Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 1 de junho de 2021

Oração

Desde que a humanidade existe, as pessoas rezam. Sempre e em toda a parte têm tido consciência de não estarem sós no mundo, de que há Alguém que as escuta.

Sempre têm tido consciência de precisarem de um Outro que é maior do que elas, e de que precisam esforçar-se por alcançá-lo se quiserem que a sua vida seja o que deve ser.

Mas o rosto de Deus sempre esteve velado, e só Jesus nos mostrou a sua verdadeira face: quem o vê, vê o Pai (cfr. Jo 14, 9).

Se, por um lado, é natural que rezemos (que peçamos no momento da necessidade e agradeçamos no momento da alegria), por outro experimentamos também a nossa incapacidade de orar e de falar com um Deus oculto: Não sabemos pedir o que nos convém, diz São Paulo (Rom 8, 26). Portanto, sempre deveríamos dizer ao Senhor, como os discípulos: Senhor, ensina-nos a orar (Lc 11, 1).

O Senhor ensinou-nos o Pai-Nosso como modelo de autêntica oração, e deu-nos uma Mãe, a Igreja, que nos ajuda a rezar. A Igreja recebeu um enorme tesouro de orações da Sagrada Escritura, e ao longo dos séculos surgiram também, dos corações dos fiéis, inúmeras orações que nos permitem renovar sempre o modo como nos dirigimos a Deus. Rezando com a nossa Mãe, a Igreja, aprendemos a rezar.

(Cardeal Joseph Ratzinger em Introdução a ‘Chi prega se salva’, 30 Giomi, Roma, 18.02.2005)

domingo, 30 de maio de 2021

Amar a Cristo...

Senhor Jesus, obrigado pela perseverança que nos tens ensinado ao longo da vida, muitas vezes procurávamos tornear as dificuldades seguindo caminhos menos apropriados ou simplesmente desistíamos, hoje graças à nossa confiança em Ti sabemos procuramos ser pacientes para alcançarmos aquilo que nos é pedido por Ti e pelos outros.

O santo da nossa devoção dava como feliz imagem o burrico que a puxar a nora nunca desistia, querido Jesus, faz de nós burricos perseverantes e formigas trabalhadoras sempre cheios de confiança e humildade.

Amado Jesus, que a Tua Luz nos guie sempre em direcção a Ti, ao Pai e ao Espírito Santo.

JPR

Na tua alma em graça habita a Santíssima Trindade

A Trindade Santíssima coroou a nossa Mãe. - Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, pedir-nos-á contas de toda a palavra ociosa. Mais um motivo para que digamos a Santa Maria que nos ensine a falar sempre na presença do Senhor. Sulco, 926

A Trindade Santíssima concede-te a sua graça, e espera que a aproveites responsavelmente: em face de tanto benefício, não se pode andar com atitudes cómodas, lentas, preguiçosas..., porque, além disso, as almas te esperam.  Sulco, 957

Deus está contigo. Na tua alma em graça habita a Santíssima Trindade.
- Por isso, tu, apesar das tuas misérias, podes e deves estar em contínuo diálogo com o Senhor. Forja, 261

Aprende a louvar o Pai e o Filho e o Espírito Santo. Aprende a ter uma especial devoção pela Santíssima Trindade: creio em Deus Pai, creio em Deus Filho, creio em Deus Espírito Santo; espero em Deus Pai, espero em Deus Filho, espero em Deus Espírito Santo; amo a Deus Pai, amo a Deus Filho, amo a Deus Espírito Santo. Creio, espero e amo a Trindade Santíssima.
- Faz-nos falta esta devoção como um exercício sobrenatural da alma, que se traduz em atos do coração, ainda que nem sempre se verta em palavras. Forja, 296

São Josemaria Escrivá

sábado, 29 de maio de 2021

Eucaristia e sacrifício

A Eucaristia é sacrifício. Ao ouvirmos esta frase, experimentamos resistência no nosso íntimo. Levanta-se a pergunta: Quando falamos de sacrifício, não estaremos formando uma imagem indigna, ou pelo menos ingénua, de Deus? Não acabaremos pensando que nós, os homens, podemos e até devemos dar algo a Deus?

A Eucaristia responde precisamente a essas questões. A primeira coisa que nos diz é que Deus se entrega a nós para que nós possamos, por nossa vez, dar-nos a Ele. No sacrifício de Jesus Cristo, a iniciativa vem de Deus. No começo, foi Ele quem se abaixou primeiro. [...]

Cristo não é uma oferenda que nós, os homens, apresentamos a um Deus irritado; pelo contrário, o facto de Ele estar aqui, de viver, sofrer e amar, já é obra do amor de Deus [...]. É o amor misericordioso de Deus que se abaixa até nós; é o Senhor quem se faz a si mesmo servo por nós. Embora sejamos nós que causamos o conflito, e embora o culpado não seja Deus, mas nós, é Ele quem vem ao nosso encontro e quem, em Cristo, pede a reconciliação [...].

