Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

domingo, 28 de novembro de 2021

Obrigado! Perdão! Ajuda-me mais!

Começamos um novo ano litúrgico em que esperamos tantas graças de Deus, na continuação das muitas que nos concedeu nos últimos meses e sempre! (...) Aumentemos em cada dia o nosso desejo de ser muito fiéis ao caminho para chegar à felicidade, e também o esforço de nos convertermos diariamente para nos identificarmos mais com Jesus Cristo. Que boa altura esta para repetirmos com frequência e profunda convicção estas palavras: Obrigado! Perdão! Ajuda-me mais! Aumentaremos nas próximas semanas as ações de graças, ao mesmo tempo que recorremos com maior confiança à misericórdia divina, pedindo indulgência pelos nossos pecados e pelos de toda a humanidade. E não deixemos de continuar a pedir a proteção do Céu para a Igreja, para esta partezita da Igreja que é a Obra, para cada um de nós, para todo o mundo.

D. Javier Echevarría na carta do mês de dezembro de 2014
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Ano litúrgico, Cristo no tempo

"Ao oferecer-te aquela História de Jesus, pus como dedicatória: «Que procures a Cristo. Que encontres a Cristo. Que ames a Cristo». São três etapas claríssimas. Tentaste, pelo menos, viver a primeira?" (Caminho”, 382)

A história humana é e será sempre uma história de salvação, e é isto o que a Igreja celebra no ano litúrgico. As festas e tempos não são aniversários, uma mera repetição de alguns momentos históricos da vida do Senhor; são a celebração da sua presença, a atualização da salvação que o Padre, por Jesus Cristo, nos comunica no Espírito Santo.

A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II apresenta o ano litúrgico com estas palavras: «A santa mãe Igreja considera seu dever celebrar, em determinados dias do ano, a memória sagrada da obra de salvação do seu divino Esposo» (Sacrosanctum Concilium, 102). Cada ano litúrgico é, pois, uma nova oportunidade de graça e de presença do Senhor da história na nossa própria história quotidiana, nos acontecimentos -também nos mais insignificantes- de cada dia.

Aquele que é o mesmo, que era e que será, vem a nós no tempo, aqui e agora, para viver o presente, o de cada um, com os seus irmãos os homens.
O ano litúrgico está impregnado pela presença de salvação do Senhor para que em cada tempo litúrgico -com as suas características concretas- os cristãos possamos ser mais semelhantes a Ele, não só no sentido moral de imitação, de mudança de costumes e de melhoramento na conduta, mas de verdadeira identificação sacramental -imediata- com a vida de Cristo. Assim, a nossa vida diária converte-se num culto agradável ao Pai por ação do Espírito (cfr. Rom. 12, 1-2).

Já a partir dos primeiros séculos, à celebração dos mistérios de Cristo, a Igreja uniu a celebração da Virgem e do dia da passagem para casa do Pai dos mártires e dos santos. Com a sua vida, souberam dar testemunho da vida de Cristo, especialmente da Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão gloriosa ao Céu. Por isso ao longo do ano litúrgico são apresentados aos fiéis cristãos como exemplo de amor a Deus.

«Frequentemente, o Senhor fala-nos do prémio que nos ganhou com a sua Morte e Ressurreição. Vou preparar um lugar para vós. Depois que Eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo para que, onde eu estou, estejais vós também (Cfr. Jo. XIV, 2-3). O Céu é a meta do nosso caminho terreno. Jesus Cristo precedeu-nos e ali, na companhia da Virgem e de S. José -a quem tanto venero- dos Anjos e dos Santos, aguarda a nossa chegada.» (Amigos de Deus, 220).

São Josemaría Escrivá

O Advento

S. Josemaria dizia que cada Natal tem de ser para nós um novo e especial encontro com Deus, deixando que a sua luz a sua graça entrem até ao fundo da alma. Apresentamos alguns textos do fundador do Opus Dei relacionados com o Advento, tempo de preparação para o Natal.

