Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Os ‘lagers’ nazis

“Os lagers nazis – como todos os campos de extermínio, podem ser considerados símbolos extremos do mal, do inferno que se abre na terra quando o homem esquece Deus e se Lhe substitui, usurpando o seu direito de decidir o que é bem e o que é mal, de dar a vida e a morte.

Infelizmente, este triste fenómeno não está circunscrito aos lagers. Eles são afinal o cume que emerge numa realidade ampla e difusa, muitas vezes de confins imprecisos. Os santos fazem-nos refletir sobre as profundas divergências que existem entre o humanismo ateu e o humanismo cristão”.

(Bento XVI – Angelus 09.08.2009)

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Edith Stein nasceu em Breslau, atualmente Wroclaw, capital da Silésia, na Alemanha (cidade que, depois da Segunda Guerra Mundial, passou a pertencer à Polónia), no dia 12 de Outubro de 1891, quando se celebrava a grande festa judaica do Yom Kippur, o Dia da Reconciliação.

Seus pais, Sigefredo e Augusta, eram comerciantes judeus. Edith foi a última de onze filhos. O pai faleceu em 1893. A mãe encarregou-se dos negócios da família e da educação dos filhos.

A pequena Edith, segundo o seu próprio testemunho, foi muito dinâmica, sensível, nervosa e irascível. Aos sete anos, começou a possuir um temperamento mais reflexivo.

Em 1913, ingressou na Universidade de Göttingen e dedicou-se ao estudo da Fenomenologia. Aí encontrou a sua verdadeira vida: livros, companheiros e, sobretudo, o célebre professor E. Husserl. Durante este tempo chega a um ateísmo quase total.

Em 1914, eclode a Primeira Guerra Mundial. Edith vai trabalhar num hospital com quatro mil camas. Entrega-se a este trabalho de corpo e alma.

Estuda com seriedade a Fenomenologia, até se encontrar com a doutrina católica. Encontra definitivamente a sua nova fé em 1921, quando lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus. O amor a Deus, o Absoluto, toma conta de sua alma: “Cristo elevou-se radiante ante meus olhos: Cristo no mistério da Cruz”. Sob a direcção do Padre jesuíta Erich Przywara, começa a estudar a teologia de São Tomás de Aquino.

Baptiza-se no dia 1 de Janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa Edwig. Desde então sente-se evangelizadora: "Sou apenas um instrumento do Senhor. Quem vem a mim, quero levá-lo até Ele”. "Deus não chama ninguém a não ser unicamente para Si mesmo”.

Aos 42 anos, no dia 15 de Abril de 1934, festa do Bom Pastor, veste o hábito carmelita no Convento de Colónia.

A sua conversão, que não a impede de continuar a sentir-se filha de Israel, enamorada de sua santa progenitura, separa-a, contudo, de sua família e de sua amada mãe: “Minha mãe opõe-se com todas as suas forças à minha decisão. É difícil ter que assistir à dor e ao conflito de consciência de uma mãe, sem poder ajudá-la com meios humanos”. (26-01-1934).

No dia 21 de Abril de 1935, domingo de Páscoa, faz seus votos religiosos e três anos depois, no mesmo dia, seus votos perpétuos. Sua vida será uma “Cruz” transformada em “Páscoa”.

Na Alemanha, os nazis começam a semear o ódio ao povo judeu. Ela pressagia o destino que a aguarda. Tentam salvá-la, fazendo-a fugir para a Holanda, para o Carmelo de Echt. Membros das SS não tardam a invadir o convento e prendem Irmã Benedita e sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo.

Três dias antes de sua morte, Edith dirá: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui connosco”. (06-08-1942).

Após vários tormentos, no dia 9 de Agosto de 1942, na câmara de gás do “inferno de Auschwitz", morria a mártir da Cruz, Irmã Teresa Benedita. Foi beatificada no dia 1 de Maio de 1987, em Colónia, e canonizada em 1999 pelo papa João Paulo II, que mais tarde a declarou conjuntamente com Santa Catarina de Sena e Santa Brígida da Suécia, padroeira da Europa.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

S. Domingos de Gusmão, presbítero, fundador, †1221

São Domingos nasceu em Caleruega, em Castela-a-Velha, no ano de 1170. De família nobre, e de belo rosto, acostumou-se desde jovem a duras penitências. De caráter metódico e firmíssimo, deu grande importância aos estudos, como premissa indispensável ao dever apologético dos frades pregadores. Aos 14 anos de idade, foi enviado para Palência, onde estudou filosofia e teologia. Como sacerdote e cónego de Osma distinguiu-se pela retidão, zelo, pontualidade nas funções e espírito de sacrifício. Pregou com êxito contra os hereges albigenses, que defendiam a existência de dois princípios, de duas divindades: o Bem e o Mal.

Estudo e pobreza são os dois pontos principais da Ordem dominicana, o programa de vida dos frades ’mendicantes’ que vestem o hábito de São Domingos, contemporâneo de outro grande e amado santo fundador, São Francisco de Assis.

São Domingos morreu em Bolonha no dia seis de Agosto do ano 1221 e foi proclamado santo, 13 anos após a morte, em 1234.

domingo, 7 de agosto de 2022

A festa de S. Napoleão

No próximo dia 15 de Agosto, como todos os anos, celebra-se a grande solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

Como todos os anos? Bem, houve um tempo em que o Imperador dos franceses, Napoleão Bonaparte, substituiu Nossa Senhora por S. Napoleão. Que a Igreja nunca tivesse canonizado um Napoleão não era problema, porque entre as multidões de centuriões romanos que se converteram e estão no Céu, possivelmente algum se chamava Napoleão e, mais importante que um Napoleão no Céu era o Napoleão omnipotente que governava a França e queria dominar o mundo. Parecia-lhe que quem mandava tanto neste mundo podia também mandar no outro mundo e a Igreja cabia sob a autoridade suprema do imperador.

