Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Escolas com sentido cristão

Animado pela vibração apostólica de difundir a prática da doutrina social da Igreja, D. Álvaro recomendou a organização de escolas com sentido cristão, para a formação de empresários e dirigentes, como já S. Josemaria tinha feito. Mas não se conformou com a sua implementação apenas em países desenvolvidos, insistindo em que esses projetos se promovessem também nos países em vias de desenvolvimento, consciente da sua importância para a resolução dos problemas originados pelas excessivas desigualdades sociais.

Numa das suas cartas pastorais, comentando a parábola do bom samaritano, D. Álvaro descobria novos matizes sobre a forma de unir a justiça e a caridade, atitude tão própria dos cristãos que caminham e se santificam no meio do mundo. Assim nos escrevia: «O esforço por atender e remediar, na medida do possível, as necessidades materiais do próximo, sem descuidar as outras obrigações próprias de cada um, como fez o bom samaritano, é próprio da fusão entre alma sacerdotal e mentalidade laical» [6]. Deus pede-nos, antes de mais, que santifiquemos o trabalho profissional e os deveres habituais do próprio estado. E no meio dessas ocupações, continuava D. Álvaro, o Senhor «permite que vos encontreis com a miséria e a dor de outras pessoas. Então, um sinal claro de que realizais as vossas tarefas com alma sacerdotal é que não passais ao lado, indiferentes. E sinal não menos claro é que o fazeis sem abandonar os outros deveres que tendes que santificar» [7].

[6]. D. Álvaro, Carta, 9-I-1993, n. 20 (“Cartas de família”, III, n. 387).
[7]. Ibid.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de julho de 2014)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Enviado às ovelhas perdidas

Isaac de l'Étoile (?-c. 1171), monge cistercense
Sermão 35 (a partir da trad. SC 202, p.259)

Cristo veio buscar a única ovelha que se tinha perdido (Mt 18, 12). Foi por ela que o Bom Pastor foi enviado no tempo, Ele que estava prometido desde sempre; foi por ela que nasceu e foi dado. Ela é única, escolhida entre os judeus e as nações [...], escolhida entre todas as nações, única no mistério, múltipla nas pessoas, múltipla pelo corpo segundo a natureza, única pelo espírito segundo a graça, em suma, uma única ovelha e uma multidão sem conta. Foi por isso que Aquele que veio buscar a única ovelha foi enviado «às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mt 15, 24). [...] Ora, aquilo que o Pastor reconhece como seu «ninguém Lhe pode arrancar das mãos» (Jo 10, 28). Porque não se pode forçar o poder, enganar a sabedoria, destruir a caridade.

É por isso que Ele fala com segurança, quando diz: «Daqueles que Me deste, Pai, não perdi nenhum» (Jo 17, 12). [...] E Ele foi enviado como verdade para os que andavam enganados, como caminho para os que andavam perdidos, como vida para os que estavam mortos, como sabedoria para os que eram loucos, como remédio para os doentes, como resgate para os cativos e como alimento para aqueles que morriam de fome. Pode dizer-se portanto que, na pessoa de todos estes, Ele foi enviado «às ovelhas perdidas da casa de Israel», para que elas não se perdessem para sempre.

O Evangelho do dia 8 de julho de 2015

Tendo convocado os Seus doze discípulos, Jesus deu-lhes poder de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a doença e toda a enfermidade. Os nomes dos doze apóstolos são: O primeiro Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. A estes doze enviou Jesus, depois de lhes ter dado as instruções seguintes: «Não vades à terra dos gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos: ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus.

Mt 10, 1-7

terça-feira, 7 de julho de 2015

GRATIDÃO!

Hoje chegou formalmente ao fim a minha participação na Equipa de Serviço Diocesana do Renovamento Carismático Católico, da Diocese de Leiria-Fátima.

Em 1997, o meu querido e saudoso amigo Pe José da Lapa, (pioneiro do RCC em Portugal), perante uma carta minha relatando os meus primeiros tímidos passos ao reencontro com Deus, com a Fé e com a Igreja, convidou-me a estar presente numa Assembleia da Pneumavita em Fátima e assim tomar um primeiro contacto com o RCC.
Ao princípio julguei que me tinha enganado e que não era aquele o meu caminho em Igreja para Deus.
Depois deixei-me levar e o Espírito Santo fez o resto, sobretudo quando eu O deixava fazer!

