Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
segunda-feira, 8 de março de 2021
S. João de Deus, †1550
sexta-feira, 5 de março de 2021
Quatro dias de susto
Sexta-feira dia 5, o Papa saiu de Roma para uma viagem de pouco mais de três dias ao Iraque. João Paulo II quis ir lá, há 21 anos, mas o pedido foi rejeitado pelo Governo da época.
A agenda de Francisco inclui
obviamente a capital, Bagdad, mas também numerosas outras cidades. Entre elas, cidades
martirizadas como Mosul, Qaraqosh e Erbil, onde os cristãos sofreram muito. Nos
últimos anos, milhares foram mortos e uma multidão imensa teve de fugir à
pressa para salvar a vida, perseguida pelo chamado «Estado Islâmico». Neste
momento, restam poucos, do milhão e meio de católicos que havia em 2003, quando
Saddam Hussein foi deposto. A primeira intenção do Papa é encorajar os
sobreviventes e dizer à igreja do Iraque, tão duramente provada, que não é secundária,
que faz parte da Igreja universal.
Outro objectivo é contactar com
os muçulmanos e para isso tem encontros ecuménicos e vai à cidade de Najaf falar
com o Grande Ayatollah Ali al-Sistani. Espera-se que este encontro produza bons
frutos, como aconteceu em 2019 com Ahmed al-Tayeb, o Grande Imã de al-Azhar (Cairo),
que subscreveu com o Papa uma declaração histórica acerca da fraternidade
humana.
Na região fala-se uma língua
próxima da de Nosso Senhor e a cidade de Ur é a origem do povo judeu. Abraão
vivia bem instalado na grande Ur dos caldeus quando Deus lhe pediu que se
pusesse em marcha, que abandonasse o património e os direitos adquiridos, o
apoio da família, as garantias de segurança pessoal e económica e se pusesse a
caminho de forma absolutamente singular, como Deus lhe havia de indicar.
Não era só uma questão de coragem, a proposta de se lançar no vazio só fazia sentido na base de uma confiança inabalável em Quem o convidava. Porque Abraão não foi um conquistador, cobiçando mais terras, Abraão será sempre, até ao final dos seus dias, um forasteiro, um vagabundo do espaço aberto em que o deixam habitar. Aproximando-se o fim da vida, compra aos hititas uma sepultura, onde enterra a mulher, Sara, e onde, mais tarde, o enterraram a ele, e depois o filho e as mulheres do filho. Abraão também não é um nómada no sentido habitual. Ele vive sem um chão próprio porque o seu chão é Deus.
Toda a vida de Abraão é um
diálogo intenso entre a generosidade de Deus e a generosidade de Abraão.
Sara era estéril e de idade muito
avançada, de modo que a família parecia caminhar para a extinção. No entanto,
Deus, em quem Abraão confiava, disse-lhe «olha para o Céu e vê se consegues
contar as estrelas» e acrescentou: «assim será a tua descendência» (Gen 15, 5).
De facto, nasceu Isaac.
Deus pede-lhe então que ofereça
Isaac em sacrifício e, mais uma vez, Abraão, mesmo sem compreender o plano de
Deus, confia. Sobe com Isaac ao monte Moriá (em Salém, actual Jerusalém) para
imolar o filho e aí lhes aparece um Anjo segurando a mão de Abraão e
garantindo-lhe, da parte de Deus, uma linhagem numerosa. Renova-se a promessa,
cada vez mais ampla:
— «Juro por Mim mesmo —oráculo do
Senhor— (...) que na tua descendência
serão abençoados todos os povos da terra, porque obedeceste à minha voz» (Gen
22, 16.18).
As sucessivas alianças de Deus
com Abraão são a resposta cada vez mais magnânima de Deus à generosidade cada
vez mais completa de Abraão. Olhando em perspectiva a vida deste homem, o
próprio Deus reconhece que tem uma espécie de dívida de amor para com ele:
— «Eu sou o Senhor teu Deus, que
te fez sair de Ur dos Caldeus» (Gen 15, 7).
Este Zigurate, na cidade
de Ur dos caldeus, data do IIIº milénio antes de Cristo. Fazia parte de um
complexo grandioso de templos e palácios desta enorme cidade.É nesta Ur dos Caldeus que Francisco irá falar de Jesus Cristo, descendente de Isaac, descendente de Abraão.
