Pureza

Pureza
Rezemos pela pureza de todos os que se encontram ao serviço de Jesus Cristo e da Sua Igreja, para que livres do pecado sejam bons filhos de Deus

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Horóscopos são «mistificação» que é «profundamente antirreligiosa», diz psiquiatra

Os horóscopos «são a maior mistificação e não têm significado algum», além de serem «profundamente antirreligiosos e anticristãos», considera o psiquiatra e psicoterapeuta italiano Tonino Cantelmi.

Em entrevista publicada esta quarta-feira (janeiro de 2014) no site do Serviço de Informação Religiosa, ligado à Igreja católica na Itália, o especialista lembra que «o desejo de crer em alguma coisa e ter a possibilidade de controlar o futuro são inatos no homem».

«Cada um é um pequeno buscador de previsões, e os horóscopos vêm ao encontro deste desejo de prever o que acontece», tendência que tem «as suas raízes na grande insegurança da humanidade».

Especialmente presentes antes do início de cada ano, lançando as previsões para os doze meses seguintes, os horóscopos têm o «poder de sugestionar as pessoas, como também uma grande ambiguidade que permite lê-los de maneira diferente caso a caso».

Os horóscopos são «um grande jogo, mas também um grande negócio», sendo a secção «mais lida e mais seguida nos jornais e transmissões», atraindo, pelo caráter «lúdico», mesmo as pessoas «mais evoluídas e cultas».

Depois de mencionar os «verdadeiros charlatães», que «aproveitam a credulidade das pessoas propondo horóscopos personalizados», Cantelmi referiu-se à relação entre as adivinhações e a crença religiosa.

«Fundamentalmente o crente confia-se a si próprio a uma providência, a um Deus bom, sem ter a pretensão de controlar o futuro», pelo que «a fé madura é um grande salto na maturidade humana» ao ajudar a «estar no aqui e agora».

As «superstições, magias e horóscopos são tentativas de manipular a realidade, de fazer-se deus no lugar de Deus, de querer gerir o próprio futuro, e por isso são profundamente antirreligiosos e anticristãos».

Na maior parte dos casos, as consequências da leitura do horóscopo são «insignificantes»: «As pessoas leem-no, imaginam qualquer coisa, mas depois, na maior parte dos casos, esquecem-no no resto do dia».

«Quem é realmente sugestionável recorre a ele de maneira compulsiva, e aqui abre-se o grande capítulo das profecias que se autorealizam ou da leitura da realidade interpretada segundo o horóscopo. Na realidade é tudo um mecanismo de sugestão», explicou.

Grande parte dos horóscopos é «inócua», mas há «pessoas muito supersticiosas, com um nível de sugestão muito elevado, que entram num mecanismo de dependência com cartomantes e outras figuras».

Rui Jorge Martins
© SNPC | 08.01.14 AQUI

AMAR O AMOR!

Amar o Amor
é amar maior
é amar o Senhor!

Amar o Senhor
é amar a alegria
que ultrapassa a dor,
que se pode amar,
quando se ama o Amor.

Amar a dor,
amando o Senhor,
é amar o eu,
e o outro,
que se faz amor,
por causa do meu Senhor.

E quem se faz amor,
por causa de Nosso Senhor,
é amor que tudo ama,
na alegria e na dor.

Amar o Senhor,
encarnado Redentor,
eterno Salvador,
Jesus Cristo, Nosso Senhor,
é amar maior,
é amar o Amor.

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2015/10/amar-o-amor.html
Marinha Grande, 16 de Outubro de 2015

«Orai sempre»

Santa Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
«No Greater Love», c. 1


Somente através da meditação e da leitura espiritual podemos cultivar o dom da oração. A oração mental cresce simultaneamente com a simplicidade, ou seja, o esquecimento de si próprio, a superação do corpo e dos sentidos, e a renovação das aspirações que alimentam a nossa oração. É, como diz São João Maria Vianney, «fechar os olhos, fechar a boca e abrir o coração». Na oração vocal somos nós que falamos com Deus; na oração mental, é Ele que nos fala. É neste momento que Ele se derrama em nós.

A nossa oração deve ser feita de palavras quentes, nascidas da fornalha do nosso coração cheio de amor. Nas tuas orações, dirige-te a Deus com grande reverência e confiança. Não te atrases nem te precipites, não grites, nem te entregues ao mutismo, mas com devoção, com grande delicadeza, com toda a simplicidade, sem qualquer afectação, oferece o teu louvor a Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma.

