Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

Escreve: “Obrigado, meu Deus, pelo amor ao Papa que puseste no meu coração”.


Nota 'Spe Deus': ao publicar a fotografia do Papa Pio XI, Pontífice à data em que São Josemaría escreveu a frase publicada, não significa que o seu amor aos papas que se sucederam na sua passagem por este mundo e àqueles eleitos após a sua partida para a Casa do Pai não seja enorme.

Arriscamo-nos mesmo a afirmar, que São Josemaría terá certamente intercedido frequentemente por João Paulo I, João Paulo II, Bento e que não se passará um dia, um instante que seja, em que não interceda junto do Pai pelo nosso amadíssimo Papa Francisco.

O Evangelho do dia 31 de outubro de 2017

Dizia também: «A que é semelhante o reino de Deus; a que o compararei? É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta; cresceu, tornou-se uma árvore, e as aves do céu repousaram nos seus ramos». Disse outra vez: «A que direi que o reino de Deus é semelhante? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até que tudo ficasse levedado».

Lc 13, 18-21

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934

“Inaugurou-se o ano lectivo em DYA, e espero que sejam muitos os frutos sobrenaturais, e de cultura e formação apostólica, que se obtenham”, escreve ao Vigário de Madrid, falando de uma residência para estudantes universitários que acabava de pôr em andamento.

O Evangelho do dia 30 de outubro de 2017

Jesus estava a ensinar numa sinagoga em dia de sábado. Estava lá uma mulher possessa de um espírito que a tinha doente havia dezoito anos; andava encurvada, e não podia levantar a cabeça. Jesus, vendo-a, chamou-a, e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua doença». Impôs-lhe as mãos e imediatamente ficou direita e glorificava a Deus. Mas, tomando a palavra o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus tivesse curado em dia de sábado, disse ao povo: «Há seis dias para trabalhar; vinde, pois, nestes e sede curados, mas não em dia de sábado». O Senhor disse-lhe: «Hipócritas, qualquer um de vós não solta aos sábados o seu boi ou o seu jumento da manjedoura para os levar a beber? E esta filha de Abraão, que Satanás tinha presa há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão ao sábado?». Dizendo estas coisas, todos os Seus adversários envergonhavam-se e alegrava-se todo o povo com todas as maravilhas que Ele realizava.

Lc 13, 10-17

domingo, 29 de outubro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

“Há já bastantes dias que, por necessidade, pois tenho de escrever no meu quarto e não cabe bem uma cadeira, escrevo as catarinas ajoelhado. E vem-me à ideia que, como são uma meia confissão, será grato a Jesus que as escreva sempre assim, de joelhos: procurando cumprir este propósito”, aponta referindo-se às anotações que faz sobre a sua vida interior.

Bom Domingo do Senhor!

«É nosso dever, é nossa salvação» (Oração Eucarística) amarmos Deus Nosso Senhor e o nosso próximo, como nos recorda Jesus Cristo no Evangelho de hoje (Mt 22, 34-40). Sem este amor total, primeiro ao Senhor e depois a TODO o nosso próximo, estaremos e excluir-nos da comunidade dos filhos de Deus e certamente que não esse o nosso desejo.

Louvado seja Deus Nosso Senhor pelo seu infinito e misericordioso amor por todos nós!

PORQUE HOJE É DOMINGO!

Hoje Domingo,
Dia do Senhor,
faço-me missa para Te celebrar,
faço-me patena para te mostrar,
faço-me cálice para Te conter,
faço-me comunhão para Te partilhar,
faço-me sacrário para Te guardar,
despojo-me de tudo o que sou,
torno-me um nada sem importância,
abro-me inteiramente a Ti,
Senhor,
para ser a mais pequena porção,
o mais ínfimo testemunho,
do Teu amor,
em mim,
para os outros,
e abandono-me em Ti,
neste dia,
e sempre,
para viver eternamente
a mais completa alegria!

Marinha Grande, 30 de Outubro de 2016

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2016/10/porque-hoje-e-domingo.html

Compartilhar as tarefas em casa fortalece o casamento

Segundo um estudo da London School of Economics em 2010, os casais onde o homem se envolve mais nas tarefas domésticas têm menos probabilidades de se divorciarem. Mas isso não significa que a maioria das mulheres queiram um modelo "igualitário" (50-50) na repartição das tarefas entre o homem e a mulher.

O estudo realizado pela investigadora Wendy Sigle- Rushton, do Departamento de Política Social da London School of Economics, faz um acompanhamento de 3.500 casamentos que permaneceram fiéis durante os cinco anos seguintes ao nascimento do primeiro filho (quase 20 % divorciou-se depois, quando os filhos completaram 16 anos).

Para conhecer o grau de envolvimento dos homens na casa, Sigle-Rushton recorre à British Cohort Study de 1970. E o certo é que, de acordo com os testemunhos das suas mulheres, eles não ficam muito bem cotados.

51% deles não ajudou em nada ou desempenhou uma só tarefa. 24% assumiram duas tarefas. E cerca de um quarto encarregou-se de três ou quatro tarefas. O estudo mostra que ocorrem menos rupturas conjugais dentro do grupo de casais onde os maridos mais ajudaram.

Sigle-Rushton introduz um novo factor: a situação laboral das mulheres. Como influi o pouco ou muito envolvimento do homem na vida doméstica quando a mulher trabalha fora de casa?

O estudo toma como referência o caso da mulher que trabalha em casa e cujo marido participa pouco nas tarefas domésticas. E compara com outros dois casos: mulher que trabalha fora de casa com um marido que colabora pouco nas tarefas domésticas; e mulher que trabalha fora e em casa conta com a ajuda do marido.