As viagens de um Papa são sempre
arriscadas, mas esta é mais que todas. A Igreja, de coração apertado, está a acompanhar
Francisco e não vamos respirar fundo enquanto o avião não aterrar de novo no
aeroporto de Roma. O Papa conta com as orações de todos (Bento XVI anunciou que
ficou em casa a rezar por esta importantíssima viagem) e Francisco fez questão
de pedir a Nossa Senhora que o acompanhe: como símbolo, leva consigo a imagem
de Nossa Senhora do Loreto e, antes de partir, como sempre, foi à basílica de
Santa Maria Maior, a mais importante basílica dedicada a Nossa Senhora, deixar
o seu destino nas mãos de Maria.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
21 mortos na praia
Na segunda-feira, 15 de Fevereiro, o Papa difundiu uma vídeo-mensagem em memória dos 21 mártires coptas assassinados pelo ISIS na Líbia há seis anos (15 de Fevereiro de 2015).
O ISIS (iniciais de «Islamic State of Iraq and Syria») é uma organização terrorista constituída na sequência da invasão do Iraque em 2003 que, por sua vez, foi uma resposta aos atentados de 2001 contra as Torres Gémeas nos EUA. Os 21 trabalhadores mortos, a maior parte originários de uma pequena aldeia do Egipto, foram apanhados nesta espiral de vinganças e acabaram decapitados à vista de todo o mundo. De facto, os executores quiseram dar publicidade à sua façanha: alinharam as vítimas na praia de Sirte, amarrados e ajoelhados, e transmitiram a cena para todo o mundo. A um deles, da África Ocidental, ofereceram com insistência a liberdade se renegasse a fé, mas ele respondeu calmamente que era cristão. Hoje em dia, pode assistir-se a um martírio pela internet...
Na vídeo-mensagem de segunda-feira,
Francisco abriu o coração, falando sem papéis. Referiu a brutalidade do ISIS
mas apenas para sublinhar a fé dos que deram a vida por Cristo. A Igreja não
guarda uma lista de agravos, mas cuida com amor da memória dos que são fiéis.
Agradece a Deus o dom desta lealdade e confia em que os amigos que temos no Céu
nos aproximem cada vez mais de Deus. Disse o Papa:
— «Agradeço a Deus ter-nos dado
estes irmãos corajosos. Agradeço ao Espírito Santo que lhes deu a força e a
coerência de confessarem Jesus Cristo até darem o sangue por Ele».
— «Agradeço às mães destes 21
homens que “aleitaram” a sua fé: são as mães do povo santo de Deus que
transmitem a fé “em dialecto próprio”, um dialecto que está para além das
línguas, o dialecto das pertenças».
O Patriarca copto ortodoxo
Tawadros II e o Primado anglicano Justin Welby quiseram juntar-se ao Papa na
comemoração destes 21 mártires, porque há um atractivo extraordinário na
rectidão dos mártires, que ultrapassa as diferenças doutrinais e nos une apesar
delas. João Paulo II falou magistralmente deste poder de convicção na sua
Encíclica «Fides et ratio». E várias vezes, João Paulo II afirmou que «o
testemunho daqueles que confessaram Cristo até derramarem o seu sangue por Ele se
tornou um património comum dos católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes»
(Carta apostólica «Tertio millennio adveniente», 37).
Na vídeo-mensagem, Francisco
disse que os 21 mártires da Líbia «são santos nossos, santos de todos os cristãos,
santos de todas as confissões e tradições cristãs». Referindo-se a uma imagem
do livro do Apocalipse, acrescentou: «Eles lavaram de branco a sua vida com o
sangue do Cordeiro, pertencem ao povo de Deus, ao povo fiel de Deus».
O facto de serem coptos, uma
comunidade cristã não inteiramente unida à Igreja católica, não nos impede de
os sentir como próprios e de os tomar como exemplo. Talvez por isso, o Papa
tenha querido manifestar a sua proximidade com «o santo povo fiel de Deus que,
na sua simplicidade, com a sua coerência e com as suas incoerências, com as
graças e os pecados, mantém a confissão de Jesus Cristo». Sim, porque realmente
este povo santo tem as suas coerências e incoerências, as suas graças e pecados:
junta a fragilidade humana com o fruto da acção divina.
