comuns do amor e da verdade. Como o amor sacramental entre os esposos os une espiritualmente a ponto de formarem « uma só carne » (Gn 2, 24; Mt 19, 5; Ef5, 31) e, de dois que eram, faz uma unidade relacional e real, de forma análoga a verdade une os espíritos entre si e fá-los pensar em uníssono, atraindo-os e unindo-os nela.

[131] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 1.

Bento XVI - Caritas in Veritate, 54

Amar a Cristo...

Jesus Cristo, Filho de Deus, Tu és a nossa alegria e razão de existir, frequentemente pedimos-Te ajuda, reconhecemo-nos como abusadores, e por isso hoje apenas Te queremos louvar na Santíssima Trindade e manifestar-Vos a nossa gratidão sem limites.

Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, Vós que sois um só Deus, sois a razão de ser da nossa fé!

JPR

SANTÍSSIMA TRINDADE

Santíssima Trindade,
Pai, Filho e Espírito Santo,
adoro-vos profundamente,
amo-vos primeiramente,
louvo-vos,
agora e para sempre,
em cada dia,
hora e momento,
da vida que me dás,
do meu ser gente.


Três Pessoas numa Só!

Oh que mistério insondável,
que se revela palpável,
no coração de cada crente.

Levanto as mãos para o Céu,
levam o meu coração em entrega,
entrega porque,
por graça,
acredito,
e todo o meu ser proclama,
num imenso e preclaro grito:
Meu Deus,
sou teu, sou teu, sou teu!

Domingo da Santíssima Trindade
Marinha Grande, 31 de Maio de 2015

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

Deus Trino e Uno


Bom Domingo do Senhor!

Sejamos também nós daqueles que adoram o Senhor para além de qualquer dúvida como sucedeu a alguns de que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 28, 16-20) na certeza que o Ele estará connosco até ao fim do mundo.

Louvada seja Deus Nosso Senhor, Jesus Cristo, que nos pede para o proclamarmos e divulgarmos!

Festa da Santíssima Trindade

A Festa que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.

Na primeira leitura, Jahwéh revela-se como o Deus da relação, empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. É um Deus que vem ao encontro dos homens, que lhes fala, que lhes indica caminhos seguros de liberdade e de vida, que está permanentemente atento aos problemas dos homens, que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer perspectivas de vida plena e verdadeira.

A segunda leitura, confirma a mensagem da primeira: o Deus em quem acreditamos, não é um Deus distante e inacessível, que se demitiu do seu papel de criador e que assiste com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens; é um Deus que acompanha com paixão a caminhada da humanidade e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.

No Evangelho, Jesus dá a entender que ser seu discípulo é aceitar o convite para se vincular com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os discípulos de Jesus recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida no meio do mundo e são enviados a apresentar, a todos os homens e mulheres, sem excepção, o convite de Deus para integrar a comunidade trinitária.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos»

Beato John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador do Oratório em Inglaterra
PPS, vol.6, n.º10


O regresso de Cristo a Seu Pai é ao mesmo tempo fonte de pesar, por ser sinónimo da Sua ausência, e fonte de alegria, por significar a Sua presença. Brotam da doutrina da Ressurreição e da Ascensão estes paradoxos cristãos, mencionados com frequência nas Escrituras, a saber, que nos afligimos sem por isso pararmos de rejubilar, como «nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6,10).

Na verdade, é esta a nossa condição presente: perdemos a Cristo, e encontramo-Lo; não O vemos e, apesar disso, podemos discerni-Lo; estreitamos-Lhe os pés (Mt 28,9) e Ele diz-nos «Não Me detenhas» (Jo 20,17). Mas como? Acontece que, tendo perdido a percepção sensível e consciente da Sua pessoa, já não nos é possível vê-Lo, ouvi-Lo, falar-Lhe, segui-Lo de terra em terra; no entanto, usufruimos espiritual, imaterial, interior, mental e realmente da Sua visão e da Sua posse, uma posse envolvida por maior realidade e por maior presença do que alguma vez na vida tiveram os Apóstolos, precisamente por ser espiritual e invisível.

Todos nós sabemos que, neste mundo, quanto mais um objecto está perto de nós, tanto menos conseguimos aperceber-nos dele e compreendê-lo. Cristo está tão perto de nós, na Igreja, que não somos sequer capazes de O fixar com o olhar, ou até de O distinguir; apesar disso, Ele instala-Se em nós e assim toma posse da herança por Ele adquirida; não Se nos apresenta, e todavia atrai-nos a Si e faz de nós Seus correligionários. [...] Não O vemos sequer, mas no entanto, pela fé, sentimos a Sua presença, porque Ele está ao mesmo tempo acima de nós e em nós. Por conseguinte, sentimos pesar, porque não temos consciência dessa presença, e ao mesmo tempo alegria, porque sabemos a Quem possuímos: «Sem O terdes visto, vós O amais; sem o ver ainda, credes Nele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das [vossas] almas» (1 Pe 1,8-9).