Segundo conclui o estudo, que a mulher trabalhe fora de casa só fomenta o risco de divórcio quando o marido é dos que não ajudam em casa. Nesta hipótese, o risco de divórcio é 97 % mais elevado que no caso de referência. Se a mulher trabalha fora e o homem desempenha uma boa quantidade de tarefas domésticas, não se detecta aumento de probabilidade de divórcio relativamente ao caso de referência (dona de casa e marido que faz pouco em casa).

A vida familiar é dos dois

Isto indica que para muitos casamentos a solução preferida não é que o marido faça metade do trabalho doméstico, mas sim a parte que seja possível e razoável segundo as circunstâncias da família e os horários de um e outro.

Seria excessivamente teórico exigir uma repartição em partes iguais que não seria bem aceite por todas as famílias.

Segundo as investigações que dispõe, Brad Wilcox - professor de sociologia na Universidade da Virginia - constata que as mulheres casadas que se dedicam a cuidar dos filhos e de outras tarefas domésticas estão satisfeitas quando vêem que os maridos ajudam em casa em tudo o que podem, ainda que façam menos que elas.

Pelo contrário, Wilcox não encontrou estudos que confirmem a tese que a maioria das mulheres desejam um modelo "igualitário", na distribuição das tarefas em casa. Na sua opinião, essa distribuição depende sobretudo de factores como a maternidade ou a situação laboral da mulher.

Como explica em declarações à revista Perspective (Junho de 2010), não é raro que uma mãe com filhos pequenos queira gastar mais tempo com eles e menos no trabalho fora, e preferiam que durante esses anos fosse principalmente o marido a sustentar a família.

Em tais casos, a distribuição desigual das tarefas domésticas, relacionada com a diferente atenção de cada um ao trabalho remunerado, não supõe falta de empenho masculino. Pelo contrário mostra, a seu modo, que a vida familiar é levada avante entre marido e mulher, ainda que as tarefas e a dedicação a elas sejam distintas.

Juan Meseguer
Aceprensa

Tota Pulchra Es Maria

«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração»

São Francisco de Assis (1182-1226), fundador da Ordem dos Frades Menores
Primeira regra, § 23


Amemos todos o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso espírito, com todo o nosso poder e coragem, com toda a nossa inteligência, com todas as forças, com todo o nosso esforço, com todo o nosso afecto, com as nossas entranhas, com todo o nosso desejo, com toda a nossa vontade. Ele deu-nos e continua a dar-nos o corpo, a alma e a vida; Ele criou-nos e resgatou-nos; salvar-nos-á apenas por sua misericórdia; apesar das nossas fraquezas e das nossas misérias, das nossas vilanias e das nossas vergonhas, das nossas ingratidões e da nossa maldade, Ele só nos fez e faz o bem.

Não tenhamos portanto outro desejo, nem outra vontade, outro prazer e outra alegria que não seja o nosso Criador, Redentor e Salvador, o único verdadeiro Deus que é o bem pleno, inteiro, total, verdadeiro e soberano; o único que é bom, misericordioso e amável, indulgente e manso; só Ele é santo, justo, verdadeiro e recto; só Ele é benevolente, inocente e puro; dele, por Ele e nele reside todo o perdão, toda a graça e toda a glória para todos os penitentes e justos da terra e para todos os bem-aventurados que rejubilam com Ele no céu.

Portanto, a partir de agora, já não haja obstáculos, nem barreiras, nem filtros! Em todos os lados e lugares, a todas as horas e em todos os tempos, todos os dias e sem interrupção, creiamos todos com uma fé humilde e verdadeira, preservemo-la no nosso coração, saibamos amar, honrar, adorar, servir, louvar e bendizer, glorificar e celebrar, enaltecer e agradecer ao altíssimo soberano Deus eterno, Trindade e unidade, Pai, Filho e Espírito Santo.

sábado, 28 de outubro de 2017

A adúltera apedrejada

O acórdão da Relação do Porto, invocando a letra da Bíblia, contradisse o seu espírito que é, em Jesus Cristo, o mandamento novo da caridade, que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

No último domingo, o 29º do tempo comum, a leitura do Evangelho era lapidar sobre o que, com toda a propriedade, se poderia designar como o fundamento cristão da laicidade: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

Infelizmente, este salutar princípio não foi tido em conta por um muito infeliz acórdão do Tribunal da Relação do Porto no qual, invocando-se desastradamente a Sagrada Escritura, se pretendeu justificar um tristíssimo caso de violência doméstica.

Com efeito, a título de justificação da leve pena imposta ao marido traído, que foi também o agressor da mulher infiel, lê-se: “a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente. Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem”.

É evidente que, em qualquer sociedade, o incumprimento de um dever de fidelidade é sempre grave, mais ainda se se trata de uma relação tão relevante como é a matrimonial. Mas, para a moralidade cristã, não faz sentido dizer que o incumprimento do pacto conjugal é vergonhoso e imoral quando praticado pela mulher, como se o adultério masculino não fosse igualmente grave!

O conhecido episódio bíblico da casta Susana é, a este propósito, muito significativo (cfr. Dn 13, 1-64). Instada a prevaricar com dois velhos sem escrúpulos que, em caso contrário, ameaçavam caluniar a sua pureza, a mulher de Joaquim preferiu manter-se casta, mesmo pagando com a vida a sua inocência. Graças a Deus, a providencial intervenção do jovem Daniel não só evidenciou que Susana não tinha nenhuma culpa, como provou o perjúrio dos idosos, que foram depois exemplarmente castigados.

Também o adultério do rei David, agravado pelo assassinato do general Urias, marido de sua amante, a mãe de Salomão (2Sm 11, 1-26), é uma lição bíblica de como Deus, embora punindo o adultério feminino, não castiga menos a infidelidade masculina, por muito que a sociedade – a de então, a do Código Penal de 1886 ou a de agora – seja mais permissiva em relação ao adultério masculino. Na realidade, aos olhos de Deus, qualquer cônjuge que gravemente incumpra os seus deveres de fidelidade conjugal incorre na mesma culpa, qualquer que seja o seu sexo que, para este efeito, é irrelevante.

