Obrigado, Perdão Ajuda-me

Obrigado, Perdão Ajuda-me
As minhas capacidades estão fortemente diminuídas com lapsos de memória e confusão mental. Esta é certamente a vontade do Senhor a Quem eu tudo ofereço. A vós que me leiam rogo orações por todos e por tudo o que eu amo. Bem-haja!

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

«Defender a fé sem levantar a voz»

No passado Domingo, as Paulinas lançaram em Lisboa a edição portuguesa do livro de Austen Ivereigh «Como defender a fé sem levantar a voz —Respostas civilizadas a perguntas desafiantes» (original How to Defend the Faith Without Raising Your Voice: Civil Responses to Catholic Hot-Button Issues). O livro é interessante e a edição portuguesa acrescentou-lhe dois capítulos, um dos quais é um contributo valioso para repensar a presença da Igreja no mundo.


A história remonta a Março de 2010, quando se marcou uma visita de Bento XVI à Grã-Bretanha para 16 a 19 de Setembro desse ano. Os cabecilhas do ateísmo responderam com uma campanha feroz. Richard Dawkins and Christopher Hitchens propuseram que, à chegada, o Papa fosse metido na prisão e julgado pelos tribunais britânicos. A imprensa anunciou que a visita custaria 19 milhões de libras, levantando um clamor de escândalo. O Governo não se opunha à visita, mas os burocratas encarregados de a organizar propuseram lançar uma marca de preservativos chamada «Bento XVI», que o Papa incluísse no programa a visita a uma clínica de aborto e casasse dois homossexuais.


Pouco antes, tinha-se realizado um importante debate entre personalidades do ateísmo e uma professora universitária convertida ao catolicismo e um bispo. A sondagem anterior ao debate indicou que metade da audiência apreciava positivamente o papel da Igreja católica e a outra metade considerava-o negativo. O desempenho dos esforçados católicos foi tão mau que, no final, quase toda a audiência estava contra a Igreja.


Foi nesta conjuntura que Austen Ivereigh (porta-voz do anterior Arcebispo de Westminster, Londres) e Jack Valero (porta-voz do Opus Dei no Reino Unido) decidiram formar um grupo de gente nova capaz de intervir nos meios de comunicação social. O novo Arcebispo de Westminster apoiou a ideia e assim surgiu o «Catholic Voices», que catalizou uma verdadeira revolução. O impacto desta nova forma de comunicar transformou, em poucas semanas, a opinião pública do Reino Unido.


Imaginem, por exemplo, que uma pessoa de certa idade acusa a Igreja de ser uma velha rabugenta, insensível ao desejo juvenil de relações pré-matrimoniais; e, do outro lado, um rapaz e uma rapariga jovens explicam como a ternura e o respeito entre os namorados expressam o seu amor, o seu sentido de responsabilidade e os ajudam a amadurecer e a querer-se mais. Todos compreendem que Deus está do lado da generosidade e do amor; e que o ataque à Igreja traduz uma visão carregada de desilusão e egoísmo. A maneira como se comunica faz muita diferença.


O plano inicial da visita era que o Papa Bento XVI se deslocasse num automóvel fechado, para evitar confrontos com a população, mas o panorama mudou naquelas semanas. Mesmo em zonas onde há poucos católicos, como na Escócia, o Papa foi acolhido por multidões entusiásticas. As pessoas concentravam-se nas ruas para saudar a passagem do papamóvel. 70 mil pessoas (muitas não católicas) encheram o Bellahouston Park para a Missa. Nas regiões mais católicas, a recepção foi ainda mais calorosa. Milhões de pessoas seguiam a transmissão em directo, em contínuo, de manhã à noite. As autoridades da Igreja anglicana receberam o Papa efusivamente. Os representantes dos judeus e de outras religiões emocionaram-se. Diante de todos os deputados, na solenidade máxima do Parlamento, com Bento XVI sentado no lugar de proeminência, o «Speaker» declarou que «a presença ali do Pontífice, inconcebível em tempos anteriores, é agora uma coisa completamente natural» e que «a fé não é uma relíquia do passado, incrustada na vida política, mas faz parte do seu tecido»: os deputados aplaudiram longamente. Os quatro dias da visita foram intensíssimos e, no final do dia 19, Bento XVI regressou a Roma despedindo-se de um Reino Unido profundamente mudado, enamorado da sua simpatia quase tímida.


O livro de Austen Ivereigh passa em revista os temas mais controvertidos, propondo para cada um aquele tipo de abordagem construtiva, verdadeira, que inspirou os rapazes e as raparigas do «Catholic Voices». Faltava contudo um tema, afinal de contas o principal: faltava falar de Deus, não apenas dos temas fracturantes relacionados com Deus, mas do próprio Deus. Auten Ivereigh e Jack Valero convidaram Pedro Gil a acrescentar esse tópico e por isso esta edição é ainda mais útil e completa que as anteriores.

