Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

A evasão estratégica

Nunca na História da Humanidade estivemos tão expostos a notícias trágicas como durante a pandemia do coronavírus. Diversas investigações analisaram as mudanças relacionadas com o consumo de notícias neste período.

Destacam o já conhecido como doomscrolling (consumo tóxico de notícias negativas) e a evasão estratégica (um modo mais racional de estar informado).

Um estudo sobre os hábitos de consumo de notícias durante o primeiro confinamento na Noruega analisou essa tendência, que surgiu precisamente como uma reação lógica ao excesso informativo e ao consequente desgaste emocional: a evasão estratégica.

Um grupo importante de pessoas, embora procurando manter-se bem informadas, procuram momentos de desconexão e usam estratégias para evitar os efeitos adversos da já conhecida “avalanche” informativa.

A estratégia consiste em estabelecer rotinas diárias em que dedicam um tempo razoável a estar informados e outros momentos em que desconectam totalmente do infindável mundo das notícias. A este tipo de pessoas começou-se a chamar na Noruega evasores estratégicos.

Antes da pandemia, a decisão de não querer estar informado era vista como uma conduta irresponsável. Agora, não é bem assim: este novo tipo de “evasores” são vistos como pessoas razoáveis.

Porque, no fundo, não é que não queiram estar informados. O que querem é evitar os efeitos adversos da sobreabundância de informação que, nos momentos actuais, se tornou um alude com resultados muitas vezes catastróficos.

Actividades como ler bons romances, conversar com familiares e amigos, cozinhar, cuidar do jardim, fazer desporto são vistas como verdadeiros antídotos contra o excesso de informação.


Trata-se, como alguém dizia, de melhorar a própria higiene informativa, escolhendo meios de comunicação de alta qualidade e consumindo menos conteúdos.

E, assim, de acordo com a experiência na Noruega, mediante o uso dessa “dieta” informativa, a qualidade de vida de várias pessoas melhorou substancialmente.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Giuseppina Bakhita de escrava a Santa

O exemplo de uma santa da nossa época pode, de certo modo, ajudar-nos a entender o que significa encontrar pela primeira vez e realmente este Deus. Refiro-me a Josefina Bakhita, uma africana canonizada pelo Papa João Paulo II. Nascera por volta de 1869 – ela mesma não sabia a data precisa – no Darfur, Sudão. Aos nove anos de idade foi raptada pelos traficantes de escravos, espancada barbaramente e vendida cinco vezes nos mercados do Sudão. Por último, acabou escrava ao serviço da mãe e da esposa de um general, onde era diariamente seviciada até ao sangue; resultado disso mesmo foram as 144 cicatrizes que lhe ficaram para toda a vida. Finalmente, em 1882, foi comprada por um comerciante italiano para o cônsul Callisto Legnani que, ante a avançada dos mahdistas, voltou para a Itália. Aqui, depois de « patrões » tão terríveis que a tiveram como sua propriedade até agora, Bakhita acabou por conhecer um « patrão » totalmente diferente – no dialecto veneziano que agora tinha aprendido, chamava « paron » ao Deus vivo, ao Deus de Jesus Cristo. Até então só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um « paron » acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo « Paron » supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada; mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela « à direita de Deus Pai ». Agora ela tinha « esperança »; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa. Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava « redimida », já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus. Por isso, quando quiseram levá-la de novo para o Sudão, Bakhita negou-se; não estava disposta a deixar-se separar novamente do seu « Paron ». A 9 de Janeiro de 1890, foi baptizada e crismada e recebeu a Sagrada Comunhão das mãos do Patriarca de Veneza. A 8 de Dezembro de 1896, em Verona, pronunciou os votos na Congregação das Irmãs Canossianas e desde então, a par dos serviços na sacristia e na portaria do convento, em várias viagens pela Itália procurou sobretudo incitar à missão: a libertação recebida através do encontro com o Deus de Jesus Cristo, sentia que devia estendê-la, tinha de ser dada também a outros, ao maior número possível de pessoas. A esperança, que nascera para ela e a « redimira », não podia guardá-la para si; esta esperança devia chegar a muitos, chegar a todos.