Escreveu-se ainda no referido acórdão da Relação do Porto: “Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte”. É verdade: aí estão, por desgraça, os países islâmicos em que a sharia é a lei penal vigente. Mas esta citação, no contexto em que é feita, mais do que condenar tão desumano preceito, parece legitimá-lo, para efeito da desculpabilização do cônjuge agressor. Também há, infelizmente, sociedades em que se pratica a escravatura e até o canibalismo, mas não seria razoável que um magistrado invocasse esses casos para mitigar a culpa de quem incorresse em tão lamentáveis atitudes.

Quanto mais comum é um comportamento criminoso, mais necessário é que a lei seja severa na sua punição: por isso, faz sentido que a lei canónica continue a castigar com a excomunhão o aborto voluntário, mas já não seria lógico que mantivesse essa pena para os duelos, hoje inexistentes. Ora, infelizmente, a violência doméstica está longe de estar erradicada.

“Na Bíblia – acrescenta-se no referido acórdão – podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte”. É verdade que, no Antigo Testamento, previa-se a pena capital para este crime (Lev 20, 20; Deut 22, 21; Ezq 16, 38-40; etc.), mas depois Jesus Cristo, reformando a lei moisaica, revogou essa medida numa das mais belas páginas do Evangelho joanino (Jo 8, 1-11). O que ele não fez, nem permitiu que ninguém fizesse, à mulher adúltera, a todos os cristãos ficou, desde então, interdito, pois só quem nunca tivesse pecado poderia apedrejar um pecador…

Os escribas e fariseus levaram aquela mulher à presença de Jesus de Nazaré, alegando que “foi surpreendida em flagrante delito de adultério” (Jo 8, 4). Ora, mesmo não tendo eu nunca frequentado as modernas aulas de educação sexual, tenho entendido que o adultério não é um acto solitário, pelo que seria de esperar que também fosse apresentado a Jesus o cúmplice masculino. Por que não está presente?! Por que motivo a sanha daqueles escribas e fariseus se abate só sobre a mulher, se o seu cúmplice, com o qual foi apanhada, não só não era menos responsável, como podia ter até mais culpa, se porventura a tivesse seduzido ou forçado?! De facto, é iníqua esta discriminação contra as mulheres, bem como a farisaica condescendência com a culpa masculina, igualmente contrária aos princípios cristãos.

Também à laia de justificação, lê-se no polémico acórdão: “Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher. Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão”. Que o meritíssimo me desculpe mas, assim sendo, não deveria também dizer que foi a adúltera que teve o desplante de pôr a cabeça onde o extremoso marido tinha a moca, com pregos, com que a golpeou?!

O que os escribas e fariseus de há dois mil anos não se atreveram, logrou este acórdão do Tribunal da Relação do Porto, que não só apedrejou socialmente esta alegada adúltera, como atentou contra a dignidade de todas as mulheres e ofendeu os princípios humanitários do sistema jurídico português. Invocando-se a letra da Bíblia, contradisse-se o seu espírito que é, em Jesus Cristo, o mandamento novo da caridade, que, segundo São Paulo, “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13, 7). Os Estados não se podem permitir uma tal atitude, mas a sua justiça social nunca pode deixar de reconhecer a imensa dignidade do ser humano: qualquer que seja a sua culpa, cada mulher e homem, mais do que um mero súbdito de César, é imagem e semelhança de Deus.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador de 28/10/2017
(seleção de imagem 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 29 de outubro de 2017

Os fariseus, tendo sabido que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se. E um deles, doutor da Lei, querendo pô-l'O à prova, perguntou-Lhe: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?». Jesus disse-lhe: «”Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento”. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois mandamentos depende toda a Lei e os Profetas».

Mt 22, 34-40

São Josemaría Escrivá nesta data em 1931

“Julgo que não tenho inimigos. Na minha vida encontrei pessoas que me prejudicaram, positivamente. Não as considero como inimigos: sou muito pouca coisa para os ter. Contudo, desde agora, eles e elas ficam incluídos na categoria de benfeitores, para rezar ao Senhor por eles todos os dias”, anota hoje.

O Evangelho do dia 28 de outubro de 2017

Naqueles dias Jesus retirou-se para o monte a orar, e passou toda a noite em oração a Deus. Quando se fez dia, chamou os Seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro, seu irmão André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado o Zelote, Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.  Descendo com eles, parou numa planície. Estava lá um grande número dos Seus discípulos e uma grande multidão de povo de toda a Judeia, de Jerusalém, do litoral de Tiro e de Sidónia, que tinham vindo para O ouvir, e para ser curados das suas doenças. Os que eram atormentados pelos espíritos imundos ficavam também curados. Todo o povo procurava tocá-l'O, porque saía d'Ele uma virtude que os curava a todos.

Lc 6, 12-19

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

AS “PEDRAS DA VIDA”

Na terça feira passada tive que fazer uma operação para remover uma pedra que estava onde não devia.
A operação correu até muito bem, e depois de ter vindo para casa, no dia a seguir, pensei que tudo estava passado, mas nessa noite e dia seguintes, as dores foram-me “desiludindo” da esperança que tinha de que tudo passasse sem grande dor ou incómodo.
Lá fui e vou rezando, oferecendo as dores por aqueles que com certeza têm problemas e dores muito maiores do que as minhas, e reflectindo em toda a situação.

Costumamos dizer, quando temos problemas e provações na nossa vida, que são pedras no caminho que precisamos remover e ultrapassar, para podermos viver a vida em plenitude que Deus nos dá.

Na pedra que tirei na terça feira foi preciso um médico e bastante mais pessoas, num processo que envolve sempre algum risco e sobretudo muito incómodo.

Nas “pedras da vida” temos também um “Médico” para nos ajudar a removê-las, bastando para tal, aceitarmos o seu amor e a sua vontade, embora muitas vezes não entendamos o porquê de tais “pedras da vida”, a não ser quando somos nós mesmos que as provocamos.

Também por vezes, a remoção dessas “pedras da vida”, se torna dolorosa, não na dor física, mas na dor psíquica/espiritual, e é preciso algum tempo para que tais “pedras da vida” saíam por fim da nossa vida.

Mas nesta “cura” das “pedras da vida” temos a certeza de que o “Médico” está sempre connosco, e mais do que nos operar e medicar, nos toma pela mão e nos enche de amor e da certeza que no fim, tudo acabará num bem, porque a “cura” de Deus é sempre o bem, seja em que circunstâncias for.

E na “cura” das “pedras da vida”, quando nos entregamos a Deus, sabemos sempre que não é necessária uma segunda opinião, porque a Deus nada é impossível.

Por isso, glória ao Senhor, agora e sempre e em tudo!

Marinha Grande, 27 de Outubro de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

“Não tomes uma decisão sem te deteres a considerar o assunto diante de Deus”, escreve

Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar

Podemos dizer que, na Bem-aventurada Virgem Maria, se cumpre aquilo em que insisti anteriormente, isto é, que o crente se envolve todo na sua confissão de fé. Pelo seu vínculo com Jesus, Maria está intimamente associada com aquilo que acreditamos. Na concepção virginal de Maria, temos um sinal claro da filiação divina de Cristo: a origem eterna de Cristo está no Pai — Ele é o Filho em sentido total e único — e por isso nasce, no tempo, sem intervenção do homem. Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens. Por outro lado, a verdadeira maternidade de Maria garantiu, ao Filho de Deus, uma verdadeira história humana, uma verdadeira carne na qual morrerá na cruz e ressuscitará dos mortos. Maria acompanhá-Lo-á até à cruz (cf. Jo 19, 25), donde a sua maternidade se estenderá a todo o discípulo de seu Filho (cf.Jo 19, 26-27). Estará presente também no Cenáculo, depois da ressurreição e ascensão de Jesus, para implorar com os Apóstolos o dom do Espírito (cf. Act 1, 14). O movimento de amor entre o Pai e o Filho no Espírito percorreu a nossa história; Cristo atrai-nos a Si para nos poder salvar (cf. Jo 12, 32). No centro da fé, encontra-se a confissão de Jesus, Filho de Deus, nascido de mulher, que nos introduz, pelo dom do Espírito Santo, na filiação adoptiva (cf. Gl 4, 4-6).

Lumen Fidei, 59

O Evangelho do dia 27 de outubro de 2017

Dizia também às multidões: «Quando vós vedes uma nuvem levantar-se no poente, logo dizeis: Aí vem chuva; e assim sucede. E quando sentis soprar o vento do sul, dizeis: Haverá calor; e assim sucede. Hipócritas, sabeis distinguir os aspectos da terra e do céu; como, pois, não sabeis reconhecer o tempo presente? E porque não discernis também por vós mesmos o que é justo? Quando, pois, fores com o teu adversário ao magistrado, faz o possível por fazer as pazes com ele pelo caminho, para que não suceda que te leve ao juiz, e o juiz te entregue ao guarda, e o guarda te meta na cadeia. Digo-te que não sairás de lá, enquanto não pagares até o último centavo».

Lc 12, 54-59

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

S. Josemaría Escrivá nesta data em 1931

“Em Cristo temos todos os ideais: porque é Rei, é Amor, é Deus. - Não há mais amor que o Amor!”, anota no seu caderno.

ADULTOS NA FÉ

Apareceram na Capela das Termas, por cima dos bancos, umas fotocópias com uma oração de intercessão a Santa Rita de Cássia.

Até aqui tudo bem, também sou devoto de Santa Rita de Cássia a quem peço muitas vezes intercessão, e de quem venero e admiro a vida de entrega total a Deus, ao longo de tantas dificuldades vividas em diversos estados de vida.

Só que no final do texto fotocopiado lá vem escrito que para o pedido ser “completo”, têm de se fazer 25 fotocópias e distribuí-las, aguardando ao terceiro dia a graça pedida, que não “pode falhar”!

Santa Rita fica nossa “refém”, bem como Deus fica “refém” de Santa Rita e de nós próprios, porque se cumprirmos com as 25 fotocópias, Deus “não tem hipóteses” de não nos conceder a graça que pedimos, precisamente ao terceiro dia, nem antes nem depois!

E como este exemplo, tantos outros, servindo-se de Santos, Santas, Anjos e até de umas “não sei quantas almas benditas”, usando anúncios em jornais, revistas, fotocópias, pagelas, sei lá o quê

Vivemos ainda uma fé, que é “fezada”, uma vida “religiosa” do “toma lá dá cá”, do “se eu fizer isto, Deus faz-me aquilo”, do “se eu me portar bem, Deus dá-me o que preciso, seja lá o que for”, e por aí a diante…

A verdade é que muitas vezes a nossa vida espiritual, o nosso caminho para Deus, continua a ser infantil, sem conhecimento, sem razão, sem entendimento, sem entrega, fechados em nós próprios e no que queremos e desejamos, baseando-se mais no medo, na superstição, no “comércio de favores”, do que na vivência do Evangelho, que nos leva à união com Cristo, abertos aos outros irmãos, ansiando que em nós seja feita a vontade de Deus, seja ela qual for, porque será sempre a melhor para nós, para as nossas vidas.

Somos muitas vezes como uma criança que não quer crescer e que fica sempre dependente de seus pais em tudo.