A necessidade deste capítulo corresponde ao perigo de nos deixarmos arrastar pelo espírito da polémica, como o Papa Francisco alertou: «com a selecção de conteúdos feita pelos mass-media, a mensagem que anunciamos corre o risco de aparecer mutilada e reduzida a alguns dos seus aspectos secundários. (...) Parece assim identificar-se com esses aspectos secundários que, apesar de relevantes, não manifestam por si sós o coração da mensagem de Jesus Cristo». É preciso então «concentrar-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário» (Evangelii gaudium, 34, 35).


Sim, mais atraente e mais necessário. Porém, mais desafiante. Era o capítulo que faltava a este livro: como falar de Deus.

José Maria C.S. André

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

A emoção dominante deste ano

«A apatia pode converter-se na emoção dominante deste ano de 2021». Este prognóstico é do psicólogo Adam Grant, autor do livro Think Again, que convida a pensarmos e a procurarmos as raízes deste estado de ânimo tão presente nos nossos dias.

Grant define a apatia como uma sensação de estagnação e vazio, um estado de ânimo caracterizado pela perda de entusiasmo e de energia. Não chega a ser uma depressão, mas é claramente uma ausência de bem-estar e uma perda da alegria de viver.

A pessoa que se deixa cair nas “areias movediças” da apatia pode tornar-se “indiferente” ao facto de estar assim.

Mas, atenção: a apatia já existia antes de chegar a pandemia!

Para ela contribuem certas inércias como a dispersão provocada pelas distrações contínuas. Segundo alguns estudos, o homem actual muda de ocupação, em média, cada dez minutos, e falta-lhe motivação para lutar por uma vida estimulante que valha a pena encarar com um certo espírito de aventura.

Vários autores actuais, entre os quais se encontra Grant, defendem que recuperar “a capacidade de estarmos atentos” e fugirmos da dispersão é um caminho fundamental para vencermos a tentação da apatia.

Quem quiser aspirar a uma vida profunda não pode ter medo de mergulhar em experiências intelectuais (ler um bom livro, por exemplo) que exigem o esforço do estudo, da atenção e da paciência.

Esta “imersão” não só traz sossego à mente, mas também nos ajuda a ter a sensação clara de que a nossa vida possui um sentido que passa necessariamente por contemplar e agradecer a realidade que nos rodeia.

Como dizia alguém, os sábios da Humanidade sempre estiveram convencidos de que a verdadeira sabedoria vai unida ao esforço, atenção e profundidade. E que deixar-se arrastar pelos sentidos, vivendo uma vida superficial, é o melhor modo de cair na apatia.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

'Mater Dolorosa' de Francesco Barbieri conhecido como Guercino - Roma - Collezione Patrizi Montoro

Nossa Senhora das Dores

A festa de hoje liga-se a uma antiga tradição cristã. Contam que, na Sexta-feira da Paixão, Maria Santíssima voltou a encontrar-se com Jesus, seu filho. Foi um encontro triste e muito doloroso, pois Jesus havia sido açoitado, torturado e exposto à humilhação pública. Coroado de espinhos, Jesus arrastava até ao Calvário a pesada cruz, para aí ser crucificado. Sua Mãe, ao vê-lo tão mal tratado, com a coroa de espinhos, sofre de dor. Perdendo as forças, caiu por terra, vergada pela dor e pelo sofrimento de ver Jesus prestes a morrer suspenso na cruz. Recobrando os sentidos, reuniu todas as suas forças, acompanhou o filho e permaneceu ao pé da Cruz até o fim.

Inicialmente, esta festa foi celebrada com o título de "Nossa Senhora da Piedade" e "Compaixão de Nossa Senhora". Depois, Bento XIII (1724-1730) promulgou a festa com o título de "Nossa Senhora das Dores".

Somos convidados, hoje, a meditar os episódios mais importantes que os Evangelhos nos apresentam sobre a participação de Maria na paixão, morte e ressurreição de Jesus: a profecia do velho Simeão (Lucas 2,33ss.); a fuga para o Egipto (Mateus 2,13ss.); a perda de Jesus aos doze anos, em Jerusalém (Lucas 2,41ss.); o caminho de Jesus para o Calvário (João 19:12ss.); a crucificação (João 19,17ss.); a deposição da cruz e o sepultamento (Lucas 23,50ss.).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Viver a festa da Exaltação da Santa Cruz com alegria

(…) a 14 de setembro, voltamos a agradecer a festa da Exaltação da Santa Cruz à nossa Mãe a Igreja. O nosso Padre preparava-a e celebrava-a com especial alegria, completamente certo de que a Cruz é o trono de glória de onde Cristo atrai tudo a Si [1]. Não imaginais com que alegria indicou que, na Sede central do Opus Dei, se pintasse um grande mural representando a cena que se celebra na Liturgia: a restituição da santa Cruz a Jerusalém, depois de ter sido resgatada de mãos não crentes.


Como manifestação desta tão enraizada devoção, trazia sempre consigo uma relíquia do lignum crucis, e quis que os seus sucessores a usassem também: primeiro, o inesquecível D. Álvaro e agora eu. A todos nos impressionava o grande amor com que beijava, em cada dia, essa santa relíquia: à noite, antes de se retirar para descansar, ao começar de novo o dia e noutros momentos.

[1]. Cfr. Jo 12, 32.

(D. Javier Echevarría na carta de mês de setembro de 2012)