Finalmente, deixa que o amor de Deus possua inteira e absolutamente o teu coração e deixa esse amor tornar-se no teu coração uma segunda natureza; não permitas que o teu coração seja penetrado do que lhe é contrário; deixa-o aplicar-se continuamente ao crescimento deste amor, procurando agradar a Deus em todas as coisas, não Lhe recusando nada; deixa-o aceitar tudo o que lhe acontece como vindo das mãos de Deus; faz com que esteja firmemente determinado a jamais cometer qualquer ofensa deliberada ou conscientemente – ou, se não, deixa-o humilhar-se e aprender a erguer-se logo a seguir. Então, esse coração estará continuamente em oração.

Evangelho do dia 16 de outubro de 2018

Enquanto Jesus falava, um fariseu convidou-O para comer com ele. Tendo entrado, pôs-Se à mesa. Ora o fariseu estranhou que Ele não Se tivesse lavado antes de comer. Mas o Senhor disse-lhe: «Vós os fariseus limpais o que está por fora do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e de maldade. Néscios, quem fez o que está fora não fez também o que está por dentro? Dai antes o que tendes em esmola, e tudo será puro para vós.

Lc 11, 37-41

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Que nunca deixe de praticar a caridade

Não é compatível amar a Deus com perfeição e deixar-se dominar pelo egoísmo – ou pela apatia – na relação com o próximo. (Sulco, 745)

A verdadeira amizade implica também um esforço cordial por compreender as convicções dos nossos amigos, mesmo que não cheguemos a partilhá-las nem a aceitá-las. (Sulco, 746)

Nunca permitas que a erva ruim cresça no caminho da amizade: sê leal. (Sulco, 747)

Um propósito firme na amizade: que no meu pensamento, nas minhas palavras, nas minhas obras para com o próximo – seja ele quem for –, não me comporte como até agora, quer dizer, nunca deixe de praticar a caridade, nunca dê entrada na minha alma à indiferença. (Sulco, 748)

A tua caridade deve ser adequada, ajustada, às necessidades dos outros...; não às tuas. (Sulco, 749)

Filhos de Deus! Uma condição que nos transforma em algo mais transcendente do que em simples pessoas que se suportam mutuamente... Escuta o Senhor: "Vos autem dixi amicos!" – somos seus amigos, que, como Ele, dão gostosamente a vida pelos outros, tanto nas horas heróicas como na convivência corrente. (Sulco, 750)

São Josemaría Escrivá

A escravidão do imediato

«É necessário ajudar os jovens a superarem a escravidão do imediato. Para isso, eles têm de compreender que a liberdade que possuímos não consiste tanto em fazer aquilo que nos apetece, mas sim em fazer o bem porque o queremos de verdade. Ser livre não é a mesma coisa que ser caprichoso. A liberdade não nos foi dada somente para escolher iogurtes num hipermercado».

Que palavras tão sábias! Numa época em que temos tanta sensibilidade para este conceito (liberdade), também temos de tomar cuidado para não ficarmos somente numa visão empobrecida e reduzida do que ela significa.

Na educação dos filhos, é muito conveniente ensinar-lhes a serem ponderados no exercício da sua liberdade. É preciso que aprendam a decidir perguntando-se antes: isto que me apetece é conveniente para mim? É uma necessidade real, ou é um simples capricho? É justo gastar este dinheiro quando tantas pessoas por aí estão a passar dificuldades?

Na tarefa educativa, os pais têm de ajudar os filhos a quererem de verdade aquilo que é o melhor para eles, e a não se deixarem levar pelo que é mais atraente à primeira vista. Isto é o que significa superar a escravidão do imediato.

No entanto, existe uma característica da vida hodierna que não facilita nada essa superação: a falta de ponderação. É com a ponderação que uma pessoa pode suscitar em si mesma essa força de vontade que a faz atrasar uma satisfação imediata, por ter em vista um bem maior pelo qual vale a pena esforçar-se.

Os jovens têm de perceber que a liberdade é uma certa abertura ao infinito. Nós, cristãos, sabemos que ela é um dom gratuito de Deus, que Ele nos deu precisamente para chegarmos até Ele e não nos contentarmos somente com os iogurtes do hipermercado.

