Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 18 de julho de 2020

Que sejais meninos que desejam a palavra de Deus

A nossa vontade, com a graça, é omnipotente diante de Deus. – Assim, à vista de tantas ofensas ao Senhor, se dissermos a Jesus, com vontade eficaz, indo no "eléctrico" por exemplo: "Meu Deus, quereria fazer tantos actos de amor e desagravo quantas as voltas de cada roda deste carro", naquele mesmo instante, diante de Jesus, tê-Lo-emos realmente amado e desagravado conforme o nosso desejo. Esta "ingenuidade" não esta fora da infância espiritual; é o eterno diálogo entre a criança inocente e o pai, doido pelo seu filho: – Quanto me queres? Diz lá! – E o miudito diz, marcando as sílabas: muitos milhões! (Caminho, 897)

Na vida interior, a todos nos convém ser quasi modo geniti infantes, como esses miuditos que parecem de borracha, que se divertem até com os seus trambolhões, porque imediatamente se põem de pé e continuam com as suas correrias e também porque não lhes falta, quando é precisa, a consolação dos pais.

Se procurarmos portar-nos como eles, os tropeções e os fracassos – aliás inevitáveis – na vida interior, nunca se transformarão em amargura. Reagiremos com dor, mas sem desânimo, e com um sorriso que brota, como a água límpida, da alegria da nossa condição de filhos desse Amor, dessa grandeza, dessa sabedoria infinita, dessa misericórdia, que é o nosso Pai. Aprendi durante os meus anos de serviço ao Senhor a ser filho pequeno de Deus. E isto vos peço: que sejais quasi modo geniti infantes, meninos que desejam a palavra de Deus, o pão de Deus, o alimento de Deus, a fortaleza de Deus para se comportarem de agora em diante, como homens cristãos. (Amigos de Deus, 146)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 19 de julho de 2020

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Porém, enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e foi-se. Tendo crescido a erva e dado fruto, apareceu então o joio. Chegando os servos do pai de família, disseram-lhe: “Senhor, porventura não semeaste tu boa semente no teu campo? Donde veio, pois, o joio?”. Ele, respondeu-lhes: “Foi um inimigo que fez isto”. Os servos disseram-lhe: “Queres que vamos e o arranquemos?”. Ele respondeu-lhes: “Não, para que talvez não suceda que, arrancando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiramente o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro”». Propôs-lhes outra parábola, dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes, mas, depois de ter crescido, é maior que todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha até que tudo esteja fermentado». Todas estas coisas disse Jesus ao povo em parábolas; e não lhes falava sem parábolas, a fim de que se cumprisse o que estava anunciado pelo profeta, que diz: “Abrirei em parábolas a Minha boca, publicarei as coisas escondidas desde a criação do mundo”». Então, despedido o povo, foi para casa, e chegaram-se a Ele os Seus discípulos, dizendo: «Explica-nos a parábola do joio no campo». Ele respondeu: «O que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do Maligno. O inimigo que o semeou é o demónio. O tempo da ceifa é o fim do mundo. Os ceifeiros são os anjos. De maneira que, assim como é colhido o joio e queimado no fogo, assim acontecerá no fim do mundo. O Filho do Homem enviará os Seus anjos e tirarão do Seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então resplandecerão os justos como o sol no reino de seu Pai. O que tem, ouvidos para ouvir, oiça.

Mt 13, 24-43

Reino de Deus e reino de César

Esta distinção entre o reino de Deus e o de César está na origem do conceito de liberdade que se desenvolveu na Europa, no Ocidente.

Implica que a religião oferece ao homem uma visão para a vida inteira, não apenas para a vida espiritual. Mas a instituição religiosa não é totalitária, antes encontra-se limitada pelo Estado. E o Estado não pode pretender controlar tudo, porque por sua vez está limitado pela liberdade religiosa. O Estado não é tudo, e a Igreja, neste mundo, não é tudo. Entendida neste sentido, a laicidade é profundamente cristã. A hostilidade dos nazis para com o cristianismo, especialmente para com o catolicismo, fundava-se na ideia de que o Estado é tudo.

Mas se laicismo significa que na vida pública não há lugar para Deus, então estamos diante de um grave erro. As instituições políticas e as instituições religiosas têm âmbitos que lhes são próprios. Os valores fundamentais da fé, porém, devem manifestar-se publicamente, não por meio da força institucional da Igreja, e sim por meio da força da sua verdade interior. Quando o laicismo pretende excluir a religião, comete uma mutilação do ser humano.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘L’abolition de l’homme’)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Estas crises mundiais são crises de santos

Chegou para nós um dia de salvação, de eternidade. Uma vez mais se ouvem os assobios do Pastor Divino, as suas palavras carinhosas: "Vocavi te nomine tuo". - Chamei-te pelo teu nome. Como a nossa mãe, Ele convida-nos pelo nome. Mais: pelo apelativo carinhoso, familiar. Lá, na intimidade da alma, chama, e é preciso responder: "Ecce ego, quia vocasti me". Aqui estou, porque me chamaste; decidido a que desta vez não passe o tempo como a água sobre os seixos rolados, sem deixar rasto. (Forja, 7)

