(...) Sabemos bem como as dificuldades levam muitos a carregar no acelerador retórico, disparando a grande velocidade para a asneira. Mas, apesar do que dizem, é muito difícil destruir Portugal. Quer isto dizer que um malévolo não teria forma de conseguir os seus perversos intentos? Não. Há uma maneira, e é simples. Para matar um homem cortando-lhe os braços, é precisa uma espada; para o atingir no coração, basta uma agulha. A maneira mais eficiente de dar cabo de um povo é ferir o seu núcleo mais central. E é isso exactamente que nos está a acontecer. Não existe nenhuma conversa sobre a família em que não se oiça que ela é a célula base da sociedade. Que poderemos então concluir da sua dramática crise contemporânea, senão que ela põe em risco a sobrevivência nacional? A única dedução possível é que está bastante adiantada uma degradação de todo o tecido cultural, de onde só recuperaremos com muita dificuldade. Um povo com dúvidas sobre o sentido de "cidadão" sofreria graves consequências. Que dizer de um que degrade o conceito de casamento? A queda demográfica chega, só por si, para justificar enorme preocupação. Sem filhos não há futuro e a inversão da pirâmide etária cria vastas consequências. Como pretender crescimento económico numa população em regressão? Mesmo assumindo que a tacanhez actual só liga a questões económicas, fiscais e políticas, já teria aí muito com que se entreter. A isto juntam-se as brutais consequências humanas, psicológicas, educativas, culturais e sociais que nascem de famílias em desagregação. Conflitualidade conjugal, explosão de divórcios, desequilíbrio emocional, precarização de relações, penetração do egoísmo, são sintomas evidentes e ameaçadores. O resultado é solidão, desespero ou embriaguez. Tudo nasce de uma ideologia lasciva que impõe o postulado de que no sexo todos os prazeres são equivalentes e devem ser excitados. Esta mentira evidente e clamorosa consegue passar por razoável na propaganda libertina. O tempo que teme tabaco e obesidade promove divórcio, aborto, promiscuidade e depravação.
O que mais espanta é a apatia generalizada da população perante a podridão, enquanto se enfurece e assusta com questões económicas, secundárias e passageiras. As elites de poder, do CDS, PSD e PS, aplaudidas por PCP e BE, são parte activa do problema, não da solução. As leis recentes sobre o tema envergonhar-nos-ão durante séculos. Portugal está doente, muito doente. Não pelo défice e dívida, nem sequer pelo desemprego e recessão. Tudo isso resolve-se em anos. A verdadeira doença que, mesmo não fatal, deixará mazelas por gerações, é a incompreensível, boçal e brutal dissolução familiar. Assim este período ficará marcado na nossa história. Se houver história. João César das Nevesin DN online AQUI
«O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: O amor de Deus, o amor eterno entre o Pai e o Filho. A nossa participação na vida divina consiste precisamente em entrar nessa dinâmica de amor: porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi concedido Rm5,5.
«Senhor que dá a vida». Assim como a alma anima o corpo, i.e,, lhe dá vida, assim o Espírito Santo dá a vida à Igreja e dá vida sobrenatural à nossa alma.
Uma alma que não está animada pelo Espírito Santo é uma alma desanimada, cheia de medos e hesitações, como, de algum modo, os apóstolos antes de Pentecostes.
Não sabemos exatamente o que aconteceu, mas verificamos uma grande Transformação na atitude dos apóstolos nesse dia. Os seus medos converteram-se em certezas, as suas hesitações em audácia. Lançaram-se a falar de Deus.....Estavam, de facto, ébrios do Espírito Santo: um a sóbria e santa ebriedade. E é nessa ebriedade que nos dá o Espírito Santo, o Amor de Deus, que encontramos a força e o ânimo para a nossa vida. Enganamo-nos quando a procuramos noutros sítios. Um amor que, se é verdadeiro, necessariamente é transformador: as pessoas que amam começam a portar-se melhor. Assim aconteceu com os apóstolos .....A Igreja e cada um de nós vive constantemente da efusão do Espírito Santo, sem o qual esgotaríamos as próprias forças, como uma barca à vela à qual faltasse o vento......Os dons do Espírito Santo que são como as velas da barca, que permitem avançar mais rapidamente com o sopro do vento. é bom que os recordemos para pedirmos ao Espírito Santo que os reforce na nossa alma».
