Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

O oximoro

«A única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus. A debilidade omnipotente do amor divino» (Papa Francisco, 2016).
Qual a palavra, qual é ela, tão estranha, que não pertence à sua própria língua (já nasceu estrangeira) e não significa o que diz, nem o seu contrário?

Os gregos tinham a palavra «oxi», para significar agudo, vivo, atiçado («oxi» subsiste nas línguas modernas na raiz da palavra oxigénio) e tinham também a palavra «moros» como sinónimo de tonto. A inventiva que lhes faltou para juntar «oxi-moros» tiveram-na os latinos medievais, que cunharam o conceito de «vivaço tonto». A língua inglesa inspirou-se nesta conjunção impossível, popularizou-a e utilizou-a para designar as figuras de retórica baseadas na contradição. São oximoros as expressões «silêncio ensurdecedor» (em inglês, «thunderous silence» ou «deafening silence»), «mortos-vivos» (em inglês «living death» ou «walking dead») e várias das expressões bem-humoradas da tecnologia moderna, como «luz escura» («dark light») e «realidade virtual» («virtual reality»).

O Natal é a festa de combinações que ultrapassam a lógica humana e, por isso, perdemos-lhe o sabor quando o reduzimos a comércio, ou a ficção, ou promessa de êxito. O Natal é mais fascinante que o oximoro mais estranho, porque foi pensado pela mente de Deus e se tornou realidade graças ao seu poder.

Um colega da universidade estreou-se na carreira de investigação, ainda muito criança, com um estudo sobre a logística do Pai Natal. Partiu da suspeita de que era impossível um Pai Natal entregar presentes em todas as chaminés do mundo à meia-noite do mesmo dia e, com esse argumento, avançou para a desconfiança de que o Pai Natal não existia. Pegou num mapa, para confirmar a premissa, mas reparou: os fusos horários! Por causa dos fusos horários, o Pai Natal não teria de colocar os presentes simultaneamente em todas as chaminés, porque, ao longo de 24 horas, ia sendo meia-noite, gradualmente, na superfície do Planeta. Que felicidade, para uma criança, compreender o segredo da logística natalícia! Entretanto, a tal criancinha cresceu, a sua carreira científica evoluiu para outras áreas, mas não precisou de um doutoramento para descobrir que o Pai Natal, de facto, não existe. Não por uma questão técnica. Simplesmente, não existe. O Pai Natal não é uma contradição, é uma banalidade.

O Natal é diferente. Fala-nos do impossível aos homens, da vitória daquilo a que o Papa chamou a «debilidade omnipotente». Só Deus reconcilia extremos tão opostos e lhes dá sentido real.

Disse o Papa Francisco: «a única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus. Aquilo que encanta e atrai, aquilo que dobra e vence, aquilo que abre e liberta das cadeias não é a força dos instrumentos ou a dureza da lei, mas a debilidade omnipotente do amor divino, que é a força irresistível da sua doçura e a promessa irreversível da sua misericórdia» (Fevereiro de 2016).

Se não fosse tão infinito, Deus não seria tão irresistível e tão amável. Por isso, no Natal, no contraste mais extremado, refulge tão profundamente a grandeza de Deus.

No longínquo 1937, em que o comunismo continuava aliado a Hitler (até Junho de 1941) e as forças russas, protegidas por este aliado aparentemente invencível, avançavam de vitória em vitória, Paul Vaillant-Couturier dava rédea solta à sua veia poética: «Somos a juventude ardente // que vem escalar o céu // num cortejo fraterno // unamos as mãos palpitantes // saibamos proteger o nosso pão // construiremos um amanhã que cante» («Nous sommes la jeunesse ardente // Qui vient escalader le ciel // Dans un cortège fraternel // Unissons nos mains frémissantes // Sachons protéger notre pain // Nous bâtirons un lendemain qui chante.» – Paul Vaillant-Couturier, Jeunesse, 1937). Esta poesia foi citada por tantos autores marxistas que a expressão «amanhãs que cantam» se tornou um lugar-comum.

A questão é saber quais são os amanhãs que cantam. Em 1937, Vaillant-Couturier estava eufórico com a anexação da Finlândia, a que se seguiria a dos países Bálticos e todos os outros avanços imparáveis do comunismo no Leste europeu. Passados somente 5 anos, um outro marxista, Gabriel Péri, morria às mãos dos nazis prometendo uma nova versão de amanhãs que cantam. E, depois dele, uma catadupa de amanhãs cantantes sucedeu-se na literatura e na política.