Ao canonizar os mártires do Uganda
em 1964, Paulo VI quis lembrar que morreram juntamente católicos e anglicanos. João
Paulo II sublinhou o mesmo, quando visitou os santuários católico e anglicano
de Namugongo e, mais recentemente, Francisco, quando lá esteve. Estes mártires
realizam um fecundo «ecumenismo do sangue».
Os mártires ugandeses, que
morreram por rejeitarem os convites impuros de um rei homossexual, têm alguma
relação com o nosso presente: como o tribunal deu razão à família de Famalicão,
que não quer que os filhos sejam sexualmente doutrinados pela escola, o Governo
recorreu da sentença, para que, se os pais mantiverem a sua posição, os filhos
tenham de recuar três anos na escola. Crianças que tiveram a classificação
máxima em todas as disciplinas, exceptuando esta!
domingo, 14 de fevereiro de 2021
14 de fevereiro no Opus Dei - grande surpresa e alegria
sábado, 6 de fevereiro de 2021
10 Razões civis contra a Eutanásia | D. José Tolentino de Mendonça
1. A vida tem, desde o seu princípio ao seu fim natural, a mesma dignidade absoluta que deve ser salvaguardada e protegida. Os grandes textos civis e sagrados, médicos e filosóficos que são a matriz das nossas sociedades, e formam a nossa consciência moral, recordam-no incessantemente. Ir contra o primado da vida é atentar contra a humanidade de todos os seres humanos.
2. Não é o primado da vida que tem de estar sujeito às circunstâncias (económicas, políticas, culturais, etc.) de cada tempo, mas sim as circunstâncias que devem estar ao serviço incondicional do primado da vida. A verdadeira missão que compete à política é o suporte infatigável à vida.
3. Nenhuma vida vale mais do que outra. Nenhuma vida vale menos. A vida dos fracos vale tanto como a dos fortes. A vida dos pobres vale o mesmo que a dos poderosos. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis. Passar a ideia de que há vidas que, em determinadas situações, podem valer menos do que outras é um princípio que conflitua com os valores universais que nos regem.
4. O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade. Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão. É fundamental dizer, por palavras e gestos, que “nenhum homem é uma ilha”.
5. Recordo o que me contou, emocionada, uma voluntária que trabalha há anos numa unidade oncológica: “O que me faz mais impressão é o número de pessoas que morrem completamente sós.” Devia-nos impressionar a todos a desproteção familiar e social que tantos dos nossos contemporâneos experimentam precisamente na hora em que se deveriam sentir sustentados pela presença e pelo amor dos seus. A solução não é avançar para medidas extremas como a eutanásia, mas inspirar modelos de maior coesão, favorecendo práticas solidárias em vez de deixar correr a indiferença e o descarte.
6. Por trás da vontade de morrer subjaz sempre uma vontade ainda maior de viver, que não podemos não ouvir. Claro que a vida dá trabalho. Que o serviço à vida frágil, à vida na sua nudez implica muitos sacrifícios e uma dedicação que parece maior do que as nossas forças. Mas coisa nenhuma é mais elevada do que essa. Talvez em vez dos heróis que sonambulamente festejamos, as nossas sociedades deveriam colocar os olhos no verdadeiro heroísmo: o heroísmo daqueles que enfrentam o caminho do sofrimento; o heroísmo daqueles que se dedicam ao cuidado dos outros como testemunhas de um amor incondicional.
7. As nossas sociedades têm de se perguntar se já fizeram tudo o que podiam fazer para promover e amparar a vida, sobretudo a daqueles que são mais frágeis.
8. Os paradigmas de felicidade da sociedade de consumo são paraísos artificiais talhados à medida do indivíduo, que passa a preocupar-se apenas por si mesmo e que se apresenta como o seu começo e o seu fim. Em nome dessa felicidade assiste-se facilmente ao triunfo do egoísmo. Porém, a pergunta ancestral “onde está o teu irmão?” será sempre um limiar inescusável na construção da felicidade autêntica.
9. Àqueles que, movidos pelos melhores sentimentos, veem na eutanásia um passo em frente da nossa civilização recomendo a leitura do conto de James Salter intitulado “A Última Noite” (Porto Editora, 2016). Tem razão quem escreveu que a literatura é uma lente para olhar o humano.
10. Diga-se o que se disser, a vida é a coisa mais bela.







