Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Os trabalhadores da vinha do Senhor

O Reino dos céus é comparado a um pai de família que contrata trabalhadores para cultivar a vinha. Ora, quem, a não ser o nosso Criador, merecerá com justiça ser comparado a tal pai de família, Ele que governa aqueles que criou, e que exerce neste mundo o direito de propriedade sobre os Seus eleitos como um amo o faz com os servos de sua casa? Possui uma vinha, a Igreja universal, que produziu, por assim dizer, tantos sarmentos quanto santos, desde Abel, o justo, até ao último eleito que nascerá no fim do mundo.

Este Pai de família contrata trabalhadores para cultivar a Sua vinha ao nascer do dia, à terceira hora, à sexta, à nona e à décima primeira, dado que não terminou, do princípio do mundo até ao fim, de reunir pregadores para instruir a multidão dos fiéis. O nascer do dia, para o mundo, era de Adão a Noé; a terceira hora, de Noé a Abraão; a sexta, de Abraão a Moisés; a nona, de Moisés até à vinda do Senhor; e a décima primeira, da vinda do Senhor até ao fim do mundo. Os santos apóstolos foram enviados para pregar nesta última hora e, apesar da sua vinda tardia, receberam o salário por completo.

O Senhor não pára, portanto, em tempo algum, de enviar trabalhadores para cultivar a Sua vinha, isto é, para ensinar o Seu povo. Porque, enquanto fazia frutificar os bons costumes do Seu povo através dos patriarcas, dos doutores da Lei e dos profetas, e finalmente dos apóstolos, Ele procurava, por assim dizer, que a Sua vinha fosse cultivada por intermédio dos Seus trabalhadores. Todos aqueles que, a uma fé justa, acrescentaram boas obras, foram os trabalhadores dessa vinha.

São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, nº 19

S. Gregório Magno, Papa, Doutor da Igreja

São Gregório Magno, nasceu em Roma no ano de 540. A família Anícia, à qual pertencia, era uma das principais de Roma. Quando seu pai morreu, Gregório, ainda muito jovem, era prefeito da cidade. O historiador protestante Harnack admira "a sabedoria, a justiça, a mansidão, a força de iniciativa, a tolerância" e Bossuet considera-o o "modelo perfeito de como se governa a Igreja". É considerado um dos mais célebres Papas da história da Igreja, e seu pontificado durou 14 anos (de 3 de Setembro de 590 a 12 de Março de 604), é marcada por coisas incríveis: organiza a defesa de Roma ameaçada por Aginulfo, com quem reata depois relações de boa vizinhança; administra os bens públicos com religiosa equidade, suprindo o descanso dos funcionários imperiais; favorece o progresso dos agricultores eliminando todo o resíduo de escravidão da gleba; animado pelo zelo, promove a missão de Santo Agostinho de Cantuária na Inglaterra e é o primeiro a usar o nome de servo dos servos de Deus.

O epistolário (chegaram a nós 848 cartas) e as homilias ao povo dão-nos farto testemunho de suas múltiplas atividades, deixando a sua marca em toda parte: lembramos por exemplo, o campo litúrgico, com a promoção do canto gregoriano, o direito canónico, a vida ascética monacal, a pastoral e o apostolado leigo. A sua familiaridade com a Sagrada Escritura aparece nas Homilias sobre Ezequiel e sobre o Evangelho, enquanto os Moralia in Job atestam a sua admiração por Santo Agostinho.

Era admirador excepcional figura de São Bento, fundou sete mosteiros, seis na Sicília e um em Roma. Profunda influência exerceu, juntamente com a Vida de São Bento, o seu livro Regra pastoral, válido ainda hoje.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Transparência

Quando entrou na Assembleia da República uma proposta de lei que elencava o Opus Dei entre as sociedades secretas, demo-nos conta de que alguns dos nossos compatriotas vivem tão longe da realidade da Igreja católica que acham plausível qualquer coisa, por mais mirabolante que seja. Os deputados foram informados de que o Opus Dei não tem nada de secreto (nem de discreto, como alguns dizem) e ficaram a saber que as actividades do Opus Dei são anunciadas, estão abertas a todos e que não é preciso receber um convite. Também foram informados de que as actividades promovidas pelo Opus Dei são gratuitas. Felizmente, a lei aprovada omitiu qualquer referência ao Opus Dei.


O desejo de transparência é muito louvável, mas este processo não foi um exemplo de transparência.


Em primeiro lugar, as actividades do Opus Dei são abertas e é facílimo verificar isso. Mesmo quem não tem tempo para fazer essa experiência pessoalmente, encontra no «site» opusdei.org milhares de páginas sobre os temas que interessam ao Opus Dei: oração, sacramentos, virtudes cristãs, fidelidade à Igreja e ao Papa... sem qualquer espaço para agendas políticas ou conluios reservados.