Um futuro melodioso não é um oximoro e qualquer DJ promete música. O Natal é mais radical que os DJs, marxistas ou burgueses. É uma mensagem tão acima de todo o cálculo humano que inverte os critérios do poder e da glória, e empalidece o brilho das armas. O coração humano fica desarmado perante a «debilidade omnipotente».

Aquele bebé nos braços da mãe convoca a humanidade a uma verdadeira revolução. Um Natal sem Jesus ao colo é só um Pai Natal burguês ou um DJ a prometer um amanhã marxista. A velha profecia de Isaías vaticinava esta revolução impossível aos homens: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz... porque um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado: (...) Deus forte, Príncipe da Paz». Um bebé que dorme nos braços da sua mãe é o Deus forte, o Príncipe da Paz: «O seu poder será engrandecido numa paz sem fim», dizia Isaías.

O oximoro por excelência torna-se realidade. «Porque nada é impossível a Deus», explicou o Anjo a Nossa Senhora. É quase simples. – Deus fez-Se carne e habitou entre nós.
José Maria C.S. André
18-XII-2016
Spe Deus

Evangelho do dia 18 de dezembro de 2018

A geração de Jesus Cristo foi deste modo: Estando Maria, Sua mãe, desposada com José, antes de coabitarem achou-se ter concebido por obra do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo, e não querendo expô-la a difamação, resolveu repudiá-la secretamente. Pensando ele estas coisas, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o Seu povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta que diz: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e Lhe porão o nome de Emanuel, que significa: Deus connosco”. Ao despertar José do sono, fez como lhe tinha mandado o anjo do Senhor, e recebeu em sua casa Maria, sua esposa.

Mt 1, 18-24

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Olá!

Duas ou três letras, uma palavra... quantas coisas se evocam numa saudação!
À saída da ponte Milvio, onde arrancam a via Cassia e a via Flaminia, duas «auto-estradas» da época romana que saem de Roma para Norte, levanta-se uma inscrição monumental, inspirada na saudação que as legiões que desciam da Gália dirigiam às que saíam de Roma a caminho do campo de batalha: «Victores – victuri», os «victores» (os vencedores, os que vêm de vencer) aos «victuri» (os que vão vencer). Como o complemento indirecto não está explícito, a saudação também se pode ler no sentido de «os vencedores hão-de [continuar a] vencer». Como é fácil comemorar louros de vitória!

Os peregrinos de Santiago trocavam uma saudação mais profunda: «Ultreia»!, «Suseia!». A exclamação «ultreia», composta de «ultra-eia!», era um incitamento a continuar adiante. A resposta «suseia», de «sus-eia!», era o estímulo para continuar a subir: «para cima! ânimo!». Ambas as expressões davam um alcance espiritual à peregrinação, porque aquele caminho significava progredir na vida espiritual, crescer no amor de Deus, subir. A letra de um cantar medieval dizia «Ultreia et suseia, Deus adiuva nos!»: eia, além e para cima, que Deus ajuda.

Os Cursilhos de Cristandade recuperaram a palavra «ultreia» e tornaram-na conhecida.

Os judeus saúdam-se com a palavra «shalom!», paz. Quanta falta faz! Os árabes, cuja língua é muito próxima, também se cumprimentam assim. Quanta falta faz!

Outra saudação curiosa é a expressão «escravo», que soa «tchau!» no dialecto veneziano e os italianos escrevem «ciao». Esta saudação tinha o seu quê de humorístico e podia significar «sou um escravo, às ordens», ou uma provocação brincalhona. Os italianos acharam-lhe piada e o «ciao!» espalhou-se pelo mundo, sem que ninguém se lembre da origem etimológica.

Decorreram, no passado dia 3 de Dezembro (2017), os 25 anos da primeira SMS. A mensagem, enviada a 3 de Dezembro de 1992 pelo Eng. Neil Papworth, no Reino Unido, para o seu colega Richard Jarvis, dizia: «Merry Christmas» (Feliz Natal).

Talvez venha a propósito eu aproveitar a deixa e saudar os leitores: Feliz Natal!
José Maria C.S. André
17-XII-2017
Spe Deus

Evangelho do dia 17 de dezembro de 2018

Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão. Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacob, Jacob gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara, Farés gerou Esron, Esron gerou Aram. Aram gerou Aminadab, Aminadab gerou Naasson, Naasson gerou Salmon. Salmon gerou Booz de Raab, Booz gerou Obed de Rut, Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei David. David gerou Salomão daquela que foi mulher de Urias. Salomão gerou Roboão, Roboão gerou Abias, Abias gerou Asa. Asa gerou Josafat, Josafat gerou Jorão, Jorão gerou Ozias. Ozias gerou Joatão, Joatão gerou Acaz, Acaz gerou Ezequias. Ezequias gerou Manassés, Manassés gerou Amon, Amon gerou Josias. Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilónia. E, depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel. Zorobabel gerou Abiud, Abiud gerou Eliacim, Eliacim gerou Azor. Azor gerou Sadoc, Sadoc gerou Aquim, Aquim gerou Eliud. Eliud gerou Eleazar, Eleazar gerou Matan, Matan gerou Jacob, e Jacob gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. Assim, são catorze todas as gerações desde Abraão até David; e catorze gerações desde David até à deportação para Babilónia, e também catorze as gerações desde a deportação para Babilónia até Cristo. 