sábado, 30 de maio de 2015

«Concedei-nos que na profissão da verdadeira fé reconheçamos a glória da eterna Trindade»

São Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja
Homilia sobre a fé, 1-3

A alma que ama a Deus nunca está saciada, embora falar de Deus seja tanto mais audacioso quanto o nosso espírito se encontra muito longe de tão alta tarefa; [...] e, quanto mais avançamos no conhecimento de Deus, tanto mais sentimos a sua impotência. Assim foi com Abraão, assim com Moisés, que, quando puderam ver a Deus, pelo menos do modo como tal visão é concedida aos homens, tanto um como o outro se faziam o mais pequeno de todos: Abraão considerava-se «cinza e pó» (Gn 18,27) e Moisés dizia de si próprio que tinha «a boca e a língua pesadas» (Ex 4,10), comprovando a fraqueza das suas palavras em traduzir a imensidão d'Aquele que a sua alma experimentava, já que não falamos de Deus tal como Ele é, mas como somos capazes de O alcançar.

Quanto a ti, se quiseres dizer ou escutar seja o que for de Deus, abandona a tua corporalidade, repudia os teus sentidos [...], eleva a tua alma acima de tudo o que foi criado e contempla a natureza divina: encontrá-la-ás imutável, indivisa, a luz inacessível, a glória resplandecente, a bondade almejada, a beleza inigualável que fere a alma sem que ela possa explicá-La.

Assim encontrarás o Pai, o Filho e o Espírito Santo. [...] O Pai como princípio de tudo, causa do ser de tudo quanto existe e raiz de todos os seres vivos; d'Ele corre a Fonte da vida, a Sabedoria e o Poder (1Cor 1,24), a Imagem perfeita e fiel do Deus invisível (Heb 1,3): o Filho gerado do Pai, o Verbo eterno que é Deus e voltado para Deus (Jo 1,1). Por este nome de Filho temos a certeza de que Ele partilha a mesma natureza, uma vez que não foi criado por uma ordem, mas brilha sem cessar a partir da Sua substância, unido ao Pai desde toda a eternidade, igual a Ele em bondade, igual em poder, compartilhando da Sua glória. [...] E quando a nossa inteligência for purificada das paixões terrenas e puser de lado toda e qualquer criatura sensível, qual peixe que emerge das profundezas até à superfície entregue à pureza da sua criação, então contemplará o Espírito Santo onde estão o Filho e o Pai. Este Espírito, sendo da mesma essência segundo a Sua natureza, possui também todos os bens: a bondade, a rectidão, a santidade e a vida. [...] E, tal como queimar é próprio do fogo e alumiar da luz, também do Espírito Santo são próprias a bondade e a rectidão, e não Lhe pode ser tirada a capacidade de santificar ou fazer viver.

O Evangelho de Domingo dia 31 de maio de 2015

Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando O viram, adoraram-n'O; alguns, porém, duvidaram. Jesus, aproximando-Se, falou-lhes assim: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo».

Mt 28, 16-20

«João Baptista veio até vós [...] e não acreditastes nele» (Mt 21,32)

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja 
Sermão 167; CCL 248, 1025; PL 52, 636

«João Batista proclamava: 'Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus'» (Mt 3,1). [...] Bem-aventurado João, que quis que a conversão precedesse o julgamento, que os pecadores não fossem julgados mas recompensados, que os ímpios entrassem no Reino e não na punição. [...] Quando proclamou João esta iminência do reino dos Céus ? O mundo estava ainda na sua infância [...]; mas para nós, que hoje proclamamos essa iminência, o mundo está extremamente velho e cansado. Perdeu as forças, perde as faculdades; os sofrimentos acabrunham-no [...]; clama o seu enfraquecimento, ostenta todos os sintomas do fim. [...]

Estamos a ir a reboque de um mundo que se evade; esquecemos os tempos que aí vêm. Estamos ávidos de atualidade, mas não temos em consideração o julgamento que se aproxima. Não acorremos ao encontro do Senhor que chega. [...]

Convertamo-nos irmãos, convertamo-nos depressa. [...] O Senhor, pelo facto de tardar, de ainda esperar, revela o Seu desejo de nos ver voltar para Ele, o desejo de que não pereçamos. Na Sua grande bondade, dirige-nos sempre estas palavras: «Não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, de maneira que ele tenha a vida» (Ez 33,11). Convertamo-nos, irmãos; não tenhamos medo de o tempo estar a acabar. O tempo do Autor do tempo não pode ser encurtado. A prova disso é aquele malfeitor do Evangelho que, na cruz e na hora da sua morte, escamoteou o perdão, se apoderou da vida e, ladrão do paraíso com arrombamento, conseguiu penetrar no Reino (Lc 23,43).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 30 de maio de 2015

Voltaram a Jerusalém. E, andando Jesus pelo templo, aproximaram-se d'Ele os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, e disseram-Lhe: «Com que autoridade fazes Tu estas coisas? E quem Te deu o direito de as fazer?». Jesus disse-lhes: «Eu também vos farei uma pergunta; respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. O baptismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-Me». Mas eles discorriam entre si: «Se respondermos que era do céu, Ele dirá: “Porque razão, então, não crestes nele?”. Responderemos que é dos homens?...». Temiam o povo, porque todos tinham a João como um verdadeiro profeta. Então responderam a Jesus: «Não sabemos». E Jesus disse-lhes: «Pois nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas».