Há várias décadas que pertenço ao Opus Dei e nunca participei em qualquer actividade que não fosse de âmbito estritamente religioso e absolutamente transparente. Como é que passa pela cabeça de algum jornalista que o Opus Dei seja uma instituição fechada?! A experiência pessoal de um cidadão comum não é notícia, mas é chocante conhecer directamente uma realidade —bem à vista e acessível— e ler o que alguns meios de comunicação dizem.


Já sei que os jornalistas se sentem obrigados a escrever muitas páginas todos os dias e têm pouco tempo para se informar. E que todos nos enganamos. Mas alguns exageram!


Também me dou conta da tentação de demonstrar equidistância. Como não há um único deputado ou membro do Governo que pertença ao Opus Dei, justifica-se uma maldade sem consequências em nome de uma manobra politicamente útil. Qualquer que seja a intenção, sugerir que o Opus Dei é fechado é o exacto oposto de uma conduta transparente.


Perante o problema das sociedades efectivamente secretas, os deputados excluíram da lei todas as instituições: as de natureza política, religiosa, ideológica, sindical, sexual, etc., de modo que parece que se preocupam com a transparência, mas fizeram uma lei que não incomoda ninguém! Nem um grupo de conspiradores terroristas precisa de se denunciar, desde que faça os atentados com desígnios políticos, religiosos, sexuais, ou outros.


A transparência das relações sociais não se defende com estas leis pretensamente bondosas que não se aplicam a ninguém e correm o risco de se aplicarem a todos, numa caça às bruxas.


Pouco antes, a Assembleia da República votou outra lei (entrada em vigor a 17 de Julho passado) que se propunha transpor apenas uma Directiva europeia. Pouco depois da aprovação, fomos percebendo que a maior parte dos deputados não teve tempo de ler o texto, alguns leram-no mas não o entenderam e todos estavam com pressa. Foi assim que votaram quase por unanimidade a instauração da censura em Portugal. Não se percebe se a intenção dos autores corresponde ao resultado; o que felizmente sabemos é que não houve uma maquinação colectiva: simplesmente ninguém suspeitou que um artigo daquela lei previa a instauração da censura. Quando se deram conta, alguns deputados demarcaram-se do que tinham votado e o Presidente da República, que aparentemente promulgou a lei sem a ler, enviou «a posteriori» o texto para o Tribunal Constitucional, na esperança de que os juízes arranjem uma desculpa para reverter o processo e dar à Assembleia da República a oportunidade de rejeitar liminarmente a introdução da censura em Portugal.


Se os políticos continuam a fazer leis perigosas, que não se aplicam a ninguém, e aprovam por distracção a introdução da censura, temos razão para ficar preocupados.


A Assembleia da República tem um grande caminho a fazer para se tornar mais transparente. Para começar, os deputados deveriam apresentar aos eleitores as grandes leis que querem aprovar e não deveriam impedir o povo de se pronunciar sobre elas. A bem da transparência, os que não propuseram a eutanásia durante a campanha eleitoral não teriam votado a favor, nem teriam impedido que o povo a rejeitasse em referendo.

José Maria C.S. André

terça-feira, 3 de agosto de 2021

A medalha de ouro ao nosso alcance

Assistimos por este dias a atletas de todo o mundo competirem nos Jogos Olímpicos que haviam sido adiados em 2020 devido à pandemia, emocionamo-nos com os nossos, para já Jorge Fonseca, Patrícia Mamona e Fernando Pimenta, só uma minoria dos participantes alcançará uma medalha e só os melhores entre os melhores obterá uma de ouro.

Ora, Jesus Cristo Nosso Senhor ao anunciar-nos o Reino dos Céus ofereceu-nos a possibilidade de alcançarmos a maior e melhor Medalha de Ouro a que podemos aspirar, é certo, que para a alcançarmos e sermos credores da Sua extraordinária misericórdia, teremos de nos aplicar nas Olimpíadas da Vida sendo fiéis e apaixonados cumpridores dos Seus ensinamentos e mandamentos.

No entanto, em relação aos atletas em competição temos uma enorme vantagem, é que Ele não nos desqualifica, não nos elimina, dá-nos sempre mais uma oportunidade para recomeçarmos, mesmo aos que abandonam, mas se arrependem e regressam, Ele faz como o pai da parábola do Filho Pródigo recebe-os de braços e coração aberto.

Sejamos ambiciosos e lutemos pela nossa Medalha de Ouro, nunca é tarde e o COVID é mais uma oportunidade que o Senhor nos oferece para nos sentirmos próximos d'Ele!

