Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Não descer ao nível de Mortágua

O título desta coluna começou por ser “Mortágua não ama os pobres, odeia os ricos”, mas esta frase inicial arranhava apenas a superfície. É verdade que esta esquerdinha que vive entre o Príncipe Real e os estúdios de TV não sabe o que é um pobre. Estes revolucionários de cátedra não reconheceriam um pobre mesmo se este lhes caísse no colo num qualquer Gin Lover da moda, e nem sequer estão interessados na diminuição do número de pobres. Aquilo que os move não é a elevação acima da miséria do maior número possível de pessoas. Esse não é o seu mundo. A esquerda caviar nunca viu, cheirou ou sentiu a opressão da miséria e, por isso, não percebe aqueles que dizem que a meta da sociedade deve ser a diminuição do número de pobres e não o quimérico “combate à desigualdade”. O esquerdista trendy não nasce na pobreza, nasce na corte onde se distribuem cátedras. Em consequência, a sua obsessão não é diminuir a pobreza, é destruir a riqueza; ele não quer acabar com a pobreza num ato de misericórdia, quer destruir a riqueza num ato de ressentimento; o seu motor não é a compaixão, é o niilismo, que é escondido atrás do biombo da novilíngua - “combate à desigualdade”, “justiça fiscal”. E claro que, no final do dia, chegamos todos ao destino fatal do comunismo ou socialismo: a igualdade na miséria que a novilíngua descreve como “sociedade igualitária”.

Mas, como dizia há pouco, isto é apenas a superfície. O ódio das Mortáguas não está reservado apenas para os “ricos”, aquelas figuras que nas telenovelas portuguesas são sempre arrogantes, frios e comedores de papaia ao pequeno-almoço. O ódio radical está reservado para qualquer pessoa, instituição ou sensibilidade que não pense segundo o alcorão esquerdista do BE. Os colégios com contrato de associação não eram propriedade de “ricos”; se calhar, alguns donos destes colégios do país real até vivem pior do que a princesa Mortágua. Só que estes colégios ousavam defender conceitos que são odiosos aos olhos da geringonça: a liberdade de escolha, a autonomia e, muitas vezes, uma autonomia ligada à igreja. Mortágua odeia a ideia de uma sociedade organizada em torno de instituições autónomas como a Igreja e, acima de tudo, despreza a liberdade de escolha dos indivíduos.

Porque o “povo” não tem permissão para pensar livremente. O “povo” só é o verdadeiro “povo” se cumprir as indicações certas.

Isso é claro na questão do dinheiro, que, na cabeça de Mortágua, é sempre de propriedade pública. Ainda há dias vimos como funciona este mecanismo mental. Naquela douta cabeça, “poupar” não é aforrar para o futuro dos nossos filhos; “poupar” é o mesmo que “dissimular”, é o mesmo que esconder dinheiro do Estado, é entrar numa actividade dissimulada, ilícita, semicriminosa. “Temos de perder a vergonha de ir buscar a quem acumula dinheiro”, disse ela. E disse isto com imensa naturalidade, como se estivesse a dizer “temos de perder a vergonha de ir atrás de quem comete crimes financeiros”. Num ápice, a pessoa que faz poupança, uma das maiores virtudes sociais, passa a ser uma subcriminosa a pedir o confisco dos justos. Ora, como é que se responde a este nível de ódio que transforma o adversário num inimigo ou num criminoso? Como é que se responde ao ódio numa sociedade civilizada que foi feita precisamente para elevar a política acima do asco primário que Mortágua destila todos os dias? Para começar, não podemos descer ao nível de Mortágua, não podemos responder ao ódio com ódio, não podemos destruir o que resta do chão comum. Isso é o que ela quer. A destruição daquilo que resta da civilidade do PS, a meta do BE, depende de um clima de guerra civil que a direita não pode alimentar.

Henrique Raposo no Expresso Diário de 19.9.2016

(seleção de imagem 'Spe Deus')

O Evangelho do dia 19 de setembro de 2016

«Ninguém, pois, acendendo uma lâmpada a cobre com um vaso ou a põe debaixo da cama, mas põe-na sobre um candeeiro, para que os que entram vejam a luz. Porque nada há oculto que não acabe por ser manifestado, nem escondido que não deva saber-se e tornar-se público. Vede, pois, como ouvis. Porque àquele que tem, lhe será dado; e ao que não tem, ainda aquilo mesmo que julga ter, lhe será tirado».

Lc 8, 16-18

domingo, 18 de setembro de 2016

Bom Domingo do Senhor!

Tenhamos também nós a certeza de que servimos um só Senhor Jesus Cristo, que com o Pai é um só Deus na unidade do Espírito Santo e assim estaremos a dar livremente por ato de fé e entrega a nossa adesão ao que o Senhor nos fala no Evangelho de hoje (Lc 16, 1-13).

Senhor, que saibamos sempre dar-Te graças e louvores e amar-Te incondicionalmente!

