Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 28 de agosto de 2016

Bom Domingo do Senhor!

Que em tudo na vida tenhamos a humildade e o gesto de respeito pelo próximo como o Senhor nos fala no Evangelho de hoje (Lc 14, 1.7-14) de não procurarmos sobressair por vaidade e procuremos estar sempre próximos dos que mais necessitam.

Senhor Jesus ajuda-nos a viver segundo a Tua Palavra, hoje e sempre!

«A comida está pronta […], tudo está preparado: vinde às bodas» (Mt 22,4)

São Bruno de Segni (c. 1045-1123), bispo 
Comentário ao Evangelho de Lucas, 2, 14; PL 165, 406

O Senhor tinha sido convidado para umas bodas. Ao observar os convivas, reparou que todos escolhiam os primeiros lugares […], cada um desejando sentar-se antes de todos os outros e passar à frente de todos. Então, contou-lhes uma parábola (Lc 14,16ss) que, mesmo tomada no seu sentido literal, é muito útil e necessária a todos os que gostam de usufruir da consideração dos outros e têm receio de ser rebaixados. […]

Mas como esta história é uma parábola, possui um significado que ultrapassa o seu sentido literal. Vejamos então que bodas são estas e quem são os convidados. Estas realizam-se quotidianamente na Igreja. Todos os dias o Senhor celebra bodas, pois todos os dias se une às almas fiéis por ocasião do seu baptismo ou da sua passagem deste mundo para o Reino dos Céus. E nós, que recebemos a fé em Jesus Cristo e o selo do baptismo, somos todos convidados para estas bodas, onde foi posta uma mesa para nós, uma mesa sobre a qual dizem as Escrituras: «Preparais-me um banquete frente aos meus adversários» (Sl 22,5). Aí encontramos os pães da oferenda, o vitelo gordo, o Cordeiro que tira os pecados do mundo (Ex 25,30; Lc 15,23; Jo 1,29). Aí nos são oferecidos o pão que desceu do Céu e o cálice da Nova Aliança (Jo 6,51; 1Co 11,25). Aí nos são apresentados os evangelhos e as epístolas dos apóstolos, os livros de Moisés e dos profetas, que são como alimentos extremamente deliciosos.

Que mais poderíamos desejar? Porque havemos de escolher os primeiros lugares? Seja qual for o lugar que ocupamos, temos tudo em abundância e nada nos faltará.

sábado, 27 de agosto de 2016

O Evangelho de Domingo dia 28 de agosto de 2016

Entrando Jesus, um sábado, em casa de um dos principais fariseus, para comer, eles estavam a observá-l'O. Disse também uma parábola, observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares à mesa: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não te coloques no primeiro lugar, porque pode ser que outra pessoa de mais consideração do que tu tenha sido convidada pelo dono da casa, e que venha quem te convidou a ti e a ele e te diga: Cede o lugar a este; e tu, envergonhado, vás ocupar o último lugar. Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier quem te convidou, te diga: Amigo, vem mais para cima. Então terás com isto glória na presença de todos os convidados; porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado».

Lc 14, 1. 7-11

O Evangelho do dia 27 de agosto de 2013

«Será também como um homem que, estando para empreender uma viagem, chamou os seus servos, e lhes entregou os seus bens. Deu a um cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual segundo a sua capacidade, e partiu. O que tinha recebido cinco talentos, logo em seguida, foi, negociou com eles, e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que tinha recebido dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, foi fazer uma cova na terra, e nela escondeu o dinheiro do seu senhor. «Muito tempo depois, voltou o senhor daqueles servos e chamou-os a contas. Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco, dizendo: “Senhor, entregaste-me cinco talentos, eis outros cinco que lucrei”. Seu senhor disse-lhe: “Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei a intendência de muitas; entra no gozo do teu senhor”. Apresentou-se também o que tinha recebido dois talentos, e disse: “Senhor, entregaste-me dois talentos, eis que lucrei outros dois”. Seu senhor disse-lhe: “Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei a intendência de muitas; entra no gozo do teu senhor”. «Apresentando-se também o que tinha recebido um só talento, disse: “Senhor, sei que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Tive receio e fui esconder o teu talento na terra; eis o que é teu”. Então, o seu senhor disse-lhe: “Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei, e que recolho onde não espalhei. Devias pois dar o meu dinheiro aos banqueiros e, à minha volta, eu teria recebido certamente com juro o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos, porque ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que tem. E a esse servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”.

Mt 25, 14-30

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O vírus do ódio enlouqueceu os franceses

Enquanto a liberdade ameaçada for a dos outros e ainda fingirem que respeitam a nossa não haverá onda de indignação que pare o agressor. A cobardia mirra as comunidades. A grande França já está a mirrar.

