
Ao iniciar o seu artigo, Ostellino explica que o ataque à Igreja e ao Papa tem origem num "preconceito racionalista" que não entende a diferença entre "pecado e delito, que pretende assimilar, ‘homologar’, os comportamentos da Igreja com os da sociedade civil, negando a Esta a sua especificidade espiritual, codificada no direito canónico, muito distinta à positiva do estado secularizado".
Para o ex-director do Corriere della Sera, "não se pode pedir à Igreja que renuncie a um espaço autónomo de análise e juízo, que é muito distinto à presteza de submeter os seus próprios membros ao império da lei. O Estado e a Igreja têm missões diferentes e a busca de anular esta fecunda diferença seria nefasto a ambos. Manifesta-se assim, além disso, um evidente paradoxo".
Ostellino comenta ainda, que o "objecto dos ataques ao actual Pontífice, que tem o mérito indubitável de ter criado a transparência no interior da Igreja sobre um fenómeno escondido, e de ter procurado definir, e distinguir, os âmbitos dos tribunais civis, reconhecendo-lhes as prerrogativas no que se refere ao julgamento do delito de pedofilia, segundo as leis civis, e as próprias da Igreja, reivindicando para Ela a autonomia na condenação dos pecados e na redenção dos pecadores, segundo o direito canónico e a própria predicação (que se chama caridade cristã)".
"A distinção ente pecado e delito é parte integrante de nossa cultura e de nossa civilidade, à qual não podemos renunciar", enfatiza.
Finalmente Pietro Ostellino ressalta que "ante o espectáculo inquietante ao que estamos assistindo, assombra, finalmente, a grande quantidade de espectadores que permanecem silenciosos em uma aparente indiferença. Como se nossa democracia liberal não fosse devedora da mensagem cristã que colocou ao centro a sacralidade e a inviolabilidade da pessoa".
(Fonte: ‘ACI Digital’ com adaptação de JPR)
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