Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 4 de março de 2022

Ucrânia mártir

O nome deste país vai ficar como símbolo de um heroísmo e desejo de paz que não se via há anos no mundo.


No grupo familiar, trocávamos informações acerca de manifestações de apoio à Ucrânia, e uma sobrinha minha, que trabalha na Polónia, escreveu:


— «Nós vamos hoje com os ucranianos do escritório. É impressionante o movimento gigante que se está a gerar. Penso que aqui a atmosfera seja mais intensa por haver tantos imigrantes ucranianos e pela proximidade geográfica. Imensas pessoas (jovens, velhos, polacos, ucranianos, russos, de todas as nações) estão a ir de carro até a fronteira polaca para ir buscar os refugiados e dar-lhes boleia para os centros de refugiados, para outras cidades ou, várias vezes, para as suas próprias casas. Os protestos são cada vez maiores. Há filas nos “collection points” para entregar comida, medicamentos, roupa, etc., que estão a ser levados de comboio para a fronteira e a ser passados para a Ucrânia. É mesmo muito impressionante ver um país e uma sociedade, que não acolhe nada bem refugiados, nem imigrantes em geral, de repente, unir-se toda, nesta situação. Sente-se um ambiente de cortar à faca, mas ao mesmo tempo de união incrível nas ruas. É muito emocionante ouvir as histórias dos pais e das famílias do escritório. Uns ligam a chorar pq têm pais médicos que foram chamados para ir ajudar na linha da frente, outros criam associações do nada, pq a irmã está a dormir num “underground shelter”, pq está a ser bombardeada. De repente, gerou-se mesmo uma onda de considerar que todos temos os nossos pais lá e todos queremos ajudar».


Um amigo enviou-me da Polónia um vídeo interminável, filmado com o telemóvel: uma fila imensa, que dobrava uma esquina e outra esquina e continuava… até um local para dar sangue, para enviar para a Ucrânia.


Outro amigo, contou-me um telefonema a que assistiu, de um polaco para um colega ucraniano, que trabalha na delegação da empresa na Ucrânia:


— Tens de fugir daí, vem cá para casa.


— Não posso, os meus pais estão aqui na Ucrânia…


— Então vamos aí buscá-los e trazê-los cá para casa.


Mal começou a invasão, o Papa Francisco falou ao telefone com o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyi, para o apoiar, e deslocou-se pessoalmente à Embaixada da Rússia perante a Santa Sé, para transmitir ao Embaixador, num encontro que durou 30 minutos, a sua posição perante o conflito. Telefonou também aos bispos ucranianos manifestando-lhes a disponibilidade para o que pudesse fazer pela Ucrânia. Nas redes sociais e nas audiências não se tem cansado de pedir a paz. Em particular, quis que Quarta-feira de Cinzas fosse um dia de jejum e oração pela paz na Ucrânia: «Jesus ensinou-nos que à insensatez diabólica da violência se responde com as armas de Deus, a oração e o jejum».


Os ucranianos são maioritariamente ortodoxos, ligados ao Patriarcado de Constantinopla, mas existe uma minoria ligada ao Patriarcado de Moscovo. O Metropolita Onuphre, chefe dessa minoria, em vez de apoiar o argumento de Putin, de que intervinha para os proteger, declarou o seu apoio «aos militares que protegem e defendem a nossa terra e o nosso povo. Que Deus os abençoe e os guarde! Defendendo a soberania e a integridade da Ucrânia, dirigimo-nos ao Presidente da Rússia e pedimos-lhe que acabe imediatamente com esta guerra fratricida (…). Esta guerra não tem justificação nem perante Deus, nem perante os homens».


Um grupo de 233 padres e diáconos ortodoxos russos assinou um apelo de enorme coragem: «Choramos o calvário que aflige injustamente os nossos irmãos e irmãs da Ucrânia». E acrescentam que o Juízo Universal chegará para todos, avisando que: «nenhuma autoridade terrena (…), nenhuma guarda nos vai proteger deste juízo. Preocupados pela salvação de todos os que se consideram filhos da igreja ortodoxa russa, não queremos que nenhum deles chegue a este juízo carregando o fardo pesado da maldição materna».


Amigos meus, que falam russo e seguem o que por lá se passa, dão-me notícia de que alguns russos se manifestam pacificamente contra a guerra e são brutalmente reprimidos. Há também russos que trabalham para sabotar a produção de armas.


— «Todos os Youtubers russos que nós seguimos, dos temas mais variados (canais sobre a Ucrânia, sobre carros, a minha Youtuber preferida sobre minimalismo) arriscaram a vida para criticar publicamente a invasão. Esses canais transformaram-se em meios de reportagem de guerra ou de activismo político. Outro Youtuber muito influente na opinião pública, (…) teve de fugir para a Noruega».


A ONU e a União Europeia condenaram com veemência a crueldade russa.


Depois desta invasão, o mundo está talvez mais solidário, mais unido, mas milhares de ucranianos estão a pagar com a vida o preço deste resultado.

José Maria C.S. André

Viver a Quaresma

Senhor neste tempo de Quaresma que nos conduz à glória da Tua Ressurreição concede-nos o dom de A saber transmitir com humildade e amor àqueles que Nela não acreditam e Te veem apenas humanizado.

Que na Tua infinita misericórdia o Teu Espírito nos ilumine hoje e sempre!

