Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 13 de junho de 2020

Tens de ir ao passo de Deus; não ao teu

Dizes-me que sim, que estás firmemente decidido a seguir Cristo. – Então tens de ir ao passo de Deus; não ao teu! (Forja, 531)

– Qual é o fundamento da nossa fidelidade?

– Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...

Um homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma, ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)

Na vida interior, como no amor humano, é preciso ser perseverante.

Sim, hás-de meditar muitas vezes os mesmos assuntos, insistindo até descobrir um novo aspecto.

– E como é que não tinha visto isto antes, assim tão claramente? – perguntar-te-ás surpreendido. – Simplesmente, porque às vezes somos como as pedras, que deixam resvalar a água, sem absorver nem uma gota.

Por isso é necessário voltar a discorrer sobre o mesmo, que não é o mesmo!, para nos embebermos das bênçãos de Deus. (Forja, 540)

Deus não se deixa ganhar em generosidade e – podes ter a certeza! – concede a fidelidade a quem se lhe rende. (Forja, 623)


São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 14 de junho de 2020

Vendo aquelas multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Então disse a Seus discípulos: «A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos. Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe» Tendo convocado os Seus doze discípulos, Jesus deu-lhes poder de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a doença e toda a enfermidade. Os nomes dos doze apóstolos são: O primeiro Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. A estes doze enviou Jesus, depois de lhes ter dado as instruções seguintes: «Não vades à terra dos gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos: Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, lançai fora os demónios. Dai de graça o que de graça recebestes.

Mt 9, 36-38.10, 1-8

Igualdade de vida

Houve-se com frequência dizer a respeito de alguém:
'É muito honesto'.

Isto é dito como se fosse algo extraordinário, fora do "normal".

Mas, então, o normal não é ser-se honesto!

Aliás, não se é "muito honesto" ou se é ou não!

Por isso penso que esta locução não faz qualquer sentido e que o que realmente se deveria dizer seria:

'Pode confiar-se' (nessa pessoa).

Isto sim é o que realmente queremos pensar a respeito dos outros e que igualmente desejamos que os outros pensem de nós.

Claro que uma pessoa digna de confiança é, por natureza, honesta.

É que parece haver uma tendência para considerar que a honestidade se resume e conclui em não se apropriar do alheio quando, de facto, é muito mais que isso: é viver, pensar e actuar com critérios sãos e estáveis, que não mudam conforme as circunstâncias, o ambiente ou outra coisa qualquer.

Considerar alguém honesto só porque não se apropria do que não lhe pertence é reduzir essa virtude a um mero comportamento, ou dito de outra forma, que essa virtude é a consequência lógica de não ter o defeito.

Mas... não ter um defeito não determina possuir uma virtude.

Por exemplo:

Se não me embriago não permite concluir que tenha a virtude da temperança, mas apenas que sou comedido na bebida;

Se cumpro as regras de trânsito não quer dizer que sou obediente, mas que respeito as leis;

As virtudes - tema já abordado antes - só se adquirem com os bons hábitos praticados com regularidade e independentemente das circunstâncias.

Por isso mesmo é muito importante a igualdade de vida.

Mas… E o que vem a ser a "igualdade de vida"?

Para os cristãos, é proceder de acordo com a Fé que afirmam professar, sem "intervalos" ou concessões.
Que os actos correspondam ao que se diz, que haja coerência, sintonia, entre o que se pensa e diz e o que se pratica.
Que, em suma, se seja honesto consigo próprio.

Mas, sobretudo, se seja honesto com Deus Nosso Senhor que não pode aceitar nem desculpas nem "justificações" se o nosso comportamento não corresponde integralmente ao que Ele tem todo o direito de esperar.

Ele sabe muito bem se o que fazemos corresponde à Sua Vontade ou aos nossos desejos ou conveniências de momento.

Portanto, pode concluir-se, igualdade de vida é fazer, em tudo, a Vontade de Deus!

ama, reflexões, 2013

Hino a Santo António

Com voz solene e ditosa,
Exaltemos Santo António
E ergamos um hino à glória
Do taumaturgo imortal.

Nascido junto do Tejo,
Às alegrias do lar
Preferiu aventurar-se
Nas jornadas de mendigo.

Ardendo no amor de Cristo,
Por Cristo sonhou morrer
Com as palmas do martírio
Entre os povos de além-mar.

De fogo foi sua língua;
A pregar de terra em terra,
Venceu as trevas do erro,
Trouxe a paz aos corações.