(Copiado da página no Facebook de Augusto Castelo Branco)
Nossa Senhora de Fátima, aliás Maria de Nazaré, e Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido por Lenine, têm algumas curiosas afinidades, que, se não forem meras coincidências, são inquietantes manifestações de um desígnio transcendente.
O primeiro facto que os relaciona é a “conversão da Rússia”, que ambos, embora de forma diametralmente oposta, se propuseram realizar. Lenine, através da revolução de Novembro de 1917, converteu o império ortodoxo dos czares na ateia URSS. Maria, a 13 de Julho de 1917, também se propôs converter a Rússia… mas no sentido contrário! Não é estranho que um revolucionário queira converter um Estado cristão num país ateu, mas tem que se lhe diga que alguém queira converter numa sociedade cristã um país que já o é, porque sabe que, entretanto, vai deixar de o ser! Com efeito, naquela altura ninguém podia supor necessária a conversão da Rússia, para voltar a ser o que na data já era! Terá sido mera casualidade que, antes de aparecido o mal, já tivesse sido preconizada a cura?!
A segunda ocorrência dá-se a 13 de Maio de 1917, dia da primeira aparição na Cova da Iria e data em que Lenine redige o seu “credo ateu”. Esta sua profissão de fé ateia – Dostoievski disse que os russos têm tanta fé que alguns até são ateus! – foi provocada pelo assassinato, em Sampetersburgo, a futura Leninegrado, de uma professora e das crianças a quem dava catequese.
Meras coincidências? Talvez. Mas para a ciência, como para a fé, não há acasos. O que a razão humana não consegue explicar cientificamente, a fé entende que pode ser uma manifestação da Providência que, como alguém disse, é Deus quando viaja incógnito pelos caminhos dos homens, fazendo-os divinos.
É uma
possibilidade. Mas as vocações são muito variadas. Nem todo o mundo deve ser uma
Madre Teresa. Também um grande cientista, um grande erudito, um músico, um simples
artesão ou um operário podem ter uma vida plena, pois são pessoas que vivem a sua
existência com honradez, lealdade e humildade... [...] Cada vida traz consigo a
sua própria vocação, tem o seu próprio código e o seu próprio caminho. Ninguém
é uma mera imitação obtida com um molde, mais um entre uma profusão de
exemplares iguais. E cada pessoa necessita também de coragem criativa para
viver a sua vida e não se converter numa cópia dos outros.
O senhor se
lembrará da parábola do servo preguiçoso, que enterra o seu talento para que
nada aconteça com ele, e compreenderá o que quero dizer. Trata-se de um homem que
se nega a assumir o risco da existência, a desfraldar toda a sua originalidade
e a expô-la às ameaças que isso necessariamente traz consigo.
Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes, mas é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos e, precisamente neles, saboreia a sua alegria mais profunda. Irmana-os, a todos, a vontade de encarnar na sua existência o Evangelho, sob o impulso do eterno animador do Povo de Deus que é o Espírito Santo. (Bento XVI na homilia do dia 11.05.2010 no Terreiro do Paço em Lisboa)
Faz a sua oração em voz alta em frente à imagem da Virgem de Guadalupe no México: “Ofereço-te um futuro de amor, com muitas almas. Eu – que não sou nada, que não posso nada – atrevo-me a oferecer-te muitas almas, uma infinidade de almas, vagas de almas, em todo o mundo e em todos os tempos, decididas a entregarem-se ao teu Filho, e ao serviço dos demais, para levá-los até Ele”.
Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara Meditações sobre os Evangelhos
A virtude que Nosso Senhor recompensa, a virtude que Ele louva, é quase sempre a fé. Por vezes louva o amor, como com Madalena (Lc 7,47); por vezes a humildade, mas esses exemplos são raros; é quase sempre a fé que recebe Dele recompensa e louvores. Porquê? Sem dúvida porque a fé é, se não a mais alta virtude (a caridade ultrapassa-a), pelo menos a mais importante, pois é o fundamento de todas as outras, incluindo a caridade, e também porque é a mais rara.