Com 30 anos, por exemplo, ainda são os pais que lhe dão banho, que lhe dão de comer, que lhe lêem livros e lhe vão dizendo para que servem as coisas e como utilizá-las, porque não quis aprender a ler, porque não quis aprender nada, mas limitou-se a viver, pura e simplesmente, e assim está à mercê dos outros, os que lhe querem bem e os que lhe querem mal.

Ridículo não seria?

Mas quando procedemos assim, quando nos agarramos a estas “religiosidades” estamos a proceder de modo igual nas nossas vidas espirituais.

Deus, deu-nos a Palavra, enviou o Seu próprio Filho para no-La explicar, derramou em nós o Espírito Santo para nos iluminar, deu-nos a Igreja para nos conduzir, que nos deu o Catecismo, para além de incontáveis documentos e livros que nos mostram caminhos, modos de orar, modos de viver e celebrar a Fé no Pai Criador, no Filho Salvador, no Espírito Santificador.

E nós muitas vezes, agarramo-nos à “quantidade” das nossas orações, a “fórmulas mágicas” que serviriam para “manietar” o poder de Deus, a expressões de religiosidade pontual, por medo ou superstição, ou porque tendo cumprido os “requisitos acordados” podemos viver como quisermos, porque já “cumprimos as normas”.

«Quanto a mim, irmãos, não pude falar-vos como a simples homens espirituais, mas como a homens carnais, como a criancinhas em Cristo. Foi leite que vos dei a beber e não alimento sólido, que ainda não podíeis suportar. Nem mesmo agora podeis, visto que sois ainda carnais.» 1 Cor 3,1-2
«Que fazer, então? Rezarei com o espírito, mas rezarei também com a inteligência; cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência.» 1 Cor 14,15

É tempo de ouvirmos, de lermos, de perguntarmos, de entendermos, de vivermos empenhados naquilo em que acreditamos ou queremos acreditar.

É tempo de crescermos e sermos verdadeiros filhos de Deus, templos do Espírito Santo, pela graça do Baptismo que o Senhor nos concedeu.

E isto nada tem a ver com a religiosidade popular, expressão carinhosa, íntima e também colectiva de um povo que caminha para Deus, mas sim com crendices para que nos deixamos arrastar, sem pensarmos, sem reflectirmos, sem discernirmos, sem perguntarmos, deixando-nos conduzir para uma religiosidade fácil, mas falsa, que a nada nos conduz, antes nos deixa na ignorância e à mercê de todos aqueles que de nós se queiram servir para os seus propósitos, que nunca são bons.

Dentro das capacidades de cada um, saibamos abrir o nosso coração e a nossa inteligência à Palavra de Deus, à Doutrina da Igreja, e confiando, e esperando no amor do Pai e do Filho, deixemos que o Espírito Santo transforme e converta tudo aquilo que em nós precisa de ser mudado e que por nós próprios não conseguimos mudar.

Cresçamos assim como adultos na Fé, a fim de atingirmos a plenitude em Jesus Cristo, Senhor e Salvador dos homens.

Monte Real, 16 de Junho de 2008

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.com/2008/06/adultos-na-f.html

O Evangelho do dia 26 de outubro de 2017

Eu vim trazer fogo à terra; e como desejaria que já estivesse ateado! Eu tenho de receber um batismo; e quão grande é a minha ansiedade até que ele se conclua! Julgais que vim trazer paz à terra? Não, vos digo Eu, mas separação; porque, de hoje em diante, haverá numa casa cinco pessoas, divididas três contra duas e duas contra três. Estarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

Lc 12, 49-53

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O Paraíso meta da nossa esperança (audiência)

Locutor: Ao concluir hoje as catequeses sobre a esperança cristã, vamos refletir sobre o Paraíso como meta da nossa esperança. Do alto da cruz, naquela sexta-feira trágica e santa, Jesus atendeu o pedido de um dos condenados à crucifixão: «Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino». Essas palavras eram o reconhecimento humilde de alguém que sabia não ter feito nada de bom, mas se confia à misericórdia de Jesus. Ele se compadece e promete que, naquele mesmo dia, o ladrão arrependido estaria com Ele no Paraíso. Deus sempre tem compaixão dos seus filhos e, mesmo que não tenhamos nada de bom para apresentar diante d’Ele, devemos sempre nos confiar à sua misericórdia. De fato, o Paraíso é a experiência do abraço de Deus, que nos ama com amor infinito. Por isso, certos de que, mesmo que nos sintamos sozinhos, Jesus está ao nosso lado, não devemos temer a morte, mas sim desejar o encontro final com Deus, onde o veremos “cara-a-cara”, vivendo o amor perfeito.


Santo Padre:
Rivolgo un saluto speciale a tutti i pellegrini di lingua portoghese, in particolare ai fedeli di Roraima, accompagnati dal loro Pastore e ai diversi gruppi dal Brasile. Cari amici, la fede nella vita eterna ci spinge a non avere paura delle sfide di questa vita presente, rafforzati dalla speranza della vittoria di Cristo sulla morte. Dio vi benedica.


Locutor: Uma saudação especial para todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente os fiéis de Roraima acompanhados pelo seu Pastor e os diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a fé na vida eterna nos leva a não ter medo dos desafios desta vida presente, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre a morte. Que Deus vos abençoe.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1960

É erigida a Universidade de Navarra que nascera como Estudo Geral uns anos antes, sob o impulso de São Josemaría: “A Universidade de Navarra surgiu em 1952 – depois de rezar durante anos: sinto alegria ao dizê-lo – com a aspiração de dar vida a uma instituição universitária na qual se plasmassem os ideais culturais e apostólicos de um grupo de professores profundamente interessados na missão docente. Desejou então – e deseja agora – contribuir, lado a lado com as outras universidades, para resolver os graves problemas educativos de Espanha e de muitos outros países que necessitam de homens bem preparados para construírem uma sociedade mais justa”.