(Bento XVI - Encíclica "Spe Salvi" 3)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Hino às Cinco Chagas de Cristo

Cinco chagas, cinco fontes.
Com água de vida eterna,
Onde as almas sequiosas
Podem matar sua sede!

Depois de ressuscitar,
Guardou Cristo estes sinais
Do combate glorioso
Em que venceu o inimigo;

Para que as chagas visíveis
Mostrassem às gerações
A ferida invisível
Do amor mais forte que a morte:

Chagas puras e santíssimas
Que o nosso povo venera
E que na sua bandeira
São penhor da salvação.

Pelas chagas de seu Filho,
Louvado seja Deus Pai
E o Espírito divino
Agora e sempre adoremos.

(Breviário)

As cinco Chagas de Cristo

“Quereis morrer cristãmente? - Acabai antes de morrer... Primeiro disse o Senhor: Já se acabou tudo; e então esperou pela morte. (...) O que havemos de fazer na enfermidade e na morte, façamo-lo na saúde e na vida. Examinemos muito de propósito nossa consciência; façamos uma confissão muito bem feita, como quem se confessa para dar contas a Deus; componhamos nossas coisas; digamos: Tudo está consumado, e então esperemos pela morte, como Cristo fez.

Passado algum espaço neste profundo silêncio, levantou o Senhor a voz e os olhos ao Céu, dizendo: Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito. E inclinando a cabeça, expirou. (...)

Perguntam os santos porque inclinou o Senhor a cabeça? E respondem alguns contemplativos que foi para o Senhor nos dar um Sim universal para todas (as) nossas petições.

Pedis a um Cristo crucificado vos perdoe vossos pecados? Sim.

Pedis a um Cristo crucificado que vos livre das tentações do Demónio? - Sim.

Pedis a um Cristo crucificado que vos acuda em todas (as) vossas necessidades, ainda temporais? - Sim.

É possível, Senhor, que ainda que ajudei aos que Vos crucificaram, me fazeis participante do preço desse sangue? - Sim...

É possível, Senhor, que ainda que vos tenha ofendido tanto em minha vida, me recebereis nesses braços que tendes abertos? - Sim.

É possível, Senhor, que ainda que eu seja tão infiel e tão ingrato, abrireis esse Coração para me meter nele? - Sim...

Oh bendito seja tal Coração, benditos sejam tais braços, bendito seja tal Sangue, bendita seja tal Misericórdia!”

P. António Vieira, Prática Espiritual da Crucificação do Senhor

(Fonte: site Oratório S. Josemaria http://oratoriosjosemaria.com.sapo.pt/index.htm)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Onde mataram João Baptista

Reconstituição histórica de Maqueronte
Imagem: Reconstituição histórica de Maqueronte

Nesta sexta-feira, leu-se na Eucaristia o texto em que S. Marcos relata o martírio de S. João Baptista, parente de Jesus. Simultaneamente, tornou-se pública uma reconstrução arqueológica extraordinária, do local em que o episódio aconteceu. Por causa do valor desta descoberta, as Academias Pontifícias condecoraram, na terça-feira passada, o arqueólogo húngaro Győző Vörös com a Medalha de Ouro do Pontificado.


Vörös foi contratado pelo Governo da Jordânia em 2009, através de um concurso internacional, lançado para corresponder ao desejo expresso por Bento XVI, na sua visita apostólica à Jordânia, de que se investigasse o sítio de Maqueronte. Na altura, era difícil ir lá, porque o local era uma zona-tampão entre as forças militares em conflito.