Ter verdadeiramente fé, a fé que inspira todas as acções, essa fé sobrenatural que despoja o mundo da sua máscara e mostra Deus em todas as coisas; que faz desaparecer todos os impossíveis; que retira sentido às palavras de inquietação, de perigo, de medo; que faz com que se caminhe na vida com uma calma, uma paz e uma alegria profundas, como um menino levado pela mão da mãe; que conduz a alma a um desapego tão absoluto de todas as coisas sensíveis, cujo vazio e puerilidade detecta claramente; que proporciona uma tal confiança na oração, a confiança da criança que pede uma coisa boa a seu pai; essa fé que nos mostra que tudo o que não for agradar a Deus é mentira; essa fé que nos faz ver tudo a outra luz — os homens como imagens de Deus, que é preciso amar e venerar, como retratos do nosso Bem-Amado, a quem devemos fazer todo o bem possível; as outras criaturas, como coisas que devem, sem excepção, ajudar-nos a ganhar o céu, louvando a Deus, quer através delas quer privando-nos delas — essa fé que, deixando entrever a grandeza de Deus, nos faz ver a nossa pequenez; que nos leva a fazer sem hesitar, sem corar, sem temer, sem jamais recuar, tudo o que é agradável a Deus: oh como é rara essa fé! Meu Deus concede-ma! Meu Deus eu creio, mas aumenta a minha fé! Meu Deus, faz com que eu creia e ame.
Para ser humana, «a resposta da fé, dada pelo homem a Deus, deve ser voluntária. Por conseguinte, ninguém deve ser constrangido a abraçar a fé contra vontade. Efectivamente, o acto de fé é voluntário por sua própria natureza. [...] Isto foi evidente, no mais alto grau, em Jesus Cristo» (II Concílio do Vaticano, Dignitatis Humanae). De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém. [...] Para obter a salvação é necessário acreditar em Jesus Cristo e n'Aquele que O enviou para nos salvar (Mc 16,16; Jo 3,36; 6,40). [...]
A fé é um dom gratuito de Deus ao homem. Mas nós podemos perder este dom inestimável. [...] Para viver, crescer e perseverar até ao fim na fé, temos de a alimentar com a Palavra de Deus; temos de pedir ao Senhor que no-la aumente (Mc 9,24; Lc 17,5; 22,32); ela deve «agir pela caridade» (Gl 5,6; Tg 2,14-26), ser sustentada pela esperança (Rm 15,13) e permanecer enraizada na fé da Igreja.
A fé faz com que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatífica, termo da nossa caminhada nesta Terra. Então veremos Deus «face a face» (1Cor 13,12), «tal como Ele é» (1Jo 3,2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna. [...] Por enquanto, porém, «caminhamos pela fé e não vemos claramente» (2Cor 5,7). [...] Luminosa por parte d'Aquele em quem ela crê, a fé é muitas vezes vivida na obscuridade, e pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos parece muitas vezes bem afastado daquilo que a fé nos diz: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa-Nova. [...] É então que nos devemos voltar para as testemunhas da fé: Abraão, que acreditou, «esperando contra toda a esperança» (Rm 4,18); a Virgem Maria, [...] na «peregrinação da fé» (II Concílio do Vaticano, Lumen Gentium); e tantas outras testemunhas da fé: «envoltos em tamanha nuvem de testemunhas, devemos desembaraçar-nos de todo o fardo e do pecado que nos cerca e correr com constância o risco que nos é proposto, fixando os olhos no guia da nossa fé, Jesus, O qual a leva à perfeição» (Hb 12,1-2).
Chegando junto dos discípulos, viu uma grande multidão em volta, e os escribas a discutirem com eles. E logo toda aquela multidão surpreendida por ver Jesus, correu para O saudar. Perguntou-lhes: «Que estais a discutir entre vós?». Um de entre a multidão respondeu-Lhe: «Mestre, eu trouxe-Te meu filho que está possesso de um espírito mudo, que, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica rígido. Pedi aos Teus discípulos que o expulsassem e não puderam». Jesus respondeu-lhes: «Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá». Trouxeram-Lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência e, caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai dele: «Há quanto tempo lhe sucede isto?». Ele respondeu: «Desde a infância. O demónio tem-no lançado muitas vezes no fogo e na água, para o matar; porém Tu, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós». Jesus disse-lhe: «Se podes...! Tudo é possível a quem crê». Imediatamente o pai do menino exclamou: «Eu creio! Auxilia a minha falta de fé». Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: «Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse menino e não voltes a entrar nele!». Então, dando gritos e agitando-se com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, tanto que muitos diziam: «Está morto». Porém, Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé. Depois de ter entrado em casa, Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: «Porque o não pudemos nós expulsar?». Respondeu-lhes: «Esta casta de demónios não se pode expulsar senão mediante a oração».
