Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Traz sobre o peito o santo escapulário

Traz sobre o peito o santo escapulário do Carmo. – Poucas devoções (há muitas, e muito boas devoções marianas) estão tão arraigadas entre os fiéis e têm tantas bênçãos dos Pontífices. – Além disso, é tão maternal este privilégio sabatino! (Caminho, 500)

Quando te perguntaram que imagem da Virgem te dava mais devoção, e respondeste – como quem já fez bem a experiência – "todas", compreendi que eras um bom filho; por isso te parecem bem (enamoram-me, disseste) todos os retratos da tua Mãe. (Caminho, 501)

Maria, Mestra da oração.

– Olha como pede a seu Filho em Caná. E como insiste, sem desanimar, com perseverança. – E como consegue.
– Aprende. (Caminho, 502)

Se queres ser fiel, sê muito mariano. A Nossa Mãe, desde a embaixada do Anjo até à sua agonia ao pé da Cruz, não teve outro coração nem outra vida que a de Jesus.
Recorre a Maria, com terna devoção de filho, e Ela alcançar-te-á essa lealdade e abnegação que desejas. (Via Sacra, Est. XIII, n.4)

São Josemaría Escrivá

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Procura cingir-te a um plano de vida

Sujeitar-se a um plano de vida, a um horário... é tão monótono! – disseste-me. E respondi-te: há monotonia porque falta Amor. (Caminho, 77)

Procura cingir-te a um plano de vida com constância: alguns minutos de oração mental; a assistência à Santa Missa, diária, se te é possível, e a Comunhão frequente; o recurso regular ao Santo Sacramento do Perdão, ainda que a tua consciência não te acuse de qualquer pecado mortal; a visita a Jesus no Sacrário; a recitação e a contemplação dos mistérios do terço e tantas outras práticas excelentes que conheces ou podes aprender.

Mas estas práticas não se deverão transformar em normas rígidas ou em compartimentos estanques. Indicam um itinerário flexível, acomodado à tua condição de homem que vive no meio da rua, com um trabalho profissional intenso e com deveres e relações sociais que não podes descuidar, porque é nessas ocupações que prossegue o teu encontro com Deus. O teu plano de vida há-de ser como uma luva de borracha que se adapta perfeitamente à mão de quem a usa.

Não te esqueças também de que o que é importante não é fazer muitas coisas; limita-te com generosidade àquelas que possas cumprir no dia-a-dia, quer te apeteça quer não. Essas práticas conduzir-te-ão, quase sem reparares, à oração contemplativa. Brotarão da tua alma mais actos de amor, jaculatórias, acções de graças, actos de desagravo, comunhões espirituais. E tudo isto, enquanto te ocupas das tuas obrigações: ao pegar no telefone, ao subir para um meio de transporte, ao fechar ou abrir uma porta, ao passar diante de uma igreja, ao começar um novo trabalho, ao executá-lo e ao concluí-lo. Referirás tudo ao teu Pai Deus. (Amigos de Deus, 149)

São Josemaría Escrivá

Tempos de oração

Não, meus filhos! É necessário perseverar na meditação. Faz essas queixas ao Senhor nos teus tempos de oração. E, se for preciso, repete-Lhe durante meia hora a mesma jaculatória: “Jesus, amo-Te, Jesus, ensina-me a amar, Jesus, ensina-me a amar os outros por Ti…” Persevera assim um dia e outro, um mês, um ano, outro ano, e, no fim, o Senhor há-de dizer-te: Meu tontinho, não vês que Eu estava contigo, ao teu lado, desde o princípio?.

São Josemaría Escrivá – Notas de uma reunião familiar, setembro de 1973

É sempre possível falar com o Divino Hóspede da alma, podemos encontrá-Lo em qualquer lugar e em qualquer situação. Mas, se é exequível, recorramos ao Sacrário, onde Jesus está real e substancialmente presente, com o Seu Corpo, o Seu Sangue, a Sua Alma e a Sua Divindade. Em qualquer dos casos havemos sempre de fazer o esforço de nos recolhermos, afastando como for possível as distrações que talvez nos assaltem.

D. Javier Echevarría na sua carta pastoral do mês de julho de 2011

terça-feira, 14 de julho de 2020

Que bonito ser jogral de Deus!

Em certa altura, alguém me disse: – Padre, mas se eu me encontro cansado e frio; se, quando rezo ou cumpro outra norma de piedade, me parece que estou a fazer teatro... A esse amigo e a ti, se te encontrares na mesma situação, respondo: – Teatro? Grande coisa, meu filho! Faz teatro! O Senhor é o teu espectador!: o Pai, o Filho, o Espírito Santo; a Santíssima Trindade estará a contemplar-nos, naqueles momentos em que "fazemos teatro". Actuar assim diante de Deus, por amor, para lhe agradar, quando se vive a contragosto, que bonito! Ser jogral de Deus! Que maravilhoso é esse recital realizado por Amor, com sacrifício, sem nenhuma satisfação pessoal, para dar gosto a Nosso Senhor! Isso sim que é viver de Amor. (Forja, 485)

Lê-se na Escritura: Iudens in orbe terrarum, que Ele brinca em toda a superfície da terra. Mas Deus não nos abandona, porque imediatamente acrescenta: deliciæ meæ esse cum filiis hominum, a minha delícia é estar com os filhos dos homens. O Senhor brinca connosco. E quando nos parecer que estamos a representar uma comédia, por nos sentirmos gelados e apáticos, quando estivermos aborrecidos e sem vontade de fazer nada, quando nos custar cumprir o nosso dever e alcançar as metas espirituais que nos tínhamos proposto, é altura de pensar que Deus brinca connosco e espera então que saibamos representar a nossa comédia com galhardia.