Quanto mais andamos com Ele, mais conscientes nos tornamos de que o Deus que parece atormentar-nos é na verdade o único que nos ama realmente e o único a quem podemos abandonar-nos sem resistência nem medo. [...] Quanto mais penetramos na noite desse mistério incompreendido, mais confiamos nEle, mais o encontramos, mais descobrimos o amor e a liberdade que nos sustentam em todas as outras noites. Deus dá para que nós possamos dar esta é a essência do sacrifício eucarístico, do sacrifício de Jesus Cristo.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Il Dio Vicino’)

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Milagre no meio das trevas

Na audiência de 12 de Maio passado, o Papa contou um milagre que acompanhou de muito perto quando estava em Buenos Aires.


— «Um casal tinha uma filha de 9 anos com uma doença que não se conseguia diagnosticar, até que os médicos foram ter com a mãe e lhe disseram: “Minha senhora, chame o seu marido”. O marido estava no trabalho; eram operários e tinham de trabalhar todos os dias. E informou o pai: “A criança não passa desta noite. É uma infecção, não se pode fazer nada”. Aquele homem talvez não fosse à Missa todos os Domingos, mas tinha uma grande fé. Saiu a chorar, deixou a mulher com a filha no hospital, apanhou o comboio e fez a viagem de 70 quilómetros até à basílica de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina. Quando lá chegou a basílica estava fechada, eram quase dez da noite, agarrou-se às grades da basílica e ficou a rezar toda a noite a Nossa Senhora, lutando pela saúde da filha. Isto não é uma fantasia; eu vi-o! Eu vivi isto. Aquele homem ali, a lutar. Por fim, às seis da manhã abriram a igreja e ele entrou para saudar Nossa Senhora: toda a noite “lutou” e depois foi para casa. Quando chegou, procurou a mulher, mas não a encontrou e pensou: “Foi-se embora. Não, Nossa Senhora não me pode fazer isto”. Depois encontrou-a e ela disse-lhe sorridente: “Não sei o que se passou; os médicos dizem que a situação se alterou e agora está curada”. Aquele homem, que lutava com a oração, obteve de Nossa Senhora a graça. Nossa Senhora ouviu-o. E eu vi isto: a oração faz milagres, porque a oração vai directa ao centro da ternura de Deus que nos ama como um pai».


Recordei imediatamente esta história quando recebi hoje de manhã uma mensagem de correio electrónico: «Estou internado no IPO. Recidiva da leucemia que tive há 4 anos atrás. Um verdadeiro choque! Tive de me reorganizar e hoje, internado, procuro luz e sentido a tudo o que está a acontecer comigo. Encontro forças na oração e por isso agradeço também as orações dos familiares e amigos e conto contigo».


Peguei imediatamente no telefone para falar com este meu amigo. Falámos até que os tratamentos nos obrigaram a interromper a conversa. Dizia-me que rezava. Mais que pedir a cura, pedia para aproveitar bem estas circunstâncias por onde Deus o leva. E eu lembrei-me mais uma vez da audiência do Papa porque, depois de contar a história do milagre a que tinha assistido, acrescentou:


— «Quando Deus não nos concede uma graça, dar-nos-á outra que veremos a seu tempo. Mas é sempre preciso lutar na oração para pedir uma graça. Sim, por vezes pedimos uma graça de que precisamos, mas pedimo-la assim, sem querer, sem lutar; não é assim que se pedem coisas sérias. A oração é uma batalha e o Senhor está sempre connosco».


O Papa falou muito de luta nesta audiência. De luta connosco próprios mas também de luta com Deus. Talvez seja a isto que Cristo se referia quando disse que «o Reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele» (Mt 11, 12). S. Paulo nunca teve oportunidade de visitar a cidade de Colossas, na Frígia, mas enviou-lhes Epafras, um seu colaborador, e depois escreveu-lhes uma carta. Nas despedidas, ao enviar a saudação de uns e de outros, dá-lhes notícias de Epafras: «Saúda-vos Epafras, vosso compatriota, que está sempre a lutar por vós na oração, para que vos mantenhais perfeitos e cumprais tudo o que Deus quer. Sou testemunha do muito que trabalha por vós» (Col. 12-13). A palavra original significa «está sempre a lutar» e a tradução latina é fiel a este sentido: «semper certans».


A relação com Deus é tão forte que faz falta a palavra «luta» para dar a medida do que é a oração. Não por ser agressiva, mas pela intensidade de quem conhece a ternura de pai com que Deus nos ama. Ele ouve-nos sempre, disse o Papa nesta audiência:


— «Se num momento de cegueira não conseguirmos vislumbrar a sua presença, consegui-lo-emos no futuro. Também nós um dia poderemos repetir a frase que o patriarca Jacob disse certa vez: “Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia!” (Gen 28, 16). No final da nossa vida, olhando para trás, também nós poderemos dizer: “Pensava que estava sozinho; não, não estava: Jesus estava comigo”. Todos poderemos dizer isto».

José Maria C.S. André