Igreja

Igreja
A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

terça-feira, 24 de abril de 2018

Servidores de todos os homens

Quando se vive deveras a caridade, não sobra tempo para procurar-se a si próprio; não há espaço para a soberba; só nos ocorrerão ocasiões de servir! (Forja, 683)

Pensai nas características dum jumento, agora que vão ficando tão poucos. Não falo dum burro velho e teimoso, rancoroso, que se vinga com um coice traiçoeiro, mas dum burriquito jovem, com as orelhas tesas como antenas, austero na comida, duro no trabalho, com o trote decidido e alegre. Há centenas de animais mais formosos, mais hábeis e mais cruéis. Mas Cristo preferiu este para se apresentar como rei diante do povo que O aclamava, porque Jesus não sabe que fazer da astúcia calculadora, da crueldade dos corações frios, da formosura vistosa mas vã. Nosso Senhor ama a alegria dum coração moço, o passo simples, a voz sem falsete, os olhos limpos, o ouvido atento à sua palavra de carinho. E é assim que reina na alma.

Se deixarmos que Cristo reine na nossa alma, não nos tornaremos dominadores; seremos servidores de todos os homens. Serviço. Como gosto desta palavra! Servir o meu Rei e, por Ele, todos os que foram redimidos com o seu sangue. (Cristo que passa, 181–182)

São Josemaría Escrivá

Só Jesus é a Estrada!

“Entre vós haverá quem diga: ´Padre, o senhor é um fundamentalista´ Não, isto foi simplesmente dito por Jesus: ´Eu sou a porta´, ´Eu sou o caminho´, fonte da vida. Com esta simplicidade. É uma porta bela, uma porta de amor, é porta que não nos engana, não é falsa. Diz sempre a verdade. Talvez existam ´sentires mais fáceis, mas são enganadores, não são verdadeiros, são falsos. Só Jesus é a Estrada!”

Papa Francisco na homilia do dia 12.04.2014 (tradução a partir do italiano de JPR)

Existência de Deus e existência humana

Li recentemente as afirmações de um intelectual alemão que, em relação à "questão de Deus", se dizia agnóstico e, ao mesmo tempo, acrescentava que não se poderia nem provar nem excluir totalmente a existência de Deus, de modo que esse problema permaneceria sempre em aberto. No entanto, declarava-se firmemente convencido da existência do inferno: bastava-lhe ligar a televisão para comprová-lo sem sombra de dúvida.

Se a primeira parte dessa afirmação corresponde plenamente ao sentir moderno, a segunda parece extravagante, ao menos à primeira vista. Como é possível crer no inferno se Deus não existe? Mas, se considerarmos essas palavras com um pouco mais de atenção, veremos que encarnam uma certa lógica. O inferno é, por definição, viver na ausência de Deus. Onde Deus não está, ali está o inferno. Certamente, não é tanto o espetáculo diário da televisão que nos fornece a prova, quanto um olhar sobre o século que terminou e que nos deixou palavras como "Auschwitz" ou "Arquipélago Gulag", e nomes como Hitler, Stalin, Pol Pot. Esses infernos foram construídos para preparar um mundo futuro de homens auto-suficientes que não teriam nenhuma necessidade de Deus.

Mas onde Deus não está, surge o inferno, e o inferno persiste, muito simplesmente, pela ausência de Deus. Pode-se chegar a esse extremo também de maneiras subtis, que quase sempre afirmam que o que se busca é o bem dos homens. Hoje, quando se comercializam órgãos humanos, quando se fabricam fetos para dispor de órgãos de reposição ou para promover o avanço da ciência e da prevenção médicas, muitos consideram implícito o carácter humanitário dessas práticas. Mas o desprezo pelo homem que esse usar e abusar do ser humano pressupõe, conduz, quer se queira quer não, à descida aos infernos.

Isto não significa que não possa haver ou não haja ateus com um grande senso ético.