O Evangelho do dia 25 de outubro de 2017

Sabei que, se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e não deixaria arrombar a sua casa. Vós, pois, estai preparados porque, na hora que menos pensais, virá o Filho do Homem». Pedro disse-lhe: «Senhor, dizes esta parábola só para nós ou para todos?». O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá sobre as pessoas da sua casa, para dar a cada um, a seu tempo, a ração alimentar? Bem-aventurado aquele servo a quem o senhor, quando vier, achar procedendo assim. Na verdade vos digo que o constituirá administrador de tudo quanto possui. Porém, se aquele servo disser no seu coração: O meu senhor tarda em vir, e começar a espancar os criados e as criadas, a comer, a beber e a embriagar-se, chegará o senhor desse servo, no dia em que ele não o espera, e na hora em que ele não sabe; castigá-lo-á severamente e pô-lo-á à parte com os infíeis. Aquele servo, que conheceu a vontade do seu senhor e nada preparou, e não procedeu conforme a sua vontade, levará muitos açoites. Quanto àquele que, não a conhecendo, fez coisas dignas de castigo, levará poucos açoites. Porque a todo aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e aquele a quem muito confiaram, mais contas lhe pedirão.

Lc 12, 39-48

terça-feira, 24 de outubro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1942

“As contradições, suportadas por amor a Deus, trazem sempre fecundidade”, escreve.

O Evangelho do dia 24 de outubro de 2017

«Estejam cingidos os vossos rins e acesas as vossas lâmpadas. Fazei como os homens que esperam o seu senhor quando volta das núpcias, para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos, a quem o senhor quando vier achar vigiando. Na verdade vos digo que se cingirá, os fará pôr à sua mesa e, passando por entre eles, os servirá. Se vier na segunda vigília, ou na terceira, e assim os encontrar, bem-aventurados são aqueles servos.

Lc 12, 35-38

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1966

Enquanto celebra a Santa Missa, passa por uma experiência mística que, com grande simplicidade, conta no dia seguinte: “Com os meus sessenta e cinco anos, fiz uma descoberta maravilhosa. Encanta-me celebrar a Santa Missa, mas ontem custou-me muito. Que esforço! Vi que a Missa é verdadeiramente Opus Dei, trabalho, como foi um trabalho para Jesus Cristo a sua primeira Missa: a Cruz. Vi que o ofício do sacerdote, a celebração da Santa Missa, é um trabalho para confeccionar a Eucaristia; que se experimenta dor, e alegria, e cansaço. Senti na minha carne o esgotamento de um trabalho divino”.

O Evangelho do dia 23 de outubro de 2017

Então disse-Lhe alguém da multidão: «Mestre, diz a meu irmão que me dê a minha parte da herança». Jesus respondeu-lhe: «Meu amigo, quem Me constituiu juiz ou árbitro entre vós?». Depois disse-lhes: «Guardai-vos cuidadosamente de toda a avareza, porque a vida de cada um, ainda que esteja na abundância, não depende dos bens que possui». Sobre isto propôs-lhes esta parábola: «Os campos de um homem rico tinham dado abundantes frutos. Ele andava a discorrer consigo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? Depois disse: Farei isto: Demolirei os meus celeiros, fá-los-ei maiores e neles recolherei o meu trigo e os meus bens, e direi à minha alma: Ó alma, tu tens muitos bens em depósito para largos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus disse-lhe: Néscio, esta noite virão demandar-te a tua alma; e as coisas que juntaste, para quem serão? Assim é o que entesoura para si e não é rico perante Deus».

Lc 12, 13-21

domingo, 22 de outubro de 2017

A INCLEMÊNCIA DOS HOMENS!

Pois,
não esperavas que a morte
te viesse,
por uma coisa,
a que chamam “ignição”!!!

Já nem tens direito
a morrer num incêndio,
porque os homens sem coração,
lhe chamam apenas,
“ignição”!!!

Mudam-se as palavras,
talvez para conter,
para fazer morrer,
a indignação!!!

Em Lisboa,
cumprem-se minutos de silêncio,
como se isso apaziguasse,
os corações feridos,
pelos que morrem no incêndio!

E não só os que morrem,
que perdem a vida,
“obrigados” a perdê-la,
mas também os que perdem a história,
porque se perdeu a memória.

“Ay, Deus e u é”,
cantava o Rei,
e nós olhávamos,
a obra que o Rei cantava!

Já não há obra,
já não há Rei,
já não há pinhal,
nem vida,
dos que partiram!

Resta-nos Deus,
que “e u é”,
para que a esperança viva,
não nos homens,
não no mundo,
mas na confiança,
de que ainda existe o bem,
e de que a obra de Deus,
não pode ser extinta,
pela Sua criatura,
que Ele na Sua bondade,
quis fazer homem.

Choremos,
podemos chorar,
e a chorar rezemos,
porque uma coisa é sempre certa:
Deus não nos há-de faltar!!!

Marinha Grande, 21 de Outubro de 2017

Joaquim Mexia Alves
https://queeaverdade.blogspot.pt/2017/10/a-inclemencia-dos-homens.html

São Josemaría Escrivá nesta data em 1946

Reza diante da imagem de Nossa Senhora de la Merced, em Barcelona. Anos mais tarde dirá: “Pouco a pouco vai-se cumprindo o que tanto desejava naqueles anos quarenta, quando ia ajoelhar-me aos pés da Virgem na Basílica de la Merced e não poucas vezes também ante a imagem de Nossa Senhora de Montserrat, na sua Santa Montanha; quando falava então aos meus filhos dessa amadíssima cidade e lhes recordava as palavras de S. João: veritas liberavit vos (Jo 8, 32), a verdade far-vos-á livres”.

Bom Domingo do Senhor!

Tenhamos sempre a humildade de saber que nunca seremos capazes de O surpreender como arrogantemente pensaram os fariseus e os herodianos de que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 22, 15-21). Jesus Cristo Nosso Senhor a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo Deus tudo sabe e tudo conhece e portanto só um soberbo com uma visão estritamente terrena poderá pensar que O apanha desprevenido.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor!