A liberdade é uma capacidade radical. A juventude sempre gostou desta palavra porque é radical por definição. Mas se os jovens não entenderem bem esta capacidade, podem acabar por chegar à brilhante conclusão de que ela deve servir para fazer desportos radicais. Desportos que têm imensa “piada” precisamente porque vão unidos à “emoção” de arriscar a própria vida.

A liberdade é uma capacidade radical de sermos protagonistas da nossa própria vida. De sermos os nossos próprios pais. De sermos aquilo que de verdade queremos ser.

Como tantas vezes nos repetiu João Paulo II, a liberdade não é só, nem sobretudo, uma escolha de algo concreto, mas, dentro dessa escolha, uma decisão sobre nós mesmos. A pessoa constrói-se ou destrói-se através dos seus próprios actos. Isso é o que significa ser livre.

Por isso, a escravidão do imediato é um problema de falta de liberdade. Ou talvez seja, antes disso, uma consequência lógica de acharmos que temos essa capacidade só por causa dos iogurtes.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Santa Teresa de Ávila, um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos

Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI, é um dos vértices da espiritualidade cristã de todos os tempos, e deu início, junto com São João da Cruz, à Ordem dos Carmelitas descalços. Apesar de não possuir uma formação académica, sempre soube se alimentar dos ensinamentos de teólogos, literatos e mestres espirituais. Suas principais obras são: «O livro da Vida»; «Caminho da perfeição»; «Castelo Interior» e «O Livro das Fundações». Entre os elementos essenciais da sua espiritualidade, podemos destacar, em primeiro lugar, as virtudes evangélicas, base de toda a vida cristã e humana. Depois, Santa Teresa insiste na importância da oração, entendida como relação de amizade com Aquele que se ama. A centralidade da humanidade de Cristo, outro tema que lhe era muito caro, ensina que a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus, a qual culmina na união com Ele pela graça, pelo amor e pela imitação. Por fim, está a perfeição, aspiração e meta de toda vida cristã, realizada pelo acolhimento da Santíssima Trindade, na união com Cristo através do mistério da Sua humanidade.

(Bento XVI - Audiência geral do dia 02.02.2011)

Santa Teresa de Ávila e S. Josemaria

Quando, entre finais de Dezembro de 1917 e o início de Janeiro de 1918, em Logronho, o jovem Josemaria descobriu aquelas pegadas de uns pés descalços na neve, despertou na sua alma uma profunda inquietude e a certeza plena de que o Senhor queria algo dele. Passou então a ter direção espiritual com o Padre José Miguel, o carmelita que tinha deixado aquelas pegadas.

Este santo religioso, ao observar as excelentes disposições interiores do jovem, e compreendendo que o Senhor, efetivamente, o chamava, sugeriu-lhe que se fizesse carmelita descalço. Esta possibilidade nem o atraía nem lhe desagradava; mas, depois de ter meditado com calma na oração, também quanto ao que afetava os seus deveres familiares, compreendeu claramente que não era isso que o Senhor lhe pedia, e pressentiu que se o Senhor queria algo dele, o melhor modo de estar disponível era vir a ser sacerdote.

Interrompeu então a direção espiritual com o Padre José Miguel, embora tenha conservado sempre uma sincera gratidão pelo modo como o atendia, bem como um afeto muito grande pelos carmelitas. Estimava especialmente Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz e Santa Teresa do Menino Jesus: foi assíduo leitor das suas obras e na pregação evocava muitas vezes estes grandes mestres da espiritualidade e citava os seus escritos, embora, quando era necessário, apontasse os pontos de divergência com o seu próprio modo de pensar e viver a relação com Deus.

S. Josemaria adentrou-se nos escritos da Santa de Ávila nos seus anos de Seminário em Saragoça. Levado pelo seu gosto literário, o jovem Josemaria empregava o tempo livre de aulas ou de estudo na leitura. Viam-no a tomar notas de frases ou pensamentos. Deitava-se roubando horas ao sono. De noite, os seminaristas viam por debaixo da porta do seu quarto, a luz bruxuleante e incerta de uma vela, pois nem todos os quartos do seminário de São Carlos tinham luz elétrica.

Aproveitou um fecundo período de dois anos de leituras. Mais tarde, S. Josemaria já não dispunha de tanto tempo nem de ocasião tão propícia para esse tipo de livros, excetuando a necessidade que teve, por vezes, de consultar os escritos dos clássicos. Leu com profundidade místicos e ascetas, estudando os efeitos ocultos da graça. E apreciava, muito particularmente, as obras de Santa Teresa.

Essas leituras dos clássicos espanhóis do Século de Ouro, transpareciam depois nos seus escritos e na sua pregação, mas também na sua vida diária e nos seus esforços por tornar amável o dia-a-dia da sua família. Em 1931, sendo sacerdote jovem em Madrid, com uma situação económica muito difícil, decidiu esmerar-se, ainda mais, no relacionamento dentro de casa: verei na minha mãe a Ssma. Virgem, na minha irmã Carmen, Santa Teresa ou Santa Teresinha, e em Guitín (assim chamava carinhosamente a Santiago, seu irmão mais novo) Jesus Adolescente.

Nesse mesmo ano, crescia a perseguição religiosa em Espanha. A 14 de Outubro soube que se tinha aprovado o famoso e triste 26º artigo da Constituição, que levaria à expulsão da Companhia de Jesus. Nessa mesma tarde foi ter com o seu confessor a Chamartín. O perigo não afetava somente os jesuítas. Todos os conventos e residências de religiosos estavam sujeitos a ser assaltados. Para os proteger, os estudantes católicos costumavam ficar de guarda durante a noite. A 15 de Outubro, dia de Santa Teresa de Jesus, o capelão dirigiu-se à clausura. As religiosas estavam atemorizadas pelos alarmantes rumores que lhes chegavam da rua. Sossegou-as como pôde, pondo calor e otimismo nas suas palavras:
"Hoje entrei na clausura de Sta. Isabel. Animei as freiras. Falei-lhes de Amor, de Cruz e de Alegria... e de vitória. Fora com os medos! Estamos nos princípios do fim. Santa Teresa proporcionou-me, do nosso Jesus, a Alegria - com maiúscula - que hoje tenho..., quando, parecia, humanamente falando, que devia estar triste, pela Igreja e pelo que a mim me diz respeito (que anda mal: de verdade): Muita fé, expiação, e, acima da fé e da expiação, muito Amor. Além disso esta manhã, para purificar duas Píxides, para não deixar o Santíssimo Sacramento na Igreja, comunguei quase meia píxide, embora tenha dado bastantes hóstias a cada religiosa."

As religiosas premiaram aquela sementeira de alegria: ao sair da clausura, na portaria, mostraram-me um Menino, que era um Sol. Nunca vi um Menino Jesus tão bonito! Encantador: despiram-no: está com os bracinhos cruzados sobre o peito e os olhos entreabertos. Lindo: comi-o com beijos e... de boa vontade o teria roubado.

Caminho, o livro mais conhecido de S. Josemaria, tem sido comparado a alguns escritos de S. João da Cruz genericamente designados por “Avisos y Cautelas”. Autores como Ibánez Langlois não ignoram a relação existente entre Josemaria Escrivá e os clássicos da literatura espiritual espanhola. Contudo, entre estes, mais do que S. João da Cruz distingue Santa Teresa de Jesus: “Dentro do século de ouro – escreveu - é com Santa Teresa que sobressai um parentesco mais evidente. Porque, assim como ela escreve uma prosa coloquial e fulgurante muito longe de qualquer pretensão de escritora e sem sequer saber que o era, assim também Josemaria Escrivá. Fez grande literatura, considerando ele próprio que só escrevia rápidos apontamentos de consciência, cartas de família, anotações pessoais nascidas da sua oração…

Esta influência de Santa Teresa no modo de escrever do fundador do Opus Dei, surge também em vários pontos de Caminho em que cita Santa Teresa.
Vontade. - Energia. - Exemplo. - O que é preciso fazer, faz-se... Sem hesitar... Sem contemplações...
Sem isso, nem Cisneros teria sido Cisneros; nem Teresa de Ahumada, Santa Teresa...; nem Iñigo de Loyola, Santo Inácio...
Deus e audácia! - "Regnare Christum volumus!".
Caminho, 11

Homem livre, sujeita-te a uma voluntária servidão, para que Jesus não tenha que dizer por tua causa aquilo que contam ter dito, a propósito de outros, a Santa Teresa: "Teresa, Eu quis... mas os homens não quiseram".
Caminho, 761