Querido Jesus, beijamos-Te no crucifixo, olhamos para uma bonita imagem da Virgem Maria e começamos a escrever esta linhas desejando louvar-Te e glorificar-Te ainda que sem um pensamento claro da melhor forma de o fazer, se calhar é esta mesmo, abrindo-Te o nosso coração e dizer-Te que precisamos muito de Ti, pois sem Ti sabemos que não somos nada e conTigo estamos entre os mais ricos deste mundo.
Obrigado Senhor por tudo o que nos permites ter graças a Ti, nomeadamente a Ti próprio, no coração, no Sacrário e na Sagrada Eucaristia!
A Vigília Pentecostes realizada na tarde de sábado, na Praça S. Pedro, superou as expectativas e reuniu cerca de 200 mil pessoas.
Depois de horas de festa, música e testemunhos, chegou o momento tão aguardado: a presença do Papa Francisco, que depois de percorrer a Praça por meia hora para saudar os presentes, respondeu a quatro perguntas sobre vários temas.
A primeira dizia respeito a como alcançar a certeza da fé. Como fez em outras ocasiões, Francisco contou a sua experiência em família e do anúncio que recebeu de sua avó paterna. “O primeiro anúncio é feito em casa”, recordou, citando a importância das mães e das avós na transmissão da fé: “Não encontramos a fé no abstrato, mas é sempre um pessoa que prega, que nos diz quem é Jesus, que dá a fé...”.
O Papa descreveu o dia em que sentiu chamado para se tornar sacerdote. Era o dia 21 de setembro de 1953, aos 17 anos, “Dia do estudante” na Argentina. Antes de ir a uma festa, passou em frente a uma paróquia e sentiu a necessidade de se confessar. Depois dessa experiência, “algo mudou”, “eu não era mais o mesmo”. “A verdade era que alguém me esperava. O Senhor sempre nos espera!” Estudar a fé é importante, disse, mas mais importante é o encontro com Jesus.
O anúncio da fé foi o tema da segunda pergunta, à qual o Pontífice respondeu com três palavras: Jesus, que é o fulcro da mensagem; a oração e o testemunho.
“Gostaria de fazer uma pequena observação, mas fraternalmente, entre nós: Todos vocês gritaram ‘Francisco, Papa Francisco’... Mas Jesus, onde estava? Eu gostaria que vocês gritassem ‘Jesus, Jesus é o Senhor e está no meio de nós!’ A partir de agora, nada de ‘Francisco’: é Jesus, eh?”
A terceira pergunta foi sobre como viver uma Igreja pobre e para os pobres. O Papa recordou mais uma vez que é a Igreja não é um movimento político nem uma ONG. “O valor da Igreja fundamentalmente é viver o Evangelho e testemunhar a nossa fé. A crise não é somente económica ou cultural, mas é a crise do homem. O homem é a imagem de Deus, por isso é uma crise profunda.”
Nesses momentos, advertiu, existe a tentação de nos fecharmos nos nossos problemas, no nosso pequeno, na nossa comunidade. Mas a Igreja deve sair de si mesma rumo às periferias existenciais. “Hoje vivemos a cultura do descartável. Pensar que hoje as crianças que não têm o que comer não fazem notícia. Isto é grave. Isto é grave. Não podemos ficar tranquilos. Não podemos ser aqueles cristãos bem educados, que falam de coisas teológicas enquanto tomam chá, tranquilos: não. Devemos nos tornar cristãos corajosos e ir em busca daqueles que são a carne de Cristo. Quando damos esmola, olhamos nos olhos de quem a pede? Tocamos a sua mão ou lançamos a moeda? A pobreza, para nós cristãos, não é uma categoria sociológica ou filosófica ou cultural: é uma categoria teologal.”