Mc 11, 27-33

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A importância de ler bons livros

Alguém me disse, recentemente, que «a maioria das pessoas prefere ver um programa de televisão qualquer ― mesmo que seja profundamente idiota. Navegar na net sem rumo ― por simples curiosidade e para “encher” o tempo. Ouvir música estimulante ― meio “ideal” para descontrair e recuperar a auto-estima. Preferem tudo isto a abrir um livro com calma e em silêncio».

Penso que esta afirmação não é nada exagerada. Observemos a realidade que nos rodeia: quantas pessoas ligam a televisão, a net, a música com a misteriosa finalidade de “desligar” a cabeça! Quanta gente consome doentiamente imagens, ruídos e sensações várias ― quanto mais evasivas melhor!

Porque é que isto acontece? Talvez porque, objectivamente, essa atitude requer menos esforço do que tentar decifrar as ideias de um texto escrito.

A cultura escrita genuína ― deixo de lado os romances cor-de-rosa e o jornalismo tabloide ― parece que nunca será um fenómeno de massas. É uma cultura exigente ― haverá, porventura, alguma digna desse nome que não o seja? Reivindica esforço e determinação. E, para muita gente, esse empenho, simplesmente, não vale a pena. Não compensa.

Também aqui se notam os efeitos de uma civilização que alguém disse ― e com razão ― que está “esmagada pelo consumo do que é mais imediato”. Vive intensamente o momento presente: não tem tempo para perguntar-se de onde é que vem e para onde é que vai. Sorve com avidez o que é efémero: talvez porque não acredita que exista algo que não o seja. Recusa qualquer tipo de sacrifício: Oh! Para quê? Não vale a pena! Não tenho pachorra!

Note-se que as pessoas que fogem da leitura estão no seu perfeito direito. Ninguém as obriga a mudar de atitude. No entanto, vale a pena que pensem nas consequências que isto tem para a sua vida. Deixar-se levar pelo imediato é mais fácil. Porém, a longo prazo, nem sempre é o melhor. Se não nos esforçamos por desenvolver os nossos talentos terminamos por viver como as amibas. Não tenho nada contra esses protozoários, mas acredito que o ser humano possui um bocadinho mais de capacidades.

Como tantas vezes se tem dito, “ler é pensar”, é um modo de cultivar a própria interioridade. A influência da leitura na vida de uma pessoa é enorme. É verdade que nem sempre essa influência é positiva. Existem livros que alimentam o espírito enchendo-o de verdade e de desejos de fazer o bem. Existem outros, pelo contrário, que o degradam. Os livros, como os alimentos, não estão todos ao mesmo nível. É tão importante saber escolher bem!

Para muitas pessoas, o encontro com um bom livro significou o começo do seu encontro com Deus. O pensar a fundo sobre questões importantes da vida está, muitas vezes, relacionado com o encontro a sós com um livro. Os bons livros são fonte de sentido.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Orar pelos Sacerdotes

«Vivamos para as almas, sejamos apóstolas, salvemos sobretudo as almas dos sacerdotes [...]. Rezemos, soframos por eles e, no último dia, Jesus será grato»

(Santa Teresa de Lisieux - Carta a Irmã Celina 94)

«Se eu já tivesse um pé no Céu e se me viessem dizer para voltar para a terra para trabalhar pela conversão dos pecadores, voltaria de bom grado. E se para isto fosse necessário permanecer na terra até ao fim do mundo, levantando-me sempre à meia-noite, e sofresse como sofro, estaria disposto a fazê-lo de coração»

(Frère Athanase, Padroeiro dos Párocos, Procès de l'Ordinaire, p. 993)

Todos os cristãos têm o dever e a obrigação de acarinhar os Sacerdotes, mesmo quando erram, e quem somos nós para lhes atirar a primeira pedra… não se trata ser clericalista, mas de lhes reconhecer, que através do Sacramento da Ordem ficaram investidos como representantes de Jesus Cristo Deus Nosso Senhor em unidade com Pai e o Espírito Santo e que é através deles, que o Senhor nos acolhe pelo Baptismo, nos confirma, Se oferece na Sagrada Eucaristia, nos abençoa e perdoa os nossos pecados, além de serem seus intermediários no ministério de outros Sacramentos.

