Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
domingo, 14 de fevereiro de 2021
14 de fevereiro no Opus Dei - grande surpresa e alegria
sábado, 6 de fevereiro de 2021
10 Razões civis contra a Eutanásia | D. José Tolentino de Mendonça
1. A vida tem, desde o seu princípio ao seu fim natural, a mesma dignidade absoluta que deve ser salvaguardada e protegida. Os grandes textos civis e sagrados, médicos e filosóficos que são a matriz das nossas sociedades, e formam a nossa consciência moral, recordam-no incessantemente. Ir contra o primado da vida é atentar contra a humanidade de todos os seres humanos.
2. Não é o primado da vida que tem de estar sujeito às circunstâncias (económicas, políticas, culturais, etc.) de cada tempo, mas sim as circunstâncias que devem estar ao serviço incondicional do primado da vida. A verdadeira missão que compete à política é o suporte infatigável à vida.
3. Nenhuma vida vale mais do que outra. Nenhuma vida vale menos. A vida dos fracos vale tanto como a dos fortes. A vida dos pobres vale o mesmo que a dos poderosos. A vida dos doentes tem um valor idêntico à vida dos saudáveis. Passar a ideia de que há vidas que, em determinadas situações, podem valer menos do que outras é um princípio que conflitua com os valores universais que nos regem.
4. O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade. Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão. É fundamental dizer, por palavras e gestos, que “nenhum homem é uma ilha”.
5. Recordo o que me contou, emocionada, uma voluntária que trabalha há anos numa unidade oncológica: “O que me faz mais impressão é o número de pessoas que morrem completamente sós.” Devia-nos impressionar a todos a desproteção familiar e social que tantos dos nossos contemporâneos experimentam precisamente na hora em que se deveriam sentir sustentados pela presença e pelo amor dos seus. A solução não é avançar para medidas extremas como a eutanásia, mas inspirar modelos de maior coesão, favorecendo práticas solidárias em vez de deixar correr a indiferença e o descarte.
6. Por trás da vontade de morrer subjaz sempre uma vontade ainda maior de viver, que não podemos não ouvir. Claro que a vida dá trabalho. Que o serviço à vida frágil, à vida na sua nudez implica muitos sacrifícios e uma dedicação que parece maior do que as nossas forças. Mas coisa nenhuma é mais elevada do que essa. Talvez em vez dos heróis que sonambulamente festejamos, as nossas sociedades deveriam colocar os olhos no verdadeiro heroísmo: o heroísmo daqueles que enfrentam o caminho do sofrimento; o heroísmo daqueles que se dedicam ao cuidado dos outros como testemunhas de um amor incondicional.
7. As nossas sociedades têm de se perguntar se já fizeram tudo o que podiam fazer para promover e amparar a vida, sobretudo a daqueles que são mais frágeis.
8. Os paradigmas de felicidade da sociedade de consumo são paraísos artificiais talhados à medida do indivíduo, que passa a preocupar-se apenas por si mesmo e que se apresenta como o seu começo e o seu fim. Em nome dessa felicidade assiste-se facilmente ao triunfo do egoísmo. Porém, a pergunta ancestral “onde está o teu irmão?” será sempre um limiar inescusável na construção da felicidade autêntica.
9. Àqueles que, movidos pelos melhores sentimentos, veem na eutanásia um passo em frente da nossa civilização recomendo a leitura do conto de James Salter intitulado “A Última Noite” (Porto Editora, 2016). Tem razão quem escreveu que a literatura é uma lente para olhar o humano.
10. Diga-se o que se disser, a vida é a coisa mais bela.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
O preço da santidade
No dia 21 de Janeiro, com o decreto de reconhecimento das virtudes heróicas, o Papa Francisco deu um passo decisivo para a canonização do Prof. Jérôme Lejeune, o mais importante geneticista do século XX.