Não sei rezar de outro modo que não seja este permanente contacto dialogante com Deus, este contar-lhe a minha vida, os meus momentos e deixar-me ouvir o que Ele me diz, e que tantas vezes não percebo, ou melhor, não quero perceber.
Mas na maioria das vezes, o Espírito Santo, persistente porque sabe que o meu coração O deseja, vai movendo as barreiras, os orgulhos, as vaidades, as autojustificações, e vai-me mostrando erros, para endireitar caminhos, e fazer a vontade de Deus.
Mas não é fácil, nada fácil, e tantas vezes me encontro quase perdido, como se o caminho me faltasse.
Mas nunca falta, porque Ele está sempre ali, e sempre me diz com aqueles olhos meigos repassados de amor: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Mt 14, 31

Um dia, em frente do sacrário rezava agradecendo a Deus o caminho que me dava e que julgava eu já ia tão longe!
Ouvi então no meu coração uma voz que me dizia: «Viagem que estás a fazer, meu filho? Tu ainda nem começaste a fazer as malas!»
Percebi que esta viagem só tem um fim, junto a Ele por Sua graça para toda a eternidade, mas que começa todos os dias em que Ele mesmo me concede a graça de viver.

Hoje e neste dia o meu coração enche-se de gratidão, primeiro a Deus, que me concedeu a graça de O servir, servindo os homens, à Igreja, que me acolheu apesar de toda a minha situação e sempre me abraçou e abraça, à minha família que esteve, (e ainda vai estando), tantas vezes sem mim, por estar ao serviço de Deus no RCC, a todas aquelas e aqueles que me acompanharam, comigo colaboraram, e tiveram que suportar, por vezes, o meu mau feitio, e também àqueles a que em Igreja tive que responder e com eles colaborar, e de quem às vezes fiz julgamentos interiores dos quais me envergonho.

A viagem continua, e uma viagem com Deus tem sempre coisas novas: «Eu renovo todas as coisas.» Ap 21, 5

Tudo e sempre para a maior glória de Deus!

Marinha Grande, 7 de Julho de 2015

Joaquim Mexia Alves

Nota:
Confirmação da nova Equipa de Serviço Diocesana do Renovamento Carismático Católico da Diocese de Leiria-Fátima.

Homilia integral do Santo Padre no Parque Bicentenário no Equador

A palavra de Deus convida-nos a viver a unidade, para que o mundo acredite.

Imagino aquele sussurro de Jesus na Última Ceia como um grito nesta Missa que celebramos no «Parque do Bicentenário». O Bicentenário daquele Grito de Independência da Hispano-América. Foi um grito, nascido da consciência da falta de liberdade, de estar a ser espremidos e saqueados, «sujeitos às conveniências dos poderosos de turno» (EG 213).

Quereria que hoje os dois gritos coincidissem sob o belo desafio da evangelização. Não a partir de palavras altissonantes, nem com termos complicados, mas que nasça da «alegria do Evangelho», que «enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento» (EG 1). Nós todos juntos, aqui reunidos à volta da mesa com Jesus, somos um grito, um clamor nascido da convicção de que a sua presença nos impele para a unidade, «indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível» (EG 14).

«Pai, que sejam um, para que o mundo creia»: assim o almejou, levantando os olhos ao céu. A Jesus brota-Lhe este pedido num contexto de envio: Como Tu me enviaste ao mundo, Eu também os enviei ao mundo. Naquele momento, o Senhor experimenta na sua própria carne o pior deste mundo que Ele, apesar de tudo, ama loucamente: intrigas, desconfianças, traição, mas não esconde a cabeça, não se lamenta. Também nós constatamos no dia-a-dia que vivemos num mundo dilacerado pelas guerras e a violência. Seria superficial pensar que a divisão e o ódio afectam apenas as tensões entre os países ou os grupos sociais. Na realidade, são manifestação daquele «generalizado individualismo» que nos separa e coloca uns contra os outros (cf. Evangelii gaudium, 99), da ferida do pecado no coração das pessoas, cujas consequências fazem sofrer também a sociedade e a criação inteira. É precisamente a este mundo desafiador que Jesus nos envia, e a nossa resposta não é fazer-nos de distraídos, argumentar que não temos meios ou que a realidade nos supera. A nossa resposta repete o clamor de Jesus e aceita a graça e a tarefa da unidade.

Àquele grito de liberdade, que prorrompeu há pouco mais de 200 anos, não lhe faltou convicção nem força, mas a história conta-nos que só se tornou contundente quando deixou de lado os personalismos, o afã de lideranças únicas, a falta de compreensão doutros processos libertadores com características diferentes, mas não por isso antagónicas.