S. Josemaría no ponto 66 do Caminho ensina-nos “O Sacerdote - seja quem for - é sempre outro Cristo”.

JPR

«Não façais da casa de Meu Pai um antro de comércio» (Jo 2, 16)

São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, Doutor da Igreja 
Homilias sobre o Evangelho de S. Marcos, n°9 

«Entrando no templo, Jesus começou a expulsar os que vendiam e os que compravam.» Alguns espantam-se com a ressurreição de Lázaro; ficam admirados com o facto de o filho de uma viúva ter ressuscitado. Outros ficam estupefactos com outros milagres. É certamente admirável tornar a dar vida a um corpo morto. Quanto a mim, fico mais impressionado com o acontecimento presente. Este homem, filho de um carpinteiro, um pobre sem morada fixa, sem sítio onde repousar, sem exército, que não era nem chefe nem juiz – que poder O autorizou a, [...] sozinho, expulsar uma multidão tão numerosa? Ninguém protestou, ninguém ousou resistir, pois ninguém ousou opor-se ao Filho que reparava a injúria feita a Seu Pai. [...]

«Ele começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no templo.» Se isto foi possível entre os judeus, porque não será, e com mais razão, entre nós? Se isto acontece no contexto da Lei, porque não acontece o mesmo no Evangelho? [...] Cristo, um pobre, expulsa os compradores e os vendedores, que são ricos. Aquele que vende é expulso do mesmo modo que aquele que compra. Que ninguém diga: «Eu ofereço tudo o que possuo, dou oferendas aos sacerdotes como Deus ordenou». Numa passagem de Mateus lemos o seguinte: «Haveis recebido de graça, dai de graça» (Mt 10, 8). A graça de Deus não se vende, dá-se.

O Evangelho do dia 29 de maio de 2015

Entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo observado tudo, como fosse já tarde, foi para Betânia com os doze. Ao outro dia, depois de saírem de Betânia, teve fome. Vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi lá ver se encontrava nela algum fruto. Aproximando-Se, nada encontrou senão folhas, porque não era tempo de figos. Então disse à figueira: «Nunca mais alguém coma fruto de ti». Os discípulos ouviram-n'O. Chegaram a Jerusalém. Tendo entrado no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam as pombas. E não consentia que ninguém transportasse nenhum objecto pelo templo; e os ensinava dizendo: «Porventura não está escrito: “A minha casa será chamada casa de oração por todas as gentes”? Mas vós fizestes dela “um covil de ladrões”». Ouvindo isto os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam o modo de O matar; porque O temiam, visto todo o povo admirar a Sua doutrina. Quando se fez tarde, saíram da cidade. No outro dia pela manhã, ao passarem, viram a figueira seca até às raízes. Então Pedro, recordando-se, disse-Lhe: «Olha, Mestre, como se secou a figueira que amaldiçoaste». Jesus, respondendo-lhe, disse-lhes: «Tende fé em Deus. Em verdade vos digo que todo aquele que disser a este monte: “Tira-te daí e lança-te no mar”, e não hesitar no seu coração, mas tiver fé de que tudo o que disse será feito, assim acontecerá. Por isso vos digo: Tudo o que pedirdes na oração, crede que o haveis de conseguir e o obtereis. Quando estiverdes a orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados.

Mc 11, 11-25

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Alimente esta ideia!

A CAPA... (a propósito do Evangelho de hoje ‘Mc 10, 46-52’)


Detenhamo-nos num pormenor desta Palavra, desta descrição do milagre da recuperação da vista, para quem andava nas trevas.

Porquê os pormenores?

Se acreditamos que a Palavra escrita é inspirada no e pelo espírito Santo, então os pormenores têm de ter algum significado e esse significado será conforme o mesmo Espírito nos leva a discernir em cada momento.

«E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter com Jesus»
O cego Bartimeu, atirou fora a capa…

Quantas vezes a capa que “usamos” nas nossas vidas, não nos deixa ver o caminho, não nos deixa ver a verdade, não nos deixa viver o amor.

É a capa do orgulho, a capa do respeito humano, a capa do dinheiro, a capa do prazer, a capa do egoísmo, a capa da auto-suficiência, a capa do sofrimento, a capa da comiseração, a capa do queixume, a capa da critica, a capa da má-lingua, a capa das “minhas certezas”, a capa da “minha fé”…

Cada um pode escolher, ou melhor, descobrir a sua capa, ou capas…
E por isso muitas vezes não “vemos”, não temos luz para o caminho das nossas vidas.

Vemos tudo com os olhos do corpo, mas os “olhos” do nosso coração estão fechados, estão cegos, não vêem a luz da paz, da alegria, da vida nova com e em Cristo.

