Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

A Grega da Turquia

É tão grande a multidão dos santos e santas que, ao fim de vinte séculos de cristianismo, não é possível celebrá-los todos. Destacam-se uns poucos, conforme a sensibilidade de cada época, mas todos contribuem para tornar gloriosa a história da Igreja. Entre esses santos, conta-se uma mulher do século IV, que se celebra no dia 18 de Agosto. Hoje em dia é menos lembrada, mas muitos a recordam, numa das quatro estátuas colossais que estão sob a cúpula da basílica de S. Pedro, uma em cada esquina, diante do altar papal. A estátua dela é obra do escultor Andrea Bolgi (1651).

Nasceu na província romana de Bitínia, hoje no Norte da Turquia, junto ao Mar Negro, numa família pagã, pobre. Deram-lhe um nome que estava na moda, Helena, que significa de origem grega, apesar de a Bitínia não fazer parte da Grécia.

Ainda muito nova, quando trabalhava numa hospedaria, passou por lá o poderoso Tribuno romano Constâncio Cloro que reparou na elegância e na inteligência e a tomou como mulher. O direito romano não permitia que um Tribuno daquele estatuto se casasse com uma rapariga do povo, mas ninguém proibia que Cloro vivesse com ela. Tiveram um filho, chamado Constantino, que ainda muito novo se manifestou um líder extraordinário, adorado pelos exércitos sob o seu comando e pelo povo.

A carreira fulgurante de Constâncio Cloro elevou-o a César da Gália, da Grã-Bretanha e da Espanha, isto é, de toda a Europa romana da época, à excepção da Grécia e da Itália, e, chegou o momento em que lhe deu jeito casar-se com Teodora, filha do Imperador Maximiliano Hércules. Para isso, Cloro repudiou Helena e separou-o do filho de ambos, Constantino.

Este revés durou treze anos, até à morte de Constâncio Cloro, ocasião em que o jovem Constantino ascendeu a César e, por manobras políticas, batalhas vitoriosas e eliminação de adversários, chegou rapidamente a Imperador único de Roma. A partir desse momento, Helena tornou-se a mãe do Imperador, a quem ele se sentia profundamente ligado.

A aldeia em que Helena nasceu foi elevada a Cidade de Helena, «Helenópolis», e Constantino concedeu enorme autoridade à sua mãe e deu-lhe o título de «Augusta».

Foi nessa época que Helena se converteu ao cristianismo e realizou uma revolução na sociedade romana. Interessou-se pelos pobres, pelos doentes, pelos prisioneiros, pelos mineiros e por outros trabalhadores que viviam em condições difíceis. Era uma mulher poderosa, atraente, activa e inteligente, que sabia conviver com o povo e com os mais altos dignatários, com um grande sentido da justiça e uma autoridade inata, naquele ambiente dominado por homens violentos. Não se pense que a situação de Helena era fácil. A violência e os assassinatos eram comuns na corte e o próprio Constantino cometeu vários homicídios, até entre familiares próximos. Helena interveio, mas nem sempre chegou a tempo. A Igreja, até então perseguida, deveu-lhe muito.

Naqueles tempos, em que muitos dos que sobreviviam à nascença não chegavam aos 40 anos, Helena viveu —cheia de energia e actividade— até aos 80. Ainda nos últimos tempos, fez várias viagens, a principal das quais à Terra Santa, para se ocupar dos lugares da vida de Cristo.

Uma das medidas dos imperadores pagãos para combater o cristianismo tinha sido destruir os lugares mais sagrados da vida de Cristo: o Calvário onde foi crucificado, o túmulo, a gruta de Belém onde nascera, o Jardim das Oliveiras. Curiosamente, ao construírem templos pagãos nesses lugares, pretendendo apagar deles a memória de Cristo, documentaram para a história onde ficavam exactamente esses mesmos lugares. Helena dirigiu as obras de recuperação e as escavações para encontrar a Cruz do Salvador. Efectivamente, desenterram no local três cruzes e encontrou-se a inscrição mandada colocar por Pilatos, «Jesus Nazareno, Rei dos Judeus», como o atestam os Evangelhos de S. Mateus, de S. Marcos, de S. Lucas e de S. João. No entanto, subsistiam dúvidas sobre qual das três cruzes era a de Jesus, que ficaram esclarecidas quando um doente ficou curado milagrosamente ao tocar numa delas. Encontraram-se também os pregos que fixaram Jesus à Cruz e, por influência da mãe, o Imperador Constantino juntou um desses pregos ferrugentos às jóias do seu diadema imperial.

É impossível resumir aqui o que Santa Helena fez na Terra Santa e noutros lugares, porque manteve uma actividade incessante até aos 80 anos. A memória da Igreja recorda sobretudo a sua relação com a Cruz de Jesus e por isso a escultura gigantesca que está diante do altar papal, na basílica de S. Pedro, representa-a segurando devotamente a Cruz. Hoje, poucas vezes se celebra a memória de Santa Helena no dia 18 de Agosto, mas é fácil lembramo-nos dela na grande festa do dia 14 de Setembro, chamada da Exaltação da Santa Cruz.