Seja como for, atrevo-me a afirmar que essa ética se baseia na luz que emanou um dia do Monte Sinai e que continua a brilhar até hoje: a luz de Deus. Nietzsche tinha razão ao sublinhar que, quando a notícia da morte de Deus se tornasse conhecida por todo o mundo, quando a sua luz se tivesse apagado definitivamente, esse momento seria necessariamente terrível.

O cristianismo não é uma filosofia complicada e envelhecida com o passar do tempo, não é uma imensa coleção de dogmas e preceitos: a fé cristã consiste em sermos tocados por Deus e sermos as suas testemunhas.

Precisamente por isso podemos dizer: a Igreja existe para que Deus, o Deus vivente, seja anunciado, para que o homem possa aprender a viver com Deus, sob o seu olhar e em comunicação com Ele. A Igreja existe para evitar o avanço do inferno sobre a terra e para fazer com que esta se torne mais habitável à luz de Deus.. Graças a Ela, e somente graças a Ela, a terra será humana. Nem que seja apenas por este motivo, a Igreja deve continuar a existir, porque a sua eventual desaparição arrastaria a humanidade para o torvelinho das trevas, da escuridão, até à destruição de tudo o que torna humano o homem. [...] Sem Deus, o mundo não consegue iluminar-se. A Igreja serve ao mundo fazendo com que Deus viva nela, permitindo que Ele transpareça nEla, e estando pronta assim para levá-lo à humanidade.

(Cardeal Joseph Ratzinger em ‘Testigos de Ia luz de Dios’, in La Razôn, 23.04.2001)

O Evangelho do dia 24 de abril de 2018

Celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era Inverno. Jesus andava a passear no templo, no pórtico de Salomão. Rodearam-n'O os judeus e disseram-Lhe: «Até quando nos manterás em suspenso? Se és o Messias, di-no-lo claramente». Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, e vós não Me credes. As obras que faço em nome de Meu Pai, essas dão testemunho de Mim; porém vós não credes, porque não sois das Minhas ovelhas. As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu conheço-as, e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna; elas jamais hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior que todas as coisas; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai. Eu e o Pai somos um». 


Jo 10, 22-30

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Sendo crianças, não tereis penas

Sendo crianças, não tereis penas: os miúdos esquecem depressa os desgostos para voltar aos seus divertimentos habituais. – Por isso, com o "abandono", não tereis de vos preocupar, pois descansareis no Pai.  (Caminho, 864)

Por volta dos primeiros anos da década de 40, eu ia muito a Valência. Não tinha então nenhum meio humano e, com os que – como vocês agora – se reuniam com este pobre sacerdote, fazia oração onde podíamos, algumas tardes numa praia solitária. (...)

Pois um dia, ao fim da tarde, durante um daqueles pores do Sol maravilhosos vimos que uma barca se aproximava da beira-mar e que saltaram para terra uns homens morenos, fortes como rochas, molhados, de tronco nu, tão queimados pela brisa que pareciam de bronze. Começaram a tirar da água a rede que traziam arrastada pela barca, repleta de peixes brilhantes como a prata. Puxavam com muito brio, os pés metidos na areia, com uma energia prodigiosa. De repente veio uma criança, muito queimada também, aproximou-se da corda, agarrou-a com as mãozinhas e começou a puxar com evidente falta de habilidade. Aqueles pescadores rudes, nada refinados, devem ter sentido o coração estremecer e permitiram que aquele pequeno colaborasse; não o afastaram, apesar de ele estorvar em vez de ajudar.

Pensei em vocês e em mim; em vocês, que ainda não conhecia e em mim; nesse puxar pela corda todos os dias, em tantas coisas. Se nos apresentarmos diante de Deus Nosso Senhor como esse pequeno, convencidos da nossa debilidade mas dispostos a cumprir os seus desígnios, alcançaremos a meta mais facilmente: arrastaremos a rede até à beira-mar, repleta de frutos abundantes, porque onde as nossas forças falham, chega o poder de Deus. (Amigos de Deus, 14)

São Josemaría Escrivá

Tradição

«A tradição consiste na atribuição do direito de voto à mais obscura de todas as classes, a classe dos nossos antepassados. A tradição é a democracia dos mortos.

A tradição recusa submeter-se à pequena e arrogante oligarquia daqueles que, por acaso, ainda circulam pelas ruas. Os democratas opõem-se à exclusão das pessoas devido aos acasos do nascimento; pois a tradição opõe-se à sua exclusão devido aos acasos da morte.

A democracia sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja o criado lá de casa; pois a tradição sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja nosso pai. (...)

Os mortos devem ter assento nos nossos conselhos. Na Grécia Antiga, votava-se por meio de pedrinhas; os nossos mortos votam por meio de pedras tumulares. É um processo perfeitamente razoável e oficial, dado que a maioria das pedras tumulares, tal como a maioria dos boletins de voto, é assinalada com uma cruz.»

G. K. Chesterton, Ortodoxia, Alétheia Ed., p. 65

Deus «quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4), quer dizer, de Cristo Jesus. Por isso, é preciso que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que assim a Revelação chegue aos confins do mundo. [...] «Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma, tendo cumprido e promulgado pessoalmente o Evangelho antes prometido pelos profetas, mandou aos Apóstolos que o pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes assim os dons divinos» (Dei Verbum, 7).

A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras: oralmente, «pelos Apóstolos, que, na sua pregação oral, nos exemplos e nas instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, do trato e das obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo» (ibidem); por escrito, «por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação» (ibidem).

«Para que o Evangelho fosse perenemente conservado íntegro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, "entregando-lhes o seu próprio ofício de magistério"» (ibidem). Com efeito, «a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão ininterrupta, até à consumação dos tempos» (Dei Verbum, 8).

Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, «a Igreja, na sua doutrina, na sua vida e no seu culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo aquilo em que acredita» (ibidem). «Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante» (ibidem). Assim, a comunicação que o Pai fez de Si próprio, pelo seu Verbo, no Espírito Santo, continua presente e activa na Igreja.

Catecismo da Igreja Católica §§ 74-79

São Jorge, mártir, †303

Devem ter sido espetaculares as circunstâncias da sua morte para que os orientais lhe tenham sempre chamado "o grande mártir" e para que a sua pessoa se tenha tornado bem depressa, lendária. Não há culto mais antigo nem mais espalhado. Já no séc. IV Constantino lhe levantava uma igreja. Em Inglaterra, principalmente, o seu culto tornou-se, ainda e é, mais popular. Em 1222 o concílio nacional de Oxónia ou Oxford estabeleceu uma festa de preceito em sua honra. Nos primeiros anos do séc. XV o arcebispo de Cantuária ordenou que tal festa fosse celebrada com tanta solenidade como o Natal. Antes disso o rei Eduardo III tinha fundado, em 1330, a célebre Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, conhecidos também pelo nome de Cavaleiros da Jarreteira. Vários artistas: Rafael, Donatello e Carpaccio representaram São Jorge. No lugar onde esteve içada a bandeira de Portugal por ocasião da batalha de Aljubarrota foi construída, em 1388, uma ermida dedicada a São Jorge. Em 1387 começou a incorporar-se na procissão do Corpo de Deus, por ordem de D. João I, a imagem deste Santo, a cavalo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 23 de abril de 2018

«Em verdade, em verdade vos digo que quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Aquele que entra pela porta é pastor das ovelhas. A este o porteiro abre e as ovelhas ouvem a sua voz, ele as chama pelo seu nome e as tira para fora. Quando as tirou para fora, vai à frente delas e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem o estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus disse-lhes esta alegoria, mas eles não compreenderam o que lhes dizia. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo que Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por Mim, será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que elas tenham vida e a tenham abundantemente.

Jo 10, 1-10