O Pontífice contou a história de um rabino do século XII que narra a construção da Torre de Babel, onde os tijolos eram mais importantes do que os construtores. Quando um tijolo se quebrava, era um drama e o operário era punido. Mas se um operário se feria, isso não era um problema. “Isso acontece hoje: se os investimentos nos bancos caem, é uma tragédia. Mas se as pessoas morrem de fome, não têm o que comer ou não têm saúde, não é um problema! Esta é a nossa crise de hoje! E o testemunho de uma Igreja pobre para os pobres vai contra esta mentalidade.”
Enfim, a quarta e última pergunta: como ajudar nossos irmãos que sofrem por testemunhar Cristo?
Para anunciar o Evangelho, respondeu, são necessárias duas virtudes: a coragem e a paciência. Os que sofrem estão na Igreja da paciência. “Deve-se precisar que muitas vezes esses conflitos não têm uma origem religiosa; frequentemente têm outras causas de tipo social e político, e infelizmente as pertenças religiosas são usadas como gasolina no fogo. Todo homem e toda mulher devem ser livres na sua confissão religiosa, qualquer que seja. Por que? Porque aquele homem e aquela mulher são filhos de Deus.”
Torna o teu amor a Nossa Senhora mais vivo, mais sobrenatural. Não vás ter com Santa Maria só para pedir. Vai também para dar!: dar-lhe afecto; dar-lhe amor para o seu divino Filho; manifestar-lhe esse carinho com obras ao serviço dos outros, que são também seus filhos. (Forja, 137)
Voltemos mais uma vez à experiência de cada dia, ao modo de tratar com as nossas mães na terra. Acima de tudo, que desejam dos seus filhos, que são carne da sua carne e sangue do seu sangue? O seu maior desejo é tê-los perto. Quando os filhos crescem e não é possível continuarem a seu lado, aguardam com impaciência as suas notícias, emocionam-se com tudo o que lhes acontece, desde uma ligeira doença até aos acontecimentos mais importantes.
Olhai: para a nossa Mãe, Santa Maria, jamais deixamos de ser pequenos, porque Ela nos abre o caminho até ao Reino dos Céus, que será dado aos que se tornam meninos. De Nossa Senhora nunca nos devemos afastar. Como a honraremos? Tendo intimidade com Ela, falando com Ela, manifestando-lhe o nosso carinho, ponderando no nosso coração os episódios da sua vida na terra, contando-lhes as nossas lutas, os nossos êxitos e os nossos fracassos. (Amigos de Deus, 289–290) São Josemaría Escrivá
Neste dia, contemplamos e revivemos na liturgia a efusão do Espírito Santo realizada por Cristo ressuscitado sobre a sua Igreja; um evento de graça que encheu o Cenáculo de Jerusalém para se estender ao mundo inteiro.
Então que aconteceu naquele dia tão distante de nós e, ao mesmo tempo, tão perto que alcança o íntimo do nosso coração? São Lucas dá-nos a resposta na passagem dos Atos dos Apóstolos que ouvimos (2, 1-11). O evangelista leva-nos a Jerusalém, ao andar superior da casa onde se reuniram os Apóstolos. A primeira coisa que chama a nossa atenção é o rombo improviso que vem do céu, «comparável ao de forte rajada de vento», e enche a casa; depois, as «línguas à maneira de fogo» que se iam dividindo e pousavam sobre cada um dos Apóstolos. Rombo e línguas de fogo são sinais claros e concretos, que tocam os Apóstolos não só externamente mas também no seu íntimo: na mente e no coração. Em consequência, «todos ficaram cheios do Espírito Santo», que esperge seu dinamismo irresistível com efeitos surpreendentes: «começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem». Abre-se então diante de nós um cenário totalmente inesperado: acorre uma grande multidão e fica muito admirada, porque cada qual ouve os Apóstolos a falarem na própria língua. É uma coisa nova, experimentada por todos e que nunca tinha sucedido antes: «Ouvimo-los falar nas nossas línguas». E de que falam? «Das grandes obras de Deus».
À luz deste texto dos Actos, quereria reflectir sobre três palavras relacionadas com a acção do Espírito: novidade, harmonia e missão.