A que raio de propósito o dr. Carlos Carreiras havia de exigir que me despisse nas praias de Cascais ou o dr. Basílio Horta de me multar em função da roupa que me apetecesse levar e passear dentro ou fora das ondas da Praia das Maçãs? Garanto que se me desse na gana mergulhar vestida não haveria edital, nem polícia municipal que me levasse a retirar a roupa em público como há poucos dias vi acontecer, numa cena degradante, a uma jovem muçulmana intimada pela polícia a retirar a t-shirt sob uma chuva de insultos de outros banhistas algures numa praia do Sul de França.

Quem decida ir mais ou menos “emburquinada” à praia tem, obviamente, direito a fazê-lo em pleno mundo livre. Seja porque a respectiva religião exige ou aconselha, para evitar olhares indiscretos (a minha só me recomenda que escolha uma fatiota modesta e tapada q.b ), ou ainda mais prosaicamente para fugir clinicamente ao olhar do Sol.

Digo isto porque vivo num país Ocidental e livre. Onde a minha moral e os bons costumes deixaram, há mais de 40 anos, de ser caso de polícia. Convenhamos que não me sinto pessoalmente muito confortável com a ostensiva nudez que povoa a maioria dos nossos espaços de veraneio, mas cabe-me a mim estrategicamente procurar onde ainda se preserva algum bom senso e sobretudo se cultiva a elegância e o bom gosto. Dito isto, sinto-me bastante bem por minha conta. Se o autarca da zona prefere biquínis ou odeia burkinis é lá com ele, mas comigo é que não é.

Não poderia, infelizmente, dizer o mesmo se vivesse em França. A da Revolução. Pois bem, os franceses herdeiros das “luzes” descobriram agora que a moral deles e os bons costumes deles mais o laicismo militante e jacobino deles é incompatível com ir vestido para a praia. Isso constitui uma horrível provocação por parte da comunidade muçulmana à comunidade local. Fica implícito que os muçulmanos deviam ganhar juízo e, tal como em Roma se deve ser romano, em França só lhes resta vestir à francesa.

A boa coexistência entre duas comunidades em aparente choque em várias regiões não passa por evitar provocações de lado a lado. A absoluta nudez pode ser escandalosa e provocatória e vista como sinal evidente de degradação Ocidental por um dos lados, mas isso não tem importância nenhuma para as autoridades locais.

Talvez uma freirinha que queira modestamente molhar as pontinhas dos pés consiga desconto na multa prevista para as mulheres muçulmanas por não ser vista como nenhuma ameaça à segurança nacional, mas apenas como um simples atentado contra a laicidade e os bons costumes. Lembram-se da proibição dos crucifixos nas salas de aula? Agora em toda a função pública mesmo ao pescoço só se passarem despercebidos e forem pequeninos. Não tarda hábitos e cabeções deixarão de poder sair à rua. Já faltou mais.

Quando ninguém repara no que só toca no vizinho é fatal que acabem a chegar à nossa porta. De mansinho é certo que virão. Já vieram. Mas continuamos a olhar para o lado preferindo não ver. Enquanto a liberdade ameaçada for a dos outros e ainda fingirem que respeitam a nossa não haverá onda de indignação que pare o agressor. A cobardia mirra as comunidades. A grande França já está a mirrar.

A polícia de costumes em certos países árabes usa varas para assinalar as partes visíveis do corpo das mulheres que acham por bem que deveriam estar tapadas, a polícia francesa usa cassetetes e armas de fogo para intimidar a remoção das peças de roupa que na brilhante opinião dos respectivos autarcas deveriam ser destapadas. Está tudo louco?

Quando a xenofobia precisa de arranjar este tipo de argumentos (libertários) para se justificar, quando a laicidade feroz esquece o mais elementar bom senso e respeito pela identidade do outro, a coisa só pode correr mal, muito mal.

As perseguições legitimam-se, assim, numa praia qualquer perdida nos arredores de Nice para acabar de vara em riste por uma qualquer milícia popular que um dia resolve tomar em mãos as funções dos zeladores da lei, da ordem, da tradição, dos bons costumes ou de outra coisa qualquer. À pesca de inimigos para humilhá-los, julgá-los e elimina-los nas praças públicas.

É verdade que a Justiça francesa já impediu a arbitrariedade numa pequena localidade do sul de França, a pedido da Liga de Direitos Humanos, suspendendo a lei que proíbe o uso do burkini. Há activistas que se ofereceram para pagar as multas. Há protestos um pouco por todo o mundo. Mas, em várias praias de França, a arbitrariedade persiste. Isso diz bem do estado de um país onde a Frente Nacional não pára de crescer. O vírus do ódio alimenta a loucura e a barbárie regressa. Começa assim.

Graça Franco (seleção de imagem 'Spe Deus')