«Inside information» (acesso a informação qualificada)

Uma esplêndida celebração dos 100 anos do milagre de Fátima foi a iniciativa de Bernardo Motta e da editora Principia de publicarem uma centena e meia de testemunhos de pessoas que assistiram ao milagre do sol, em Fátima, no dia 13 de Outubro de 1917. Estes e muitos outros documentos estão disponíveis em colecções mais completas, mas essas edições são tão extensas que o público tem dificuldade em as consultar e ocupam tantos volumes que não cabem na prateleira lá de casa.

Sem ser exaustivo, o livro de Bernardo Motta é uma síntese essencial sobre o milagre de 13 de Outubro. Não trata propriamente da mensagem nem das aparições, apenas do milagre. Depois de uma pequena introdução, interessante, sucedem-se os textos: cartas à família, descrições de académicos, textos de ortografia rudimentar, depoimentos de crentes e de cépticos, de jornalistas profissionais e de gente muito simples.

Provavelmente, quem lê esta centena e meia de relatos fica melhor informado que as próprias testemunhas oculares, porque cada uma tinha o seu ponto de vista, de local e de circunstâncias, e a imagem global é ainda mais rica e completa que todas as histórias pessoais. Algures na introdução, Bernardo Motta diz que quem quiser saber algo sobre o assunto tem de partir da experiência de quem lá esteve e viu. Este ponto, parece-me essencial.

As estimativas avaliam a multidão em várias dezenas de milhares. As fotografias do judeu Judah Ruah (na altura, a fotografia era uma técnica sofisticada, reservada a poucos) mostram uma massa humana que se estende até onde a fotografia consegue alcançar. Como se sabe, além do público que estava em Fátima, o milagre foi observado por algumas outras pessoas, dispersas num raio de uns 50 quilómetros.

Os pormenores das descrições são variados, mas os factos principais são claros. Com meses de antecedência, três crianças deram a notícia de que Nossa Senhora lhes tinha aparecido. Em Julho, disseram que Nossa Senhora lhes tinha prometido um milagre para o dia 13 de Outubro. Ninguém imaginou o que poderia ser, apenas que seria uma intervenção patente de Deus. No dia 13, chovia intensamente, o terreno estava enlameado e coberto de água. Por volta do meio-dia, uma das crianças pede ao povo que ajoelhe e feche os guarda-chuvas, o milagre está iminente. Corre a mensagem pela multidão e muitos ajoelham e fecham os guarda-chuvas; outros, mais prudentes, preferem manter-se abrigados e não se sujar na lama. Então, de repente, durante uns 8 a 10 minutos, vê-se o sol como um prato luminoso, que se pode fitar sem incómodo, mudar de cor, rodar no espaço, aproximar-se da Terra acompanhado por uma sensação de calor mais intenso. A luz não cegava, mas a radiação era forte, como se o Sol estivesse mais perto da Terra. Três vezes, elevou-se uma pequena coluna de nuvens do local onde estavam as três crianças, mas nada ardeu nem se formaram nuvens noutros locais. Ninguém da multidão viu Nossa Senhora, ou S. José, ou o Menino Jesus. No final, o sol voltou ao normal; os fatos que estavam encharcados ficaram secos e quem se ajoelhou na lama levantou-se com o fato limpo. É curioso que certas pessoas que preferiram não fechar o guarda-chuva e não ajoelhar, no fim estavam ensopadas e salpicadas de lama.

Só encontro umas mil explicações para o que aconteceu. Pode ter sido uma nuvem de insectos que tapou o sol a grande altura e reflectiu a sua luz às cores, em direcções variadas; pode ter sido uma conjunção de massas de ar quente e de massas de ar frio que formaram lentes de dimensão atmosférica e misturaram diversos arco-íris num baile alucinante de luz. Pode ter sido de várias maneiras, mas eu só consigo imaginar umas mil alternativas de explicação.

O que também é verdade é que nada disto acontece habitualmente. E ninguém consegue prever tais coincidências meteorológicas ou bio-meteorológicas, muito menos crianças iletradas. Menos ainda, alguém prevê uma coisa destas com meses de antecedência e anuncia o momento em que o espectáculo vai agora começar, sem haver um indício.

Para mim, é evidente que as crianças tiveram acesso a informação qualificada. Aliás, elas não o esconderam. Reconhecem que não foi dedução científica, foi simplesmente Nossa Senhora que lhe disse que aquilo ia acontecer.
José Maria C.S. André
22-X-2017
Spe Deus

«Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» (Sl 4,7)

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o Domingo e as festas dos santos


Do mesmo modo que essa moeda tem a imagem de César, também a nossa alma é feita à imagem da Santíssima Trindade, como diz o salmo: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» (Sl 4,7). […] Senhor, a luz da tua face, isto é, a luz da tua graça, que estabelece em nós a tua imagem e nos torna semelhantes a Ti, está impressa em nós, ou seja, está impressa na nossa razão, que é a potência mais elevada da nossa alma, e recebe essa luz como a cera recebe a marca de um sinete. A face de Deus é a nossa razão; pois, da mesma maneira que conhecemos cada um pela sua face, assim conhecemos a Deus pelo espelho da razão. Mas essa razão foi deformada pelo pecado do homem, pois o pecado torna o homem oposto a Deus. A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo diz aos Efésios: «Renovai o vosso espírito» (cf 4,23). O tema da luz, mencionado neste salmo, é, pois, a graça que restaura a imagem de Deus, impressa na nossa natureza. […]

Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança: pela memória, ele parece-se com o Pai; pela inteligência, parece-se com o Filho; pelo amor parece-se com o Espírito Santo. […] Quando foi criado, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26): sua imagem no conhecimento da verdade; sua semelhança no amor à virtude. A luz da face de Deus é, pois, a graça que nos justifica e revela de novo a imagem criada. Essa luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, tal como a imagem do imperador marca a moeda de prata. Por isso o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César.» Como se dissesse: da mesma forma que atribuís a César a sua imagem dai também a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz da sua face.

sábado, 21 de outubro de 2017

O inferno passou por aqui!