Um filho na creche é mais caro que um filho na faculdade

A cada setembro, a agenda repete-se. Se eu colocasse aqui um resumo de setembro de 2000 ou 2015, ninguém ia dar pela diferença. Fala-se imenso do ingresso na faculdade de pessoas já adultas ou à beira da maioridade, realiza-se a enésima peça jornalística sobre praxes e ouve-se sempre algum representante destes jovens adultos a pedir uma redução das propinas. Aliás, “baixar ou acabar com propinas” e “acabar com praxes” são duas ladainhas clássicas do regime. Enfeitiçadas por estas duas palavras, “praxes” e “propinas”, que fazem lembrar RGA ou lutas contra PGA, as redacções raramente captam o verdadeiro drama de setembro, que ocorre não nas faculdades mas nas creches. “Onde é que vou colocar o meu bebé?” e, logo a seguir, “Como é que vou pagar aquilo que me pedem?” são as perguntas que assombram milhares e milhares de casais. E este carácter de assombração explica em parte o maior problema moral e político do país: a taxa de natalidade de 1.2, uma das mais baixas do mundo. Estamos a morrer ao som de uma banda sonora que substituiu o choro do bebé pelo ranger da bengala, mas setembro só fala de jovens adultos, propinas, praxes. É como se o país se resumisse ao jovem indie bebedor de gin.

O drama começa na escassez de creches e termina no preço pedido por cada bebé ou criança. O tal saque fiscal começa naquilo que a Segurança Social considera ser um agregado familiar “rico” e passível de pagar as prestações máximas nas IPSS. O resultado é dramático e seca à partida a natalidade: um casal normal de classe média paga tanto como um milionário. Na conta bancária, um filho acaba por pesar tanto como a renda da casa ou prestação da hipoteca. Quando recebem a primeira conta da creche, muitos casais percebem logo ali que têm de adiar durante muitos anos o segundo filho — que acabará por não chegar. Com esta segurança social centrada apenas no
pagamento de pensões de reforma e afastada dos casais em idade fértil, não é possível chegarmos a uma taxa de natalidade capaz de renovar as gerações.

A situação é tão absurda que chegámos a este absurdo: é mais caro ter um bebé na creche do que ter um filho quase adulto (e capaz de trabalhar) na faculdade. É um absurdo porque o país está a pensar a casa a partir do telhado. Como é óbvio, a base da sociedade são as crianças. Se não há bebés, o deserto espera-nos. Se não há bebés hoje, não há jovens a pagar propinas no futuro.

Além disso, aos 20 ou 30, a vida de um casal é mais complicada, mais confusa e menos desafogada; à partida esse desafogo é mais fácil aos 40 ou 50 anos. Todavia, é o casal mais que tem uma vida mais fácil com o filho da faculdade, pagando uma propina mais baixa do que qualquer prestação de creche. Não é isto um absurdo? Ninguém reage ao suicídio em curso? Não, não se pode reagir. Até PSD e CDS têm medo de enfrentar a narrativa da “juventude” que não quer pagar propinas, porque é essa narrativa que encaixa nas sensibilidades de uma esquerda presa no tempo.

“Baixar propinas” soa a “estado social”. “Prestação de creche” soa a “políticas de família”, logo tem ressonâncias “salazaristas”

Henrique Raposo in Expresso Diário de 16.09.2016 (seleção de imagem 'Spe Deus')

A banca do amor

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja 
Carta 142, 6/7/1893, a sua irmã Celina


«Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos», diz o Senhor [Is 55,8]. O mérito não consiste em fazer nem em dar muito, mas antes em receber, em amar muito. […] Está dito que é muito mais agradável dar do que receber [At 20,35], e é verdade, mas quando Jesus quer reservar para Ele a doçura de dar, não seria delicado recusar. Deixemo-lo receber e dar tudo o que quiser, a perfeição consiste em fazer a vontade dele, e a alma que se Lhe entrega inteiramente é chamada pelo próprio Jesus «sua Mãe, sua Irmã» e toda a sua Família [Mt 12,50]. E noutro lugar: «Se alguém Me ama, guardará a minha palavra (isto é, fará a minha vontade) e Meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada» [Jo 14,23] Oh! Celina!… Como é fácil agradar a Jesus, encantar o seu coração: basta amá-lo sem olhar para nós mesmas, sem examinar demasiadamente os próprios defeitos. […]

A tua Teresa não se encontra neste momento nas alturas mas Jesus ensina-lhe a tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em si. Ensina-lhe a jogar à banca do amor, ou antes, joga Ele por ela sem lhe dizer como se faz porque isso é assunto dele e não de Teresa; o que ela tem de fazer é abandonar-se, entregar-se sem nada reservar para si, nem mesmo a alegria de saber quanto lhe rende a banca. […]

Com efeito, os directores [espirituais] fazem avançar na perfeição mandando praticar um grande número de actos de virtude, e têm razão, mas o meu director, que é Jesus, não me ensina a contar os meus actos; ensina-me a fazer tudo por amor, a não Lhe recusar nada, a ficar contente quando Ele me dá uma ocasião de Lhe provar que O amo, mas isto faz-se na paz, no abandono, é Jesus que faz tudo e eu não faço nada.