1. A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controlo, se somos nós a construir, programar, projectar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças, os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança, deixando que o Espírito Santo seja a alma, o guia da nossa vida, em todas as decisões; temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas, faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes. Mas, em toda a história da salvação, quando Deus Se revela traz novidade, transforma e pede para confiar totalmente n’Ele: Noé construiu uma arca, no meio da zombaria dos demais, e salva-se; Abraão deixa a sua terra, tendo na mão apenas uma promessa; Moisés enfrenta o poder do Faraó e guia o povo para a liberdade; os Apóstolos, antes temerosos e trancados no Cenáculo, saem corajosamente para anunciar o Evangelho. Não se trata de seguir a novidade pela novidade, a busca de coisas novas para se vencer o tédio, como sucede muitas vezes no nosso tempo. A novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem. Perguntemo-nos a nós mesmos: Permanecemos abertos às «surpresas de Deus»? Ou fechamo-nos, com medo, à novidade do Espírito Santo? Mostramo-nos corajosos para seguir as novas estradas que a novidade de Deus nos oferece, ou pomo-nos à defesa fechando-nos em estruturas caducas que perderam a capacidade de acolhimento?
2. Segundo pensamento: à primeira vista o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, porque traz a diversidade dos carismas, dos dons. Mas não; sob a sua acção, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia. Quem faz a harmonia na Igreja é o Espírito Santo. Um dos Padres da Igreja usa uma expressão de que gosto muito: o Espírito Santo «ipse harmonia est – Ele próprio é a harmonia». Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Também aqui, quando somos nós a querer fazer a diversidade fechando-nos nos nossos particularismos, nos nossos exclusivismos, trazemos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos desígnios humanos, acabamos por trazer a uniformidade, a homogeneização. Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja. O caminhar juntos na Igreja, guiados pelos Pastores – que para isso têm um carisma e ministério especial – é sinal da acção do Espírito Santo; uma característica fundamental para cada cristão, cada comunidade, cada movimento é a eclesialidade. É a Igreja que me traz Cristo e me leva a Cristo; os caminhos paralelos são perigosos! Quando alguém se aventura ultrapassando (proagon) a doutrina e a Comunidade eclesial e deixando de permanecer nelas, não está unido ao Deus de Jesus Cristo (cf. 2 Jo 9). Por isso perguntemo-nos: Estou aberto à harmonia do Espírito Santo, superando todo o exclusivismo? Deixo-me guiar por Ele, vivendo na Igreja e com a Igreja?
3. O último ponto. Diziam os teólogos antigos: a alma é uma espécie de barca à vela; o Espírito Santo é o vento que sopra na vela, impelindo-a para a frente; os impulsos e incentivos do vento são os dons do Espírito. Sem o seu incentivo, sem a sua graça, não vamos para a frente. O Espírito Santo faz-nos entrar no mistério do Deus vivo e salva-nos do perigo de uma Igreja gnóstica e de uma Igreja narcisista, fechada no seu recinto; impele-nos a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a vida boa do Evangelho, para comunicar a alegria da fé, do encontro com Cristo. O Espírito Santo é a alma da missão. O sucedido em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um facto distante de nós, mas um facto que nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós. O Pentecostes do Cenáculo de Jerusalém é o início, um início que se prolonga. O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos. Como ouvimos no Evangelho, Jesus diz: «Eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco» (Jo 14, 16). É o Espírito Paráclito, o «Consolador», que dá a coragem de levar o Evangelho pelas estradas do mundo! O Espírito Santo ergue o nosso olhar para o horizonte e impele-nos para as periferias da existência a fim de anunciar a vida de Jesus Cristo. Perguntemo-nos, se tendemos a fechar-nos em nós mesmos, no nosso grupo, ou se deixamos que o Espírito Santo nos abra à missão.
A liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja com Jesus eleva ao Pai, para que renove a efusão do Espírito Santo. Cada um de nós, cada grupo, cada movimento, na harmonia da Igreja, se dirija ao Pai pedindo este dom. Também hoje, como no dia do seu nascimento, a Igreja invoca juntamente com Maria: «Veni Sancte Spiritus… – Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor»! Amen.
Oxalá chegue muito longe o desejo expresso por estas palavras de São Josemaría, fundador do Opus Dei: “Gostaria (…) que, na Igreja Santa, todos nos sentíssemos membros de um só corpo, como nos pede o Apóstolo; e que vivêssemos a fundo, sem indiferenças, as alegrias, as tribulações, a expansão da nossa Mãe, una, santa, católica, apostólica, romana. Quereria que vivêssemos a identidade de uns com os outros e de todos com Cristo.” (Forja, 630). É a isto que o Papa Francisco nos chama, com o seu sorriso, com o seu coração de pastor de todos.
