Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 12 de março de 2019

O segredo de Arricia

O Papa acaba de regressar a casa (sexta-feira, 10 de Março 2017), depois de um retiro espiritual de vários dias, acompanhado por colaboradores da Santa Sé. O retiro decorreu numa casa religiosa em Arricia, uma pequena povoação 30 km a Sul do Vaticano. Durante estes dias, não houve conversas, «dossiers» para tratar, nem audiências nem homilias.

Num ambiente de silêncio e oração pessoal, o Papa e a Cúria Romana acompanharam os últimos dias de Jesus, seguindo, passo a passo o Evangelho de S. Mateus. O Pe. Giulio Michelini pregava as meditações, de manhã e de tarde, para ajudar cada um a fazer a sua própria oração silenciosa, a enfrentar-se «tu-a-tu» com Nosso Senhor. Deste diálogo, surgem naturalmente propósitos de emenda, desejos de ser mais generosos, maior realismo acerca das nossas fraquezas e da importância de confiar na ajuda de Deus.

Muitos cristãos fazem anualmente um retiro espiritual, especialmente nestes dias da Quaresma. Os Papas anteriores também escolhiam esta altura do ano para fazer os seus retiros.

O que se pode esperar de um retiro? Não quero estragar a surpresa de quem nunca experimentou, mas deixo algumas sugestões.

Em primeiro lugar, convém levar um bloco de notas. Não para apontar frases eloquentes, mas para tomar nota do que o Espírito Santo nos quiser dizer. Às vezes, através de um pensamento inesperado, de uma pergunta interior: «Queres fazer isto?...». O bloco também é útil para nos recordarmos das nossas próprias decisões. Se dissermos a Nosso Senhor que vamos fazer uma coisa, convém não nos esquecermos disso na primeira curva da vida.

Em segundo lugar, num retiro ficamos a conhecer melhor Quem é Deus. Talvez seja essa a maior fonte de surpresas. Também temos oportunidade de olhar para nós mesmos com mais objectividade, sobretudo se trocarmos umas impressões com o pregador, mas essa parte é secundária. Um retiro não é para ajustar contas com o passado, mas para dar um salto de qualidade na relação com Deus. A conversa com o pregador é para falar dessa jornada nova que queremos começar.

Um dos momentos-chave do retiro é a Confissão. Quem nunca fez um retiro pode pensar que a Confissão seja o duro momento de reconhecer as próprias culpas, mas a Confissão é principalmente o encontro com a misericórdia de Deus. É difícil descrever, porque a misericórdia divina é mais infinita que a extensão dos oceanos, mas é absolutamente real. Na Confissão, muitas pessoas tiveram a experiência física da alegria de Deus, que declarou que lhe dá «mais alegria um pecador que se confessa que 100 justos que não precisam de fazer penitência». Por isso é que o Papa Paulo VI, na Exortação apostólica «Gaudete in Domino» (alegrai-vos no Senhor), diz que a Confissão é o Sacramento da paz e da alegria. Muitos documentos da Igreja também chamam à Confissão «Sacramento da Alegria».

Num retiro, a adoração eucarística e a Missa preparam-nos para a Confissão. E a Confissão permite-nos Comungar.

O pregador do Papa Francisco dizia-lhe, durante este retiro: «As palavras do Evangelho de S. Mateus ressaltam esta dimensão da Ressurreição, o perdão. Jesus Ressuscitado quer encontrar os 11 discípulos e chama-lhes ‘irmãos’, perdoa-lhes o terem-No abandonado (...). Este é verdadeiramente o modo de actuar de Deus, a sua Palavra é capaz de iluminar os nossos limites e transformá-los em oportunidade».

No final do retiro, o Papa agradeceu ao pregador: «Todos nós somos pecadores, mas, ao mesmo tempo, temos a necessidade de seguir Jesus de perto, sem perder a esperança na promessa e também sem perder o sentido do humor. Obrigado, Padre!».
José Maria C.S. André
12-III-2017
Spe Deus

Evangelho do dia 12 de março de 2019

Nas vossas orações não useis muitas palavras como os gentios, os quais julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais. «Vós, pois, orai assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. «Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso supersubstancial nos dá hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. «Porque, se vós perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, também o vosso Pai não perdoará as vossas ofensas.

