Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sábado, 5 de outubro de 2019

Às vezes, parece um salto sem paraquedas

Começou no dia 3 (2018) o Sínodo dos bispos, em Roma, dedicado à juventude e à vocação. Logo no início, o Papa pediu aos participantes que falassem com franqueza e se disponibilizassem para ouvir. «Somos chamados a colocar-nos à escuta daquilo que o Espírito nos sugere, segundo modalidades e direcções muitas vezes imprevisíveis».

Este assunto tem uma larga história na Igreja, porque muitas vezes a confiança em Deus parece mais temerária que saltar de um avião sem paraquedas. Perante uma opção razoável e um caminho inspirado pelo Espírito Santo, a tendência a agarrar-se aos paraquedas desta vida é quase irresistível.

Um destes momentos de clara definição ocorreu em 1965, durante o Concílio Vaticano II. Examinava-se o celibato dos padres. Por um lado, estava claro que não existia uma necessidade absoluta de que os padres fossem solteiros e não se ignorava a escassez de clero. Por outro lado, reconhecia-se a grande conveniência do celibato.

Antes de a teologia se ocupar do assunto, o Povo de Deus captou a profunda relação entre o celibato e o sacerdócio e escolheu os padres com este critério (nos primeiros séculos, as pessoas não se propunham para serem padres, eram escolhidas). O Magistério reconheceu que o Espírito Santo inspirava o povo e por isso recomendou e mais tarde estabeleceu que, excepto em casos específicos, só fossem ordenados padres na Igreja Latina homens solteiros. Diversas vezes, ao longo de dois mil anos, esta disposição foi confirmada. Em 1965, reunida no Concílio Vaticano II, a Igreja voltou a examinar a questão.

A primeira pergunta foi: «a autoridade eclesiástica pode impor o celibato?» – evidentemente que não. A segunda pergunta foi: «qual a origem da virgindade pelo Reino de Deus?» – é um dom de Deus livremente recebido, um tesouro que Deus entrega a quem quer. A terceira questão dizia respeito ao próprio sacerdócio: «qual a sua origem deste chamamento?» – é um dom divino, uma graça que a pessoa pode rejeitar ou aceitar. A questão que teve mais eco nos meios de comunicação social é se seria prudente só ordenar quem tivesse recebido de Deus os dois dons, da vocação ao celibato e da vocação ao sacerdócio.

Normalmente, ao amadurecer a vocação ao sacerdócio, ao abrir-se generosamente ao convite de Deus, a pessoa toma consciência de que esse caminho lhe vai ocupar tão completamente as forças e o coração que decide entregar-se no celibato. Não compete à hierarquia forçar essa decisão, que tem de ser absolutamente livre, mas cabe-lhe decidir quem admite à ordem sagrada. Assim, a Igreja, reunida em Concílio, decidiu confiar inteiramente em Deus. Face às inquietações da sociologia e da estatística, o Concílio argumentou que o dom do celibato era tão importante para a vida de um padre que o Espírito Santo, ao suscitar em alguém a vocação sacerdotal, o faria compreender igualmente a vocação à entrega plena no celibato.

Chegou o dia 7 de Dezembro de 1965, véspera da grande festa de Nossa Senhora a quem o Concílio queria oferecer os seus trabalhos. Dos 2394 bispos reunidos, 2390 votaram a favor do decreto «Presbyterorum ordinis», no qual se diz:

«O celibato harmoniza-se por muitos títulos com o sacerdócio. [Segue-se uma lista de razões]. Por todas estas razões, fundadas no mistério de Cristo e na sua missão, este sagrado Concílio aprova e confirma novamente a legislação (...), confiando no Espírito Santo que o dom do celibato, tão harmónico com o sacerdócio do Novo Testamento, será dado generosamente pelo Pai, desde que (...) toda a Igreja o peça, humilde e insistentemente. (...) Por isso, este sagrado Concílio pede (...) a todos os fiéis que tenham a peito este dom precioso do celibato sacerdotal e supliquem a Deus que o confira sempre abundantemente à sua Igreja».

