Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 22 de setembro de 2019

A FÉ É UMA CASA

Ser cristão não é ir à igreja todos os domingos. Ser cristão é saber que numa missa encontro mais uma casa. Com uma história, uma família, uma voz em comum, um código moral.

É fácil ser-se católico em Portugal, pelas tradições, pela cultura das origens. Somos um Estado laico com uma sociedade de legado judaico-cristão. A melhor roupa dos nossos avós seria a dominical, a minha geração fica de pijama. As nossas revoluções verdadeiramente democráticas nunca foram executadas em princípios religiosos, muito menos os romanos. Em 1910 perseguiram a Igreja. Em 1974 a ideologia era comunista, não havendo, mais uma vez, lugar para a cristandade no reconstruir. Pergunto-me agora se não teriam apresentado resultados menos temerosos se guiados ou, pelo menos, dispostos a ouvir algum conselho mais milenar.

Neste sentido, o preconceito quase geral justifica-se. Um mesmo que também possuía quando entrei pela primeira vez num Colégio de fundamentação jesuíta. Em três anos é evidente que a minha vida mudou e as várias partes que melhoraram se devem ao investimento no colégio, em ter a possibilidade de o frequentar.

Aí encontrei Deus. Comecei a fazer parte de uma paróquia, tive um ano de reuniões de preparação para o Crisma. A maneira inaciana de ensinar é especial. Cada aluno é um potencial. Assim, as dificuldades não são resolvidas em conjunto, existindo uma preocupação com cada indivíduo. Um reconhecimento da positividade dentro da diferença, e da presença de, por isso, sermos iguais. Há a criação de um sentido de respeito. É-me mais fácil respeitar alguém que conheço, não se vendo um ‘fosso’ nas relações entre professor e aluno. Vê-se sim uma amizade. Uma predisposição natural à interajuda entre toda a comunidade e isso é, de facto, um ideal essencialmente cristão. Jesus bem disse que nos devíamos amar a todos.

Torna-se inspirador. Os nossos heróis deixam de ser o Figo ou o Homem-Aranha. Porque houve um homem, chamado Pedro Arrupe, que quando a displicência americana bombardeou Hiroshima e Nagasaki, decidiu ignorar os avisos de perigo devido às radiações e partiu rumo ao desastre. Para ajudar o outro. Porque na sua consciência tão viva de Fé sabia que a sua vida não era mais importante que nenhuma outra. Que se salvasse dez teria valido a pena. E muitos salvou. E viveu para ajudar mais.

Eu encontrei Deus tarde. Ou talvez não. Encontrei-o – ou melhor, quis vê-Lo – quando teve que ser. Naquela altura em que passamos de jovem criança para jovem adulto. Quando começam a crescer liberdades e as correspondentes responsabilidades das mesmas. Quando as escolhas difíceis surgem, as perguntas sem resposta, a morte, o falhanço depois do esforço. A desilusão. O entender que o mundo não se trata, de todo, de um sítio fácil. Muito menos hoje, mas isso já há vinte anos presumo que se dissesse.

E foi numa dessas alturas em que senti algo mais que o ‘costume’. Que, no meio de não fazer ideia do que fazer, achei um aconchego, uma linha de luzes pequeninas a mostrar-me um caminho para aterrar. Penso, todavia, que não tem somente que ver com uma mão amiga, um apoio na tristeza. A Fé transforma-se em algo sempre presente. Se, quando choramos, Ele está sempre lá, também aprendi a celebrar com Ele, a reunir dentro de nós uma gratidão por poder existir. Porque vale a pena.

Deixa de contar apenas se hoje o meu copo está meio cheio ou meio vazio. O vazio deixa de ser uma falta para passar a motivação, uma força para o encher e partilhar. Nem preciso de olhar para o lado para ver que há tantos que nem copo têm.

Sebastião Reis Bugalho texto para a revista 'Caritas' em setembro de 2013

Jaculatória dos Três Pastorinhos de Fátima

Santíssima Trindade eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus eu Vos amo no Santíssimo Sacramento


Amar Jesus Cristo e crer na Santa Madre Igreja

«… Desprezar-me a mim mesmo e amar só a Jesus Cristo; aceitar e crer tudo o que professa e crê a Santa Madre Igreja. É isso que eu aceito e creio firme e verdadeiramente…»

(Da 2ª carta de S. João de Deus a Guterres Lasso)

«Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê».

(1 Jo 4,20)

«Criastes-nos, Senhor para vós, e o nosso coração está inquieto até que descanse em vós»

(Santo Agostinho - Confissões 1,1)

A banca do amor

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja 
Carta 142, 6/7/1893, a sua irmã Celina


«Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos», diz o Senhor [Is 55,8]. O mérito não consiste em fazer nem em dar muito, mas antes em receber, em amar muito. […] Está dito que é muito mais agradável dar do que receber [At 20,35], e é verdade, mas quando Jesus quer reservar para Ele a doçura de dar, não seria delicado recusar. Deixemo-lo receber e dar tudo o que quiser, a perfeição consiste em fazer a vontade dele, e a alma que se Lhe entrega inteiramente é chamada pelo próprio Jesus «sua Mãe, sua Irmã» e toda a sua Família [Mt 12,50]. E noutro lugar: «Se alguém Me ama, guardará a minha palavra (isto é, fará a minha vontade) e Meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele a nossa morada» [Jo 14,23] Oh! Celina!… Como é fácil agradar a Jesus, encantar o seu coração: basta amá-lo sem olhar para nós mesmas, sem examinar demasiadamente os próprios defeitos. […]

A tua Teresa não se encontra neste momento nas alturas mas Jesus ensina-lhe a tirar proveito de tudo, do bem e do mal que encontra em si. Ensina-lhe a jogar à banca do amor, ou antes, joga Ele por ela sem lhe dizer como se faz porque isso é assunto dele e não de Teresa; o que ela tem de fazer é abandonar-se, entregar-se sem nada reservar para si, nem mesmo a alegria de saber quanto lhe rende a banca. […]

Com efeito, os directores [espirituais] fazem avançar na perfeição mandando praticar um grande número de actos de virtude, e têm razão, mas o meu director, que é Jesus, não me ensina a contar os meus actos; ensina-me a fazer tudo por amor, a não Lhe recusar nada, a ficar contente quando Ele me dá uma ocasião de Lhe provar que O amo, mas isto faz-se na paz, no abandono, é Jesus que faz tudo e eu não faço nada.

sábado, 21 de setembro de 2019

Senhor, a sério que quero ser santo

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Procuremos fomentar no fundo do coração um desejo ardente, um empenho grande por alcançar a santidade, apesar de nos vermos cheios de misérias. Não se assustem; à medida que se avança na vida interior, conhecem-se com mais clareza os defeitos pessoais. O que acontece é que a ajuda da graça se transforma como que numa lente de aumentar e o mais pequeno cotão, o grãozinho de areia quase imperceptível aparecem com dimensões gigantescas, porque a alma adquire a finura divina e até a sombra mais pequena incomoda a consciência, que só gosta da limpeza de Deus. Diz-lhe agora, do fundo do coração: Senhor, a sério que quero ser santo, a sério que quero ser um teu discípulo digno e seguir-te sem condições. E depois, hás-de propor a ti próprio a intenção de renovar diariamente os grandes ideais que te animam nestes momentos. (Amigos de Deus, 20)

São Josemaría Escrivá