Todos os que aqui estamos fazemos parte da família de Cristo, porque Ele mesmo nos escolheu antes da criação do mundo, por amor, para sermos santos e imaculados diante dele, o qual nos predestinou para sermos seus filhos adoptivos por meio de Jesus Cristo para sua glória, por sua livre vontade. (...)
A meta que proponho - ou melhor, a que Deus indica a todos - não é uma miragem ou um ideal inatingível: podia contar-vos tantos exemplos concretos de mulheres e de homens correntes, como vocês e como eu, que encontraram Jesus que passa quasi in occulto pelas encruzilhadas aparentemente mais vulgares e decidiram segui-lo, abraçando com amor a cruz de cada dia. Nesta época de desmoronamento geral, de concessões e de desânimos, ou de libertinagem e de anarquia, parece-me ainda mais actual aquela convicção simples e profunda que, no princípio da minha actividade sacerdotal e sempre, me consumiu em desejos de comunicar à humanidade inteira: estas crises mundiais são crises de santos. (...)
Vida interior: é uma exigência do chamamento que o Mestre fez à alma de todos. Temos de ser santos - di-lo-ei com uma expressão castiça - da cabeça aos pés: cristãos de verdade, autênticos, canonizáveis; se não, fracassámos como discípulos do único Mestre. Pensem também que Deus, ao reparar em nós, ao conceder-nos a sua graça para lutarmos por alcançar a santidade no meio do mundo, nos impõe também a obrigação do apostolado. (Amigos de Deus, 2-5)

Sâo Josemaria Escrivá

A santidade

E fixo-me agora noutra das notas características da Igreja: a santidade. Bento XVI, para nos ajudar a fruir desta realidade, indicava que, ao longo deste ano, «será decisivo voltar a percorrer a história da nossa fé, que contempla o mistério insondável da encruzilhada da santidade com o pecado» [4]. Refletir sobre a santidade da Igreja, manifestada na sua doutrina, nas suas instituições, em tantas filhas e filhos seus ao longo da história, levar-nos-á a uma profunda ação de graças ao Deus três vezes santo, fonte de toda a santidade, a saber que estamos contidos na manifestação de amor da Santíssima Trindade por nós: como recorremos diariamente a cada Pessoa divina? Sentimos a necessidade de as amar, distinguindo cada uma?

Ao expor a natureza da Igreja, o Concílio Vaticano II destaca três aspectos nos quais o seu mistério se exprime com maior propriedade: o Povo de Deus, o Corpo Místico de Cristo, o Templo do Espírito Santo; e o Catecismo da Igreja Católica desenvolve-os amplamente [5]. Reverbera em cada um a nota da santidade, que, tal como as restantes notas, distingue a Igreja de qualquer agrupamento humano.

A denominação Povo de Deus remete para o Antigo Testamento. Yahvé escolheu Israel como seu povo peculiar, como anúncio e antecipação do definitivo Povo de Deus, que Jesus Cristo iria estabelecer mediante o sacrifício da Cruz. Vós sois linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido em propriedade, para que apregoeis as maravilhas d’Aquele que vos chamou das trevas à sua admirável luz [6]. Gens Sancta, povo santo, composto por criaturas com misérias. Esta aparente contradição marca um aspecto do mistério da Igreja. A Igreja, que é divina, é também humana, porque está formada por homens e os homens têm defeitos: omnes hómines terra et cinis (Sir 17, 31), todos somos pó e cinza [7].

Esta realidade deve levar-nos à contrição, à dor de amor, à reparação, mas nunca ao desalento ou ao pessimismo. Não esqueçamos que o próprio Jesus comparou a Igreja com um campo em que crescem juntos o trigo e o joio; com uma rede de arrasto que apanha peixes bons e maus e que só no final dos tempos se fará a separação definitiva entre uns e outros [8]. Ao mesmo tempo, consideremos que já agora, na terra, o bem é maior que o mal, a graça mais forte que o pecado, ainda que a sua ação seja por vezes menos visível. Mas acontece que a santidade pessoal de tantos fiéis - dantes e de agora - não é uma coisa aparatosa. É frequente que não a descubramos nas pessoas normais, correntes e santas, que trabalham e convivem no meio de nós. Para um olhar terreno o pecado e as faltas de fidelidade, ressaltam mais; chamam mais a atenção [9]. Nosso Senhor quer que os seus filhos e filhas no Opus Dei, e tantos outros cristãos, recordem a todos os homens e mulheres que receberam essa vocação para a santidade e hão de esforçar-se por corresponder à graça e ser pessoalmente santos [10].

[4]. Bento XVI, Carta apost. Porta fídei, 11-X-2011, n. 13.
[5]. Cfr. Catecismo da Igreja Católica, nn. 781-810.
[6]. 1 Pe 2, 9.
[7]. S. Josemaria, Homilia Lealdade à Igreja, 4-VI-1972.
[8]. Cfr. Mt 13, 24-30; 47-50.
[9]. S. Josemaria, Homilia Lealdade à Igreja, 4-VI-1972.
[10]. S. Josemaria, Homilia Lealdade à Igreja, 4-VI-1972.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de agosto de 2013)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei