Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 18 de março de 2022

«Para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos»

São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo e Doutor da Igreja

Está escrito: «Nós, que somos muitos, constituímos um só corpo em Cristo» (Rom 12, 5), porque Cristo nos congrega na unidade, pelos laços do amor: «Ele que, de dois povos, fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava, anulando pela Sua carne a Lei, os preceitos e as prescrições» (Ef 2, 14-15). Temos, pois, de ter os mesmos sentimentos recíprocos: «Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele» (1Cor 12, 26). Por isso, prossegue São Paulo, «acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu, para glória de Deus» (Rom 15, 7). Acolhamo-nos uns aos outros, se queremos ter os mesmos sentimentos, «suportando-nos uns aos outros com caridade, solícitos em conservar a unidade de espírito, mediante o vículo da paz» (Ef 4, 2-3) Foi assim que Deus nos acolheu em Cristo, que disse: «Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho único» (Jo 3, 16). Com efeito, o Filho foi dado em resgate pela vida de todos nós, e nós fomos libertados da morte, resgatados da morte e do pecado.

São Paulo esclarece as perspectivas deste plano de salvação quando afirma que «Cristo Se fez servidor dos circuncisos, a fim de mostrar a veracidade de Deus» (Rom 15, 8). Porque Deus tinha prometido aos patriarcas, pais dos judeus, que abençoaria a sua descendência, que seria tão numerosa como as estrelas do céu. Foi por isso que o Verbo, que é Deus, Se manifestou na carne e Se fez homem. Ele mantém na existência toda a criação e assegura o bem de tudo quanto existe, pois é Deus. Mas veio a este mundo e encarnou, «não para ser servido, mas», como Ele próprio afirmou, «para servir e dar a vida em resgate pela multidão» (Mc 10, 45).

quarta-feira, 16 de março de 2022

Maria na piedade da Igreja

“…, aponta em todas as suas partes e de todos os pontos de vista sempre tanto para Cristo como para a Igreja. Daí resulta diretamente que também toda a piedade mariana, se quiser ser católica, não se pode nunca isolar, antes pelo contrário deve sempre inserir-se e orientar-se tanto cristologicamente (e, portanto, trinitariamente) como eclesiologicamente.

(…). Todos conhecemos essas tendências que, à primeira vista, dão a impressão de que o povo em oração veria em Maria algo como um símbolo personificado ou o arquétipo da graça divina, providencial e misericordiosa como mãe, como se Maria fosse assim elevada à esfera de Deus e a obra decisiva de Cristo passasse despercebida. (…). Por outro lado, a impressão referida pode ter fundamento em populações menos bem catequizadas: para elas Maria é frequentemente uma espécie de quinta-essência de toda a salvação. Aí tem que intervir a evangelização tão urgentemente recomendada pelo Sínodo dos Bispos e pelo Papa (João Paulo II), procedendo com doçura e inteligência às rectificações necessárias.

(Hans Urs von Balthasar in ‘Maria primeira Igreja’ – Joseph Ratzinger e Hans Urs von Balthasar)

segunda-feira, 14 de março de 2022

A cultura da imagem narcísica

Auto-retratos fizeram-nos desde Leonardo da Vinci a Andy Warhol. Vincent Van Gogh, que foi e é um génio da pintura, mas doente mental, fê-los em catadupa.

Hoje há quem imite Van Gogh nas redes sociais publicando fotografias próprias com e sem pose a um ritmo que nem este conseguiria acompanhar, num aparente ‘ai que bonito ou bonita que eu sou’ que mais não é uma manifestação de narcisismo pouco consentânea com outros valores que desejam projetar.

S. Paulo o Apóstolo do gentios, era feio e mau orador, mas não necessitou de recorrer a qualquer cultura de imagem para evangelizar, mas o exemplo supremo está em Jesus Cristo que teve morte de Cruz terminando ensanguentado e certamente parcialmente desfigurado pela flagelação e coração com espinhos a que O submeteram e de quem nos Evangelhos não aparece uma única referência à Sua aparência física.

Os selfies são uma parte desta cultura, mas têm um lado que se pode entender e respeitar quando está subjacente guardar a memória de um momento especial, uma Mãe no aniversário de um filho, um crente que tem a oportunidade de estar próximo do Papa, do Bispo diocesano, etc., etc., etc.. Quando feitos em excesso e escarrapachados nas redes sociais, revelam uma necessidade de projeção de si próprio que merece ser ponderada e eventualmente corrigida.

A sobriedade nunca fez mal a ninguém, pelo contrário sempre nos preservou na intimidade e de olhares perversos.

JPR

quarta-feira, 9 de março de 2022

Encontrar um equilíbrio

«Muitos hoje são grandes nas redes sociais, mas são muito pouco sociáveis». Palavras do Papa Francisco na sua recente viagem à Grécia num encontro com jovens.


A facilidade para comunicarmos online possui enormes vantagens, mas seria ingénuo e perigoso pensar que não existem inconvenientes nessa comunicação.


Há uns anos, uma carta demorava dias ou meses a chegar ao seu destinatário. Neste momento, basta possuir uma conexão à internet para que possamos enviar uma mensagem numa questão de segundos. No entanto, convém não esquecer que a rapidez não é o único valor a ter em conta na comunicação com os outros.


Os écrans possuem uma capacidade tão grande de nos prender que, nalgumas ocasiões, podemos ter dificuldade em pensar numa vida plena e feliz offline. Quando nos acontece algo interessante, podemos ter uma certa dificuldade em esperar até chegar a casa para o contar aos nossos familiares que vivem connosco, talvez com um certo receio de que não nos prestem atenção.


Se só comunicamos online e muito pouco offline é evidente que a comunicação cara a cara se ressente, e isso, como é óbvio, deteriora as relações pessoais. Inclusivamente, em momentos da vida em que esperamos que as pessoas sejam mais empáticas como é um caso de um funeral, podemos encontrar a situação de que muitos, sem saber como actuar ou o que dizer, ficam simuladamente a olhar para o telemóvel.


A grande solução está, evidentemente, em encontrar um equilíbrio.


J. Kulaga, professora na Universidade do Arizona, publicou um conjunto de 3 recomendações que podem ajudar a encontrar esse equilíbrio:


1) Deixar de lado as comparações com aquilo que vemos nas redes sociais, já que isso não costuma adequar-se à realidade na qual vivemos.


2) A necessidade de limitar o tempo de uso das plataformas online: deste modo, será possível alcançar metas pessoais com maior rapidez e menos distrações.


3) Passar um tempo de qualidade com os familiares e amigos: os pais que utilizam as redes socias à mesa durante as refeições estão a perder uma oportunidade de ouro de interagir com os seus filhos.


Resumindo: as plataformas online são parte da vida quotidiana, mas temos de aprender a desconectar um pouco delas para poder conectar com a realidade circundante.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

terça-feira, 8 de março de 2022

São João de Deus, †1550 (Patrono dos hospitais)

"É pelo fruto que se conhece a árvore." Mt 12,33b 

O Santo de hoje é muito conhecido, sobretudo no mundo português. É São João de Deus, português, nascido em Montemor-o-Novo (1495) e falecido em Granada (Espanha, a 8 de Março de 1550). De seu nome João Cidade conta-se que, tendo transportado aos ombros um menino andrajoso que com dificuldade se deslocava, este lhe mostrou uma granada ou romã, com uma representação da Santa Cruz e, referindo-se à cidade espanhola com esse nome, lhe disse: "Granada será a tua Cruz". A seguir desapareceu. 

A primeira parte da vida deste santo foi marcada por aventuras, algumas até curiosas. Abandonou a casa paterna aos oito anos. Fez-se soldado. Trabalhou em hospitais, como simples servente. Foi criado e comerciante. Manteve um pequeno negócio de livros. Ouvindo um sermão de São João d' Ávila sentiu-se tocado. Desfez-se de todos os seus bens. Reuniu esmolas e foi cuidar de doentes, especialmente dos loucos e dos incuráveis. Entre eles, como ele próprio conta, havia paralíticos, leprosos e até mudos. "Nas horas difíceis - dizia João de Deus - é Jesus Cristo quem provê tudo e dá de comer aos meus queridos doentes". 

Mantinha ele mais de oitenta hospitais, que fundara só em Espanha. Por isso, tornou-se também o Fundador dos Irmãos dos Enfermos. E foi declarado patrono dos hospitais por Leão XIII.