Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 29 de maio de 2010

Não tenho figos!

Olha o meu tronco, forte, nodoso, retorcido pelos ventos e tempestades mas firme e estável.
Repara nos meus ramos, vê como se estendem á minha volta.
Observa bem a minha folhagem rica, lustrosa.
Dá-te conta da belíssima árvore que sou, frondosa, viva, imponente.

Que queres mais?

A minha sombra proporciona-te refrigério nas tardes de Estio.
Podes abrigar-te debaixo da minha frondosa copa nas tempestades de Inverno.

Ainda não estás satisfeito?

Olha, tenho alguns ramos secos que podes queimar numa fogueira para te aqueceres. Bastar-te-ão umas poucas folhas para fazeres um leito confortável para descansares o teu corpo fatigado.
É fácil subir pelo meu tronco até aos ramos mais altos, dali avistarás o caminho que perdeste e retomar, seguro, a viagem.

Mas... Não me ouves!? Que queres ainda!? Que procuras?

Frutos!!!

Não, não tenho frutos mas, é só por enquanto, logo, depois de crescer um pouco mais, dos meus ramos se estenderem mais longe e mais alto, da minha folhagem ser ainda mais frondosa e bela, então sim, poderei pensar em dar frutos. Serão à minha medida: grandes, suculentos, lustrosos, atraentes. Saciarão a fome, serão um prazer para o paladar.

Mas...queres frutos agora?

Não! Já te disse que, agora, não os tenho!

Mais tarde… talvez…

(AMA, dissertação sobre a Parábola da figueira, 2010.05.28)

Missionários credíveis para reevangelizar

O Cardeal Hummes, enviado especial do Papa, concluiu o Congresso eucarístico brasileiro

Para ser missionários credíveis é preciso saber bem o que anunciar, assim como para testemunhar a própria fé é necessário vivê-la primeiro. Não usa jogos de palavras o Cardeal Cláudio Hummes que, como enviado especial do Papa, concluiu, a 16 de Maio, o décimo sexto Congresso eucarístico brasileiro. "Cada um, segundo o seu estado e profissão, deve fazer a própria parte na missão de anunciar o Evangelho ao homem de hoje", disse o purpurado diante de milhares de pessoas reunidas em Brasília para os três dias do Congresso eucarístico nacional sobre o tema "Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários".

Será o tempo que irá estabelecer se foi alcançado o objectivo do Congresso "de renovar em todos os católicos do Brasil a identidade de discípulos de Jesus e, a partir desta experiência e prática constante, tornar-se seus missionários". Entretanto, segundo o cardeal, é preciso reacender quanto antes uma obra missionária da qual todos são "destinatários", mesmo se o primeiro lugar compete aos mais "pobres". De facto, "os pobres das periferias das cidades e do campo têm necessidade como nunca de sentir a proximidade da Igreja, quer na ajuda para as necessidades mais urgentes, quer na defesa dos seus direitos e na promoção comum de uma sociedade fundada na justiça e na paz". Também eram pobres os mártires brasileiros, assassinados em 1645, precisamente quando participavam na missa dominical: o cardeal indicou-os porque "não pertencem ao passado mas deveriam ser conhecidos melhor precisamente porque nos ajudariam a compreender e valorizar o domingo cristão".

Segundo o enviado do Papa, "o Congresso confirmou mais uma vez que a Eucaristia é fonte e centro da vida da Igreja e de cada cristão. Nestes dias, participando na Eucaristia e na adoração eucarística de modo mais intenso, pedimos a Cristo que desenvolva em cada um de nós a consciência de sermos seus discípulos, para nos tornarmos também seus missionários. De facto, a Eucaristia é a força do discípulo e da nossa acção na sociedade". E recordou também que para os cristãos "um domingo sem missa não é um domingo completo".

A Igreja está sempre em estado de missão, mas "hoje manifesta-se uma nova urgência. E esta nova missão tem como destinatários pessoas e povos que ainda não são cristãos, mas também os baptizados que já não participam da vida das suas comunidades ou que aderiram a outros credos ou até à total descrença".

Portanto, perante esta nova "urgência missionária, para ser bons missionários é preciso ser bons discípulos. E o discípulo só se forma no encontro pessoal e comunitário com Cristo". É esta a base para uma missão que se destina a todos, sem excluir ninguém. "Por vezes ouve-se dizer que não é importante a quantidade mas a qualidade das nossas comunidades. Errado! É verdade que as comunidades devem ser sempre mais preparadas, vivas e coerentes na fé, mas isto não é suficiente. É necessário levar o Evangelho a todos e não é suficiente conservar as comunidades que temos, mesmo se isto é importante".

Como Prefeito da Congregação para o Clero, exortou os sacerdotes a serem fiéis à sua missão específica. "Neste Ano sacerdotal disse é bom recordar também quanto são indispensáveis e insubstituíveis os presbíteros neste novo compromisso missionário. É claro que todos os cristãos devem ser missionários, mas os sacerdotes desempenham um papel especial, dando vida à missão no território da sua paróquia, escolhendo um grupo de leigos e leigas e formando-os para evangelizar, visitando as famílias". Dirigindo-se directamente aos sacerdotes brasileiros, disse que "a Igreja espera muito de cada um deles nesta missão urgente. Portanto, podeis ter também a certeza de que a missão vos ajudará a sentir-vos mais sacerdotes, a compreender melhor a vossa identidade e a ser mais felizes no vosso ministério. A missão precisa de todos vós. Sem vós, pouco ou nada acontecerá".

