Obrigado, Perdão Ajuda-me

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As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 20 de setembro de 2009

Bento XVI vai coroar o Menino Jesus de Praga

Visita do Papa à República Checa dará visibilidade a Cristo

A visita do Papa à República Checa, de 26 a 28 de Setembro, voltará a dar "visibilidade e presença" a Cristo, num país em que apenas 25% da população se declara crente, afirmou o Pe. Petr Sleich, prior do Carmelo de Praga.

Apesar dos números e do baixo índice de vocações, o sacerdote está optimista: "Essa situação pode mudar rapidamente, como já pudemos comprovar com os nossos próprios olhos, quando, há 20 anos, caiu a Cortina de Ferro".

O prior do Carmelo afirma não estar certo de que "o número dos não-crentes seja realmente tão alto como dizem. (...) Algumas pessoas sentem-se inseguras quando se abordam questões relacionadas com Deus, mas eu não garantiria que carecem de fé”.

As palavras do Pe. Sleich são reforçadas pelo seu itinerário cristão: foi baptizado aos 20 anos, quando estudava Matemática, sendo o que comummente se designa de “vocação tardia”. Hoje, quase toda a sua família é católica.

Devoção ao Menino Jesus de Praga estende-se a todos os continentes

Um dos primeiros gestos de Bento XVI depois de chegar à capital, será a coroação do Menino Jesus de Praga.

A imagem, que se encontra na Igreja de Santa Maria da Vitória desde 1628, recebe anualmente quase um milhão de peregrinos. A sua devoção começou no século XVI, tendo-se estendido a todos os continentes, sendo especialmente activa na Índia, onde existem vários santuários.

“Muitos checos que se declaram não-crentes amam o Menino Jesus de Praga, e estou certo de que muitos acabarão por se tornar amigos d’Ele", afirmou o Pe. Sleich.

"O coração humano é sensível à imagem do Menino Jesus, e o Natal também é uma festa querida e apreciada por pessoas não muito crentes na República Checa, apesar de ser considerada a nação mais marcada pelo ateísmo na Europa."

"Quando, no nosso santuário, as pessoas têm diante de si Deus representado como uma criança, não sentem medo; pelo contrário, porque Ele pede o nosso amor, o nosso coração, as nossas mãos e a nossa ajuda", sublinha o prior.

A tradição conta que Santa Teresa de Ávila presenteou o Menino a uma nobre espanhola; esta, por sua vez, ofereceu-o à filha, aquando do seu casamento, em Praga.

Durante a Guerra dos Trinta Anos, a imagem foi profanada por soldados da Saxónia, que partiram as suas mãos e a atiraram para um monte de escombros atrás do altar.

Segundo uma lenda, a imagem foi encontrada pelo carmelita luxemburguês Cirilo a Matre Dei, a quem, numa visão, o Menino Jesus suplicou que devolvesse as suas mãos, prometendo-lhe: "Quando mais me honrardes, mais vos abençoarei!".

A devoção ao Menino Jesus de Praga foi guardada por Santa Teresa de Lisieux e Santa Teresa Benedita da Cruz, entre outros. O poeta francês Paul Claudel dedicou-lhe um poema. Recentemente, o arcebispo de Praga, Cardeal Miroslav Vlk, declarou a igreja que alberga o Menino Jesus de Praga como segundo santuário do país.

Menino inspirou "O Principezinho"

O Pe. Sleich revela que a conhecida história «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry, está inspirada no Menino Santo.

"O que poucos sabem é que Antoine de Saint-Exupéry estava muito familiarizado com a veneração do Menino Jesus de Praga. O seu livro é lido nas escolas por não se tratar de uma obra religiosa, mas a verdade é que o é em altíssimo grau, pois inspira-se directamente no Menino Jesus de Praga. Um menino que vem do céu, que oferece a sua amizade, morre e volta às alturas..."

"As crianças que visitam o Menino Jesus de Praga entendem que ele não é uma peculiaridade católica estranha e compreendem a sua mensagem", acrescenta o sacerdote.

"São precisamente os símbolos que não precisam de longa reflexão os mais eficazes”, concluiu.


(Fonte: site Agência Ecclesia)

Saber medir as nossas palavras

Estávamos os três a tomar uma cerveja. A esplanada, quase vazia. Depois de um dia extenuante de trabalho, logicamente, o cansaço fazia-se notar. De repente, um deles fez ao outro uma pergunta indelicada, com uma certa ironia e até violência. Mais do que perguntar, parecia que estava a brincar com uma atitude que não entendia. Instintivamente, fiquei à espera de uma resposta à altura das circunstâncias. Mas ela não veio. Pelo contrário, a contestação foi cordial e sem azedume.