JPR

quarta-feira, 28 de julho de 2021

A Encíclica escandalosa

A Igreja comemorou nestes dias (2018) os 50 anos da Encíclica «Humanae Vitae», publicada a 25 de Julho de 1968 pelo Papa Paulo VI. O desastre que se seguiu estava anunciado, ninguém tinha ilusões, muito menos o Papa.

Paulo VI publicara Encíclicas ao ritmo de mais de uma por ano, desde o início do pontificado: «Ecclesiam Suam» (1964), «Mense Maio» e «Mysterium Fidei» (1965), «Christi Matri Rosarii» (1966), «Populorum Progressio» e «Sacerdotalis Caelibatus» (1967), até à «Humanae Vitae» (25 de Julho de 1968). A partir desse momento, a contestação e a crise foram de tal ordem, que Paulo VI não voltou a publicar nenhuma outra Encíclica até ao fim do pontificado, 10 anos depois.

É normal os Papas pedirem ajuda para a redacção das Encíclicas, aproveitando livremente os contributos que lhes chegam. No final, trata-se de um documento papal e não importa quem sugeriu esta ou aquela frase, nem é costume os colaboradores darem-se a conhecer. No caso da «Humanae vitae», foi bem diferente: em vez de ajuda, Paulo VI recebeu traições.

O fogo de barragem da comunicação social assustou muitos e mostrou como a voz da Igreja era pequenina face ao poder dos seus opositores. Pior ainda, um grande número de padres e de bispos não entenderam o que estava em causa. Aparentemente, a biologia, a bioquímica prometiam à humanidade novos caminhos de felicidade, mais cómodos e seguros. Quem os poderia rejeitar?

Paulo VI não se deixou enganar: «a sociedade tecnológica consegue multiplicar as ocasiões de prazer, mas tem grande dificuldade em gerar alegria» («Gaudete in Domino», 1975). A indústria química fabricava prazer, mas estava a vendê-lo com publicidade enganosa. «Porque a alegria tem outra origem. É espiritual. O dinheiro, o conforto, a higiene, a segurança material não faltam com frequência; contudo o tédio, a aflição, a tristeza formam infelizmente parte da vida de muitos. Atinge-se às vezes a angústia e o desespero, que nem a aparente despreocupação nem o frenesim do gozo presente ou os paraísos artificiais conseguem evitar» (ibid.).

Paulo VI não tinha ilusões, como escreveu na própria introdução: «É de prever que estes ensinamentos não sejam acolhidos facilmente por todos». E comenta que sempre foi assim na história da Igreja, que é, «à semelhança do seu divino Fundador, “sinal de contradição”», como dizia o profeta Simeão no Evangelho. Só que, desta vez, Paulo VI sabia que ia ser muito mais grave que habitualmente.

A razão para, apesar disso, afrontar a opinião dominante num ponto tão sensível foi simultaneamente clarividência e generosidade. Como ele próprio escreveu na Encíclica, «ao defender a moral conjugal na sua integridade, a Igreja sabe que está a contribuir para a instauração de uma civilização verdadeiramente humana; ela compromete o homem para que este não abdique da própria responsabilidade, para se submeter aos meios da técnica; mais, ela defende com isso a dignidade dos cônjuges».

Aos poucos, a Igreja e sociedade começaram a compreender o mal profundo que os métodos anticonceptivos causam ao amor. A diferença, que alguns tardaram em captar, entre os métodos anticonceptivos e uma vida de casal que tem em conta os períodos inférteis não está em opor métodos «artificiais» e métodos «naturais». Paulo VI era declaradamente a favor dos benefícios da técnica e dos progressos dos medicamentos e dos aparelhos artificiais. O oposto de «natural» é «antinatural»; em princípio, o «artificial» corresponde à natureza racional do homem; o perigo está no que é «antinatural».

Paulo VI percebeu que a sua missão de Papa o obrigava a avisar o mundo da diferença entre os métodos anticonceptivos, que são antinaturais por contradizerem o amor, e o sentido de oportunidade, que faz parte do amor. Muitos, só passados 50 anos começaram a perceber a diferença.

Quase isolado, Paulo VI teve a generosidade de cumprir, mesmo com grande sacrifício, o seu próprio lema de Papa: «In nomine Domini» – em nome do Senhor. E, contra os ventos da época, foi fiel a Deus e aos homens.

Foi a generosidade de Paulo VI (e o milagre realizado por sua intercessão) que levou Francisco a decidir canonizá-lo no próximo dia 14 de Outubro de 2018, em Roma.

José Maria C.S. André
28-VII-2018
Spe Deus