Menino audaz, grita: que amor, o de Teresa! - Que zelo, o de Xavier! - Que homem tão admirável, São Paulo! - Ah, Jesus, pois eu... amo-Te mais do que Paulo, Xavier e Teresa!
Caminho, 874

Não peças perdão a Jesus apenas das tuas culpas; não O ames com o teu coração somente...
Desagrava-O por todas as ofensas que Lhe têm feito, que Lhe fazem e Lhe hão de fazer...; ama-O com toda a força de todos os corações de todos os homens que mais O tenham amado.
Sê audaz: diz-Lhe que estás mais louco por Ele que Maria Madalena, mais que Teresa e Teresinha... mais apaixonado que Agostinho e Domingos e Francisco, mais que Inácio e Xavier.
Caminho, 402

De São José diz Santa Teresa, no livro da sua vida: "Quem não achar Mestre que Lhe ensine a orar, tome este glorioso Santo por mestre, e não errará no caminho". - O conselho vem de uma alma experimentada. Segue-o.
Caminho, 561

Uma má noite, numa má pousada. - Dizem que assim definiu esta vida terrena a Madre Teresa de Jesus. - Não é verdade que é uma comparação certeira?
Caminho, 703

Devagar. - Repara no que dizes, quem o diz e a quem. - Porque esse falar depressa, sem lugar para a reflexão, é ruído, chocalhar de latas.
E dir-te-ei, com Santa Teresa, que a isso não chamo oração, por muito que mexas os lábios.
Caminho, 85

E noutros escritos de S. Josemaria também assoma a sua devoção e carinho por Santa Teresa de Ávila.

Vou continuar esta conversa diante de Nosso Senhor, com uma nota que utilizei há uns anos e que mantém a atualidade. Recolhi então umas considerações de Teresa de Ávila: tudo o que se acaba e não contenta Deus, é nada e menos que nada. Compreendem porque é que uma alma deixa de saborear a paz e a serenidade quando se afasta do seu fim, quando se esquece de que Deus a criou para a santidade? Esforcem-se por nunca perder este ponto de mira sobrenatural, nem sequer nos momentos de diversão ou de descanso, tão necessários como o trabalho na vida de cada um.
Amigos de Deus, 10

Este advérbio - sempre - tornou grande Teresa de Jesus. Quando ela - em criança - saía pela porta do rio Adaja, atravessando as muralhas da cidade acompanhada por seu irmão Rodrigo, com o intuito de chegar a terras de moiros, para que os decapitassem por amor de Cristo, ia segredando ao irmão que já dava mostras de cansaço: para sempre, para sempre, para sempre.
Mentem os homens ao dizer para sempre em coisas temporais. Só é verdade, com uma verdade total, o para sempre em relação a Deus. E assim hás de viver tu, com uma fé que te ajude a sentir sabor de mel, doçura de céu, ao pensares na eternidade, que é, de verdade, para sempre.
Amigos de Deus, 200

O homem de fé sabe julgar bem as questões terrenas, sabe que a vida terrena é, no dizer de Santa Teresa, uma má noite numa má pousada. Renova a sua convicção de que a nossa existência na terra é tempo de trabalho e de luta, tempo de purificação para saldar a dívida para com a justiça divina, pelos nossos pecados. Sabe também que os bens temporais são meios e usa-os generosamente, heroicamente.
Amigos de Deus, 203

Assegura Santa Teresa que "quem não faz oração não precisa de demónio que o tente; ao passo que, quem faz apenas um quarto de hora por dia, necessariamente se salva"..., porque o diálogo com Nosso Senhor - amável, mesmo nos tempos de aspereza ou de secura da alma - descobre-nos o autêntico relevo e a justa dimensão da vida.
- Sê alma de oração.
Forja, 1003