O Cardeal Hummes advertiu em seguida para não considerar o Congresso eucarístico um bonito acontecimento finalizado a si mesmo, que depressa é arquivado. Ao contrário, precisamente pela grande participação popular, tendo em primeira fila um laicado cada vez mais consciente e partícipe, deve constituir a rampa de lançamento para uma renovada e minuciosa acção missionária. "Precisamente a partir da Eucaristia conclusiva deste Congresso afirmou queremos ir resolutamente em missão. Mas estamos ao mesmo tempo conscientes de não poder fazer nada sem Jesus Cristo. Esta certeza tem uma ressonância particular neste momento no qual a Igreja está a viver uma crise difícil". Mas há também a consciência de que "tudo na Igreja se ordena para a Eucaristia e em volta da Eucaristia. É necessário, portanto, retomar com ímpeto a obra apostólica para procurar conduzir muitas outras pessoas para Cristo".

(© L'Osservatore Romano - 29 de Maio de 2010)

L'Osservatore Romano edição em língua portuguesa de 29-V-2010

Bento XVI - P. Mateus Ricci missionário falecido em Pequim há 400 anos - "síntese feliz entre o anúncio do Evangelho e o diálogo com a cultura local”


A 11 de Maio de 1610 terminava a vida terrena o “grande missionário, verdadeiro protagonista do anúncio do Evangelho na China” que foi o padre Mateus Ricci. Assinalando este quarto centenário, Bento XVI recebeu neste sábado de manhã, no grande Sala das Audiências, no Vaticano, milhares de peregrinos provenientes da diocese italiana de Macerata, terra - natal do famoso missionário jesuíta.

“A história das missões católicas compreende figuras de grande estatura pelo zelo e pela coragem de levar Cristo a terras novas, distantes, mas o P. Ricci é um caso singular de síntese feliz entre o anúncio do Evangelho e o diálogo com a cultura do povo ao qual o levava, um exemplo de equilíbrio entre clareza doutrinal e prudente acção pastoral”.

Bento XVI observou que a obra deste missionário apresenta “duas vertentes a não separar: a inculturação chinesa do anúncio evangélico e a apresentação à China da cultura e da ciência ocidentais”. Embora frequentemente tenham sido os aspectos científicos a suscitar mais interesse – reconheceu o Papa, contudo "há que não esquecer a perspectiva com a qual Padre Ricci entrou em relação com o mundo e a cultura da China: um humanismo que considera a pessoa inserida no seu contexto, cultivando os respectivos valores morais e espirituais, captando tudo o que de positivo se encontra na tradição chinesa e oferecendo a ocasião de a enriquecer com o contributo da cultura ocidental, mas sobretudo com a sapiência e a verdade de Cristo”.

O Padre Ricci – insistiu Bento XVI – não se desloca à China para ali levar a ciência e a cultura do Ocidente, mas sim para levar o Evangelho e para dar a conhecer Deus. “É precisamente ao mesmo tempo que leva o Evangelho que o P. Ricci encontra nos seus interlocutores o pedido de um confronto mais amplo, de tal modo que o encontro motivado pela fé, torna-se também diálogo entre culturas; um diálogo desinteressado, livre de intentos de poder económico ou político, vivido na amizade, que faz da obra do P. Ricci e dos seus discípulos um dos pontos mais altos e felizes na relação entre a China e o Ocidente”.

(Fonte: site Radio Vaticana)

Comentário ao Evangelho de Domingo feito por:

São João da Cruz (1542-1591), carmelita, Doutor da Igreja
Poema «Cantar da alma que folga em conhecer a Deus por fé», Obras completas, Edições Carmelo, 2005 p. 68

«Um só Deus, um só Senhor, não na unidade de uma só pessoa, mas na trindade de uma só natureza» (Prefácio)

Que bem sei eu a fonte que mana e corre
Mesmo sendo noite!

Aquela eterna fonte está escondida.
Bem eu sei onde tem sua guarida,
Mesmo sendo noite!

Sei que não pode haver coisa tão bela
E sei que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo sendo noite!

Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda a origem dela vem
Mesmo sendo noite!

O fundo dela, sei, não pode achar-se;
Jamais por ela a vau pode passar-se,
Mesmo sendo noite!

É claridade nunca escurecida
E sei que toda a luz dela é nascida,
Mesmo sendo noite!

Tão caudalosas são as suas correntes
Que céus e infernos regam, mais as gentes,
Mesmo sendo noite!

Nascida de tal fonte, esta corrente
Bem sei que é mui capaz e omnipotente,
Mesmo sendo noite!

Das duas a corrente que procede
Sei que nenhuma delas antecede,
Mesmo sendo noite!

Aquela eterna fonte está escondida
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo sendo noite!

Aqui está chamando as criaturas:
Desta água se saciem, e ás escuras,
Porque é de noite!

É esta a viva fonte que desejo
E neste pão de vida é que eu a vejo,
Mesmo sendo noite!

(Fonte: Evangelho Quotidiano)