Chegou o Advento. Que bom tempo para remoçar o desejo, o anelo, as ânsias sinceras pela vinda de Cristo!, pela sua vinda quotidiana à tua alma na Eucaristia! Ecce veniet!, está a chegar!, anima-nos a Igreja.
Forja, 548

Olhai e levantai as vossas cabeças porque está próxima a vossa redenção (Lc 21, 28), lemos no Evangelho. O tempo do Advento é o tempo da esperança. Todo o panorama da nossa vocação cristã, a unidade de vida que tem como nervo a presença de Deus, Nosso Pai, pode e deve ser uma realidade diária.
Cristo que passa, 11, 4

Procura a união com Deus e enche-te de esperança – virtude segura! –, porque Jesus te iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da sua misericórdia.
Forja, 293

Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act. II, 11), uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

É preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé, aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres conceitos, às nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens.
Cristo que passa, 13

Advento

O Advento significa a presença iniciada do próprio Deus. Por isso, recorda-nos duas coisas: primeiro, que a presença de Deus no mundo já começou, e que Ele já está presente de uma maneira oculta; em segundo lugar, que essa presença de Deus acaba de começar, ainda não é total, mas está em processo de crescimento e maturação.

A sua presença já começou, e somos nós, os seus fiéis, que, por sua vontade, devemos torná-lo presente no mundo. É por meio da nossa fé, esperança e amor que Ele quer fazer brilhar a luz de forma contínua na noite do mundo. Assim, as luzes que acendermos nas noites escuras do inverno serão ao mesmo tempo consolo e advertência: certeza consoladora de que "a luz do mundo" já se acendeu na noite escura de Belém e transformou a noite do pecado humano na noite santa do perdão divino; e, por outro lado, a consciência de que essa luz só pode - e só quer - continuar a brilhar se for sustentada por aqueles que, por serem cristãos, continuam através dos tempos a obra de
Cristo.

A luz de Cristo quer iluminar a noite do mundo através da luz que somos nós; a sua presença já iniciada deve continuar a crescer por nosso intermédio. Quando, na Noite Santa, ressoar uma e outra vez o hino Hodie Christus natus est, devemos lembrar-nos de que o começo que se deu em Belém há-de ser em nós um começo permanente, que aquela noite santa volta a ser um "hoje" cada vez que um homem permite que a luz do bem faça desaparecer nele as trevas do egoísmo [...]. O Menino-Deus nasce onde se atua por inspiração do amor do Senhor, onde se faz algo mais do que trocar presentes.

Advento significa presença de Deus já começada, mas também apenas começada. Isto implica que o cristão não olha somente para o que já foi e já passou, mas também para o que está por vir. No meio de todas as desgraças do mundo, tem a certeza de que a semente da luz continua a crescer oculta, até que um dia o bem triunfará definitivamente e tudo lhe estará submetido: no dia em que Cristo voltar. O cristão sabe que a presença de Deus, que acaba de começar, um dia será presença total. E essa certeza torna-o livre, presta-lhe um apoio definitivo.

(Cardeal Joseph Ratzinger em ‘Licht, das uns leuchtet. Besinnungen zu Advent und Weihnachten‘, 5a- ed., Herder, Friburgo, 1978)

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Votação episcopal nos EUA

No passado dia 17 de Novembro, os bispos dos EUA fizeram história ao aprovarem por 222 votos a favor, 8 contra e 3 abstenções, um documento intitulado «O Mistério da Eucaristia na Vida da Igreja».


Quando a Conferência Episcopal Norte-Americana tomou a decisão de o elaborar, em Junho de 2019, ninguém imaginava os problemas que surgiriam dois anos mais tarde, em virtude de o novo Presidente ser um militante activo a favor do aborto, ao mesmo tempo que se declara católico. Esta inconsistência talvez se explique por algumas pessoas que admiram as iniciativas da Igreja se considerarem católicas, mesmo desconhecendo a doutrina ou tendo divergências de fundo.