Confiar ao Espírito Santo as vocações sacerdotais, tão essenciais para a Igreja, colocando ao mesmo tempo a fasquia tão alta ...parece equivalente a saltar de um avião sem paraquedas. Mas a Igreja, quando trata de vocação, atira-se mesmo ou, como dizia o Papa Francisco, «escuta aquilo que o Espírito sugere, segundo modalidades e direcções muitas vezes imprevisíveis».
José Maria C.S. André

LADAINHA DA HUMILDADE

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus manso e humilde de coração: ouvi-nos.
Jesus manso e humilde de coração: atendei-nos.
Jesus manso e humilde de coração: fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser buscado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de honrado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus!

Que os outros sejam mais amados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam mais estimados do que eu – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam louvados e eu esquecido – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!

Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós!
São José, protetor das almas humildes, rogai por nós!
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo, rogai por nós!

Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós!

ORAÇÃO

Ó Deus, que, por meio do ensinamento e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da Graça e como início de todas as outras virtudes – caminho certo para o Céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e mais santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por N. S. J. C. que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo.
Amém.

(Cardeal RAFAEL MERRY DEL VAL, Secretário de São Pio X).

Humildade e obediência

Pela humildade, vivemos com Deus e Deus vive connosco numa paz verdadeira; nela se encontra o fundamento vivo de toda a santidade. Podemos compará-la com uma fonte de onde jorram quatro rios de virtudes e de vida eterna (cf Gn 2,10). [...] O primeiro rio que jorra do solo verdadeiramente humilde é a obediência [...]; o ouvido torna-se humildemente atento, a fim de ouvir as palavras de verdade e de vida que provêm da sabedoria de Deus, e as mãos estão sempre prontas a cumprir a Sua muito cara vontade. [...] Cristo, Sabedoria de Deus, fez-Se pobre para nos tornar ricos (2 Cor 8,9), tornou-Se servo para nos fazer reinar, e por fim morreu para nos dar a vida. [...] Para que saibamos segui-l'O e servi-l'O, disse-nos: «Aprendei de Mim porque sou manso e humilde de coração».

Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381), cónego regular

O serviço humilde

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja 
Sermões sobre o Evangelho de João, 14,5; CCL 36, 143-144

Antes da vinda do Senhor Jesus, os homens gloriavam-se de si próprios. Ele veio como homem para que diminuísse a glória do homem e crescesse a glória de Deus. Porque Ele veio sem pecado e nos encontrou a todos pecadores. Se Ele veio para perdoar os pecados, é porque Deus é misericordioso: compete ao homem reconhecê-lo. Porque a humildade do homem está nesse reconhecimento, e a grandeza de Deus na sua misericórdia.

Se Ele veio perdoar ao homem os seus pecados, que o homem tome consciência da sua pequenez e de que Deus exerce a Sua misericórdia. «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30). Ou seja: é necessário que Ele dê e que eu receba; que Ele tenha a glória e que eu a reconheça. Que o homem entenda qual é o seu lugar, que reconheça Deus e escute o que o apóstolo Paulo diz ao homem soberbo e orgulhoso que pretendia superiorizar-se: «Que tens tu que não hajas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias como se não o tivesses recebido?» (1 Cor 4,7). Que o homem que queria chamar seu ao que não era dele compreenda pois que o recebeu e se faça pequenino, porque é bom para ele que Deus seja glorificado nele. Que se diminua pois em si mesmo, para que Deus cresça nele.

Evangelho do dia 5 de outubro de 2019

Os setenta e dois voltaram alegres, dizendo: «Senhor, até os demónios se nos submetem em virtude do Teu nome». Ele disse-lhes: «Eu via Satanás cair do céu como um raio. Eis que vos dei poder de caminhar sobre serpentes e escorpiões, e de vencer toda a força do inimigo, e nada vos fará dano. Contudo não vos alegreis porque os espíritos maus vos estão sujeitos, mas alegrai-vos porque os vossos nomes estão escritos nos céus».  Naquela mesma hora Jesus exultou de alegria no Espírito Santo, e disse: «Graças Te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos prudentes, e as revelaste aos simples. Assim é, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado. Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai; e ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai, nem quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar». Depois, tendo-Se voltado para os discípulos, disse: «Felizes os olhos que vêem o que vós vedes. Porque Eu vos afirmo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram, ouvir o que vós ouvis e não o ouviram».

Lc 10, 17-24