Afugentou inimigos
E deu saúde aos enfermos.
Mensageiro do Evangelho,
Derramou a paz no mundo.

Santo António, intercessor
Por nós no Céu entre os Anjos,
Nos alcance a eterna bênção
Da Santíssima Trindade.

(Breviário)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

O capacete do Eng. Perestrello

A Administração e alguns Directores do estaleiro acompanham membros do Governo numa visita oficial em 1965. Não era só o Eng. Perestrello a usar capacete, mesmo nestas ocasiões.
A maior parte das histórias que conheço da vida profissional do meu Pai foram-me contadas por outros, mas ele abria excepções a esta reserva quando não era o protagonista, ou quando se via como testemunha passiva dos acontecimentos. Foi assim que conheci, através dele, a história dos capacetes.

O assunto era muito importante para o meu Pai, empenhado em promover a segurança dos operários nos estaleiros navais de Lisboa. Uma das suas iniciativas foi comprar capacetes de protecção e pedir aos Directores de cada Departamento que os distribuíssem ao pessoal. A seguir, visitou cada zona de trabalho para verificar se as instruções estavam a ser cumpridas. Infelizmente, em toda a parte estava montada uma autêntica «guerra civil». De um lado, os trabalhadores queixavam-se de que era impossível trabalhar com capacete, de que os capacetes faziam mal à saúde e até criavam situações de perigo. Do outro lado, os Directores não cediam no uso obrigatório dos capacetes ainda que, na melhor das hipóteses, só conseguissem vitórias momentâneas, que não duravam mais do que o tempo de eles virarem as costas. A guerra ainda não tinha começado no Departamento do Eng. Perestrello, porque ele, em vez de distribuir imediatamente os capacetes, seguiu outra estratégia.

Vale a pena apresentar brevemente o Eng. Perestrello. Embora eu não o tenha conhecido directamente, ouvi testemunhos. Era um homem alto, elegante. Herdara da sua família ilustre um certo toque de classe, ainda que ele fosse tão acessível e natural que o relacionamento era descontraído e agradável, sem se notarem as diferenças hierárquicas. Apreciava cada pessoa, gostava de conversar e de conviver, e toda a equipa, desde os operários aos engenheiros e aos colegas da Direcção, reconhecia a sua liderança. Chegaria a ser o Administrador-Delegado do estaleiro da Lisnave.

Como disse, quando recebeu instruções para distribuir os capacetes, o Eng. Perestrello não se apressou. Começou por reunir a Direcção e os engenheiros e combinar que eles próprios passariam a usar capacete. No dia seguinte, mal desceu às oficinas, com o seu capacete, foram os operários que se dirigiram a ele e lhe pediram para também receberem capacetes: «se os Directores e os engenheiros usam capacete, muito mais se justifica essa protecção para quem trabalha nas oficinas». Não foram precisos muitos argumentos para o convencer e rapidamente se contabilizou e se distribuiu o número de capacetes necessários.

Nos outros departamentos, a tensão da «guerra dos capacetes» arrastou-se por mais tempo e a melhoria das condições de segurança no estaleiro, neste domínio e noutros, exigiu um esforço enorme e persistente. Só no departamento do Eng. Perestrello as coisas eram diferentes. Aí – contava o meu Pai –, os operários almoçavam de capacete na cabeça.

As máscaras faciais, as viseiras e todas as regras de segurança que as autoridades estabeleceram para o actual tempo de pandemia recordam-me os capacetes do estaleiro naval nos anos sessenta. Algumas pessoas sentem verdadeira repugnância em cumprir as regras e estão convencidas de que as exigências são inúteis, ou até prejudiciais. Sobretudo quando o Governo, ou até as autoridades eclesiásticas, dão directivas concretas em relação às igrejas e às cerimónias religiosas, ferve-lhes o sangue de indignação pelo desprezo das coisas de Deus e o desrespeito pela liberdade fundamental de Lhe prestar culto. Realmente, a obediência é uma virtude difícil quando choca com o nosso ponto de vista.

Talvez uns líderes tenham mais jeito que outros para facilitar a obediência. Em todo o caso, é interessante reparar como – dependendo da perspectiva com que vemos as situações – a mesma coisa nos parece intolerável ou a consideramos um direito honrosamente conquistado.

Talvez a obediência mais custosa tenha mais mérito e dê mais alegria a Deus. Ainda que talvez, com alguma distância emocional, acabemos por reconhecer que «não era caso para tanto».
José Maria C.S. André