José Maria C.S. André

Nota JPR: Porque o blogue irá cessar as suas publicações a partir do dia 1 de setembro de 2022, facto que se deve exclusivamente a motivos de saúde, este será o último artigo de José Maria André aqui publicado. É com alguma emoção e tristeza porque não dizê-lo, que escrevo estas linhas. Invade-me também um sincero sentimento de gratidão para com o José Maria, a quem desejo que continue a escrever e a divulgar a sã doutrina e factos da Igreja. Bem-haja!

São João Eudes (1601-1680)

São João Eudes, nasceu em Ri, perto de Argentan, na França, no ano de 1601. Ingressou na Congregação do Oratório, fundada por Bérulle, e ordenado sacerdote, dedicou-se à pregação entre o povo. Passados dois anos, surgiu a epidemia da peste na Normandia e João foi para lá prestar assistência aos doentes. Nunca temeu ser contaminado. Quando o mal parecia debelado, João contraiu-o, mas superou a crise. Restabelecendo-se, retomou suas missões entre o povo. Era um grande pregador, eficaz e seguido.

O Século XVII foi marcado pelo jansenismo, quietismo, filosofismo; é o século da desconfiança, do esquecimento e do desprezo no que se refere à espiritualidade cristã, mas também é o século de grande renovação da piedade e da devoção realizada por homens como Bérulle, Condren, Olier, Vicente de Paulo, Grignon de Montfort e João Eudes.

No ano de 1643, João Eudes fundou a Congregação de Jesus e Maria, cuja finalidade principal era a preparação espiritual dos candidatos ao sacerdócio e a pregação das missões ao povo. Paralelamente a esta, surgiu a congregação feminina chamada Refúgio de Nossa Senhora da Caridade, da qual no século XIX derivou a Congregação do Bom Pastor.

São Pio X definiu São João Eudes pai, doutor e apóstolo da devoção aos sacratíssimos corações de Jesus e de Maria. A influência deste santo foi grande não só em seu país, renovando a velha Normandia, pobre de vida cristã, como também em todo o mundo cristão.

São João Eudes morreu em Caen no dia 19 de Agosto do ano 1680, com setenta e nove anos de idade. Foi canonizado no ano de 1925.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

As bem-aventuranças

«(…) as Bem-Aventuranças são sinais que indica a estrada também à Igreja; esta deve reconhecer nelas o seu modelo, indicações do seguimento importantes para todo o fiel, embora o sejam de modo diferente segundo as várias vocações».

(“Jesus de Nazaré” – Joseph Ratzinger / Bento XVI)

As bem-aventuranças estão no coração da pregação de Jesus. O seu anúncio retorna as promessas feitas ao povo eleito, desde Abraão. A pregação de Jesus completa-as, ordenando-as, não já somente à felicidade resultante da posse duma terra, mas ao Reino dos céus:

«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a tema.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus.Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal de vós. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos céus a vossa recompensa» 
(Mt 5, 3-12).

(Catecismo da Igreja Católica § 1716)

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

A barca que parece afundar-se

«Senhor, muitas vezes a vossa Igreja parece-nos uma barca que está para afundar, uma barca que mete água por todos os lados. E mesmo no vosso campo de trigo, vemos mais cizânia que trigo. O vestido e o rosto tão sujos da vossa Igreja horrorizam-nos. Mas somos nós mesmos que os sujamos! Somos nós mesmos que Vos traímos sempre, depois de todas as nossas grandes palavras, os nossos grandes gestos.»

Cardeal Joseph Ratzinger, na Oração da 9ª Estação da Via Sacra no Coliseu – sexta-feira Santa 2005

Santa Beatriz da Silva, religiosa, †1490

Nasceu em terras portuguesas, em Campo Maior ou, talvez, em Ceuta. Pertencia à mais alta nobreza de Portugal, sendo aparentada com a própria Família Real.

Ainda jovem, acompanhou como dama de honra sua prima D. Isabel, Infanta portuguesa que partiu para Castela a fim de se casar com o rei daquela nação, João II.

Na Corte castelhana, a beleza deslumbrante de Beatriz logo atraiu para ela todas as atenções e a nova rainha, com ciúmes, concebeu o propósito de matá-la. Para isso prendeu-a numa arca sem ventilação. Dias depois, abriu a arca esperando encontrar um cadáver, mas achou Santa Beatriz viva e em perfeita saúde. A Santíssima Virgem aparecera-lhe durante a prisão e fizera-lhe companhia, preservando miraculosamente sua vida e incumbindo-a de fundar uma Ordem religiosa destinada a venerar a Imaculada Conceição.

A rainha arrependeu-se da sua maldade e autorizou Beatriz a retirar-se para um convento dominicano, em Toledo, onde viveu mais de 30 anos, não como religiosa, mas como pensionista, à espera da hora em que pudesse realizar a fundação.

Já idosa, recebeu certo dia a visita da rainha Isabel, a Católica, filha daquela que tentara matá-la. Auxiliada por Isabel, fundou a Ordem das Concepcionistas.

Desde que se afastou da Corte, Beatriz havia adotado o costume de conservar sempre o rosto velado, para evitar que sua beleza fosse ocasião de pecado. No leito de morte, quando lhe foi ministrada a Santa Unção, descobriram-lhe o rosto e, para grande surpresa, constatou-se que ela, embora tivesse mais de 60 anos de idade, tinha conservado a mesma fisionomia de jovem. Deus quis, por esse milagre, mostrar como Lhe era agradável a ilibada pureza de Santa Beatriz.

(Fonte: 'Evangelho Quotidiano')