Mt 1, 1-17

domingo, 16 de dezembro de 2018

CONTO DE NATAL 2018

Sentado sozinho na sua sala, ao fim da tarde, pensava na sua família, pais, irmãos, sobrinhos, que na casa de um deles estavam reunidos para passar a noite de Natal.
Ele tinha-lhes dito com firme convicção que não celebrava coisas em que não acreditava, tais como o Natal, pois sempre tinha conduzido a sua vida pela ciência, pela lógica, e, obviamente, um filho nascer de uma mãe virgem por “obra e graça do Espírito Santo”, (esta frase fazia-o sempre rir com desdém), era coisa absolutamente impossível.

Reconhecia que se sentia triste, só, quase como abandonado, mas em nome da sua coerência radical tinha que ser assim, para que eles percebessem o erro em que viviam.
Festa da família, sim senhor, mas não com aquela coisa do presépio e aquela crença absurda!

À medida que o dia se aproximava do fim, ele ia sentindo o barulho da rua aquietar-se, percebendo que a maioria das pessoas estava em suas casas, reunidas para os seus jantares de Natal e quase podia ouvir os risos e a excitação dos mais pequenos nas casas ao lado da sua.

Por um breve momento no seu coração desejou acreditar em toda aquela história do Natal, mas abanou a cabeça firmemente num não convicto vindo dos seus pensamentos mais racionais.

Recostou-se no sofá e lentamente adormeceu.

De repente viu-se numa espécie de deserto e ao longe, junto a umas rochas, uma gruta de onde saía uma luz estranhamente bela e suave.
Sentia-se um espectador de um filme real, pois por si iam passando pastores e rebanhos, várias pessoas, nitidamente trabalhadores humildes, (ia jurar até que tinha visto três sujeitos vestidos ricamente montados em camelos), e todos se dirigiam para aquela gruta, cantando uma melodia suave e alegre, com um sorriso nos lábios.
Aproximou-se então da gruta, para ver o que por lá se passava e viu uma cena de incrível beleza!
Numa manjedoura estava um bebé, (talvez o mais belo que já tinha visto), a seu lado uma mulher de olhar enternecido para o seu filho e a seu lado um homem imponente, mas que no entanto parecia de uma humildade que nunca tinha visto em ninguém.
E toda aquela gente se dirigia para ali e ficava a olhar para a criança dizendo coisas que ele não entendia muito bem, mas que no fundo reconheciam aquela criança como alguém muito especial.
Parecia-lhe até que uma espécie de anjos, andavam por ali, entoando cânticos muito belos.
Mesmo a dormir, percebeu que tudo aquilo era um sonho, por isso ficou muito admirado quando viu passar pela entrada da gruta os seus pais, os seus irmãos, os seus sobrinhos e toda a sua família.
Desejou então imenso estar com eles nesse momento!

De súbito acordou, pois tinham-lhe tocado no ombro e viu-se rodeado de toda a sua família que tinha entrado pela sua casa adentro.
Então o seu pai abraçou-o e disse-lhe: Mesmo que não acredites, Feliz Natal de todos nós, que com certeza não te íamos deixar sozinho neste dia.

Sentiu dentro de si um calor inexplicável, um sorriso aflorou aos seus lábios porque no seu coração ouviu uma voz muito suave que lhe dizia:
Há pouco, por um breve momento, desejaste acreditar. Esse desejo foi ouvido e por isso aqui estou, na tua família, para te dizer que a ciência e a lógica não explicam tudo, embora ajudem muito. Hoje o teu coração e o teu pensamento ficam mais ricos porque percebes agora que Eu sou Aquele que sou, inexplicável à ciência e à lógica, mas real na tua vida se tu quiseres.

Abraçou mais fortemente o seu pai e disse-lhe baixinho ao ouvido: Feliz Natal!

Marinha Grande, 26 de Novembro de 2018

Joaquim Mexia Alves

Com este Conto de Natal quero desejar a todas as amigas e amigos que visitam este espaço um Santo Natal na alegria do Deus que se faz Homem para nós.