Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Fidelidade e coerência

Sermos fiéis nem sempre é fácil e quem afirmar o contrário necessitará urgentemente de rever a sua “fidelidade”. A hierarquia de valores ajudar-nos-á a sê-lo, e desde logo e em primeiro lugar está Ele, pois foi Jesus Cristo Nosso Senhor quem nos disse sem sofismas para o seguirmos e tudo abandonarmos “Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Quando O pomos em primeiro lugar por incrível que pareça, aqueles que mais amamos na terra saem sempre beneficiados, mesmo quando as nossas limitações não no-lo permitem vislumbrar, mas por isso mesmo deveremos ter uma fé inquebrantável na Sua infinita sabedoria.


O Senhor nos ajude a jamais questionar o nosso amor por Ele e a nossa fé e sigamos o conselho de S. Paulo a Timóteo “… permanece naquilo que aprendeste e acreditaste” (2 Tim 3,14).


JPR


«… toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a duração (…). É fácil ser coerente por um dia ou por alguns dias (…). Só pode chamar-se fidelidade a uma coerência que dura ao longo de toda a vida»


(São João Paulo II - Aos sacerdotes do México em 27/I/1979)

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Autoridade na Igreja

A obediência [...], segundo alguns, já não seria nem ao menos uma virtude cristã, mas uma herança de um passado autoritário, dogmático, a ser, portanto, superado.

Com efeito, se a Igreja é a nossa Igreja, se a Igreja somos apenas nós, se as suas estruturas não são as que Cristo quis, então não se pode mais conceber a existência de uma hierarquia como serviço aos batizados, estabelecida pelo próprio Senhor. Recusa-se o conceito de uma autoridade querida por Deus, de uma autoridade que tem a sua legitimidade em Deus, e não no consenso da maioria dos membros da organização, como acontece nas estruturas políticas.

Mas a Igreja de Cristo não é um partido, não é uma associação nem um clube: a sua estrutura profunda é ineliminável; não é democrática, e sim sacramental, e portanto hierárquica: porque a hierarquia baseada na sucessão apostólica é condição indispensável para obter a força e a realidade dos sacramentos. Aqui, a autoridade não se baseia em votações da maioria; baseia-se na autoridade do próprio Cristo, que quis fazer com que participassem dela homens que fossem os seus representantes até ao seu retorno definitivo. Só se poderá redescobrir a necessidade e a fecundidade católica da Igreja retomando essa visão de obediência à sua legítima hierarquia.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘A fé em crise?’ pag.32)

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Mistério que enche a nossa vida de cristãos

"Chegaremos bem preparados ao domingo da Santíssima Trindade, se – entre outros meios - alimentamos a nossa oração pessoal com os textos litúrgicos da Ascensão e do Pentecostes", aconselhava o B. Álvaro del Portillo.

Neste mês, voltaremos a celebrar, cheios de alegria, a solenidade da Santíssima Trindade, mistério central da nossa fé, que ilumina com o seu esplendor e enche a nossa vida de cristãos. Fomos batizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Esta mesma invocação pronuncia o sacerdote, cada vez que nos concede a absolvição sacramental. E na Missa, renovação do Sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai pele Espírito Santo, as três Pessoas divinas atuam conjuntamente: uma efusão de amor pelos homens que suscitava no nosso Fundador [S. Josemaria] gratidão e desejos eficazes de corresponder, com a sua entrega pessoal mais completa, à inefável doação que Deus faz de si mesmo na Sagrada Eucaristia, para cada um de nós. Oxalá (...) se repita e se renove esta reação sobrenatural nas nossas almas, ao meditar estas maravilhosas realidades divinas!

