Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 21 de setembro de 2021

S. Mateus, apóstolo e evangelista

Trata-se de um dos apóstolos, homem decidido e generoso desde o primeiro momento da sua vocação. É também evangelista - o primeiro que, por inspiração divina, pôs por escrito a mensagem messiânica de Jesus.

Foi Judeu. Exercia as funções de cobrador de direitos de portagem, ao serviço de Herodes Antipas. Um dia, Jesus saía de Cafarnaum em direcção ao Lago, olhou para ele com atenção e disse-lhe: "Mateus, segue-me". E Mateus seguiu-o e foi generoso ao seguir o chamamento e agradecido ao mesmo tempo. Acompanhou sempre o Salvador. Foi testemunha da Ressurreição, assistiu à Ascensão e recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes.

A glória principal de S. Mateus é o seu Evangelho, escrito primeiro em aramaico e traduzido pouco depois para o grego.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

São Mateus, um dos quatro evangelistas

S. Mateus com Anjo de Guido Reni
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, III, 11, 8-9

Não pode haver mais nem menos evangelhos. Com efeito, uma vez que são quatro as regiões do mundo no qual nos encontramos, e quatro os ventos principais, e uma vez que, por outro lado, a Igreja está espalhada por toda a terra e tem por «coluna e sustentáculo» (1Tim 3,15) o Evangelho e o Espírito da vida, é natural que haja quatro colunas que sopram a imortalidade de todos os lados e dão vida aos homens. Quando o Verbo, o artesão do universo, que tem o trono sobre os querubins e que sustenta todas as coisas (Sl 79,2; Heb 1,3), Se manifestou aos homens, deu-nos um evangelho com quatro formas, embora mantido por um único Espírito. Implorando a sua vinda, David dizia: «Manifestai-Vos, Vós que tendes o vosso trono sobre os querubins» (Sl, 79,2). Porque os querubins têm quatro figuras (Ez 1,6), que são as imagens da atividade do Filho de Deus.

«O primeiro [destes seres vivos] era semelhante a um leão» (Ap 4,7), e caracteriza o poder, a preeminência e a realeza do Filho de Deus; «o segundo, a um touro», manifestando a sua função de sacrificador e de sacerdote; «o terceiro tinha um rosto como que de homem», evocando claramente a sua face humana; «o quarto era semelhante a uma águia em pleno voo», indicando o dom do Espírito que paira sobre a Igreja. Os evangelhos segundo João, Lucas, Mateus e Marcos estão, pois, de acordo com estes seres vivos sobre os quais Cristo Jesus tem o seu trono. […]

Encontramos estes mesmos traços no próprio Verbo de Deus; aos patriarcas que existiram antes de Moisés, falava Ele segundo a sua divindade e a sua glória; aos homens que viveram sob a Lei, atribuiu uma função sacerdotal e ministerial; em seguida, fez-Se homem por nós; por fim, enviou o dom do Espírito a toda a terra, escondendo-os à sombra das suas asas (Sl 16,8). […] São, pois, fúteis, ignorantes e presunçosos os que rejeitam a forma como se apresenta o evangelho, ou nele introduzem um número de figuras maior ou menor do que as que referimos.

domingo, 19 de setembro de 2021

Nossa Senhora de La Salette

Nossa Senhora de La Salette (em francês Notre-Dame de La Salette) é o nome dado à Santíssima Virgem Maria nas suas aparições na montanha de La Salete, Isére, nos Alpes franceses. Nossa Senhora apareceu a 19 de Setembro de 1846 a duas crianças, Maximin Giraud de 11 anos e Mélanie Calvat de 15 anos.

O culto a Nossa Senhora de La Salette floresceu no século XX e, assim como Nossa Senhora de Lourdes (1858) e Nossa Senhora de Fátima (1917), continua a ser uma das mais famosas aparições marianas da idade moderna. Tem fortes ligações com essas duas aparições através da linha do tempo do segredo de La Salette e da confirmação em Fátima das recomendações de Lourdes.

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

«Defender a fé sem levantar a voz»

No passado Domingo, as Paulinas lançaram em Lisboa a edição portuguesa do livro de Austen Ivereigh «Como defender a fé sem levantar a voz —Respostas civilizadas a perguntas desafiantes» (original How to Defend the Faith Without Raising Your Voice: Civil Responses to Catholic Hot-Button Issues). O livro é interessante e a edição portuguesa acrescentou-lhe dois capítulos, um dos quais é um contributo valioso para repensar a presença da Igreja no mundo.


A história remonta a Março de 2010, quando se marcou uma visita de Bento XVI à Grã-Bretanha para 16 a 19 de Setembro desse ano. Os cabecilhas do ateísmo responderam com uma campanha feroz. Richard Dawkins and Christopher Hitchens propuseram que, à chegada, o Papa fosse metido na prisão e julgado pelos tribunais britânicos. A imprensa anunciou que a visita custaria 19 milhões de libras, levantando um clamor de escândalo. O Governo não se opunha à visita, mas os burocratas encarregados de a organizar propuseram lançar uma marca de preservativos chamada «Bento XVI», que o Papa incluísse no programa a visita a uma clínica de aborto e casasse dois homossexuais.


Pouco antes, tinha-se realizado um importante debate entre personalidades do ateísmo e uma professora universitária convertida ao catolicismo e um bispo. A sondagem anterior ao debate indicou que metade da audiência apreciava positivamente o papel da Igreja católica e a outra metade considerava-o negativo. O desempenho dos esforçados católicos foi tão mau que, no final, quase toda a audiência estava contra a Igreja.


