Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Haverá fé sobre a terra?...

Na última quarta-feira, 14 de Abril, o Papa retomou na audiência aos peregrinos «aquela pergunta dramática de Jesus, que nos faz sempre reflectir: “Quando vier o Filho do Homem, encontrará acaso fé sobre a terra?” (Lc 18, 8), ou só encontrará organizações, um grupo de “empresários da fé”, todos bem organizados, fazendo beneficência, muitas coisas...?».


O panorama mundial empresta realismo a esta pergunta dramática. É verdade que nunca houve tantas conversões e tantas vocações em muitas partes do mundo, mas todos os dias recebemos notícias de crises graves e, sobretudo na Europa, de cristãos que se afastam.


De um ponto de vista sociológico, o maior detonador desta desagregação é o divórcio. Um sujeito abandona a mulher; continua a ser católico mas começa a faltar à Eucaristia dominical; pergunta-se se este ou aquele ponto da doutrina fazem sentido mas não pede ajuda a quem sabe, vai acumulando dúvidas por esclarecer. Até que, como não está disposto a corrigir a situação, deixa suavemente de se sentir ligado à Igreja. Conserva uma noção vaga de Deus, mas já não é um Deus pessoal, é uma hipótese longínqua com quem é impossível falar. A seguir, talvez sem o próprio se dar conta, afunda-se numa derrocada completa e cada vez se convence mais de que não há solução. Nalguns casos, a certo ponto o desvario colectivo alavanca o vazio individual e brota um desejo agressivo e intolerante de refundar a Igreja em bases novas.


Este itinerário sociológico de quem se afasta tem uma certa sequência lógica, porque qualquer queda, sobretudo se é um resvalar gradual, tem uma dinâmica compreensível. Descer é fácil de explicar, especialmente porque a acção perseverante do Demónio empurra a debilidade humana. A mãozinha maléfica do Demónio sabe perfeitamente onde tem de actuar. O Papa Francisco tem-se referido muitas vezes às estratégias do Demónio, mas nesta quarta-feira foi particularmente explícito em relação a um ponto central:


— «Quando o Inimigo, o Maligno, quer combater a Igreja, fá-lo primeiro procurando secar as suas fontes, impedindo-a de rezar».


O Demónio até aceita a Igreja, desde que seja uma Igreja sem Deus, sem oração. Sobretudo nos países economicamente mais desenvolvidos, a sensação de superioridade intelectual alimenta o orgulho de refundar a Igreja sem importar como Cristo a instituiu. Quanto mais a pessoa está longe de Deus, tanto mais o atrevimento com que brotam estas propostas. Quanto mais descristianizado o país, tanto mais ousadas as propostas que de lá vêm.


— «Por exemplo, vemos isto em certos grupos que se põem de acordo para levar a cabo reformas eclesiais, mudanças na vida da Igreja... Têm muitas organizações, meios de comunicação que informam todos... Mas a oração não se vê. Não se reza. “Devemos mudar isto, temos de tomar esta decisão que é um pouco forte...”. (...) Apenas com debate, apenas com os meios de comunicação. Mas onde está a oração? A oração é que abre a porta ao Espírito Santo, que inspira a avançar. Sem oração, as mudanças na Igreja não são mudanças da Igreja, são mudanças de grupo. E quando o Inimigo —como já disse— quer lutar contra a Igreja, primeiro procura secar as suas fontes, impedindo-as de rezar e incitando-as a fazer este tipo de propostas».


O processo é quase sempre gradual. O Demónio prefere amolecer progressivamente a vontade e alimentar o orgulho. Perde pouco tempo a defender os vícios, infiltra-se. Prefere louvar a ignorância de quem se afasta de Deus: quanta ciência! Que inteligência fulgurante! Aqui está a luz do mundo!


Aos poucos, quase sem forçar, deixa-se a oração, essa relação forte e vital com Deus.


Diz o Papa:


— «Por algum tempo parece que tudo pode continuar como habitualmente —por inércia— mas depois de pouco tempo a Igreja compreende que se torna como que um invólucro vazio, que perdeu o seu eixo central, que já não possui a nascente do calor e do amor».


«Sem fé, tudo se desmorona; e, sem a oração, a fé extingue-se. Fé e oração, juntas. Não há outro caminho. Por isso a Igreja, que é casa e escola de comunhão, é casa e escola de fé e de oração».


José Maria C.S. André

Porquê tanta fragilidade?

«Porque é que actualmente parece que as crianças são mais frágeis?». Quem se faz esta pergunta é Leonard Sax no seu livro “The Collapse of Parenting”. Dedica todo um capítulo a responder a esta questão com muitos dados que procedem da sua experiência como médico e psicólogo.

Uma das causas mais importantes dessa fragilidade, diz ele, é a debilidade da relação entre pais e filhos. Se a relação que os pais têm com os seus filhos não se distingue daquela que eles têm com os seus amigos na escola, as crianças ficam frágeis.

Porquê?

Porque uma boa relação pai-filho é sólida e incondicional. Pelo contrário, as relações entre iguais, nessas idades, são frágeis por natureza.

As crianças agora necessitam do amor e aceitação incondicional dos seus pais tanto como há 30 anos. Mas, atenção: não podem obter isto nem dos seus iguais, nem do boletim de notas da escola, nem dos “likes” nas redes sociais.

Sem uma relação sólida com os pais, diz Sax, surge o culto pelo êxito, o meio mais rápido e eficaz para “impressionar” os outros e “triunfar” na vida.

Mas é precisamente este culto que põe os alicerces para que o edifício da autoestima se desmorone inexoravelmente quando aparece um fracasso. E o fracasso – não nos enganemos, nem enganemos os mais novos – chega sempre, mais tarde ou mais cedo.

E a disposição para o superar é uma demonstração de um carácter bem formado. Porque a aceitação do fracasso e o esforço por recomeçar são precisamente o contrário da fragilidade.

Quando as crianças estão seguras da aceitação incondicional dos seus pais, encontram a firmeza que os permite tentar, fracassar e recomeçar.

Pelo contrário, defende Sax, quando valorizam a opinião dos amigos por cima da estima incondicional dos pais, não são capazes de “digerir” um fracasso e, logicamente, tornam-se frágeis.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

sexta-feira, 2 de abril de 2021

A hora de Maria


A partir das 17h00 de Sábado Santo (fuso horário de Itália), algumas cadeias de televisão vão expor a imagem do Sudário de Turim, para acompanharmos Nossa Senhora enquanto esperava a Ressurreição de Jesus. Tradicionalmente, a Igreja dedica os sábados a Maria, em recordação desse sábado em que ela foi a única pessoa na Terra que teve fé na Ressurreição. Em face da violência da tortura e Morte de Jesus, os primeiros cristãos resistiam a pensar na Ressurreição, parecia-lhes que tudo tinha acabado. Só Maria manteve a serenidade suficiente para recordar o que Jesus tinha dito e repetido tantas vezes: que tinha de padecer muito, que tinha de morrer e que, ao terceiro dia, ressuscitaria.


O Sudário de Turim que vai ser mostrado na televisão é um lençol absolutamente único, com uma imagem extraordinária pelas características técnicas e, sobretudo, pela expressividade. No ano passado, o Papa escreveu no «Twitter»: «Este Rosto desfigurado pelas feridas comunica-nos uma grande paz. O seu olhar não busca os nossos olhos mas o nosso coração».


A imagem do Sudário é um conjunto de manchas ténues, que representa o cadáver deitado de Cristo, pela frente e por trás. Além disso, tem marcas de sangue e outras resultantes de acidentes. Ao fim de muitos séculos, esta imagem, de leitura difícil, quase imperceptível, foi revelada em 1898. Literalmente: foi «revelada» como uma película fotográfica, quando a fotografaram pela primeira vez em 1898.


Quando incide sobre uma película fotográfica, a luz escurece-a, enquanto as partes escuras se mantêm brancas ou transparentes. Isto é, o preto fica branco e o branco fica a preto. Assim, por causa desta inversão de luz, a fotografia com película exige duas etapas. Primeiro, capta-se a imagem «em negativo», isto é, a película fica com a iluminação invertida. A seguir, imprime-se o «negativo do negativo», ou seja, inverte-se o negativo, para a imagem ficar normal, com a luz a branco e a escuridão a preto. Esta imagem final chama-se o «positivo».



O curioso do Sudário de Turim é que, ao fim da primeira etapa fotográfica, que deveria ser o passo intermédio, se obteve uma imagem nítida e fácil de compreender, como se o lençol de Turim fosse uma pintura «em negativo».


Não podia ser uma pintura em negativo, porque ninguém fazia a inversão da luz antes de se inventar a química fotográfica. E, para maior surpresa, a imagem de Turim nem sequer é uma pintura. O lençol tem manchas, mas não há tinta, nem há desenho, é a própria superfície do tecido de linho que dá o tom às manchas. As manchas não impregnam os fios, nem se nota sobre eles qualquer pintura, por isso, as manchas não têm um carácter direccional, como as marcas do pincel numa pintura.


À medida que se estuda o Sudário de Turim, descobrem-se cada vez mais singularidades. Talvez por não estar pintada com tinta, a imagem não é afectada pela água, nem por reagentes químicos, nem sequer pelo calor.


O mais estranho, parece-me a mim, é que a imagem não só é um «negativo», como contém informação tridimensional: as tonalidades da cor dão a medida do relevo, de modo que se pode reconstruir a três dimensões a forma do cadáver representado no lençol. É que a imagem não é uma simples imagem visual, com zonas claras do lado da luz incidente e sombras do lado oposto: a cor é proporcional à distância do cadáver ao lençol, independentemente de estar do lado da luz ou do lado da sombra. Com um computador, fazem-se imagens deste tipo, mas como é que ela aparece num lençol com tantos séculos?


Os grãos microscópicos de pólen são fáceis de compreender. A polícia judiciária faz essas observações da roupa para determinar onde é que os sujeitos estiveram. No caso do lençol de Turim, dezenas de grãos de pólen remetem para a Terra Santa e alguns outros são de Turim ou de outros sítios onde o lençol esteve.


O Sudário de Turim impressiona por este tipo de pormenores difíceis de explicar e alguns deles impossíveis até de reproduzir com os meios técnicos actuais. A tradição garante que este lençol envolveu o Corpo morto de Cristo, «embrulhado num lençol com perfumes, à maneira dos judeus», como diz o Evangelho de S. João, e a palavra «sudário» por que é conhecido designa este tipo de lençol.



É bom continuar a investigar, mas podemos ir mais longe e, como diz o Papa no «Twitter», podemos pensar que o olhar de Jesus morto por nós na Cruz não busca os nossos olhos mas o nosso coração. O propósito da transmissão televisiva deste Sábado Santo é aprender a olhar Jesus com o olhar de fé de Maria, por isso o evento se chama a hora de Maria.

José Maria C.S. André

quinta-feira, 25 de março de 2021

A Anunciação do Senhor

Como nos encanta o episódio da Anunciação! Maria (quantas vezes o meditámos!) está recolhida em oração...; põe os seus cinco sentidos e todas as suas potências em diálogo com Deus... Na oração conhece a Vontade divina; e com a oração torna-a vida da sua vida. Não te esqueças do exemplo da Virgem! (Sulco 481)

Não esqueças, meu amigo, que somos crianças. A Senhora do doce nome, Maria, está recolhida em oração.

Tu és, naquela casa, o que quiseres ser: um amigo, um criado, um curioso, um vizinho... – Eu, por agora, não me atrevo a ser nada. Escondo-me atrás de ti e, pasmado, contemplo a cena:
O Arcanjo comunica a sua mensagem... – Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco? – Como se fará isso, se não conheço varão? (Lc 1, 34).

A voz da nossa Mãe traz à minha memória, por contraste, todas as impurezas dos homens..., as minhas também.

E como odeio, então, essas baixas misérias da terra!... Que propósitos!

Fiat mihi secundum verbum tuum.

– Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc I, 38). Ao encanto destas palavras virginais, o Verbo se fez carne.

Vai terminar a primeira dezena... Ainda tenho tempo para dizer ao meu Deus, antes de qualquer mortal: Jesus, amo-Te (Santo Rosário. Iº mistério gozoso)

S. Josemaría Escrivá

Anunciação do Senhor

Deus que, no decorrer dos séculos, tinha encarregado os profetas de transmitir aos homens a Sua palavra, ao chegar a plenitude dos tempos, determina enviar-lhes o Seu próprio Filho, o Seu Verbo, a Palavra feita Carne. Contudo, o Pai das misericórdias quis que a Incarnação fosse precedida da aceitação por parte daquela que Ele predestinara para Mãe, para que, «assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida « (Lumen Gentium, 56). No momento da Anunciação, através do Anjo Gabriel, Deus expõe a Maria os Seus desígnios. E Maria, livre, consciente e generosamente, aceita a vontade do Senhor a seu respeito, realizando-se assim o mistério da Incarnação do Verbo. Nesse momento, com efeito, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade começa a Sua existência humana. O filho de Deus faz-Se Filho do Homem. O Deus Altíssimo torna-Se o «Deus connosco». Ao celebrar este mistério, precisamente nove meses antes do Natal, a Solenidade da Anunciação orienta-nos já para o Nascimento de Cristo. No entanto, a Incarnação está intimamente unida à Redenção. Por isso, as Leituras (especialmente a segunda) introduzem-nos já no Mistério da Páscoa. Essencialmente festa do Senhor, a Anunciação não pode deixar de ser, ao mesmo tempo, ao mesmo tempo, uma festa perfeitamente mariana. Na verdade, foi pelo sim de Maria que a Incarnação se realização, a nova Aliança se estabeleceu e a Redenção do mundo pecador ficou assegurada.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)