Poderá a evangelização ser veículo de unidade de aspirações, sensibilidades, esperanças e até de certas utopias? É claro que sim; isso mesmo acreditamos e gritamos. Como disse uma vez, «enquanto no mundo, especialmente nalguns países, se reacendem várias formas de guerras e conflitos, nós, cristãos, insistimos na proposta de reconhecer o outro, de curar as feridas, de construir pontes, de estreitar laços e de nos ajudarmos a carregar as cargas uns dos outros» (EG 67). O anseio de unidade supõe a doce e reconfortante alegria de evangelizar, a convicção de que temos um bem imenso para comunicar e de que, comunicando-o, ganha raízes; e qualquer pessoa que tenha vivido esta experiência adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros (cf. EG 9). Daí a necessidade de lutar pela inclusão a todos os níveis, evitando egoísmos, promovendo a comunicação e o diálogo, encorajando a colaboração. É preciso confiar o coração ao companheiro de estrada, sem medo nem difidência. «O abrir-se ao outro é algo de artesanal, a paz é artesanal» (EG 244); é impensável que brilhe a unidade, se a mundanidade espiritual nos faz estar em guerra entre nós, numa busca estéril de poder, prestígio, prazer ou segurança económica.

Esta unidade já é uma acção missionária «para que o mundo creia». A evangelização não consiste em fazer proselitismo, mas em atrair os afastados com o nosso testemunho, em aproximar-se humildemente daqueles que se sentem longe de Deus e da Igreja, daqueles que têm medo ou dos indiferentes, para lhes dizer: «O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor» (EG 113).

A missão da Igreja, enquanto sacramento da salvação, condiz com a sua identidade de povo em caminho, com a vocação de incorporar na sua marcha todas as nações da terra. Quanto mais intensa for a comunhão entre nós, tanto mais sairá favorecida a missão (cf. João Paulo II, Pastores gregis, 22). Colocar a Igreja em estado de missão pede-nos para recriarmos a comunhão, pois já não se trata duma acção voltada só para fora; fazemos missão para dentro e missão para fora, manifestando-nos «como mãe que vai ao encontro, uma casa acolhedora, uma escola permanente de comunhão missionária» (Aparecida 370).

Este sonho de Jesus é possível, porque nos consagrou: «Totalmente Me consagro, para que também eles sejam consagrados por meio da Verdade». A vida espiritual do evangelizador nasce desta verdade tão profunda, que não se confunde com uns poucos momentos religiosos que proporcionam algum alívio; Jesus consagra-nos, para suscitar um encontro pessoal com Ele, que alimenta o encontro com os outros, o compromisso no mundo, a paixão evangelizadora (cf. EG 78).

A intimidade de Deus, incompreensível para nós, é-nos revelada através de imagens que nos falam de comunhão, comunicação, doação, amor. Por isso a união, que Jesus pede, não é uniformidade, mas a «multiforme harmonia que atrai» (EG 117). A imensa riqueza da variedade, a multiplicidade que alcança a unidade todas as vezes que fazemos memória daquela Quinta-feira Santa, afasta-nos da tentação de propostas mais próximas de ditaduras, ideologias ou sectarismos. Também não é um arranjo feito à nossa medida, no qual ditamos as condições, escolhemos alguns membros e excluímos os outros. Jesus reza para que façamos parte duma grande família, na qual Deus é nosso Pai e todos nós somos irmãos. Isto não se fundamenta no facto de ter os mesmos gostos, as mesmas preocupações, os mesmos talentos. Somos irmãos, porque Deus nos criou por amor e, por pura iniciativa d’Ele, nos destinou para sermos seus filhos (cf. Ef 1, 5). Somos irmãos, porque «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: “Abbà! – Pai!”» (Gl 4, 6). Somos irmãos, porque, justificados pelo sangue de Cristo Jesus (cf. Rm 5, 9), passámos da morte à vida, fazendo-nos «co-herdeiros» da promessa (cf. Gl 3, 26-29; Rm 8, 17). Esta é a salvação que Deus realiza e a Igreja alegremente anuncia: fazer parte do «nós» divino.

O nosso grito, neste lugar que lembra aquele primeiro da liberdade, actualiza o grito de São Paulo: «Ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16). É tão urgente e premente como o daqueles desejos de independência. Possui fascínio semelhante, o mesmo fogo que atrai. Sede um testemunho de comunhão fraterna que se torne resplandecente!

Que belo seria se todos pudessem admirar como nos preocupamos uns pelos outros; como mutuamente nos animamos e fazemos companhia. É o dom de si que estabelece a relação interpessoal; esta não se gera dando «coisas», mas dando-se a si mesmo. Em qualquer doação, é a própria pessoa que se oferece. «Dar-se» significa deixar atuar em si mesmo toda a força do amor que é o Espírito de Deus e, assim, dar lugar à sua força criadora. Dando-se, o homem volta a encontrar-se a si mesmo com a sua verdadeira identidade de filho de Deus, semelhante ao Pai e, como Ele, doador de vida, irmão de Jesus, de Quem dá testemunho. Isto é evangelizar, esta é a nossa revolução – porque a nossa fé é sempre revolucionária – este é o nosso grito mais profundo e constante.