Chegaremos bem preparados ao domingo da Santíssima Trindade, se – entre outros meios - alimentamos a nossa oração pessoal com os textos litúrgicos da Ascensão e do Pentecostes. Pela mão da Santíssima Virgem, nossa Mãe – (...) de quem sempre queremos aprender - contemplamos como Jesus Cristo sobe ao Céu para que a sua Santíssima Humanidade ocupe o lugar de glória que Lhe está reservado à direita de Deus Pai. Nosso Senhor parte mas, de acordo com a sua promessa, envia-nos o Consolador, o Espírito Santo, para que habite connosco eternamente. Dispunhamo-nos junto a Nossa Senhora para a vinda do Paráclito, imitando os Apóstolos e as Santas Mulheres (Cfr. At 1, 14). Assim crescerá em nós a familiaridade com o Pai, e com o Filho e com o Espírito Santo, e se tornará mais sólida a necessidade de tratar e distinguir cada uma das três Pessoas divinas. (B. Álvaro del Portillo, Carta, 1-V-1989)

sexta-feira, 14 de maio de 2021

17:17 há 40 anos

Quando os relógios mecânicos eram máquinas complexas, que precisavam de um maquinista para acompanhar o seu funcionamento, ao lado do relógio mecânico instalava-se um relógio de sol, para acertar a hora todos os dias. Na torre sul da sé de Lisboa ainda existe um grande relógio mecânico desses, com o seu relógio de sol ao lado. Além do salário do maquinista, indispensável para manter o relógio em funcionamento, o desengonçado mecanismo consumia uma enorme quantidade de azeite, que era a lubrificação disponível na época.


Nalguns casos —por exemplo no palácio da Pena, em Sintra—, havia um pequeno canhão ao lado do relógio de sol, para anunciar as horas ao longe, com um disparo. O pequeno canhão do palácio da Pena ainda lá está, como memória silenciosa daqueles estrondos que faziam esvoaçar os pássaros à hora certa.


Esta forma de marcar as horas aos ritmos da artilharia é coisa do passado, mas há 40 anos, as 17 horas e 17 minutos de 13 de Maio de 1981 ficaram marcadas com exactidão por quatro disparos, que ecoaram uma e outra vez na praça de S. Pedro, levantando revoadas de pássaros. É difícil assinalar o momento de forma mais inesquecível.


A cidade de Roma sufocava sob uma vaga de calor inusual, a ponto de que a audiência do Papa aos peregrinos não pôde ter lugar ao meio-dia, como habitualmente. Teve que se esperar pelo relativo fresco da tarde. Finalmente, João Paulo II saiu pelo portão da guarda, em pé no papamóvel descapotável, cumprimentando a multidão. Como muitos outros, os pais de uma bebé passam-lha para as mãos (esse bebé é hoje a senhora Sara Bartoli, com quarenta anos) e o Papa inclina-se para a receber. Há quem diga que estes movimentos inesperados do Papa, correspondendo ao entusiasmo do povo, desconcertaram Mehmet Ali Ağca. O certo é que este assassino profissional, atirador de elite, calejado no crime, falhou a pontaria de quatro disparos de uma pistola de guerra, uma Browning Hi-Power de 9 mm de calibre. Uma bala deste calibre não dá hipóteses de sobrevivência e quatro balas a curta distância deveriam eliminar qualquer dúvida.


O que aconteceu às 17:17 daquele dia ainda hoje não se percebe. As balas atravessaram o corpo do Papa de lado a lado num trajecto sinuoso, fazendo inflexões misteriosas como se quisessem respeitar os órgãos vitais. Roçaram neles, um por um, mas sem os atingir.


Rasgaram sulcos profundos de que jorrou abundantemente sangue e caíram à volta da vítima ou perto do automóvel. A quinta bala não partiu porque a Browning encravou. Uma pistola profissional com uma falha mecânica?! Segundo os jornais, a pistola custara £10,000 à época (dezenas de milhar de euros a preços de hoje).


Desconcertado, o atirador supostamente infalível, com 23 anos, no auge da sua forma física, teve uma hesitação de segundos e foi agarrado por um elemento das forças de segurança, com a ajuda de vários populares, incluindo uma freira. As reportagens dos vídeos captam os rostos imóveis da multidão, pesados, calados, de olhos fixos no infinito, como se fossem personagens de cenas diferentes, cada um a olhar na sua direcção, como se não houvesse nada para ver no espaço sem fim.


Uma das balas está hoje em Fátima, como jóia da coroa da imagem de Nossa Senhora. A temível Browning está exposta em Wadowice, na Polónia. Ambas testemunham que Deus não desiste de ter a última palavra.