As pessoas que conviveram com ele, relatam também acontecimentos e palavras da sua pregação em que, frequentemente, se notavam marcas que Santa Teresa tinha deixado na sua alma. O beato Álvaro del Portillo, recorda: “O Padre costumava dizer, logo aos primeiros membros do Opus Dei, que para crescer na vida interior, é um bom meio consagrar cada dia da semana a uma devoção sólida: à Santíssima Trindade, à Eucaristia, à Paixão, à Virgem, a São José, aos Santos Anjos da Guarda, às benditas almas do Purgatório. Como sempre, este conselho brotava da sua experiência pessoal: vivia-o há muitos anos. Posso afirmar que as suas principais devoções foram: a Santíssima Trindade - Deus Uno e Trino, além das Três Pessoas divinas com quem se relacionava individualmente: o Pai, o Filho e o Espírito Santo -; Nosso Senhor Jesus Cristo, sobretudo a sua presença na Eucaristia, a sua Paixão e os seus anos de vida oculta; a Santíssima Virgem; São José; os santos Anjos e Arcanjos; os Santos e, sobretudo, os doze Apóstolos, os Santos que escolheu como intercessores de alguns aspetos do apostolado da Obra - Santa Catarina de Sena, São Nicolau de Bari, São Tomás Moro, São Pio X e o Santo Cura de Ars -, outros santos, como Santo Antão, Santa Teresa de Jesus, etc., e os primeiros cristãos.”

Javier Echevarría, referindo-se ao modo confiante como S. Josemaria se relacionava com o seu Pai-Deus, apesar do cansaço ou das dificuldades, recordava: “Não o vi em nenhum momento desanimado, descrente, intranquilo. A seu lado, sentia-se o que tantas vezes nos repetiu, com palavras de Santa Teresa de Jesus: "a quem Deus tem, nada lhe falta". Resumia claramente as suas disposições em 1966: "a angústia e a tristeza opõem-se completamente à própria essência de Deus, que é a felicidade em sumo grau. Se estais cansados, dizei-o ao Senhor; se encontrais grandes dificuldades, deixai-as nas mãos do Senhor. Mas, insisto, evitai que alguém possa concluir, pela vossa atitude pessoal, que o jugo do Mestre não é suave, não é de amor."

S. Josemaria sempre amou o estado religiosoe, sempre que pôde, visitou os conventos que o convidavam a ir lá. No Chile, durante a sua viagem de catequese em 1974, a superiora do convento das Carmelitas em Pedro de Valdivia falou sobre o ideal da sua fundadora, Santa Teresa de Jesus, "tanto alcanças quanto esperas", um argumento a que S. Josemaria não opôs resistência, e com o maior gosto se dispôs a visitá-las na mesma manhã em que recebeu a carta. "Tenho um amor muito grande à vocação das almas contemplativas – disse-lhes -, porque no Opus Dei somos contemplativos no meio da rua. Compreendemos-vos muito bem, e as Carmelitas do mundo inteiro entendem-nos muito bem e ajudam-nos com a sua oração. Venho pedir uma esmola de oração: rezai". As carmelitas recordam que lhes adoçou a alma com os seus comentários e também o paladar com os bombons que lhes levou de presente.

*Fontes:
Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, Vol. 1.
Javier Echevarría: Entrevista de Salvador Bernal, Lembrando o Beato Josemaría
Álvaro del Portillo, Entrevista sobre o Fundador do Opus Dei
José Miguel Ibáñez Langlois, Josemaría Escrivá como escritor
Josemaría Escrivá de Balaguer, Caminho
Josemaría Escrivá de Balaguer, Forja
Josemaría Escrivá de Balaguer, Amigos de Deus
www.opusdei.org

Santa Teresa de Ávila, doutora da Igreja, †1582

Nunca um santo ou santa se mostrou tão "carne e osso" como Teresa de Ávila, ou Teresa de Jesus, nome que assumiu no Carmelo. Nascida no dia 28 de Março de 1515. Seus pais, Alonso Sanchez de Cepeda e Beatriz de Ávila y Ahumada, educaram-na junto com os irmãos dentro do exemplo e dos princípios cristãos. Aos sete anos, tentou fugir de casa e peregrinar ao oriente para ser martirizada pelos mouros, mas foi impedida. A leitura da vida dos santos mártires tinha sobre ela uma força inexplicável e, se não fossem os parentes terem encontrado por acaso, teria fugido, levando consigo o irmão Roderico.

Órfã de mãe aos doze anos, Teresa assumiu Nossa Senhora como Mãe adotiva. Mas o despertar da adolescência levou-a a ter experiências excessivas ao lado dos primos e primas, tornando-se uma grande preocupação para seu pai. Aos dezasseis anos, sua atracção pelas vaidades humanas era muito acentuada. Por isto, o pai pô-la a estudar no Colégio das Agostinianas em Ávila. Após dezoito meses uma doença grave fê-la voltar para receber tratamento em casa de seu pai, o qual se culpou pelo sucedido.