Não me importo de vos contar que, em algumas ocasiões, o Senhor me concedeu muitas graças, mas que geralmente vou a contrapelo. Prossigo o meu plano de vida, não porque me agrade, mas porque devo fazê-lo por Amor. Mas, Padre, pode-se representar uma comédia diante de Deus? Não será uma hipocrisia? Não te inquietes, pois chegou para ti o momento de entrares numa comédia humana que tem um espectador divino. Persevera, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo assistem a essa tua comédia. Faz tudo por amor de Deus, para lhe agradar, mesmo que te custe.

Que bonito é ser jogral de Deus! Como é belo representar essa comédia por Amor, com sacrifício, sem nenhuma satisfação pessoal, para agradar ao nosso Pai Deus, que brinca connosco! Põe-te diante do Senhor e diz-lhe confiadamente: não me apetece nada fazer isto, mas oferecê-lo-ei por Ti. E ocupa-te a sério desse trabalho, ainda que penses que é uma comédia. Abençoada comédia! (Amigos de Deus, 152)

São Josemaría Escrivá

A santidade tem truque

Algumas pessoas pensam que a santidade não tem truque, que é inteiro mérito de um super-homem, ou de uma super-mulher. Aparentemente, ser santo implicaria aguentar a dor, como um faquir, controlar o medo como um domador de leões, vencer o cansaço como um atleta da maratona e, talvez, somar a estas proezas a eloquência dos políticos. Tudo isto sem truque.

A Igreja tem uma perspectiva diferente da santidade, a tal ponto que só canoniza alguém quando a intervenção de Deus é manifesta, através de um milagre. A pessoa pode ter realizado com mérito um milhão de proezas, mas isso não chega. Se foi tudo mérito seu, não chega, a santidade genuína tem de ser mérito de Deus. Bento XVI dizia que «o papel do santo é deixar Deus actuar».

Mural de D. Oscar Romero a ser canonizado pelo Papa Francisco a 14 de outubro deste ano
É esta a conclusão que se tira das recentes notícias de beatificações e canonizações. Em todas elas aparece, como elemento decisivo, um milagre ocorrido depois de a pessoa morrer, isto é, quando já nada dependia dela. Escrutinada minuciosamente a biografia, o processo fica pendente enquanto não ficar clara a marca de Deus naquela vida. Como tem sido declarado várias vezes pela Santa Sé, a canonização não exige que a pessoa não tenha cometido erros e pecados, mas que tenha deixado Deus actuar na sua vida. A própria inquirição biográfica tem esse objectivo.

O Papa diz que todos poderíamos ser santos e deveríamos ser santos. Há poucos dias, por exemplo, mandou publicar os decretos relativos às virtudes heróicas de Carlo Acutis, Alexia González-Barros, que morreram tão novos que não tiveram oportunidade de realizar feitos notáveis. Carlo morreu com 15 anos, Alexia com 14. Não interessa a notoriedade.

Carte de D. Álvaro del Portillo, bispo e prelado
do Opus Dei agradecendo-lhe as felicitações re-
cebidas por ocasião do 50º aniversário da Obra
Entre os que vão ser canonizados depois do Verão, conta-se o Arcebispo Óscar Romero, de S. Salvador, assassinado enquanto celebrava a Missa num hospital. Passados poucos anos, o Papa João Paulo II nomeou Arcebispo de S. Salvador um padre do Opus Dei que tinha sido o confessor e director espiritual de D. Óscar Romero – sabe-se isso porque o próprio D. Óscar o disse e escreveu. A nomeação deste sucessor acabou por ser importante no arranque do processo de canonização de D. Óscar Romero, porque naquela época alguns confundiam a justiça cristã com a revolução comunista. Com todo o trabalho de reconstrução biográfica, hoje é fácil de reconhecer a simplicidade e virtude daquele homem de Deus, apaixonado da Eucaristia e dos sacramentos, fidelíssimo à doutrina da Igreja, incansável no esforço de ajudar todos e chegar a todos.

No entanto, depois de todo este trabalho, para se chegar à canonização, o Papa quis que Deus interviesse com um milagre.

Imagem: ©elsavador.com
Em Agosto de 2015, Cecilia estava à espera do terceiro filho. De repente, sentiu dores intensas. O marido levou-a ao hospital e o caso precipitou-se. Tensão muito elevada, perda de visão... os médicos resolveram antecipar o parto, mas a saúde de Cecilia piorou. Diagnosticou-se-lhe a síndrome de Hellp, uma doença gravíssima e rara. A solução foi induzir o coma, à espera que o corpo reagisse, ao mesmo tempo que se faziam diálises para apoiar os rins, que tinham deixado de funcionar. O marido, Alejandro, fez o que costumavam fazer na família: rezava. Na verdade, embora fossem salvadorenhos, não tinham prestado atenção a D. Óscar Romero, talvez porque não o tenham conhecido pessoalmente, mas a devoção da avó de Alejandro decidiu a família a pedir a Deus que curasse a Cecilia por intercessão de D. Óscar. Poucos dias depois, os parâmetros vitais de Cecilia regularizaram-se, ela saiu do coma e teve alta do hospital. Desde então, nem a mãe nem o filho tiveram mais sinais da doença, que costuma ter consequências muito graves quer para a mãe quer para o filho.   

Percebeu-se que Deus mostrava à Igreja que queria que D. Óscar fosse canonizado, o que vai acontecer no final do Verão, juntamente com o Papa Paulo VI e outros santos.
José Maria C.S. André
14-VII-2018
Spe Deus