No dia 27 de Dezembro de 1983, às 17h20, João Paulo II entrou na prisão de alta segurança para falar a sós com Ali Ağca. O Papa tinha-lhe perdoado desde o primeiro momento e foi talvez esse o mistério mais difícil de decifrar para Ali Ağca, pelo contraste entre a violência das balas e a delicadeza comovente do Papa. Em 1987, João Paulo II recebeu a mãe de Ali Ağca e em 1997 é o irmão de Ali Ağca que o visita no Vaticano. No ano 2000 João Paulo II intercedeu junto do Governo italiano para que o libertassem e, depois de o prenderem novamente na Turquia, para cumprir uma pena antiga, por homicídios anteriores, Ali Ağca por lá vive pacatamente. Em entrevistas que deu aos jornais, reconhece que aquela conversa íntima de 22 minutos na prisão foi absolutamente especial e não tenciona revelar nada. No seu livro «Memória e Identidade», ao referir esse encontro, o Papa só diz que não pode contar nada.


Depois de sair da prisão na Turquia, Ali Ağca já viajou pela Europa e já esteve novamente na praça de S. Pedro, sozinho, em homenagem ao Papa. Em entrevistas a jornais ocidentais disse que deixou um ramo de flores no local do atentado e que está contente por João Paulo II ter sobrevivido. Eram 17h17 de há 40 anos.

José Maria C.S. André

quinta-feira, 13 de maio de 2021

A Ascenção

Prosseguindo com a exposição dos artigos do Credo, aprofundemos no mistério da Ascensão do Senhor. Cremos, com efeito, que Jesus Cristo, depois da Ressurreição, subiu ao Céu onde está sentado à direita do Pai [1]. Esta solenidade que celebraremos neste mês – na quinta-feira, dia 9, ou no domingo, dia 12, nos países onde foi transferida – deve ser para to­dos uma paragem, recordando-nos o fim ditoso a que estamos chamados. Esta verdade recor­da-nos ao mesmo tempo um facto histórico e um acontecimento de salvação. Como facto histórico, a Ascensão «marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde há de voltar, mas que, entretanto, O oculta aos olhos dos homens» [2]. Agora, está presente na Eucaristia de modo sacramental, mas, no seu ser natural, encontra-se apenas no Céu, de onde virá no fim dos tempos, cheio de glória e majestade, para julgar a todos.

O Evangelista que relata com mais pormenor este acontecimento é S. Lucas. No início dos Atos dos Apóstolos, escreve que o Senhor, depois da Sua Paixão, lhes apareceu vivo [aos Apóstolos e aos outros discípulos], e deu-lhes disso numerosas provas, com as Suas aparições, durante quarenta dias, falando-lhes também a respeito do Reino de Deus [3]. Narra ainda que, durante uma das aparições aos Apóstolos, o Senhor lhes abriu o entendimento para que compreendessem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito que o Messias havia de sofrer e ressuscitar dentre os mortos, ao terceiro dia, e que se anuncie, em Seu nome, a conversão para o perdão dos pecados a todos os povos, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas destas coisas [4].

S. Josemaria considerou muitas vezes estas cenas, nas reuniões familiares que costu­mava ter com numerosas pessoas. Numa ocasião, por exemplo, convidava os que o ouviam a pensar no Senhor depois da Ressurreição, quando falava de muitas coisas, de tudo o que os Seus discípulos Lhe perguntavam. Aqui estamos a imitá-Lo um pouco, porque vós e eu somos discípulos do Senhor e queremos trocar impressões [5]. E noutra altura, acrescen­tava: falava com eles, como falamos nós agora, aqui, assim! Isso é a contemplação: convívio com Deus. E a contemplação e o convívio com Deus levam-nos a cuidar das almas, a ter sede de trazer para Cristo os que se afastaram [6].

[1]. Missal Romano, Símbolo Niceno-Constantinopolitano.
[2]. Catecismo da Igreja Católica, n. 665.
[3]. At 1, 3.
[4]. Lc 24, 46-48.
[5]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 29-X-1972.
[6]. S. Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 3-XI-1972.

(D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei na carta do mês de maio de 2013)