Além dos relatos nos Evangelhos de Marcos e Mateus, a história de João Baptista é contada em pormenor pelo escritor judeu contemporâneo (não cristão) Flávio Josefo e, mais tarde por Eusébio de Cesareia e outros. É através de Flávio Josefo e destas outras fontes que sabemos que o local da prisão e do martírio foi a fortaleza real situada em Maqueronte, a leste do Mar Morto.


Poucos anos depois da morte de Cristo, no ano 70, a luta encarniçada da X legião romana contra a resistência judia culminou na devastação de Jerusalém. No ano seguinte, no Inverno de 71/72, a X legião conquistou Maqueronte. Ao fim de poucos séculos já ninguém sabia ao certo onde ficava Maqueronte. Havia relatos da época, mas não se sabia a que local correspondiam. Só em 1968 o arqueólogo alemão protestante August Strobel levantou a hipótese de que a antiga Maqueronte ficasse junto de uma povoação actualmente chamada Mkāwer. O nome tem alguma parecença e sobretudo Strobel descobriu no local uma imensa vala, uma muralha poderosa e uma rampa de terra para a conquistar, tal como na fortaleza de Massada, conquistada pelos romanos na mesma época. No centro da muralha poderia estar o palácio de Herodes.


Uma equipa de protestante norte-americanos começou os trabalhos de exploração e, embora só tenham permanecido quatro semanas no local, levaram 5 mil achados do tempo de Herodes para os Estados Unidos. Em 1978, dois arqueólogos franciscanos italianos retomaram as escavações, mas morreram antes de concluírem o trabalho. Dois institutos católicos, o Studium Biblicum e a École Biblique, avançaram nas pesquisas. Finalmente, os trabalhos foram retomados em 2009, como se disse, por iniciativa do Governo Jordano, sob a direcção do arqueólogo húngaro Győző Vörös.


Recolheram-se meticulosamente mais de 100 mil peças do que foi o palácio real de Herodes Antipas e, com esta espécie de «puzzle», conseguiu-se reconstruir o edifício em muitos pormenores. Foi como colar, peça a peça, os cacos de uma jarra partida, só que neste caso o «puzzle» tinha peças grandes, como colunas e pedras trabalhadas. O facto de o palácio ter ficado completamente abandonado durante quase dois mil anos permitiu que o local se conservasse como um dos mais intactos de toda a Terra Santa.


João pregou junto ao rio Jordão no ano 15 do Imperador Tibério, que corresponde aproximadamente ao ano 28 ou 29 da era cristã. Portanto, falta pouco para passarem dois mil anos daquele dia terrível em que Salomé, filha de Herodíades, dançou diante da corte do Rei idumeu Herodes, que os romanos tinham nomeado para governar os judeus. A luxúria fervia nesta corte pagã, estranhamente escolhida para subjugar o Povo de Deus. Flávio Josefo, um escritor judeu contemporâneo, escreve que Herodíades era a «vergonha do povo» pelos seus atrevimentos e Salomé seguia-lhe os passos. O vinho deve ter toldado a mente do rei, de modo que ele jurou o que não podia cumprir: prometeu à dançarina o que ela quisesse, nem que fosse metade do reino. É claro que os romanos tinham-no feito rei mas não lhe davam liberdade para dividir o reino em partes. O que aconteceu foi ainda mais surpreendente, em vez de poder ou riqueza, Salomé e a mãe pediram a cabeça de João Baptista.


Herodes, que vivia com a psicose e talvez o remorso de usurpar o governo do povo chamado por Deus, admirava e ao mesmo tempo temia esta relação com Deus. Preferia não matar João Baptista, mas não queria mostrar que respeito pela vida humana.

O resultado, ouvimo-lo na Missa desta sexta-feira, na leitura do Evangelho: «O soldado degolou-o [João Baptista] na prisão, trouxe a cabeça num prato e deu-a à rapariga [Salomé]. Esta entregou-o à mãe [Herodíades]».


Jesus, depois da Transfiguração, disse aos discípulos que fariam conSigo o mesmo que fizeram com João Baptista.


José Maria C.S. André