Fez-me pensar. Aquela pessoa levava consigo o seu próprio ambiente. Um ambiente que não dependia de circunstâncias nem de provocações. Podendo fazê-lo, por uma questão de “estrita justiça”, não tinha devolvido o mal com o mal. Demonstrava com isto um senhorio de si próprio fora do comum. Ao outro só restavam duas opções: pedir desculpas pelo modo como tinha abordado o assunto ou fingir que nada tinha acontecido. Escolheu esta última por ser a mais cómoda, e, pensava ele erradamente, a menos humilhante. Que diferença tão grande de nível humano em duas pessoas com a mesma profissão.

O meu amigo cordial tinha um tom humano impressionante. Um tom que facilitava o relacionamento mútuo, que fazia com que os outros se sentissem bem ao seu lado. Sabia estar com todos. Irradiava à sua volta um ambiente agradável, de profunda dignidade. Oferecia uma amizade sincera, sem ocultar a sua identidade de cristão coerente por medo a ser rejeitado. E foi devido a essa sua coerência que a pergunta irónica tinha surgido. Ao fazer-lhe ver a minha admiração pelo modo como tinha actuado, respondeu-me: “não há caridade sem respeito, e não há respeito se não sabemos medir as nossas palavras”.

Saber medir as nossas palavras. Quantas vezes ferimos os outros porque não sabemos medir as nossas palavras. E isso não é hipocrisia nem falta de sinceridade. É simplesmente respeito. É capacidade de nos pormos na situação dos outros e descobrir que não gostaríamos que nos falassem assim. Dizer o que pensamos sem pensar no que dizemos, geralmente, é uma atitude bastante irresponsável. É como atirar uma pedra pela janela sem preocuparmo-nos com os estragos que possa provocar.

Cuidar o modo como dizemos as coisas também não é algo superficial. Quantas vezes, tendo alguma razão, a perdemos não por aquilo que dizemos, mas pelo modo como o fazemos. Quase tudo depende da forma de dizer as coisas. Há muitos modos de dizer a mesma coisa e, habitualmente, não é necessário tornar a verdade antipática a ninguém. A verdade é como uma flor. Não é a mesma coisa oferecê-la a alguém ou atirá-la à sua cara. A segunda atitude não é mais sincera, ainda que muitas pessoas nos tentem convencer do contrário.


Pe. Rodrigo Lynce de Faria

Meditação do dia de Francisco Fernández Carvajal

Johann Sebastian Bach - Concerto for two harpsichords

sábado, 19 de setembro de 2009

Os homens nas mãos de Deus (Editorial)

Durante a ordenação episcopal de cinco estreitos colaboradores Bento XVI explicou as leituras bíblicas, como faz nas ocasiões e nas circunstâncias importantes. E fê-lo com a habitual limpidez uma clareza que em Ratzinger está sempre acompanhada pela profundidade usando o método da actualização da Escritura: um modo de explicar tradicional no cristianismo desde os tempos mais antigos, que remonta ao próprio Jesus e afunda as suas raízes no judaísmo.

O Papa falou aos novos bispos e dirigiu-se deste modo à Igreja inteira, desempenhando o serviço que é próprio do Pontífice, como ressaltou na visita à diocese de Viterbo quando recordou a figura do seu predecessor Leão Magno, o primeiro sucessor de Pedro do qual se conservou quase completamente a pregação, que permaneceu exemplar na tradição da Igreja de Roma.

Assim explicou Bento XVI aos fiéis presentes em São Pedro como a todos os católicos e a quantos quiserem prestar atenção às suas palavras o significado do ser bispo e do servir, em qualquer cargo de responsabilidade, na Igreja. A partir dos sinais da liturgia e do sentido profundo das Escrituras, convergentes ao indicar que os homens estão nas mãos de Deus. Mas é preciso abrir-se a este Deus e é este o significado do sinal litúrgico do silêncio porque a ferida mais grave é precisamente o afastamento d'Ele. A tarefa dos bispos e de quem quiser servir na Igreja é, portanto, antes de tudo a de curar a ferida do afastamento de Deus. A exemplo de Jesus, que descreve através das parábolas o que deve distinguir quantos quiserem verdadeiramente ser servos: fidelidade, prudência, bondade. Isto na condição humana imperfeita e marcada pelo pecado certamente não é fácil já no tempo de Paulo havia nas comunidades cristãs desentendimentos entre correntes contrapostas mas quantos são chamados às diversas responsabilidades têm o dever de trabalhar não para si mesmos, mas para a comunidade e para o bem comum, mantendo o coração orientado profundamente para Deus, cujas mãos acolhem e conservam todas as criaturas humanas.

Giovanni Maria Vian - Director

(©L'Osservatore Romano - 19 de setembro de 2009)