Não basta que um governante não roube, nem mate, porque também por omissão pode faltar gravemente aos seus deveres, se não fizer o que devia ter feito.

Um jornalista perguntou uma vez ao cardeal Lustiger, já falecido, se acreditava na condenação eterna. O então arcebispo de Paris respondeu afirmativamente, como era de esperar de um católico coerente, mas depois, surpreendentemente, explicou que acreditava no inferno porque já o tinha visto! Perplexo, o entrevistador perguntou-lhe onde o vira, ao que o prelado, de origem judia, respondeu: Em Auschwitz, Treblinka, Dachau, etc. Se fosse hoje, o cardeal parisiense poderia acrescentar mais alguns lugares, como Pedrógão Grande, Mação e todas as outras povoações portuguesas que foram pasto das chamas nestes últimos meses.

Depois da tragédia de Pedrógão, todos pensámos: Nunca mais! Não todos, a bem dizer: o primeiro-ministro disse que os fogos iriam continuar, a então ministra da administração interna, a quem corresponde a tutela dessa área da governação, aconselhou resiliência às populações e um seu secretário de Estado até se deu ao luxo de recomendar aos cidadãos uma atitude mais pró-activa… Ante esta indiferença e conformismo governativo, não é muito de espantar que, num só dia, tenha deflagrado meio milhar de incêndios, que causaram a morte a mais de quatro dezenas de pessoas indefesas, destruíram por completo os bens de muitas famílias, dizimaram várias povoações e consumiram extensas zonas de vegetação. Em menos de meio ano, há já mais de uma centena de vidas humanas a lamentar, por manifesta negligência das autoridades, cuja incompetência é apenas comparável à sua descoordenação técnica e ineficácia operacional, não obstante os heroicos esforços dos bombeiros e das populações.

Um atentado terrorista, ou um terramoto, não são previsíveis; um furacão, ou um tsunami, só podem ser detectados com algumas horas de antecedência; mas estes incêndios ocorreram precisamente na época em que todos os anos, infelizmente, acontecem e por isso, mais do que previsíveis, eram certos, se nada se fizesse para os evitar ou extinguir. Também se soube, com antecipação, que este mês de Outubro iria ser excepcionalmente quente, pelo que ninguém – muito menos o governo ou a protecção civil – pode agora alegar qualquer imprevisibilidade, nem o desconhecimento, ou a excepcionalidade, das circunstâncias meteorológicas, aliás comuns a outros países.

Ante a manifesta incompetência do executivo, sempre muito atento às sondagens sobre a sua popularidade, mas alheado das desgraças que afligem o país, o chefe de Estado protagonizou, pelo contrário, uma atitude notável. Não só cancelou todos os seus compromissos protocolares, como se pôs a caminho das zonas mais afectadas, para prestar às populações, ainda em estado de choque e justamente indignadas, um apoio de que urgentemente careciam. Talvez alguns possam pensar que essa manifestação de afecto pelas vítimas dos incêndios é meramente sentimental, mas a verdade é que o presidente da República se expôs a ser incompreendido pelos que tanto sofreram pela incúria do Estado de que ele é, afinal, o máximo representante. Coragem que, ao que parece, faltou ao primeiro-ministro, à demissionária ministra da administração interna ou aos seus secretários de Estado …

Mas o presidente da República não se ficou por uma atitude meramente afectiva: fazendo uso das suas prerrogativas constitucionais, falou à nação; responsabilizou o governo, ao qual exigiu um pedido de desculpas pela sua indesculpável negligência; e comprometeu o parlamento na urgência de uma solução, que seja uma resposta célere e eficaz a esta tragédia. Em termos pessoais e institucionais, o chefe de Estado não podia ter feito mais e, por isso, merece o reconhecimento nacional por este inestimável serviço que prestou a Portugal.

Não é por acaso que, na Bíblia, a condenação eterna é muitas vezes representada pelo flagelo do fogo. Na pregação de Jesus Cristo, é recorrente a comparação do inferno com a geena, a lixeira de Jerusalém onde os detritos eram queimados (cf. Mt 5, 29-30; 10, 28). Tomás de Aquino afirma que a imagem do fogo pode não ser meramente simbólica, na medida em que traduz de forma realista o imenso sofrimento dos condenados.

É significativo que, na parábola do juízo final (Mt 25, 31-46), não são os assassinos, os idólatras, os adúlteros, os avarentos ou os ladrões que são excluídos do céu. Quem são, então, os condenados ao inferno?! Não são os que fizeram o mal, mas os que não fizeram o bem que podiam e deviam ter feito: os que não deram de comer nem de beber aos famintos e sedentos; os que não receberam os peregrinos; os que não vestiram os nus; os que não visitaram os presos, nem os doentes. Não se condenaram pelo mal que praticaram, mas pelo bem a que estavam obrigados e que omitiram.

Foi agora tornada pública a acusação contra o anterior primeiro-ministro socialista, por mais de trinta crimes alegadamente cometidos no exercício das suas funções. Quero crer que o actual chefe do governo não incorre nas supostas culpas daquele seu predecessor e correligionário, de quem foi, por ironia do destino, ministro da administração interna. Mas não basta que um governante não roube, nem seja corrupto: também pode faltar gravemente aos seus deveres públicos por omissão do que devia ter feito e não fez. Se uma tal negligência for responsável pelas mais de cem vítimas mortais já verificadas, é certamente criminosa.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador

(seleção de imagem 'Spe Deus')