Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!
sábado, 8 de março de 2014
Cinzas
Pode parecer anacrónico, em pleno século XXI, o convite à penitência que, todos os anos, a Igreja renova por ocasião da quaresma, iniciada nesta passada quarta-feira, com a imposição das cinzas.
Para quê abster-se da carne, ou jejuar, se a vida já tem tantas contrariedades?! Não será cruel um Deus que pede sacrifícios?! Para que servem essas privações?! O entendimento de uma divindade que se compraz com esse tipo de sofrimentos não foi revogado pela revelação do Deus que é amor?!
É verdade que não é a cruz, mas o amor, que é a essência do Cristianismo. Por isso, São Paulo afirma que, se “entregasse o seu corpo para ser queimado e não tivesse caridade, de nada lhe aproveitaria” (1Cor 13, 3).
Mas, até humanamente, não há prémio sem sacrifício. O cientista, antes de encontrar uma explicação, tem muito que padecer. É com o suor da sua labuta que o pescador arranca ao mar os peixes que o sustentam e o agricultor colhe os frutos que semeou. O atleta, que se propõe bater um recorde, tem que se esforçar arduamente. Até o apaixonado, para conquistar o favor da sua amada, tem, em geral, que penar alguma coisa. Como dizia Guimarães Rosa, “é preciso sofrer depois de ter sofrido e amar, e mais amar, depois de ter amado”, enquanto Tom Jobim cantava: “Eu não quero mais amor, para não sofrer, não chorar…”.
Não é capaz de amar quem não é capaz de sofrer. Talvez seja esta uma razão do fracasso de muitas relações. Na quaresma, somos chamados a praticar a renúncia do que é supérfluo, para afirmar o maior amor, que é o de dar a própria vida. Que importa a dor, se é por amor? Afinal, tudo o resto mais não são do que adiadas cinzas.
Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in 'i' online AQUI
«De facto, tal como pela desobediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só todos se hão-de tornar justos» (Rom 5,19)
São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, n°16
Analisando o desenvolvimento das tentações do Senhor, conseguimos compreender quão grandiosamente fomos libertados da tentação. O inimigo das origens levantou-se contra o primeiro homem, nosso antepassado, com três tentações: tentou-o pela gula, pela vanglória e pela avareza […]. Pela gula, mostrou-lhe o fruto proibido da árvore e persuadiu-o a comê-lo. Tentou-o pela vanglória, dizendo-lhe: «Sereis como Deus» (Gn 3,5). E tentou-o ainda pela avareza, dizendo-lhe: «Conhecereis o bem e o mal». Com efeito, a avareza não tem por objecto apenas o dinheiro, mas também as honras […].
Mas quando tentou o segundo Adão (1Cor 15,47), os próprios meios que lhe tinham servido para derrubar o primeiro homem venceram o diabo. Tenta-O pela gula, ao pedir-lhe: «Ordena que estas pedras se transformem em pães»; tenta-O pela vanglória, ao dizer-lhe: «Se és o Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo»; tenta-O pelo desejo ávido de honrarias quando, mostrando-Lhe todos os reinos do mundo, declara: «Tudo isto Te darei se, aos meus pés, me adorares» […]. Tendo desta forma aprisionado o diabo, o segundo Adão expulsa-o dos nossos corações pela mesma via por que lhe havia permitido neles entrar e tê-los em seu poder.
Uma outra coisa temos ainda de considerar relativamente às tentações do Senhor […]: Ele podia ter precipitado o tentador no abismo, mas não manifestou o seu poder pessoal; limitou-Se a responder ao diabo com preceitos da Santa Escritura. Fê-lo para nos dar exemplo de paciência, e para nos convidar a recorrer mais ao ensino do que à vingança. […] Vede bem a paciência de Deus, e a nossa impaciência! Nós deixamo-nos levar pela fúria quando a injustiça ou a ofensa nos atingem […]; o Senhor suportou a hostilidade do diabo, mas foi com palavras suaves que lhe respondeu.
Mas quando tentou o segundo Adão (1Cor 15,47), os próprios meios que lhe tinham servido para derrubar o primeiro homem venceram o diabo. Tenta-O pela gula, ao pedir-lhe: «Ordena que estas pedras se transformem em pães»; tenta-O pela vanglória, ao dizer-lhe: «Se és o Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo»; tenta-O pelo desejo ávido de honrarias quando, mostrando-Lhe todos os reinos do mundo, declara: «Tudo isto Te darei se, aos meus pés, me adorares» […]. Tendo desta forma aprisionado o diabo, o segundo Adão expulsa-o dos nossos corações pela mesma via por que lhe havia permitido neles entrar e tê-los em seu poder.
Uma outra coisa temos ainda de considerar relativamente às tentações do Senhor […]: Ele podia ter precipitado o tentador no abismo, mas não manifestou o seu poder pessoal; limitou-Se a responder ao diabo com preceitos da Santa Escritura. Fê-lo para nos dar exemplo de paciência, e para nos convidar a recorrer mais ao ensino do que à vingança. […] Vede bem a paciência de Deus, e a nossa impaciência! Nós deixamo-nos levar pela fúria quando a injustiça ou a ofensa nos atingem […]; o Senhor suportou a hostilidade do diabo, mas foi com palavras suaves que lhe respondeu.
(Fonte: Evangelho Quotidiano)
O Evangelho de Domingo dia 9 de março de 2014
Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo demónio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites, e depois teve fome. E, aproximando-se d'Ele o tentador, disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, diz que estas pedras se convertam em pães». Jesus respondeu: «Está escrito: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”». Então o demónio transportou-O à cidade santa, pô-l'O sobre o pináculo do templo, e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui a baixo, porque está escrito: “Mandou aos seus anjos em teu favor, eles te levarão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece em alguma pedra”». Jesus disse-lhe: «Também está escrito: “Não tentarás o Senhor teu Deus”». De novo o demónio O transportou a um monte muito alto, e Lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua magnificência, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Então, Jesus disse-lhe: «Vai-te, satanás, porque está escrito: “Ao Senhor teu Deus adorarás e a Ele só servirás”». Então o demónio deixou-O; e eis que os anjos se aproximaram e O serviram.
Mt 4, 1-11
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