Napoleão nomeava bispos em França, dispunha dos padres e dos conventos, substituía a seu bel-prazer as celebrações católicas por festas de S. Napoleão, mas Deus ainda não era seu súbdito e o Papa, seu representante na Terra, ainda lhe escapava. O magno desafio de subjugar a Igreja foi confiado a um profissional de invulgar habilidade, chamado Talleyrand.

A trajectória deste especialista é desconcertante. Como, apesar de ser nobre, não podia fazer carreira militar, porque tinha uma perna mais curta que a outra, decidiu em alternativa ser bispo. Naquela altura, em que os reis mandavam tanto, o plano era exequível e, de facto, o Rei nomeou-o. Pouco depois, o Rei reúne os Estados Gerais e Talleyrand entra na política ao lado do Rei. Como este estava falido, Talleyrand propõe nacionalizar os bens da Igreja. Com pouco mais de dois anos como bispo, a função deixa de lhe interessar e demite-se. Entretanto, abandona o Rei, refugia-se momentaneamente no estrangeiro durante a revolução e regressa como Ministro dos Negócios Estrangeiros do Directório. Entretanto, começa a conspirar e organiza o golpe de Estado que acaba com o Directório e prepara o consulado de Napoleão, que mantém Talleyrand como Ministro dos Negócios Estrangeiros e seu principal conselheiro. É nesta função que concebe o seu plano para subjugar a Igreja.

O primeiro passo consistia em raptar o Papa Pio VI, escondê-lo em França e anunciar que tinha morrido. O segundo passo seria dar tempo para que um novo Papa fosse eleito e, depois, apresentar Pio VI afinal vivo. Confrontada com dois Papas em exercício, a Igreja dissolver-se-ia em lutas internas, Paris substituía o Vaticano e o Imperador substituía o Papa.

A primeira parte da operação, invadir Roma e raptar o Papa, foi fácil. Levá-lo para França correu menos bem porque as multidões desobedeciam ao Imperador e ajoelhavam-se à passagem do prisioneiro. Mas a parte do plano que correu pior foi que Pio VI não sobreviveu aos maus tratos e morreu antes de a Igreja ter escolhido o sucessor. Pior ainda, para marcar a continuidade, o Pontífice seguinte escolheu o nome de Pio VII.

Preocupado com a situação da igreja em França, Pio VII cedeu em tudo o que não era essencial. Aceitou o confisco dos bens da Igreja e reconheceu o Governo francês em troca de alguma liberdade para a Igreja. Só não pôde aceitar o divórcio de Napoleão, nem o bloqueio económico ao Reino Unido. Como as cedências não bastavam, o exército francês volta a invadir Roma e Pio VII é levado prisioneiro para França. Sujeitam-no a enormes pressões mas resiste e, quando a estrela de Napoleão começa a apagar-se, o Imperador desiste do plano e consente que o Papa regresse a Roma.

Talleyrand —que mudava de amantes a um ritmo que escandalizava o próprio Napoleão, que também não era fiel à sua mulher— depois de ter apoiado o Imperador, começa a conspirar contra ele. Cai Napoleão e Talleyrand é eleito para chefiar o Governo provisório e junta-se ao novo Rei Luís XVIII, de quem depois se afastou. Continuou assim a manter o poder e a trair, um a um, os seguintes que o nomearam.

No dia da morte, Talleyrand assina uma retractação por tudo o que tinha feito contra a Igreja e recebe a Unção dos Enfermos. E S. Napoleão? A Igreja ainda não canonizou nenhum Napoleão, mas o ex-Imperador Napoleão Bonaparte quis morrer «no seio da Igreja Apostólica e Romana». Pouco antes de morrer confessou-se ao Pe. Vignali, enviado do Papa; fez há poucos dias 200 anos.

E no próximo dia 15 de Agosto, em todo o mundo, também em França, celebra-se a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

José Maria C.S. André

sábado, 6 de agosto de 2022

A Transfiguração do Senhor

O Céu. "Nem olho algum viu, nem ouvido algum ouviu, nem passaram pelo pensamento do homem as coisas que Deus preparou para aqueles que O amam". Não te incitam à luta estas revelações do Apóstolo? (Caminho, 751)

E transfigurou-Se diante deles. E o Seu rosto ficou refulgente como o Sol e as Suas vestes tornaram-se brancas como a neve (Mt 17, 2).

Jesus: ver-Te, falar contigo! Permanecer assim, contemplando-Te; abismado na imensidade da Tua formosura, e nunca, mais deixar de Te contemplar! Ó Cristo, quem Te pudesse ver! Quem Te visse, para ficar ferido de amor por Ti!

E eis que da nuvem uma voz dizia: Este é o meu Filho dilecto em quem pus toda a minha complacência: ouvi-O (Mt 17, 5).

Senhor nosso, aqui nos tens, dispostos a escutar tudo o que nos quiseres dizer. Fala-nos; estamos atentos à Tua voz. Que as Tuas palavras, caindo na nossa alma, inflamem a nossa vontade, para que se lance fervorosamente a obedecer-Te!

Vultum tuum, Domine, requiram (S 26,8) – buscarei, Senhor, o Teu rosto. Encanta-me cerrar os olhos, e considerar que chegará o momento – quando Deus quiser – em que poderei vê-lo, não como num espelho, e sob imagens obscuras…, mas face a face (1 Cor 13, 12). Sim, o meu coração está sedento do Deus, do Deus vivo; quando irei e verei a face de Deus? (S 41, 3). (Santo Rosário. 4. º Mistério luminoso)

São Josemaría Escrivá