Por vezes tiramos a capa, mas não a atiramos fora, guardamo-la e tornamos a usá-la…

O cego Bartimeu «atirou fora a capa», não quis mais saber dela, só lhe interessava Jesus Cristo que lhe podia fazer recuperar a vista, a vista que lhe trazia uma vida nova…

Nada mais lhe interessava! Ele queria aquela vida nova, porque sabia no seu intimo que era uma vida abundante, em que podia “ver”…

E a fé de Bartimeu?!

Ele não se levantou e caminhou!

Não, ele «deu um salto», como quem mergulha em algo que não sabe o que é, mas tem a certeza de que é bom, a certeza de quem confia, de quem espera, a certeza de quem tem Fé…

Ah, Senhor dá-nos a força para também atirarmos fora as nossas capas, para bem longe de nós.

Melhor Senhor, toma Tu conta delas, para que não caiamos na tentação de as querermos reaver…

Ah Senhor, dá-nos a coragem para darmos o salto para Ti, de olhos fechados, sem medo do “que lá vem”, mas na certeza da Fé de que Tu nos abrirás os olhos e nos darás a luz para caminharmos no Teu amor.

Monte Real, 1 de Outubro de 2007

Joaquim Mexia Alves

Brevíssimo comentário ao Evangelho de hoje...

Não nos cansemos nunca cheios de fé de chamar o Senhor como Bartimeu de que nos fala o Evangelho de hoje (Mc 10, 46-52), pois ele está sempre atento e disposto a ouvir-nos e ajudar-nos.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor que nos consola e guia!

«Ele gritava cada vez mais»

São Gregório Magno (c. 540-604), Papa e Doutor da Igreja 
Homilias sobre o Evangelho n°2; PL 76, 1081 (a partir da trad. Luc commenté, DDB 1987, p.141 rev.)

Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego [...] grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem misericórdia de mim!». Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Aqueles que caminhavam à frente repreendiam-no para o fazer calar» (Lc 18, 39). Quem são eles? Eles estão ali para representar os desejos da nossa condição neste mundo, promotores de confusão, os vícios do homem e o seu tumulto, que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando nele a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que ora. Com efeito, acontece frequentemente que a nossa vontade de nos virarmos de novo para Deus [...], o nosso esforço para afastar os nossos pecados através da oração, é contrariado pela sua imagem; a vigilância do nosso espírito afrouxa ao seu contacto, eles semeiam a confusão no nosso coração, sufocam o grito das nossas preces. [...]

Que fez então este cego para receber a luz maugrado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: 'Filho de David, tem misericórdia de mim!'». [...] Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. [...] Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: no momento em que nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo para o reencaminhar para Deus [...], são muitos os importunos que pesam sobre nós e que temos de combater. É um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. [...] Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no espírito Jesus que passa. Donde a narração do Evangelho: «Jesus parou e ordenou que o levassem até Ele» (v. 40).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 28 de maio de 2015

Chegaram a Jericó. Ao sair Jesus de Jericó, com os Seus discípulos e grande multidão, Bartimeu, mendigo cego, filho de Timeu, estava sentado junto ao caminho. Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele cada vez gritava mais forte: «Filho de David, tem piedade de mim!». Jesus, parando, disse: «Chamai-o». Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Tem confiança, levanta-te, Ele chama-te». Ele, lançando fora a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. Tomando Jesus a palavra, disse-lhe: «Que queres que te faça?». O cego respondeu: «Rabboni, que eu veja!». Então Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou». No mesmo instante recuperou a vista, e seguia-O no caminho.

Mc 10, 46-52

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Papa Francisco na Audiência geral (resumo em português)

Locutor: A aliança de amor para toda a vida entre um homem e uma mulher não se improvisa; aprende-se, aperfeiçoa-se. O noivado é o tempo de conhecimento recíproco e de partilha de um projecto. Aos poucos, o homem aprende o que é a mulher, aprendendo esta mulher concreta; e a mulher aprende o que é o homem, aprendendo este homem concreto. Não se desvalorize a importância desta aprendizagem! Muitos casais dão-se conta, nos Cursos de Preparação para o Matrimónio, que, apesar de ambos se encontrarem há muito tempo ou até conviverem, na verdade não se conhecem. Limitam-se a ler as coordenadas sentimentais, que os deixam baralhados. O noivado põe à prova a vontade de guardar algo que nunca deverá ser comprado ou vendido, atraiçoado ou abandonado por mais atraente que possa ser a contra-oferta. Hoje, felizmente, a maioria dos jovens no mundo pode casar-se por livre decisão das suas vontades, que se põem de acordo para fazer de duas vidas uma vida só. Isto é um milagre da liberdade e do coração, confiado à fé. Por isso, o noivado deve ser valorizado como um tempo de iniciação à descoberta dos dons com que o Senhor enriquece o horizonte da nova família que se dispõe a viver na sua bênção.