O Pentecostes fala-nos de línguas, de expansão, de sairmos de nós próprios, mas também nos anima à unidade afectiva e efectiva entre todos os filhos da Igreja. Uma unidade que é um sinal de esperança.
†Javier Echevarría - Prelado do Opus Dei
(Excerto artigo publicado no jornal italiano ‘Avvenire’ do dia 18.05.2013 com tradução de JPR)
O Papa encontrou-se hoje (ontem sábado) com mais de 150 mil pessoas no encontro intitulado 'Eu creio, mas aumenta a nossa fé', na Praça de São Pedro, e respondeu a quatro questões.
Francisco falou sobre a certeza e confissão da fé, o desafio de evangelizar a a Igreja como resposta à sociedade atual.
No início, o Papa referiu a avó como a principal testemunha de lhe transmitir a fé cristã e apelou às mulheres para que sintam o “amor na transmissão da fé”.
"Todos os dias rezo o terço e com Maria na oração sinto-me mais forte”, confessou.
À segunda questão Francisco respondeu que o mais importante no desafio da evangelização se resume em três palavras: “Jesus, oração e testemunho”.
O Papa referiu a sua entrada na Praça de São Pedro, ao som dos gritos 'Francisco', e pediu aos presentes que "gritassem Jesus, porque Ele é que é o Senhor”.
Olhando para uma Igreja que "quer pobre e para os pobres”, Francisco apelou a uma comunidade aberta aos outros.
"O que está em crise é o Homem, mas o Homem é a imagem de Deus, por isso não nos podemos fechar em nós mesmos, porque a Igreja quando se fecha, adoece”, alertou.
Na última questão o Papa Francisco sublinhou as duas virtudes para anunciar o Evangelho e poder mudar alguma coisa no mundo, “a coragem e a paciência”.
A referência aos mártires atuais mostrou que o cristão “tem de saber responder ao mal com o bem” e Francisco perguntou ainda se todos rezavam por estes mártires, pois só a oração os pode libertar.
Este encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Nova Evangelização termina este domingo com o Papa Francisco a celebrar na Praça de São Pedro a missa de Pentecostes e rezar com os diversos movimentos e associações eclesiais a oração mariana Regina Caeli.
Deixemos que o Pai e o Senhor façam morada em nós como Ele nos fala no Evangelho de hoje (Jo 14, 15-16.23b-26) para assim acolhermos o Espírito Santo de d’Eles procede.
Nesse dia prega: “A vida de oração tem de fundamentar-se, além disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a estar com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras, junto ao Sacrário sempre que possível, para agradecer ao Senhor essa espera – tão só! – desde há vinte séculos. A oração mental é diálogo com Deus, de coração a coração, em que intervém a alma toda: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. Uma meditação que contribui para dar valor sobrenatural à nossa pobre vida humana, à nossa vida corrente e diária”.
“Com efeito, não podemos se ao mesmo tempo egoístas e generosos, seguir a tendência de dominar os outros e sentir a alegria do serviço desinteressado. Temos sempre que escolher que impulso seguir as obras da carne são os pecados de egoísmo e de violência, como a inimizade, a discórdia, as invejas e os desacordos: são pensamentos e ações que não fazem viver realmente como humanos e cristãos, no amor. Ao contrário, o Espírito Santo guia-nos às alturas de Deus”. (Bento XVI - Homilia Missa de Pentecostes de 27.05.2012)
A efusão do Espírito Santo, na medida em que nos cristifica, leva-nos a reconhecer como filhos de Deus. O Paráclito, que é caridade, ensina-nos a fundir com essa virtude toda a vida. Por isso, feitos uma só coisa com Cristo, consummati in unum, podemos ser entre os homens o que Santo Agostinho afirma da Eucaristia:sinal de unidade, vínculo de Amor.
