Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
sábado, 11 de dezembro de 2021
S. Dâmaso I, papa, †384
S. José é diferente em Portugal
Em quase toda a arte cristã, S. José
é representado como um ancião venerável, contrastando com a juventude de Nossa
Senhora. Embora a doutrina garanta que S. José estava casado com Nossa Senhora,
em geral, os artistas procuraram esbater essa relação, como se fosse um
equívoco legal, um mal-entendido. O objectivo de representar José como um avô
era sublinhar a virgindade de Maria – o que corresponde à verdade –, mas o
resultado foi associar a virtude da pureza à velhice.
Como Portugal não acompanhou, sob
vários aspectos, as tendências da cultura e da arte, os pintores e escultores
portugueses nem sequer imaginaram que S. José fosse mais velho que Nossa
Senhora. Graças a isso, anteciparam-se em muitos séculos aos melhores artistas actuais,
que nos retratam um homem vigoroso, vibrante, cheio de ternura, corajoso,
criativo, trabalhador, jovem de corpo e de espírito, límpido no amor.
No passado dia 8 de Dezembro, o
Papa Francisco publicou uma Carta apostólica a anunciar um ano de indulgências
especiais, a comemorar que o Papa Pio IX nomeou S. José patrono da Igreja
universal em 1870, há 150 anos.
Esta Carta apostólica, que começa
com as palavras «Patris corde» (com um coração de Pai...), é um hino a S. José,
fiel à sua vocação, enamorado de Jesus e de Maria.
«Na sociedade actual –escreve o
Papa–, muitas vezes os filhos parecem órfãos de pai. (...) Ser pai significa
introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem
prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de
partir. Talvez seja por isso que a tradição chama a José pai castíssimo. (... )
A castidade é a liberdade da posse em todos os campos da vida. Um amor só é
verdadeiramente tal, quando é casto. O amor que quer possuir (...) prende,
sufoca, torna o outro infeliz. O próprio Deus amou o homem com amor casto,
deixando-o livre inclusive de errar e de se opor a Ele. A lógica do amor é
sempre uma lógica de liberdade, e José soube amar de maneira
extraordinariamente livre».
Segundo o Papa, nesta sociedade
faltam pais que respeitem a vocação dos filhos e os ajudem a descobri-la, em
vez de se oporem a ela. São precisos pais capazes de respeitarem a mulher e os
filhos com esta «lógica do amor» extraordinariamente livre.
José, o rapaz jovem, o santo da
alegria: com muitos séculos de antecipação sobre a nossa era, os artistas portugueses
captaram a grandeza do amor, pujante na juventude da vida e sempre.
José Maria C.S. André
sexta-feira, 10 de dezembro de 2021
As últimas semanas
Em muitos países, a comunicação social ignora a vida da Igreja, mesmo carregada de acontecimentos e mensagens importantes. Podemos reclamar, mas o mais eficaz é procurar fontes de informação mais fiáveis.
A estadia no Chipre e na Grécia
parece ter sido um momento de viragem nas relações dos Ortodoxos com a Igreja. Por
várias razões, um dos temas em foco foi o arrependimento e a conversão. «Parece
que pedir desculpa é a coisa mais difícil e o Papa pediu desculpa de modo
espectacular» —sintetizou um jornalista da televisão cipriota que acompanhava a
viagem.
Diante do Patriarca Ieronymos, o Papa pediu desculpa pelas divisões entre os cristãos, sobretudo as que foram provocadas por católicos, e também pela traição de alguns católicos que se opuseram, há muitos anos, à independência grega. Na conferência de imprensa no regresso a Roma, o Papa relacionou estes pedidos de desculpas com a relação com Deus: «Calamo-nos quando sentimos que devíamos pedir desculpa, mas eu gosto de pensar que Deus nunca Se cansa de perdoar. Jamais Se cansa! Somos nós que nos cansamos de pedir perdão e, quando não pedimos perdão a Deus, dificilmente o pediremos aos irmãos. É mais difícil pedir perdão a um irmão do que pedir perdão a Deus, porque sabemos que Deus responde: “Sim, vai, estás perdoado”. Em contrapartida, com os irmãos, há a vergonha e a humilhação… Mas no mundo de hoje é precisa esta atitude de humilhação e de pedir desculpa. Tantas coisas acontecem no mundo, tantas vidas perdidas, tantas guerras… Como é que não havemos de pedir desculpa? (…) E há ainda um outro pedido de desculpas —que me vem do coração— pelo escândalo do drama dos migrantes, pelo escândalo de tantas vidas afogadas no mar».
No dia da partida para a viagem
pastoral, o Papa aceitou a demissão do Arcebispo de Paris, Michel Aupetit, e
referiu-se ao assunto. Lamentou que se tivesse dito que o Arcebispo tinha sido
condenado. «Mas quem é que o condenou?!» Explicou que Aupetit, tinha feito umas
pequenas carícias imprudentes a uma senhora [antes de ser bispo] e que «isto é
um pecado, mas não é um dos pecados mais graves (…). Assim, Aupetit é um
pecador, como o sou eu (…), como foi Pedro, o bispo sobre quem Cristo fundou a
Igreja. Como é que a comunidade daquele tempo aceitou um bispo pecador? E com
pecados graves (…), como renegar Cristo? É que era uma Igreja saudável,
habituada a sentir-se sempre pecadora, todos: era uma Igreja humilde. Vê-se que
a nossa Igreja não está habituada a ter um bispo pecador e fazemos de conta (…).
Não, isto é “Capuchinho Vermelho”. Todos somos pecadores. Mas quando o
falatório cresce, cresce, cresce e rouba a boa fama, já não se pode governar,
porque se perdeu a fama, não por causa do seu pecado —que é pecado, como o de
Pedro, como o meu, como o teu, é pecado— mas por causa da bisbilhotice das
pessoas que espalharam estas coisas. (…) Isto é uma injustiça. Por isso aceitei
a demissão de Aupetit não sobre o altar da verdade, mas sobre as aras da
hipocrisia».
Na tarde desse 8 de Dezembro ainda
foi à Comunidade do Cenáculo encerrar o ano dedicado a S. José. Continuando os
temas da fidelidade familiar e do arrependimento, que tem desenvolvido nas
últimas semanas, o Papa disse-lhes: «Não tenhais medo da realidade, da verdade,
das nossas misérias. Não tenhais medo porque Cristo gosta da realidade como ela
é, sem maquilhagem, o Senhor não gosta das pessoas que maquilham as suas almas,
que maquilham os seus corações».
José Maria C.S. André