O assunto ganhou especial acuidade quando o Presidente Biden apareceu numa Missa e se aproximou para Comungar. A contradição escandalizou os católicos e gerou um movimento forte a pedir aos bispos que explicassem a Biden que não podia tratar assim a Eucaristia. Inesperadamente, o documento que se trabalhava desde há dois anos, parecia destinado a concentrar-se nesta lição fundamental: Biden venha à Missa, mas não pode comungar.


Bastantes bispos viram o perigo de se transformar a Eucaristia num instrumento de luta política. Em Maio deste ano, o Cardeal Luis Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, enviou-lhes uma carta repetindo a cada passo que o aborto é um crime grave, mas pedindo que o documento reflectisse o consenso de todos os bispos, evitasse aparecer como uma intromissão na luta partidária, ou desse a entender que a doutrina da Igreja se resume à sua oposição ao aborto. Em vista da polémica, na reunião da Conferência Episcopal de Junho, 55 bispos preferiram adiar indefinidamente o documento sobre a Eucaristia. Felizmente, 168 mantiveram o plano.


O resultado conheceu-se no passado dia 17 de Novembro, aprovado pela quase por unanimidade. Realmente, está bem escrito e expressa com clareza os pontos centrais acerca da Eucaristia, sem alimentar controvérsias políticas.


As páginas sobre o carácter sacrificial da Missa e sobre a presença real de Jesus na Eucaristia abrem o panorama geral, que permite compreender a relação da Eucaristia com a Igreja e entender o significado de Comunhão, simultaneamente com Cristo e com a Igreja. Para alguns leitores, uma consequência prática é a importância de assistir presencialmente à Missa, em especial ao Domingo, porque a pandemia os fez perder o bom hábito de assistir à Missa, como se a transmissão televisiva a pudesse substituir.


O capítulo sobre a resposta do cristão ao dom da Eucaristia ilustra a exposição doutrinal com esplêndidas observações práticas, por exemplo acerca do Sacramento da Confissão.


Sem abandonar a perspectiva teológica e sem referir casos particulares, o documento é perfeitamente claro acerca da importância de estar em comunhão visível com a Igreja para poder comungar Jesus na Eucaristia. «Repetimos o que os bispos dos EUA declararam em 2006: “Se, na sua vida pessoal ou profissional, um católico rejeita consciente e obstinadamente doutrinas definidas pela Igreja, ou se consciente e obstinadamente repudia os seus ensinamentos definitivos acerca de temas morais, diminui seriamente a sua comunhão com a Igreja. Receber a Sagrada Comunhão nestas condições contradiz a natureza da celebração eucarística, de modo que tal pessoa deve abster-se de comungar”». O texto cita ainda uma Encíclica papal sobre a Eucaristia: «Em casos de uma conduta pública que seja séria, clara e persistentemente contrária à norma moral, a Igreja, na sua preocupação pastoral pela boa ordem da comunidade e por respeito ao sacramento, não pode deixar de intervir. O Código de Direito Canónico refere-se a esta manifesta falta de disposições morais quando estipula que “quem persiste obstinadamente num pecado grave” não deve ser admitido à Comunhão eucarística”».


Este documento dos bispos norte-americanos contém muitas citações, dos últimos Papas, do Catecismo da Igreja Católica e de muitos santos. Realço os testemunhos de Carlo Acutis, beatificado em 2020, e de S. José Sánchez, um rapaz mexicano martirizado com 14 anos, canonizado pelo Papa Francisco em 2016. Este último, na prisão, sujeito a muitas torturas para renegar a fé, recebia a Eucaristia às escondidas e respondia às propostas dos seus raptores dizendo-lhes: «a minha fé não está à venda». É também inspiradora a devoção eucarística de Santa Elizabeth Ann Seton, a primeira santa nascida nos EUA, quer antes quer depois de se converter à fé católica.


Em resumo, vale a pena ler «O Mistério da Eucaristia na Vida da Igreja».

José Maria C.S. André