O elemento essencial de um processo
de canonização é este reconhecimento de que a pessoa é santa, no sentido mais
forte da expressão. Para o averiguar, equipas de especialistas da diocese e da
Santa Sé levam a cabo uma investigação histórica muito completa. Se a pessoa
tem grandes qualidades, mas não se distinguiu por uma santidade «heróica», como
lhe chama a Santa Sé, o processo termina logo. Se a investigação evidencia uma
dedicação verdadeiramente extraordinária, a Deus e aos outros, o Papa, apoiado
no parecer de várias equipas de consultores, manda publicar o decreto das
virtudes heróicas e o processo de canonização segue para a fase final.
Embora Jérôme Lejeune tenha sido
um dos cientistas mais brilhantes do século XX e o mais destacado no campo da
genética médica, esse aspecto não foi directamente tido em conta na análise das
suas virtudes. Por exemplo, a sua inteligência extraordinária não o ajudou e teria
sido um obstáculo para concluir positivamente o processo se ele tivesse sido
preguiçoso e não a tivesse feito render devidamente. Igualmente, essa
capacidade intelectual seria um obstáculo se o tivesse levado ao orgulho.
O processo histórico que analisou
as virtudes heróicas de Jérôme Lejeune também não se apoia no facto de ele ter
sido duramente perseguido e prejudicado na sua carreira profissional pelos
interesses ligados ao aborto. O facto de alguém ser vítima de grandes
injustiças não implica santidade e pode até deixar nela algum rancor. Neste
caso, ficou demonstrado que os atropelos de que este cientista extraordinário foi
vítima não o transformaram numa pessoa amarga ou ressentida.
Depois dos mártires do nazismo e
do comunismo, a indústria do aborto foi talvez a maior causa de injustiças e de
obstáculos ao progresso da ciência em todo o século XX. Também em Portugal, os
abortistas fanáticos conseguiram expulsar dos hospitais do Estado vários
médicos que se recusaram a colaborar com o aborto e, noutros países, cientistas
de grande categoria foram igualmente perseguidos.
Causar a morte deveria repugnar,
por isso muitas pessoas pensam que há qualquer coisa de demoníaco nesta
atracção pelo aborto, pela tortura e, mais recentemente, pela eutanásia. Independentemente
do papel que o demónio possa ter nesta atracção depravada, não podemos esquecer
que o aborto junta o interesse económico dos capitalistas sem escrúpulos com a
cultura do sexo promovida pelas correntes políticas decadentes: o resultado é a
catástrofe ética a que assistimos nalgumas sociedades ocidentais.
O Papa escolheu o dia 21 de Janeiro para ordenar a publicação do decreto das virtudes heróicas do Prof. Jérôme Lejeune por ser o aniversário da descoberta do mistério da Trissomia 21 (também conhecida como síndrome de Down, ou mongolismo), um dos mais extraordinários êxitos científicos de Lejeune.
Num primeiro momento, as descobertas
científicas do Prof. Lejeune geraram entusiasmo por todo o mundo mas, quando se
soube que ele rejeitava a morte de crianças e de adultos, o «lobby» abortista
entrou em acção. Perseguido pelos Governos de direita e por interesses
capitalistas corruptos, ameaçado de morte pelos revolucionários que pretendiam
generalizar o aborto, Jérôme Lejeune não cedeu.
No seu caso, a santidade teve um
preço muito elevado, mas Lejeune nunca cedeu.
Por contraste, a sua vida deixou
um fruto imenso. Tratou milhares de doentes, chegados à sua consulta vindos de
todo o mundo. Ficaram para a posteridade as suas descobertas científicas
notáveis. Deixou uma inspiração forte a todos aqueles que têm de defrontar os
interesses obscuros da cultura da morte. E, melhor que tudo isso (é essa a
opinião do Papa Francisco) Lejeune reza intensamente por todos nós junto de
Deus.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
S. Tomás de Aquino (1225-1274) – Dominicano e grande figura da teologia

Frei Tomás: o "boi mudo"
![]() |
| S. Tomás de Aquino |