Santo Padre:
Con grande affetto saluto i pellegrini di lingua portoghese, in particolare i fedeli della Cattedrale di Bragança do Pará e gli altri gruppi del Brasile, augurando a voi tutti di rendervi sempre conto di quanto la vita sia un dono meraviglioso. Vegli sul vostro cammino la Vergine Maria e vi aiuti ad essere segno di fiducia e di speranza in mezzo ai vostri fratelli. Su di voi e sulle vostre famiglie scenda la Benedizione di Dio.

Locutor: Com grande afecto, saúdo os peregrinos de língua portuguesa, particularmente os fiéis da Catedral de Bragança do Pará e demais grupos do Brasil, com votos de que possais vós todos dar-vos sempre conta do dom maravilhoso que é a vida. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria e vos ajude a ser sinal de confiança e esperança no meio dos vossos irmãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção de Deus.

«O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida»

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja 
Homilia contra o anomeanismo

Ao cobiçar os primeiros lugares, os mais altos cargos e as honras mais elevadas, os dois irmãos, Tiago e João, queriam, na minha opinião, ter autoridade sobre os outros. É por isso que Jesus Se opõe à sua pretensão deles, e põe a nu os seus pensamentos secretos dizendo-lhes: «Quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos.» Por outras palavras: «Se ambicionais o primeiro lugar e as maiores honras, procurai o último lugar, aplicai-vos a tornar-vos os mais simples, os mais humildes e os mais pequenos de todos. Colocai-vos atrás dos outros. Tal é a virtude que vos trará a honra a que aspirais. Tendes junto a vós um exemplo notável: «Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por todos» (Mc 10,45). Eis como obtereis glória e celebridade. Olhai para Mim: Eu não procuro honras nem glória e, no entanto, o bem que faço é infinito.»

Bem sabemos que, antes da Incarnação de Cristo e da Sua vinda a este mundo, tudo estava perdido e corrompido; mas, depois de Ele Se ter humilhado, tudo restabeleceu. Aboliu a maldição, destruiu a morte, abriu o paraíso, acabou com o pecado, escancarou as portas do céu para levar para lá as primícias da nossa humanidade. Propagou a fé em todo o mundo. Expulsou o erro e restabeleceu a verdade. Fez subir a um trono real as primícias da nossa natureza. Cristo é o autor de bens infinitamente numerosos, que nem a minha palavra nem nenhuma palavra humana poderiam descrever. Antes da Sua vinda a este mundo só os anjos O conheciam; mas, depois de Ele Se ter humilhado, toda a raça humana O reconheceu.

O Evangelho do dia 27 de maio de 2015

Iam em viagem para subir a Jerusalém; Jesus ia diante deles. E iam perturbados e seguiam-n'O com medo. Tomando novamente à parte os doze, começou a dizer-lhes o que tinha de Lhe acontecer: «Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas; eles O condenarão à morte e O entregarão aos gentios; e O escarnecerão, Lhe cuspirão, O açoitarão, e Lhe tirarão a vida. Mas ao terceiro dia ressuscitará». Então aproximaram-se d'Ele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo: «Mestre, queremos que nos concedas o que Te vamos pedir». Ele disse-lhes: «Que quereis que vos conceda?». Eles responderam: «Concede-nos que, na Tua glória, um de nós se sente à Tua direita e outro à Tua esquerda». Mas Jesus disse-lhes: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber, ou ser baptizados no baptismo com que Eu vou ser baptizado?». Eles disseram-Lhe: «Podemos». Jesus disse-lhes: «Efectivamente haveis de beber o cálice que Eu vou beber e haveis de ser baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado; mas, quanto a estardes sentados à Minha direita ou à Minha esquerda, não pertence a Mim concedê-lo, mas é para aqueles para quem está preparado». Ouvindo isto, os dez começaram a indignar-se com Tiago e João. Mas Jesus, chamando-os, disse-lhes: «Vós sabeis que aqueles que são reconhecidos como chefes das nações as dominam e que os seus príncipes têm poder sobre elas. Porém, entre vós não deve ser assim, mas o que quiser ser o maior, será o vosso servo, e o que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para redenção de todos».

Mc 10, 32-45

terça-feira, 26 de maio de 2015

A natureza é sábia, democracia limitada

Não sou amigo de gatos. Quando miúdo divertia-me a metê-los em barris de água da chuva para os ver saltar como uma mola e fugir como uma seta. Mas da última vez que estive em Goa, um gato deixou-me intranquilo e pensativo, trazendo à mente um fluxo interminável de ideias e imagens.

A gata-mãe tinha uma cria de 2 meses, que foi dada a uma pessoa amiga. A mãe desatou a miar sem cessar, procurando o filhote. Com um miar lancinante e contínuo, nada a parava e a lembrança do filho não a largava.