Neste período, pela primeira vez, Teresa passou por experiências espirituais místicas, de visões e conversas com Deus. Todavia as tentações mundanas não a abandonavam. Assim atormentada, desejando seguir com segurança o caminho de Cristo, em 1535, já com vinte anos, decidiu tornar-se religiosa, mas foi impedida pelo pai. Como na infância resolveu fugir, desta vez, com sucesso. Foi para o Convento Carmelita da Encarnação de Ávila.

Entretanto a paz não era sua companheira mais presente. Durante o noviciado, novas tentações e mais o relaxamento da fé não pararam de a atormentar.

Um ano volvido, contraiu outra doença grave, quase fatal, e novamente teve visões e conversas com o Pai do Céu. Teresa então concluiu que devia converter-se de verdade e empregou todas as forças do coração em sua definitiva vivência da religião, no Carmelo, tomando o nome de Teresa de Jesus.

Aos trinta e nove anos ocorreu sua "conversão". Teve a visão do lugar que a esperaria no inferno, se não tivesse abandonado suas vaidades. Iniciou, então, o seu grande trabalho de reformista.

Pequena e sempre adoentada, ninguém entendia como conseguia subir e descer montanhas, deslocar-se pelos caminhos mais ermos e inacessíveis, de Convento em Convento, por toda a Espanha. Em 1560 teve a inspiração de um novo Carmelo, onde se vivesse sob as regras originais. Dois anos depois fundou o primeiro Convento das Carmelitas Descalças da Regra Primitiva de São José em Ávila, aonde foi morar.

Porém, em 1576 enfrentou sérias dificuldades dentro da Ordem. Por causa da rigidez das normas que implementou dentro dos Conventos, as comunidades manifestaram-se junto ao novo Geral da Ordem, o qual igualmente discordava das normas adoptada e assim sendo foi afastada. Teresa recolheu-se num dos Conventos e acreditou que sua Obra não teria continuidade.

Obteve porém, o apoio do Rei Felipe II e conseguiu dar sequência ao seu trabalho.

Em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autónoma a província Carmelita descalça.

Apesar de uma actividade intensa, ainda encontrava espaço para transmitir ao mundo suas reflexões e experiências místicas. Na sua época toda a cidade de Ávila sabia das suas visões e diálogos com Deus. Para obter ajuda, na ânsia de entender e conciliar seus dons de espiritualidade e as insistentes tentações, ela mesma expôs os factos diante de muitos leigos e não apenas aos seus Confessores e Directores Espirituais.

Graças à orientação destes ela seguiu numa rota segura, porque foi devidamente orientada por estes, que eram, os agora Santos: Francisco Bórgia e Pedro de Alcântara, que perceberam os sinais da acção de Deus.
A pedido dos seus superiores, registou toda sua vida atribulada de tentações e espiritualidade mística em livros como: "O Caminho da Perfeição", "As Moradas", "A Autobiografia", e outros.

Nos quais narra como um Anjo trespassou seu coração com uma seta de fogo.

Vítima de doença, faleceu no dia 4 de Outubro de 1582, aos sessenta e sete anos, no convento de Alba de Torres, Espanha.Nesta ocasião, tinha reformado dezenas de Conventos e fundado trinta e dois, de Carmelitas descalças, sendo dezassete femininos e quinze masculinos.

Beatificada em 1614, foi canonizada como Santa Teresa de Ávila, em 1622.

A comemoração da festa da trasverberação do coração de Santa Teresa ocorre em 26 de Agosto.

Enquanto a celebração do dia de sua morte ficou para o dia 15 de Outubro, a partir da última reforma do calendário litúrgico da Igreja.
O Papa Paulo VI, em 1970, proclamou Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja, a primeira mulher a obter tal título.

(Fonte: site Paulinas com adaptação e edição de JPR)

Evangelho do dia 15 de outubro de 2018

Concorrendo as multidões, começou a dizer: «Esta geração é uma geração perversa; pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas. Porque, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do Homem será um sinal para esta geração. A rainha do meio-dia levantar-se-á no dia do juízo contra os homens desta geração, e condená-los-á, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e aqui está Quem é mais do que Salomão. Os ninivitas levantar-se-ão no dia do juízo contra esta geração, e condená-la-ão, porque fizeram penitência com a pregação de Jonas; e aqui está Quem é mais do que Jonas!

Lc 11, 29-32