Encerrado na minha casa, sozinho, deixo as janelas e portas fechadas, pois tenho medo do que me pedes, Senhor! Como sempre, quando tenho medo, peço a tua Mãe que me ajude, e me ensine o caminho! E o que faz Ela? Reza, pede –Te o Espírito Santo, para Ela, para mim, para todos. De repente, vindo do Céu, ou de dentro de mim, (pelo Baptismo, pelo Crisma), irrompe uma força, um vento impetuoso, que leva as minhas dúvidas, arrasta os meus medos, e abre o caminho para Ti, Senhor! E eu levanto-me, encho-me de coragem, (ou és Tu que me enches, Espírito de Deus), e num grito da alma, proclamo: meu Senhor e meu Deus! Quero quedar-me assim, a gozar da tua presença, mas Tu não me deixas, e abrindo as janelas, escancarando as portas, mostras–me o mundo e dizes-me: Vai, anuncia-Me! Oh, pobre de mim, o que dizer, o que fazer, como anunciar-te, Senhor! Mas Tu, Senhor, docemente, sedutoramente no amor, como sempre fazes, dizes-me ao ouvido: «diz o que te for dado nessa hora, pois não serás tu a falar, mas sim o Espírito Santo.»* * Mc 13, 11 Marinha Grande, 27 de Maio de 2012 Joaquim Mexia AlvesAQUI
«Ele é a alma Desta Igreja. Ele é Quem explica aos fieis o sentido profundo dos ensinamentos de Jesus e o Seu mistério. Ele é Quem, hoje como nos começos da Igreja, actua em cada evangelizador que se deixa possuir e conduzir por Ele, e pões nos lábios as palavras que por si só não poderia achar, predispondo também a alma daquele que escuta para torná-la aberta e acolhedora da Boa Nova e do reino anunciado.» (Evangelii muntiandi, nº 75 – Paulo VI)
Spíritus Dóminireplévit órbem terrárum,allelúia: et hoc quod cóntinet ómnia,sciéntiam hábet vócis,allelúia, allelúia, allelúia. Exsúrgat Déus,et dissipéntur inimíci éjus:et fúgiant, qui odérunt éum,a fácie éjus. Glória Pátri, et Fílio,et Spirítui Sáncto. Sicut erat in princípio,et nunc, et semper,et in saécula saeculórum. Amen. Spíritus Dóminireplévit órbem terrárum,allelúia: et hoc quod cóntinet ómnia,sciéntiam hábet vócis,allelúia, allelúia, allelúia.
Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo Sermão 26, 2º para o Pentecostes
Eis o aniversário do dia em que o Espírito Santo foi enviado aos santos discípulos e a todos os que com eles estavam reunidos, o dia em que nos foi dado esse belo tesouro que tínhamos perdido no Paraíso terrestre, por obra da astúcia do Inimigo e pela claudicação humana [...].
Essa dádiva aconteceu de maneira maravilhosa, a começar já por aquilo que exteriormente se viu; quanto ao mistério escondido e encerrado interiormente em tais maravilhas, não há razão, pensamento ou criatura alguma que o pudesse conhecer, conceber ou dizer. O Espírito Santo é uma grandeza de tal forma imensa, tão incompreensível e tão doce, que toda a grandeza apenas concebível pela razão, por maior que se conceba, [...] nada é ao lado desta. Comparados com ela, o céu e a Terra, assim como tudo aquilo que pudemos ver, nada são [...]. Eis porque tem de ser o próprio Espírito Santo a preparar o lugar onde deve ser recebido, porque deve ser Ele a tudo fazer para tornar o homem capaz de O receber [...]; é o abismo inexprimível de Deus que tem de ser para Ele [...] o Seu lugar e a Sua capacidade de recepção.
«Encheu toda a casa» (At 2,2). Esta casa simboliza, em primeiro lugar, a santa Igreja, que é a morada de Deus; mas, em segundo lugar, simboliza cada homem em quem o Espírito Santo habita. Assim como numa casa há muitas divisões, muitos quartos, também o homem possui muitas faculdades, sentidos e diferentes energias; e o Espírito Santo a todas visita de maneira especial. Assim que aparece, Ele insta o homem, excita-o, acorda nele certas inclinações, trabalha-o e ilumina-o. Nem todos os homens sentem da mesma maneira esta visita e esta acção interiores. Ainda que o Espírito Santo habite em todos os homens corajosos, aquele que quer tomar consciência da Sua operação, sentir e saborear a Sua presença, deve recolher-se em si mesmo [...], na calma e no silêncio [...]. Quanto mais o homem se predispuser a esse movimento de recolhimento, mais tomará consciência dessa manifestação interior e sempre crescente do Espírito Santo, que afinal lhe foi dada completamente desde o início.