Para a calar ou distrair deram-lhe comida; nada comeu, nada! E apenas retirou um peixinho, agarrando-o com os dentes e continuou a miar mais forte, como na ânsia de dá-lo ao filhote. Ao observar esta cena, comovi-me e ainda sugeri que a cria voltasse para junto da mãe ou fosse ela para junto do filhote…

Impressionou-me esta cena de angústia e sofrimento pelo filho desaparecido, que procurava sem parar, sem se cansar, sem comer. Veio-me à mente um filme Amazing Grace, uma Graça espantosa, sobre o fim da escravatura no Reino Unido. E desfilaram na imaginação, acompanhados do miar suplicante, uma série infinda de factos tenebrosos:

Talvez 16 milhões de escravos, indefesos, apanhados numa cilada, organizada pelos senhores anafados, locais, sem escrúpulos nem sentimentos, desumanizados com o dinheiro ganho com o tráfico dos seus conterrâneos, tráfico intensamente alimentado pelos compradores estrangeiros, em busca de ‘robots’ humanos, de mão-de-obra. Os estrangeiros, que lá foram para levar a ‘sua civilização’, superior…

16 milhões de mães inconsoláveis, à procura do filho que não deixara rasto; que dariam tudo para o voltar a ver. Será que o branco civilizado o raptou?

16 milhões de famílias desfeitas, perdendo todo o interesse pela vida, porque quem muito amavam desapareceu. Onde estará? Nalguma reserva à espera de encher o barco para terras da América? Poderá ser libertado? Como, se só branco civilizado tem armas de fogo… mortíferas?

…Toda a organização social africana desmoronada, em completo desabamento, com o desaparecer de pessoas valiosas e fortes, muitos com capacidades de chefia que viriam a dar unidade e coesão à sociedade!

De cada barco com escravos, transportados em condições horrorosas, como gado, boa parte morria pelo caminho, com disenterias e outras doenças não tratadas, chegando menos de um terço ao destino.

Porque pensavam os colonizadores que pessoas de pele escura eram seres sem alma, inferiores, quase animais? Eram eles tão ignorantes? De facto, quem são os marinheiros/colonizadores ingleses? Muitos, piratas, que roubavam e matavam e, por isso, eram feitos ‘sirs’. Gananciosos, em busca de riqueza a qualquer preço.

É precisa ‘mão-de-obra’ para trabalhar em plantações de algodão e cana-de-açúcar, de tabaco e café, nas minas das Américas e da África do Sul? Fácil: aprova-se uma lei – feita em Londres, ou qualquer capital europeia –, a tornar legal a escravatura, votando, por maioria, que os não-brancos são animais, como em muitos documentos dos colonizadores ingleses, que apresentam os indianos com cabeça de cão!…. Não custa nada votar e dá fabulosos lucros!

É a mesma atitude de hoje: legaliza-se o aborto, por voto da maioria, fazendo convencer que ‘aquilo’ que se esquarteja não é vida humana. Porque assim convém, para exterminar vidas indefesas, sem que ‘pese’ na consciência.

A natureza, os gatos, dão soberbas lições de vida. Quando não se quer entender surgem, sem saber donde e por vezes por vias democráticas, os hitlers, stalins, maos, pol-pots, etc. que saltam para o topo da governação, aterrorizando e liquidando vidas inocentes aos milhões.

EUGÉNIO VIASSA MONTEIRO
Professor da AESE e Dirigente da AAPI

São Filipe Néri explicado por Bento XVI (vídeo legendado em espanhol)

Deixar tudo para O seguir

Tomás de Celano (c. 1190-v. 1260), biógrafo de São Francisco e de Santa Clara
Vida de Santa Clara, §§ 25-28 

Havia já quarenta anos que Clara, segundo a comparação utilizada por São Paulo (1Cor9, 24), corria no estádio da grande pobreza. Ela aproximava-se da meta da sua vocação celeste e da recompensa prometida ao vencedor. [...] A Divina Providência apressava-Se a cumprir o que havia previsto para Clara: Cristo quer introduzir a pobrezinha no Seu palácio real no termo da sua peregrinação. Quanto a ela, aspirava com todo o arrebatamento do seu desejo [...] contemplar, reinando no alto em toda a Sua glória, o Cristo que imitara na Terra na sua pobreza. [...]

Todas as suas filhas estavam reunidas em torno do leito da mãe. [...] Dirigindo-se então a si mesma, Clara disse à sua alma: «Parte com toda a segurança, pois tens um bom guia para o caminho. Parte, pois Aquele que te criou também te santificou; Ele sempre te protegeu e amou com um amor terno, como uma mãe ama o seu filho. Abençoado sejas, Senhor, Tu que me criaste!» Uma irmã perguntou-lhe a quem se dirigia ela. Clara respondeu: «À minha alma abençoada». O seu guia para o caminho não estava longe. Com efeito, voltando-se para uma das suas filhas, perguntou-lhe: «Estás a ver o Rei de glória que eu entrevejo?» [...]