Mt 6, 7-15

segunda-feira, 11 de março de 2019

Evangelho do dia 11 de março de 2019

«Quando, pois, vier o Filho do Homem na Sua majestade, e todos os anjos com Ele, então Se sentará sobre o trono de Sua majestade. Todas as nações serão congregadas diante d'Ele, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e porá as ovelhas à sua direita, e os cabritos à esquerda. «Dirá então o Rei aos que estiverem à Sua direita: “Vinde, benditos de Meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era peregrino, e Me recolhestes; nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; estava na prisão, e fostes ver-Me”. Então, os justos Lhe responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto, e Te demos de comer; com sede, e Te demos de beber? Quando Te vimos peregrino, e Te recolhemos; nu, e Te vestimos? Ou quando Te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-Te?”. O Rei, respondendo, lhes dirá: “Em verdade vos digo que todas as vezes que vós fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequenos, a Mim o fizestes”. Em seguida, dirá aos que estiverem à esquerda: “Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demónio e para os seus anjos; porque tive fome, e não Me destes de comer; tive sede, e não Me destes de beber; era peregrino, e não Me recolhestes; estava nu, e não Me vestistes; enfermo e na prisão, e não Me visitastes”. Então, eles também responderão: “Senhor, quando é que nós Te vimos faminto ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não Te assistimos?”. E lhes responderá: “Em verdade vos digo: Todas as vezes que o não fizestes a um destes mais pequenos, foi a Mim que não o fizestes”. E esses irão para o suplício eterno; e os justos para a vida eterna».

Mt 25, 31-46

domingo, 10 de março de 2019

Bom Domingo do Senhor!

Lutemos por imitar o Senhor resistindo às constantes tentações do demónio como nos fala o Evangelho de hoje (Lc 4, 1-13), usemos como a arma a nossa fé e os ensinamentos das Sagradas Escrituras para assim estarmos municiados para resistir.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor que tudo nos ensinou!

O Filho de Deus rejeita a tentação de tomar outras vias e obedece à vontade de Seu Pai

São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol
Escritos espirituais, 15/12/1936

Também eu, quando estava no mundo, corria muitas vezes pelas estradas de Espanha, encantado por ver o velocímetro do meu carro marcar 90 Km à hora! Que disparate! Quando me apercebi de que não tinha mais horizontes, sofri a decepção típica daquele que tem a liberdade deste mundo, pois a terra é pequena e depressa lhe damos a volta. O homem está rodeado de horizontes pequenos e limitados. Para quem tem a alma sedenta de horizontes infinitos, os da terra não bastam: abafam-no, não há mundo que lhe chegue e só encontra o que procura na grandeza e imensidão de Deus. Homens livres que percorreis o planeta, não tenho inveja da vossa vida neste mundo; fechado num convento e aos pés do crucifixo, tenho uma liberdade infinita, tenho um céu, tenho Deus. Que sorte tão grande ter um coração apaixonado por Ele! [...]

Pobre irmão Rafael! [...] Continua a aguardar, continua a esperar com essa doce serenidade que a esperança certa proporciona; permanece imóvel, pregado, prisioneiro do teu Deus, ao pé do Seu tabernáculo. Escuta ao longe o ruído que fazem os homens que desfrutam dos breves dias da sua liberdade no mundo; escuta ao longe as suas vozes, os seus risos, os seus choros, as suas guerras. Escuta e medita um momento; medita sobre um Deus infinito, o Deus que fez o céu e a terra e os homens, o Senhor absoluto dos céus e da terra, dos rios e dos mares; Aquele que, num instante, só por assim o querer, fez sair do nada tudo aquilo que existe.

Medita por momentos na vida de Cristo e verás que não há nela, nem liberdades, nem barulho, nem burburinho de vozes; verás o Filho de Deus submetido ao homem; verás Jesus obediente, submisso e numa paz serena, tendo como única regra de vida fazer a vontade de Seu Pai. E, finalmente, contempla Cristo pregado na cruz. De que serve então falar de liberdades?