JPR 

quarta-feira, 2 de março de 2022

A importância de um sacerdote e de um neto

Em janeiro de 2008, tinha o meu neto Sebastião doze anos, no decorrer de um Sacramento de Reconciliação ministrado pelo Pe. António Barbosa, que chamado pelo Senhor nos deixou há um ano, este incentivou-me a um maior empenho em atos que fossem espelho da minha vida cristã. Confesso que saí do confessionário preocupado e interrogando-me como o poderia fazer, sobretudo devido à minha curta vida na Igreja pós reconversão e falta de bagagem.

 

Passados dias o meu neto, hoje com vinte e seis anos e alguma notoriedade no âmbito do comentário político, ex-Observador, Diário de Notícias e CNN, criou um blogue e eis senão quando o Senhor me fez descortinar um caminho. Se ele com doze anos havia sido capaz de criar um blogue, eu com a sua ajuda também o poderia fazer o mesmo e assim nasceu o ‘Spe Deus’ a que me aventurei sem qualquer preparação técnica seguindo estritamente o meu instinto.

 

Criei alguma linhas vermelhas como agora se diz, que ainda hoje me imponho, e.g.: não procurar quaisquer benefícios económicos da iniciativa, manter um quase anonimato fazendo questão que tal não fosse visto como secretismos ou cobardia de dar a cara, aspirando a que tudo fosse direcionado ao Senhor.

 

Embora, entretanto, por falta de saúde a atividade do blogue seja escassa, ainda assim mantém uma média acima dos mil leitores diários e já tenha mais de três milhões e meio de visitas, creio que não fora o incentivo do Pe. Barbosa e a ajuda do meu neto o blogue provavelmente não existiria. Outros houve, que me ajudaram e incentivaram, alguns ainda hoje me acarinham permitindo-me publicar textos seus.

 

Concluo, dizendo que o blogue me fez crescer na fé e que minha história é uma entre tantas que o Mons. António Barbosa terá motivado e incentivado.

 

Obrigado Pe. Barbosa e interceda por todos os que tanto ajudou.

 

João Paulo Reis 

Quaresma: tempo de penitência

Aproximar-se um pouco mais de Deus quer dizer estar disposto a uma nova conversão, a uma nova retificação, a ouvir atentamente as suas inspirações - os santos desejos que faz brotar nas nossas almas - e a pô-las em prática (Forja, 32).

Entramos no tempo da Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão, para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.

Invocabit me et ego exaudiam eum, lemos na liturgia (...): Se me chamardes, Eu vos escutarei, diz o Senhor. Reparai nesta maravilha que é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada momento à palavra do homem. Em qualquer altura - mas agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a purificar-se - Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração contrito e humilhado.
Haverá melhor maneira de começar a Quaresma? Renovamos a Fé, a Esperança, a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de purificação. A Quaresma não é apenas uma ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do Amor.

Cristo que passa, 57

A Quaresma coloca-nos agora perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a Cristo? Em desejos de santidade? Em generosidade apostólica na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de profissão?

Cristo que passa, 58

Não podemos considerar esta Quaresma como uma época mais, repetição cíclica do tempo litúrgico; este momento é único; é uma ajuda divina que é necessário aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós - hoje, agora - uma grande mudança.

Cristo que passa, 59

A Quaresma

(...) começa a Quaresma, um tempo especialmente adequado para revermos o nosso comportamento e ver se estamos a ser generosos com Deus e com os outros por Deus. Na segunda leitura de Quarta-feira de Cinzas, o Apóstolo das gentes diz-nos, da parte do Senhor: No tempo favorável, ouvi-te. No dia da salvação, vim em teu auxílio. É este o tempo favorável, é este o dia da salvação [12]. Mais adiante, na mesma Epístola, anima-nos a servir a Deus em todo o momento: com muita paciência nas tribulações, nas necessidades e nas angústias (…), nas fadigas, nas vigílias e nos jejuns, pela pureza e pela ciência, pela magnanimidade e pela bondade, no Espírito Santo, com sincera caridade [13].

Estas palavras do Apóstolo – escreveu S. Josemaria – devem encher-vos de alegria, porque são como que uma canonização da vossa vocação de cristãos correntes, vivendo no meio do mundo, compartilhando com os outros, vossos iguais, ideais, trabalhos e alegrias. Tudo isso é caminho divino. O que o Senhor vos pede é que a todo o momento atueis como Seus filhos e servidores.

Mas estas circunstâncias normais da vida só serão caminho divino se realmente nos convertermos, se nos entregarmos. S. Paulo, na verdade, usa uma linguagem dura. Promete ao cristão uma vida difícil, arriscada, em perpétua tensão. Como se tem desfigurado o Cristianismo quando se tem pretendido fazer dele um caminho cómodo! Mas também é uma desfiguração da verdade pensar que essa vida profunda e séria, que conhece de forma real todos os obstáculos da existência humana, é uma vida de angústia, de opressão ou de medo.

O cristão é realista, de um realismo sobrenatural e humano, sensível a todos os matizes da vida: a dor e a alegria, o sofrimento próprio e alheio, a certeza e a perplexidade, a generosidade e a tendência para o egoísmo... O cristão conhece tudo e com tudo se enfrenta, cheio de integridade humana e de fortaleza recebida de Deus [14].

[12]. Missal Romano, quarta feira de cinzas, Segunda Leitura (2 Cor 6, 2).
[13]. 2 Cor 6, 4-6.
[14] . S. Josemaria, Cristo que passa, n. 60.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de fevereiro de 2013)