Bendita seja a sua saída deste vale de misérias, uma saída que foi para ela a entrada na vida bem-aventurada! Em recompensa dos seus jejuns neste mundo, conhece agora a alegria que reina à mesa dos santos; em troca dos andrajos e das cinzas, entrou na posse da beatitude do Reino dos Céus onde está vestida com as vestes da glória eterna.

O Evangelho do dia 26 de maio de 2015

Pedro começou a dizer-Lhe: «Eis que deixámos tudo e Te seguimos». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado a casa, os irmãos, as irmãs, o pai, a mãe, os filhos, ou as terras, por causa de Mim e do Evangelho, que não receba o cêntuplo, mesmo nesta vida, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, e terras, juntamente com as perseguições, e no tempo futuro a vida eterna. Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros». 

Mc 10, 28-31

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SACRAMENTO DE UNIDADE

Aproximo-me de Ti
e sinto o frio das lajes do chão,
nos meus pés,
mas não me importa,
porque Tu
me aqueces o coração.

Olho-Te,
no Santíssimo Sacramento do altar,
eTu,
devolves-me o olhar,
tão intensa e profundamente,
que me sinto o único alvo do teu amor,
no meio da multidão.

Sinto-me um nada,
Senhor,
um grão de areia,
na imensa praia do teu amor.

Lenta,
mas inexoravelmente,
a tua presença toca-me,
e,
cada um daqueles que ali estão,
tornam-se em mim,
ou eu neles,
tornamos todos em Ti,
ou Tu,
Um só em nós,
na mais perfeita união.

Abro-me todo,
entrego-me,
confio,
sou teu,
somos teus,
neste único Corpo que é o teu,
que se faz assim,
vivo e verdadeiro,
para quem de coração O deseja,
e àqueles a quem for dado ver,
na imensa e única Igreja,
Santa,
com o seu Único Pastor,
que és Tu,
meu Deus e meu Senhor,
o vivo Pão,
causa única,
desta total comunhão.

Do altar,
onde Te fazes presença viva,
para quem Te ama na Fé,
os anjos recolhem a oração,
o sacrifício,
a intercessão,
e nas suas asas de pura inocência,
levam tudo ao Céu,
ao Pai,
ao Filho,
ao Espírito Santo,
infinito mistério,
para toda e qualquer ciência,
e cantam,
num infinito louvor:
Santo, Santo, Santo…

Da minha boca sai um grito mudo!

Não posso falar,
porque o momento me cala,
porque o amor me avassala,
porque sou todo um sorriso imenso,
repassado de alegria.

Do meu grato coração,
sai apenas,
esta muda oração:
Obrigado, Senhor,
pela eterna Eucaristia!

Solenidade de Pentecostes
Marinha Grande, 24 de Maio de 2015

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2015/05/sacramento-de-unidade.html

Deus é exigente…

Mas infinitamente misericordioso e ama-nos mais do que nós na nossa pequena dimensão terrena conseguimos imaginar, ainda assim, se Lhe remetermos todas as graças que nos concede, poderemos vislumbrar uma ínfima parte da Sua bondade e generosidade, tudo quanto Lhe oferecermos e dedicarmos será sempre pouco, mas Ele, apesar disso, compreende as nossas fraquezas e debilidades e continua a amar-nos.

JPR


Não vos contenteis com uma religiosidade externa. Deus não Se contenta com um povo que O venera com os lábios. Ele quer o coração e, em troca, dá-nos a sua graça, desde que não nos afastemos ou separemos d’Ele.

(Bento XVI - Discurso aos Bispos da Áustria em visita ‘ad limina’ – 02/XI/2005)

«Ao ouvir estas palavras [...], retirou-se pesaroso.»

São Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia na Capadócia, Doutor da Igreja
Homilia 7, sobre a riqueza; PG 31, 278

O caso do jovem rico e dos seus semelhantes faz-me pensar no de um viajante que, pretendendo visitar uma cidade, chega junto das muralhas, encontra aí uma estalagem, hospeda-se nela e, desencorajado pelos últimos passos que ainda lhe falta dar, perde o benefício das fadigas da sua viagem e acaba por não ir visitar as belezas da cidade. Assim são estes que cumprem os mandamentos mas se revoltam com a ideia de perderem os seus bens. Conheço muitos que jejuam, rezam, fazem penitência e praticam todo o tipo de obras de caridade, mas não dão uma esmola aos pobres. De que lhes servem as outras virtudes?

Eles não entrarão no Reino dos Céus porque «é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus». São palavras claras e o seu Autor não mente, mas raros são aqueles que se deixam tocar por elas. «Como viveremos quando estivermos despojados de tudo?» exclamam. «Que existência levaremos quando tudo for vendido e já não tivermos propriedades?» Não me perguntem qual é o desígnio profundo que está subjacente aos mandamentos de Deus. Aquele que estabeleceu as nossas leis conhece igualmente a arte de conciliar o impossível com a lei.