Foi nesta conjuntura que Austen Ivereigh (porta-voz do anterior Arcebispo de Westminster, Londres) e Jack Valero (porta-voz do Opus Dei no Reino Unido) decidiram formar um grupo de gente nova capaz de intervir nos meios de comunicação social. O novo Arcebispo de Westminster apoiou a ideia e assim surgiu o «Catholic Voices», que catalizou uma verdadeira revolução. O impacto desta nova forma de comunicar transformou, em poucas semanas, a opinião pública do Reino Unido.


Imaginem, por exemplo, que uma pessoa de certa idade acusa a Igreja de ser uma velha rabugenta, insensível ao desejo juvenil de relações pré-matrimoniais; e, do outro lado, um rapaz e uma rapariga jovens explicam como a ternura e o respeito entre os namorados expressam o seu amor, o seu sentido de responsabilidade e os ajudam a amadurecer e a querer-se mais. Todos compreendem que Deus está do lado da generosidade e do amor; e que o ataque à Igreja traduz uma visão carregada de desilusão e egoísmo. A maneira como se comunica faz muita diferença.


O plano inicial da visita era que o Papa Bento XVI se deslocasse num automóvel fechado, para evitar confrontos com a população, mas o panorama mudou naquelas semanas. Mesmo em zonas onde há poucos católicos, como na Escócia, o Papa foi acolhido por multidões entusiásticas. As pessoas concentravam-se nas ruas para saudar a passagem do papamóvel. 70 mil pessoas (muitas não católicas) encheram o Bellahouston Park para a Missa. Nas regiões mais católicas, a recepção foi ainda mais calorosa. Milhões de pessoas seguiam a transmissão em directo, em contínuo, de manhã à noite. As autoridades da Igreja anglicana receberam o Papa efusivamente. Os representantes dos judeus e de outras religiões emocionaram-se. Diante de todos os deputados, na solenidade máxima do Parlamento, com Bento XVI sentado no lugar de proeminência, o «Speaker» declarou que «a presença ali do Pontífice, inconcebível em tempos anteriores, é agora uma coisa completamente natural» e que «a fé não é uma relíquia do passado, incrustada na vida política, mas faz parte do seu tecido»: os deputados aplaudiram longamente. Os quatro dias da visita foram intensíssimos e, no final do dia 19, Bento XVI regressou a Roma despedindo-se de um Reino Unido profundamente mudado, enamorado da sua simpatia quase tímida.


O livro de Austen Ivereigh passa em revista os temas mais controvertidos, propondo para cada um aquele tipo de abordagem construtiva, verdadeira, que inspirou os rapazes e as raparigas do «Catholic Voices». Faltava contudo um tema, afinal de contas o principal: faltava falar de Deus, não apenas dos temas fracturantes relacionados com Deus, mas do próprio Deus. Auten Ivereigh e Jack Valero convidaram Pedro Gil a acrescentar esse tópico e por isso esta edição é ainda mais útil e completa que as anteriores.

A necessidade deste capítulo corresponde ao perigo de nos deixarmos arrastar pelo espírito da polémica, como o Papa Francisco alertou: «com a selecção de conteúdos feita pelos mass-media, a mensagem que anunciamos corre o risco de aparecer mutilada e reduzida a alguns dos seus aspectos secundários. (...) Parece assim identificar-se com esses aspectos secundários que, apesar de relevantes, não manifestam por si sós o coração da mensagem de Jesus Cristo». É preciso então «concentrar-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário» (Evangelii gaudium, 34, 35).


Sim, mais atraente e mais necessário. Porém, mais desafiante. Era o capítulo que faltava a este livro: como falar de Deus.

José Maria C.S. André

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

A emoção dominante deste ano

«A apatia pode converter-se na emoção dominante deste ano de 2021». Este prognóstico é do psicólogo Adam Grant, autor do livro Think Again, que convida a pensarmos e a procurarmos as raízes deste estado de ânimo tão presente nos nossos dias.

Grant define a apatia como uma sensação de estagnação e vazio, um estado de ânimo caracterizado pela perda de entusiasmo e de energia. Não chega a ser uma depressão, mas é claramente uma ausência de bem-estar e uma perda da alegria de viver.

A pessoa que se deixa cair nas “areias movediças” da apatia pode tornar-se “indiferente” ao facto de estar assim.

Mas, atenção: a apatia já existia antes de chegar a pandemia!

Para ela contribuem certas inércias como a dispersão provocada pelas distrações contínuas. Segundo alguns estudos, o homem actual muda de ocupação, em média, cada dez minutos, e falta-lhe motivação para lutar por uma vida estimulante que valha a pena encarar com um certo espírito de aventura.

Vários autores actuais, entre os quais se encontra Grant, defendem que recuperar “a capacidade de estarmos atentos” e fugirmos da dispersão é um caminho fundamental para vencermos a tentação da apatia.

Quem quiser aspirar a uma vida profunda não pode ter medo de mergulhar em experiências intelectuais (ler um bom livro, por exemplo) que exigem o esforço do estudo, da atenção e da paciência.

Esta “imersão” não só traz sossego à mente, mas também nos ajuda a ter a sensação clara de que a nossa vida possui um sentido que passa necessariamente por contemplar e agradecer a realidade que nos rodeia.

Como dizia alguém, os sábios da Humanidade sempre estiveram convencidos de que a verdadeira sabedoria vai unida ao esforço, atenção e profundidade. E que deixar-se arrastar pelos sentidos, vivendo uma vida superficial, é o melhor modo de cair na apatia.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria